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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus · § 32

§ 32

[32] Então, de seguida, ó filho, APOLO é o sol, e Ártemis a lua. Com efeito, por isso aqueles dois são representados como arqueiros, como que sugerindo que disparam raios. Ele é chamado [hélio[362]] lançador de dardos [por isso], e hécate[363], porque atiram de longe para cá e libertam luz, contanto que também os chamaram Hecatébolo[364]. Alguns conferem uma etimologia diferente para o que atira longe [hecatos] e Hécate, como nomes colocados a eles por quem rezava que estivessem longe e que os seus danos não os alcançassem. De facto, em certa altura parecem corromper o ar e ser responsáveis por estados pestilentos. Por isso, os antigos atribuíam mortes súbitas a eles, e o poeta[365], durante a praga, como se fosse algo óbvio, apresenta Aquiles a dizer que um adivinho deveria ser procurado, "o qual dissesse porque Febo Apolo se enfureceu tanto”[366]. Por causa disso, julgam Ártemis pelo eufemismo a partir de “fazer estabilidade”, o que é saudável; e Apolo, como libertando-nos de doenças, ou afastando-as de nós, ou [destruindo[367]]. Esta noção levou a que fosse chamado de “Paieon” e a considerar-se ser um médico. Pelo mesmo motivo, alguns dizem que foi chamado Apolo a partir de destruir. De facto, ele destrói a ordem do mundo, por evaporar continuamente a humidade de todos os lugares e acrescenta ao éter. Talvez seja dito pela redução e libertação da combinação da substância, ou simplifica como se fosse a escuridão. É apropriado que eles sejam apresentados como irmãos, pois são idênticos um ao outro, movem-se similarmente e têm um poder semelhante no universo e nutrem igualmente as coisas na terra. Por um lado, Apolo era representado como masculino, sendo o fogo mais quente e mais ativo. Ártemis, por seu turno, como feminina, mais entorpecida e tinha poder fraco. Apolo tem a idade de um menino crescido, quando os homens se mostram muito bonitos. De facto, o sol é o mais belo e jovem de se ver. Além disso, diz-se Febo[368], porque é puro e brilhante. [Usam-se outros epítetos para ele, apelidam “cabelo dourado” e “cabelo não cortado”, uma vez que é dourado e fica além do sofrimento por causa da pureza]. Chamaram-no Délio[369] e Fanaio, porquanto aquilo que existe ser tornado visível através dele, e iluminar o cosmos, como edificaram um templo de Apolo Anafaio, que traz à luz todas as coisas. Em consequência disso, Delos e Anafe tornaram-se seus santuários. Por causa do esclarecimento dos assuntos mencionados, ele foi associado com a profecia; e quando o oráculo em Delfos foi encontrado, chamaram Apolo Pítio, por os homens irem aí para aprender coisas a respeito a si mesmos. O lugar foi chamado umbigo da terra, não por estar no meio dela, mas porque a voz, que é som divino, foi emitida nele. Sendo os oráculos que dá são oblíquos e difíceis, chamou-se de “Lóxias” [; ou a partir do curso muito oblíquo, que se faz, através do círculo do zodíaco]. Foi representado como músico e citarista, porque atinge todas as partes do mundo e harmoniza-as em todas as outras partes: nenhuma [delas], nas coisas que existem, se considera fora de sintonia, mas preserva a sintonia das estações umas em relação com as outras, absolutamente, como nos ritmos, e faz as vozes dos animais e similarmente os sons de outros corpos, os quais são emitidos no ar através de serem secos utilmente, fazendo com que sejam maravilhosamente adaptados para ouvir. Esta é a origem de ser chamado de Líder das Musas e guardião; e ele mesmo foi pensado brincar com as Musas: “Com efeito, a partir das Musas e de Apolo 'que acerta no alvo', | os homens e os reis são cantores na terra”[370], refere Hesíodo. De facto, por isso o cisne[371] é sagrado dele, sendo ao mesmo tempo o mais musical e o mais branco dos pássaros, mas o corvo é estranho para ele porque é manchado, e por causa da cor. O louro[372] é a sua guirlanda, embora seja aldo alourado, é uma planta florescente e perene. Acontece que é inflamável também, e é de alguma forma apropriado para purificação, por isso a sua oferta ao deus mais puro e ardente não é inapropriada. E talvez nome dele[373], que se assemelha um pouco a deixar claro, fez com que parecesse ser própria para a profecia. A trípode é-lhe dedicada porque o número três é perfeito. Também pode ser a partir dos três círculos paralelos, sendo que o sol corta um ao mover-se através do curso anual, enquanto os outros dois são tocados[374]. Nas pragas, parece que os infantes são os primeiros a adoecer e por mais tempo, ou destroem-se por si mesmos [de modo pestilento][375]. Em conformidade com isso, atribuíram-lhe o cuidado dos rebanhos, denominando “de pastores”, “lício” e “matador de lobos”. Também foi chamado, devidamente, “guarda”[376], como se devesse estar sentado nas ruas. Na verdade, ilumina-as e enche com luz, levantando-se, como, pelo contrário, se afirma: "O sol pôs-se e todas as ruas ficaram escuras."[377] Também o chamaram “guardião dos encontros”[378], porque os homens passam os dias em locais públicos, misturando-se uns com os outros, mas as noites a descansar nas suas casas. Chamaram-no “péan”[379], de facto, por antífrase e de modo propiciatório, para que não lhes envie doenças[380] nem adultere o ar que respiravam; ou se ser a causa da saúde corporal, através do ambiente bem temperado.