§ 28
[28] Em seguida, criança, há que falar de DEMÉTER e Héstia: cada uma parece ser não outra do que a terra. Ora, os antigos apelidaram-na Héstia, porque está firme[310] através de tudo, [ou porque foi colocada pela natureza no mais profundo[311]; ou porque todo o cosmos está firme nela, como numa fundação]. Deméter, por dar à luz e nutrir tudo, como se fosse Terra-Mãe ou mãe Deo, porque ela e as coisas sobre ela, sem dúvida produzem o que os homens dividem entre si e se banqueteiam, [ou porque nela se encontram, ou seja, acham o que procuram]. Héstia é tradicionalmente virgem porque o que é imóvel não gera nada – por causa disso, é servida por virgens[312] –, contudo, Deméter não é[313], mas ela deu à luz Core, como se fosse Coros [sendo[314] a matéria para nutrir-se à saciedade]. O fogo[315] eterno associa-se a Héstia, porque [ele] também parece estar a ser, e talvez porque todos os fogos no cosmos são nutridos assim e subsistem por causa dela, ou porque a terra é vivificante e a mãe dos seres vivos, para os quais o elemento flamejante é a causa da vida. Ela é formada circular e colocada no meio das casas, porque a compressão da terra estabelece-a assim, donde a terra também ser, imitativamente, chamada chthon. [Porém, talvez tenha sido chamada de chthon, por conter ou ter espaço para tudo, como afirma "Esta estrada nos conterá[316] aos dois"[317]]. A mitologia conta que ela é a primeira e última, porque as coisas que nasceram dela e sustentadas por ela estão dissolvidas nela. E é por isso que os Gregos começam e terminam os sacrifícios com ela[318]. Grinaldas brancas são colocadas à volta dela porque é coroada e coberta por todo o lado pelo elemento mais branco. Ora Deméter, retratada de acordo com fazer surgir as sementes, é bastante apropriadamente mostrada coroada com espigas de milho. Na verdade, sendo que este é o alimento cultivado mais necessário, que beneficia os homens De acordo com o mito, foi semeado em todo o mundo habitado, por Triptólemo[319] de Elêusis, montado por Deméter numa carruagem de serpentes aladas[320]. Com efeito, parece que houve entre os antigos algum primeiro que foi montado por um deus num nível mais elevado de pensamento e viu e entendeu o uso de cevada [, que é moída e separada da casca [por ser atirada para o ar]; [Por isso, o carneiro também é adequado para semear.] Consequentemente, foi chamada de quem mói a cevada, sementes de cevada dizem-se oulai. Elêusis é o lugar onde as sementes de cevada foram descobertas pela primeira vez. [e Deméter é chamada Eleusinia do facto por primeiramente ter chegado aos homens para uma vida humana.] Conta o mito que Hades raptou a filha de Deméter, por causa do desaparecimento das sementes sob a terra por um certo tempo. A tristeza da deusa e a busca pelo cosmos são acrescentos[321]. Ora, entre os Egípcios, Osíris, que é procurado e redescoberto por Ísis sugere isso, e entre os Fenícios, surge Adónis, que está alternadamente acima da terra e debaixo da terra por períodos de seis meses, a partir do fruto “Pertencente a Deméter” agradar aos homens ser assim chamado. Diz-se que um javali embateu, matando, porque parece que os porcos consomem colheitas[322]; ou isso tudo sugere os dentes da charrua pelo que as sementes são cobertas na terra. Ele foi designado para permanecer junto com Afrodite e Perséfone durante igual tempo, pela razão que dissemos. Chamaram a filha de Deméter Perséfone, porque o trabalho é um labor árduo, ou do facto de que o trabalho duro traz resistência. Jejuns em honra de Deméter celebram-se, seja como uma particular maneira de apresentá-la com as primícias, [ou] abster-se por um dia daquelas coisas dadas a eles por ela, ou através do piedoso medo de querer quando † a divindade se retira. Quando semearam, eles usaram as suas próprias necessidades, e é por isso que realizam o seu festival na época da sementeira. Por volta da primavera, sacrificam a Deméter Chloe[323], com jogos e alegria, vendo brotos verdes que sugerem a esperança de abundância para eles[324]. Portanto, Plutão[325] pensa-se ser filho de Deméter. Com efeito, afirma-se bem que “a riqueza de cereais e cevada é melhor, estulto”[326]. E ser rico é, de certa forma, o oposto de passar fome: Hesíodo, vendo, diz "Trabalho, Perses, raça divina, para que a fome te | odeie, mas Deméter do adorável cabelo amar-te-á”[327]. Porcas prenhas são, muito apropriadamente, sacrificadas a Deméter, representando facilidade na fertilidade, conceção e término. E as papoulas são dedicadas a ela pela razão: de facto, a forma redonda e esférica delas representa a forma da terra, que é esférica, enquanto a irregularidade na superfície, as cavidades da terra e os picos das montanhas, e o interior é como cavernas e minas, produzem inúmeras sementes, como a terra. Por causa da abundância de milho, os homens não tinham dificuldade em sobreviver, e o seu suprimento de comida não era duvidoso. Concordaram uns com os outros acerca dos limites da terra cultivada, e em distribuir o produto justamente, e disseram que Deméter foi a criadora das leis e decretos. Assim, chamaram-na Tesmotetis [Thesmothetis], como sendo um legislador. Alguns não corretamente julgam dizer o fruto de thesmos[328], por ser posto de lado e armazenado. [Os que têm gosto pelo conhecimento começaram a celebrar Mistérios para ela, regozijando-se ao mesmo tempo na descoberta de coisas benéficas para a vida, e no festival que usaram para testemunhar o facto de terem deixado de lutar entre si pelas necessidades, e ficaram repletos, isto é, saciados. De facto, é plausível que é por isso que os Mistérios são assim chamados; e é por isso que alguns tratam Deméter como “dos Mísios”, ou porque assuntos que têm algo difícil de entender precisam de investigação.