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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus

rolo estático · Pedra Angular

Autor
Pseudo-Cornutus
Tradutor
Reina Marisol Troca Pereira
Edição de base
Carolus Lang (ed.), Cornuti theologiae Graecae compendium. Leipzig, Teubner, 1881.
Idioma
por
URN
urn:cts:greekLit:tlg0654.tlg002.pa-por1
Licença
CC-BY-4.0
Fonte
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ronai/article/view/37018
Identificador
pseudo-cornuto-epitome-de-tradicoes-teologicas-gregas-pt-pereira-2022
Markdown
../livros/FILOSOFIA/Portugues/Estoicismo/Pseudo_Cornuto/Epitome_de_Tradicoes_Teologicas_Gregas/Pseudo_Cornuto_Epitome_de_tradicoes_teologicas_gregas_pt_Pereira_2022.md
Endereço por URN
https://pedraangular.app.br/urn/?urn:cts:greekLit:tlg0654.tlg002.pa-por1 (uma passagem: acrescente :216a, :1.1…)
Como citar
PSEUDO-CORNUTUS. Epítome de tradições teológicas gregas. Tradução de Reina Marisol Troca Pereira. In: PEREIRA, Reina Marisol Troca. (Ps.) Lúcio Aneu Cornuto. Epítome de Tradições Teológicas Gregas – Notas Introdutórias e Tradução. Partes 1 e 2. Rónai, Juiz de Fora, v. 10, n. 1, p. 67–103, e n. 2, p. 109–138, 2022. Pedra Angular (org. Διαφορεύς), versão 1.0.0. DOI: 10.5281/zenodo.23068915. URN: urn:cts:greekLit:tlg0654.tlg002.pa-por1. Disponível em: https://pedraangular.app.br/rolo/pseudo-cornuto-epitome-de-tradicoes-teologicas-gregas-pt-pereira-2022.html. Acesso em: [data do acesso].
BibTeX (Zotero, LaTeX)
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Epítome de tradições teológicas gregas

Tradução de Reina Marisol Troca Pereira. As notas da segunda parte trazem, na definição, o número que receberam no fascículo.

Parte I

§ 1

[1] Criança, o céu[59] rodeia em um círculo terra, mar e tudo na terra e no mar, e assim obteve o nome, sendo o limite superior de todas as coisas e o limite da natureza. Porém, alguns dizem que por 'passar tempo' ou 'cuidar' dos seres, que é ‘guardar’, ‘celebrar’ o céu, a partir do que[60] se chama 'porteiro' e também 'tratar com muito cuidado'; mas outros analisam a sua etimologia a partir de 'olhar para cima'. E é chamado, com tudo o que abarca, de 'mundo'[61], por ter sido ordenado da mais bela maneira. Todavia, alguns poetas[62] disseram que ele era filho de Acmon, insinuando o [carácter] infatigável da sua convolução, ou assumiram que é imortal, mostrando assim devido à etimologia: com efeito, dizemos que os mortos sofreram uma calamidade. Ora, é da substância dele ser ardente[63], como se vê a partir do sol e das outras estrelas. Donde a parte mais exterior do mundo chamar-se 'éter', a partir de 'chamejar'. Alguns dizem que ele se chama assim a partir de 'mover-se sempre', isto é, 'ser levado por pressa'. E as estrelas são de facto como se fossem instáveis, pois nunca se fixam, mas movem-se sempre. É razoável que os deuses tenham tomado o nome pelo 'curso'. Com efeito, primeiramente os antigos entenderam que os deuses eram os que se viam incessantemente em movimento, considerando que eles eram responsáveis por mudanças do ar e por preservar o todo. Mas talvez os deuses possam considerar-se fundadores e criadores do que nasce.

§ 2

[2] Tal como nós somos controlados por uma alma, assim também o mundo tem uma alma que o preenche e ela chama-se Zeus[64], desde logo, que vive por meio de tudo e é causa da vida dos que vivem. Por isso, diz-se que Zeus governa o todo, como a alma em nós, e se fala que a natureza reina sobre nós. E apelidamos aquele de Dia, porque por intermédio dele cria-se e mantém-se tudo. Entre alguns, diz-se Deus[65], talvez por refrear a terra ou dar uma parte da humidade da vida aos vivos. [E o caso genitivo dele é Deos[66], que de alguma forma se relaciona com Zeus.] Diz-se que habita no céu, uma vez que é aí a parte mais importante da alma do mundo. De facto, as nossas almas são fogo também[67].

§ 3

[3] E transmite a tradição que Hera, que é o ar, é mulher e irmã dele[68]. Com efeito, está ligada a ele diretamente e juntou-se elevada da terra; aquele descido para ela. E nasceram a partir de um fluxo para isso. Na verdade, havendo fluído para o mais fino, conceberam as substâncias fogo[69] e ar[70]. Por isso, relatou-se fabulosamente que Reia é mãe deles, e o pai Cronos, na verdade, porque essas coisas foram medidas ordenadas de tempo, ou porque os elementos se distinguem por completo depois da combinação e agitação da matéria; ou, como é mais plausível, porque o éter e o ar ficam nessa altura, se a natureza for despertada para fazer, a partir do fogo coisas que existem e terminá-las.

§ 4

[4] Por esta razão, os antigos disseram outrossim que Posídon é filho de Cronos e Reia: com efeito, a água nasce da mudança acima mencionada. Posídon é a força que produz humidade na terra e à volta da terra, chamado assim quer pela bebida, e o facto de proporcioná-la, quer seja por ele ser o princípio da transpiração da natureza [physiidion]”; se é como se fosse chamado 'sacudidor da Terra'[71], conforme o seu carácter atribuído.

§ 5

[5] Diz-se que Hades é irmão deles. Ele é a forma mais densa de ar e mais próxima da terra. Com efeito, surge juntamente com eles[72], quando a natureza começa a fluir e a completar as coisas que existem de acordo com os princípios dentro dela. Chama-se Hades porque é ele mesmo invisível, de modo que o chamam Haïdes", com diérese, ou por antífrase, como se fosse o que nos agrada[73]. De facto, parece que é para aí que as nossas almas se retiram por ocasião da morte, e a morte é o menos agradável para nós. Também se chama Pluto porque, sendo todas as coisas perecíveis, não há nada que, no final, não seja atribuído a ele e se torne sua propriedade.

§ 6

[6] [A caracterização] de Reia é apropriada para o fluxo que ela representa[74]. A ela é atribuída a causa das tempestades; e porque geralmente acontece que as tempestades são acompanhadas por trovões e relâmpagos, denotou-se que se alegra com tambores, címbalos, a tocar chifres e com procissões de tochas. E quando tempestades se abatem de cima, e muitas vezes parecem vir das montanhas[75] [primeiramente apelidaram-na de Ida[76], montanha elevada, é visível de longe,], tendo-se referido a ela como 'da montanha', e definiu-se que fosse puxada por leões, que são os mais nobres dos que vivem nas montanhas. [Mas talvez seja porque as tempestades tenham um aspeto selvagem]. E usa uma coroa com torres, porque as primeiras cidades foram construídas nas montanhas por causa da fortificação, ou porque fundou a primeira e arquetípica cidade, o mundo. O velo dos carneiros é consagrado a ela, sugerindo que ela era a causa do nascimento de animais. Por esta razão também, algumas outras marcas são colocadas em torno do seu peito, para mostrar que a variedade das coisas que existem e todas as coisas surgiram graças a ela. Seria ela idêntica à síria Atargatis, e ela é honrada por causa da abstinência de pomba e de peixes[77], significando que o ar e a água manifestam melhor o fluxo da substância. É conhecida, distintamente, como 'Frígia', porque a sua adoração é especialmente cultivada entre os Frígios. Entre eles, o serviço dos sacerdotes de Cíbele[78] talvez represente algo como o mito entre os Gregos sobre a castração de Úrano.

De facto, primeiramente, Cronos é dito engolir os filhos[79] tidos para ele a partir de Reia. [Isto é entendido de uma forma que é completamente apropriada,] o que nasce de acordo com o princípio do movimento mencionado anteriormente desaparece novamente por sua vez, de acordo com a mesma coisa - e o tempo é realmente algo assim; porque tudo o que nasce é consumido por ele. Em seguida, dizem que Reia, tendo dado à luz Zeus, deu a Cronos uma pedra enfaixada em vez dele. Disse ter dado isso à luz. E aquilo foi engolido por ele, e Zeus, criado em segredo, veio a reinar o mundo. Ora, aqui a deglutição é entendida de outra forma: na realidade, o mito foi criado sobre a geração do mundo, no qual então foi gerada a natureza, tendo-o administrado e governado, quando essa pedra que chamamos terra, como se, havendo sido engolida, tivesse sido fixada no centro dele[80]. Com efeito, o que existe poderia ter acontecido de outra maneira, se não fosse sustentado neste fundamento, todas as coisas nascendo e sendo criadas a partir daí.

§ 7

[7] E por fim conta-se[81] que Cronos continuamente descendo para a unir-se com a Terra, castrou Úrano, parou a insolência, e Zeus, expulsando-o do reino, atirou-o para o Tártaro. Por isso, então, sugerem que o plano para o todo a ser criado, que dissemos chamar-se Cronos, a partir de 'completar', gerando o grande fluxo do que até então estivera a rodear, veio sobre a terra, fazendo as exalações mais finas. A natureza do mundo, tendo sido fortalecida, a qual dissemos chamar-se Dia, restringia o produto excessivo da mudança, e deu uma maior disposição ao próprio mundo. [E é bastante apropriado que Cronos se chame 'projeto torcido'[82], sendo desonesto e difícil de seguir, coisas que delibera, revolvendo um tão grande número de coisas.]

§ 8

[8] [Segundo um outro dito, afirmou-se que Oceano foi o progenitor de todas as coisas[83] – de facto, criou-se mais do que uma história sobre este aspeto – , e que a mulher dele é Tétis. Oceano é razão[84], ao mover-se rapidamente e faz alterações ordenadamente. Tétis é a persistência das qualidades. De facto, o que existe subsiste da combinação ou mistura destes: nada existia, se prevalecesse sem uma mistura.]

§ 9

[9] Depois disto, de outra forma: ZEUS diz-se pai dos deuses e dos homens[85], porque a natureza do mundo foi a causa da existência dessas coisas, assim como os pais geram os filhos. Chamam-no 'juntador de nuvens' e 'troante' e atribuem-lhe o raio e à tempestade, é responsável pelas nuvens e trovões no alto, acima de nós, e por precipitar daí raios e tempestades, [de outro modo] tendo todo o espaço acima da terra sido consignado ao deus que obteve o céu. E devido às tempestades [, que têm o nome por se moverem rapidamente,] foi chamado 'tempestuoso', por outras razões semelhantes e fáceis de entender, 'chuvoso', 'guardião de frutos', 'trovejante', 'relampejante', e muitas outras coisas, segundo pensamentos diferentes. E também o chamam 'salvador', 'do recinto', 'guardião da cidade'[86], 'dos antepassados', 'da mesma raça', 'da hospitalidade', 'da propriedade', 'conselheiro', ‘ganhador de troféu’, 'libertador'[87]. Tamanhos nomes dele são indeterminados, quando se estende a todo o poder, estado e é a causa e observador de tudo. Assim também se disse que ele é o 'pai da justiça' – com efeito, trazendo a comunidade para os assuntos dos homens e tendo-lhes ordenado que não se injuriem uns aos outros[88] – e 'das Graças'[89] – de facto, por isso são as origens de satisfazer e beneficiar – e 'das Horas'[90], sendo nomeadas pela guarda das mudanças tidas em redor da Terra que protegem as coisas e outras. Por tradição, ele tem a idade de um homem maduro[91], já que ele não mostra deficiência nem excesso, mas o que é apropriado para alguém totalmente crescido. Por esse motivo também [animais] crescidos são-lhe sacrificados. O cetro é um símbolo do poder[92], sendo algo transportado por um comandante real, ou para tê-lo seguro e firme, como os apoiados por cajados. E a espada, que ele segura com a mão direita, tem um nome claro demais para precisar de explicação. É frequentemente descrito a governar a Vitória, pois é superior a tudo, e nada consegue derrotá-lo. Diz-se que a águia é a sua ave sagrada, porque esta é a mais veloz das aves[93]. É coroado com oliveira porque é sempre verde, brilhante e útil para muitas coisas, ou por causa da semelhança do cinzento face ao céu. Ele é chamado por alguns de 'vingador', 'violento'[94] para os que punem com vingança e violência, nomeados uns por cometerem crimes pelos quais se sente ódio e tristeza; outros por adquirirem poluição inexpugnável a partir de crimes de violência.

§ 10

[10] Quanto a esse assunto, as chamadas Erínias[95] surgiram[96] da mesma forma que os investigadores dos crimes: Mégara, Tísifo e Alecto, como se a divindade guardasse rancor contra esses [homens], e punisse os assassinatos cometidos por eles e fizesse isso incessante e continuamente. Estas deusas são sacras e amáveis[97]. De facto, porque se fixa que a benevolência da natureza para com os homens também pune o mau. Têm aspetos aterrorizantes. Perseguem os ímpios com fogo e chicotes, e dizem-se de 'caracóis[98] de serpente'. Provocam esta impressão nas [cabeças] dos perversos pelas penalidades que pagam pelas faltas. Dizem que vivem no Hades[99], porque os sofrimentos daqueles repousam na obscuridade, e coloca-se a partir do nada aos que merecem.

§ 11

[11] Consequentemente a isto, diz-se que "o olho de Zeus vê tudo, e [ele] ouve tudo"[100]. De facto, como é que uma coisa que está no mundo esconde o poder difundido através de tudo[101]? Chamam Zeus Gentil, que é facilmente aplacado pelos que se arrependem da injustiça, não quer ser irreconciliável com eles. Por isso, de facto, os suplicantes têm altares de Zeus disso.

§ 12

[12] E o poeta disse que as Suplicantes[102] são filhas de Zeus. Eram coxas, porque os que suplicam caem; eram enrugadas para denotar a fraqueza dos suplicantes; vesgas ao negligenciarem alguns quanto a certos assuntos, têm mais tarde a necessidade de oração.

§ 13

[13] Zeus é Moira, porque a distribuição das coisas que são atribuídas a cada um não é vista, logo, outras porções chamaram-se moirai. Destino[103] é o despercebido e causa desconhecida das coisas que acontecem – manifesta-se agora sobre a porção incerta – ou, como os mais antigos[104], ele existe sempre. O que está destinado[105] é aquilo segundo o qual todas as coisas foram tomadas e reunidas numa ordem e série que não tem limite. [A sílaba ει̅ compreende junção, como em 'série'[106]]. Necessidade[107] é o que não se quebra nem se supera; ou é a referência de que tudo o que acontece prevalece. Segundo outra via, introduzem-se três Moiras, correspondendo à triplicidade do tempo[108]: uma delas é chamada Cloto, a partir de as coisas criadas serem iguais ao fiar das lãs, uma coisa sucede a outra, e de acordo, conceberam a que tece como a mais antiga; outra é chamada Láquesis, do facto de que o lote que se consigna a cada um é como as coisas atribuídas; Imutável, a terceira chama-se Átropos, porque as coisas que ela organiza têm cariz imutável. Pode parecer apropriadamente que os três nomes têm a mesma força. Esta é Adrástia, assim chamada pelo facto de ser necessária e inevitável; ou do fato de que as coisas que ela faz estarem sempre, como se fosse 'Sempre-Inevitável' ou a porção privativa[109] é aqui indicativa de magnitude, como em 'madeira não cortada'[110]. Na realidade, faz muito. E chama-se Némesis. É apelidada pela distribuição – com efeito, reparte o que acontece a cada um –, e 'Sorte'[111], por nos fazer o que rodeia, e é o artesão das coisas que acontecem aos homens; Opis[112], por ter escapado e, por assim dizer, segue atrás e tendo olhado atentamente as nossas ações, de modo a punir aqueles que são dignos de punição.

§ 14

[14] Diz-se que Zeus gerou as Musas a partir de Mnemósine[113], uma vez que ele era o autor das lições para criança, que através de cuidado e retenção em memória apresentou assumir como as coisas mais necessárias para uma boa vida[114]. Chamam-se Musas[115] por procurar, ou seja, investigar, conforme se diz "Ó desgraçado! Não procures o suave, não segures o firme!"[116] E são nove, porque, como refere alguém, tornam os que lhes pertencem perfeitos[117] e extraordinários[118]. Com efeito, são em número nove[119], constituído pelo número que parece ser o primeiro depois da unidade a participar de alguma perfeição, gerando a partir de si mesmo[120]. Porém dizem alguns que existem apenas duas; para uns, três; para uns, quatro; para uns, sete. Três, por causa da perfeição da tríade, que foi mencionada; ou porque existem três tipos de investigação que compõem o cálculo filosófico[121] das coisas. Duas, por nos caber contemplar e fazer o que deve ser feito, e nessas coisas assenta a educação. Quatro e sete, talvez porque os instrumentos musicais da antiguidade tivessem tantos sons. Foram apresentadas como mulheres [os nomes para as virtudes e a educação são por acaso femininos], pelo símbolo de que a aprendizagem vem de ficar em casa e da estabilidade. Juntam-se e dançam entre si, para mostrar que as virtudes das coisas são inseparáveis e indivisíveis[122]. Passam um tempo em particular a cantar hinos[123] e a servir os deuses, pois é um elemento fundamental da educação olhar para o divino, e os que o fazem modelo de vida deveriam falar disso. De outra forma, Clio[124] é uma das musas por que os educados obtêm renome, e dão a eles mesmos e a outros o celebrar. Euterpe[125], por a associação a elas, é agradável e atraente. Tália, porque a vida delas floresce, ou porque elas também têm a virtude de convivência auspiciosamente, e versadas em artes, conduzem-se nas festas. Melpómene, pelo canto[126] doce, que resulta da melodia com voz – na realidade, os bons são cantados por todos, e eles mesmos cantam os deuses e os nascidos deles. Terpsícore[127], porque elas se divertem e se alegram a maior parte da vida, ou porque ao vê[-las] dão prazer àqueles que se aproximam delas. Neste caso, a parte final no nome é excedente[128], mas talvez depois que os antigos tenham instituído as danças para os deuses[129], dos mais sábios entre eles compuseram-lhes músicas. E Érato[130] ou enverga o seu nome do amor, preocupando-se com todo o tipo de filosofia, ou ela supervisiona a capacidade de perguntar e responder, uma vez que os de excelência estão na dialética. Polímnia[131] é virtude muito afamada da música, ou melhor, canta muitos[132] e quanto se canta sobre os antigos, pesquisa a partir de poemas e de outros escritos. Urânia[133] é conhecimento sobre os corpos celestes e a natureza do todo[134]– com efeito, os antigos chamavam todo o mundo céu[135]. Calíope, de bela voz e bonita de palavra, é retórica[136]; por causa dela, governam as cidades e falam aos povos, levando-os pela persuasão e não pela força, ao que decidiram[137]. Por causa dela diz-se[138] sobretudo “acompanha reis honrados”[139]. Atribuem-se-lhes vários instrumentos, cada um mostrando que a vida dos bons é bem estruturada, harmoniosa com ela mesma e coordenada. Apolo[140] dança com elas por causa da familiaridade das artes. De facto, transmite a tradição que ele toca cítara, por uma razão que saberás daqui a pouco[141]. Dizem que elas dançam nas montanhas, uma vez que têm necessidade de ficar sozinhas e continuamente ir para o deserto, "sem o qual nada santo é descoberto"[142], segundo o cómico. Por causa disso, diz-se que Zeus, durante nove noites, tendo-se relacionado com Mnemósine, gerou-as. Com efeito, a pesquisa noturna é necessária para a educação[143]. Por isso então os poetas chamavam a noite de 'tempo agradável'[144], e Epicarmo, então, diz: "se alguém procura sabedoria, considere de noite, e todas as respostas encontram-se melhor à noite”[145]. [Alguns[146] supuseram que elas nasceram de Úrano e de Gaia, pois convém acreditar que o relato deles é o mais antigo.] São coroadas com palmeiras[147], como alguns pensam, devido à homonímia, por julgarem que a escrita foi uma invenção dos Fenícios. Mas é mais razoável sustentar que é porque é uma planta delicada, vigorosa, perene, difícil de escalar, e doce de fruta.

Parte II

§ 15

[15] Como nós somos capazes de lançar e de realizar atividades benéficas também, como já foi dito, muitos transmitiram que as Graças[148] são filhas de Zeus. Umas nasceram para ele a partir de Eurídone, porque o amor de dar presentes é especialmente encontrado em amplas e extensas casas; uns a partir de Eurínome, que estabelece que os mais beneficiados de alguma forma são, ou deveriam ser mais generosos; e alguns a partir de Eurimedusa[149], pela razão sugerida pelo étimo. De facto, os homens são senhores de si mesmos[150]. Outros consideram que Hera era a mãe delas[151], para que pudessem ser as mais nobres de entre os deuses por nascimento, como são pelos feitos. Por outra aparência são apresentadas nuas, como os de nenhuma posse, tendo capacidade de prover ajuda com algumas coisas [proporcionam muitas coisas], e não se precisa de ser muito rico para ser um benfeitor, como se diz, "a vontade dos hóspedes é o melhor". Alguns pensam que, devido à nudez delas[152], deve ser preciso apresentar-se relaxada e desimpedidamente para se ser favorecedor. Alguns dizem que são duas, mas para outros são três. Duas, porque é necessário os que primeiro fazem o favor e aqueles que pagam; mas três, uma vez que é bom quando alguém que foi pago faz novamente um favor, de modo que não há fim para isso. E a dança delas mostra algo desse tipo. Outros julgam que há uma Graça para prestar trabalho, um serviço útil, outra para o que aceita o serviço prestado e cuidar apropriadamente da retribuição, e uma terceira para o que faz o serviço segundo si próprio, no momento apropriado. Como devem fazer-se boas ações alegremente, e fazem os beneficiários das Graças alegres, primeiramente todas as Graças foram comumente chamadas “alegrias”. [E dizem que têm forma bonita e concedem encanto e persuasão. Depois individualmente foram apelidadas Aglaia, Tália e Eufrósina. Por causa disso, alguns julgam que Evante[153] é mãe delas, uns, porém Egle[154]. Contudo, Homero[155] diz que uma das Graças vive com Hefesto[156], porque os trabalhos artísticos são prazerosos.]

§ 16

[16] Transmite a tradição Hermes como seu líder, mostrando que favorecer deve ser razoável[157] e não aleatoriamente, mas para os que são dignos. De facto, o que foi tratado com ingratidão torna-se mais relutante em fazer o bem no futuro. Acontece que Hermes, sendo a razão, os deuses enviam-no do céu para nós, fazendo o homem sozinho de entre os animais na terra racional. Apelida-se por inventar o falar, por assim dizer, ou de ser o nosso baluarte e fortaleza. Mas então, primeiramente, é chamado “mensageiro”[158], seja por ser penetrante e distinto, ou por conduzir os nossos pensamentos para as almas dos que estão perto. E é, por conseguinte, que lhe dedicam línguas. Em seguida, é chamado de propício, de ser uma grande ajuda e por aqueles que o usam ultrapassarem em força, começando por ser salvador de lares [ou, segundo alguns, forte][159], e dizem-no gracioso, significando algo assim. De facto, a razão não é para o mal[160] e prejudicar, mas principalmente para salvar, e é por isso que puseram a Saúde a viver com ele. É matador de Argos, como argifanta[161], porque ilumina tudo brilhantemente e esclarece – com efeito, os antigos chamavam “argos” brilhante – ou por causa da rapidez do som – de facto, diz-se que “argos” também é rápido –, e “da Vara de Ouro”[162], porque é muito honroso ser atingido por ele, pois as advertências muito oportunas são de valor e também o arrependimento dos que as têm. Diz-se de ele ser o arauto dos deuses[163], e dizia-se que anunciava os seus feitos aos homens. E é um arauto, porque tem voz alta, para o significado racional para os ouvintes, e é um mensageiro[164], porque sabemos a vontade dos deuses a partir das considerações[165] incutidas em nós através da razão. Usa sandálias aladas[166] e é transportado pelo ar[167], é consistente com a ideia de “palavras aladas”[168], como tem sido chamado. De facto, é também por causa disto que designam Íris mensageira “ligeira como o vento”[169] e “redemoinho de vento”[170], também levados pelo nome. E a mitologia representa Hermes como o “transportador de almas”[171], associando a sua tarefa própria, transportar almas. Pelo menos por isso colocam na sua mão uma vara "com a qual encanta os olhos dos homens", certamente os da mente, “que deseje, mas novamente desperta os adormecidos”[172]. Ora, é capaz de estimular facilmente os fracos e organizar os estimulados. Por conseguinte, pensou-se que também envia os sonhos[173] e é profeta[174] [desta maneira], direcionando as coisas que se apresentam como quer: “e os sonhos também são mensageiros dos deuses.”[175] E as serpentes[176] que preenchem à volta da referida vara da forma da de um arauto são um símbolo de que as bestas também são enfeitiçadas e encantadas por ele, libertando-se das suas diferenças e ligadas elas juntas com ligação indissociável. Ora, por causa disso, a [vara] do arauto parece ser pacificadora. [De qualquer forma, os que vão à procura da paz também de ramos nas mãos lembram que a terra deseja ser cultivada e poupando plantas jovens e frutíferas.]. Disseram que Hermes nasceu de Maia para Zeus[177], novamente sugerindo através disso que a razão é nascida da contemplação e investigação. De facto, as que auxiliam as mulheres no parto são, por conseguinte, ditas parteiras porque, como no caso da investigação, trazem para a luz os fetos. Hermes é moldado sem mãos e pés e tem formato quadrado. Quadrado, por ter algo firme e seguro, que até as modificações dele são pedestais. Não tem mãos e pés, pois não são precisas mãos nem pés para lograr o que lhe é exposto. Os antigos fizeram os genitais dos Hermes mais antigos e barbudos direitos, mas os dos mais jovens lisos e flácidos, descrevendo que a razão produtiva está completa nos de idade avançada, [que atinge as metas que estabelece,] mas nos imaturos é infértil e imperfeita. Está sentado em estradas[178] e diz-se “das encruzilhadas” e “guia”, pois é necessário usá-lo como guia em todas as ações, e sendo assim, leva-nos, nas pretensões, para o caminho que precisamos seguir e talvez também por necessitar de solidão para o seu vigor e tratamento. Porque ele[179] é comum[180] e ele [está] em todos os homens e nos deuses, quando alguém encontra algo, a ir no caminho, habitualmente dizem que “Hermes é comum” [, que sabedor juntamente, sendo descobridor da encruzilhada], mostrando que consideram que é também “o encontrado”, por conseguinte os objetos encontrados são chamados “de Hermes”[181]. E amontoam pedras para os Hermes, cada qual adicionando uma, seja por isto ser algo público útil feito por cada indivíduo, através de limpar a estrada, quando invoca Hermes como testemunha, ou porque é honra para ele, se não tem mais nada para trazer para ele, ou porque torna o templo mais visível para os transeuntes; ou porque um símbolo que proferiu fala é composto de pequenos elementos. Também é, adequadamente, [o primeiro] a ser dito “da ágora”[182]. Com efeito, é superintendente de oradores públicos. E da “ágora”, também se estende àqueles que negociam e vendem algo, pois tudo deve ser feito de acordo com a razão. Portanto foi pensado como o superintendente dos mercados e foi nomeado “de negócios”[183] e “de lucro”[184], uma vez que é a única causa do lucro verdadeira para os homens. É inventor da lira[185], a partir da harmonia e consistência com que os vivos são felizes, quando se trata de ter uma disposição adequada. Estabeleceram o poder dele e através de imagens dispuseram que ele era um ladrão, e alguns fundaram o altar de Hermes Traidor[186]. De facto, furtivamente apaga as opiniões anteriores aos homens, e há momentos em que, pela persuasão, rouba a verdade, quando dizem que alguns usam “palavras ladras”. E, de facto, usar sofismas é pertença de indivíduos que usam a razão. Diz-se “de lei”[187], por que razão é a retificação prescritiva das coisas que, na comunidade, são para se fazer, e proibitiva de coisas que não são para se fazer. É graças à homonímia que ele foi apropriado para o cuidado de pastagens[188] também. Ele é outrossim honrado nas lutas junto de Héracles, porque é preciso usar de força junto com raciocínio. De facto, para alguém confiando apenas no poder do corpo, mas negligenciando a razão, que também trouxe as artes para a vida, poderia dizer-se adequadamente: "Divino, a tua força destruir-te-á."[189]

§ 17

[17] Muitos e vários mitos sobre os deuses surgiram entre os antigos Gregos, como outros nascem entre os Magos, outros entre os Frígios, e novamente entre os Egípcios e Celtas e Líbios, e outros povos, e caso se tome uma testemunha em Homero o discurso por Zeus face a Hera, este assunto: "Ou não te lembras quando pendurei no alto, e | fixei bigornas aos dois pés.”[190] De facto, parece que o poeta citou esse fragmento do antigo mito, segundo o qual Zeus dizia ter pendurado Hera do éter com correntes de ouro[191]. As estrelas têm uma aparência de ouro; e como fixadas a partir de seus pés duas bigornas, manifestamente a terra e o mar, pelos quais o ar foi esticado para baixo, capaz de ser arrancado por nenhum dos dois. De outro mito, aquele sobre Tétis, lembra-se que Zeus foi salvo por ela: “Quando os outros Olímpicos desejaram atá-lo, | Hera, Posídon e Palas Atena."[192] Parece que cada um desses deuses individualmente estava sempre a urdir contra Zeus, com a intenção de impedir a ordem cósmica, que aconteceria se a humidade prevalecesse e tudo se tornasse água, ou o fogo e tudo se transformasse em fogo, ou o ar. Mas Tétis, colocando tudo na devida ordem, dispõe Briareu com as suas cem mãos contra os referidos deuses, talvez porque as exalações da terra são distribuídas em todos os lugares, como é através de muitas mãos que essa divisão em todas as várias formas ocorre. Considera se é chamado Briareu de levantar alimento para as partes do mundo. [Ora Egeu é o que sempre floresce e se alegra.] Mas não devem misturar-se os mitos, nem transferir os nomes de um para outro, nem colocar impensadamente algo que foi feito e adicionado às genealogias proferidas por eles quem não entende o que insinuam, mas usando-os irracionalmente como usam ficções. Novamente, então, os mitos dizem que Caos foi o primeiro a existir, como Hesíodo menciona[193]; e depois a Terra e o Tártaro e Eros; e do Caos Érebo e a Noite produziram-se; e da Noite, o Éter e o Dia. Caos é o fluído que surgiu antes da ordem cósmica, assim chamada a partir de “fluência”, ou fogo, que é como caos [, e as correntes, através da parte delicada][194]. Tudo, ó criança, já foi fogo, e será novamente no ciclo. Tendo secado para se tornar ar, ocorre uma completa [transformação] em água, a qual toma, colocando parte da substância para condensar, e adelgaçando para rarefazer. Disseram, razoavelmente, que depois do Caos nasceram a Terra e o Tártaro enevoado [, que o poeta anteriormente mencionado chamou o interior da Terra, ao abraçá-la e esconder[195]]. Eros, disse-se que surgiu com eles, coloca em movimento a geração. De facto, na mesma altura em que algo surge de algo deve supor-se que este poder mais lindo e belo está presente no nascimento. E do Caos nasceu Érebo, que é a razão a fazer uma coisa a ser coberta e abraçada por outra coisa[196]. Por isso, quando a Terra se encontrou com isso, nasceu Úrano, semelhante em aparência a ela, "para que esconda em toda a volta, | de modo que ela seja sempre o lugar seguro para os deuses abençoados”[197], o lar seguro para as estrelas divinas longevas sobre ele. E a Terra gerou Úrano das exalações, embora toda a substância mais fina em torno dela é agora mais comumente dita Úrano. A Noite também é filha de Caos. Com efeito, o [ar] elevado primeiramente a partir do fluído inicial era opaco e escuro; depois tornado fino, mudou para éter e luz, o que, razoavelmente, diz-se que nasceu da noite[198]. E diz-se que a Terra deu nascimento às montanhas e ao mar, um após o outro, "sem o desejo mais querido"[199]. De facto, o mar, criado pela metamorfose, permaneceu nas partes ocas dela[200] e as montanhas adquiriram proeminências ao afundar irregularmente. Depois disto, é o surgimento dos ditos Titãs[201]. Estes seriam as diferenças das coisas que existem. De facto, como Empédocles enumera em Da Natureza: “Fiso, Ftimene, Eunaie, Egersis, | Cino, Astenfe, muitos coroados e Megisto” e Forine, Siope, Onfaie, e muitos outros, insinuando a variedade referida das coisas que existem. Assim, o processo pelo qual criaturas com vozes surgiram, e todo ruído em geral se completou, foi chamado de Jápeto pelos antigos, sendo um arqueiro (de facto, o som são flechas). E Céos é aquele pelo qual as coisas que existem são de certas qualidades (de facto, os jónicos costumam usar em muitos sítios κ em vez de π[202]), ou é a causa de perceber, que é apreender ou entender. Crios, segundo o qual as coisas iniciam e governam os assuntos, dominam, enquanto outras são comandadas e governadas; talvez também porque o carneiro nos rebanhos é assim tratado. E Hipérion, segundo o qual algumas coisas se elevam sobre outras; e Oceano, mediante o qual se efetua com rapidez[203] [, o qual também é chamado de “fluxo suave”, o seu fluxo é calmo e agradável, como mostra o movimento do sol[204]; e “redemoinho profundo”, com redemoinhos no fundo.[205]] E Tétis, segundo a qual se permanece no mesmo estado por um tempo. E Teia é a causa da visão; Reia, a de fluxo; e Febe, a de algo ser puro e brilhante. É preciso entender que em todas essas estão as causas de os estados opostos também. Mnemósine é a que traz juntamente as coisas que aconteceram; Témis [a causa] de fazer um acordo sobre algo entre nós e proteger. Cronos é a razão antes mencionada[206] de todas as coisas levadas a termo, sendo a mais inteligente das crianças[207]. E [Hesíodo] disse que ele era o mais novo[208], porque depois do nascimento deles, ele mesmo permaneceu como se estivesse no nascimento. Mas poderia haver uma exegese mais completa da <genealogia>[209] de Hesíodo, que recebeu algumas coisas, penso, daqueles mais antigos do que ele, mas acrescentou outras coisas para si, à maneira de um contador de histórias. E por isso, a maior parte da antiga teologia tem sido corrompida. Agora, porém, devemos olhar para o que é reivindicado pela maioria.

§ 18

[18] Transmite-se de novo que Prometeu moldou a raça dos homens a partir da terra[210]. Deve entender-se que Prometeu é chamado a premeditação[211] exibida pela alma do todo. Pensadores mais novos chamaram-no de “providência”. De facto, segundo esta tudo o mais surgiu, e os homens nasceram da terra, o estado original do cosmos, sendo adequadamente disposto para isso. [E diz-se que Prometeu estava com Zeus. De facto, todo o governo e autoridade, sobre os muitos, especialmente quando é o de Zeus, precisa de muita premeditação.] E dizem que ele roubou o fogo para os homens, uma vez que se pensava que as nossas próprias compreensão e providência haviam percebido o uso do fogo. O mito disse que o trouxe a partir do céu, porque tem abundância de fogo, ou porque os raios caem daí, ateando fogo ao atingir aqui. Talvez algo desse tipo também seja sugerido por causa do funcho[212]. Prometeu, acorrentado por isso, foi punido ao ter o fígado ser-lhe devorado por uma águia. De facto, para as nossas aptidões, que têm a vantagem, entre outras coisas, que referi antes, experimenta alguma dificuldade, com a sua própria desvantagem, estando atado aos dolorosos cuidados da vida, como que tendo as entranhas devoradas por bagatelas. Diz-se que Epimeteu, o de “Reflexão Tardia”, é o irmão mais novo de Prometeu, sendo de todo o modo mais simplório, porque prever vale mais do que a educação em coisas que aconteceram, e retrospetiva. Na verdade, "o tolo também sabe o que foi feito"[213]. [De facto, por isso disseram que viveu com a primeira mulher criada. Ora, a fêmea é, em todo o caso, mais estulta[214] e apresenta mormente retrospetiva em vez de previsão.] Prometeu é dito por alguns para ter inventado as artes, apenas porque compreensão e premeditação eram necessárias para a descoberta delas.

§ 19

[19] De facto, muitos atribuem-nas[215] a Atena e Hefesto. Atena, visto que parece ser própria da inteligência e esperteza. E Hefesto, porque a maioria das artes usa o fogo para produzir os seus trabalhos. De facto, Zeus é éter, brilhante e puro fogo. Hefesto, o [fogo] misturado com o ar que se usa, nomeado por ter sido aceso. Por isso, dizem que ele nasceu de Zeus e de Hera, mas uns, só de Hera[216]. Com efeito, as chamas são um pouco mais densas, como se existissem apenas devido ao ar que está a ser queimado[217]. Transmite a tradição que é coxo, talvez porque faz um andar torpe através da lama similar aos que mancam; mas talvez seja de não conseguir prosseguir sem algo de madeira, que fosse um bastão. Porém, uns afirmaram que ele coxeava, [pelo movimento] acima e abaixo provoca desigualdade e irregularidade, este último sendo mais lento. Diz-se que ele foi atirado do céu para a terra por Zeus, porque os primeiros [indivíduos] usaram de igual maneira o fogo começado a partir de um trovão, dado que nunca poderiam ter obtido a ideia por pensamento de coisas flamejantes. Disseram que a mulher dele era Afrodite[218], pela razão de que ela é uma das Graças[219]. Com efeito, assim como dizemos que as obras de arte são agradáveis, então dizemos que um certo prazer é difundido por elas, a menos que isso tenha sido inventado para mostrar que o impulso para o sexo é muito ardente. Diz o mito que Hefesto apanhou Ares a cometer adultério[220] com a esposa [; de fato, o mito pertence ao poeta[221], sendo muito antigo], porquanto ferro e bronze se dominam pelo poder do fogo. O [facto] do adultério mostra que o que é bélico e fantástico não se compagina de todo com o que é alegre e gentil, nem é a lei da natureza que delineia a relação. No entanto, de alguma forma, riposta, e o produto completado do relacionamento é belo e nobre, a harmonia derivada de ambos[222]. Diz-se que Hefesto foi parteiro de Zeus, quando ele deu à luz Atena, e cortando-lhe a cabeça, fê-la saltar para fora. De facto, o fogo que as artes usam ajuda a demonstrar a ingenuidade natural dos homens, como se a conduzissem para a luz quando ela estava escondida antes, e dizemos que aqueles, procurando descobrir algo, “concebem-no” e “trazem-no à luz”.

§ 20

[20] Atena é a inteligência de Zeus, sendo a mesma coisa que a sua providência[223], motivo por que são fundados templos de Atena Pronoia. Diz-se que nasceu da cabeça de Zeus[224], talvez porque os antigos entendiam que a autoridade das nossas almas[225] está lá – como outros depois dessas coisas pensaram, mas talvez porque a cabeça é a parte mais alta do homem, o éter, do mundo, onde a dominante dele é a substância da sabedoria. Segundo Eurípides, "O pico dos deuses é o éter brilhante em redor da terra"[226]. [Atena é sem mãe, porque a gênese da virtude é diferente, e não do tipo de nascidos a partir da união de duas coisas.] Então Zeus deu-a à luz, engolindo Métis[227], uma vez que é conselheira[228] e inteligente, o seu pensamento tem origem em nenhum outro lugar que no seu próprio conselho. É difícil apresentar uma etimologia para o nome Atena, por causa da antiguidade[229]. Vem disso contemplar tudo, como dizendo que ela era Atrena, porque, apesar de Atena ser feminina, ela participa menos na feminilidade e fraqueza. [Já outros, pelo facto de que a virtude não se apresenta a ser atacada e a subsistir.] E talvez, se “Ateneia”, como os antigos[230] diziam Atena, é moradora do éter. A sua virgindade é símbolo de pureza e de ser impoluta [; de facto, é isso a virtude]. É representada armada, e a história é que ela nasceu assim[231], o que sugere que a sabedoria está suficientemente preparada para as maiores e mais difíceis ações. Com efeito, os serviços de guerra são os que se julgam maiores. Por essa razão, atribuem-lhe ter muita masculinidade e um olhar de feroz, do tipo da aparência cinza[232]. Com efeito, os mais fortes dos animais selvagens, tais como leopardos e leões, têm olhos cinzentos, brilho difícil de ver a partir dos olhos. Porém, alguns afirmam que é apresentada assim porque o éter é cinza. É muito apropriado que participe da égide[233] de Zeus, não sendo outra coisa, pela qual Zeus parece aguentar tudo e superar. A cabeça de Górgona está no meio do peito da deusa[234], a língua estando projetada para fora, a razão é a coisa mais visível na organização do universo. Serpentes e a coruja[235] estão associadas a ela, porque têm semelhança dos olhos, são cinza. De facto, a serpente tem um olhar terrível, tem vigilância e falta de sono, e parece não ser fácil de apanhar [; e “um homem conselheiro não deve dormir a noite toda”[236]]. Diz-se Atrítone, como se não estivesse desgastada por nenhum trabalho ou visto que o éter é infatigável; e Tritogénia, porque ela é quem gerou o temer e temer pelos males – ora, declarou guerra contra o mal –, e outros dizem que por isso sugere os três tipos de reflexões em investigação filosófica; mas a maneira de entender isso é muito artificial para representar a perspetiva antiga. Ela é chamada de “Despertadora”[237], porque ativa os povos em batalhas [, é apelidada “Distribuidora do espólio”, pelo espólio,] ou melhor, porque ela é a salvação dos povos que a consultam. E de facto a inteligência deveria fazer a guarda da cidade, do lar e de toda a vida. Por isso, ela também é denominada “Defensora da cidade” e “Protetora da cidade”, como Zeus, “Guardião da cidade”: na realidade, ambos são supervisores de cidades. Diz-se Palas, por causa da sua juventude na mitologia e pelo que rapazes e raparigas são tratados; de facto, a juventude é leviana e instável. E constrói-se para ela principalmente nas acrópoles, pretendendo mostrar que é difícil de subjugar e difícil de sitiar, ou que olhe de cima para os que fogem para ela, ou sugerindo a elevação daquilo em virtude do qual Atena é uma parte da natureza. Os poetas chamam-na “Protetora”[238] e “Rebanho”[239], uma de repelir os que vão – de facto, é capaz de proteger e auxiliar, e a partir disso que ela também é designada “Vitória” –, outra por ela guiar os povos ou por ser indomável, como o gado comum, que lhe é especialmente sacrificado. Diz-se que inventou os aulos[240], assim como das outras sutilezas das artes, pelo que é patrona da fiação. Atirou fora, uma vez que as músicas passadas através deles emasculam as almas, e parecem ser as menos viris e guerreiras. A oliveira é um presente para ela, porque se desenvolve, e porque tem algo cinza. De igual modo, o azeite não é facilmente adulterado através de outro fluído, mas permanece sempre sem mistura, como parece ser congruente com a virgem. E designou-se “General”, porque se ocupa com a estratégia e a organização das guerras e a luta da justiça. De facto, é astuta em todas as coisas e a soma de todas as virtudes [; e chamam-na “Equestre”, “Domadora de cavalos”, “Lançadora de arpões” e muitas outras coisas. Montaram outrossim troféus a partir de madeira de oliveira, e, especialmente, a Vitória é feita para compartilhar o seu trono, a qual faz subjugar a um, quem prevalecer, tradicionalmente alado, porque as linhas de batalha se transformam rapidamente e são fáceis de mudar]. Transmite a tradição que Atena venceu a batalha contra os gigantes, e foi nomeada “Matadora de gigantes” por esse tipo de razão. Com efeito, é razoável pensar que os primeiros homens que nasceram da terra eram violentos e irascíveis uns com os outros, porque ainda não conseguiam chegar a decisões ou abanar a fonte de comunidade que estava neles. Mas os deuses, como se estivessem a estimulá-los e a lembrá-los de seus conceitos, prevaleceram. A capacidade permitida pela razão, em particular, combateu-os e colocou em ordem, de modo que parece que eles foram alterados e destruídos e não pareciam mais ser assim. Outros surgiram da mudança, e os que nasceram deles viveram juntos nas cidades sob Atena Guardiã da Cidade.

§ 21

[21] Outros deuses preocupados a respeito de questões militares não visam de forma semelhante o que é estável e razoável, mas são um pouco mais perturbadores, Ares e Énio. Zeus introduziu estes em coisas, agitando os animais uns contra os outros; e há ocasiões em que ele decreta liquidação por armas que, mesmo entre os homens, não é sem utilidade: faz com que sejam bem-vindos nobreza e bravura em si, bem como o comportamento em relação ao outro que é apropriado ao tempo de paz. Na realidade, por esta causa, transmite a tradição que Ares é filho de Zeus e também, [não segundo outra razão, que Atena é “De Poderoso Pai”[241]]. Acerca de Énio diferem: para alguns, como mãe, alguns, filha, alguns ama de Ares. Não faz diferença: de facto, Énio é a que implanta nos soldados furor e força; ou então <o nome> é um eufemismo, porque ela é a menos gentil e tolerante. Ares tem o nome a partir de apreensão e destruição; ou de ataque, isto é, dano; ou de novo por antítese, como se para acalmá-lo tratando das coisas. De facto, esmaga e arruína as coisas que são unidas [surge, então, a partir da junção, que é acomodar[242]], Harmonia talvez seja uma dessas coisas. A mitologia diz que surgiu a partir dele. E é convenientemente dito “assassino”[243], “praga do Homem”[244], “do grito de guerra”[245] e também “de grito alto”[246], uma vez que o som maior é feito nas batalhas, pelos lutadores, pelo que alguns sacrificam-lhe burros, devido à perturbação e sonoridade do zurro, a maioria, no entanto, cães, por causa da insolência, e prontidão para atacar do animal. Diz-se que é honrado especialmente pelos Trácios[247], Citas e raças dessas, entre as quais a prática das guerras é muito estimada e há negligência da justiça. Afirmam que o abutre é o pássaro sagrado dele[248], devido à abundância dele, onde quer que haja muitos cadáveres mortos em batalhas.

§ 22

[22] Depois disto, criança, há que falar acerca de POSÍDON. Já se disse que ele é o poder com ordenação[249] associado à humidade, e agora é preciso justificar isso. Primeiramente, chamaram-no “nutritivo”[250], uma vez que, das coisas que vêm da terra, é claro que a humidade é uma causa contribuinte do surgimento. Então, “abanador do solo”, “abanador da terra”[251], “tremedor da terra”[252], “abanador da terra”[253], uma vez que os sismos são causados pelo mar e por outras águas. De facto, confinados os ventos nela, procurando uma saída, fá-la romper-se, às vezes produzindo um ruído[254], fratura. [Afirma-se compreensivelmente urrador, porque o mar completa um assim, e por isso também se apelida de rugido e gemido alto e ruidoso][255]. Por isso acredita-se que os touros estejam associados a ele, e os touros de preto puro são-lhe sacrificados, devido à cor do mar [e em qualquer caso, dizem que a água é preta], também é apropriado afirmar-se que ele é de cabelo escuro e trá-la [cor escura] na roupa[256]. E porque representam os rios chifrudos de face taurina, tendo a corrente deles algo violento e urrante. E com efeito, Escamando, de acordo com o poeta, “berrou como um touro”[257]. De outra maneira, diz-se Posídon portador da terra[258] e sustentador, por uns, e sacrificam-lhe, Posídon Segurador, em muitos locais, uma vez que as habitações da terra estão fundadas com segurança por ele [e precisam dele]. Carrega um tridente, seja porque isso é algo usado para caçar peixes, ou porque é um instrumento adequado para mover a terra, de modo que também se refere que “ele, o Abanador da Terra, tendo nas mãos um tridente, | levou: e derrubou todas as fundações.”[259] [ele[260] contém alguma etimologia escondida, e Tritão e Anfitrite. Se a letra τ é irrelevante, nomeando-se assim a partir do fluxo deles[261], ou por outro motivo. Tritão tem uma forma dupla, parte homem, parte monstro marinho, uma vez que a humidade referida tem o poder de ajudar e de prejudicar.] Posídon é chamado “de peito grande”[262], por causa da largura do mar, como se referiu e "em largura à volta do mar"[263] e a partir disto diz-se “de vasta decisão”[264] e “de grande potência”[265] e “do cavalo”[266], talvez porque a passagem pelo mar é rápida, e é como se nós estivéssemos em cavalos quando usamos navios. Consequentemente, ele é o guardião dos cavalos. Ele é chamado por alguns, “líder das Ninfas” e “Senhor das Fontes”, por razões já dadas: ninfas são as fontes de águas doces, assim chamadas por sempre parecerem ser jovens, ou por brilhar. [As noivas são chamadas ninfas porque aparecem primeiramente agora, depois de serem escondidas[267].] A mesma linha de raciocínio tem o facto de que Pégaso[268] é o filho de Posídon, nomeado a partir das nascentes. Por causa da força observável à volta do mar, a mitologia sustenta que todos aqueles que são violentos, e que tramam enormidades, como o Ciclope[269], os Lestrígones[270] e os Aloídas[271], são descendentes de Posídon.

§ 23

[23] Nereu[272] é o mar, local assim chamado por se nadar[273] através dele. Também o chamam Nereu, “velho do mar”[274], porque a espuma coroa as ondas como cabelos grisalhos. De facto, Leucótea[275], que se diz ser a filha de Nereu, representa algo do tipo também: claramente o branco da espuma.

§ 24

[24] E é plausível que Afrodite não seja tradicionalmente nascida de outra forma, que no mar[276], porque movimento e humidade são necessários para a geração de tudo e ambos são, abundantemente, associados ao mar. Os que dizem que Afrodite é filha de Díone[277] chegaram à mesma coisa: com efeito, o húmido é molhado. Afrodite é o poder que traz juntos o masculino e o feminino. O nome talvez através de a semente dos animais ser espumosa ou, como Eurípides sugere, porque aqueles que são derrotados por ela são tolos[278]. E apresenta-se muito bonita, porque o desejo sexual, no tocante ao relacionamento, é especialmente agradável[279] aos homens e excede todos os outros. E diz-se risonha[280] por isso, com efeito, porque risos e alegria são próprios desses encontros. Graças, Persuasão e Hermes compartilham assentos e altares, assim como a persuasão, porque se seduz através da persuasão, fala e favores[281]; ou por causa da atração do relacionamento. Refere-se Citéria[282], por causa das conceções que resultam das uniões, ou porque os desejos afrodisíacos, na maioria, se ocultam. Por isso, a ilha de Cítera parece ser sagrada de Afrodite, e talvez Chipre[283] também: o nome soa, em todo o caso, como “esconder”. Mas o lar dela própria é Pafo[284], é dita Páfia[285], talvez por elipse de apafiskein, que é engano. De acordo com Hesíodo, "sorri e engana”[286], e segundo Homero "fala suavemente, o que rouba até mesmo a mente de quem pensa."[287] Kestos[288] é uma cinta, como se fosse algo excedente, perfurada e sarapintada, tendo poder de amarrar e unir. É chamada urânia e vulgar, e do mar, por ver-se o poder dela no céu, na terra e no mar. [Afirmaram que são sem autoridade e não são puníveis os juramentos afrodisíacos e enquanto for corretamente invocada, aquele que jura pode obter aquelas[289] face às quais possa usar juramentos para persuadir.] Entre os pássaros, alegra-se especialmente com a pomba, porque é um animal puro e, por causa dos beijos, amigável. Por outro lado, o porco parece ser contrário para ela por causa da impureza. Entre as plantas, a murta[290] foi tida de Afrodite por causa do seu doce odor, ou a árvore de lima[291] por causa do nome [, porque mostra similitude com o amar[292],] e uma vez que tem por hábito fazer grande uso das espirais das coroas. E guardam madeira de caixa[293] para levar à deusa, como devoção das nádegas dela.

§ 25

[25] Não é paradoxal, dado como ela é, que Eros[294] deva compartilhar a sua honra e seja seu companheiro, também filho de Afrodite, segundo a tradição maioritária, o qual é uma criança porque os amantes têm o pensamento e são muito facilmente enganados, alado, porque produz impensados, ou porque, como um pássaro, tende sempre a voar em conjunto, em pensamentos, e é um arqueiro porque os capturados por ele experimentam algo semelhante a um golpe de olhar. Nem mesmo aproximando-se ou tocando o bonito, mas vendo-os de longe [. É-lhe dada uma tocha, pensando colocar as almas em chamas]. É plausível que ele seja referido como Eros, pela procura dos que são os objetos do amor. De facto, “inquirir” dispõe-se de “buscar”, como afirma “Ifito, perguntando por cavalos –,”[295] por conseguinte, julgo, a “busca” também é nomeada. Transmite a tradição que há vários Erotes[296], porque há uma variedade de amantes [e Afrodite é auxiliada com muitos assistentes. Chama-se Desejo (Hímero), denominado, ou de estar ansioso e levado para o gozo a ser tido daqueles no auge, ou representar a distração experimentada pela mente, que se torna imbecil, na face disso. Ele também é chamado de Πόθος[297] de uma representação de beijos, que é como se entende papas[298], ou do facto de que os amantes descobrem muitas coisas sobre os amados[299], e das suas perguntas [de onde eles vêm e onde estavam]. Alguns pensam que Eros é também todo o cosmos: bonito, desejável, jovem e, ao mesmo tempo, a coisa mais antiga de todas[300], rico em fogo, e a causa do movimento rápido, tal como produzido por um arco, o uso de asas.

§ 26

[26] Noutro sentido, também [dizem] que é Atlas, criando infatigavelmente tudo o que vem a ser de acordo com os princípios nele, e assim segurando os céus. Tem grandes pilares[301] com força dos elementos, que levam as coisas a serem levadas para cima e para baixo. De facto o céu e a terra são governados por eles. Refere-se que ele é sagaz[302], porque se preocupa com o todo e prevê a preservação de todas as [suas] partes. A partir dele nasceram as Plêiades[303], tendo sido estabelecido que gerava todas as estrelas, que são muitas. Ele é como Astraio e Taumante. Com efeito, não fica parado, estando em todo lugar em repouso. Embora o sustento seja o melhor e impassível, e causa admiração nos que contemplam organização dele.

§ 27

[27] E é Pã também, uma vez que ele está em tudo[304]. Ele é peludo em baixo e semelhante a cabras, devido à aspereza tida da terra, e superiormente a forma de um humano, porque a parte dominante do cosmos, que é racional, está no éter. Ele é tradicionalmente lascivo e lúbrico, porque possui um grande número de princípios seminais e das coisas que surgem da mistura deles. Ele passa muito tempo nos desertos, porque foi estabelecido que ele é solitário. Ora, o cosmos é único. Persegue ninfas, uma vez que se alegra com as humidades exaladas da terra, sem as quais não poderia ser constituído. A volubilidade dele e o brincalhão mostram o movimento incessante do todo[305]. Está vestido com corvo ou leopardo, devido à variada tonalidade das estrelas e das outras cores que são observadas nele. É tocador de flauta[306], talvez porque seja soprada por todos os tipos de ventos, talvez por ter harmonia selvagem e austera, mas não pela ostentação. Porque vive em montanhas e em cavernas, a coroa de pinheiros estava associada, sendo uma magnificente planta montanhosa. Também as repentinas e irracionais perturbações dizem-se de Pã[307]. Com efeito, ovelhas e cabras assustam-se assim tendo ouvido um ruído a partir da floresta ou de cavernas subterrâneas e de lugares com ravinas. Apropriadamente, fizeram-no guardião dos jovens dos rebanhos; talvez por isso o representem com chifres e cascos fendidos, e talvez distinguindo a duplicidade nele, pelas orelhas salientes. – Igualmente assim, pode ser Príapo também, segundo o qual todas as coisas vêm para a luz. Os antigos sugerindo, de maneira piedosa e robusta, através dessas coisas, o que pensavam acerca da natureza do cosmos. Pelo menos, a grandeza dos genitais mostra o poder seminal que havia abundado no deus, enquanto a abundância de frutas nas capas, os que crescem e brotam no interior do seu regaço, na época devida. Mostra-se que é o guardião dos jardins e das vinhas, uma vez que é próprio do progenitor preservar o que trouxe para a existência [e por conseguinte Zeus, dizendo-se que é, por isso, Preservador]. As vinhas sugerem recompensa e pureza, mas os frutos, especialmente, produzem variedade, prazer e facilitando a geração, também se vestia dessa maneira. E segura uma foice na mão direita, ou porque é usada para podar videiras, ou porque está a aguardar algo e está armado para protegê-lo, ou porque é aquele poder que, depois de trazer as coisas para a existência, corta-as e destrói-as. – De novo, o cosmos é uma Boa Divindade[308], também carregando frutas, ou então é a razão que o rege, segundo a medida em que divide e compartilha o que acontece, sendo um bom distribuidor. É defensor e preservador de assuntos domésticos, ao manter o seu próprio lar em ordem e oferecer-se como um exemplo para os outros. O chifre de Amalteia[309] é um atributo adequado para ele, no qual todos os que são gerados na época devida ao mesmo tempo, mas não nascidos para um propósito único, aglomeram-se para muitos e diversos fins. Ou pode indicar que destrói periodicamente e novamente rouba tudo; ou pode ser a exortação ao trabalho a partir dele, uma vez que as coisas boas não acontecem aos enfraquecidos.

§ 28

[28] Em seguida, criança, há que falar de DEMÉTER e Héstia: cada uma parece ser não outra do que a terra. Ora, os antigos apelidaram-na Héstia, porque está firme[310] através de tudo, [ou porque foi colocada pela natureza no mais profundo[311]; ou porque todo o cosmos está firme nela, como numa fundação]. Deméter, por dar à luz e nutrir tudo, como se fosse Terra-Mãe ou mãe Deo, porque ela e as coisas sobre ela, sem dúvida produzem o que os homens dividem entre si e se banqueteiam, [ou porque nela se encontram, ou seja, acham o que procuram]. Héstia é tradicionalmente virgem porque o que é imóvel não gera nada – por causa disso, é servida por virgens[312] –, contudo, Deméter não é[313], mas ela deu à luz Core, como se fosse Coros [sendo[314] a matéria para nutrir-se à saciedade]. O fogo[315] eterno associa-se a Héstia, porque [ele] também parece estar a ser, e talvez porque todos os fogos no cosmos são nutridos assim e subsistem por causa dela, ou porque a terra é vivificante e a mãe dos seres vivos, para os quais o elemento flamejante é a causa da vida. Ela é formada circular e colocada no meio das casas, porque a compressão da terra estabelece-a assim, donde a terra também ser, imitativamente, chamada chthon. [Porém, talvez tenha sido chamada de chthon, por conter ou ter espaço para tudo, como afirma "Esta estrada nos conterá[316] aos dois"[317]]. A mitologia conta que ela é a primeira e última, porque as coisas que nasceram dela e sustentadas por ela estão dissolvidas nela. E é por isso que os Gregos começam e terminam os sacrifícios com ela[318]. Grinaldas brancas são colocadas à volta dela porque é coroada e coberta por todo o lado pelo elemento mais branco. Ora Deméter, retratada de acordo com fazer surgir as sementes, é bastante apropriadamente mostrada coroada com espigas de milho. Na verdade, sendo que este é o alimento cultivado mais necessário, que beneficia os homens De acordo com o mito, foi semeado em todo o mundo habitado, por Triptólemo[319] de Elêusis, montado por Deméter numa carruagem de serpentes aladas[320]. Com efeito, parece que houve entre os antigos algum primeiro que foi montado por um deus num nível mais elevado de pensamento e viu e entendeu o uso de cevada [, que é moída e separada da casca [por ser atirada para o ar]; [Por isso, o carneiro também é adequado para semear.] Consequentemente, foi chamada de quem mói a cevada, sementes de cevada dizem-se oulai. Elêusis é o lugar onde as sementes de cevada foram descobertas pela primeira vez. [e Deméter é chamada Eleusinia do facto por primeiramente ter chegado aos homens para uma vida humana.] Conta o mito que Hades raptou a filha de Deméter, por causa do desaparecimento das sementes sob a terra por um certo tempo. A tristeza da deusa e a busca pelo cosmos são acrescentos[321]. Ora, entre os Egípcios, Osíris, que é procurado e redescoberto por Ísis sugere isso, e entre os Fenícios, surge Adónis, que está alternadamente acima da terra e debaixo da terra por períodos de seis meses, a partir do fruto “Pertencente a Deméter” agradar aos homens ser assim chamado. Diz-se que um javali embateu, matando, porque parece que os porcos consomem colheitas[322]; ou isso tudo sugere os dentes da charrua pelo que as sementes são cobertas na terra. Ele foi designado para permanecer junto com Afrodite e Perséfone durante igual tempo, pela razão que dissemos. Chamaram a filha de Deméter Perséfone, porque o trabalho é um labor árduo, ou do facto de que o trabalho duro traz resistência. Jejuns em honra de Deméter celebram-se, seja como uma particular maneira de apresentá-la com as primícias, [ou] abster-se por um dia daquelas coisas dadas a eles por ela, ou através do piedoso medo de querer quando † a divindade se retira. Quando semearam, eles usaram as suas próprias necessidades, e é por isso que realizam o seu festival na época da sementeira. Por volta da primavera, sacrificam a Deméter Chloe[323], com jogos e alegria, vendo brotos verdes que sugerem a esperança de abundância para eles[324]. Portanto, Plutão[325] pensa-se ser filho de Deméter. Com efeito, afirma-se bem que “a riqueza de cereais e cevada é melhor, estulto”[326]. E ser rico é, de certa forma, o oposto de passar fome: Hesíodo, vendo, diz "Trabalho, Perses, raça divina, para que a fome te | odeie, mas Deméter do adorável cabelo amar-te-á”[327]. Porcas prenhas são, muito apropriadamente, sacrificadas a Deméter, representando facilidade na fertilidade, conceção e término. E as papoulas são dedicadas a ela pela razão: de facto, a forma redonda e esférica delas representa a forma da terra, que é esférica, enquanto a irregularidade na superfície, as cavidades da terra e os picos das montanhas, e o interior é como cavernas e minas, produzem inúmeras sementes, como a terra. Por causa da abundância de milho, os homens não tinham dificuldade em sobreviver, e o seu suprimento de comida não era duvidoso. Concordaram uns com os outros acerca dos limites da terra cultivada, e em distribuir o produto justamente, e disseram que Deméter foi a criadora das leis e decretos. Assim, chamaram-na Tesmotetis [Thesmothetis], como sendo um legislador. Alguns não corretamente julgam dizer o fruto de thesmos[328], por ser posto de lado e armazenado. [Os que têm gosto pelo conhecimento começaram a celebrar Mistérios para ela, regozijando-se ao mesmo tempo na descoberta de coisas benéficas para a vida, e no festival que usaram para testemunhar o facto de terem deixado de lutar entre si pelas necessidades, e ficaram repletos, isto é, saciados. De facto, é plausível que é por isso que os Mistérios são assim chamados; e é por isso que alguns tratam Deméter como “dos Mísios”, ou porque assuntos que têm algo difícil de entender precisam de investigação.

§ 29

[29] Por essa razão, diz-se que Zeus gerou as Horas, de Témis, pois guardam e cuidam todas as coisas boas que temos. Uma delas chama-se Eunomia, a partir da distribuição das coisas que nos calham, outra é Dike, a partir de ela separar em dois os que estão em desacordo uns com os outros. Outra é Eirene, a partir de juízos feitos através da razão não de armas[. Com efeito, chamavam a razão de paz]. [Guerra, a partir de muitos serem destruídos assim, ou de apressar em colocar as mãos sobre os inimigos].

§ 30

[30] É apropriado que Diónisos fosse considerado ser Eirene em algum sentido também, é o superintendente de árvores cultivadas e um deus generoso [, e por isso fazem-se libações]; de facto, os espaços são desmatados nas guerras; na paz crescem os banquetes, para os quais o vinho é o mais necessário. E Diónisos é [dionixos ou] dianisos, nomeado do facto de que nós choramos com prazer; ou é como se fosse dialisos, a partir de ser a origem e libertador[329] e perdedor[330] [libertando de cuidados]. Alguns dizem que a partir desse nome entrou em uso comum porque Zeus fez primeiro a videira aparecer no monte Nisa[331]. Diz-se que nasceu através do fogo [pelo mito estabelece-se que o calor dele aquece corpos e almas – com efeito, o vinho tem a mesma força do fogo, segundo os poetas[332] –,] foi costurado na coxa de Zeus[333], onde chegou a termo [porque o vinho amadurece e atinge a maturidade, † de facto, se exposto por um nascimento não nobre, tendo sido preservado, é imperfeito para uso], pois o seu primeiro nascimento é o amadurecimento das uvas no final do verão[334], que acontece quando é mais quente, enquanto o segundo é na pisa das uvas, quando é espremido pelos pés, e algo assim tem que ser entendido a partir da coxa. Chama-se[335] Brómio, Baco, Iaco, Euios, Babactes e Iobacos, porque em primeiro lugar os que pisam as uvas soltam muitos sons, e depois os que o usam até estarem bêbados. Símbolo da jovialidade na bebida são os Sátiros, tendo o nome a partir de sorrir; os Escirtos a partir de dançar; os Silenos a partir de zombar[336], e os Seuidas a partir de acelerar, ou seja, colocar em movimento. Por isso, estipula-se o cambalear dos que bebem como se de modo débil e de maneira efeminada. Também por isso é representado como feminino, tendo chifres. Tendo ficado bêbados, abdicam da tensão, também ficam com violência, difíceis de controlar e impulsivos. A roupa brilhante indica a cor do final de verão; e o estar nu na maioria das estátuas é o tirar de roupa em virtude das bebidas e parece ser o que diz “vinho e verdade”[337]. Também talvez por existem lugares com o oráculo de Diónisos. O ruído de tamborins e tambores, que convida para os seus ritos, parece apropriado, de alguma forma, para a bebedeira. Muitas vezes os aulos também são utilizados para acompanhar a colheita, juntamente com outros instrumentos. O tirso mostra que os que bebem muito vinho não podem depender dos seus próprios pés, mas precisam de algo para sustentar-se. Alguns tirsos têm pontas de lança escondidas debaixo das folhas, como quando há algo de doloroso na alegria, relativa à bebida dura que leva alguns para a insolência e frenesim. A partir disso, Diónisos foi chamado “frenético”[338], e as mulheres ao seu redor Ménades. É apresentado como jovem e velho, porque é adequado para toda a idade, mais turbulento para os jovens que o usam, mais agradável para os mais velhos. A tradição diz que os Sátiros se relacionaram com as ninfas, e as seduziram, atacando outras por brincadeira, pois a mistura de vinho com água[339] era vista como útil. Subjugaram leopardos[340] a Diónisos e na realidade registam-se a seguir, ou por causa de sua pele colorida, pois ele e as Bacantes usam fulvo, ou porque a bebedeira moderada doma as coisas mais selvagens. A cabra é sacrificada a ele[341] porque é um animal destruidor de vinhas e figos. Por isso, os jovens agricultores nas regiões da Ática esfolam para dançar dentro da pele. E talvez Diónisos desfrute desse tipo de sacrifício porque a cabra-macho é lasciva, pelo que o burro também aparece frequentemente nas suas procissões, e os falos são dedicados a ele, e realizam-se festivais fálicos[342]. Com efeito, o vinho move para o sexo. Por isso, alguns sacrificam a Diónisos e a Afrodite em conjunto. O funcho[343], mostra, através do entortado dos membros do bêbado, o cambalear para aqui e para ali [e também são leves e fáceis de carregar]. Alguns dizem que representa a tagarelice não articulada deles [como se tivessem articulações]. As Bacantes vagueiam nas montanhas[344] e amam a solidão, porque o vinho é produzido não nas cidades, mas nos campos. Diónisos foi chamado ditirambo[345], ou porque mostra a porta dupla da boca e faz deixar escapar segredos; ou porque faz com que os jovens subam às portas ou entrem[346] por elas, ou seja, ir contra elas e abanar violentamente as barras de entrada. Parecia ser destrutivo de tudo; e também ser um comandante de guerra, e o primeiro que estabeleceu a prática do hino a Diónisos[347] nas vitórias militares. O triambo recebeu o nome a partir da gritaria e da zombaria, por isso em triunfos militares as multidões usam anapestos ao zombarem. A tagarelice é sagrada para ele como um pássaro tagarela, chamam-no “báquico” pelo falar, e “cabrito”[348], por colocar fim à disputa. É coroado com hera[349] por causa da sua semelhança com a videira e as flores serem como cachos de uvas [; também causa derrubar árvores, subindo por elas e entrelaçando em torno da base com força]. Representações teatrais[350] são colocadas ao serviço de Diónisos, porque são muito apropriadas para a celebração, tal como cânticos e cítaras. “De facto, são coisas apresentadas da festa”[351]. Conta o mito que foi dilacerado pelos Titãs[352] e ordenado novamente por Reia[353], sugerindo a tradição do mito que os agricultores, sendo criaturas da terra, misturaram as uvas e separaram as outras partes de Diónisos nelas, coisas trazidas de novo juntas quando o mosto é derramado e um corpo é feito delas. Há um claro significado para o mito no poeta[354] de que o deus, fugindo de um plano de Licurgo, uma vez submergiu no mar, onde Tétis o salvou[355]. Ora, as videiras cuidam de Diónisos: estas, Licurgo, sendo um vinhateiro, despojou e levou. Depois, o vinho foi misturado com água do mar e armazenado em segurança. E isto respeitante a Diónisos.

§ 31

[31] Héracles[356] é razão no todo, pelo qual a natureza é forte e poderosa, [sendo indomável também]: doador de força e poder para as partes. O nome vem talvez do fato de que se estende aos heróis, e é o que faz o nobre famoso. Na realidade, os antigos chamavam de heróis os grossos em corpos e almas, que pareciam fazer parte de uma raça divina. Não há necessidade de ser incomodado pela história mais recente: de facto, o filho de Alcmena e Anfitrião[357] foi considerado digno do mesmo nome que o deus por causa da virtude, de modo que se tornou difícil distinguir o que é próprio do deus, das histórias sobre o herói. Talvez a pele de leão e o bastão, da teologia antiga e foi transferido para ele. [Realmente, não pode ter parecido certo que um bom líder militar que surgiu e lançou ataques poderosos em muitas partes da terra teria ficado nu, armado apenas com madeira, mas foi equipado com os distintivos do deus depois que foi imortalizado pelos bons serviços que realizou.] Cada um daqueles pode ser um símbolo de força e nobreza: com efeito, o leão é a mais poderosa das feras, a clava a mais poderosa das armas. Tradicionalmente, o deus seria um arqueiro, ao penetrar por toda a parte, e na medida em que o caminho das setas é vigoroso [; um comandante irracional não convence os inimigos a preparar para a batalha]. Os habitantes da ilha de Cós têm uma tradição que, apropriadamente, ele viveu com Hebe, como para torná-[lo] mais perfeito em inteligência, como se afirma: “Os braços dos jovens são mais aptos para conseguir, | mas as almas dos mais velhos são muito melhores.”[358] Julgo que seja mais plausível que o serviço a Ônfale[359] se refere àquele. Através dele, os antigos mostraram novamente que os mais fortes devem submeter-se à razão e fazer o que ela determina, mesmo que a voz[360], que não seria desproporcionado chamar Ônfale, passa a exigir alguma atividade mais feminina de contemplação e investigação racional. Também é possível os doze trabalhos levados a cabo por não outro que não o deus, como Cleantes fez[361]. Mas parece que o engenho não deve ser o melhor em todo o lado.

§ 32

[32] Então, de seguida, ó filho, APOLO é o sol, e Ártemis a lua. Com efeito, por isso aqueles dois são representados como arqueiros, como que sugerindo que disparam raios. Ele é chamado [hélio[362]] lançador de dardos [por isso], e hécate[363], porque atiram de longe para cá e libertam luz, contanto que também os chamaram Hecatébolo[364]. Alguns conferem uma etimologia diferente para o que atira longe [hecatos] e Hécate, como nomes colocados a eles por quem rezava que estivessem longe e que os seus danos não os alcançassem. De facto, em certa altura parecem corromper o ar e ser responsáveis por estados pestilentos. Por isso, os antigos atribuíam mortes súbitas a eles, e o poeta[365], durante a praga, como se fosse algo óbvio, apresenta Aquiles a dizer que um adivinho deveria ser procurado, "o qual dissesse porque Febo Apolo se enfureceu tanto”[366]. Por causa disso, julgam Ártemis pelo eufemismo a partir de “fazer estabilidade”, o que é saudável; e Apolo, como libertando-nos de doenças, ou afastando-as de nós, ou [destruindo[367]]. Esta noção levou a que fosse chamado de “Paieon” e a considerar-se ser um médico. Pelo mesmo motivo, alguns dizem que foi chamado Apolo a partir de destruir. De facto, ele destrói a ordem do mundo, por evaporar continuamente a humidade de todos os lugares e acrescenta ao éter. Talvez seja dito pela redução e libertação da combinação da substância, ou simplifica como se fosse a escuridão. É apropriado que eles sejam apresentados como irmãos, pois são idênticos um ao outro, movem-se similarmente e têm um poder semelhante no universo e nutrem igualmente as coisas na terra. Por um lado, Apolo era representado como masculino, sendo o fogo mais quente e mais ativo. Ártemis, por seu turno, como feminina, mais entorpecida e tinha poder fraco. Apolo tem a idade de um menino crescido, quando os homens se mostram muito bonitos. De facto, o sol é o mais belo e jovem de se ver. Além disso, diz-se Febo[368], porque é puro e brilhante. [Usam-se outros epítetos para ele, apelidam “cabelo dourado” e “cabelo não cortado”, uma vez que é dourado e fica além do sofrimento por causa da pureza]. Chamaram-no Délio[369] e Fanaio, porquanto aquilo que existe ser tornado visível através dele, e iluminar o cosmos, como edificaram um templo de Apolo Anafaio, que traz à luz todas as coisas. Em consequência disso, Delos e Anafe tornaram-se seus santuários. Por causa do esclarecimento dos assuntos mencionados, ele foi associado com a profecia; e quando o oráculo em Delfos foi encontrado, chamaram Apolo Pítio, por os homens irem aí para aprender coisas a respeito a si mesmos. O lugar foi chamado umbigo da terra, não por estar no meio dela, mas porque a voz, que é som divino, foi emitida nele. Sendo os oráculos que dá são oblíquos e difíceis, chamou-se de “Lóxias” [; ou a partir do curso muito oblíquo, que se faz, através do círculo do zodíaco]. Foi representado como músico e citarista, porque atinge todas as partes do mundo e harmoniza-as em todas as outras partes: nenhuma [delas], nas coisas que existem, se considera fora de sintonia, mas preserva a sintonia das estações umas em relação com as outras, absolutamente, como nos ritmos, e faz as vozes dos animais e similarmente os sons de outros corpos, os quais são emitidos no ar através de serem secos utilmente, fazendo com que sejam maravilhosamente adaptados para ouvir. Esta é a origem de ser chamado de Líder das Musas e guardião; e ele mesmo foi pensado brincar com as Musas: “Com efeito, a partir das Musas e de Apolo 'que acerta no alvo', | os homens e os reis são cantores na terra”[370], refere Hesíodo. De facto, por isso o cisne[371] é sagrado dele, sendo ao mesmo tempo o mais musical e o mais branco dos pássaros, mas o corvo é estranho para ele porque é manchado, e por causa da cor. O louro[372] é a sua guirlanda, embora seja aldo alourado, é uma planta florescente e perene. Acontece que é inflamável também, e é de alguma forma apropriado para purificação, por isso a sua oferta ao deus mais puro e ardente não é inapropriada. E talvez nome dele[373], que se assemelha um pouco a deixar claro, fez com que parecesse ser própria para a profecia. A trípode é-lhe dedicada porque o número três é perfeito. Também pode ser a partir dos três círculos paralelos, sendo que o sol corta um ao mover-se através do curso anual, enquanto os outros dois são tocados[374]. Nas pragas, parece que os infantes são os primeiros a adoecer e por mais tempo, ou destroem-se por si mesmos [de modo pestilento][375]. Em conformidade com isso, atribuíram-lhe o cuidado dos rebanhos, denominando “de pastores”, “lício” e “matador de lobos”. Também foi chamado, devidamente, “guarda”[376], como se devesse estar sentado nas ruas. Na verdade, ilumina-as e enche com luz, levantando-se, como, pelo contrário, se afirma: "O sol pôs-se e todas as ruas ficaram escuras."[377] Também o chamaram “guardião dos encontros”[378], porque os homens passam os dias em locais públicos, misturando-se uns com os outros, mas as noites a descansar nas suas casas. Chamaram-no “péan”[379], de facto, por antífrase e de modo propiciatório, para que não lhes envie doenças[380] nem adultere o ar que respiravam; ou se ser a causa da saúde corporal, através do ambiente bem temperado.

§ 33

[33] Segue-se novamente que afirmaram que Asclépio foi seu filho, ele que parece que indicou a medicina aos homens. De facto, era necessário estabelecer algo de divino também nessa área. Asclépio[381] foi nomeado a partir de curar suavemente, e abolir a secura que ocorre depois da morte. Ora, por isso, consagram-lhe a serpente, mostrando que os que praticam medicina experienciam algo similar, a rejuvenescer a partir das doenças, e a abolir a velhice[382]. Ao mesmo tempo, a serpente é um sinal de atenção, a qual é muito necessária em tratamento médico. A vara também parece ser símbolo de algo desse tipo. Com efeito, vigora através dele que, se não estivéssemos apoiados por essas noções cairíamos em doenças constantemente, e, sem o que precisávamos, entraríamos em colapso mais rapidamente. Diz-se Quíron nutriu Asclépio e treinou na ciência da medicina, porque queriam mostrar através das mãos a facilidade da habilidade. A mulher de Asclépio, diz-se tradicionalmente Epíone, um nome que não foi incorporado à mitologia à-toa: demonstra como as aflições são suavizadas pela gentileza do remédio.

§ 34

[34] Ártemis foi chamada “portadora de luz”[383], porque ela também emite luz e ilumina os arredores até certo ponto, especialmente quando é lua cheia, díctinna, a partir de lançar raios – de facto, lançar é atirar – ou a partir de o seu poder atingir tudo na terra, como se fosse “díctina”. Representaram-na como “caçadora”, “matadora de bestas”, “matadora de cervos” e “andante pelas montanhas”, porque seguramente queriam desviar o dano que vem dela para as feras, ou porque brilha principalmente de noite e é muito pacífica na noite, como se em bosques e desertos, como se parecesse desgarrar-se em algumas regiões, por isso foi adicionado que ela caçava com cães e foi arqueira. De acordo com isso, pensam-se os cães dela sagrados[384], tidos apropriados para as feras, e ficam acordados durante a noite e uivam. Assemelha-se a uma caçada e ela não para, ora perseguindo o sol, ora fugindo, caçando os animais no zodíaco e rapidamente alcança. Com efeito, a rapidez também é apropriada à caçada [; sendo o mais próximo dos corpos celestes disseram que ela se retira à volta dos cumes das montanhas]. Hécate, não sendo outra que não Ártemis, é representada em três formas, porque a lua completa três formas: está em forma de crescente e cheia; e assume uma outra terceira forma [imaginam], embora o crescente dela esteja cheio, o círculo não está cheio. Por conseguinte foi chamada “Do Caminho Trifurcado”[385] e foi considerada observadora de encruzilhadas, devido à tripla mudança ao viajar pelo zodíaco. E o sol, brilhando só durante o dia, e ela sendo vista à noite, no escuro e a mudar, chamavam de “Noturna”, “Viajante Noturna”[386] e “Ctónica”[387]. Começaram a adorá-la juntamente com as divindades ctónicas, trazendo-lhe repastos. Foi acrescentada a mancha com que ela polui a terra e como os mortos [poluem], e que trabalha com as bruxas e conspira contra as casas, e finalmente que se regozija com os sofrimentos e o assassinato, pelo que alguns a propiciaram com sacrifícios incomuns e mortes de homens. Dedicaram-lhe o salmonete[388] por causa do nome. É Enódia não por outra coisa que Apolo Aguieu. Muitos pensam que ela é Ilítia, que incessantemente gira e corre ao redor da terra. As em trabalho de parto rezam para ela vir a elas como “gentil” e “desarmada”, libertando a constrição do útero para que o concebido saia facilmente e com menos dor. Ela é também dita “Parteira”[389]. A tradição diz que há várias Eileuthuiai[390], pelo mesmo motivo que há vários Erotes. Ora, os partos das mulheres são como os desejos dos amantes. Obviamente, a lua traz a termo criaturas que foram concebidas, e é próprio dela nutrir e libertar das portadoras até estarem maduras. Não é extraordinário se, por um lado, considerassem[391], numa outra impressão, Ártemis virgem e pura, similar ao sol; mas segundo outra, como assistente das que dão à luz, responsável por trazer facilmente o nado; e segundo um terceiro, é algo aterrorizante e doloroso, como a conjetura que dissemos a respeito de Hécate.

§ 35

[35] Finalmente, o ar que recebe almas[392] é Hades, como referi, apelidado por ser invisível. Porque as coisas debaixo da terra não são visíveis para nós, declararam que os que mudam [da vida] vão para lá. Hades. Diz-se ser famoso[393], que é a causa da audição. Com efeito, o som é o ar que foi atingido. Pelo desespero, chamaram-no “ prudente”[394] e “de prudência”, querendo bem para os homens, porque cessa-lhes em algum momento trabalhos e cuidados[395]. Foram acrescentados os nomes “Recetor de tudo”[396] e “Que contém muito” e “Governante sobre muitos”[397], recebendo muitos e governando a dita maioria ou os muitos. O Poeta[398] chamou-o de “Porteiro”[399] como detentor de portões bem fechados e não deixando ninguém escapar. Caronte foi nomeado por antífrase de alegria; mas é possível que tenha etimologia a partir de deixar [ou conter] [ou de bocejar]. Aqueronte [o lago Aquerusiano] surgiu pelos sofrimentos que caem sobre os mortos. É claro de onde Cocito e Piriflegetonte[400] tomaram os nomes. Antigamente os Gregos costumavam queimar os mortos e erguer um lamento [. Por causa disso, também os chamavam “deuses”, a partir de queimar[401]]. O lago “Sem Aves”[402] chamado talvez mais filosoficamente a partir de ar[403]. Os antigos também chamavam escuridão e névoa de ar, a menos que, por Zeus, estivessem a usar o cinzento do ar, como dos chamados gladíolos com os quais coroam Plutão. Também o coroam com avenca, como um lembrete de que os mortos secam e não mais retêm a humidade, e são privados da humidade que é necessária para respirar e crescer. [Relata o mito que deve supor-se que os cadáveres assim: estão no Hades porque não participam do molhado]. O narciso pareceu apropriadamente associado aos mortos, e disseram que foi a coroa das Erínias, observando a semelhança com a dormência[404] e a rigidez dos mortos. Assim, criança, possas conseguir apresentar as provas a outras coisas transmitidas mitologicamente parecendo referir sobre os deuses, na convicção de que os antigos não eram vulgares, mas conseguiam entender a natureza do cosmos e investigaram propensos acerca dela através de símbolos e enigmas. Porque da maioria das coisas se disse mais detalhadamente por filósofos mais antigos, agora queria passá-las a ti de forma abreviada. De facto, a disponibilidade deles é útil mesmo nessa quantidade. Mas relativamente a essas coisas e ao serviço dos deuses e das coisas apropriadamente geradas para honra deles, tomarás a tradição dos antepassados e a razão completa. Assim, para atuar apenas com reverência mas não para ter superstições introduzem-se os jovens e também se ensinam a sacrificar, orar[405], prostrar e fazer juramentos da maneira correta e nas circunstâncias apropriadas numa simetria que se adapte[406].

Ὁ Διαφορεύς παρῆν

[59]: Vd. Pl. Cra. 396b8; Arist. Mu. 400a.

[60]: Vd. Hes. Th. 903. Cf. Lysim. fr. 25; Hsch. 1564.

[61]: Originalmente, κόσμος.

[62]: Fonte não especificada. Cf. Call. EM 49.47; Eust. Il. 4218.3.

[63]: Cf. Arist. Cael. 270b24, onde o éter não arde, é um πρῶτον σῶμα, ‘primeiro corpo’ (Cael. 270b21).

[64]: Vd. estoico Cleantes, séc. IV/III a.C. acerca de Zeus como alma do mundo. Considere-se a alusão cornutana ao passo, por EM 408.52-56: Ζεύς: Ὁ θεός. Κορνοῦτος ἐν τῷ περὶ Ἑλληνικῆς θεολογίας φησὶν, ὅτι ψυχή ἐστι τοῦ παντὸς κόσμου, παρὰ τὸ ζωὴ καὶ αἰτία εἶναι τοῖς ζῶσι τοῦ ζῆν καὶ διὰ τοῦτο βασιλεὺς λέγεται τῶν ὅλων, ὡς καὶ ἐν ἡμῖν ἡ ψυχή. ‘Zeus; a divindade. Cornuto, em Teologia Grega, diz que é a alma de todo o mundo, assim chamado por 'vida' e por ser a causa de as coisas vivas estarem vivas. Por esta razão também se diz que é rei do universo, como é a alma em nós. A superioridade do governo de Zeus, afinal o mais poderoso na hierarquia divina, detem perceções remotas, já com traços de monoteísmo, conforme Xenoph. fr. 23 Diels.

[65]: Δεύς.

[66]: No texto, Δεός, enquanto genitivo beócio de Δεύς, ‘Zeus, medo’. Em ático, Διός.

[67]: Cf. Cic. Tusc. 1.19.10. Vd. D. Chr. 40.37 (= SVF 601), sobre o carácter ardente do éter e da alma.

[68]: Entenda-se [‘de Zeus’]. Cf. incesto.

[69]: Cf. Zeus.

[70]: Cf. Hera.

[71]: Vd. Posídon e os abalos sísmicos, Il. 7.445, 13.43; Hes. Th. 15.

[72]: Entenda-se ['Zeus, Hera, Posídon'].

[73]: ἀνδάνων.

[74]: Vd. diferentemente, Reia como terra, Chrysipp. Stoic. (SVF 1084); Phld. Piet. 11 (SVF 1076); Schol. Hes. Th. 135 (SVF 1085).

[75]: Cf. Verg. A. 4.164.

[76]: Cf. Lucr. 2.611.

[77]: Cf. Antip. fr. 64.

[78]: Considere-se, no original, γάλλος, ου. Vd. Ov. Met. 10.696; Lucr. 2.606. Cf. associação de Cíbele com Deméter, tardiamente, Lyd. 4.63.1. 'Mãe terra', deusa anatólia, com culto em Roma desde 205 a.C. Vd. Lucr. 2.598. Cf. Reia, Ov. Met. 10.696; Arr. Peripl.M.Eux.9.1.1, referindo uma estátua em Fasis; Steph. Ethn. 389.9; Schol. Ar*. Av. 877; Schol*. S. Ph. 391-392; Strat. 10.3.15.7; E. Ba. 64-133. Vd. E*. *Cret. 11: Διὸς ᾿Ιδαίου. Sacerdotes de Cíbele, Galli*, praticantes de castração. Cf. versão tradicional, com castração preventiva de Agdístis pelos deuses (ou apenas Diónisos); emasculação de Átis (cf. Ov. Fast. 4.240). Conferir continuidade à tradição mitológica de Átis competia aos Sacerdotes de Cíbele (Galli), aos quais se reconhecia o costume de se autocastrarem (cf. Sacerdotes castrados de Cíbele – steriles uiri - Mart. 3.91.5), bem como a realização, em Roma, de festivais primaveris de eunucos e efeminados, num ato de homenagem.

[79]: Episódio de teofagia. O Beócio retrata (Th. 467) o parricida Cronos recorrendo à teofagia, pela necessidade de preservação do poder vigente.

[80]: Cf. carácter alquímico da afirmação.

[81]: Vd. Hes. Th. 164 sq.

[82]: Vd. Procl. in Crat. 114.

[83]: Cf. Il. 14.201, 246, 302.

[84]: Λόγος. A propósito da divinização de Λόγος, vd. TECHERT, 1927. Considere-se a evolução semântica do termo, ao longo dos séculos. Assim, desde a denotação dos atos de fala/narração, ao nexo de 'pensamento' (Heraclit. fr. 115 Diels) ou ‘conhecimento comum’ (ὁ κοινός), por oposição a ‘uma sabedoria própria’ (ἰδία φρόνησις. Cf. Heraclit. fr. 2 Diels) e à capacidade de expor argumentos de forma racional.

[85]: Epíteto homérico. Il. 1.544: πατὴρ ἀνδρῶν τε θεῶν τε, ‘pai dos homens e dos deuses ‘. Cf. Hes. Th. 929a; D. Chr. 12.

[86]: Cf. Apolo, para epíteto similar.

[87]: ἐλευθέριος. Cf. Diónisos, para epíteto semelhante.

[88]: Vd. A. Ch. 949.

[89]: Vd. Hes. Th. 907.

[90]: Vd. Hes. Th. 902, Op. 256*.*

[91]: Vd. Il. 2.403; Verg*. A.* 3.20. Sobre os vários símbolos de Zeus referidos, cf. Paus. 5.11.1-9.

[92]: Cf. cetro, na tradição homérica, enquanto símbolo de poder (e.g. Il. 1.279), sinal de justiça de Zeus (e.g*. Il*. 6.159, 9.99).

[93]: Cf. Il. 8.247; Hes. Th. 523. Todavia, a tradição iliádica considera o falcão a ave mais veloz (Il. 13.62).

[94]: Vd., neste sentido, S. Tr. 1207.

[95]: Cornuto é o mais antigo autor conhecido a apresentar esta etimologia (cf. Suid. ε 3580), com contornos positivos (cf., contrariamente, SVF 2.1009 ), sem aludir à antífrase, como Trifo Trop. 204.15. Embora relacionadas com a justiça, não são recordadas tradicionalmente (vd. Hes. Th. 181) como filhas de Zeus. Pese embora a afetividade/respeito como mais velho (Il. 15.[7-204) atuam independentemente (e.g. Il. 19.418). Cf., nesta secção, a abordagem da justiça, um périplo da justiça primitiva de cariz retributivo, à justiça positiva, especialmente retratado na trilogia trágica esquiliana, Oresteia. Orestes é colocado diante de uma situação em que se opõem dois tipos de ordem no plano divino, uma masculina e Olímpica – Zeus e Apolo, e outra feminina e arcaica, corporizada nas Erínias. É o voto de Atena que permite decidir o empate e, com ele, a absolvição de Orestes (A. Eu. 734-741), conciliando ambos os polos: a purificação ritual com a justiça positiva. De Erínias a Euménides. Zeus, por via de Atena, torna-se finalmente τέλειος, conforme invocara Clitemnestra (A. Ag. 973: Ζεῦ, Ζεῦ τέλειε).

[96]: Cf. Erínias, a partir das gotas de sangue derramadas no solo por força da castração de Úrano empreendida por Cronos. Vd. Hes. Th. 156-190; Apollod. 1.1.4.

[97]: Cf. Εὑμενίδες.

[98]: 'De cabelo'.

[99]: Vd. Il. 19.259.

[100]: Hes. Op. 267. Anteriormente, Il. 3.276; Od. 11.1 09, 12.323 haviam-se tecido afirmações do género, face a Hélio.

[101]: Cf. Aët*. Plac.* 1.7.33.

[102]: Vd. Il. 9.502-503.

[103]: Αἶσα.

[104]: Designadamente, Arist. Mu. 401b14.

[105]: Εἱμαρμένη, equivalente a Zeus, na tradição estoica (vd. Phld. Piet. 11 = SVF 1076). Noção ausente em Homero e Hesído. Cf. Αἶσα, Μοῖρα – pl. Μοῖραι, associadas com Zeus (Il. 19.86; A. Eu. 1046; E. EI. 1248) e até filhas de Zeus (Hes. Th. 904). Vd., em latim, Fatum, Cic. Div. 1.55.125. O destino é uma questão estoica essencial, motivando obras intituladas Περὶ εἱμαρμένης por autores como Zenão, Crisipo, Boeto, Posidónio

[106]: εἱρμῷ.

[107]: ᾿Ανάγκη. Frequentemente com equivalente de 'destino' (e.g. Stob. 1.79 = SVF 913; SVF 1076).

[108]: Passado, presente, futuro. Cf. a propósito do adivinho Calcas, que prevê presente, futuro e passado, Il. 1.70: τά τ' ἐόντα τά τ' ἐσσόμενα πρό τ' ἐόντα. Vd. referência a três Moiras, em Pl. R. 617.

[109]: Cf. alfa privativo.

[110]: ἀξύλῳ ὕλῃ. Funcionalidade reconhecida do alfa privativo (viz. Schol. E. Hec. 612.4). Vd. Il. 11.155.

[111]: Τύχη. Evita o autor a terminologia evidente, relacionando com τυγχάνω, em detrimento de τεύχειν. Ausente em Homero, é Oceânide em Hes. Th. 360; relacionada com Moira em Archil. fr. 16 e não divina nas tragédias.

[112]: Divindade apenas em Cornuto.

[113]: 'Memória'. Cf. Hes. Th. 54.

[114]: A noção estoica de τὸ εὖ ζῆν, “boa vida” envolve a aprendizagem, donde a ligação das Musas e de Apolo com a aprendizagem (Pl. Lg. 654a69).

[115]: Μοῦσαι. Vd. μῶ e relação com μάντις, μαστός, μαῖα, μυστήρια.

[116]: Epich. fr. 37. Vd. X. Mem. 2.1.20.17; Stob. 3.1.205b.29.

[117]: Cf. linguagem metafórica. Originalmente, τετράγωνος: 'quadrado, de quatro ângulos'.

[118]: Cf. linguagem metafórica. Originalmente, περιττός: 'estranho'.

[119]: Od. 24.60.

[120]: Acerca do significado numérico, designadamente ‘três’ (Gal. Gram. 298.24 e a relação com três áreas de estudo em várias ciências, como retórica, matemática, filosofia; Plu. QC 744c); ‘nove’ (Procl in R. 2.80.21) e a sua representação por pontos ou alfas, vd. pitagóricos. α α α α α α α α α

[121]: Cf. D.L. 8.39, a propósito da visão estoica tripartida da filosofia. Vide τὸ λογικόν, καὶ τὸ ἤθυκον καὶ τὸ φυσικόν, ‘lógica, ética e física’; em termos retóricos, género τὸ συμβουλευτικὸν (/ δημηγορικὸν γένος), deliberativo; τὸ δικανικὸν, ‘judicial’; τὸ ἐπιδεικτικόν, ‘epidíctico’ (cf. ethos, pathos, logos, Arist. Rh. 1356a1–4.); em termos matemáticos, ‘música, aritmética, geometria’, τὰ περὶ τὴν μουσικὴν, ὰριθμητικὴν καὶ γεωμετρίαν. Vd. Plu. Smp. 9.14.

[122]: E.g., Chrysipp. Stoic. SVF 305 ap. Ar. Did. 66.2.1 ap. Stob. Cf. etimologia não referida das Musas como ‘as que estão sempre de modo unido’ ὁμοῦ ἀεὶ οὖσαι.

[123]: Cf. lista de deuses cantados por Musas, Hes. Th. 10 sq.

[124]: Cf. Hes. Th. 67: κλείουσιν.

[125]: Vd. Plu. QC 743dl0 = SVF 1099.

[126]: Μολπή, ‘canto e dança’. Em Hes. Th. 36-37, as Musas só cantam.

[127]: A etimologia respeita ao conceito de felicidade, noção dependente de virtude, condicionada pelo estudo/aprendizagem do mundo, mediante a matriz estoica. Cf. D.L. 7.87.1.

[128]: Cf. <-χόρη>. Vd. τέρψις: 'prazer', χορός: 'dança'.

[129]: Vd. χορός e a associação entre prazer, boas danças e músicas (não depravadas, Pl. Lg. 656a1 e educação. Cf. Pl. Lg. 654a4.

[130]: Vd. Hes. Th. 70; Pl. Cra. 404b.

[131]: Cf. relação entre a Musa e ἀρετή, ‘virtude’.

[132]: Cornuto efetua as etimologias a partir de ὑμνεύσαις (cf. Hes. Th. 70), como D.S. 4.7 sq., e não de μνήμη (Plu. QC 743c7 sq.).

[133]: Vd. astronomia enquanto filosofia natural e estudo do divino.

[134]: Entenda-se ['universo'].

[135]: οὐρανός.

[136]: Definição de Arist. Rh. 1355b25, com citação de Hes. Th. 80.

[137]: Vd. ῥητορική e ἀρετή em democracia, desde um entendimento mais épico, físico e aristocrático, a outro, representativo de um confronto verbal pacífico de argumentos (vd. ἀρετή política sofística), substituindo-se a vitória física pela persuasão (Vd. A. Ag. 932-944; Cassandra, E. Tr. 400).

[138]: Entenda-se ‘Hesíodo’.

[139]: Hes. Th. 80.

[140]: Ligação entre as Musas e Apolo, Il. 1.603; Od. 8.488; Hes. Th. 94; Pl. Lg. 653d3*.*

[141]: Questão não desenvolvida. Eratosth. Cat. 27, a propósito de Lira, reportando a sua construção a Apolo e a Hermes, o primeiro aproveitando chifres de vacas (cavalete das 7 cordas), o segundo, a carapaça de uma tartaruga (caixa de ressonância). Instrumento musical oferecido a Orfeu, , filho de uma das Musas - Calíope. Desconsiderava Diónisos (visão ctónica e escatológica de Diónisos em época alexandrina), donde a associação dos cordifones a Apolo/Razão. Vd. h.Merc. 25, 35.

[142]: Comica adesp. fr. 242.

[143]: Cornuto parece procurar associar a produtividade sexual de Zeus à noite com a produtividade dos estudos de noite.

[144]: εὐφρόνη. Ultrapassando o mero eufemismo para 'noite' e também eventuais superstições, Cornuto avança para uma explanação racional.

[145]: Epich. fr. 27,28 = [E.] fr. 270, 271. Cf. Dam. Pr. 2.3.

[146]: Vd. genealogia alternativa, em Alcm. fr. 5; Mimn. fr. 5. Todavia, a versão com Mnemósine tem maior valor estoico.

[147]: Φοίνικι. Cf. Hdt.5.58; Scamon fr. 5, 15, relativamente a Fenícios e Sírios. Vd. Paus. 8.48.2.7 e os vencedores dos jogos a Apolo em Delos.

[148]: (Parte II, nota 1.) Graças também filhas de Zeus. Associação entre Musas e Graças, Hes. Th. 62. Vd. E. Heracl. 673- 675. Considerem-se as Graças como benéficas para o Homem (Chrysipp.). Cf. Phld. Piet. c.14 = SVF 1081.

[149]: (Parte II, nota 2.) Originalidade como mãe das Graças. Em Od. 7.8 é ama de Nausícaa. Cf. Εὐρυνόμη, Hes. Th. 907-909*. Sen. Ben.* 3 refere que Crisipo escreveu obras Περὶ Χαρίτων.

[150]: (Parte II, nota 3.) Livre-arbítrio?

[151]: (Parte II, nota 4.) Vd. Schol. Od. 8.

[152]: (Parte II, nota 5.) A nudez nem sempre fez parte da iconografia das Graças. Assim, alusão a estátuas, na entrada da Acrópole de Atenas, a Graças vestidas, Paus. 9.35; D.L. 2.19.5. Vd. cariátides.

[153]: (Parte II, nota 6.) Εὐάνθη: “floração”. Nome original.

[154]: (Parte II, nota 7.) Αἴγλη: “radiante”. Paus. 9.35.1, referindo Antímaco, que dá como genealogia Αἴγλη e ᾿´Ηλιος. Existe inconsistência nas fontes disponíveis.

[155]: (Parte II, nota 8.) Vd. Il. 18.382 sq.

[156]: (Parte II, nota 9.) Será Cáris ou Afrodite (Il. 8.383)?

[157]: (Parte II, nota 10.) Cf. ética na reciprocidade, sem mecanicismo ou automatismo. Vd. Sem. Ben. 1.3.7.

[158]: (Parte II, nota 11.) Cf. Il. 2.103; Od. 1.84. São 15 epítetos, veiculados primeiramente seis homéricos, depois dois de Íris De seguida, sete mormente aristofânicos.

[159]: (Parte II, nota 12.) Cf. Il. 20.72.

[160]: (Parte II, nota 13.) Cf. Il. 14.185; Od. 24.10.

[161]: (Parte II, nota 14.) A tradição certamente conhecida da audiência, memora a figura mitológica Argos de cem olhos, encarregue por Hera de vigiar os relacionamentos extraconjugais de Zeus. Morto por Hermes, no sentido de salvaguardar os encontros de Zeus com Io, metamorfoseada em vaca, teria os seus olhos colocados na cauda alada da ave consagrada a Hera - pavão. Vd. A. Pr.; Schol. E*. Ph.* 1151, 1213.

[162]: (Parte II, nota 15.) Cf. Od. 5.87, 10.277, 331.

[163]: (Parte II, nota 16.) Hes. Op. 80*.*

[164]: (Parte II, nota 17.) Vd., ainda assim, Zeus como mensageiro, Διὸς δέ τοι ἄγγελός εἰμι (Il .2.26).

[165]: (Parte II, nota 18.) Considere-se a diferença estoica entre ἔννοια: “conceções”, pela instrução e προλήψεις: “preconceções”. Vd. SVF 2.83.

[166]: (Parte II, nota 19.) Il. 24.340, sandálias douradas. Cf. Ov. Met. 11.312, Mercúrio. Vd. ᾿´Ιρις χρυσόπτερος, Il. 8.398,11.185. Cf. παρὰ τὸ εἴρειν καὶ λέγειν, Schol. Hes. Th. 266.

[167]: (Parte II, nota 20.) Il. 5.44.

[168]: (Parte II, nota 21.) Il. 1.201; Od. 1.122.

[169]: (Parte II, nota 22.) Il. 2.786.

[170]: (Parte II, nota 23.) Il. 8.409.

[171]: (Parte II, nota 24.) Psicopompo. Cf. Od. 24.1, Hermes na condução dos pretendentes de Penélope mortos ao Hades. Vd. outrossim A. Ch. 622; S. Aj. 832; E*. Alc. 743. Vd. Pl. Phdr. 261a8 e ligação entre ψυχοπομπός e ψυχαγωγεῖν (Luc. Deor. Conc.* 4.1.15, associado a νεκροπομπός, relacionando retórica com Hermes enquanto Razão).

[172]: (Parte II, nota 25.) Il. 24.343-344; Od. 5. 47 q., 24.3 sq. Cf. Pl. Smp. 219a3: ὄψις διανοίας, “visão do pensamento”.

[173]: (Parte II, nota 26.) Cf. Hermes ὀνειροπομπός, Apolodoro fr. 30. Sobre Hermes como mensageiro de sonhos dos deuses, Phld. Piet. 92, 12 =Acus. fr. 9. Vd. Pl. Cra. 421a e a etimologia de ὀνομαστόν (μαίομαι), a partir de ὄν μάσμα ἐστιν, “ser o que a pesquisa é”. Mais ainda, cf. ligação de Zeus ao inquérito, Philox. fr. 148.

[174]: (Parte II, nota 27.) Capacidade de μάντις não apenas de Apolo, aqui também associada a Hermes e à Razão.

[175]: (Parte II, nota 28.) Il. 2.26.

[176]: (Parte II, nota 29.) Cf. símbolo da divindade Ningizzida (pré Tor), Babilónia.

[177]: (Parte II, nota 30.) Vd. Od. 14.435; h.Merc. 4.1*.*

[178]: (Parte II, nota 31.) Vd. Arr. Cyn. 35.3.3. Cf. uso da divindade guia do pensamento racional.

[179]: (Parte II, nota 32.) Cf. λόγος: “razão”.

[180]: (Parte II, nota 33.) Cf. expressão proverbial, Arist. Rh. 1401a.22. Cornuto salienta o facto de a Razão, do ponto de vista estoico, ser comum a todos (deuses e homens).

[181]: (Parte II, nota 34.) Ἑρμαῖος.

[182]: (Parte II, nota 35.) Epíteto comum a outras divindades (Ártemis - Paus. 5.15.4.2); Atena (3.11.9.9); Zeus (3.11.9.8)). Relativamente a Hermes, e.g. 1.15.1.2; 2.9.8.5; 9.17.2.6. Cf. outrossim A. Ag. 90*.*

[183]: (Parte II, nota 36.) Vd. Ar. Pl. 1154.

[184]: (Parte II, nota 37.) Preocupação de associar as atividades mercantis de Hermes à Razão.

[185]: (Parte II, nota 38.) Cf. h. Merc. 4.39-61.

[186]: (Parte II, nota 39.) Vd. Ar, Pl. 1157. Qualidade divina negativa, pese embora a persuasão retórica, com envolvência de inteligência, ainda que mal usada (cf. Arist. Rh. 1355a-b). Cf. sofística.

[187]: (Parte II, nota 40.) Vd. νόμος, “Lei”, associada com Razão.

[188]: (Parte II, nota 41.) Ambiguidade. Vd. tradição, em h.Merc. 4*.*568 sq.

[189]: (Parte II, nota 42.) Il. 6.407. Vd. crítica de Plutarco a Crisipo (SVF 32), a partir desta citação proverbial sobre esforço desmedido.

[190]: (Parte II, nota 43.) Il. 15.18-19.

[191]: (Parte II, nota 44.) Alusão a rebeliões mitológicas de Hera, Posídon e Atena, face a Zeus.

[192]: (Parte II, nota 45.) Il. 1.399-400.

[193]: (Parte II, nota 46.) Cf. Πρωτογενοι, “seres primordiais”.

[194]: (Parte II, nota 47.) Caos / fogo líquido (de fusão). Cf. éter. Vd. etimologia judaica.

[195]: (Parte II, nota 48.) Hes. Th. 119.

[196]: (Parte II, nota 49.) Cf. Hes. Th. 123. Vd. etimologia judaica.

[197]: (Parte II, nota 50.) Cf. Hes. Th. 127-128.

[198]: (Parte II, nota 51.) Cf. Hes. Th. 124.

[199]: (Parte II, nota 52.) Hes. Th. 132. Cf. Hes. Th. 129-132.

[200]: (Parte II, nota 53.) “Terra”.

[201]: (Parte II, nota 54.) Cf. Hes. Th. 132 sq.

[202]: (Parte II, nota 55.) Cf. Κοῖος | ποιά.

[203]: (Parte II, nota 56.) Cf. ὠκύς: “rápido”.

[204]: (Parte II, nota 57.) Cf. Il. 7.422; Od. 19.434.

[205]: (Parte II, nota 58.) Cf. Od. 10.511; Hes. Th. 133.

[206]: (Parte II, nota 59.) Cf. #3,4,6,7.

[207]: (Parte II, nota 60.) Vd. Hes. Th.138.

[208]: (Parte II, nota 61.) Vd. Hes. Th.137.

[209]: (Parte II, nota 62.) Cf. Teogonia.

[210]: (Parte II, nota 63.) Cf. Philem. fr. 89 ap. Stob. 3.2.26.2; Apollod. 1.7.1; Hor. Carm. 1.16.13-16; Hyg. Fab. 142. Vd. Pl. Prt. 320c8-d3 acerca da criação de animais a partir de terra e fogo.

[211]: (Parte II, nota 64.) Vd. conceito estoico de premeditação atribuído ao homem como parte do divino. Cf. Crisipo, D.L.7.88.2.

[212]: (Parte II, nota 65.) Ferula communis. Cf. Hes. Op. 52.

[213]: (Parte II, nota 66.) Il. 17.32.

[214]: (Parte II, nota 67.) Cf. misoginia clássica.

[215]: (Parte II, nota 68.) Entenda-se [“atribuem as artes”].

[216]: (Parte II, nota 69.) Vd. Hes Th. 927-928, h.Ap. 3.314-318. Vd. partenogénese.

[217]: (Parte II, nota 70.) Vd. ar, movimento natural do fogo, Arist. Cael. 304b17, 305b13, 311a20.

[218]: (Parte II, nota 71.) Vd. Od. 5.305. Para a génese de Afrodite e a aproximação de Eros, vide Th. 188-206. Já num momento ulterior da obra, Hesíodo contempla relacionamentos que haviam contado com a ajuda de Afrodite em detrimento de Eros, como o enlace entre Gaia e Tártaro (Th. 820-822). Cf., numa lição tardia, Nonn. D. 42-43.

[219]: (Parte II, nota 72.) Vd. Il. 18.362, 363.

[220]: (Parte II, nota 73.) Od. 5.266-366. Hefesto/Ares, explicação racional do fogo a submeter o ferro. Cf. Od. 8.266 sq. E até metamorfose do galo.

[221]: (Parte II, nota 74.) Cf. Od. 8.266-366.

[222]: (Parte II, nota 75.) Vd. Ἁρμονία, “Harmonia”, filha de Ares e Afrodite. Cf. três filhos de Ares e Afrodite, Hes. Th. 933- 937 (Fobos, Deimos, Harmonia. Vd. também Eros, Antero), porém Cornuto opta por uma.

[223]: (Parte II, nota 76.) Conceito pré-estoico, já em passos como Pl. Cra. 407a8-b2.

[224]: (Parte II, nota 77.) Atena nasce da cabeça de Zeus (Hes. Th. 941), com auxílio de Hefesto (Pi O.7.35-38). Cf. informação de Crisipo (Phld. Piet. 16 = SVF 910) . Vejam-se comparação de Atena a Prometeu, em conformidade com este epíteto, bem como nascimento de Atena com o do egípcio Trot.

[225]: (Parte II, nota 78.) Cf. localização tripartida de três esferas/faculdades da alma, ainda que não consensual, designadamente pela posição aristotélica, seguida por alguns estoicos (e.g. Crisipo), que sobrevaloriza o coração, pese embora a crítica anatómica de Galeno (Arist. Juv. 469a5-7, Gal. PHP 1.6.13, 2.2.12, 2.3.20-27, 3.8.14-26, 3.8.21.3). Assim, razão (cérebro), emoção (coração), apetite (fígado), em autores como Pl. Ti. 69c5-72d3.

[226]: (Parte II, nota 79.) Vd. E. fr. 919.

[227]: (Parte II, nota 80.) Versão distinta de #20.

[228]: (Parte II, nota 81.) μητιέτης. Interpretação lógica inovadora do mito, que conduz a um epíteto de Zeus, μητίετα Ζεύς (Hes. Th. 56). Cf., acerca de Il.1.75, retratando o engolir da raiva por um homem*.*

[229]: (Parte II, nota 82.) Cf. conceito estoico de que os nomes podem corromper-se com o tempo.

[230]: (Parte II, nota 83.) Viz. tragediógrafos, A. Eu. 288.

[231]: (Parte II, nota 84.) Vd. Hes. Th. 929.

[232]: (Parte II, nota 85.) Epíteto homérico, hesiodíaco e dos hinos homéricos.

[233]: (Parte II, nota 86.) Embora αἰγίοχος, Zeus não é a única divindade com este epíteto. Vd. Apolo, Il.15.229-230, 24.20). Todavia, o epíteto não se estende a Atena, apesar de a deusa participar da égide (Il.10.278).

[234]: (Parte II, nota 87.) Cf. Apollod*.* 2.40.3.

[235]: (Parte II, nota 88.) Acerca dos animais consagrados a Atena, Eust. Il. 1.138.29.

[236]: (Parte II, nota 89.) Il. 2.24. A cedência ao sono mostra-se provável, sobretudo para titulares de tarefas comunitárias, como um βουληφόρος ἁνήρ, “homem conselheiro”, o mesmo é dizer ποιμὴν λαῶν, “pastor de povos”, no caso Agamémnon, comandante supremo dos Gregos no conflito troiano. O comportamento vale-lhe uma admoestação pelo Sonho enganador supostamente com Nestor, veiculada por duas vezes (Il. 2.24-25, 2.61-62): οὐ χρὴ παννύχιον εὕδειν βουληφόρον ἄνδρα | ᾧ λαοί τ᾽ ἐπιτετράφαται καὶ τόσσα μέμηλε, “Não devia dormir a noite inteira o homem encarregado do incentivo [cf. Atena, Il.6.128; Ares, Il.17.398] das tropas e de cuidados tão numerosos”. De facto, posteriormente, ao contrário do sucedido no segundo canto, perante a situação nefasta que se abateria sobre o exército, Agamémnon mantém o seu estado de vigília (cf. Il. 10.3-4). Torna-se, dessa forma, possível entender a confluência dos planos privado e público na prontidão bélica extensiva a períodos de repouso, preservada na manutenção da armadura (cf. Il. 10.75, 11.731: καὶ κατεκοιμήθημεν ἐν ἔντεσιν οἷσιν ἕκαστος, “deitámo-nos, cada um com a sua armadura”).

[237]: (Parte II, nota 90.) Epíteto de Atena (Il.13.128, Od.22.10) não exclusivo. Assim, Ares (Il. 17.398); Éris (Il. 20.48); Apolo (Il. 20.70); herói Anfíaro (Od. 15.244); Electríon (Hes. Sc. 3); Anfítrião (Hes. Sc. 37).

[238]: (Parte II, nota 91.) Vd. Il. 4.8, 5.908.

[239]: (Parte II, nota 92.) Vd. Il. 4.128.

[240]: (Parte II, nota 93.) Vd. Pi. P.12.6-12; Hyg. Fab. 165. Pese embora a importância da música na educação (e.g. Pl. R. 401 d5-e 1), o afastamento, por não contribuir para o intelecto (Arist. Pol. 1341 b3) e desfavorecer a cara (Apollod*. 1.21.1; Hyg. Fab.* 165).

[241]: (Parte II, nota 94.) Vd. Il. 5.747, 8.391; Od. 1.101, 3.135, 14.540. Cf. Ares ὄβριμος, "poderoso” (Il. 5.845).

[242]: (Parte II, nota 95.) Cf. Harmonia, filha de Ares.

[243]: (Parte II, nota 96.) Cf. Il. 5.31, 455.

[244]: (Parte II, nota 97.) Cf. Il. 5.31, 455.

[245]: (Parte II, nota 98.) Epíteto não homérico.

[246]: (Parte II, nota 99.) Cf. Il. 13.521.

[247]: (Parte II, nota 100.) Cf. xenofobia das civilizações da Antiguidade, pela etimologia pejorativa - Θρᾷξ: “Trácia” | θρασύς: “insolência”; Σκύθης: “Cítia” | σκύλαξ: “cão”; σκύζα: “luxurioso”. Vd. corrente filosófica cinismo.

[248]: (Parte II, nota 101.) Inovação. Cf. Ael. NA 2.46.

[249]: (Parte II, nota 102.) Vd. tentativa de fugir à superstição, embora sem a apresentação de explicações científicas de estudos anteriores, designadamente de Anaxágoras, Anaxímenes, Demócrito, Arist. Mete. 365aI4- 369a9, Mu. 396a. Cf. D.L.7.154.

[250]: (Parte II, nota 103.) Inovação. Cf. Poll. 1.24, relativamente às divindades, na generalidade. Orph. 15.9, face a Zeus.

[251]: (Parte II, nota 104.) E.g. Il. 8.440.

[252]: (Parte II, nota 105.) Vd. D. H. 2.31.2.9, Posídon. Cf. Orph. 15.8: Zeus.

[253]: (Parte II, nota 106.) τινάκτωρ γαίας. Cf. Il. 7.445, 455; S*. Tr.* 502.

[254]: (Parte II, nota 107.) Cf. Arist. Mete. 368a24.

[255]: (Parte II, nota 108.) Cf. Il.1.34, 157; Od. 12.97.

[256]: (Parte II, nota 109.) Vd. Od. 3.6. Cf. Proteu, Od. 4.402.

[257]: (Parte II, nota 110.) Il. 20.403. Vd. Il. 21.237, só este passo com alusão a Escamandro, o que poderá evidenciar que Cornuto cite de memória.

[258]: (Parte II, nota 111.) Il. 9.183.

[259]: (Parte II, nota 112.) Il. 12.27-28. Citação deturpada. No original, αὐτὸς δ᾽ ἐννοσίγαιος ἔχων χείρεσσι τρίαιναν | ἡγεῖτ᾽, ἐκ δ᾽ ἄρα πάντα θεμείλια κύμασι πέμπε. O texto de Cornuto é αὐτὸς δ᾽ ἐννοσίγαιος ἔχων χείρεσσι τρίαιναν ἡγεῖτ᾽, ἐκ δ᾽ ἄρα πάντα θεμείλια χεῦε θύραζε.

[260]: (Parte II, nota 113.) Entenda-se τρἱαινα: “tridente”.

[261]: (Parte II, nota 114.) Cf. Τρίτων, ᾿Αμφιτρίτη | ῥυτόϲ, ῥύσις: “fluído”.

[262]: (Parte II, nota 115.) Epíteto não homérico, autor que designa Posídon como εὐρυσθενής, Il. 7.455, 8.201; Od. 13.140.

[263]: (Parte II, nota 116.) Cf. Il. 2.159, 8.511, 20.228; Od. 3.142; Hes. Th. 762, 781, 790, 972; h. Cer. 2.123.

[264]: (Parte II, nota 117.) Epíteto não homérico. Cf. Pi. O. 8.31.

[265]: (Parte II, nota 118.) Epíteto não homérico, aplicado a outras divindades (e.g. Tritão, Hes. Th. 931). Cf. Pi. O.6.58.

[266]: (Parte II, nota 119.) Epíteto de outras divindades (eg. Ares, A.R. 4.1552. Cf. Posídon, Il. 23.277; Orph. H. 17.2). Cf. A. Th. 130.

[267]: (Parte II, nota 120.) Vd. Tz. Od. 17.20-24.

[268]: (Parte II, nota 121.) Vd. Hes. Th. 282. Todavia, Hesíodo recorda o surgimento de Pégaso a partir do sangue da cabeça de Medusa (Th. 280-283).

[269]: (Parte II, nota 122.) Cf. Od. 10.528, 529.

[270]: (Parte II, nota 123.) Cf. Od. 10.81, 132.

[271]: (Parte II, nota 124.) Cf. Il. 5.385-391; Od. 11.305-320.

[272]: (Parte II, nota 125.) Com escassa informação de Cornuto. Vd. Suid. ν 328; filho de Ponto (Hes. Th. 233); servo de Posídon (Od. 4.386).

[273]: (Parte II, nota 126.) Vd. Eust. Il. p. 475. Cf. Neptuno, nare. Vd. Cic. ND 2.66.

[274]: (Parte II, nota 127.) Il. 1.538. Cf. Proteu ἅλιος γέρων, “outro velho” (Od. 4.385); Nereu γέρων, “velho” (Hes. Th. 234), o que conjuga ambas as figuras*.*

[275]: (Parte II, nota 128.) Cf. Leucótea e as Nereidas, Pi. P. 11.2*. Incorreção. Nereu não se assume como pai de Leucótea (Artem.* 2.34.18. Vd. inicialmente Ino, Paus. 1.42.8). Esta, tradicionalmente filha de Cadmo e Harmonia.

[276]: (Parte II, nota 129.) Ligação entre Posídon e Afrodite, através do mar, a partir dos genitais castrados de Cronos, Hes. Th. 178-206.

[277]: (Parte II, nota 130.) Il. 5.370 sq. Ligação de Διώνη, “Dóne” a διαίνειν: “humedecer”.

[278]: (Parte II, nota 131.) ἄφρονες. Vd. E. Tr. 989.

[279]: (Parte II, nota 132.) Distinga-se prazer carnal/sensual (ἡδονή), de prazer da aprendizagem (τέρψις).

[280]: (Parte II, nota 133.) Vd. Il. 3.424, 5.375 - φιλομ(μ)ειδής; Hes. Th. 200, 256 - φιλομμειδής. Cf. μήδεα: “genitais” e μειδάω: “sorrir”.

[281]: (Parte II, nota 134.) Cf. considerações sobre relacionamentos afetivos, Plu. 138c12.

[282]: (Parte II, nota 135.) Vd. Od. 8.288, 13.193.

[283]: (Parte II, nota 136.) Cf. Afrodite Κυπρογενέα, Hes. Th. 199; Κύπρις, Il.5.422. Vd. Crisipo (= SVF 1098 ap. Lyd. Κύπρις< κύειν, Κυθέρεια<κύειν + θήρ.

[284]: (Parte II, nota 137.) Vd. Od. 8.362.

[285]: (Parte II, nota 138.) Cf. Pl. Epigr. 23 (Παφίη); Strat. 14.6.3.51. No tocante à afetividade, entendam-se o amor recíproco e desinteresseiro, em vários contextos (paterno, filial, companheiros, amigos) – φιλία; também sem interesse, de carácter nobilitante e espontaneidade, no âmbito da tradição judaico-cristã, expresso sobretudo no Novo Testamento - ἀγάπη; ademais, o amor carnal, desejo erótico violento, vulgar (Venus Vulgare), patológico, impulsionado por Eros e Afrodite πάνδημα, “comum”, decorrente da lascívia reconhecida nos múltiplos relacionamentos sexuais de Zeus ἔρος. Já à parte de qualquer relacionamento sexual entre progenitores, emersa do esperma pertencente ao membro viril de Úrano, seccionado por Cronos, junto de Pafos, Afrodite Pafínia (cf. Apollod. 3.14.3; Ov. Met. 10.243 sq.). Cf. outrossim lição órfica (cf. Orph. H. 55) respeitante a Órquis e sémen envolto nas ondas do pélago, após emasculação infligida pela tentativa de estupro da sacerdotisa dionisíaca. Vd. TROCA PEREIRA, 2013.

[286]: (Parte II, nota 139.) Hes. Th. 205.

[287]: (Parte II, nota 140.) Il. 14.217.

[288]: (Parte II, nota 141.) Κεστός. Cf. Il. 14.214.

[289]: (Parte II, nota 142.) Entenda-se [“as mulheres”].

[290]: (Parte II, nota 143.) Myrtus communis.

[291]: (Parte II, nota 144.) Tilia platyphyllos. Φιλύρα.

[292]: (Parte II, nota 145.) φιλεῖν.

[293]: (Parte II, nota 146.) Buxus sempervirens: πύξος.

[294]: (Parte II, nota 147.) Divindade não contemplada na cosmogonia estoica.

[295]: (Parte II, nota 148.) Cf. Od. 21.22, 31.

[296]: (Parte II, nota 149.) Vd. E. Ba. 402-406.

[297]: (Parte II, nota 150.) Vd. “anseio”, “amor”.

[298]: (Parte II, nota 151.) Πάππας: ”papá”.

[299]: (Parte II, nota 152.) ἐρώμενοι. Vd. natureza fogosa do amor, Longo, D.C. 2.5.2.4.

[300]: (Parte II, nota 153.) Cf. A julgar por Hesíodo (Th. 116-120. Cf., no panorama latino, Cic. ND. 3.60), entre as primeiras deidades geradas (protogenoi), inclui-se Eros, seguindo Gaia. Vislumbre-se Parm. fr. 13 Diels: Πρώτιστον μὲν Ἔρωτα θεῶν μητίσατο πάντων, "Primeiro de entre todos os deuses, gerou-se Eros". Vd. Arist. Metaph. 1.984b; Pl. Smp. 178b-c.

[301]: (Parte II, nota 154.) Cf. Od. 1.53-54. Vd., em Cornuto, tentativa de aproximação de κίων: “coluna” e “movendo-se”.

[302]: (Parte II, nota 155.) Cf. περὶ τῶν ὅλων φροντίζειν. Vd. Od. 1.52.

[303]: (Parte II, nota 156.) Vd. Hes. Op. 383.

[304]: (Parte II, nota 157.) Ninguém (cf. Hera a Atena, Il.14.198-199), humano ou divino (Pl. Smp. 186b), pode julgar-se eximido da afeição/afeção imposta pela Cípria ou por Eros, nem a divindade suprema - Zeus e até o próprio Eros (cf. Psique, Ov. Ep.11). Não obstante, a exceção impõe-se à regra, dada a existência de três entidades impossíveis de submeter ao jugo do amor (h.Ven. 5.7), a saber, Atena (embora tradicionalmente perseguida por Hefesto. Cf. Erictónio. Vd. Apollod. 3.14.6; E. Io 20 sq., 266 sq., Eratosth. Cat. 13; Schol. Il. 2.547. Vd. tentativa de estupro pelo gigante Palas,. Cf. Apollod. 1.6.2; Tz. ad Lyc. 355), Ártemis e Héstia (vd. E. Io 269).

[305]: (Parte II, nota 158.) “Universo”.

[306]: (Parte II, nota 159.) Siringe.

[307]: (Parte II, nota 160.) Cf. “pânico”.

[308]: (Parte II, nota 161.) Vd. Δαίμων e δαίων: “distribuindo”. Leia-se PLP.3.34 S.

[309]: (Parte II, nota 162.) Cf. Anacr. fr. 16. Vd. cabra, ama de Zeus, em Creta. Considere-se cabra Amalteia, acerca do nascimento tradicional de Zeus (Monte Parrásio, Callim. Juv. 7, 10, ou Monte Liceu/Creta, Paus. 8.38.1). Inicialmente alimentado com leite da cabra Amalteia e mel (Apollod. 1.1.6; Callim. Juv. 49; Athen. 11.70; Ov. Fast. 5.115).

[310]: (Parte II, nota 163.) Cf. A. Ag. 1056-1057.

[311]: (Parte II, nota 164.) ἐσωτάτω τεθεῖσθαι. Vd. confusão de espíritos.

[312]: (Parte II, nota 165.) Cf. Virgens Vestais.

[313]: (Parte II, nota 166.) Entenda-se [“virgem”].

[314]: (Parte II, nota 167.) Entenda-se [Deméter].

[315]: (Parte II, nota 168.) Cf. fogo como elemento purificador e sexo, Hes. Op. 733.

[316]: (Parte II, nota 169.) Cf. Var. L. 21-22. Cf. Verg. A. 4.271, a propósito de terra.

[317]: (Parte II, nota 170.) Od. 18.17.

[318]: (Parte II, nota 171.) Vd. primeira e última libações a Héstia, h.Ven. 29*.3-6; Ar. V. 846; Pl. Cra.* 401 b,d. Cf. Zen. 1.40.

[319]: (Parte II, nota 172.) Τριπτόλεμος. Deméter ensina Triptólemo a cultivar milho (IG) 471-479 e, a título de compensação pela morte do irmão Demofonte, oferece carruagem puxada por dragões alados, sementes.

[320]: (Parte II, nota 173.) Vd. Apollod. 1.32. Cf. Ov. Met.5.642-647; S. Triptólemo. Cf. Ph. 8.

[321]: (Parte II, nota 174.) Cf. Hino a Deméter.

[322]: (Parte II, nota 175.) Vd. Od. 18.29.

[323]: (Parte II, nota 176.) Χλόη. Festival de Deméter Verde/Cloe (Eup. fr. 183).

[324]: (Parte II, nota 177.) Cf. specio e spicio.

[325]: (Parte II, nota 178.) Vd. Od. 5.125-128; Hes. Th. 969-974.

[326]: (Parte II, nota 179.) Ditado. Vd. Schol. Hes. Th. 969.2.

[327]: (Parte II, nota 180.) Hes. Op. 299-300. Cf. Od. 5.l25; h. Cer.

[328]: (Parte II, nota 181.) Θεσμός: “lei, ordem”. Vd. festival das Tesmofórias.

[329]: (Parte II, nota 182.) Vd. Paus. 9.16.6.2; Plu. 613c1. Cf. λύειν, “libertar”. Vd. Liber.

[330]: (Parte II, nota 183.) Vd. D.L.4.61.8; Schol. S. Ant. 1115.

[331]: (Parte II, nota 184.) Vd. etimologia estoica de um lugar de nascimento, uma situação não muito recorrente.

[332]: (Parte II, nota 185.) Cf. vinho inflamado, Il. 1.462.

[333]: (Parte II, nota 186.) Cf. h.Bacch.; Ov. Met. 3.259-298; D.S. 3.64.4. Nascimento duplo, D.S. 3.66.3.5-9. Em Hes. Th. 940- 942 só filiação.

[334]: (Parte II, nota 187.) Cf. parte do ano entre o levante de Sírio e de Arcturo.

[335]: (Parte II, nota 188.) Vd., respetivamente, Βρόμιος, Βάκχος, ᾿´Ιακχος, εὔιος, βαβάκτης, ᾿Ιοβακχος.

[336]: (Parte II, nota 189.) Cf. Eust. Il. 25-26, t. I, p: 311.

[337]: (Parte II, nota 190.) Alc. fr. 366 (οἶνος, ὦ φίλεε παῖ, καὶ ἀλάθεια), citação não integralmente exposta por Cornuto (οἶνος καὶ ἀλήθεια). Fica a dúvida se teria sido apenas alusão, de memória a um conteúdo. Vd. comportamentos nos symposia.

[338]: (Parte II, nota 191.) Il. 6.132 (μαινομένοιο Διωνύσοιο).

[339]: (Parte II, nota 192.) Vd. vinho e água do mar. Cf. ὀργáω: “ser fértil”; ὀργáς: “território fecundo, frequentemente consagrado a Deméter e a Perséfone”. Cf. festivais de fertilidade, nos quais se juntava o vinho, completando uma tríplice relação Diónisos / Fales / fertilidade (Ar. Ach. 263 sq. Cf. Ov.Ars 1.237, 1.244). Vd. festivais consagrados a Diónisos e simultaneamente a Diónisos e a Afrodite (#30).

[340]: (Parte II, nota 193.) Cf. associação do leopardo a Diónisos, Arist. HA 2.266. Topos da tríade na tripla metamorfose: touro, leão, leopardo. Sobre a tríplice essência de Dionísio Triterikos (trienal, “de três naturezas”, τριφυές, Orph. H. 52.5).

[341]: (Parte II, nota 194.) Vd. Verg. G. 2.378-382.

[342]: (Parte II, nota 195.) Φαλλαγώγια (/φαλληφόρια).

[343]: (Parte II, nota 196.) νάρθηξ: Ferula communis.

[344]: (Parte II, nota 197.) Vd. também ὀρειφοίτης Διόνυσος, “Diónisos da montanha”, Phanocl. fr.3 ap. Plu. 671c1.

[345]: (Parte II, nota 198.) O termo é contemplado por duas etimologias: δίθυρον e διὰ θύρας. Cf. Ph. 37, a propósito de comportamento de jovens embriagados e desejos sexuais.

[346]: (Parte II, nota 199.) ἐμβαινόντων<ἐμβαίνω. Vd. ἀναφαίνω | ἀμβαίνω e διθύραμβος.

[347]: (Parte II, nota 200.) Θρίαμβος. Cf. διθύραμβος, δίθυρον: “porta dupla”, δια θύρας: “através da porta”, θοεῖν: “gritar alto”.

[348]: (Parte II, nota 201.) Etimologia desconhecida. Vd. h. Bacch.

[349]: (Parte II, nota 202.) Etimologia inovadora (de κίττα: “Garrulus glandarius”), por vezes forçada, por semelhança sonora - κιττός: “hera”, κίττα:”pêga”. Vd. E. Ba. 81.

[350]: (Parte II, nota 203.) Vd. Dionísias rurais e urbanas.

[351]: (Parte II, nota 204.) Od. 1.152, 21.430.

[352]: (Parte II, nota 205.) Titãs são Gigantes (Γίγαντες) que nascem (γίγνονται) da terra (γᾶ / γαῖα). Cf. o episódio dos Titãs ao desmembrar Zagreu-Diónisos (sparagmos. Cf. διασπασμός, “dilaceramento”), servindo como imagética ilustrativa da origem da culpa e dos sofrimentos humanos (vd. Pl. Lg. 701c; Procl. in Pl R. 2.338; Olymp. OF 220, contrastando com Plu. OF 210). Este episódio místico, quiçá tardio (note-se Onomácrito. Cf. Hdt. 6.5.3; Paus. 1.22.7, 8.31.3, 9.35.5), comporta, na sua estrutura, o desmembramento da divindade; a teofagia; a reconstrução/renascimento, pela terceira vez, bem como o castigo dos Titãs. O mito de Zagreu/Diónisos reporta-se ao orfismo (vd. tabuinhas de ouro de Túrios). Vd. COMPARETTI, 1873; ROSE, 1936 [ed. 1956].

[353]: (Parte II, nota 206.) Cf., mutatis mutandis, Osíris, Set, Ísis.

[354]: (Parte II, nota 207.) Entenda-se [“Homero”].

[355]: (Parte II, nota 208.) Vd. Il. 6.130-137. Cf. Heraclit. All. 35.

[356]: (Parte II, nota 209.) Cornuto diferencia o herói (Heraclitus QII, 33.1) da divindade, isto é, distingue homens de deuses. Importa verificar a ligação entre Diónisos e Héracles, desde logo, pela sétima divisão das divindades estoicas, por Écio plac. 1.6 = SVF 2.1009.

[357]: (Parte II, nota 210.) Curiosamente, Cornuto não refere Héracles enquanto fruto de um relacionamento extraconjugal de Zeus. Cf. Electríon.

[358]: (Parte II, nota 211.) E. fr. 291 Kannicht.

[359]: (Parte II, nota 212.) Cf. S. Tr. 248 sq.

[360]: (Parte II, nota 213.) Ὀμφή. Cf. etimologia negada por Cornuto.

[361]: (Parte II, nota 214.) Filósofo estoico.

[362]: (Parte II, nota 215.) Acerca de Apolo-Hélio, cf. heliolatria, adoração e culto do sol, Paus. 2.1.6, em Corinto. Vd. S. fr. 752 Radt, no tocante à heliolatria entre os sábios (οἱ σοφοί). Versão arcaica (pré-socrática), que compreende Apolo e Hélio enquanto figuras distintas vd. Cleantes: SVF 1.542). Heraclit. All. 6.6, racionalizando, refere Apolo como ἥλιος, adorado sob dois nomes (cf. Parm. FVS 28A20; Empédocles FVS 31A23). Cf. sincretismo Fanes-Hélio; Fanes-Mitras (OF 678). No mesmo sentido, vd. OF 538-545, Hymn Orph. 5; OF 60 I (D.S. 1.11.2); Orfeu a adorar Apolo-sol; inscrição (c. 300 a.C.) em vaso ático do séc. V a.C., fr. 537 Bernabé. Cf. alegoria em Papiro Derveni col. 14.3, 23.9.

[363]: (Parte II, nota 216.) Cf. Il.1.385, 7.83, 20.71, 295.

[364]: (Parte II, nota 217.) Cf. Il.1.370.

[365]: (Parte II, nota 218.) Entenda-se [“Homero”].

[366]: (Parte II, nota 219.) Il.1.64. Ora, Aquiles recomenda a consulta de especialistas, pela necessidade de decifrar omina, no caso, a causa da peste enviada por Apolo (Il.1.62-64).

[367]: (Parte II, nota 220.) Cf., na tradição romana, Parcae. Na tradição judaico-cristã, Lucifer.

[368]: (Parte II, nota 221.) Cf., já no séc. VI/VII, Isid. Etym. 8.9.54. Vd. puer | puritas.

[369]: (Parte II, nota 222.) Vd. ilha de Δῆλος, onde Apolo teria nascido (h.Ap.16). Cf. δῆλος: “visível” e a tarefa apolínea de, através da luz, tornar tudo visível.

[370]: (Parte II, nota 223.) Hes. Th. 94-95.

[371]: (Parte II, nota 224.) Cf. Ael. NA 2.32.1. Vd. ao invés, o corvo, Ael. NA 1.48.1; Plu. 10 379d8.

[372]: (Parte II, nota 225.) Δάφνη, “loureiro”. Árvore consignada a Apolo, presente nas imediações de templos, lembrando a metamorfose de Dafne no episódio de repulsa pela paixão de Apolo (Ov. Met. 1.452-567).

[373]: (Parte II, nota 226.) Entenda-se [“louro”].

[374]: (Parte II, nota 227.) Pelo solstício correspondente. Cf. dois círculos tropicais.

[375]: (Parte II, nota 228.) Cf. Il. 1.50.

[376]: (Parte II, nota 229.) Explicação racional do epíteto, por Cornuto. Vd. outrossim E. Ph. 63; Paus. 2.19.8.6, 8.32.4.9.

[377]: (Parte II, nota 230.) Od. 2.388.

[378]: (Parte II, nota 231.) Vd. Plu. de E 385b.

[379]: (Parte II, nota 232.) Cf. Il. 5.401, 899, 900; Od. 4.232; E. Alc. 220; Schol. II. 1.473. Vd. παιηόνιος.

[380]: (Parte II, nota 233.) Cf. ambivalência divina. Se Apolo era “puro” (E. Supp. 214: ἁγνός Ἀπόλλων), “curador e salvador” (A. Ag.512: σωτὴρ ἴσθι καὶ παιώνιος), conforme o próprio nome (cf. nomen omen), podia revelar-se destruidor. Cf. “matador de lobos” - Porph. Abst. 1.22. Vd. A. Ag. 1083-1084.

[381]: (Parte II, nota 234.) Filho de Apolo, A. Supp.263*.* Mortal, com qualidade divina apolínea.

[382]: (Parte II, nota 235.) Vd. γηρᾶς: “velhice” / “ pele de cobra”.

[383]: (Parte II, nota 236.) Epíteto comum a outras divindades, e.g. Hécate. Cf., em latim, Vénus, “estrela da manhã”; Lúcifer.

[384]: (Parte II, nota 237.) Vd. Plu. 379d9. Cf. relacionamento etimológico ὑλακτεῖν ~ ὕλη.

[385]: (Parte II, nota 238.) E.g. Plu*.* 937e10; Lyd. 3.10.

[386]: (Parte II, nota 239.) Vd. Acus. Hist. F. fr. 42; A.R. 4.829.

[387]: (Parte II, nota 240.) Vd. Ar. fr. 500; Artem. 2.34.23.

[388]: (Parte II, nota 241.) Mullus barbatus.

[389]: (Parte II, nota 242.) ᾿Ελευθώ (ἐλεύθερος). Latim, Liber, “livre”. Vd. Εἰλείθυια.

[390]: (Parte II, nota 243.) Il.11.270; EM 298.39 . Cf. E(I)lítia(s).

[391]: (Parte II, nota 244.) Vd. Plu. aud. poet. 19F.

[392]: (Parte II, nota 245.) Cf. Orco.

[393]: (Parte II, nota 246.) Vd. Paus. 2.35.9.

[394]: (Parte II, nota 247.) Vd. Orph. fr. 19.

[395]: (Parte II, nota 248.) Vd. conteúdo de J. Crisóstomo (C+4/+S) ep. eph. 62.124.23, no âmbito judaico-cristão.

[396]: (Parte II, nota 249.) Vd. h.Cer. 9,17.

[397]: (Parte II, nota 250.) Inovação de Cornuto.

[398]: (Parte II, nota 251.) Entenda-se [Homero].

[399]: (Parte II, nota 252.) Cf. Il. 8.367, 13.415; Od. 11.277.

[400]: (Parte II, nota 253.) Vd. Od 10.513.

[401]: (Parte II, nota 254.) A forma verbal presente no texto é κεκαῦσθαι. Ainda assim, cf. δαίμονες: “demónios, divindades”; δαίειν: “ queimar, acender”.

[402]: (Parte II, nota 255.) ἄορνος. Sobre ἄορνος λίμνη, Arist. Mir. 839a12; D.S. 4.22.1.1.

[403]: (Parte II, nota 256.) ἀηρ. Etimologia inovadora, a partir de sentidos antigos de σκότος: “ escuridão” e ὁμίχλη: “ névoa de ar”.

[404]: (Parte II, nota 257.) Cf. νάκισσος, “narciso” ~ νάρκη, “morte, dormência”.

[405]: (Parte II, nota 258.) Cf. Socrates, Pl. Euthphr. 14c8.

[406]: (Parte II, nota 259.) Cf. Cic. N.D. 2.71-72. Vd. Epict. Ench. 31.4-5.

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