# Diário

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## 2026-10-29 · As Categorias de Aristóteles, com o grego em frente da tradução de 1814

Após subir mais um lote do Garimpo de traduções das revistas e periódicos, decidi iniciar uma busca pelo livro *As Categorias de Aristóteles* com tradução mais atual do que a de Silvestre Pinheiro Ferreira, de 1814.

Não consegui encontrar nenhuma versão atual em português com licença apropriada, mas reencontrei as *Categorias* de Silvestre Pinheiro Ferreira na edição de José Leonardo Sousa Buzelli, com grafia atualizada e marcações de Bekker nos Aforismos ([link](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-categorias-pt-ferreira-buzelli-2025.html)).

Com isso, levando em conta o que está escrito na [Advertência do livro, de 31 de dezembro de 1813](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-categorias-pt-ferreira-1814.html#h-advertencia) — «Quisera eu que o texto grego apparecesse em frente desta traducção (…) Por maior porém que fosse este meu desejo, não me foi possivel satisfaze-lo; já porque neste nascente Estado faltão os meios para se fazer huma correcta edição de hum texto grego» —, consegui realizar esse desejo do tradutor, 213 anos depois: o [texto grego junto de sua tradução](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-categorias-grc-pt-ferreira-1814.html), alinhados de forma interlinear, à maneira do Pedra Angular, pela marcação canônica de Bekker. Hoje temos os meios técnicos para fazer edições corretas de texto grego, e o custo deixou de ser o problema real que era em seu tempo. Assim, permito que estas obras deixem de ser inacessíveis ao povo desta nossa bela nação.

Nesta edição dou ainda outro passo que a técnica da sua época não permitia a Ferreira: as remissões numeradas que ele usou para separar o texto de suas Explicações — e que obrigavam o leitor a ir e vir fisicamente entre as duas partes do livro — tornam-se notas de rodapé interativas. O número continua exatamente onde ele o deixou; basta tocar nele para ler a Explicação sem perder a página do Aforismo. É a mesma «Segunda Parte» que ele concebeu, apenas com o hyperlink que lhe faltava.

Διαφορεύς,
Porto Alegre, 29 de outubro de 2026

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## 2026-10-29 · O garimpo das revistas: traduções livres de textos antigos

Depois do [*Elogio de Helena*](https://pedraangular.app.br/rolo/gorgias-elogio-de-helena-pt-cavalcante-2018.html), veio a pergunta: quantas outras traduções de textos antigos as revistas acadêmicas brasileiras publicam com licença aberta? Foram contadas 40 revistas; em 24 delas há 288 traduções, e de cada uma a licença foi lida na página do próprio artigo. Por ora entra só o que já é livre.

Entre 27 e 29 de outubro, 23 obras entraram no acervo:

- Platão, o [discurso de Fedro](https://pedraangular.app.br/rolo/platao-banquete-discurso-de-fedro-pt-pio-2024.html) no *Banquete* (Pio, Cornelli e Bacelar, *Archai*, 2024), e o [*Menêxeno*](https://pedraangular.app.br/rolo/platao-menexeno-pt-cerdas-2020.html) (Emerson Cerdas, *Archai*, 2020).
- Sexto Empírico, [*Esboços Pirrônicos* 1.220-235](https://pedraangular.app.br/rolo/sexto-empirico-hipotiposes-pirronicas-1-220-235-pt-huguenin-2019.html) (Huguenin e Brito, *Archai*, 2019), em tradução e interlinear, e [*Contra os Gramáticos* 1.169-247](https://pedraangular.app.br/rolo/sexto-empirico-contra-os-gramaticos-1-169-247-pt-prezotto-2019.html) (Joseane Mara Prezotto, *Archai*, 2019).
- Aristóteles, [*Da adivinhação durante o sono*](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-da-adivinhacao-durante-o-sono-pt-de-paoli-2022.html) (Beatriz de Paoli, *Archai*, 2022), em tradução e interlinear.
- Diógenes Laércio, [*Vidas*, livro IV](https://pedraangular.app.br/rolo/diogenes-laercio-vidas-livro-iv-pt-brito-2019.html), os Acadêmicos (Brito e Dinucci, *Archai*, 2019).
- Górgias, [*Defesa de Palamedes*](https://pedraangular.app.br/rolo/gorgias-defesa-de-palamedes-pt-cavalcante-2016.html) (Gabrielle Cavalcante, *Archai*, 2016), o par do *Elogio de Helena*, da mesma tradutora.
- Antístenes, [*Odisseu polýtropos*](https://pedraangular.app.br/rolo/antistenes-odisseu-polytropos-pt-dotto-2025.html) (Pedro Dotto, *Classica*, 2025), em tradução e interlinear.
- [*Discursos Duplos* (*Dissoi Logoi*)](https://pedraangular.app.br/rolo/dissoi-logoi-pt-prezotto-2017.html), o tratado sofístico anônimo (Joseane Mara Prezotto, *Trans/Form/Ação*, 2017), ao lado do grego de Diels.
- Xenofonte, [*Apologia de Sócrates*](https://pedraangular.app.br/rolo/xenofonte-apologia-de-socrates-pt-guggenberger-2023.html), tradução coletiva da UFRJ (*Rónai*, 2023): o outro discípulo conta o julgamento.
- Platão, [*Minos*](https://pedraangular.app.br/rolo/platao-minos-pt-silva-2022.html) (Claver Rieger da Silva, *Codex*, 2022).
- Sêneca, a [*Apocoloquintose*](https://pedraangular.app.br/rolo/seneca-apocoloquintose-pt-reis-2020.html) (Camila Machado Reis e Rafael Guimarães Tavares Silva, *Codex*, 2020), com a primeira interlinear latim-português do acervo, e a [*Epístola 41*](https://pedraangular.app.br/rolo/seneca-epistulas-a-lucilio-41-pt-braren-1999.html) a Lucílio, «Um deus habita nossa alma» (Ingeborg Braren, *Letras Clássicas*, 1999).
- Aristóteles, [*Metafísica* VII 4](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-metafisica-vii-4-pt-zillig-2025.html) (Raphael Zillig, *Journal of Ancient Philosophy*, 2025), e os *Primeiros Analíticos* em pedaços: o [livro I, 1-7](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-primeiros-analiticos-i-1-7-pt-almeida-2023.html) (Almeida e Ferreira, *Archai*, 2023) e o livro II, [1-4](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-primeiros-analiticos-ii-1-4-pt-troster-2024.html) e [23-27](https://pedraangular.app.br/rolo/aristoteles-primeiros-analiticos-ii-23-27-pt-troster-2024.html) (Tomás Troster, *Journal of Ancient Philosophy*, 2024), estes também em interlinear.

O critério foi a tradução: entra a tradução, com as notas e uma introdução breve; quando o artigo é sobretudo um estudo em volta de um trecho curto, fica só a tradução, ou o artigo fica de fora. Quando o grego ou o latim já estavam no acervo, a tradução usa a mesma numeração, e os dois se leem lado a lado.

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## 2026-10-27 · O Elogio de Helena em português, ao lado do grego

Entrou no acervo o *Elogio de Helena* de Górgias na tradução de Gabrielle Cavalcante (UFC), publicada na *Revista de Estudos Filosóficos e Históricos da Antiguidade* (Unicamp), nº 32, 2018. Entrou o artigo inteiro: a introdução da tradutora, as 21 seções do discurso, as duas notas e as referências. O grego, na edição de Blass, já estava no acervo desde a leva dos sofistas; agora os dois se leem lado a lado, com a mesma numeração: [8] no português é [8] no grego.

A licença é a que a página do artigo declara, Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 (o rodapé do site da revista diz outra, e vale a do artigo). Foi a primeira obra assim, e o acervo passou a aceitar essa licença. O que ela pede, o texto cumpre: não vai para edição vendida, e só o formato mudou.

Com uma exceção, decidida por caridade com a tradução. O impresso marca o suplemento do texto grego com os sinais de menor e maior, `<ou capturada pelo amor>`; aqui ele virou `⟨ou capturada pelo amor⟩`, o sinal que as edições usam para isso e que o grego de Blass, logo ao lado, já usa. A tradução fala a mesma língua das edições.
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## 2026-10-27 · O app passa a contar visitas, às claras

O Pedra Angular agora sabe quantas vezes é aberto e quais obras são lidas. A conta é anônima: sem cookies, sem guardar o endereço de ninguém, sem saber quem lê. Os números ficam num [painel público](https://pedraangular.goatcounter.com), e quem preferir ficar de fora da conta sai com um endereço só. O app instalado também conta, quando está com internet. Lendo offline, ninguém é contado.

A promessa mudou de "não coleta nada" para "não rastreia ninguém", que é o que ela sempre quis dizer.

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## 2026-10-23 · Vinte e dois pré-socráticos e sofistas na edição de Diels

Entraram no acervo os testemunhos e os fragmentos de vinte e dois autores na edição de Hermann Diels, *Die Fragmente der Vorsokratiker*, 4ª edição (Berlim, 1922), em domínio público:

- **os milésios**: Tales, Anaximandro e Anaxímenes;
- **os pitagóricos**: Pitágoras, Cércope, Pétron, Brotino, Hípaso, Alcméon, Íon de Quios, Hípon e Lísis (com Arquipo e Ópsimo, que Diels põe no mesmo capítulo);
- **os eleatas**: Zenão e Melisso;
- Anaxágoras e Arquelau, Leucipo e Ferécides de Siros;
- **os sofistas**: Protágoras, Xeníades, Górgias e Trasímaco.

É uma adição nova, e convém dizer isso com clareza. Esses vinte e dois capítulos de Diels não estavam em texto estruturado nas coleções abertas de referência. O Perseus (*canonical-greekLit*) não tem Diels. O First1KGreek, que codificou em TEI uma parte da edição (Parmênides, Heráclito, Demócrito, Filolau, Crítias, Pródico e outros, que o acervo já tinha), não chegou a estes: de Tales e de Pitágoras ele traz só as cartas atribuídas a eles. Até aqui, para ler estes capítulos, havia o livro e os scans.

O texto saiu dos scans do Internet Archive. O Tesseract leu as páginas, e o Claude Opus 5.5 corrigiu página por página contra o fac-símile, ditando as trocas ao Corretor. Cada autor ganhou um arquivo de testemunhos (a seção A de Diels: o que os antigos contaram dele) e, quando há, um de fragmentos (a seção B: as palavras dele mesmo, que Diels marca espaçadas e aqui vão em negrito). A numeração é a de Diels, para citar como se cita: A 1 = [1], B 1 = [1].

Os erros do próprio impresso ficaram como estão, cada um com uma nota que diz o que se lê. A Helena e o Palamedes de Górgias, que já estavam no acervo, não se repetem: os fragmentos apontam para eles. A tradução alemã que Diels imprime ao lado do grego fica para uma leva própria, com o mesmo cuidado.

Para isso o formato aprendeu uma coisa: o número entre colchetes que não é endereço, como a data «[582]», agora se escreve com a barra invertida, `\[582]`, e sai como texto.
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## 2026-10-19 · Dois discursos contra os sofistas, em português

Entraram no acervo duas traduções brasileiras de discursos do século IV a.C. que discutem o que é ensinar a falar bem, as duas publicadas em revista acadêmica sob licença Creative Commons (CC BY 4.0):

- **Alcídamas**, *Sobre aqueles que escrevem discursos escritos ou sobre os sofistas*, na tradução de Michel Ferreira dos Reis (*Belas Infiéis*, 2020): a defesa do discurso de improviso contra o discurso escrito e decorado.
- **Isócrates**, *Contra os Sofistas*, na tradução de Ticiano Curvelo Estrela de Lacerda (*Rónai*, 2018), com as notas do tradutor: o discurso com que Isócrates abriu a sua escola.

Os dois discursos se respondem, e por isso entraram juntos.

De cada artigo veio só o texto, sem introdução, resumo nem referências. Cada um ganhou dois arquivos: a tradução em português e um interlinear, com o grego e o português seção por seção. O grego isolado não foi repetido: o acervo já tinha Alcídamas na edição de Blass e Isócrates na de Norlin. No interlinear de Alcídamas o grego é o de Blass que já estava aqui, a mesma edição que o tradutor usou, porque o do artigo saiu impresso sem os apóstrofos. No de Isócrates é o do próprio artigo, pela edição de Drerup, que é a que o tradutor seguiu.
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## 2026-10-17 · Xenófanes, Parmênides e Empédocles na tradução de Bruno Palavro

Entraram no acervo os fragmentos de três poetas-filósofos gregos na tradução de Bruno Palavro, cedida por ele: Xenófanes de Colofão (33 fragmentos), Parmênides de Eleia (22) e Empédocles de Acragas (168). Vêm da tese *Épica Sapiencial: compêndio para uma edição geral da poesia de Xenófanes, Parmênides e Empédocles* (doutorado em Letras, UFRGS, 2025): uma tradução hexamétrica de todos os fragmentos épicos atribuídos aos três, em que cada verso grego vira um verso português que recria o hexâmetro. A seleção e a ordem dos fragmentos são as da edição que ele mesmo estabelece.

A tese traz ainda um estudo sobre a linguagem desses pensadores e o diálogo deles com a poesia épica, comentários a cada fragmento e uma tradução interlinear para estudo. Aqui entrou o texto: o grego e a tradução em verso.

Cada poeta tem três arquivos: o grego da edição de Palavro, a tradução em português e o bilíngue, com o grego e o português lado a lado, fragmento a fragmento. Os fragmentos seguem a ordem e a numeração da tese, com o número de Diels-Kranz entre colchetes, para quem cita pela numeração de sempre. Os versos guardam a numeração da margem, de cinco em cinco.

O texto foi tirado do PDF da tese verso a verso, a partir das páginas espelhadas, com o grego à esquerda e o português à direita. Alguns fragmentos chegaram até nós em outra língua, e assim estão na tese e aqui: de Empédocles, há fragmentos em armênio, em árabe e em latim; de Parmênides, um em latim.

Parmênides fica ao lado da edição de Diels que o acervo já tinha.

A licença é a que o autor escolheu, por escrito: Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0. O texto pode ser lido, copiado e distribuído com o crédito a ele, mas não pode entrar em edição vendida.

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## 2026-10-15 · O inglês ao lado do grego

O acervo ganhou 37 traduções inglesas das obras gregas que já estavam aqui, em domínio público no Brasil. Cada uma fica ao lado do grego e usa os mesmos marcadores: o mesmo endereço abre a mesma passagem nas duas línguas, e o campo `related` de cada obra aponta para o grego.

Entraram:

- **Isócrates**, os 21 discursos e as 9 cartas, nas traduções de Norlin e de Van Hook (30 obras).
- **Xenofonte**: as *Helênicas* e a *Anábase*, de Brownson, e a *Ciropédia*, de Miller.
- **Sexto Empírico**: as *Hipotiposes pirrônicas*, de Bury.
- **Plutarco**: os *Preceitos conjugais* e *O Ε de Delfos*, de Goodwin.
- **Pseudo-Plutarco**: os *Placita*, de Dowell, revistos por Goodwin.

Na biblioteca, as estantes em inglês acompanham as do grego: Retórica, Filosofia Clássica e Ceticismo.

Cada obra foi conferida contra o XML de origem: as mesmas unidades, as palavras sem diferença e nenhum erro da norma. Os marcadores foram comparados um a um com os do grego, e são idênticos. A única exceção é Plutarco, cujo texto inglês não traz as páginas de Stephanus; ali o inglês tem as seções, sem as páginas.

No caminho, dois defeitos do texto inglês do Perseus: no *Panatenaico* ele numera «269» e «269a» o que no grego são as seções 268 e 269, e na *Ciropédia* marca como suprimido o capítulo 8.8. Corrigimos aqui, e os dois casos vão de volta ao Perseus.

Ficou de fora, por direito autoral no Brasil: Xenofonte na tradução de Marchant (as *Memoráveis*, o *Econômico*, o *Hierão* e os opúsculos), que só fica livre em 2031; Xenofonte na de Todd (o *Banquete* e a *Apologia*); e Antifonte na de Maidment. Duas obras de Plutarco, na tradução de Babbitt, já estavam no acervo e não foram repetidas.

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## 2026-10-15 · A filosofia grega que faltava

O acervo ganhou a filosofia grega que ainda faltava: 239 obras, em seis ondas, na ordem em que a disciplina de História da Filosofia Grega da UFRGS as pede, em homenagem ao professor Raphael Zillig. Todas em grego, vindas do Open Greek and Latin e do Perseus.

Cada obra tem o seu lugar, o seu número e a sua fonte, com o mesmo cuidado que se dá a um diálogo inteiro. Onde a edição traz uma numeração, ela é o endereço, até a linha: o número de Diels nos pré-socráticos (B 8, 25 é o verso 25 do fragmento 8), Bekker em Aristóteles (*Física* II 3, 194b23 se acha pelo 194b20 da margem), von Arnim nos estoicos e a página e linha da edição de Berlim nos comentadores.

**Onda 1 — Pré-socráticos, sofistas e as fontes deles (24 obras).**
Na edição de Diels: Parmênides, Heráclito, Demócrito, Filolau, Arquitas, Xenócrates e Espeusipo, as cartas atribuídas a Pitágoras e o Anônimo de Jâmblico. Dos sofistas, Górgias (*Helena* e *Palamedes*) e Antifonte. E as fontes que conservaram tudo isso: a *Refutação de todas as heresias* de Hipólito, os *Placita* do Pseudo-Plutarco, o que faltava de Clemente de Alexandria e de Sexto Empírico (as *Hipotiposes pirrônicas*).

**Onda 2 — Sócrates, Platão e os socráticos (38 obras).**
De Xenofonte, as *Memoráveis*, o *Econômico*, o *Banquete* e a *Apologia*; de Platão, as *Definições*; Alcínoo e Albino, a *Tábua* de Cebes e Isócrates inteiro, o rival de Platão na educação de Atenas.

**Onda 3 — Aristóteles e Teofrasto (53 obras).**
As obras de Aristóteles que faltavam, da *Física* ao *De anima*, os *Analíticos*, os *Tópicos*, a biologia, os *Parva naturalia*, a *Magna Moralia*, os *Problemas* e o *De mundo*; de Teofrasto, a *História* e as *Causas das plantas*, *Sobre os sentidos*, *Sobre as pedras* e a *Metafísica*. Com o *Hierão*, de Xenofonte.

**Onda 4 — Os helenísticos e Xenofonte inteiro (22 obras).**
De Epicuro, as três cartas, as *Máximas principais* e as *Sentenças vaticanas*; Crisipo e Cleantes, com o *Hino a Zeus*; as lições de Musônio Rufo; e a carta em que Arriano explica por que publicou as aulas de Epicteto. De Xenofonte, o resto: as *Helênicas*, a *Anábase*, a *Ciropédia* e os tratados.

**Entre a 4 e a 5 (7 obras).** O Crisipo da lógica e da física (SVF II), com o papiro de Herculano linha a linha, e Arriano inteiro, com a *Anábase de Alexandre*.

**Onda 5 — A antiguidade tardia (76 obras).**
As *Enéadas* de Plotino, Porfírio (da *Isagoge* à *Vida de Pitágoras*), Jâmblico, o comentário de Proclo à *República* e os comentadores de Aristóteles, de Alexandre de Afrodísias aos bizantinos.

**Onda 6 — O que ainda faltava dos pré-socráticos e dos sofistas (19 obras).**
Em Diels: Crítias (com o *Sísifo*, que faz dos deuses uma invenção de legislador), Hípias, Pródico, o *Dissoi logoi*, Diógenes de Apolônia, Epimênides, Epicarmo, Hecateu de Abdera, os órficos e Museu. Alcidamas (*Odisseu* e *Sobre os sofistas*) e Antístenes (*Ájax* e *Odisseu*). As cartas de Tales, Lísis, Sócrates e dos socráticos. E o *De mundo*.

No caminho, a numeração das edições ficou melhor que a da fonte digital: o OCR tinha lido 330 como 380, 268a como 238a, e coisas assim; a sequência de cada obra denunciou o erro, e o endereço certo é o que está aqui. As sugestões de conserto dos erros identificados vão de volta a quem digitalizou.

Na biblioteca: Filosofia › Grego, com as estantes novas Sofística, Retórica, Doxografia, Platonismo Médio, Epicurismo, Peripatetismo e Comentadores Bizantinos.

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## 2026-10-14 · Parmênides onde ele sobreviveu

Do poema de Parmênides não restou nenhuma cópia. O que existe são versos
citados dentro de livros de outros, e dois deles guardam quase tudo: o *Contra
os Matemáticos* de Sexto Empírico, que copiou o proêmio inteiro, e os
comentários de Simplício a Aristóteles, que copiaram o grosso da via da
verdade, «pela escassez do escrito de Parmênides», como ele mesmo diz.

Hoje esses três livros entraram no acervo, em grego, inteiros: o *Adversus
Mathematicos* na edição de Mutschmann e Mau, e os comentários de Simplício à
*Física* (Diels) e ao *Tratado do Céu* (Heiberg), do Open Greek and Latin. Os
comentários se citam por página e linha da edição de Berlim — *In Phys.*
116,25 —, e é assim que o texto vem marcado aqui. Deu trabalho: o OCR mistura,
na mesma etiqueta, os números de linha do comentário e os de Bekker, da outra
margem, e foi a posição na linha que separou um do outro.

Junto com eles, as 49 passagens em que Sexto e Simplício citam Parmênides,
cada uma no seu contexto em prosa, com o aparato crítico da edição e o endereço
do lugar exato na obra. É o poema como ele chegou até nós, de mão em mão.

Na biblioteca: Filosofia › Grego › Pré-Socráticos › Parmênides, e as obras
em Ceticismo › Sexto Empírico e Neoplatonismo › Simplício.

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## 2026-10-13 · Chegaram os três tomos do Manual do Cidadão

Entrou no acervo o **Manual do Cidadão em um Governo Representativo**, de
Silvestre Pinheiro Ferreira, na primeira edição, de Paris, 1834. São três
tomos: o *Direito constitucional*, o *Direito administrativo e das gentes* e o
*Projecto de codigo geral*. Os dois primeiros são um catecismo político em
1.048 perguntas e respostas; o terceiro é uma constituição inteira, artigo por
artigo, com as notas do autor.

Para mim é um grande prazer pegar um livro como esse, de uma pessoa ilustre, e
deixá-lo assim, em texto puro (UTF-8), aberto à leitura das pessoas e das LLMs.
O Claude, que me ajudou, foi o primeiro a ler estes livros: antes, o PDF
digitalizado era quase inacessível para uma LLM e para uma parte considerável dos
seres humanos.

Em breve trago, também de Silvestre, a tradução das *Categorias* de
Aristóteles. Foi ela que me fez conhecer a obra dele, e foi uma coisa dita na
introdução que me fez gostar ainda mais dele e querer trazer os seus escritos
assim, em texto limpo:

> Quisera eu que o texto grego aparecesse em frente desta tradução: tanto para
> excitar a Mocidade ao estudo da Lingua Grega, que no meu conceito constitue o
> mais glorioso monumento da perfeição do Espírito humano; mas tambem porque
> devendo esta tradução abundar em defeitos inevitaveis pelo pouco tempo em que
> sou obrigado a faze-la e publica-la; conviria muito, que a facilidade de a
> cotejarem com o texto oferecesse aos intelligentes o meio de corrigirem as
> faltas, que nella não póde deixar de haver em grande numero, e muitas vezes
> de grande nota. Por maior porém que fosse este meu desejo, não me foi
> possivel satisfaze-lo; já porque neste nascente Estado faltão os meios para
> se fazer huma correcta edição de hum texto grego […]

O «nascente Estado» é a nação brasileira, o meu país. E hoje já não são tantas
as dificuldades para fazer boas edições de livros e fazê-las chegar a mais
pessoas.

O texto vem do exemplar da Biblioteca do Senado Federal, que o digitalizou. O
reconhecimento de texto leu quase tudo, mas fez uma coisa que não se vê à
primeira vista: escreveu boa parte do livro na ortografia de hoje. Onde o
impresso diz *attribuições*, *monarcha*, *seos*, ele pôs *atribuições*,
*monarca*, *seus*; onde o livro escreve *serà*, *sò*, *pòde*, com o acento
grave, ele pôs o agudo. Conferimos contra a página, palavra por palavra, e
devolvemos a grafia de 1834 a 6.851 delas. No fim, sorteamos 128 palavras do
texto pronto e fomos olhar cada uma no livro: as 128 estavam como no impresso.

Algumas coisas ficaram para depois, e o próprio arquivo diz quais: os índices
alfabéticos e os mapas em tabela do terceiro tomo, que a máquina embaralhou, e
os itálicos, que ela não trouxe. Nas palavras em que o próprio livro ora põe
acento, ora não (*ja* e *jà*), ainda pode haver engano.

Uma regra nova nasceu deste livro. A marca de página dentro do texto diz a
página do fac-símile, contada da capa: a capa é a 1. Não é o número impresso no
alto da folha, que recomeça, pula e muda de romano para arábico. Quem abrir o
PDF na página 72 acha ali o que o texto marca como 72.

O sumário será refeito, portanto, com base nessa nova numeração.

Na biblioteca: Filosofia › Português › Liberalismo › Silvestre Pinheiro
Ferreira.

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## 2026-10-13 · E as Categorias, de 1814

No mesmo dia em que o *Manual do Cidadão* entrou no acervo, entrou também a
tradução das **Categorias** de Aristóteles feita por Silvestre Pinheiro
Ferreira, impressa no Rio de Janeiro, na Impressão Régia, em 1814.

Não é uma tradução qualquer. Segundo Maria das Graças de Moraes Augusto, no
artigo [Os Gregos e a emancipação política do Brasil](https://revistas.ufrj.br/index.php/phoinix/article/view/33128)
(*Phoînix*, v. 14, n. 1), que o Claude me trouxe no meio do trabalho, ela é a
«primeira versão direta do grego para a língua portuguesa, impressa no Brasil».
O artigo a põe entre os frutos da chegada da família real, em 1808: Silvestre a
fez para usar nas suas Preleções Filosóficas, no Real Colégio de São Joaquim, a
partir de abril de 1813.

No livro de 1814 o texto vem em duas partes: os aforismos na primeira, as
explicações na segunda, e o leitor vai e volta entre elas. Aqui cada explicação
é uma nota que abre com um toque no número, sem sair do aforismo. A ortografia
é a do impresso, conferida contra o exemplar da Biblioteca Nacional, e as
erratas que o próprio livro traz no fim já estão aplicadas ao texto.

Na biblioteca: Filosofia › Português › Aristotelismo › Aristóteles ›
Categorias.

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## 2026-10-10 · O aramaico chega ao acervo

O Pedra Angular ganhou uma língua nova: o **aramaico**. Entrou o *Targum
Onkelos*, a tradução aramaica da Torá que as sinagogas liam ao lado do hebraico
— os cinco livros, de Gênesis a Deuteronômio, na vocalização da tradição
iemenita (o *Taj*). O texto vem da Wikisource hebraica, pela cópia do Sefaria, e
foi conferido versículo por versículo contra a fonte: 5.846 versículos, todos
iguais.

O aramaico já morava no acervo sem que ninguém o apontasse. Metade do livro de
Daniel (do capítulo 2 ao 7), trechos de Esdras e um versículo de Jeremias estão
em aramaico dentro da Bíblia Hebraica, escritos com as mesmas letras. Agora cada
um desses versículos diz a língua em que está, e a ficha do livro avisa onde ela
muda. Para quem lê com leitor de tela ou pede a leitura em voz alta, isso é a
diferença entre o programa saber e não saber o que tem na frente.

Na biblioteca: Bíblias › Aramaico. Os endereços de sempre continuam valendo —
quem guardou um link para Daniel 3 chega no mesmo lugar.

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## 2026-09-30 · Vygotsky abre a seção de Psicologia

O acervo ganhou uma seção nova, **Psicologia**, e ela abre com *Pensamento e
Linguagem*, de Lev Vygotsky. A abertura é uma homenagem à professora Gabriela
Brabo.

A edição também tem a sua homenagem: é a da Ridendo Castigat Mores, o selo com
que Nélson Jahr Garcia (1947-2002) assinava as obras que digitava e dava de
graça, publicadas pela eBooksBrasil. Ele deixou escrito por quê: “Estudei sempre
por conta do Estado, ou melhor, da Sociedade que paga impostos; tenho a
obrigação de retribuir ao menos uma gota do que ela me proporcionou.” O Pedra
Angular nasce da mesma ideia.

O livro entrou inteiro: a apresentação do próprio Jahr, os sete capítulos, as
sete notas e a bibliografia — 59 479 palavras na página original, todas no
arquivo novo. Duas coisas mudaram de forma, nenhuma de conteúdo. A tabela do
capítulo 6 virou linhas simples. E no diálogo de Griboedov do capítulo 7, onde a
página original separava a fala do subtexto só pela cor azul, o subtexto agora
vem com o risco vertical da citação: quem não distingue cores também lê a
diferença.

A edição não diz quem traduziu; o acervo registra isso assim mesmo, sem
adivinhar. Para ler: [o rolo da obra](https://pedraangular.app.br/rolo/vygotsky-pensamento-e-linguagem-pt-anonimo-2001.html).

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## 2026-09-30 · A casa em ordem, e cada texto com o seu endereço de citação

A arrumação que começou em 2026-09-29 terminou em 2026-09-30. As 1.109 obras do acervo estão
todas no mesmo padrão: os dados de cada uma escritos do mesmo jeito, a licença
declarada em cada arquivo, e nenhum endereço publicado perdido no caminho —
quem guardou um link para uma passagem continua chegando nela.

Cada obra ganhou também um jeito de ser citada. No topo da página de cada texto
(e nos **Detalhes**, dentro do app) está a citação pronta para copiar, e o
formato que o Zotero e o LaTeX entendem. Cada obra tem ainda uma URN, o mesmo
tipo de identificador que as bibliotecas de textos clássicos usam, e que leva
direto à passagem: a do *Sofista* de Platão, seção 216a, é
`urn:cts:greekLit:tlg0059.tlg007.perseus-grc2:216a`. O acervo inteiro passou a
ter versão numerada — esta é a 1.0 — e um DOI,
[10.5281/zenodo.23068915](https://doi.org/10.5281/zenodo.23068915), por onde também
se baixa o acervo completo.

O que o Pedra Angular faz com os textos, e o que ele não mexe, está explicado
numa [nota editorial](https://pedraangular.app.br/portico/nota-editorial.html) nova.

No app, **Meus arquivos** ganhou o **Excluir todos os meus textos**: antes de
apagar, ele oferece uma cópia, e só apaga depois de uma segunda confirmação que
diz quantos textos vão sair. As preferências de leitura ficam.

Daqui em diante, o que aparecer neste diário são os textos que entram.

> Ὁ Διαφορεύς παρῆν

## 2026-09-29 · Arrumando as bases dos textos

Antes de entrar qualquer obra nova, a casa precisa estar em ordem. O acervo
chegou a 1.109 obras vindas de caminhos diferentes, e cada caminho deixou o seu
jeito de escrever os dados de uma obra. Hoje a norma virou código: um portão
confere cada arquivo que entra, e nenhum endereço publicado pode sumir.

A limpeza das obras que já estão no ar vem aos poucos, sem tirar nada do
lugar. Na fila, esperando o padrão novo: fragmentos pré-socráticos tirados de
Sexto Empírico e Simplício, Isócrates, os Padres Apostólicos, e o *Manual do
Cidadão* de Silvestre Pinheiro Ferreira.

> Ὁ Διαφορεύς παρῆν

