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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus · § 34

§ 34

[34] Ártemis foi chamada “portadora de luz”[383], porque ela também emite luz e ilumina os arredores até certo ponto, especialmente quando é lua cheia, díctinna, a partir de lançar raios – de facto, lançar é atirar – ou a partir de o seu poder atingir tudo na terra, como se fosse “díctina”. Representaram-na como “caçadora”, “matadora de bestas”, “matadora de cervos” e “andante pelas montanhas”, porque seguramente queriam desviar o dano que vem dela para as feras, ou porque brilha principalmente de noite e é muito pacífica na noite, como se em bosques e desertos, como se parecesse desgarrar-se em algumas regiões, por isso foi adicionado que ela caçava com cães e foi arqueira. De acordo com isso, pensam-se os cães dela sagrados[384], tidos apropriados para as feras, e ficam acordados durante a noite e uivam. Assemelha-se a uma caçada e ela não para, ora perseguindo o sol, ora fugindo, caçando os animais no zodíaco e rapidamente alcança. Com efeito, a rapidez também é apropriada à caçada [; sendo o mais próximo dos corpos celestes disseram que ela se retira à volta dos cumes das montanhas]. Hécate, não sendo outra que não Ártemis, é representada em três formas, porque a lua completa três formas: está em forma de crescente e cheia; e assume uma outra terceira forma [imaginam], embora o crescente dela esteja cheio, o círculo não está cheio. Por conseguinte foi chamada “Do Caminho Trifurcado”[385] e foi considerada observadora de encruzilhadas, devido à tripla mudança ao viajar pelo zodíaco. E o sol, brilhando só durante o dia, e ela sendo vista à noite, no escuro e a mudar, chamavam de “Noturna”, “Viajante Noturna”[386] e “Ctónica”[387]. Começaram a adorá-la juntamente com as divindades ctónicas, trazendo-lhe repastos. Foi acrescentada a mancha com que ela polui a terra e como os mortos [poluem], e que trabalha com as bruxas e conspira contra as casas, e finalmente que se regozija com os sofrimentos e o assassinato, pelo que alguns a propiciaram com sacrifícios incomuns e mortes de homens. Dedicaram-lhe o salmonete[388] por causa do nome. É Enódia não por outra coisa que Apolo Aguieu. Muitos pensam que ela é Ilítia, que incessantemente gira e corre ao redor da terra. As em trabalho de parto rezam para ela vir a elas como “gentil” e “desarmada”, libertando a constrição do útero para que o concebido saia facilmente e com menos dor. Ela é também dita “Parteira”[389]. A tradição diz que há várias Eileuthuiai[390], pelo mesmo motivo que há vários Erotes. Ora, os partos das mulheres são como os desejos dos amantes. Obviamente, a lua traz a termo criaturas que foram concebidas, e é próprio dela nutrir e libertar das portadoras até estarem maduras. Não é extraordinário se, por um lado, considerassem[391], numa outra impressão, Ártemis virgem e pura, similar ao sol; mas segundo outra, como assistente das que dão à luz, responsável por trazer facilmente o nado; e segundo um terceiro, é algo aterrorizante e doloroso, como a conjetura que dissemos a respeito de Hécate.