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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus · § 35

§ 35

[35] Finalmente, o ar que recebe almas[392] é Hades, como referi, apelidado por ser invisível. Porque as coisas debaixo da terra não são visíveis para nós, declararam que os que mudam [da vida] vão para lá. Hades. Diz-se ser famoso[393], que é a causa da audição. Com efeito, o som é o ar que foi atingido. Pelo desespero, chamaram-no “ prudente”[394] e “de prudência”, querendo bem para os homens, porque cessa-lhes em algum momento trabalhos e cuidados[395]. Foram acrescentados os nomes “Recetor de tudo”[396] e “Que contém muito” e “Governante sobre muitos”[397], recebendo muitos e governando a dita maioria ou os muitos. O Poeta[398] chamou-o de “Porteiro”[399] como detentor de portões bem fechados e não deixando ninguém escapar. Caronte foi nomeado por antífrase de alegria; mas é possível que tenha etimologia a partir de deixar [ou conter] [ou de bocejar]. Aqueronte [o lago Aquerusiano] surgiu pelos sofrimentos que caem sobre os mortos. É claro de onde Cocito e Piriflegetonte[400] tomaram os nomes. Antigamente os Gregos costumavam queimar os mortos e erguer um lamento [. Por causa disso, também os chamavam “deuses”, a partir de queimar[401]]. O lago “Sem Aves”[402] chamado talvez mais filosoficamente a partir de ar[403]. Os antigos também chamavam escuridão e névoa de ar, a menos que, por Zeus, estivessem a usar o cinzento do ar, como dos chamados gladíolos com os quais coroam Plutão. Também o coroam com avenca, como um lembrete de que os mortos secam e não mais retêm a humidade, e são privados da humidade que é necessária para respirar e crescer. [Relata o mito que deve supor-se que os cadáveres assim: estão no Hades porque não participam do molhado]. O narciso pareceu apropriadamente associado aos mortos, e disseram que foi a coroa das Erínias, observando a semelhança com a dormência[404] e a rigidez dos mortos. Assim, criança, possas conseguir apresentar as provas a outras coisas transmitidas mitologicamente parecendo referir sobre os deuses, na convicção de que os antigos não eram vulgares, mas conseguiam entender a natureza do cosmos e investigaram propensos acerca dela através de símbolos e enigmas. Porque da maioria das coisas se disse mais detalhadamente por filósofos mais antigos, agora queria passá-las a ti de forma abreviada. De facto, a disponibilidade deles é útil mesmo nessa quantidade. Mas relativamente a essas coisas e ao serviço dos deuses e das coisas apropriadamente geradas para honra deles, tomarás a tradição dos antepassados e a razão completa. Assim, para atuar apenas com reverência mas não para ter superstições introduzem-se os jovens e também se ensinam a sacrificar, orar[405], prostrar e fazer juramentos da maneira correta e nas circunstâncias apropriadas numa simetria que se adapte[406].

Ὁ Διαφορεύς παρῆν