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O Sofista (Interlinear Português–Grego)

Platão · Parte 240

[240]

PT-BR: Quando lhe deres semelhante resposta e lhe falares em imagens de espelho ou em esculturas, meterá a riso o que disseres, como se estivesses falando com quem enxerga; iria, até,

GRC: ΞΕ. τὴν ἀπόκρισιν ὅταν οὕτως αὐτῷ διδῷς ἐὰν ἐν κατόπτροις ἢ πλάσμασι λέγῃς τι, καταγελάσεταί σου τῶν λόγων, ὅταν ὡς βλέποντι λέγῃς αὐτῷ, προσποιούμενος οὔτε κάτοπτρα

[240a]

PT-BR: a ponto de simular que nada conhece de espelhos nem de água nem da própria vista, para insistir apenas no que se pode tirar de quanto acabaste de enumerar. Teeteto — Que será? Estrangeiro — O que há de comum a tudo o que mencionaste como múltiplo e que te aprouve designar por um único nome, quando te referiste a imagem, como se todas aquelas coisas fossem apenas uma única. Fala, pois, e defende-te, sem ceder ao homem nenhum pedacinho de terreno. Teeteto — Que mais, hóspede, poderemos dizer que seja imagem, se não for outra coisa tirada da verdadeira? Estrangeiro — E se essa outra coisa também é verdadeira,

GRC: οὔτε ὕδατα γιγνώσκειν οὔτε τὸ παράπαν ὄψιν, τὸ δʼ ἐκ τῶν λόγων ἐρωτήσει σε μόνον. ΘΕΑΙ. ποῖον; ΞΕ. τὸ διὰ πάντων τούτων ἃ πολλὰ εἰπὼν ἠξίωσας ἑνὶ προσειπεῖν ὀνόματι φθεγξάμενος εἴδωλον ἐπὶ πᾶσιν ὡς ἓν ὄν. λέγε οὖν καὶ ἀμύνου μηδὲν ὑποχωρῶν τὸν ἄνδρα. ΘΕΑΙ. τί δῆτα, ὦ ξένε, εἴδωλον ἂν φαῖμεν εἶναι πλήν γε τὸ πρὸς τἀληθινὸν ἀφωμοιωμένον ἕτερον τοιοῦτον; ΞΕ. ἕτερον δὲ λέγεις τοιοῦτον ἀληθινόν, ἢ ἐπὶ τίνι τὸ

[240b]

PT-BR: por que razão a denominas outra? Teeteto — Verdadeira não será, porém semelhante. Estrangeiro — E por verdadeiro não entendes o que realmente existe? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E agora: o não verdadeiro não é o oposto do verdadeiro? Teeteto — Exato. Estrangeiro — Sendo assim, o semelhante não existe, já que o consideras não verdadeiro. Teeteto — Não; de certo modo, existe. Estrangeiro — Porém não verdadeiramente, conforme declaraste. Teeteto — De fato; apenas como imagem. Estrangeiro — Logo, muito embora realmente não exista, ele é realmente o que denominamos imagem. Teeteto — Só parece que o ser e o não-ser se deixaram enredar na mais estranha complicação. Estrangeiro — Como não há de ser estranha? De qualquer forma, já percebeste que com essas mudanças rápidas nosso sofista de cem cabeças nos obrigou a admitir que de alguma forma o não-ser existe. Teeteto — Percebi muito bem. Estrangeiro — E depois? Como definiremos sua arte, sem ficarmos incoerentes? Teeteto — Ora! De que tens medo, para falares desse modo? Estrangeiro — Ao dizermos que ele nos engana com fantasmas e possui uma arte ilusória, queríamos entender, provavelmente, que com sua arte nossa alma se nutre de opiniões falsas. Ou que diremos? Teeteto — Isso mesmo; que mais poderá ser? Estrangeiro — Porém, formar opinião falsa é pensar o contrário do que realmente existe. Ou como será? Teeteto — O contrário disso. Estrangeiro — Então, admites que opinião falsa é pensamento do que não existe. Teeteto — Necessariamente. Estrangeiro — E como te parece: o que não existe, não existe mesmo, ou de algum jeito existirá o que de nenhum modo existe? Teeteto — Por força, o não-ser terá de existir de algum modo, se tivermos de aceitar, embora em grau mínimo, a possibilidade do erro. Estrangeiro — E agora: não admitirás, também, que o que não existe absolutamente, existe de maneira absoluta? Teeteto — Admito. Estrangeiro — E que isso também é falso? Teeteto — Também. Estrangeiro —

GRC: τοιοῦτον εἶπες; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς ἀληθινόν γε, ἀλλʼ ἐοικὸς μέν. ΞΕ. ἆρα τὸ ἀληθινὸν ὄντως ὂν λέγων; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. τί δέ; τὸ μὴ ἀληθινὸν ἆρʼ ἐναντίον ἀληθοῦς; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. οὐκ ὄντως οὐκ ὂν ἄρα λέγεις τὸ ἐοικός, εἴπερ αὐτό γε μὴ ἀληθινὸν ἐρεῖς. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ ἔστι γε μήν πως. ΞΕ. οὔκουν ἀληθῶς γε, φῄς. ΘΕΑΙ. οὐ γὰρ οὖν· πλήν γʼ εἰκὼν ὄντως. ΞΕ. οὐκ ὂν ἄρα οὐκ ὄντως ἐστὶν ὄντως ἣν λέγομεν εἰκόνα; ΘΕΑΙ. κινδυνεύει τοιαύτην τινὰ πεπλέχθαι συμπλοκὴν τὸ μὴ ὂν τῷ ὄντι, καὶ μάλα ἄτοπον. ΞΕ. πῶς γὰρ οὐκ ἄτοπον; ὁρᾷς γοῦν ὅτι καὶ νῦν διὰ τῆς ἐπαλλάξεως ταύτης ὁ πολυκέφαλος σοφιστὴς ἠνάγκακεν ἡμᾶς τὸ μὴ ὂν οὐχ ἑκόντας ὁμολογεῖν εἶναί πως. ΘΕΑΙ. ὁρῶ καὶ μάλα. ΞΕ. τί δὲ δή; τὴν τέχνην αὐτοῦ τίνα ἀφορίσαντες ἡμῖν αὐτοῖς συμφωνεῖν οἷοί τε ἐσόμεθα; ΘΕΑΙ. πῇ καὶ τὸ ποῖόν τι φοβούμενος οὕτω λέγεις; ΞΕ. ὅταν περὶ τὸ φάντασμα αὐτὸν ἀπατᾶν φῶμεν καὶ τὴν τέχνην εἶναί τινα ἀπατητικὴν αὐτοῦ, τότε πότερον ψευδῆ δοξάζειν τὴν ψυχὴν ἡμῶν φήσομεν ὑπὸ τῆς ἐκείνου τέχνης, ἢ τί ποτʼ ἐροῦμεν; ΘΕΑΙ. τοῦτο· τί γὰρ ἂν ἄλλο εἴπαιμεν; ΞΕ. ψευδὴς δʼ αὖ δόξα ἔσται τἀναντία τοῖς οὖσι δοξάζουσα, ἢ πῶς; ΘΕΑΙ. οὕτως· τἀναντία. ΞΕ. λέγεις ἄρα τὰ μὴ ὄντα δοξάζειν τὴν ψευδῆ δόξαν; ΘΕΑΙ. ἀνάγκη. ΞΕ. πότερον μὴ εἶναι τὰ μὴ ὄντα δοξάζουσαν, ἤ πως εἶναι τὰ μηδαμῶς ὄντα; ΘΕΑΙ. εἶναί πως τὰ μὴ ὄντα δεῖ γε, εἴπερ ψεύσεταί ποτέ τίς τι καὶ κατὰ βραχύ. ΞΕ. τί δʼ; οὐ καὶ μηδαμῶς εἶναι τὰ πάντως ὄντα δοξάζεται; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τοῦτο δὴ ψεῦδος; ΘΕΑΙ. καὶ τοῦτο.