Fragmentos de Xenófanes de Colofão
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desde o princípio, de Homero é que todos têm aprendido
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Tanta cousa deram aos deuses Homero e Hesíodo,
tudo quanto para os humanos é ofensa e defeito —
sim, roubar e trair, bem como enganar uns aos outros!
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mesquinho
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se animaria um jovem por uma jovem velando-o
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já declamaram demais ilegítimas obras de deuses —
sim, roubar e trair, bem como enganar uns aos outros!
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mas aos mortais parece que os divinos nascem,
e que tem roupas tais como as suas, e voz e um corpo
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para os etíopes, os deuses são negros e têm nariz chato;
para os trácios, são ruivos e glaucos, tal como dizem
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Mas se tivessem mãos os leões, os bois ou cavalos,
e desenhassem co’as mãos, cumprindo as obras como homens,
eis que os bois como bois e os cavalos iguais a cavalos
desenhariam imagens de deuses, e os corpos fariam
com o mesmo formato do próprio corpo de cada... [5]
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de Éryx
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erguem-se bacos de pinho em torno do denso palácio
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cava
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perto do fogo se deve dizer, na estação do inverno,
já repousando num leito macio, estando bem pleno,
doce vinho bebendo, e ao petiscar grão-de-bico:
“Quem és tu entre os homens? Quantos anos, meu bravo?
Quantos quando o medo chegou?” [5]
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Não do princípio os deuses tudo aos mortais apontaram,
mas com tempo e questionamento melhor se descobre.
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Único deus, o maior entre deuses e entre os humanos,
nem no corpo igual aos mortais tampouco na mente
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todo ele vê, e todo ele pensa, e todo ele ouve
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sempre em mesmo lugar ele jaz, movendo-se nunca,
nem lhe convém se locomover de um local para o outro
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mas sem labor com o cerne da mente ele tudo sacode!
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nem a mulher pode assim carecer de bom senso na mente
para escolher o pior se o mais melhor é presente
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Tudo é pleno do deus: por tudo estão seus ouvidos,
sim, pelas pedras, ao longo da terra e também pelo próprio
homem, seja o que for o que esconda no peito sua mente.
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este o confim da terra: no pé, por cima bem visto,
vem de encontro ao ar, e o abaixo alcança o infinito
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tudo afinal vem da terra, e tudo na terra termina
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fato é que todos nós da água e da terra nascemos
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sim, e nalgumas grutas também derrama-se a água
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e eis que o pélago é fonte da água, é fonte do vento;
pois nas nuvens não nasceria a força do vento
que se assopra de dentro a não ser pelo mar grandioso,
nem o fluxo de rios nem a água chuvosa do éter,
mas é o grande mar genitor das nuvens e ventos, [5]
como dos rios
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quanto ao que chamam de Íris, é nuvem também sua natura,
sendo purpúrea e verde-amarela e vermelha de ver-se
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sol nas alturas hipercorrendo e a terra aquecendo
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terra e água é tudo que nasce, que brota e que cresce
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que ao parecer, essas cousas se aceitem semelhas aos fatos
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tudo quanto se ilustra para os mortais contemplarem
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mel amarelo se o deus não brotasse, eis que diriam
muito mais doces os figos
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cerejeira
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rana
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E o evidente nenhum homem viu, e ninguém será nunca
sábio sobre os deuses e sobre o que conto de tudo;
pois se por sorte, no máximo, diz algo determinado,
sabe igualmente de nada — de tudo se faz parecer.