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O Sofista

Platão · Parte 233.255

Estrangeiro — [255] Mas, que enunciamos neste momento, com dizer Outro e Mesmo? Serão dois gêneros diferentes daqueles três, embora sempre e fatalmente misturados com eles, o que nos levaria a considerá-los como cinco, não três, ou com esse Mesmo e esse Outro, sem o percebermos, designamos [255a] um daqueles três gêneros?

Teeteto — É possível.

Estrangeiro — Contudo, repouso e movimento não são nem Outro nem Mesmo.

Teeteto — Como assim?

Estrangeiro — Seja o que for o que atribuímos em comum ao repouso e ao movimento, não terá de ser nenhum dos dois.

Teeteto — Por quê?

Estrangeiro — Porque o movimento ficaria em repouso e o repouso em movimento. Pois logo que um deles, não importa qual, se aplicasse aos dois, obrigaria o outro a mudar-se no contrário de sua natureza, [255b] visto participar do seu contrário.

Teeteto — E evidente.

Estrangeiro — No entanto, ambos participam do mesmo e do outro.

Teeteto — Certo.

Estrangeiro — Não digamos, então, que o movimento é o mesmo ou o outro; tampouco o repouso.

Teeteto — Sim, abstenhamos-nos de afirmar tal coisa.

Estrangeiro — Mas não teremos de conceber o ser e o mesmo como idênticos?

Teeteto — É possível.

Estrangeiro — Porém se o ser e o mesmo em nada diferem, ao dizermos do movimento [255c] e do repouso que ambos são, no mesmo passo afirmamos que são o mesmo.

Teeteto — O que é absurdo!

Estrangeiro — Logo, não é possível que o ser e a mesmo sejam um.

Teeteto — Dificilmente.

Estrangeiro — Assim, teremos de admitir uma quarta idéia, a do mesmo, ao lado das outras três.

Teeteto — Perfeitamente.

Estrangeiro Como! E o outro, não deverá também ser apresentado como uma quinta idéia? Ou teremos de considerá-lo, e também ao ser, como dois nomes para um único gênero?

Teeteto — Quem sabe?

Estrangeiro — Porém vais concordar agora, me parece, que entre os seres alguns são considerados em si mesmos e outros sempre em suas relações recíprocas.

Teeteto — Como não?

Estrangeiro — Como o outro sempre está em relação com outro.

Teeteto — Certo.

Estrangeiro — O que não se daria, se o ser e o outro não se diferençassem ao máximo. Porque, se o outro participasse das duas idéias, tal como o ser, haveria, por vezes, algum outro que não se relacionasse com nenhum outro. Ora, o que se nos revelou de maneira certíssima foi que não pode haver outro a não ser em relação com outra coisa.

Teeteto — É exatamente como dizes.

Estrangeiro — Então, precisamos admitir a natureza do outro como [255e] a quinta idéia ao lado das que já aceitamos.

Teeteto — Certo.

Estrangeiro — Idéia essa, é o que diremos, que penetra em todas as outras, pois cada uma em separado é diferente das demais, não por sua própria natureza mas por participar da idéia do outro.

Teeteto — Perfeitamente.

XLI — O Hóspede — Então, recapitulemos tudo isso a respeito das cinco, isoladamente consideradas.

Teeteto — Como será?

Estrangeiro — Comecemos pelo movimento, que é de todo em todo diferente do repouso. Ou como diremos?

Teeteto — Isso mesmo.

Estrangeiro — Logo, não é repouso

Teeteto — De jeito nenhum.