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Epítome de tradições teológicas gregas

Pseudo-Cornutus · § 27

§ 27

[27] E é Pã também, uma vez que ele está em tudo[304]. Ele é peludo em baixo e semelhante a cabras, devido à aspereza tida da terra, e superiormente a forma de um humano, porque a parte dominante do cosmos, que é racional, está no éter. Ele é tradicionalmente lascivo e lúbrico, porque possui um grande número de princípios seminais e das coisas que surgem da mistura deles. Ele passa muito tempo nos desertos, porque foi estabelecido que ele é solitário. Ora, o cosmos é único. Persegue ninfas, uma vez que se alegra com as humidades exaladas da terra, sem as quais não poderia ser constituído. A volubilidade dele e o brincalhão mostram o movimento incessante do todo[305]. Está vestido com corvo ou leopardo, devido à variada tonalidade das estrelas e das outras cores que são observadas nele. É tocador de flauta[306], talvez porque seja soprada por todos os tipos de ventos, talvez por ter harmonia selvagem e austera, mas não pela ostentação. Porque vive em montanhas e em cavernas, a coroa de pinheiros estava associada, sendo uma magnificente planta montanhosa. Também as repentinas e irracionais perturbações dizem-se de Pã[307]. Com efeito, ovelhas e cabras assustam-se assim tendo ouvido um ruído a partir da floresta ou de cavernas subterrâneas e de lugares com ravinas. Apropriadamente, fizeram-no guardião dos jovens dos rebanhos; talvez por isso o representem com chifres e cascos fendidos, e talvez distinguindo a duplicidade nele, pelas orelhas salientes. – Igualmente assim, pode ser Príapo também, segundo o qual todas as coisas vêm para a luz. Os antigos sugerindo, de maneira piedosa e robusta, através dessas coisas, o que pensavam acerca da natureza do cosmos. Pelo menos, a grandeza dos genitais mostra o poder seminal que havia abundado no deus, enquanto a abundância de frutas nas capas, os que crescem e brotam no interior do seu regaço, na época devida. Mostra-se que é o guardião dos jardins e das vinhas, uma vez que é próprio do progenitor preservar o que trouxe para a existência [e por conseguinte Zeus, dizendo-se que é, por isso, Preservador]. As vinhas sugerem recompensa e pureza, mas os frutos, especialmente, produzem variedade, prazer e facilitando a geração, também se vestia dessa maneira. E segura uma foice na mão direita, ou porque é usada para podar videiras, ou porque está a aguardar algo e está armado para protegê-lo, ou porque é aquele poder que, depois de trazer as coisas para a existência, corta-as e destrói-as. – De novo, o cosmos é uma Boa Divindade[308], também carregando frutas, ou então é a razão que o rege, segundo a medida em que divide e compartilha o que acontece, sendo um bom distribuidor. É defensor e preservador de assuntos domésticos, ao manter o seu próprio lar em ordem e oferecer-se como um exemplo para os outros. O chifre de Amalteia[309] é um atributo adequado para ele, no qual todos os que são gerados na época devida ao mesmo tempo, mas não nascidos para um propósito único, aglomeram-se para muitos e diversos fins. Ou pode indicar que destrói periodicamente e novamente rouba tudo; ou pode ser a exortação ao trabalho a partir dele, uma vez que as coisas boas não acontecem aos enfraquecidos.