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o que foi feito, e por quê

Diário

O que foi feito, e por quê. A entrada mais nova vem primeiro. Para acompanhar sem voltar aqui: o feed — um endereço para colar num leitor de feeds (Feedly, Inoreader, NetNewsWire, Thunderbird), e cada entrada nova chega sozinha.

2026-10-29 · As Categorias de Aristóteles, com o grego em frente da tradução de 1814

Após subir mais um lote do Garimpo de traduções das revistas e periódicos, decidi iniciar uma busca pelo livro As Categorias de Aristóteles com tradução mais atual do que a de Silvestre Pinheiro Ferreira, de 1814.

Não consegui encontrar nenhuma versão atual em português com licença apropriada, mas reencontrei as Categorias de Silvestre Pinheiro Ferreira na edição de José Leonardo Sousa Buzelli, com grafia atualizada e marcações de Bekker nos Aforismos (link).

Com isso, levando em conta o que está escrito na Advertência do livro, de 31 de dezembro de 1813 — «Quisera eu que o texto grego apparecesse em frente desta traducção (…) Por maior porém que fosse este meu desejo, não me foi possivel satisfaze-lo; já porque neste nascente Estado faltão os meios para se fazer huma correcta edição de hum texto grego» —, consegui realizar esse desejo do tradutor, 213 anos depois: o texto grego junto de sua tradução, alinhados de forma interlinear, à maneira do Pedra Angular, pela marcação canônica de Bekker. Hoje temos os meios técnicos para fazer edições corretas de texto grego, e o custo deixou de ser o problema real que era em seu tempo. Assim, permito que estas obras deixem de ser inacessíveis ao povo desta nossa bela nação.

Nesta edição dou ainda outro passo que a técnica da sua época não permitia a Ferreira: as remissões numeradas que ele usou para separar o texto de suas Explicações — e que obrigavam o leitor a ir e vir fisicamente entre as duas partes do livro — tornam-se notas de rodapé interativas. O número continua exatamente onde ele o deixou; basta tocar nele para ler a Explicação sem perder a página do Aforismo. É a mesma «Segunda Parte» que ele concebeu, apenas com o hyperlink que lhe faltava.

Διαφορεύς, Porto Alegre, 29 de outubro de 2026

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2026-10-29 · O garimpo das revistas: traduções livres de textos antigos

Depois do Elogio de Helena, veio a pergunta: quantas outras traduções de textos antigos as revistas acadêmicas brasileiras publicam com licença aberta? Foram contadas 40 revistas; em 24 delas há 288 traduções, e de cada uma a licença foi lida na página do próprio artigo. Por ora entra só o que já é livre.

Entre 27 e 29 de outubro, 23 obras entraram no acervo:

O critério foi a tradução: entra a tradução, com as notas e uma introdução breve; quando o artigo é sobretudo um estudo em volta de um trecho curto, fica só a tradução, ou o artigo fica de fora. Quando o grego ou o latim já estavam no acervo, a tradução usa a mesma numeração, e os dois se leem lado a lado.

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2026-10-27 · O Elogio de Helena em português, ao lado do grego

Entrou no acervo o Elogio de Helena de Górgias na tradução de Gabrielle Cavalcante (UFC), publicada na Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade (Unicamp), nº 32, 2018. Entrou o artigo inteiro: a introdução da tradutora, as 21 seções do discurso, as duas notas e as referências. O grego, na edição de Blass, já estava no acervo desde a leva dos sofistas; agora os dois se leem lado a lado, com a mesma numeração: [8] no português é [8] no grego.

A licença é a que a página do artigo declara, Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 (o rodapé do site da revista diz outra, e vale a do artigo). Foi a primeira obra assim, e o acervo passou a aceitar essa licença. O que ela pede, o texto cumpre: não vai para edição vendida, e só o formato mudou.

Com uma exceção, decidida por caridade com a tradução. O impresso marca o suplemento do texto grego com os sinais de menor e maior, <ou capturada pelo amor>; aqui ele virou ⟨ou capturada pelo amor⟩, o sinal que as edições usam para isso e que o grego de Blass, logo ao lado, já usa. A tradução fala a mesma língua das edições.

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2026-10-27 · O app passa a contar visitas, às claras

O Pedra Angular agora sabe quantas vezes é aberto e quais obras são lidas. A conta é anônima: sem cookies, sem guardar o endereço de ninguém, sem saber quem lê. Os números ficam num painel público, e quem preferir ficar de fora da conta sai com um endereço só. O app instalado também conta, quando está com internet. Lendo offline, ninguém é contado.

A promessa mudou de "não coleta nada" para "não rastreia ninguém", que é o que ela sempre quis dizer.

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2026-10-23 · Vinte e dois pré-socráticos e sofistas na edição de Diels

Entraram no acervo os testemunhos e os fragmentos de vinte e dois autores na edição de Hermann Diels, Die Fragmente der Vorsokratiker, 4ª edição (Berlim, 1922), em domínio público:

É uma adição nova, e convém dizer isso com clareza. Esses vinte e dois capítulos de Diels não estavam em texto estruturado nas coleções abertas de referência. O Perseus (canonical-greekLit) não tem Diels. O First1KGreek, que codificou em TEI uma parte da edição (Parmênides, Heráclito, Demócrito, Filolau, Crítias, Pródico e outros, que o acervo já tinha), não chegou a estes: de Tales e de Pitágoras ele traz só as cartas atribuídas a eles. Até aqui, para ler estes capítulos, havia o livro e os scans.

O texto saiu dos scans do Internet Archive. O Tesseract leu as páginas, e o Claude Opus 5.5 corrigiu página por página contra o fac-símile, ditando as trocas ao Corretor. Cada autor ganhou um arquivo de testemunhos (a seção A de Diels: o que os antigos contaram dele) e, quando há, um de fragmentos (a seção B: as palavras dele mesmo, que Diels marca espaçadas e aqui vão em negrito). A numeração é a de Diels, para citar como se cita: A 1 = [1], B 1 = [1].

Os erros do próprio impresso ficaram como estão, cada um com uma nota que diz o que se lê. A Helena e o Palamedes de Górgias, que já estavam no acervo, não se repetem: os fragmentos apontam para eles. A tradução alemã que Diels imprime ao lado do grego fica para uma leva própria, com o mesmo cuidado.

Para isso o formato aprendeu uma coisa: o número entre colchetes que não é endereço, como a data «[582]», agora se escreve com a barra invertida, \[582], e sai como texto.

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2026-10-19 · Dois discursos contra os sofistas, em português

Entraram no acervo duas traduções brasileiras de discursos do século IV a.C. que discutem o que é ensinar a falar bem, as duas publicadas em revista acadêmica sob licença Creative Commons (CC BY 4.0):

Os dois discursos se respondem, e por isso entraram juntos.

De cada artigo veio só o texto, sem introdução, resumo nem referências. Cada um ganhou dois arquivos: a tradução em português e um interlinear, com o grego e o português seção por seção. O grego isolado não foi repetido: o acervo já tinha Alcídamas na edição de Blass e Isócrates na de Norlin. No interlinear de Alcídamas o grego é o de Blass que já estava aqui, a mesma edição que o tradutor usou, porque o do artigo saiu impresso sem os apóstrofos. No de Isócrates é o do próprio artigo, pela edição de Drerup, que é a que o tradutor seguiu.

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2026-10-17 · Xenófanes, Parmênides e Empédocles na tradução de Bruno Palavro

Entraram no acervo os fragmentos de três poetas-filósofos gregos na tradução de Bruno Palavro, cedida por ele: Xenófanes de Colofão (33 fragmentos), Parmênides de Eleia (22) e Empédocles de Acragas (168). Vêm da tese Épica Sapiencial: compêndio para uma edição geral da poesia de Xenófanes, Parmênides e Empédocles (doutorado em Letras, UFRGS, 2025): uma tradução hexamétrica de todos os fragmentos épicos atribuídos aos três, em que cada verso grego vira um verso português que recria o hexâmetro. A seleção e a ordem dos fragmentos são as da edição que ele mesmo estabelece.

A tese traz ainda um estudo sobre a linguagem desses pensadores e o diálogo deles com a poesia épica, comentários a cada fragmento e uma tradução interlinear para estudo. Aqui entrou o texto: o grego e a tradução em verso.

Cada poeta tem três arquivos: o grego da edição de Palavro, a tradução em português e o bilíngue, com o grego e o português lado a lado, fragmento a fragmento. Os fragmentos seguem a ordem e a numeração da tese, com o número de Diels-Kranz entre colchetes, para quem cita pela numeração de sempre. Os versos guardam a numeração da margem, de cinco em cinco.

O texto foi tirado do PDF da tese verso a verso, a partir das páginas espelhadas, com o grego à esquerda e o português à direita. Alguns fragmentos chegaram até nós em outra língua, e assim estão na tese e aqui: de Empédocles, há fragmentos em armênio, em árabe e em latim; de Parmênides, um em latim.

Parmênides fica ao lado da edição de Diels que o acervo já tinha.

A licença é a que o autor escolheu, por escrito: Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0. O texto pode ser lido, copiado e distribuído com o crédito a ele, mas não pode entrar em edição vendida.

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2026-10-15 · O inglês ao lado do grego

O acervo ganhou 37 traduções inglesas das obras gregas que já estavam aqui, em domínio público no Brasil. Cada uma fica ao lado do grego e usa os mesmos marcadores: o mesmo endereço abre a mesma passagem nas duas línguas, e o campo related de cada obra aponta para o grego.

Entraram:

Na biblioteca, as estantes em inglês acompanham as do grego: Retórica, Filosofia Clássica e Ceticismo.

Cada obra foi conferida contra o XML de origem: as mesmas unidades, as palavras sem diferença e nenhum erro da norma. Os marcadores foram comparados um a um com os do grego, e são idênticos. A única exceção é Plutarco, cujo texto inglês não traz as páginas de Stephanus; ali o inglês tem as seções, sem as páginas.

No caminho, dois defeitos do texto inglês do Perseus: no Panatenaico ele numera «269» e «269a» o que no grego são as seções 268 e 269, e na Ciropédia marca como suprimido o capítulo 8.8. Corrigimos aqui, e os dois casos vão de volta ao Perseus.

Ficou de fora, por direito autoral no Brasil: Xenofonte na tradução de Marchant (as Memoráveis, o Econômico, o Hierão e os opúsculos), que só fica livre em 2031; Xenofonte na de Todd (o Banquete e a Apologia); e Antifonte na de Maidment. Duas obras de Plutarco, na tradução de Babbitt, já estavam no acervo e não foram repetidas.

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2026-10-15 · A filosofia grega que faltava

O acervo ganhou a filosofia grega que ainda faltava: 239 obras, em seis ondas, na ordem em que a disciplina de História da Filosofia Grega da UFRGS as pede, em homenagem ao professor Raphael Zillig. Todas em grego, vindas do Open Greek and Latin e do Perseus.

Cada obra tem o seu lugar, o seu número e a sua fonte, com o mesmo cuidado que se dá a um diálogo inteiro. Onde a edição traz uma numeração, ela é o endereço, até a linha: o número de Diels nos pré-socráticos (B 8, 25 é o verso 25 do fragmento 8), Bekker em Aristóteles (Física II 3, 194b23 se acha pelo 194b20 da margem), von Arnim nos estoicos e a página e linha da edição de Berlim nos comentadores.

Onda 1 — Pré-socráticos, sofistas e as fontes deles (24 obras). Na edição de Diels: Parmênides, Heráclito, Demócrito, Filolau, Arquitas, Xenócrates e Espeusipo, as cartas atribuídas a Pitágoras e o Anônimo de Jâmblico. Dos sofistas, Górgias (Helena e Palamedes) e Antifonte. E as fontes que conservaram tudo isso: a Refutação de todas as heresias de Hipólito, os Placita do Pseudo-Plutarco, o que faltava de Clemente de Alexandria e de Sexto Empírico (as Hipotiposes pirrônicas).

Onda 2 — Sócrates, Platão e os socráticos (38 obras). De Xenofonte, as Memoráveis, o Econômico, o Banquete e a Apologia; de Platão, as Definições; Alcínoo e Albino, a Tábua de Cebes e Isócrates inteiro, o rival de Platão na educação de Atenas.

Onda 3 — Aristóteles e Teofrasto (53 obras). As obras de Aristóteles que faltavam, da Física ao De anima, os Analíticos, os Tópicos, a biologia, os Parva naturalia, a Magna Moralia, os Problemas e o De mundo; de Teofrasto, a História e as Causas das plantas, Sobre os sentidos, Sobre as pedras e a Metafísica. Com o Hierão, de Xenofonte.

Onda 4 — Os helenísticos e Xenofonte inteiro (22 obras). De Epicuro, as três cartas, as Máximas principais e as Sentenças vaticanas; Crisipo e Cleantes, com o Hino a Zeus; as lições de Musônio Rufo; e a carta em que Arriano explica por que publicou as aulas de Epicteto. De Xenofonte, o resto: as Helênicas, a Anábase, a Ciropédia e os tratados.

Entre a 4 e a 5 (7 obras). O Crisipo da lógica e da física (SVF II), com o papiro de Herculano linha a linha, e Arriano inteiro, com a Anábase de Alexandre.

Onda 5 — A antiguidade tardia (76 obras). As Enéadas de Plotino, Porfírio (da Isagoge à Vida de Pitágoras), Jâmblico, o comentário de Proclo à República e os comentadores de Aristóteles, de Alexandre de Afrodísias aos bizantinos.

Onda 6 — O que ainda faltava dos pré-socráticos e dos sofistas (19 obras). Em Diels: Crítias (com o Sísifo, que faz dos deuses uma invenção de legislador), Hípias, Pródico, o Dissoi logoi, Diógenes de Apolônia, Epimênides, Epicarmo, Hecateu de Abdera, os órficos e Museu. Alcidamas (Odisseu e Sobre os sofistas) e Antístenes (Ájax e Odisseu). As cartas de Tales, Lísis, Sócrates e dos socráticos. E o De mundo.

No caminho, a numeração das edições ficou melhor que a da fonte digital: o OCR tinha lido 330 como 380, 268a como 238a, e coisas assim; a sequência de cada obra denunciou o erro, e o endereço certo é o que está aqui. As sugestões de conserto dos erros identificados vão de volta a quem digitalizou.

Na biblioteca: Filosofia › Grego, com as estantes novas Sofística, Retórica, Doxografia, Platonismo Médio, Epicurismo, Peripatetismo e Comentadores Bizantinos.

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2026-10-14 · Parmênides onde ele sobreviveu

Do poema de Parmênides não restou nenhuma cópia. O que existe são versos citados dentro de livros de outros, e dois deles guardam quase tudo: o Contra os Matemáticos de Sexto Empírico, que copiou o proêmio inteiro, e os comentários de Simplício a Aristóteles, que copiaram o grosso da via da verdade, «pela escassez do escrito de Parmênides», como ele mesmo diz.

Hoje esses três livros entraram no acervo, em grego, inteiros: o Adversus Mathematicos na edição de Mutschmann e Mau, e os comentários de Simplício à Física (Diels) e ao Tratado do Céu (Heiberg), do Open Greek and Latin. Os comentários se citam por página e linha da edição de Berlim — In Phys. 116,25 —, e é assim que o texto vem marcado aqui. Deu trabalho: o OCR mistura, na mesma etiqueta, os números de linha do comentário e os de Bekker, da outra margem, e foi a posição na linha que separou um do outro.

Junto com eles, as 49 passagens em que Sexto e Simplício citam Parmênides, cada uma no seu contexto em prosa, com o aparato crítico da edição e o endereço do lugar exato na obra. É o poema como ele chegou até nós, de mão em mão.

Na biblioteca: Filosofia › Grego › Pré-Socráticos › Parmênides, e as obras em Ceticismo › Sexto Empírico e Neoplatonismo › Simplício.

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2026-10-13 · Chegaram os três tomos do Manual do Cidadão

Entrou no acervo o Manual do Cidadão em um Governo Representativo, de Silvestre Pinheiro Ferreira, na primeira edição, de Paris, 1834. São três tomos: o Direito constitucional, o Direito administrativo e das gentes e o Projecto de codigo geral. Os dois primeiros são um catecismo político em 1.048 perguntas e respostas; o terceiro é uma constituição inteira, artigo por artigo, com as notas do autor.

Para mim é um grande prazer pegar um livro como esse, de uma pessoa ilustre, e deixá-lo assim, em texto puro (UTF-8), aberto à leitura das pessoas e das LLMs. O Claude, que me ajudou, foi o primeiro a ler estes livros: antes, o PDF digitalizado era quase inacessível para uma LLM e para uma parte considerável dos seres humanos.

Em breve trago, também de Silvestre, a tradução das Categorias de Aristóteles. Foi ela que me fez conhecer a obra dele, e foi uma coisa dita na introdução que me fez gostar ainda mais dele e querer trazer os seus escritos assim, em texto limpo:

Quisera eu que o texto grego aparecesse em frente desta tradução: tanto para excitar a Mocidade ao estudo da Lingua Grega, que no meu conceito constitue o mais glorioso monumento da perfeição do Espírito humano; mas tambem porque devendo esta tradução abundar em defeitos inevitaveis pelo pouco tempo em que sou obrigado a faze-la e publica-la; conviria muito, que a facilidade de a cotejarem com o texto oferecesse aos intelligentes o meio de corrigirem as faltas, que nella não póde deixar de haver em grande numero, e muitas vezes de grande nota. Por maior porém que fosse este meu desejo, não me foi possivel satisfaze-lo; já porque neste nascente Estado faltão os meios para se fazer huma correcta edição de hum texto grego […]

O «nascente Estado» é a nação brasileira, o meu país. E hoje já não são tantas as dificuldades para fazer boas edições de livros e fazê-las chegar a mais pessoas.

O texto vem do exemplar da Biblioteca do Senado Federal, que o digitalizou. O reconhecimento de texto leu quase tudo, mas fez uma coisa que não se vê à primeira vista: escreveu boa parte do livro na ortografia de hoje. Onde o impresso diz attribuições, monarcha, seos, ele pôs atribuições, monarca, seus; onde o livro escreve serà, sò, pòde, com o acento grave, ele pôs o agudo. Conferimos contra a página, palavra por palavra, e devolvemos a grafia de 1834 a 6.851 delas. No fim, sorteamos 128 palavras do texto pronto e fomos olhar cada uma no livro: as 128 estavam como no impresso.

Algumas coisas ficaram para depois, e o próprio arquivo diz quais: os índices alfabéticos e os mapas em tabela do terceiro tomo, que a máquina embaralhou, e os itálicos, que ela não trouxe. Nas palavras em que o próprio livro ora põe acento, ora não (ja e jà), ainda pode haver engano.

Uma regra nova nasceu deste livro. A marca de página dentro do texto diz a página do fac-símile, contada da capa: a capa é a 1. Não é o número impresso no alto da folha, que recomeça, pula e muda de romano para arábico. Quem abrir o PDF na página 72 acha ali o que o texto marca como 72.

O sumário será refeito, portanto, com base nessa nova numeração.

Na biblioteca: Filosofia › Português › Liberalismo › Silvestre Pinheiro Ferreira.

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2026-10-13 · E as Categorias, de 1814

No mesmo dia em que o Manual do Cidadão entrou no acervo, entrou também a tradução das Categorias de Aristóteles feita por Silvestre Pinheiro Ferreira, impressa no Rio de Janeiro, na Impressão Régia, em 1814.

Não é uma tradução qualquer. Segundo Maria das Graças de Moraes Augusto, no artigo Os Gregos e a emancipação política do Brasil (Phoînix, v. 14, n. 1), que o Claude me trouxe no meio do trabalho, ela é a «primeira versão direta do grego para a língua portuguesa, impressa no Brasil». O artigo a põe entre os frutos da chegada da família real, em 1808: Silvestre a fez para usar nas suas Preleções Filosóficas, no Real Colégio de São Joaquim, a partir de abril de 1813.

No livro de 1814 o texto vem em duas partes: os aforismos na primeira, as explicações na segunda, e o leitor vai e volta entre elas. Aqui cada explicação é uma nota que abre com um toque no número, sem sair do aforismo. A ortografia é a do impresso, conferida contra o exemplar da Biblioteca Nacional, e as erratas que o próprio livro traz no fim já estão aplicadas ao texto.

Na biblioteca: Filosofia › Português › Aristotelismo › Aristóteles › Categorias.

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2026-10-10 · O aramaico chega ao acervo

O Pedra Angular ganhou uma língua nova: o aramaico. Entrou o Targum Onkelos, a tradução aramaica da Torá que as sinagogas liam ao lado do hebraico — os cinco livros, de Gênesis a Deuteronômio, na vocalização da tradição iemenita (o Taj). O texto vem da Wikisource hebraica, pela cópia do Sefaria, e foi conferido versículo por versículo contra a fonte: 5.846 versículos, todos iguais.

O aramaico já morava no acervo sem que ninguém o apontasse. Metade do livro de Daniel (do capítulo 2 ao 7), trechos de Esdras e um versículo de Jeremias estão em aramaico dentro da Bíblia Hebraica, escritos com as mesmas letras. Agora cada um desses versículos diz a língua em que está, e a ficha do livro avisa onde ela muda. Para quem lê com leitor de tela ou pede a leitura em voz alta, isso é a diferença entre o programa saber e não saber o que tem na frente.

Na biblioteca: Bíblias › Aramaico. Os endereços de sempre continuam valendo — quem guardou um link para Daniel 3 chega no mesmo lugar.

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2026-09-30 · Vygotsky abre a seção de Psicologia

O acervo ganhou uma seção nova, Psicologia, e ela abre com Pensamento e Linguagem, de Lev Vygotsky. A abertura é uma homenagem à professora Gabriela Brabo.

A edição também tem a sua homenagem: é a da Ridendo Castigat Mores, o selo com que Nélson Jahr Garcia (1947-2002) assinava as obras que digitava e dava de graça, publicadas pela eBooksBrasil. Ele deixou escrito por quê: “Estudei sempre por conta do Estado, ou melhor, da Sociedade que paga impostos; tenho a obrigação de retribuir ao menos uma gota do que ela me proporcionou.” O Pedra Angular nasce da mesma ideia.

O livro entrou inteiro: a apresentação do próprio Jahr, os sete capítulos, as sete notas e a bibliografia — 59 479 palavras na página original, todas no arquivo novo. Duas coisas mudaram de forma, nenhuma de conteúdo. A tabela do capítulo 6 virou linhas simples. E no diálogo de Griboedov do capítulo 7, onde a página original separava a fala do subtexto só pela cor azul, o subtexto agora vem com o risco vertical da citação: quem não distingue cores também lê a diferença.

A edição não diz quem traduziu; o acervo registra isso assim mesmo, sem adivinhar. Para ler: o rolo da obra.

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2026-09-30 · A casa em ordem, e cada texto com o seu endereço de citação

A arrumação que começou em 2026-09-29 terminou em 2026-09-30. As 1.109 obras do acervo estão todas no mesmo padrão: os dados de cada uma escritos do mesmo jeito, a licença declarada em cada arquivo, e nenhum endereço publicado perdido no caminho — quem guardou um link para uma passagem continua chegando nela.

Cada obra ganhou também um jeito de ser citada. No topo da página de cada texto (e nos Detalhes, dentro do app) está a citação pronta para copiar, e o formato que o Zotero e o LaTeX entendem. Cada obra tem ainda uma URN, o mesmo tipo de identificador que as bibliotecas de textos clássicos usam, e que leva direto à passagem: a do Sofista de Platão, seção 216a, é urn:cts:greekLit:tlg0059.tlg007.perseus-grc2:216a. O acervo inteiro passou a ter versão numerada — esta é a 1.0 — e um DOI, 10.5281/zenodo.23068915, por onde também se baixa o acervo completo.

O que o Pedra Angular faz com os textos, e o que ele não mexe, está explicado numa nota editorial nova.

No app, Meus arquivos ganhou o Excluir todos os meus textos: antes de apagar, ele oferece uma cópia, e só apaga depois de uma segunda confirmação que diz quantos textos vão sair. As preferências de leitura ficam.

Daqui em diante, o que aparecer neste diário são os textos que entram.

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2026-09-29 · Arrumando as bases dos textos

Antes de entrar qualquer obra nova, a casa precisa estar em ordem. O acervo chegou a 1.109 obras vindas de caminhos diferentes, e cada caminho deixou o seu jeito de escrever os dados de uma obra. Hoje a norma virou código: um portão confere cada arquivo que entra, e nenhum endereço publicado pode sumir.

A limpeza das obras que já estão no ar vem aos poucos, sem tirar nada do lugar. Na fila, esperando o padrão novo: fragmentos pré-socráticos tirados de Sexto Empírico e Simplício, Isócrates, os Padres Apostólicos, e o Manual do Cidadão de Silvestre Pinheiro Ferreira.

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