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O Ingênuo

Voltaire · O Ingênuo

O Ingênuo

(História verdadeira, tirada dos manuscritos do padre Quesnel.)

Voltaire

Apresentação

Nélson Jahr Garcia

“O Ingênuo” se insere na onda de indianismo característica de tantos romances que inundaram a França do século XVIII. De certa forma, contém uma crítica às idéias de J. J. Rousseau sobre o homem natural. Ingênuo é um hurão honesto e sincero, espantado com as ridículas convenções sociais; mas o texto conclui o oposto da concepção rousseauniana de volta à natureza.

A obra revela a peculiar sensibilidade crítica de Voltaire. Ataca o clero católico, principalmente os jesuítas, em relação aos quais nunca escondeu sua ojeriza. O Papa tampouco passa incólume. Nem deixa de ironizar os que se submetiam às normas da Igreja por simples temor ou pelo interesse de obter vantagens.

Há uma diferença na forma de desenvolver as idéias. Voltaire, geralmente, expressou suas concepções através de um humor mordaz, cáustico e irreverente. Não deixou de fazer isso, mas com parcimônia, dando ênfase a um estilo dramático em que se mesclam dor e melancolia.

A respeito da morte da amada de Ingênuo, assim se expressa o autor:

“O terrível silêncio do Ingênuo, seus olhos sombrios, seus lábios trementes, os frêmitos de seu corpo, incutiam, na alma de todos aqueles que o contemplavam, essa mescla de compaixão e terror que encadeia a alma, que impede a palavra e só se manifesta por frases entrecortadas. A dona da casa e sua família haviam acorrido; tremiam de seu desespero, guardavam-no à vista, observavam-lhe todos os movimentos. Já o corpo gelado da bela St. Yves fora carregado para longe dos olhos do Ingênuo, que ainda parecia procurá-la, embora não estivesse em condições de distinguir o que quer que fosse.”

Igualmente dramática é a conclusão a que chega Ingênuo, após ler sobre a História:

“Leu livros de História, que o entristeceram. O mundo lhe pareceu demasiado mau e demasiado miserável. A História, com efeito, não é mais que o quadro dos crimes e das desgraças. A multidão de homens inocentes e pacíficos sempre se apaga nesse vasto cenário. Os principais papéis estão com os ambiciosos e os perversos.”

Sem mudar o conhecido estilo, não perde a irreverência de certas críticas. Sobre o clero menciona, por exemplo, o seguinte:

“O prior, já um tanto avançado em idade, era um excelente eclesiástico, muito amado pelos seus paroquianos, depois de o ter sido outrora pelas suas paroquianas.”

A crítica a certos costumes também não deixa de ser incisiva:

“O Ingênuo, segundo o seu costume, acordou com o sol, ao cantar do galo, que é chamado na Inglaterra e na Hurônia a trombeta do dia. Não era como a gente da alta, que enlanguesce num preguiçoso leito, até que o sol haja feito metade do seu curso, que não pode nem dormir nem levantar-se, que perde tantas horas preciosas nesse estado intermediário entre a vida e a morte, e ainda se queixa de que a vida é demasiado curta.”

Sobre o conhecimento adquirido através de estudos, a ironia é arrasadora, coloca nos lábios do velho Gordon a afirmação:

“Consumi cinqüenta anos em instruir-me – dizia ele consigo – e teimo não poder atingir o natural bom senso deste menino quase selvagem! Parece-me que apenas consegui fortalecer laboriosamente os preconceitos, ao passo que ele só escuta a simples natureza”

Com maiores ou menores mudanças no estilo, é o mesmo Voltaire, o pensador genial que nos leva a meditar sobre nossos hábitos, costumes, religiões e, não raro, a rir deles.

Biografia do Autor

FRANÇOIS-MARIE AROUET , filho de um notário do Châtelet, nasceu em Paris, em 21 de novembro de 1694. Depois de um curso brilhante num colégio de jesuítas, pretendendo dedicar-se à magistratura, pôs-se ao serviço de um procurador. Mais tarde, patrocinado pela sociedade do Templo e em particular por Chaulieu e pelo marquês de la Fare, publicou seus primeiros versos. Em 1717, acusado de ser o autor de um panfleto político, foi preso e encarcerado na Bastilha, de onde saiu seis meses depois, com a Henriade quase terminada e com o esboço do OEdipe. Foi por essa ocasião que ele resolveu adotar o nome de Voltaire. Sua tragédia OEdipe foi representada em 1719 com grande êxito; nos anos seguintes, vieram: Artemise (1720), Marianne (1725) e o Indiscret (1725).

Em 1726, em conseqüência de um incidente com o cavaleiro de Rohan, foi novamente recolhido à Bastilha, de onde só pode sair sob a condição de deixar a França. Foi então para a Inglaterra e aí se dedicou ao estudo da língua e da literatura inglesas. Três anos mais tarde, regressou e publicou Brutus (1730), Eriphyle (1732), Zaïre (1732), La Mort de César (1733) e Adélaïde Duguesclin (1734). Datam da mesma época suas Lettres Philosophiques ou Lettres Anglaises, que provocaram grande escândalo e obrigaram a refugiar-se em Lorena, no castelo de Madame du Châtelet, em cuja companhia viveu até 1749. Aí se entregou ao estudo das ciências e escreveu os Eléments de le Philosophie de Newton (1738), além de Alzire, L’Enfant Prodigue, Mahomet, Mérope, Discours sur l’Homme, etc.

Em 1749, após a morte de Madame du Châtelet, voltou a Paris, já então cheio de glória e conhecido em toda a Europa, e foi para Berlim, onde já estivera alguns anos antes como diplomata. Frederico II conferiu-lhe honras excepcionais e deu-lhe uma pensão de 20.000 francos, acrescendo-lhe assim a fortuna já considerável. Essa amizade, porém, não durou muito: as intrigas e os ciúmes em torno dos escritos de Voltaire obrigaram-no a deixar Berlim em 1753.

Sem poder fixar-se em parte alguma, esteve sucessivamente em Estrasburgo, Colmar, Lyon, Genebra, Nantua; em 1758, adquiriu o domínio de Ferney, na província de Gex e aí passou, então, a residir em companhia de sua sobrinha Madame Denis. Foi durante os vinte anos que assim viveu, cheio de glória e de amigos, que redigiu Candide, Histoire de la Russie sous Pierre le Grand, Histoire du Parlement de Paris, etc., sem contar numerosas peças teatrais.

Em 1778, em sua viagem a Paris, foi entusiasticamente recebido. Morreu no dia 30 de março desse mesmo ano, aos 84 anos de idade.

Capítulo 1

Como a prior de Nossa Senhora da Montanha e a senhorita sua irmã encontraram um hurão.

Um dia S. Dunstan, irlandês de nacionalidade e santo de profissão, partiu da Irlanda a bordo de uma pequena montanha que navegou para as costas da França, indo arribar à baia de Saint-Malo. Depois do que, deu ele a bênção à sua montanha, a qual lhe fez profundas reverências e voltou para a Irlanda pelo mesmo caminho por onde tinha vindo.

Dunstan fundou ali um pequeno priorado, dando-lhe o nome de priorado da Montanha, denominação que ainda hoje conserva, como todos sabem.

Ora, na tarde de 15 de julho de 1689, o abade de Kerkabon, prior de Nossa Senhora da Montanha, passeava à beira-mar com a senhorita de Kerkabon, sua irmã, para tomar a fresca. O prior, já um tanto avançado em idade, era um excelente eclesiástico, muito amado pelos seus paroquianos, depois de o ter sido outrora pelas suas paroquianas. O que lhe valera sobretudo grande consideração é que era o único clérigo da província que não precisava ser carregado para o leito depois de cear com os seus confrades. Sabia muito corretamente a sua teologia e, quando cansado de ler Santo Agostinho, divertia-se com Rabelais: de modo que todos diziam bem dele.

A senhorita de Kerkabon que jamais havia casado, embora vontade não lhe faltasse, ainda não perdera o frescor aos quarenta e cinco anos; boa e sensível de gênio, gostava de divertimentos e era devota.

Dizia o prior à irmã, olhando o mar:

— Ah! foi aqui que embarcou o nosso pobre irmão, com a nossa querida cunhada, a senhora de Kerkabon, sua esposa, na fragata Hirondelle, em 1669, para ir servir no Canadá. Se não o tivessem matado, poderíamos ter a esperança de tornar a vê-lo.

— Acreditas – dizia a senhorita de Kerkabon – que a nossa cunhada tenha sido devorada pelos iroqueses, como nos disseram? É certo que, se não a tivessem comido, teria voltado à sua terra. Hei de chorá-la toda a vida: era uma mulher encantadora; e nosso irmão, que era bastante inteligente, teria feito uma bela fortuna.

Enquanto assim se comoviam a tais lembranças, viram entrar na baía de Rance uma pequena embarcação que chegava com a maré: eram ingleses que vinham vender alguns gêneros de seu país. Saltaram em terra, sem preocupar-se com o senhor prior nem com a senhorita sua irmã, que ficou muito chocada com a desatenção.

Não sucedeu o mesmo com um jovem de excelente compleição que, saltando por cima da cabeça de seus companheiros, veio cair de pé em frente à senhorita. Cumprimentou-a com a cabeça, pois, pelos modos, não aprendera a fazer reverência. Seu aspecto e sua indumentária atraíram os olhares do irmão e da irmã. Tinha a cabeça descoberta, as pernas nuas, longas tranças, pequenas sandálias, e um gibão que lhe modelava o talhe esbelto; e um ar ao mesmo tempo viril e bondoso. Trazia numa das mãos uma pequena garrafa de água de Barbados, e na outra uma espécie de bolsa na qual havia uma caneca e bolachas. Falava francês de um modo bastante inteligível. Ofereceu água de Barbados à senhorita de Kerkabon e ao senhor seu irmão; bebeu com ambos; fê-los beber de novo; e tudo isso com um ar tão simples e natural que o irmão e a irmã ficaram encantados. Ofereceram-lhe seus préstimos, perguntando-lhe quem era e aonde ia. O jovem lhes respondeu. que não sabia ao certo, pois era um simples curioso que quisera saber como eram as costas de França e que, como ali chegara, logo se retiraria.

Julgando, pelo seu acento, que ele não era inglês, tomou o prior a liberdade de lhe perguntar qual o seu país de origem.

— Eu sou hurão – respondeu-lhe o jovem.

A senhorita de Kerkabon, espantada e encantada de ver um hurão que a cumulara de atenções convidou o jovem para jantar; este não se fez de rogado e dirigiram-se os três para o priorado de Nossa Senhora da Montanha.

A miúda e rechonchuda senhorita não tirava dele os seus olhinhos e dizia de vez em quando ao prior:

— Esse rapagão tem uma pele de lírio e rosas! Que bela tez para um hurão!

— Tens razão, minha irmã – dizia o prior.

Ela fazia cem perguntas seguidas, a que o viajante sempre respondia com toda a justeza.

Logo se espalhou o rumor de que havia um hurão no priorado. A alta sociedade do cantão apressou-se em comparecer. O padre de St. Yves veio acompanhado da senhorita sua irmã, jovem baixa-bretã, muito bonita e muito bem educada. O bailio, o recebedor de impostos e suas respectivas mulheres não faltaram à ceia. Colocaram o estrangeiro entre a senhorita de Kerkabon e a senhorita de St. Yves. Todos o olhavam com admiração, todos lhe falavam e interrogavam ao mesmo tempo; o hurão não perdia a compostura. Parecia haver tomado por divisa a de milorde Bolingbroke: nihil admirari. Afinal, cansado de tanto barulho, disse-lhes suavemente, mas com firmeza:

— Senhores, na minha terra fala um depois do outro; como querem que lhes responda, se me impedem de ouvi-los?

A razão sempre faz com que os homens se compenetrem por alguns momentos. Estabeleceu-se um grande silêncio. O senhor bailio, que sempre se apoderava dos estranhos em qualquer parte onde se achasse, e que era o maior perguntador da província, indagou, abrindo uma boca de palmo e meio:

— Como se chama o senhor?

— Sempre me chamaram o Ingênuo, nome este que me foi confirmado na Inglaterra, porque eu sempre digo singelamente o que penso e faço tudo o que quero.

— Mas como, tendo nascido hurão, foi o senhor parar na Inglaterra?

— É que me levaram para lá. Em combate, fui feito prisioneiro pelos ingleses, depois de me haver defendido o mais que pude. E os ingleses, que apreciam a bravura, porque são bravos e tão direitos como os hurões, propuseram-me devolver-me a meus país ou levar-me para a Inglaterra. Aceitei a última oferta, pois gosto imenso de ver terras novas.

— Mas – disse o bailio com o seu tom imponente – como pôde o senhor abandonar assim o seu pai e a sua mãe?

— É que nunca conheci nem pai nem mãe – respondeu o estrangeiro.

Não houve quem não se comovesse, e todos repetiam: Nem pai nem mãe!

— Nós lhe serviremos de pai e mãe – disse a dona da casa ao prior. – Como é interessante esse senhor hurão!

O Ingênuo agradeceu-lhe com uma nobre e altiva cordialidade, e deu-lhe a entender que não tinha necessidade de coisa alguma.

— Vejo, senhor Ingênuo – disse o grave bailio, – que o seu francês é excelente para um hurão.

— Um francês – disse ele que os hurões haviam aprisionado quando eu era pequenino, e a quem dediquei grande amizade, ensinou-me a sua língua; aprendo muito depressa o que quero aprender. Ao chegar em Plymouth, encontrei um desses refugiados franceses a que chamam huguenotes, não sei por quê; fiz com ele alguns progressos no conhecimento de vossa língua e, logo que me pude exprimir inteligivelmente, vim visitar o vosso país, pois aprecio bastante os franceses quando eles não fazem muitas perguntas.

O abade de St. Yves, apesar dessa pequena advertência, perguntou-lhe qual das três línguas preferia: o hurão, o inglês, ou o francês.

— O hurão, sem dúvida nenhuma.

— Será possível? – exclamou a senhorita de Kerkabon. – Eu sempre julguei que o francês fosse a mais bela de todas as línguas, depois do baixo-bretão.

Choveram então as perguntas. Como se dizia fumo em hurão? Taya, respondia o Ingênuo. Como se dizia comer? Essenter, respondia ele. A senhorita de Kerkabon fez absoluta questão de saber como se dizia amar; ele respondeu que isso era trovander, e sustentou, não sem razão, que tais palavras nada ficavam a dever às suas correspondentes em francês e inglês. Trovander pareceu muito bonito a todos os convivas.

O prior, que tinha na biblioteca uma gramática da língua huronesa, que lhe dera de presente o reverendo padre Sérgard-Théodat, recoleto e famoso missionário, retirou-se da mesa um momento, para ir consultá-la. Voltou arquejante de enternecimento e alegria. Reconheceu o Ingênuo como um verdadeiro hurão. Discutiram um pouco sobre a multiplicidade das línguas e chegaram à conclusão de que, se não fora a aventura da torre de Babel, a terra inteira estaria falando francês.

O interrogador bailio, que até então desconfiara um pouco do personagem, começou a considerá-lo com profundo respeito; falou-lhe com mais civilidade que antes, coisa de que o Ingênuo não se apercebeu.

A senhorita de St. Yves estava muito curiosa por saber como se amava na terra dos hurões.

— Praticando belas ações – respondeu ele – para agradar às pessoas que se parecem com a senhorita.

Todos os convivas aplaudiram com admiração. A senhorita de St. Yves enrubesceu, e sentiu-se muito bem. A senhorita de Kerkabon igualmente enrubesceu, mas não se sentiu tão bem, um pouco melindrada de que a galanteria não se dirigisse a ela, mas tinha tão bom coração que isso em nada diminuiu o seu afeto pelo visitante. Perguntou-lhe amavelmente quantas namoradas tivera ele na Hurônia.

— Só tive uma – respondeu o Ingênuo. – Era Abacaba, a boa amiga de minha querida ama; os juncos não eram mais retos, o arminho mais branco, as ovelhas menos macias, as águias menos altivas, e nem os cervos mais rápidos do que Abacaba. Ela perseguia um dia uma lebre pelas vizinhanças, a cerca de cinqüenta léguas da nossa casa. Um algonquino mal educado, que habitava cem léguas além, veto arrebatar-lhe a sua lebre; mal o soube, acorri, derrubei o algonquino com um golpe de maça, amarrei-o e fui depô-lo aos pés de Abacaba. Os pais de Abacaba queriam comê-lo; mas nunca me agradei dessa espécie de festins; restitui-lhe a liberdade e fiz dele um amigo. Abacaba ficou tão impressionada com a minha ação, que me preferiu a todos os seus pretendentes. E ainda me amaria, se não tivesse sido devorada por um urso. Castiguei o urso, usei durante muito tempo a sua pele, mas isso não me consolou.

A senhorita de St. Yves sentia um secreto prazer ao ouvir que o Ingênuo só tivera uma bem-amada e que Abacaba não mais existia; mas não discernia a causa de seu prazer. Todos fixavam os olhos no Ingênuo; louvavam-no muito por não haver permitido que os seus camaradas comessem um algonquino.

O implacável bailio, incapaz de reprimir o seu furor inquisitivo, levou a curiosidade ao ponto de se informar qual era a religião do senhor hurão; se havia escolhido a religião anglicana, ou a galicana, ou a huguenote.

Eu sou da minha religião – disse ele – como o senhor é da sua.

— Ah! – exclamou a Kerkabon – bem se vê que esses engraçados ingleses nem ao menos pensaram em batizá-lo-

— Meu Deus! – dizia a senhorita de St. Yves – como é possível que os hurões não sejam católicos? Será que os RR.PP jesuítas não os converteram a todos?

O Ingênuo assegurou que na sua terra não se convertia ninguém; que nunca um verdadeiro hurão mudara de idéias, e que na sua língua nem sequer havia um termo que significasse inconstância. Estas últimas palavras agradaram extremamente à senhorita de St. Yves.

— Nós o batizaremos, nós o batizaremos – dizia a Kerkabon ao prior; – há de caber-te essa honra, meu caro irmão; faço questão de ser sua madrinha; o senhor de St. Yves o levará à pia; será uma brilhante cerimônia, de que se falará em toda a Baixa Bretanha, o que nos trará grandes honras. Toda a companhia secundou a dona da casa; todos os convivas gritavam:

— Nós o batizaremos!

O Ingênuo respondeu que na Inglaterra deixavam a gente viver como bem quisesse. Deu a entender que a proposta não lhe agradava absolutamente, e que a lei dos hurões valia pelo menos a lei dos baixo-bretões; enfim, disse que iria embora no dia seguinte. Acabaram de esvaziar a sua garrafa de água de Barbados e foram deitar-se.

Depois que o Ingênuo se recolheu ao quarto, a senhorita de Kerkabon e sua amiga a senhorita de St. Yves não puderam deixar de espiar pelo buraco da fechadura, para ver como dormia um hurão. Viram que havia estendido a roupa do leito no soalho e que repousava na mais bela atitude do mundo.