§ 13
[13] Zeus é Moira, porque a distribuição das coisas que são atribuídas a cada um não é vista, logo, outras porções chamaram-se moirai. Destino[103] é o despercebido e causa desconhecida das coisas que acontecem – manifesta-se agora sobre a porção incerta – ou, como os mais antigos[104], ele existe sempre. O que está destinado[105] é aquilo segundo o qual todas as coisas foram tomadas e reunidas numa ordem e série que não tem limite. [A sílaba ει̅ compreende junção, como em 'série'[106]]. Necessidade[107] é o que não se quebra nem se supera; ou é a referência de que tudo o que acontece prevalece. Segundo outra via, introduzem-se três Moiras, correspondendo à triplicidade do tempo[108]: uma delas é chamada Cloto, a partir de as coisas criadas serem iguais ao fiar das lãs, uma coisa sucede a outra, e de acordo, conceberam a que tece como a mais antiga; outra é chamada Láquesis, do facto de que o lote que se consigna a cada um é como as coisas atribuídas; Imutável, a terceira chama-se Átropos, porque as coisas que ela organiza têm cariz imutável. Pode parecer apropriadamente que os três nomes têm a mesma força. Esta é Adrástia, assim chamada pelo facto de ser necessária e inevitável; ou do fato de que as coisas que ela faz estarem sempre, como se fosse 'Sempre-Inevitável' ou a porção privativa[109] é aqui indicativa de magnitude, como em 'madeira não cortada'[110]. Na realidade, faz muito. E chama-se Némesis. É apelidada pela distribuição – com efeito, reparte o que acontece a cada um –, e 'Sorte'[111], por nos fazer o que rodeia, e é o artesão das coisas que acontecem aos homens; Opis[112], por ter escapado e, por assim dizer, segue atrás e tendo olhado atentamente as nossas ações, de modo a punir aqueles que são dignos de punição.