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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus · § 30

§ 30

[30] É apropriado que Diónisos fosse considerado ser Eirene em algum sentido também, é o superintendente de árvores cultivadas e um deus generoso [, e por isso fazem-se libações]; de facto, os espaços são desmatados nas guerras; na paz crescem os banquetes, para os quais o vinho é o mais necessário. E Diónisos é [dionixos ou] dianisos, nomeado do facto de que nós choramos com prazer; ou é como se fosse dialisos, a partir de ser a origem e libertador[329] e perdedor[330] [libertando de cuidados]. Alguns dizem que a partir desse nome entrou em uso comum porque Zeus fez primeiro a videira aparecer no monte Nisa[331]. Diz-se que nasceu através do fogo [pelo mito estabelece-se que o calor dele aquece corpos e almas – com efeito, o vinho tem a mesma força do fogo, segundo os poetas[332] –,] foi costurado na coxa de Zeus[333], onde chegou a termo [porque o vinho amadurece e atinge a maturidade, † de facto, se exposto por um nascimento não nobre, tendo sido preservado, é imperfeito para uso], pois o seu primeiro nascimento é o amadurecimento das uvas no final do verão[334], que acontece quando é mais quente, enquanto o segundo é na pisa das uvas, quando é espremido pelos pés, e algo assim tem que ser entendido a partir da coxa. Chama-se[335] Brómio, Baco, Iaco, Euios, Babactes e Iobacos, porque em primeiro lugar os que pisam as uvas soltam muitos sons, e depois os que o usam até estarem bêbados. Símbolo da jovialidade na bebida são os Sátiros, tendo o nome a partir de sorrir; os Escirtos a partir de dançar; os Silenos a partir de zombar[336], e os Seuidas a partir de acelerar, ou seja, colocar em movimento. Por isso, estipula-se o cambalear dos que bebem como se de modo débil e de maneira efeminada. Também por isso é representado como feminino, tendo chifres. Tendo ficado bêbados, abdicam da tensão, também ficam com violência, difíceis de controlar e impulsivos. A roupa brilhante indica a cor do final de verão; e o estar nu na maioria das estátuas é o tirar de roupa em virtude das bebidas e parece ser o que diz “vinho e verdade”[337]. Também talvez por existem lugares com o oráculo de Diónisos. O ruído de tamborins e tambores, que convida para os seus ritos, parece apropriado, de alguma forma, para a bebedeira. Muitas vezes os aulos também são utilizados para acompanhar a colheita, juntamente com outros instrumentos. O tirso mostra que os que bebem muito vinho não podem depender dos seus próprios pés, mas precisam de algo para sustentar-se. Alguns tirsos têm pontas de lança escondidas debaixo das folhas, como quando há algo de doloroso na alegria, relativa à bebida dura que leva alguns para a insolência e frenesim. A partir disso, Diónisos foi chamado “frenético”[338], e as mulheres ao seu redor Ménades. É apresentado como jovem e velho, porque é adequado para toda a idade, mais turbulento para os jovens que o usam, mais agradável para os mais velhos. A tradição diz que os Sátiros se relacionaram com as ninfas, e as seduziram, atacando outras por brincadeira, pois a mistura de vinho com água[339] era vista como útil. Subjugaram leopardos[340] a Diónisos e na realidade registam-se a seguir, ou por causa de sua pele colorida, pois ele e as Bacantes usam fulvo, ou porque a bebedeira moderada doma as coisas mais selvagens. A cabra é sacrificada a ele[341] porque é um animal destruidor de vinhas e figos. Por isso, os jovens agricultores nas regiões da Ática esfolam para dançar dentro da pele. E talvez Diónisos desfrute desse tipo de sacrifício porque a cabra-macho é lasciva, pelo que o burro também aparece frequentemente nas suas procissões, e os falos são dedicados a ele, e realizam-se festivais fálicos[342]. Com efeito, o vinho move para o sexo. Por isso, alguns sacrificam a Diónisos e a Afrodite em conjunto. O funcho[343], mostra, através do entortado dos membros do bêbado, o cambalear para aqui e para ali [e também são leves e fáceis de carregar]. Alguns dizem que representa a tagarelice não articulada deles [como se tivessem articulações]. As Bacantes vagueiam nas montanhas[344] e amam a solidão, porque o vinho é produzido não nas cidades, mas nos campos. Diónisos foi chamado ditirambo[345], ou porque mostra a porta dupla da boca e faz deixar escapar segredos; ou porque faz com que os jovens subam às portas ou entrem[346] por elas, ou seja, ir contra elas e abanar violentamente as barras de entrada. Parecia ser destrutivo de tudo; e também ser um comandante de guerra, e o primeiro que estabeleceu a prática do hino a Diónisos[347] nas vitórias militares. O triambo recebeu o nome a partir da gritaria e da zombaria, por isso em triunfos militares as multidões usam anapestos ao zombarem. A tagarelice é sagrada para ele como um pássaro tagarela, chamam-no “báquico” pelo falar, e “cabrito”[348], por colocar fim à disputa. É coroado com hera[349] por causa da sua semelhança com a videira e as flores serem como cachos de uvas [; também causa derrubar árvores, subindo por elas e entrelaçando em torno da base com força]. Representações teatrais[350] são colocadas ao serviço de Diónisos, porque são muito apropriadas para a celebração, tal como cânticos e cítaras. “De facto, são coisas apresentadas da festa”[351]. Conta o mito que foi dilacerado pelos Titãs[352] e ordenado novamente por Reia[353], sugerindo a tradição do mito que os agricultores, sendo criaturas da terra, misturaram as uvas e separaram as outras partes de Diónisos nelas, coisas trazidas de novo juntas quando o mosto é derramado e um corpo é feito delas. Há um claro significado para o mito no poeta[354] de que o deus, fugindo de um plano de Licurgo, uma vez submergiu no mar, onde Tétis o salvou[355]. Ora, as videiras cuidam de Diónisos: estas, Licurgo, sendo um vinhateiro, despojou e levou. Depois, o vinho foi misturado com água do mar e armazenado em segurança. E isto respeitante a Diónisos.