O Sofista, Interlinear em Português e Grego
Para a vossa comodidade no estudo do idioma grego, trago esta versão interlinear do livro O Sofista (Σοφιστής), comparando grego com português, seguindo a numeração de Stephanus. Vali-me de duas versões de domínio público para criar esta edição: a tradução de O Dialético (Thiago Maia), via eBooksBrasil.org, e o texto grego editado por John Burnet (1905), via Perseus Digital Library.
O alinhamento entre os dois idiomas foi feito de forma algorítmica, por posição proporcional dentro de cada trecho, não por conferência humana palavra a palavra. No grego, a numeração Stephanus é mais fina do que a marcada na tradução portuguesa, de modo que cada bloco grego cobre por vezes mais de uma subdivisão (a-e). Trate a posição exata dos marcadores como aproximada, não filológica.
Diaphoreus (Διαφορεύς)
[216]
PT-BR: Fiéis, Sócrates, à nossa combinação de ontem, aqui estamos na melhor ordem. Trouxemos conosco este Estrangeiro, natural de Eléia; é amigo dos discípulos de Parmênides e de Zenão, e filósofo de grande merecimento. Sócrates — Não se dará o caso, Teodoro, de, sem o saberes, teres trazido um dos deuses em vez de um
GRC: ΘΕΟ. κατὰ τὴν χθὲς ὁμολογίαν, ὦ Σώκρατες, ἥκομεν αὐτοί τε κοσμίως καὶ τόνδε τινὰ ξένον ἄγομεν, τὸ μὲν γένος ἐξ Ἐλέας, ἑταῖρον δὲ τῶν ἀμφὶ Παρμενίδην καὶ Ζήνωνα ἑταίρων, μάλα δὲ ἄνδρα φιλόσοφον. ΣΩ. ἆρʼ οὖν, ὦ Θεόδωρε, οὐ ξένον ἀλλά τινα θεὸν ἄγων κατὰ τὸν Ὁμήρου λόγον λέληθας; ὅς φησιν ἄλλους
[216b]
PT-BR: Estrangeiro, segundo aquilo de Homero, quando diz que, de regra, os deuses, e particularmente o que preside à hospitalidade, acompanham os cultores da justiça, para observarem o orgulho ou a eqüidade dos homens? Quem sabe se não veio contigo uma dessas divindades, para surpreender-nos e refutar-nos — argumentadores tão fracos todos nós — algum deus disputador? Teodoro — Não, Sócrates; não é do caráter do nosso Estrangeiro; ele é mais modesto do que todos esses amantes de discussões. Não acho, absolutamente, que o homem seja alguma divindade. Porém divino
GRC: τε θεοὺς τοῖς ἀνθρώποις ὁπόσοι μετέχουσιν αἰδοῦς δικαίας, καὶ δὴ καὶ τὸν ξένιον οὐχ ἥκιστα θεὸν συνοπαδὸν γιγνόμενον ὕβρεις τε καὶ εὐνομίας τῶν ἀνθρώπων καθορᾶν. τάχʼ οὖν ἂν καὶ σοί τις οὗτος τῶν κρειττόνων συνέποιτο, φαύλους ἡμᾶς ὄντας ἐν τοῖς λόγοις ἐποψόμενός τε καὶ ἐλέγξων, θεὸς ὤν τις ἐλεγκτικός. ΘΕΟ. οὐχ οὗτος ὁ τρόπος, ὦ Σώκρατες, τοῦ ξένου, ἀλλὰ μετριώτερος τῶν περὶ τὰς ἔριδας ἐσπουδακότων. καί μοι δοκεῖ θεὸς μὲν ἁνὴρ οὐδαμῶς εἶναι, θεῖος μήν· πάντας
[216c]
PT-BR: terá de ser, sem dúvida; não é outro o qualificativo que costumo dar aos filósofos. Sócrates — E com razão, amigo. Porém talvez a raça dos filósofos não seja, por assim dizer, muito mais fácil de conhecer do que a dos deuses. Em virtude da ignorância da maioria, esses varões percorrem as cidades sob as mais variadas aparências, contemplando, sobranceiros, a vida cá de baixo. Não me refiro aos pretensos filósofos, porém aos de verdade. Aos olhos de algumas pessoas, eles carecem em absoluto de merecimento; para outros, são dignos de toda a consideração. Ora se apresentam como
GRC: γὰρ ἐγὼ τοὺς φιλοσόφους τοιούτους προσαγορεύω. ΣΩ. καὶ καλῶς γε, ὦ φίλε. τοῦτο μέντοι κινδυνεύει τὸ γένος οὐ πολύ τι ῥᾷον ὡς ἔπος εἰπεῖν εἶναι διακρίνειν ἢ τὸ τοῦ θεοῦ· πάνυ γὰρ ἇνδρες οὗτοι παντοῖοι φανταζόμενοι διὰ τὴν τῶν ἄλλων ἄγνοιαν ἐπιστρωφῶσι πόληαςHom. Od. 17.485-7, οἱ μὴ πλαστῶς ἀλλʼ ὄντως φιλόσοφοι, καθορῶντες ὑψόθεν τὸν τῶν κάτω βίον, καὶ τοῖς μὲν δοκοῦσιν εἶναι τοῦ μηδενὸς τίμιοι, τοῖς δʼ ἄξιοι τοῦ παντός· καὶ τοτὲ μὲν πολιτικοὶ
[216d]
PT-BR: políticos, ora como sofistas, havendo, até, quem dê a impressão de ser completamente louco. Por isso mesmo, gostaria de perguntar ao nosso Estrangeiro, caso nada tenha a opor, como pensam a esse respeito lá por suas
GRC: φαντάζονται, τοτὲ δὲ σοφισταί, τοτὲ δʼ ἔστιν οἷς δόξαν παράσχοιντʼ ἂν ὡς παντάπασιν ἔχοντες μανικῶς. τοῦ μέντοι ξένου ἡμῖν ἡδέως ἂν πυνθανοίμην, εἰ φίλον αὐτῷ, τί ταῦθʼ
[217]
PT-BR: bandas
GRC:
[217a]
PT-BR: e como os denominam. Teodoro — A que te referes? Sócrates — Sofista, político, filósofo. Teodoro — Mas, ao certo, de que se trata, que te deixa tão alvoroçado, para interrogá-lo desse modo? Sócrates — É o seguinte: desejo saber se seus compatriotas os classificam num só gênero ou em dois; ou ainda, visto tratar-se de três nomes, se atribuem um gênero diferente para cada nome? Teodoro — A meu ver, ele não se esquivará de elucidar-nos esse ponto. Ou que diremos, Estrangeiro? Estrangeiro — Isso mesmo, Teodoro. Não me negarei, absolutamente, nem há dificuldade em dizer que os distribuem em três gêneros. Porém definir com exatidão o que venha a ser cada um, não é tarefa pequena nem fácil. Teodoro — Nem de propósito, Sócrates; sugeres um tema assaz parecido com o assunto sobre que o interrogamos pouco antes de virmos para cá. Suas desculpas de agora são em tudo iguais às que nos apresentou, conquanto admitisse que sobre isso já ouvira muitas discussões e que nada havia esquecido de quanto conversara. II — Sócrates — Sendo assim, Estrangeiro, não te es[cuse]s * de satisfazer ao nosso primeiro pedido. Diz-nos apenas se, por uma questão de hábito, preferes desenvolver num discurso corrido o tema que te propões apresentar, ou seguir o método de perguntas, a exemplo do outrora fez Parmênides na minha presença? Foi uma discussão memorável; nesse tempo, eu era muito moço e ele já de idade avançada. Estrangeiro — Quando se acha, Sócrates, um interlocutor
GRC: οἱ περὶ τὸν ἐκεῖ τόπον ἡγοῦντο καὶ ὠνόμαζον. ΘΕΟ. τὰ ποῖα δή; ΣΩ. σοφιστήν, πολιτικόν, φιλόσοφον. ΘΕΟ. τί δὲ μάλιστα καὶ τὸ ποῖόν τι περὶ αὐτῶν διαπορηθεὶς ἐρέσθαι διενοήθης; ΣΩ. τόδε· πότερον ἓν πάντα ταῦτα ἐνόμιζον ἢ δύο, ἢ καθάπερ τὰ ὀνόματα τρία, τρία καὶ τὰ γένη διαιρούμενοι καθʼ ἓν ὄνομα γένος ἑκάστῳ προσῆπτον; ΘΕΟ. ἀλλʼ οὐδείς, ὡς ἐγᾦμαι, φθόνος αὐτῷ διελθεῖν αὐτά· ἢ πῶς, ὦ ξένε, λέγωμεν; ΞΕ. οὕτως, ὦ Θεόδωρε. φθόνος μὲν γὰρ οὐδεὶς οὐδὲ χαλεπὸν εἰπεῖν ὅτι γε τρίʼ ἡγοῦντο· καθʼ ἕκαστον μὴν διορίσασθαι σαφῶς τί ποτʼ ἔστιν, οὐ σμικρὸν οὐδὲ ῥᾴδιον ἔργον. ΘΕΟ. καὶ μὲν δὴ κατὰ τύχην γε, ὦ Σώκρατες, λόγων ἐπελάβου παραπλησίων ὧν καὶ πρὶν ἡμᾶς δεῦρʼ ἐλθεῖν διερωτῶντες αὐτὸν ἐτυγχάνομεν, ὁ δὲ ταὐτὰ ἅπερ πρὸς σὲ νῦν καὶ τότε ἐσκήπτετο πρὸς ἡμᾶς· ἐπεὶ διακηκοέναι γέ φησιν ἱκανῶς καὶ οὐκ ἀμνημονεῖν. ΣΩ. μὴ τοίνυν, ὦ ξένε, ἡμῶν τήν γε πρώτην αἰτησάντων χάριν ἀπαρνηθεὶς γένῃ, τοσόνδε δʼ ἡμῖν φράζε. πότερον εἴωθας ἥδιον αὐτὸς ἐπὶ σαυτοῦ μακρῷ λόγῳ διεξιέναι λέγων τοῦτο ὃ ἂν ἐνδείξασθαί τῳ βουληθῇς, ἢ διʼ ἐρωτήσεων, οἷόν ποτε καὶ Παρμενίδῃ χρωμένῳ καὶ διεξιόντι λόγους παγκάλους παρεγενόμην ἐγὼ νέος ὤν, ἐκείνου μάλα δὴ τότε ὄντος πρεσβύτου;
[217d]
PT-BR: dócil e complacente, é mais agradável o diálogo; não sendo isso possível, será melhor falar apenas um. Sócrates — Depende de ti convidar dentre os presentes quem te aprouver; todos te ouvirão de muito bom grado. Porém se me aceitares um conselho, sugiro escolheres um dos jovens, Teeteto, por exemplo, ou quem julgares mais indicado. Estrangeiro — Sinto-me acanhado, Sócrates, por ser a primeira vez que falo convosco, de medo de não poder sustentar um diálogo de períodos curtos, em que os interlocutores se alternem, e de alongar-me numa fala estirada como em solilóquio, ou então conversar com
GRC: ΞΕ. τῷ μέν, ὦ Σώκρατες, ἀλύπως τε καὶ εὐηνίως προσδιαλεγομένῳ ῥᾷον οὕτω, τὸ πρὸς ἄλλον· εἰ δὲ μή, τὸ καθʼ αὑτόν. ΣΩ. ἔξεστι τοίνυν τῶν παρόντων ὃν ἂν βουληθῇς ἐκλέξασθαι, πάντες γὰρ ὑπακούσονταί σοι πρᾴως· συμβούλῳ μὴν ἐμοὶ χρώμενος τῶν νέων τινὰ αἱρήσῃ, Θεαίτητον τόνδε, ἢ καὶ τῶν ἄλλων εἴ τίς σοι κατὰ νοῦν. ΞΕ. ὦ Σώκρατες, αἰδώς τίς μʼ ἔχει τὸ νῦν πρῶτον συγγενόμενον ὑμῖν μὴ κατὰ σμικρὸν ἔπος πρὸς ἔπος ποιεῖσθαι
[217e]
PT-BR: meu parceiro como se estivesse nalguma exibição pública. A verdade é que, formulada nesses termos, semelhante questão não exige resposta concisa, porém mui longa explanação. Por outro lado, esquivar-me a tão amável convite, teu e dos demais presentes, máxime depois do que disseste, seria revelar rusticidade de todo em todo destoante do vosso bom
GRC: τὴν συνουσίαν, ἀλλʼ ἐκτείναντα ἀπομηκύνειν λόγον συχνὸν κατʼ ἐμαυτόν, εἴτε καὶ πρὸς ἕτερον, οἷον ἐπίδειξιν ποιούμενον· τῷ γὰρ ὄντι τὸ νῦν ῥηθὲν οὐχ ὅσον ὧδε ἐρωτηθὲν ἐλπίσειεν ἂν αὐτὸ εἶναί τις, ἀλλὰ τυγχάνει λόγου παμμήκους ὄν. τὸ δὲ αὖ σοὶ μὴ χαρίζεσθαι καὶ τοῖσδε, ἄλλως τε καὶ σοῦ λέξαντος ὡς εἶπες, ἄξενόν τι καταφαίνεταί μοι καὶ
[218]
PT-BR:
GRC:
[218a]
PT-BR: acolhimento. Folgo imenso por ter Teeteto como companheiro nesse diálogo, tanto mais que já conversamos antes e tu agora o recomendas. Teeteto — Resta saber, Estrangeiro, se essa escolha será do agrado de todos, como Sócrates imagina. Estrangeiro — A meu ver, Teeteto, a esse respeito já não há o que discutir. Daqui por diante, como parece, contigo é que terei de dialogar; se te for molesto o tamanho do meu discurso, não te queixes a mim, senão de teus próprios camaradas. Teeteto — Não creio que possas fatigar-me; porém se tal acontecer, chamarei em meu auxilio este outro Sócrates, homônimo de Sócrates, meu coetâneo e companheiro de ginásio; já estamos habituados a trabalhar juntos. III — Estrangeiro — Belas palavras; porém sobre isso tu mesmo resolverás no decorrer de nossa discussão. No momento, o que importa é te associares comigo para darmos início ao nosso estudo, a começar, segundo penso, pelo sofista; investiguemo-lo
GRC: ἄγριον. ἐπεὶ Θεαίτητόν γε τὸν προσδιαλεγόμενον εἶναι δέχομαι παντάπασιν ἐξ ὧν αὐτός τε πρότερον διείλεγμαι καὶ σὺ τὰ νῦν μοι διακελεύῃ. ΘΕΑΙ. δρᾶ τοίνυν, ὦ ξένε, οὕτω καὶ καθάπερ εἶπε Σωκράτης πᾶσιν κεχαρισμένος ἔσῃ. ΞΕ. κινδυνεύει πρὸς μὲν ταῦτα οὐδὲν ἔτι λεκτέον εἶναι, Θεαίτητε· πρὸς δὲ σὲ ἤδη τὸ μετὰ τοῦτο, ὡς ἔοικε, γίγνοιτο ἂν ὁ λόγος. ἂν δʼ ἄρα τι τῷ μήκει πονῶν ἄχθῃ, μὴ ἐμὲ αἰτιᾶσθαι τούτων, ἀλλὰ τούσδε τοὺς σοὺς ἑταίρους. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ οἶμαι μὲν δὴ νῦν οὕτως οὐκ ἀπερεῖν· ἂν δʼ ἄρα τι τοιοῦτον γίγνηται, καὶ τόνδε παραληψόμεθα Σωκράτη, τὸν Σωκράτους μὲν ὁμώνυμον, ἐμὸν δὲ ἡλικιώτην καὶ συγγυμναστήν, ᾧ συνδιαπονεῖν μετʼ ἐμοῦ τὰ πολλὰ οὐκ ἄηθες. ΞΕ. εὖ λέγεις, καὶ ταῦτα μὲν ἰδίᾳ βουλεύσῃ προϊόντος τοῦ λόγου· κοινῇ δὲ μετʼ ἐμοῦ σοι συσκεπτέον ἀρχομένῳ πρῶτον, ὡς ἐμοὶ φαίνεται, νῦν ἀπὸ τοῦ σοφιστοῦ, ζητοῦντι
[218c]
PT-BR: e mostremos com nossa análise o que ele venha a ser. Por enquanto, eu e tu apenas num ponto estamos de acordo: o nome. Mas, quanto à coisa designada por esse nome, talvez cada um de nós faça idéia diferente. Porém em toda discussão o que importa, antes de tudo, é ficar em concordância com relação à própria coisa, por meio da explicação adequada, não apenas a respeito do nome, sem aquela explicação. A tribo dos sofistas que nos dispomos a investigar, não é fácil de definir. Mas para levar a bom termo empresas grandes, segundo preceito antigo de aceitação geral, só será de vantagem experimentar antes as forças em
GRC: καὶ ἐμφανίζοντι λόγῳ τί ποτʼ ἔστι. νῦν γὰρ δὴ σύ τε κἀγὼ τούτου πέρι τοὔνομα μόνον ἔχομεν κοινῇ, τὸ δὲ ἔργον ἐφʼ ᾧ καλοῦμεν ἑκάτερος τάχʼ ἂν ἰδίᾳ παρʼ ἡμῖν αὐτοῖς ἔχοιμεν· δεῖ δὲ ἀεὶ παντὸς πέρι τὸ πρᾶγμα αὐτὸ μᾶλλον διὰ λόγων ἢ τοὔνομα μόνον συνωμολογῆσθαι χωρὶς λόγου. τὸ δὲ φῦλον ὃ νῦν ἐπινοοῦμεν ζητεῖν οὐ πάντων ῥᾷστον συλλαβεῖν τί ποτʼ ἔστιν, ὁ σοφιστής· ὅσα δʼ αὖ τῶν μεγάλων δεῖ διαπονεῖσθαι καλῶς, περὶ τῶν τοιούτων δέδοκται πᾶσιν καὶ πάλαι
[218d]
PT-BR: temas menores e mais fáceis, e só depois passar para os maiores. Por isso, Teeteto, o que na presente situação sugiro para nós dois, já que reconhecemos ser difícil e trabalhosa a raça dos sofistas, é nos exercitarmos primeiro nalgum tema simples, a menos que te ocorra indicar um caminho mais cômodo. Teeteto – Não; nada me ocorre nesse sentido. Estrangeiro — Concordas, então, em escolhermos um exemplo singelo e apresentá-lo como modelo para o maior? Teeteto — Concordo. Estrangeiro — Que assunto, pois, escolheremos, simples, a um tempo, e fácil de conhecer, mas cuja explicação não exija menor número de características do que temas importantes? O do pescador, talvez? Não é assunto bastante conhecido e não nos merece a maior atenção? Teeteto –
GRC: τὸ πρότερον ἐν σμικροῖς καὶ ῥᾴοσιν αὐτὰ δεῖν μελετᾶν, πρὶν ἐν αὐτοῖς τοῖς μεγίστοις. νῦν οὖν, ὦ Θεαίτητε, ἔγωγε καὶ νῷν οὕτω συμβουλεύω, χαλεπὸν καὶ δυσθήρευτον ἡγησαμένοις εἶναι τὸ τοῦ σοφιστοῦ γένος πρότερον ἐν ἄλλῳ ῥᾴονι τὴν μέθοδον αὐτοῦ προμελετᾶν, εἰ μὴ σύ ποθεν εὐπετεστέραν ἔχεις εἰπεῖν ἄλλην ὁδόν. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ οὐκ ἔχω. ΞΕ. βούλει δῆτα περί τινος τῶν φαύλων μετιόντες πειραθῶμεν παράδειγμα αὐτὸ θέσθαι τοῦ μείζονος; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τί δῆτα προταξαίμεθʼ ἂν εὔγνωστον μὲν καὶ σμικρόν, λόγον δὲ μηδενὸς ἐλάττονα ἔχον τῶν μειζόνων; οἷον ἀσπαλιευτής· ἆρʼ οὐ πᾶσί τε γνώριμον καὶ σπουδῆς οὐ πάνυ τι πολλῆς τινος ἐπάξιον;
[219]
PT-BR: Isso mesmo.
GRC: ΘΕΑΙ. οὕτως.
[219a]
PT-BR: Estrangeiro – Espero que nos aponte o caminho procurado e propicie a definição mais condizente com o nosso intento. Teeteto – Seria ótimo. IV — Estrangeiro — Pois então comecemos por aí. Dizei-me uma coisa: como devemos concebê-lo: é artista ou sujeito carecente de arte, porém dotado de alguma outra capacidade? Teeteto – De jeito nenhum poderá ser carecente de arte. Estrangeiro – Mas todas as artes se reduzem a duas espécies. Teeteto – Como assim? Estrangeiro – A agricultura e tudo o que trata do corpo mortal; depois, tudo o que se relaciona com os objetos compostos e manipulados, a que damos
GRC: ΞΕ. μέθοδον μὴν αὐτὸν ἐλπίζω καὶ λόγον οὐκ ἀνεπιτήδειον ἡμῖν ἔχειν πρὸς ὃ βουλόμεθα. ΘΕΑΙ. καλῶς ἂν ἔχοι. ΞΕ. φέρε δή, τῇδε ἀρχώμεθα αὐτοῦ. καί μοι λέγε· πότερον ὡς τεχνίτην αὐτὸν ἤ τινα ἄτεχνον, ἄλλην δὲ δύναμιν ἔχοντα θήσομεν; ΘΕΑΙ. ἥκιστά γε ἄτεχνον. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν τῶν γε τεχνῶν πασῶν σχεδὸν εἴδη δύο. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. γεωργία μὲν καὶ ὅση περὶ τὸ θνητὸν πᾶν σῶμα θεραπεία, τό τε αὖ περὶ τὸ σύνθετον καὶ πλαστόν, ὃ δὴ
[219b]
PT-BR: o nome de utensílios; e, por último, a imitação: não será justo designar tudo isso por um único nome? Teeteto – Como assim, e que nome será? Estrangeiro – Damos o nome de produtor a quem traz para a existência o que antes não existia, como denominamos produto o que passa a existir em cada caso particular. Teeteto – Certo. Estrangeiro – Então, designemos tudo aquilo por um nome único: serão as artes produtivas. Teeteto – Seja. Estrangeiro – Depois dessas, vem a classe inteira das artes da aprendizagem e do conhecimento, as do ganho, a da luta e a da caça, as quais nada fabricam, mas que, por meio da palavra ou da ação, procuram apropriar-se do que existe ou foi produzido, ou impedir que outros se apropriem. O nome genérico mais indicado para todas essas atividades seria o de arte aquisitiva. Teeteto – Sem dúvida. V — Estrangeiro – Ora, uma vez que todas as artes ou são criadora ou
GRC: σκεῦος ὠνομάκαμεν, ἥ τε μιμητική, σύμπαντα ταῦτα δικαιότατʼ ἂν ἑνὶ προσαγορεύοιτʼ ἂν ὀνόματι. ΘΕΑΙ. πῶς καὶ τίνι; ΞΕ. πᾶν ὅπερ ἂν μὴ πρότερόν τις ὂν ὕστερον εἰς οὐσίαν ἄγῃ, τὸν μὲν ἄγοντα ποιεῖν, τὸ δὲ ἀγόμενον ποιεῖσθαί πού φαμεν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. τὰ δέ γε νυνδὴ ἃ διήλθομεν ἅπαντα εἶχεν εἰς τοῦτο τὴν αὑτῶν δύναμιν. ΘΕΑΙ. εἶχε γὰρ οὖν. ΞΕ. ποιητικὴν τοίνυν αὐτὰ συγκεφαλαιωσάμενοι προσείπωμεν. ΘΕΑΙ. ἔστω. ΞΕ. τὸ δὴ μαθηματικὸν αὖ μετὰ τοῦτο εἶδος ὅλον καὶ τὸ τῆς γνωρίσεως τό τε χρηματιστικὸν καὶ ἀγωνιστικὸν καὶ θηρευτικόν, ἐπειδὴ δημιουργεῖ μὲν οὐδὲν τούτων, τὰ δὲ ὄντα καὶ γεγονότα τὰ μὲν χειροῦται λόγοις καὶ πράξεσι, τὰ δὲ τοῖς χειρουμένοις οὐκ ἐπιτρέπει, μάλιστʼ ἄν που διὰ ταῦτα συνάπαντα τὰ μέρη τέχνη τις κτητικὴ λεχθεῖσα ἂν διαπρέψειεν. ΘΕΑΙ. ναί· πρέποι γὰρ ἄν.
[219d]
PT-BR: aquisitivas, em que classe, Teeteto, colocaremos a do pescador? Teeteto – Na aquisitiva, é claro. Estrangeiro – Porém não há duas modalidades de aquisição? De um lado, temos a troca, sempre voluntária, por meio de presentes, locação e compra; do outro, tudo o que visa à captura por meio da ação ou da palavra: a arte da captura. Teeteto – Ë o que se conclui do que acabaste de expor. Estrangeiro – E então? Captura, por sua vez, não pode se subdividida? Teeteto – De que jeito? Estrangeiro – Classificando no gênero da luta tudo o que é feito a descoberto,
GRC: ΞΕ. κτητικῆς δὴ καὶ ποιητικῆς συμπασῶν οὐσῶν τῶν τεχνῶν ἐν ποτέρᾳ τὴν ἀσπαλιευτικήν, ὦ Θεαίτητε, τιθῶμεν; ΘΕΑΙ. ἐν κτητικῇ που δῆλον. ΞΕ. κτητικῆς δὲ ἆρʼ οὐ δύο εἴδη; τὸ μὲν ἑκόντων πρὸς ἑκόντας μεταβλητικὸν ὂν διά τε δωρεῶν καὶ μισθώσεων καὶ ἀγοράσεων, τὸ δὲ λοιπόν, ἢ κατʼ ἔργα ἢ κατὰ λόγους χειρούμενον σύμπαν, χειρωτικὸν ἂν εἴη; ΘΕΑΙ. φαίνεται γοῦν ἐκ τῶν εἰρημένων. ΞΕ. τί δέ; τὴν χειρωτικὴν ἆρʼ οὐ διχῇ τμητέον; ΘΕΑΙ. πῇ;
[219e]
PT-BR: e no da caça o que for a ocultas. Teeteto – Bem. Estrangeiro — Porém seria ilógico não dividir também em dois a arte venatória. Teeteto – Então, explica o modo. Estrangeiro – De um lado, a caça de objetos sem vida, e, do outro, a dos seres animados. Teeteto – E por que não dividirmos assim mesmo, se ambos existem? Estrangeiro –
GRC: ΞΕ. τὸ μὲν ἀναφανδὸν ὅλον ἀγωνιστικὸν θέντας, τὸ δὲ κρυφαῖον αὐτῆς πᾶν θηρευτικόν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὴν δέ γε μὴν θηρευτικὴν ἄλογον τὸ μὴ οὐ τέμνειν διχῇ. ΘΕΑΙ. λέγε ὅπῃ. ΞΕ. τὸ μὲν ἀψύχου γένους διελομένους, τὸ δʼ ἐμψύχου. ΘΕΑΙ. τί μήν; εἴπερ ἔστον γε ἄμφω.
[220]
PT-BR: Existem, não há dúvidas. Para a classe dos inanimados não há nome específico, se não for apenas a parte que entende com a arte de mergulhar e outras igualmente insignificantes, que deixaremos de lado; mas para a dos seres animados, referente à caça a animais vivos, reservaremos o nome de caça animal. Teeteto – Vá que seja. Estrangeiro — E relativamente à caça animal, seria lícito distinguir duas subclasses: de um lado, a dos animais que andam na terra, subdividida em muitas espécies, cada uma delas com seu nome particular, a que daremos a denominação genérica de caça aos animais marchadores, e, do outro, a que compreende os nadadores? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — No gênero dos nadadores temos, ainda, a tribo dos voláteis e a dos aquáticos. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Ao conjunto da caça referente gênero dos voláteis dá-se o nome de caça aos pássaros, não é isso mesmo? Teeteto — É como, realmente; a denominam. Estrangeiro — E à caça de quase todos os animais que vivem n’agua dá-se o nome de pescaria. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E então? Essa última caça, por sua vez, não poderia ser separada em duas grandes secções? Teeteto — Quais serão? Estrangeiro — A caça realizada por meio de cercados e a que consiste no golpeamento da vítima. Teeteto — Que queres dizer com isso e em que se diferençam? Estrangeiro — Na primeira, tudo o que retém envolve a caça, para impedir
GRC: ΞΕ. πῶς δὲ οὐκ ἔστον; καὶ δεῖ γε ἡμᾶς τὸ μὲν τῶν ἀψύχων, ἀνώνυμον ὂν πλὴν κατʼ ἔνια τῆς κολυμβητικῆς ἄττα μέρη καὶ τοιαῦτʼ ἄλλα βραχέα, χαίρειν ἐᾶσαι, τὸ δέ, τῶν ἐμψύχων ζῴων οὖσαν θήραν, προσειπεῖν ζῳοθηρικήν. ΘΕΑΙ. ἔστω. ΞΕ. ζῳοθηρικῆς δὲ ἆρʼ οὐ διπλοῦν εἶδος ἂν λέγοιτο ἐν δίκῃ, τὸ μὲν πεζοῦ γένους, πολλοῖς εἴδεσι καὶ ὀνόμασι διῃρημένον, πεζοθηρικόν, τὸ δʼ ἕτερον νευστικοῦ ζῴου πᾶν ἐνυγροθηρικόν; ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. νευστικοῦ μὴν τὸ μὲν πτηνὸν φῦλον ὁρῶμεν, τὸ δὲ ἔνυδρον; ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. καὶ τοῦ πτηνοῦ μὴν γένους πᾶσα ἡμῖν ἡ θήρα λέγεταί πού τις ὀρνιθευτική. ΘΕΑΙ. λέγεται γὰρ οὖν. ΞΕ. τοῦ δὲ ἐνύδρου σχεδὸν τὸ σύνολον ἁλιευτική. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τί δέ; ταύτην αὖ τὴν θήραν ἆρʼ οὐκ ἂν κατὰ μέγιστα μέρη δύο διέλοιμεν; ΘΕΑΙ. κατὰ ποῖα; ΞΕ. καθʼ ἃ τὸ μὲν ἕρκεσιν αὐτόθεν ποιεῖται τὴν θήραν, τὸ δὲ πληγῇ. ΘΕΑΙ. πῶς λέγεις, καὶ πῇ διαιρούμενος ἑκάτερον;
[220c]
PT-BR: que fuja, chama-se naturalmente cercado. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Covos, redes, laços, cestas e outros engenhos do mesmo tipo, que denominação mais certa lhes daremos, se não for a de cercados? Teeteto — Não há outra. Estrangeiro — Então, a essa modalidade de caça daremos o nome de caça por cerco ou coisa parecida. Teeteto — Exato. Estrangeiro — A outra, feita por meio de golpes de anzol ou de tridente, para ser englobada num só nome poderá ser denominada caça vulnerante,
GRC: ΞΕ. τὸ μέν, ὅτι πᾶν ὅσον ἂν ἕνεκα κωλύσεως εἴργῃ τι περιέχον, ἕρκος εἰκὸς ὀνομάζειν. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. κύρτους δὴ καὶ δίκτυα καὶ βρόχους καὶ πόρκους καὶ τὰ τοιαῦτα μῶν ἄλλο τι πλὴν ἕρκη χρὴ προσαγορεύειν; ΘΕΑΙ. οὐδέν. ΞΕ. τοῦτο μὲν ἄρα ἑρκοθηρικὸν τῆς ἄγρας τὸ μέρος φήσομεν ἤ τι τοιοῦτον. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δὲ ἀγκίστροις καὶ τριόδουσι πληγῇ γιγνόμενον
[220d]
PT-BR: a menos, Teeteto, que sugerisses algum nome mais adequado. Teeteto — Não façamos questão de nomes; esse mesmo está bom. Estrangeiro — A caça vulnerante apresenta ainda a variedade noturna, feita ao clarão de archotes. Os caçadores a denominam caça ao fogo. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — A realizada de dia, pelo fato de serem os tridentes munidos de fisgas nas extremidades, é chamada pesca de fisga. Teeteto — Esse é, de fato o nome que lhe dão. VI — Estrangeiro — A pesca de fisga, quando praticada de cima para baixo, dá-se o nome de pesca de tridente, por ser esse o instrumento usualmente empregado. Teeteto — Há quem a denomine desse modo. Estrangeiro — Tudo o mais se inclui numa só espécie. Teeteto — Qual será? Estrangeiro —
GRC: ἕτερον μὲν ἐκείνου, πληκτικὴν δέ τινα θήραν ἡμᾶς προσειπεῖν ἑνὶ λόγῳ νῦν χρεών· ἢ τί τις ἄν, ὦ Θεαίτητε, εἴποι κάλλιον; ΘΕΑΙ. ἀμελῶμεν τοῦ ὀνόματος· ἀρκεῖ γὰρ καὶ τοῦτο. ΞΕ. τῆς τοίνυν πληκτικῆς τὸ μὲν νυκτερινὸν οἶμαι πρὸς πυρὸς φῶς γιγνόμενον ὑπʼ αὐτῶν τῶν περὶ τὴν θήραν πυρευτικὴν ῥηθῆναι συμβέβηκεν. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τὸ δέ γε μεθημερινόν, ὡς ἐχόντων ἐν ἄκροις ἄγκιστρα καὶ τῶν τριοδόντων, πᾶν ἀγκιστρευτικόν. ΘΕΑΙ. λέγεται γὰρ οὖν. ΞΕ. τοῦ τοίνυν ἀγκιστρευτικοῦ τῆς πληκτικῆς τὸ μὲν ἄνωθεν εἰς τὸ κάτω γιγνόμενον διὰ τὸ τοῖς τριόδουσιν οὕτω μάλιστα χρῆσθαι τριοδοντία τις οἶμαι κέκληται. ΘΕΑΙ. φασὶ γοῦν τινές. ΞΕ. τὸ δέ γε λοιπόν ἐστιν ἓν ἔτι μόνον ὡς εἰπεῖν εἶδος. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον;
[221]
PT-BR: A que vulnera em sentido inverso da precedente, com o recurso do anzol e não fere o peixe em qualquer parte do corpo, como o faz o tridente, porém sempre na
GRC: ΞΕ. τὸ τῆς ἐναντίας ταύτῃ πληγῆς, ἀγκίστρῳ τε γιγνόμενον καὶ τῶν ἰχθύων οὐχ ᾗ τις ἂν τύχῃ τοῦ σώματος, ὥσπερ
[221a]
PT-BR: cabeça e na boca, e o puxa de baixo para cima — o contrário, justamente, do processo anterior — com a ajuda de varas e caniços. A essa modalidade de pesca, Teeteto, que denominação daremos? Teeteto — Ao que parece, trata-se, precisamente, da que nos propusemos descobrir e que, de fato, descobrimos. VII — Estrangeiro — Desse modo, no que respeita à arte da
GRC: τοῖς τριόδουσιν, ἀλλὰ περὶ τὴν κεφαλὴν καὶ τὸ στόμα τοῦ θηρευθέντος ἑκάστοτε, καὶ κάτωθεν εἰς τοὐναντίον ἄνω ῥάβδοις καὶ καλάμοις ἀνασπώμενον· οὗ τί φήσομεν, ὦ Θεαίτητε, δεῖν τοὔνομα λέγεσθαι; ΘΕΑΙ. δοκῶ μέν, ὅπερ ἄρτι προυθέμεθα δεῖν ἐξευρεῖν, τοῦτʼ αὐτὸ νῦν ἀποτετελέσθαι. ΞΕ. νῦν ἄρα τῆς ἀσπαλιευτικῆς πέρι σύ τε κἀγὼ
[221b]
PT-BR: pesca, eu e tu chegamos a um completo acordo, e não apenas quanto ao nome, pois demos uma explicação cabal da própria coisa. Vimos, em verdade, que metade da arte em geral é aquisição; metade da aquisição é captura; metade da captura é caça, cuja metade, por sua vez, é caça aos animais, com uma das metades reservada, à caça aos animais aquáticos. A secção inferior dessa porção é inteiramente dedicada à pesca; a porção inferior da pesca consiste na pesca vulnerante, e a desta, na pesca por fisga. Esta modalidade de pesca, a que apanha a vítima e a puxa de baixo para cima, tira a denominação
GRC: συνωμολογήκαμεν οὐ μόνον τοὔνομα, ἀλλὰ καὶ τὸν λόγον περὶ αὐτὸ τοὖργον εἰλήφαμεν ἱκανῶς. συμπάσης γὰρ τέχνης τὸ μὲν ἥμισυ μέρος κτητικὸν ἦν, κτητικοῦ δὲ χειρωτικόν, χειρωτικοῦ δὲ θηρευτικόν, τοῦ δὲ θηρευτικοῦ ζῳοθηρικόν, ζῳοθηρικοῦ δὲ ἐνυγροθηρικόν, ἐνυγροθηρικοῦ δὲ τὸ κάτωθεν τμῆμα ὅλον ἁλιευτικόν, ἁλιευτικῆς δὲ πληκτικόν, πληκτικῆς δὲ ἀγκιστρευτικόν· τούτου δὲ τὸ περὶ τὴν κάτωθεν
[221c]
PT-BR: do próprio ato da tração da linha naquele sentido, de onde vem ser chamada aspaliêutica. Teeteto — Em tudo é perfeita a explicação apresentada. VIII — Estrangeiro — Pois então, de acordo com esse modelo, procuremos descobrir o que venha a ser sofista. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — A primeira questão levantada com respeito ao pescador com anzol, foi a de saber se ele deve ser tido na conta de ignorante no seu mister ou na de artista. Teeteto — Certo. Estrangeiro — E agora, Teeteto, com referência ao nosso homem,
GRC: ἄνω πληγὴν ἀνασπωμένην, ἀπʼ αὐτῆς τῆς πράξεως ἀφομοιωθὲν τοὔνομα, ἡ νῦν ἀσπαλιευτικὴ ζητηθεῖσα ἐπίκλην γέγονεν. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν τοῦτό γε ἱκανῶς δεδήλωται. ΞΕ. φέρε δή, κατὰ τοῦτο τὸ παράδειγμα καὶ τὸν σοφιστὴν ἐπιχειρῶμεν εὑρεῖν ὅτι ποτʼ ἔστιν. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. καὶ μὴν ἐκεῖνό γʼ ἦν τὸ ζήτημα πρῶτον, πότερον ἰδιώτην ἤ τινα τέχνην ἔχοντα θετέον εἶναι τὸν ἀσπαλιευτήν. ΘΕΑΙ. ναί.
[221d]
PT-BR: apresentamo-lo como ignorante ou como sofista, no sentido lato da expressão? Teeteto — Ignorante, de jeito nenhum. Compreendo o que queres dizer: quem se adorna com aquele nome, terá de honrá-lo em toda a linha. Estrangeiro — Sendo assim, precisaremos admitir que ele domina alguma arte. Teeteto — E qual poderá ser? Estrangeiro — Oh! Pelos deuses! Passou-nos despercebido que este aqui é aparentado do outro. Teeteto — Este, qual? E de quem é parente? Estrangeiro — O pescador de anzol; parente do sofista. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Acho que ambos são caçadores. Teeteto — Que caça este agora persegue? Pois do pescador já falamos. Estrangeiro — Não dividimos em duas secções a caça em geral: a dos seres que nadam e a dos que marcham? Teeteto — Dividimos. Estrangeiro — Na primeira, apontamos todas as espécies de animais nadantes; os que andam sobre a terra não subdividimos, contentando-nos com dizer que apresentam inúmeras formas. Teeteto —
GRC: ΞΕ. καὶ νῦν δὴ τοῦτον ἰδιώτην θήσομεν, ὦ Θεαίτητε, ἢ παντάπασιν ὡς ἀληθῶς σοφιστήν; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς ἰδιώτην· μανθάνω γὰρ ὃ λέγεις, ὡς παντὸς δεῖ τοιοῦτος εἶναι τό γε ὄνομα τοῦτο ἔχων. ΞΕ. ἀλλά τινα τέχνην αὐτὸν ἡμῖν ἔχοντα, ὡς ἔοικε, θετέον. ΘΕΑΙ. τίνα ποτʼ οὖν δὴ ταύτην; ΞΕ. ἆρʼ ὦ πρὸς θεῶν ἠγνοήκαμεν τἀνδρὸς τὸν ἄνδρα ὄντα συγγενῆ; ΘΕΑΙ. τίνα τοῦ; ΞΕ. τὸν ἀσπαλιευτὴν τοῦ σοφιστοῦ. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. θηρευτά τινε καταφαίνεσθον ἄμφω μοι. ΘΕΑΙ. τίνος θήρας ἅτερος; τὸν μὲν γὰρ ἕτερον εἴπομεν. ΞΕ. δίχα που νυνδὴ διείλομεν τὴν ἄγραν πᾶσαν, νευστικοῦ μέρους, τὸ δὲ πεζοῦ τέμνοντες. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τὸ μὲν διήλθομεν, ὅσον περὶ τὰ νευστικὰ τῶν ἐνύδρων· τὸ δὲ πεζὸν εἰάσαμεν ἄσχιστον, εἰπόντες ὅτι πολυειδὲς εἴη.
[222]
PT-BR: Perfeitamente. Estrangeiro — Até aqui, por conseguinte, o sofista e o pescador de linha trilham a mesma estrada, a da arte aquisitiva. Teeteto — Pelo menos, é o que parece. Estrangeiro — Porém separam-se a partir da caça aos animais: o primeiro, em direção do mar, dos rios e dos lagos, em busca dos animais que aí vivem. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — O outro procura a terra e correntes de vária natureza: rios de riqueza e prados pululantes de jovens, a fim de prear as criaturas aí existentes. Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — A caça dos marchadores compreende duas grandes divisões. Teeteto — Quais são? Estrangeiro — A dos animais domesticados e a dos selvagens. IX — Teeteto — Como! Há também caça aos animais domesticados? Estrangeiro — Sem dúvida, no caso de incluirmos o homem na classe desses animais. Formula a hipótese que te aprouver: ou não há animal domesticado ou há, real mente, mas o homem é selvagem; ou então, se consideras o homem um animal domesticado, não admites que possa haver caça ao homem. Declara qual dessas hipóteses é mais do teu agrado. Teeteto — Nesse caso, Estrangeiro, sou levado a admitir que somos animais domesticados e declaro que há, rea1mente, uma caça ao homem. Estrangeiro — Então, assentemos, desde já, que também é dupla a caça aos animais domesticados. Teeteto — Em que apóias tua proposição? Estrangeiro — Definamos a pirataria., o tráfico de escravos, a tirania e a arte bélica em geral como pertencentes à caça violenta. Teeteto — Ótimo. Estrangeiro — Os discursos do foro, das assembléias populares, a arte da conversação, englobaremos numa só classe, a que
GRC: ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. μέχρι μὲν τοίνυν ἐνταῦθα ὁ σοφιστὴς καὶ ὁ ἀσπαλιευτὴς ἅμα ἀπὸ τῆς κτητικῆς τέχνης πορεύεσθον. ΘΕΑΙ. ἐοίκατον γοῦν. ΞΕ. ἐκτρέπεσθον δέ γε ἀπὸ τῆς ζῳοθηρικῆς, ὁ μὲν ἐπὶ θάλαττάν που καὶ ποταμοὺς καὶ λίμνας, τὰ ἐν τούτοις ζῷα θηρευσόμενος. ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. ὁ δέ γε ἐπὶ τὴν γῆν καὶ ποταμοὺς ἑτέρους αὖ τινας, πλούτου καὶ νεότητος οἷον λειμῶνας ἀφθόνους, τἀν τούτοις θρέμματα χειρωσόμενος. ΘΕΑΙ. πῶς λέγεις; ΞΕ. τῆς πεζῆς θήρας γίγνεσθον δύο μεγίστω τινὲ μέρει. ΘΕΑΙ. ποῖον ἑκάτερον; ΞΕ. τὸ μὲν τῶν ἡμέρων, τὸ δὲ τῶν ἀγρίων. ΘΕΑΙ. εἶτʼ ἔστι τις θήρα τῶν ἡμέρων; ΞΕ. εἴπερ γέ ἐστιν ἄνθρωπος ἥμερον ζῷον. θὲς δὲ ὅπῃ χαίρεις, εἴτε μηδὲν τιθεὶς ἥμερον, εἴτε ἄλλο μὲν ἥμερόν τι, τὸν δὲ ἄνθρωπον ἄγριον, εἴτε ἥμερον μὲν λέγεις αὖ τὸν ἄνθρωπον, ἀνθρώπων δὲ μηδεμίαν ἡγῇ θήραν· τούτων ὁπότερʼ ἂν ἡγῇ φίλον εἰρῆσθαί σοι, τοῦτο ἡμῖν διόρισον. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ ἡμᾶς τε ἥμερον, ὦ ξένε, ἡγοῦμαι ζῷον, θήραν τε ἀνθρώπων εἶναι λέγω. ΞΕ. διττὴν τοίνυν καὶ τὴν ἡμεροθηρικὴν εἴπωμεν. ΘΕΑΙ. κατὰ τί λέγοντες; ΞΕ. τὴν μὲν λῃστικὴν καὶ ἀνδραποδιστικὴν καὶ τυραννικὴν καὶ σύμπασαν τὴν πολεμικήν, ἓν πάντα, βίαιον θήραν, ὁρισάμενοι. ΘΕΑΙ. καλῶς. ΞΕ. τὴν δέ γε δικανικὴν καὶ δημηγορικὴν καὶ προσομιλητικήν, ἓν αὖ τὸ σύνολον, πιθανουργικήν τινα μίαν
[222d]
PT-BR: daremos o nome de arte da persuasão. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Declaremos, ainda, que a arte da persuasão comporta dois gêneros. Teeteto — Quais serão? Estrangeiro — Uma caça é particular, e a outra, pública. Teeteto — São dois, realmente, os gêneros. Estrangeiro — E na caça aos particulares, uma parte não é feita mediante salário, e outra por meio de presentes? Teeteto — Não compreendo. Estrangeiro — Pelo que vejo, ainda não atentaste na caça aos amantes. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — É que, além de apanharem a presa, cumulam-na de presentes. Teeteto — É muito certo o que dizes. Estrangeiro — Demos, pois, a essa espécie o nome de arte de amar. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro —
GRC: τέχνην προσειπόντες. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. τῆς δὴ πιθανουργικῆς διττὰ λέγωμεν γένη. ΘΕΑΙ. ποῖα; ΞΕ. τὸ μὲν ἕτερον ἰδίᾳ, τὸ δὲ δημοσίᾳ γιγνόμενον. ΘΕΑΙ. γίγνεσθον γὰρ οὖν εἶδος ἑκάτερον. ΞΕ. οὐκοῦν αὖ τῆς ἰδιοθηρευτικῆς τὸ μὲν μισθαρνητικόν ἐστιν, τὸ δὲ δωροφορικόν; ΘΕΑΙ. οὐ μανθάνω. ΞΕ. τῇ τῶν ἐρώντων θήρᾳ τὸν νοῦν, ὡς ἔοικας, οὔπω προσέσχες. ΘΕΑΙ. τοῦ πέρι; ΞΕ. ὅτι τοῖς θηρευθεῖσι δῶρα προσεπιδιδόασιν. ΘΕΑΙ. ἀληθέστατα λέγεις. ΞΕ. τοῦτο μὲν τοίνυν ἐρωτικῆς τέχνης ἔστω εἶδος. ΘΕΑΙ. πάνυ γε.
[223]
PT-BR: Porém da arte com base no salário, a modalidade que se manifesta nas conversas, com o simples fito de agradar, e que só usa o prazer como isca, sem nada mais exigir para sua subsistência, acho que todos nós concordaríamos
GRC: ΞΕ. τοῦ δέ γε μισθαρνητικοῦ τὸ μὲν προσομιλοῦν διὰ χάριτος καὶ παντάπασι διʼ ἡδονῆς τὸ δέλεαρ πεποιημένον καὶ τὸν μισθὸν πραττόμενον τροφὴν ἑαυτῷ μόνον κολακικήν, ὡς
[223a]
PT-BR: em qualificá-la como aduladora ou simplesmente arte recreativa. Teeteto — Sem dúvida nenhuma. Estrangeiro — E a modalidade que promete ensinar a virtude por meio da conversação e que se faz pagar em espécie, não merecerá, como gênero à parte, denominação especial? Teeteto — Como não! Estrangeiro — E que nome há de ser? Não te disporás a achá-lo? Teeteto — E muito fácil. Acho que encontramos o sofista. Designando-o desse modo, penso atribuir-lhe o nome mais acertado. X — Estrangeiro — Assim, Teeteto, de acordo com presente exposição, parece que essa parte da arte priativa, em sua variedade aquisitiva, de caça, de aos animais, aos animais vivos, aos de terra, aos domésticos, ao homem, ao cidadão particular, com imposição de salário e em troco de dinheiro, aparentemente instrutiva, a caça que visa a apanhar mancebos ricos e de famílias ilustres, conforme indica a presente exposição, deverá ser denominada sofística. Teeteto — Exato. Estrangeiro — Consideremos também o seguinte, pois o que procuramos não participa de uma arte
GRC: ἐγᾦμαι, πάντες φαῖμεν ἂν ἢ ἡδυντικήν τινα τέχνην εἶναι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τὸ δὲ ἐπαγγελλόμενον μὲν ὡς ἀρετῆς ἕνεκα τὰς ὁμιλίας ποιούμενον, μισθὸν δὲ νόμισμα πραττόμενον, ἆρα οὐ τοῦτο τὸ γένος ἑτέρῳ προσειπεῖν ἄξιον ὀνόματι; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τίνι δὴ τούτῳ; πειρῶ λέγειν. ΘΕΑΙ. δῆλον δή· τὸν γὰρ σοφιστήν μοι δοκοῦμεν ἀνηυρηκέναι. τοῦτʼ οὖν ἔγωγε εἰπὼν τὸ προσῆκον ὄνομʼ ἂν ἡγοῦμαι καλεῖν αὐτόν. ΞΕ. κατὰ δὴ τὸν νῦν, ὦ Θεαίτητε, λόγον, ὡς ἔοικεν, ἡ τέχνης οἰκειωτικῆς, χειρωτικῆς, κτητικῆς, θηρευτικῆς, ζῳοθηρίας, πεζοθηρίας, χερσαίας, ἡμεροθηρικῆς, ἀνθρωποθηρίας, πιθανοθηρίας, ἰδιοθηρίας, μισθαρνικῆς, νομισματοπωλικῆς, δοξοπαιδευτικῆς, νέων πλουσίων καὶ ἐνδόξων γιγνομένη θήρα προσρητέον, ὡς ὁ νῦν λόγος ἡμῖν συμβαίνει, σοφιστική. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν.
[223c]
PT-BR: simples, senão de múltiplas facetas. De tudo o que expusemos até agora, só nos surgiu um simulacro, como se o sofista não fosse o que acabamos de dizer, mas pertencesse a gênero diferente. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — A arte aquisitiva compreende duas espécies: uma, na base de donativos, e a outra na de compra e venda. Teeteto — Sim, digamos isso mesmo. Estrangeiro — Acrescentemos, ainda, que esta última, a de compra e venda, é também dupla. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — Uma parte consiste na venda direta da produção; a outra é a troca de produtos de origem diferente. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E então? As trocas efetivadas na cidade e que abrangem quase metade dessas transações, não constituem a atividade própria dos varejistas? Teeteto — Certo. Estrangeiro — E a outra modalidade, de trocas efetuadas entre cidades diferentes, por meio de compra e venda, não define à justa os mercadores? Teeteto — Como não? Estrangeiro — Porém já não observamos que no comércio
GRC: ΞΕ. ἔτι δὲ καὶ τῇδε ἴδωμεν· οὐ γάρ τι φαύλης μέτοχόν ἐστι τέχνης τὸ νῦν ζητούμενον, ἀλλʼ εὖ μάλα ποικίλης. καὶ γὰρ οὖν ἐν τοῖς πρόσθεν εἰρημένοις φάντασμα παρέχεται μὴ τοῦτο ὃ νῦν αὐτὸ ἡμεῖς φαμεν ἀλλʼ ἕτερον εἶναί τι γένος. ΘΕΑΙ. πῇ δή; ΞΕ. τὸ τῆς κτητικῆς τέχνης διπλοῦν ἦν εἶδός που, τὸ μὲν θηρευτικὸν μέρος ἔχον, τὸ δὲ ἀλλακτικόν. ΘΕΑΙ. ἦν γὰρ οὖν. ΞΕ. τῆς τοίνυν ἀλλακτικῆς δύο εἴδη λέγωμεν, τὸ μὲν δωρητικόν, τὸ δὲ ἕτερον ἀγοραστικόν; ΘΕΑΙ. εἰρήσθω. ΞΕ. καὶ μὴν αὖ φήσομεν ἀγοραστικὴν διχῇ τέμνεσθαι. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. τὴν μὲν τῶν αὐτουργῶν αὐτοπωλικὴν διαιρουμένην, τὴν δὲ τὰ ἀλλότρια ἔργα μεταβαλλομένην μεταβλητικήν. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τί δέ; τῆς μεταβλητικῆς οὐχ ἡ μὲν κατὰ πόλιν ἀλλαγή, σχεδὸν αὐτῆς ἥμισυ μέρος ὄν, καπηλικὴ προσαγορεύεται; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δέ γε ἐξ ἄλλης εἰς ἄλλην πόλιν διαλλάττον ὠνῇ καὶ πράσει ἐμπορική; ΘΕΑΙ. τί δʼ οὔ;
[223e]
PT-BR: há uma parte em que se vende e compra, e que serve para uso e alimento do corpo, e outra para uso da alma? Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Talvez ignoremos a que diz respeito à alma, pelo fato de conhecermos muito bem a outra. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro —
GRC: ΞΕ. τῆς δʼ ἐμπορικῆς ἆρʼ οὐκ ᾐσθήμεθα ὅτι τὸ μὲν ὅσοις τὸ σῶμα τρέφεται καὶ χρῆται, τὸ δὲ ὅσοις ἡ ψυχή, πωλοῦν διὰ νομίσματος ἀλλάττεται; ΘΕΑΙ. πῶς τοῦτο λέγεις; ΞΕ. τὸ περὶ τὴν ψυχὴν ἴσως ἀγνοοῦμεν, ἐπεὶ τό γε ἕτερόν που συνίεμεν. ΘΕΑΙ. ναί.
[224]
PT-BR: Declaremos, então, que a arte da música em geral, sempre que é levada de cidade em cidade, comprada aqui, transportada e vendida acolá; a, pintura, a arte da prestidigitação e muitas outras que se relacionam com a alma e são transportadas e vendidas ora como simples meio de deleitação, ora para fins mais sérios, conferem aos que as compram e vendem, com o mesmo direito com que o faz o comércio de alimentos e de bebidas, o nome de negociantes. Teeteto — Nada mais certo. Estrangeiro — E a quem vai de cidade em cidade, e compra conhecimento por atacado, para trocá-lo por dinheiro, não designarás pelo mesmo nome? Teeteto — Com toda a segurança. XI — Estrangeiro — E a uma parte desse comércio de mercadorias da alma, não caberia, com justiça, a denominação de ostentação, como a outra, não menos risível do que a primeira e que também vende conhecimentos, não precisará ser designada por algum nome relacionado com sua atividade? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Sendo assim, daremos um nome à secção
GRC: ΞΕ. μουσικήν τε τοίνυν συνάπασαν λέγωμεν, ἐκ πόλεως ἑκάστοτε εἰς πόλιν ἔνθεν μὲν ὠνηθεῖσαν, ἑτέρωσε δὲ ἀγομένην καὶ πιπρασκομένην, καὶ γραφικὴν καὶ θαυματοποιικὴν καὶ πολλὰ ἕτερα τῆς ψυχῆς, τὰ μὲν παραμυθίας, τὰ δὲ καὶ σπουδῆς χάριν ἀχθέντα καὶ πωλούμενα, τὸν ἄγοντα καὶ πωλοῦντα μηδὲν ἧττον τῆς τῶν σιτίων καὶ ποτῶν πράσεως ἔμπορον ὀρθῶς ἂν λεγόμενον παρασχεῖν. ΘΕΑΙ. ἀληθέστατα λέγεις. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ τὸν μαθήματα συνωνούμενον πόλιν τε ἐκ πόλεως νομίσματος ἀμείβοντα ταὐτὸν προσερεῖς ὄνομα; ΘΕΑΙ. σφόδρα γε. ΞΕ. τῆς δὴ ψυχεμπορικῆς ταύτης ἆρʼ οὐ τὸ μὲν ἐπιδεικτικὴ δικαιότατα λέγοιτʼ ἄν, τὸ δὲ γελοίῳ μὲν οὐχ ἧττον τοῦ πρόσθεν, ὅμως δὲ μαθημάτων οὖσαν πρᾶσιν αὐτὴν ἀδελφῷ τινι τῆς πράξεως ὀνόματι προσειπεῖν ἀνάγκη; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. ταύτης τοίνυν τῆς μαθηματοπωλικῆς τὸ μὲν περὶ
[224c]
PT-BR: desse comércio de conhecimentos que entende com o conhecimento das outras artes, e nome diferente à que se ocupa com a virtude? Teeteto — Como não? Estrangeiro — Tráfico de artes é a designação mais indicada para a primeira; quanto à outra, procura tu mesmo nomeá-la. Teeteto — E por que nome poderíamos defini-la sem perigo de errar, se não for justamente pelo que procuramos, o gênero sofístico? Estrangeiro — Não há outro. Então, resumamos tudo isso, para dizer que, pela segunda vez, a sofística se nos revelou como a parte da aquisição, da troca, do comércio,
GRC: τὰ τῶν ἄλλων τεχνῶν μαθήματα ἑτέρῳ, τὸ δὲ περὶ τὸ τῆς ἀρετῆς ἄλλῳ προσρητέον. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τεχνοπωλικὸν μὴν τό γε περὶ τἆλλα ἂν ἁρμόττοι· τὸ δὲ περὶ ταῦτα σὺ προθυμήθητι λέγειν ὄνομα. ΘΕΑΙ. καὶ τί τις ἂν ἄλλο ὄνομα εἰπὼν οὐκ ἂν πλημμελοίη πλὴν τὸ νῦν ζητούμενον αὐτὸ εἶναι τὸ σοφιστικὸν γένος; ΞΕ. οὐδὲν ἄλλο. ἴθι δὴ νῦν συναγάγωμεν αὐτὸ λέγοντες ὡς τὸ τῆς κτητικῆς, μεταβλητικῆς, ἀγοραστικῆς,
[224d]
PT-BR: do tráfico, do negócio de mercadorias da alma relativo aos discursos, aos conhecimentos e à virtude política. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — O terceiro seria, segundo creio, o de quem se estabelecesse na cidade com o intuito de viver da venda de conhecimentos desses objetos por ele mesmo fabricados ou comprados. Estou que não lhe aplicarias denominação diferente da que empregaste há pouco. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Assim, a essa parte da arte aquisitiva que se exerce por troca e consiste
GRC: ἐμπορικῆς, ψυχεμπορικῆς περὶ λόγους καὶ μαθήματα ἀρετῆς πωλητικὸν δεύτερον ἀνεφάνη σοφιστική. ΘΕΑΙ. μάλα γε. ΞΕ. τρίτον δέ γʼ οἶμαί σε, κἂν εἴ τις αὐτοῦ καθιδρυμένος ἐν πόλει, τὰ μὲν ὠνούμενος, τὰ δὲ καὶ τεκταινόμενος αὐτὸς μαθήματα περὶ τὰ αὐτὰ ταῦτα καὶ πωλῶν, ἐκ τούτου τὸ ζῆν προυτάξατο, καλεῖν οὐδὲν ἄλλο πλὴν ὅπερ νυνδή. ΘΕΑΙ. τί δʼ οὐ μέλλω;
[224e]
PT-BR: na revenda a varejo ou na venda de seus próprios produtos, de qualquer forma, uma vez que esse comércio diz respeito ao gênero de conhecimentos de que já falamos, darás sempre, como parece, o nome de sofística. Teeteto — Forçosamente; não posso perder de vista as pegadas do argumento. XII — Estrangeiro — Vejamos agora se o gênero por nós procurado não tem alguma semelhança com tudo isso. Teeteto —
GRC: ΞΕ. καὶ τὸ κτητικῆς ἄρα μεταβλητικόν, ἀγοραστικόν, καπηλικὸν εἴτε αὐτοπωλικόν, ἀμφοτέρως, ὅτιπερ ἂν ᾖ περὶ τὰ τοιαῦτα μαθηματοπωλικὸν γένος, ἀεὶ σὺ προσερεῖς, ὡς φαίνῃ, σοφιστικόν. ΘΕΑΙ. ἀνάγκη· τῷ γὰρ λόγῳ δεῖ συνακολουθεῖν. ΞΕ. ἔτι δὴ σκοπῶμεν εἴ τινι τοιῷδε προσέοικεν ἄρα τὸ νῦν μεταδιωκόμενον γένος.
[225]
PT-BR: Semelhança, de que jeito? Estrangeiro — Já vimos que a disposição para a luta constitui uma das condições da arte aquisitiva. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Então, não será fora de propósito dividi-la em duas partes. Teeteto — Declaremos logo quais sejam. Estrangeiro — Uma é competição; a outra, pugna. Teeteto — Exato. Estrangeiro — A parte da luta que se exerce corpo a corpo, pode ser natural e convenientemente aplicado o qualificativo de violenta. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E a que consiste no entrechoque de discursos, que nome
GRC: ΘΕΑΙ. ποίῳ δή; ΞΕ. τῆς κτητικῆς ἀγωνιστική τι μέρος ἡμῖν ἦν. ΘΕΑΙ. ἦν γὰρ οὖν. ΞΕ. οὐκ ἀπὸ τρόπου τοίνυν ἐστὶ διαιρεῖν αὐτὴν δίχα. ΘΕΑΙ. καθʼ ὁποῖα λέγε. ΞΕ. τὸ μὲν ἁμιλλητικὸν αὐτῆς τιθέντας, τὸ δὲ μαχητικόν. ΘΕΑΙ. ἔστιν. ΞΕ. τῆς τοίνυν μαχητικῆς τῷ μὲν σώματι πρὸς σώματα γιγνομένῳ σχεδὸν εἰκὸς καὶ πρέπον ὄνομα λέγειν τι τοιοῦτον τιθεμένους οἷον βιαστικόν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τῷ δὲ λόγοις πρὸς λόγους τί τις, ὦ Θεαίτητε, ἄλλο
[225b]
PT-BR: lhe daremos, Teeteto, se não for o de controvérsia? Teeteto — Não há outro. Estrangeiro — Mas o gênero da controvérsia terá, por sua vez, de ser subdividido. Teeteto — De que maneira? Estrangeiro — Quando o debate consta de digressões a respeito do justo e do injusto, recebe o qualificativo de forense ou judicial. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Porém quando é realizado entre particulares e cortado em pedacinhos, por meio de perguntas e respostas, não temos o costume de dar-lhe o nome de contenda? Teeteto — Não há outro. Estrangeiro — E na contenda, a parte que consiste na
GRC: εἴπῃ πλὴν ἀμφισβητητικόν; ΘΕΑΙ. οὐδέν. ΞΕ. τὸ δέ γε περὶ τὰς ἀμφισβητήσεις θετέον διττόν. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. καθʼ ὅσον μὲν γὰρ γίγνεται μήκεσί τε πρὸς ἐναντία μήκη λόγων καὶ περὶ τὰ δίκαια καὶ ἄδικα δημοσίᾳ, δικανικόν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δʼ ἐν ἰδίοις αὖ καὶ κατακεκερματισμένον ἐρωτήσεσι πρὸς ἀποκρίσεις μῶν εἰθίσμεθα καλεῖν ἄλλο πλὴν ἀντιλογικόν; ΘΕΑΙ. οὐδέν. ΞΕ. τοῦ δὲ ἀντιλογικοῦ τὸ μὲν ὅσον περὶ τὰ συμβόλαια
[225c]
PT-BR: mera discussão sobre contratos, sem método nem regras de arte, deve ser considerada espécie diferente, já que nossa argumentação a reconhece como tal, muito embora os antigos não lhe tenham aplicado nome, nem mereça, agora, que lhe reservemos designação especial. Teeteto — É muito certo, pois está subdividida em pequeninas e variadas partes. Estrangeiro — E a que é feita com arte, acerca do justo e do injusto, e de outros assuntos gerais, não temos por hábito denominar erística? Teeteto — Como não? Estrangeiro — Mas há uma erística que sabe ganhar dinheiro, e outra que o dissipa. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Tentemos, agora, encontrar a designação adequada para cada uma. Teeteto — Sim, façamos isso mesmo. Estrangeiro — Para mim, a disputa levada a cabo como simples jogo verbal e com negligência dos interesses próprios, em estilo nada agradável para a maioria dos ouvintes, na minha maneira de pensar só merece o de verbosidade. Teeteto — É realmente como a denominam. Estrangeiro — Por outro lado, a que junta dinheiro com discussões particulares, procura tu mesmo, agora, o nome que lhe convém. Teeteto — Que se poderia dizer sem perigo de errar, a não ser que, pela quarta vez, nos apareceu aquele tipo estupendo, em cujo encalce nos achamos: o sofista? ## A Purificação - 226b-231b Estrangeiro —
GRC: ἀμφισβητεῖται μέν, εἰκῇ δὲ καὶ ἀτέχνως περὶ αὐτὸ πράττεται, ταῦτα θετέον μὲν εἶδος, ἐπείπερ αὐτὸ διέγνωκεν ὡς ἕτερον ὂν ὁ λόγος, ἀτὰρ ἐπωνυμίας οὔθʼ ὑπὸ τῶν ἔμπροσθεν ἔτυχεν οὔτε νῦν ὑφʼ ἡμῶν τυχεῖν ἄξιον. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ· κατὰ σμικρὰ γὰρ λίαν καὶ παντοδαπὰ διῄρηται. ΞΕ. τὸ δέ γε ἔντεχνον, καὶ περὶ δικαίων αὐτῶν καὶ ἀδίκων καὶ περὶ τῶν ἄλλων ὅλως ἀμφισβητοῦν, ἆρʼ οὐκ ἐριστικὸν αὖ λέγειν εἰθίσμεθα; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τοῦ μὴν ἐριστικοῦ τὸ μὲν χρηματοφθορικόν, τὸ δὲ χρηματιστικὸν ὂν τυγχάνει. ΘΕΑΙ. παντάπασί γε. ΞΕ. τὴν ἐπωνυμίαν τοίνυν ἣν ἑκάτερον δεῖ καλεῖν αὐτῶν πειραθῶμεν εἰπεῖν. ΘΕΑΙ. οὐκοῦν χρή. ΞΕ. δοκῶ μὴν τό γε διʼ ἡδονὴν τῆς περὶ ταῦτα διατριβῆς ἀμελὲς τῶν οἰκείων γιγνόμενον, περὶ δὲ τὴν λέξιν τοῖς πολλοῖς τῶν ἀκουόντων οὐ μεθʼ ἡδονῆς ἀκουόμενον καλεῖσθαι κατὰ γνώμην τὴν ἐμὴν οὐχ ἕτερον ἀδολεσχικοῦ. ΘΕΑΙ. λέγεται γὰρ οὖν οὕτω πως. ΞΕ. τούτου τοίνυν τοὐναντίον, ἀπὸ τῶν ἰδιωτικῶν ἐρίδων χρηματιζόμενον, ἐν τῷ μέρει σὺ πειρῶ νῦν εἰπεῖν. ΘΕΑΙ. καὶ τί τις ἂν αὖ εἰπὼν ἕτερον οὐκ ἐξαμάρτοι πλήν γε τὸν θαυμαστὸν πάλιν ἐκεῖνον ἥκειν αὖ νῦν τέταρτον τὸν μεταδιωκόμενον ὑφʼ ἡμῶν σοφιστήν;
[226]
PT-BR: Isso mesmo. Conforme já vimos, é do gênero lucrativo, da arte erística, da arte de disputas, das controvérsias, da arte do combate, da arte da luta e do ganho, segundo neste momento provou nossa argumentação, que o sofista provém. Teeteto — Nada mais verdadeiro. XIII — Estrangeiro — Como vês, é muito acertado dizer-se que se trata de um animal de múltiplas facetas. Daí, confirmar-se o dito, de que nem tudo se pode pegar só com uma das mãos. Teeteto — Pois empreguemos duas. Estrangeiro — Sim, é o que precisaremos fazer, empenhando nisso todos
GRC: ΞΕ. οὐδὲν ἀλλʼ ἢ τὸ χρηματιστικὸν γένος, ὡς ἔοικεν, ἐριστικῆς ὂν τέχνης, τῆς ἀντιλογικῆς, τῆς ἀμφισβητητικῆς, τῆς μαχητικῆς, τῆς ἀγωνιστικῆς, τῆς κτητικῆς ἔστιν, ὡς ὁ λόγος αὖ μεμήνυκε νῦν, ὁ σοφιστής. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. ὁρᾷς οὖν ὡς ἀληθῆ λέγεται τὸ ποικίλον εἶναι τοῦτο τὸ θηρίον καὶ τὸ λεγόμενον οὐ τῇ ἑτέρᾳ ληπτόν; ΘΕΑΙ. οὐκοῦν ἀμφοῖν χρή.
[226b]
PT-BR: os nossos recursos, a fim de acompanhar-lhe o rastro. Dize-me o seguinte: não temos designações especiais para determinadas ocupações servis? Teeteto — Muitas, até; porém, no meio de tantas, a quais particularmente te referes? Estrangeiro — Penso nas seguintes: coar, peneirar, joeirar, debulhar. Teeteto — E daí? Estrangeiro — E também: cardar, fiar, urdir e mil outras de emprego corrente em ocupações congêneres, não é isso mesmo? Teeteto — Onde queres chegar com tais exemplos e
GRC: ΞΕ. χρὴ γὰρ οὖν, καὶ κατὰ δύναμίν γε οὕτω ποιητέον, τοιόνδε τι μεταθέοντας ἴχνος αὐτοῦ. καί μοι λέγε· τῶν οἰκετικῶν ὀνομάτων καλοῦμεν ἄττα που; ΘΕΑΙ. καὶ πολλά· ἀτὰρ ποῖα δὴ τῶν πολλῶν πυνθάνῃ; ΞΕ. τὰ τοιάδε, οἷον διηθεῖν τε λέγομεν καὶ διαττᾶν καὶ βράττειν καὶ διακρίνειν. ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. καὶ πρός γε τούτοις ἔτι ξαίνειν, κατάγειν, κερκίζειν, καὶ μυρία ἐν ταῖς τέχναις ἄλλα τοιαῦτα ἐνόντα ἐπιστάμεθα. ἦ γάρ;
[226c]
PT-BR: para que tantas perguntas? Estrangeiro — De modo geral, todos esses vocábulos exprimem a idéia de separação. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Ora, de acordo com o meu raciocínio, se uma arte, apenas, abrange todas essas ocupações, teremos de atribuir-lhe um único nome. Teeteto — E como a denominaremos? Estrangeiro — Arte de separar. Teeteto — Que seja. Estrangeiro — Considera agora se nos será possível distinguir duas espécies. Teeteto — Impões-me uma tarefa muito rápida. Estrangeiro — Porém nas distinções por nós feitas, já se tratou da separação entre o pior e o melhor, e também entre semelhante e dessemelhante. Teeteto — Dita dessa maneira, parece-me bastante clara. Estrangeiro — Não conheço o nome geralmente aplicado a esta última separação; porém sei o que dão à outra, a que retém o melhor e rejeita o pior. Teeteto — Dize qual seja. Estrangeiro — No meu entender, todas as separações desse tipo são geralmente chamadas purificação. Teeteto — Com efeito; é como as denominam. Estrangeiro — E todo o mundo não perceberá que há duas espécies de purificação? Teeteto — Depois de refletir, é possível; eu, pelo menos, não percebo purificação alguma. XIV — Estrangeiro — Será conveniente abranger numa designação única as diferentes modalidades de purificação do corpo. Teeteto — Quais são, e como se chamam? Estrangeiro —
GRC: ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον αὐτῶν πέρι βουληθεὶς δηλῶσαι παραδείγματα προθεὶς ταῦτα κατὰ πάντων ἤρου; ΞΕ. διαιρετικά που τὰ λεχθέντα εἴρηται σύμπαντα. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. κατὰ τὸν ἐμὸν τοίνυν λόγον ὡς περὶ ταῦτα μίαν οὖσαν ἐν ἅπασι τέχνην ἑνὸς ὀνόματος ἀξιώσομεν αὐτήν. ΘΕΑΙ. τίνα προσειπόντες; ΞΕ. διακριτικήν. ΘΕΑΙ. ἔστω. ΞΕ. σκόπει δὴ ταύτης αὖ δύο ἄν πῃ δυνώμεθα κατιδεῖν εἴδη. ΘΕΑΙ. ταχεῖαν ὡς ἐμοὶ σκέψιν ἐπιτάττεις. ΞΕ. καὶ μὴν ἔν γε ταῖς εἰρημέναις διακρίσεσι τὸ μὲν χεῖρον ἀπὸ βελτίονος ἀποχωρίζειν ἦν, τὸ δʼ ὅμοιον ἀφʼ ὁμοίου. ΘΕΑΙ. σχεδὸν οὕτω νῦν λεχθὲν φαίνεται. ΞΕ. τῆς μὲν τοίνυν ὄνομα οὐκ ἔχω λεγόμενον· τῆς δὲ καταλειπούσης μὲν τὸ βέλτιον διακρίσεως, τὸ δὲ χεῖρον ἀποβαλλούσης ἔχω. ΘΕΑΙ. λέγε τί. ΞΕ. πᾶσα ἡ τοιαύτη διάκρισις, ὡς ἐγὼ συννοῶ, λέγεται παρὰ πάντων καθαρμός τις. ΘΕΑΙ. λέγεται γὰρ οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν τό γε καθαρτικὸν εἶδος αὖ διπλοῦν ὂν πᾶς ἂν ἴδοι; ΘΕΑΙ. ναί, κατὰ σχολήν γε ἴσως· οὐ μὴν ἔγωγε καθορῶ νῦν. ΞΕ. καὶ μὴν τά γε περὶ τὰ σώματα πολλὰ εἴδη καθάρσεων ἑνὶ περιλαβεῖν ὀνόματι προσήκει. ΘΕΑΙ. ποῖα καὶ τίνι;
[227]
PT-BR: Primeiro, as dos seres vivos, que operam no interior do corpo, graças a uma discriminação exata pela ginástica e a medicina,
GRC: ΞΕ. τά τε τῶν ζῴων, ὅσα ἐντὸς σωμάτων ὑπὸ γυμναστικῆς
[227a]
PT-BR: como a purificação externa, de designação corriqueira, alcançada pela arte do banho; depois, a dos corpos inanimados, que compreende a arte do pisoeiro e a dos adornos em de geral, de infinitas modalidades, cujos nomes são considerados ridículos. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — Certo, não, Teeteto: certíssimo. Mas o método argumentativo não dá maior nem menor importância à purificação por meio da esponja do que à obtida com poções medicamentosas, jamais perguntando se os benefícios de uma são mais ou menos
GRC: ἰατρικῆς τε ὀρθῶς διακρινόμενα καθαίρεται καὶ περὶ τἀκτός, εἰπεῖν μὲν φαῦλα, ὅσα βαλανευτικὴ παρέχεται· καὶ τῶν ἀψύχων σωμάτων, ὧν γναφευτικὴ καὶ σύμπασα κοσμητικὴ τὴν ἐπιμέλειαν παρεχομένη κατὰ σμικρὰ πολλὰ καὶ γελοῖα δοκοῦντα ὀνόματα ἔσχεν. ΘΕΑΙ. μάλα γε. ΞΕ. παντάπασι μὲν οὖν, ὦ Θεαίτητε. ἀλλὰ γὰρ τῇ τῶν λόγων μεθόδῳ σπογγιστικῆς ἢ φαρμακοποσίας οὐδὲν ἧττον οὐδέ τι μᾶλλον τυγχάνει μέλον εἰ τὸ μὲν σμικρά, τὸ δὲ μεγάλα ἡμᾶς ὠφελεῖ καθαῖρον. τοῦ κτήσασθαι γὰρ
[227b]
PT-BR: relevantes do que os da outra. Para alcançar o conhecimento é que ela se esforça por observar as afinidades ou dissemelhanças entre as artes, honrando a todas igualmente, e quando chega a compará-las, não conclui que uma seja mais ridícula do que a outra. Não considera, ainda, mais importante quem ilustra a arte da caça com o exemplo do estratego do que com o do matador de pulgas, porém mais pretensioso. Do mesmo modo, agora, no que entende com o nome para designar o conjunto das forças purificadoras dos corpos, quer sejam animados quer não sejam, não se preocupa no mínimo de saber que nome é de aparência mais distinta.
GRC: ἕνεκα νοῦν πασῶν τεχνῶν τὸ συγγενὲς καὶ τὸ μὴ συγγενὲς κατανοεῖν πειρωμένη τιμᾷ πρὸς τοῦτο ἐξ ἴσου πάσας, καὶ θάτερα τῶν ἑτέρων κατὰ τὴν ὁμοιότητα οὐδὲν ἡγεῖται γελοιότερα, σεμνότερον δέ τι τὸν διὰ στρατηγικῆς ἢ φθειριστικῆς δηλοῦντα θηρευτικὴν οὐδὲν νενόμικεν, ἀλλʼ ὡς τὸ πολὺ χαυνότερον. καὶ δὴ καὶ νῦν, ὅπερ ἤρου, τί προσεροῦμεν ὄνομα συμπάσας δυνάμεις ὅσαι σῶμα εἴτε ἔμψυχον εἴτε ἄψυχον
[227c]
PT-BR: Limitar-se-á a separar a purificação da alma, deixando num único feixe as outras purificações, sem indagar do objeto sobre que se exercem. Seu intento exclusivo consiste nisto, precisamente: separar das demais purificações a que tem por objetivo a alma, se é que compreendemos o seu fim. Teeteto — Penso que já compreendi, e admito que haja duas espécies de purificação, sendo diferente da do corpo a que se exerce sobre a alma. Estrangeiro — Ótimo! Agora ouve o que segue e procura partir
GRC: εἰλήχασι καθαίρειν, οὐδὲν αὐτῇ διοίσει ποῖόν τι λεχθὲν εὐπρεπέστατον εἶναι δόξει· μόνον ἐχέτω χωρὶς τῶν τῆς ψυχῆς καθάρσεων πάντα συνδῆσαν ὅσα ἄλλο τι καθαίρει. τὸν γὰρ περὶ τὴν διάνοιαν καθαρμὸν ἀπὸ τῶν ἄλλων ἐπικεχείρηκεν ἀφορίσασθαι τὰ νῦν, εἴ γε ὅπερ βούλεται μανθάνομεν. ΘΕΑΙ. ἀλλὰ μεμάθηκα, καὶ συγχωρῶ δύο μὲν εἴδη καθάρσεως, ἓν δὲ τὸ περὶ τὴν ψυχὴν εἶδος εἶναι, τοῦ περὶ τὸ σῶμα χωρὶς ὄν. ΞΕ. πάντων κάλλιστα. καί μοι τὸ μετὰ τοῦτο ἐπάκουε
[227d]
PT-BR: ao meio esta última secção. Teeteto — Sob tua direção, tentarei dividir conforme desejas. XV — Estrangeiro — A maldade na alma não é algo diferente da virtude? Teeteto — Como não? Estrangeiro — E purificação, não consiste em jogar fora a parte ruim e conservar tudo o mais? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Sendo assim, todo meio que encontrarmos de expungir a alma de maldade, se lhe dermos o nome de purificação, teremos falado com acerto. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Precisamos admitir que na alma há duas espécies de maldade. Teeteto — Quais serão? Estrangeiro —
GRC: πειρώμενος αὖ τὸ λεχθὲν διχῇ τέμνειν. ΘΕΑΙ. καθʼ ὁποῖʼ ἂν ὑφηγῇ πειράσομαί σοι συντέμνειν. ΞΕ. πονηρίαν ἕτερον ἀρετῆς ἐν ψυχῇ λέγομέν τι; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. καὶ μὴν καθαρμός γʼ ἦν τὸ λείπειν μὲν θάτερον, ἐκβάλλειν δὲ ὅσον ἂν ᾖ πού τι φλαῦρον. ΘΕΑΙ. ἦν γὰρ οὖν. ΞΕ. καὶ ψυχῆς ἄρα, καθʼ ὅσον ἂν εὑρίσκωμεν κακίας ἀφαίρεσίν τινα, καθαρμὸν αὐτὸν λέγοντες ἐν μέλει φθεγξόμεθα. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα γε. ΞΕ. δύο μὲν εἴδη κακίας περὶ ψυχὴν ῥητέον. ΘΕΑΙ. ποῖα;
[228]
PT-BR: Uma está na alma como a doença está no corpo; a outra como a fealdade. Teeteto — Não compreendo. Estrangeiro — Talvez não consideres a doença a mesma coisa que discórdia. Teeteto — Sobre isso, também, não sei o que deva responder... Estrangeiro — És de parecer que discórdia não seja a dissolução de elementos aparentados, pela ação de algum dissídio intercorrente? Teeteto — Não será outra coisa. Estrangeiro — E fealdade, não será senão defeito de proporção, gênero por demais nocivo à vista? Teeteto — Sim, terá de ser isso, simplesmente. Estrangeiro — E então? Já não observamos que na alma dos indivíduos ruins estão sempre em conflito as opiniões e os desejos, a coragem e os prazeres, a razão e as tristezas, e tudo o mais da mesma natureza, em constante oposição? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Logo, tudo isso apresenta afinidade recíproca? Teeteto — Como não? Estrangeiro — Nesse caso, se designarmos a maldade como doença e discórdia da alma, teremos encontrado o termo exato. Teeteto — Exatíssimo. Estrangeiro — Como? Se as coisas que participam do movimento e tendem para determinada meta errarem o alvo e passarem de lado a cada tentativa no propósito de alcançá-la, com diremos que isso acontece: em virtude da simetria existente entre eles ou da assimetria? Teeteto — Da assimetria, evidentemente. Estrangeiro — Por outro lado, sabemos muito bem que nenhuma alma ignora voluntariamente seja o que for. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — Ora, errar nada mais é do que se desviar do
GRC: ΞΕ. τὸ μὲν οἷον νόσον ἐν σώματι, τὸ δʼ οἷον αἶσχος ἐγγιγνόμενον. ΘΕΑΙ. οὐκ ἔμαθον. ΞΕ. νόσον ἴσως καὶ στάσιν οὐ ταὐτὸν νενόμικας; ΘΕΑΙ. οὐδʼ αὖ πρὸς τοῦτο ἔχω τί χρή με ἀποκρίνασθαι. ΞΕ. πότερον ἄλλο τι στάσιν ἡγούμενος ἢ τὴν τοῦ φύσει συγγενοῦς ἔκ τινος διαφθορᾶς διαφοράν; ΘΕΑΙ. οὐδέν. ΞΕ. ἀλλʼ αἶσχος ἄλλο τι πλὴν τὸ τῆς ἀμετρίας πανταχοῦ δυσειδὲς ἐνὸν γένος; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς ἄλλο. ΞΕ. τί δέ; ἐν ψυχῇ δόξας ἐπιθυμίαις καὶ θυμὸν ἡδοναῖς καὶ λόγον λύπαις καὶ πάντα ἀλλήλοις ταῦτα τῶν φλαύρως ἐχόντων οὐκ ᾐσθήμεθα διαφερόμενα; ΘΕΑΙ. καὶ σφόδρα γε. ΞΕ. συγγενῆ γε μὴν ἐξ ἀνάγκης σύμπαντα γέγονεν. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. στάσιν ἄρα καὶ νόσον τῆς ψυχῆς πονηρίαν λέγοντες ὀρθῶς ἐροῦμεν. ΘΕΑΙ. ὀρθότατα μὲν οὖν. ΞΕ. τί δʼ; ὅσʼ ἂν κινήσεως μετασχόντα καὶ σκοπόν τινα θέμενα πειρώμενα τούτου τυγχάνειν καθʼ ἑκάστην ὁρμὴν παράφορα αὐτοῦ γίγνηται καὶ ἀποτυγχάνῃ, πότερον αὐτὰ φήσομεν ὑπὸ συμμετρίας τῆς πρὸς ἄλληλα ἢ τοὐναντίον ὑπὸ ἀμετρίας αὐτὰ πάσχειν; ΘΕΑΙ. δῆλον ὡς ὑπὸ ἀμετρίας. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν ψυχήν γε ἴσμεν ἄκουσαν πᾶσαν πᾶν ἀγνοοῦσαν. ΘΕΑΙ. σφόδρα γε. ΞΕ. τό γε μὴν ἀγνοεῖν ἐστιν ἐπʼ ἀλήθειαν ὁρμωμένης
[228d]
PT-BR: seu caminho a alma, quando intenta alcançar a verdade, sem passar ao lado dela o entendimento. Teeteto — Exato. Estrangeiro — Nesse caso, precisaremos atribuir fealdade e assimetria à alma ignorante. Teeteto — É claro. Estrangeiro — Há nela, por conseguinte, como parece, dois gêneros de males: um, designado geralmente como maldade, é, sem dúvida, doença da alma. Teeteto — Certo. Estrangeiro — O outro tem o nome de ignorância; mas, por ser o único vício da alma, de regra não a consideram como tal. Teeteto — Evidentemente, terei de admitir o que a princípio duvidava, quando declaraste haver dois gêneros de maldade na alma, e que a cobardia, a intemperança e a injustiça devem ser englobadamente consideradas como uma doença em nós, e as manifestações da ignorância, tão variadas quanto freqüentes, como deformidade. XVI — Estrangeiro — E para o caso do corpo, não se formaram duas artes que se ocupam com essas duas afecções? Teeteto — Quais serão? Estrangeiro —
GRC: ψυχῆς, παραφόρου συνέσεως γιγνομένης, οὐδὲν ἄλλο πλὴν παραφροσύνη. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. ψυχὴν ἄρα ἀνόητον αἰσχρὰν καὶ ἄμετρον θετέον. ΘΕΑΙ. ἔοικεν. ΞΕ. ἔστι δὴ δύο ταῦτα, ὡς φαίνεται, κακῶν ἐν αὐτῇ γένη, τὸ μὲν πονηρία καλούμενον ὑπὸ τῶν πολλῶν, νόσος αὐτῆς σαφέστατα ὄν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δέ γε ἄγνοιαν μὲν καλοῦσι, κακίαν δὲ αὐτὸ ἐν ψυχῇ μόνον γιγνόμενον οὐκ ἐθέλουσιν ὁμολογεῖν. ΘΕΑΙ. κομιδῇ συγχωρητέον, ὃ νυνδὴ λέξαντος ἠμφεγνόησά σου, τὸ δύο εἶναι γένη κακίας ἐν ψυχῇ, καὶ δειλίαν μὲν καὶ ἀκολασίαν καὶ ἀδικίαν σύμπαντα ἡγητέον νόσον ἐν ἡμῖν, τὸ δὲ τῆς πολλῆς καὶ παντοδαπῆς ἀγνοίας πάθος αἶσχος θετέον. ΞΕ. οὐκοῦν ἔν γε σώματι περὶ δύο παθήματε τούτω δύο τέχνα τινὲ ἐγενέσθην; ΘΕΑΙ. τίνε τούτω;
[229]
PT-BR: Para e fealdade, ginástica; para a doença, medicina. Teeteto — É evidente. Estrangeiro — E onde há insolência, injustiça e cobardia, não é a correção, dentre todas as artes, a mais de acordo com a justiça? Teeteto — Com toda a probabilidade; pelo menos, assim pensa a maioria. Estrangeiro — E então? Para a ignorância em geral, poder-se-ia indicar uma arte mais adequada do que a da instrução? Teeteto — Não há outra. Estrangeiro — Senão, vejamos. Com respeito à arte do ensino,
GRC: ΞΕ. περὶ μὲν αἶσχος γυμναστική, περὶ δὲ νόσον ἰατρική. ΘΕΑΙ. φαίνεσθον. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ περὶ μὲν ὕβριν καὶ ἀδικίαν καὶ δειλίαν ἡ κολαστικὴ πέφυκε τεχνῶν μάλιστα δὴ πασῶν προσήκουσα Δίκῃ. ΘΕΑΙ. τὸ γοῦν εἰκός, ὡς εἰπεῖν κατὰ τὴν ἀνθρωπίνην δόξαν. ΞΕ. τί δέ; περὶ σύμπασαν ἄγνοιαν μῶν ἄλλην τινὰ ἢ διδασκαλικὴν ὀρθότερον εἴποι τις ἄν; ΘΕΑΙ. οὐδεμίαν.
[229b]
PT-BR: diremos que só há um gênero, ou que há pelo menos dois, e ambos de grande importância? pensa no caso. Teeteto — Já pensei. Estrangeiro — A meu ver, deste modo resolveremos mais facilmente a questão. Teeteto — Como será? Estrangeiro — Examinando a ignorância, para ver se pode ser dividida ao meio. Sendo dupla, é evidente que o ensino deverá também constar de duas partes, uma para cada divisão da ignorância. Teeteto — E com isso, já se te revelou o que procuramos? Estrangeiro — Acho que consegui isolar uma espécie grande e por demais nociva de ignorância, que sozinha vale por todas as outras reunidas. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Quando se imagina conhecer o que não se conhece. Talvez seja essa a origem dos erros a que está sujeito o intelecto. Teeteto — É verdade. Estrangeiro — Essa espécie de ignorância, quero crer, é a única que recebeu o nome de tolice. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E como designaremos a parte do ensino que nos livra de tal inconveniente? Teeteto — Eu, de mim, Estrangeiro, acho que a parte restante tem o nome de ensino profissional; a outra, pelo menos entre nós, é denominada educação. Estrangeiro — O mesmo se observa, Teeteto, entre os demais helenos. Porém ainda nos falta considerar se a educação é um todo indivisível ou se comporta alguma divisão merecedora de nome especial? Teeteto — Falta isso, realmente. XVII — Estrangeiro — Quer parecer-me que neste ponto ela é divisível. Teeteto — Onde? Estrangeiro — No ensino pelo discurso, ao que parece,
GRC: ΞΕ. φέρε δή· διδασκαλικῆς δὲ ἆρα ἓν μόνον γένος φατέον εἶναι ἢ πλείω, δύο δέ τινε αὐτῆς εἶναι μεγίστω; σκόπει. ΘΕΑΙ. σκοπῶ. ΞΕ. καί μοι δοκοῦμεν τῇδε ἄν πῃ τάχιστα εὑρεῖν. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. τὴν ἄγνοιαν ἰδόντες εἴ πῃ κατὰ μέσον αὑτῆς τομὴν ἔχει τινά. διπλῆ γὰρ αὕτη γιγνομένη δῆλον ὅτι καὶ τὴν διδασκαλικὴν δύο ἀναγκάζει μόρια ἔχειν, ἓν ἐφʼ ἑνὶ γένει τῶν αὑτῆς ἑκατέρῳ. ΘΕΑΙ. τί οὖν; καταφανές πῄ σοι τὸ νῦν ζητούμενον; ΞΕ. ἀγνοίας γοῦν μέγα τί μοι δοκῶ καὶ χαλεπὸν ἀφωρισμένον ὁρᾶν εἶδος, πᾶσι τοῖς ἄλλοις αὐτῆς ἀντίσταθμον μέρεσιν. ΘΕΑΙ. ποῖον δή; ΞΕ. τὸ μὴ κατειδότα τι δοκεῖν εἰδέναι· διʼ οὗ κινδυνεύει πάντα ὅσα διανοίᾳ σφαλλόμεθα γίγνεσθαι πᾶσιν. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ. ΞΕ. καὶ δὴ καὶ τούτῳ γε οἶμαι μόνῳ τῆς ἀγνοίας ἀμαθίαν τοὔνομα προσρηθῆναι. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τί δὲ δὴ τῷ τῆς διδασκαλικῆς ἄρα μέρει τῷ τοῦτο ἀπαλλάττοντι λεκτέον; ΘΕΑΙ. οἶμαι μὲν οὖν, ὦ ξένε, τὸ μὲν ἄλλο δημιουργικὰς διδασκαλίας, τοῦτο δὲ ἐνθάδε γε παιδείαν διʼ ἡμῶν κεκλῆσθαι. ΞΕ. καὶ γὰρ σχεδόν, ὦ Θεαίτητε, ἐν πᾶσιν Ἕλλησιν. ἀλλὰ γὰρ ἡμῖν ἔτι καὶ τοῦτο σκεπτέον, ἆρʼ ἄτομον ἤδη ἐστὶ πᾶν ἤ τινα ἔχον διαίρεσιν ἀξίαν ἐπωνυμίας. ΘΕΑΙ. οὐκοῦν χρὴ σκοπεῖν. ΞΕ. δοκεῖ τοίνυν μοι καὶ τοῦτο ἔτι πῃ σχίζεσθαι. ΘΕΑΙ. κατὰ τί;
[229e]
PT-BR: há um trecho mais áspero e outro mais liso. Teeteto — E que qualificativo lhes daremos? Estrangeiro —
GRC: ΞΕ. τῆς ἐν τοῖς λόγοις διδασκαλικῆς ἡ μὲν τραχυτέρα τις ἔοικεν ὁδὸς εἶναι, τὸ δʼ ἕτερον αὐτῆς μόριον λειότερον. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον δὴ τούτων ἑκάτερον λέγομεν;
[230]
PT-BR: Um deles é o método vetusto e venerável que nossos pais geralmente seguiam na educação dos filhos, e que ainda hoje muitos adotam quando os vêem cometer alguma
GRC: ΞΕ. τὸ μὲν ἀρχαιοπρεπές τι πάτριον, ᾧ πρὸς τοὺς ὑεῖς μάλιστʼ ἐχρῶντό τε καὶ ἔτι πολλοὶ χρῶνται τὰ νῦν, ὅταν
[230a]
PT-BR: falta, misto moderado de reprimenda e advertência, e que no todo poderia ser chamado exortação. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Por outro lado, depois de maduras reflexões, há os que opinam que toda ignorância é involuntária e que nenhum dos que se julgam sábios se dispõe a aprender seja o que for daquilo em que se considera forte. Assim, com todo seu trabalho, o método educativo pela admoestação alcança resultados medíocres. Teeteto — Pois têm razão de pensar dessa maneira. Estrangeiro — Daí, adotarem outro processo para se livrarem de semelhante presunção. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Formulam uma série de perguntas sobre assunto em que o interlocutor pensa responder com vantagem, quando a verdade é que não diz coisa com coisa; depois, aproveitando-se de sua desorientação lhe rebatem facilmente as opiniões, que eles amontoam na crítica a que as submetem e, confrontando umas com as outras, mostram como se contradizem sobre os mesmos objetos em idênticas relações e igual sentido. Os que se vêem assim confundidos, acabam por desgostar-se de si próprios e passam a mostrar-se mais dóceis com relação aos outros; isso os livra do
GRC: αὐτοῖς ἐξαμαρτάνωσί τι, τὰ μὲν χαλεπαίνοντες, τὰ δὲ μαλθακωτέρως παραμυθούμενοι· τὸ δʼ οὖν σύμπαν αὐτὸ ὀρθότατα εἴποι τις ἂν νουθετητικήν. ΘΕΑΙ. ἔστιν οὕτως. ΞΕ. τὸ δέ γε, εἴξασί τινες αὖ λόγον ἑαυτοῖς δόντες ἡγήσασθαι πᾶσαν ἀκούσιον ἀμαθίαν εἶναι, καὶ μαθεῖν οὐδέν ποτʼ ἂν ἐθέλειν τὸν οἰόμενον εἶναι σοφὸν τούτων ὧν οἴοιτο πέρι δεινὸς εἶναι, μετὰ δὲ πολλοῦ πόνου τὸ νουθετητικὸν εἶδος τῆς παιδείας σμικρὸν ἀνύτειν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς γε νομίζοντες. ΞΕ. τῷ τοι ταύτης τῆς δόξης ἐπὶ ἐκβολὴν ἄλλῳ τρόπῳ στέλλονται. ΘΕΑΙ. τίνι δή; ΞΕ. διερωτῶσιν ὧν ἂν οἴηταί τίς τι πέρι λέγειν λέγων μηδέν· εἶθʼ ἅτε πλανωμένων τὰς δόξας ῥᾳδίως ἐξετάζουσι, καὶ συνάγοντες δὴ τοῖς λόγοις εἰς ταὐτὸν τιθέασι παρʼ ἀλλήλας, τιθέντες δὲ ἐπιδεικνύουσιν αὐτὰς αὑταῖς ἅμα περὶ τῶν αὐτῶν πρὸς τὰ αὐτὰ κατὰ ταὐτὰ ἐναντίας. οἱ δʼ ὁρῶντες ἑαυτοῖς μὲν χαλεπαίνουσι, πρὸς δὲ τοὺς ἄλλους ἡμεροῦνται,
[230c]
PT-BR: exagerado conceito que faziam deles mesmos, o que, de todas as liberações, é a mais agradável de se ouvir e a de melhor efeito para o interessado. O que se dá, meu caro menino, é que esses purificadores pensam exatamente como os médicos do corpo, os quais acreditam que o corpo não tira benefício algum dos alimentos sem primeiro remover alguém o que o perturba. O mesmo pensam aqueles a respeito da alma, que não pode colher vantagem dos ensinamentos ministrados, enquanto não for submetida
GRC: καὶ τούτῳ δὴ τῷ τρόπῳ τῶν περὶ αὑτοὺς μεγάλων καὶ σκληρῶν δοξῶν ἀπαλλάττονται πασῶν τε ἀπαλλαγῶν ἀκούειν τε ἡδίστην καὶ τῷ πάσχοντι βεβαιότατα γιγνομένην. νομίζοντες γάρ, ὦ παῖ φίλε, οἱ καθαίροντες αὐτούς, ὥσπερ οἱ περὶ τὰ σώματα ἰατροὶ νενομίκασι μὴ πρότερον ἂν τῆς προσφερομένης τροφῆς ἀπολαύειν δύνασθαι σῶμα, πρὶν ἂν τὰ ἐμποδίζοντα ἐντός τις ἐκβάλῃ, ταὐτὸν καὶ περὶ ψυχῆς διενοήθησαν ἐκεῖνοι, μὴ πρότερον αὐτὴν ἕξειν τῶν προσφερομένων μαθημάτων
[230d]
PT-BR: a crítica rigorosa e a refutação não a fizer enrubescer de vergonha, com livrá-la das falsas opiniões que servem de obstáculo ao conhecimento e, assim purificada, levá-la à convicção de que só sabe o que realmente sabe, nada mais do que isso. Teeteto — Sem dúvida; essa é a melhor e mais sábia disposição. Estrangeiro — Por isso mesmo, Teeteto, devemos dizer que a refutação é a maior e mais eficiente purificação, sendo forçoso concluir que o indivíduo que se eximir a esse processo, ainda mesmo que se trate do grande
GRC: ὄνησιν, πρὶν ἂν ἐλέγχων τις τὸν ἐλεγχόμενον εἰς αἰσχύνην καταστήσας, τὰς τοῖς μαθήμασιν ἐμποδίους δόξας ἐξελών, καθαρὸν ἀποφήνῃ καὶ ταῦτα ἡγούμενον ἅπερ οἶδεν εἰδέναι μόνα, πλείω δὲ μή. ΘΕΑΙ. βελτίστη γοῦν καὶ σωφρονεστάτη τῶν ἕξεων αὕτη. ΞΕ. διὰ ταῦτα δὴ πάντα ἡμῖν, ὦ Θεαίτητε, καὶ τὸν ἔλεγχον λεκτέον ὡς ἄρα μεγίστη καὶ κυριωτάτη τῶν καθάρσεών ἐστι, καὶ τὸν ἀνέλεγκτον αὖ νομιστέον, ἂν καὶ τυγχάνῃ
[230e]
PT-BR: Rei, é impuro no mais alto grau, ignorante e deformado naquilo em que deveria mostrar-se mais extreme e mais belo, caso queira alcançar a verdadeira felicidade. Teeteto — Perfeitamente. ## Antilogia a Antilogia Sofística — 231b-233d XVIII — Estrangeiro —
GRC: βασιλεὺς ὁ μέγας ὤν, τὰ μέγιστα ἀκάθαρτον ὄντα, ἀπαίδευτόν τε καὶ αἰσχρὸν γεγονέναι ταῦτα ἃ καθαρώτατον καὶ κάλλιστον ἔπρεπε τὸν ὄντως ἐσόμενον εὐδαίμονα εἶναι. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν.
[231]
PT-BR: E então? E os que praticam semelhante arte, como os denominaremos? Eu, de
GRC: ΞΕ. τί δέ; τοὺς ταύτῃ χρωμένους τῇ τέχνῃ τίνας
[231a]
PT-BR: mim, tenho medo de considerá-los sofistas. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Para não lhes conferir demasiada honra. Teeteto — Mas a descrição se parece maravilhosamente com eles. Estrangeiro — Como o lobo se parece com o cão, o animal mais selvagem com o mais manso. Quem é precavido emprega com cautela semelhantes comparações; é gênero escorregadio. Mas, que fique. Quero crer que não suscitaremos conflitos por pequena diferença de palavras, se sempre
GRC: φήσομεν; ἐγὼ μὲν γὰρ φοβοῦμαι σοφιστὰς φάναι. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. μὴ μεῖζον αὐτοῖς προσάπτωμεν γέρας. ΘΕΑΙ. ἀλλὰ μὴν προσέοικέ γε τοιούτῳ τινὶ τὰ νῦν εἰρημένα. ΞΕ. καὶ γὰρ κυνὶ λύκος, ἀγριώτατον ἡμερωτάτῳ. τὸν δὲ ἀσφαλῆ δεῖ πάντων μάλιστα περὶ τὰς ὁμοιότητας ἀεὶ ποιεῖσθαι τὴν φυλακήν· ὀλισθηρότατον γὰρ τὸ γένος. ὅμως δὲ ἔστω· οὐ γὰρ περὶ σμικρῶν ὅρων τὴν ἀμφισβήτησιν οἴομαι
[231b]
PT-BR: os mantivermos sob vigilância severa. Teeteto — Com toda a probabilidade. Estrangeiro — Destaquemos, então, da arte de se parar a de purificar; da de purificar, a parte que se relaciona com a alma; desta a do ensino, e da do ensino a arte da educação. Na arte da educação, conforme já vimos de relance, a refutação das vãs ostentações de sabedoria nada mais é do que a sofística de nobre nascimento. Teeteto — Façamos isso mesmo. Mas, em virtude de já se nos ter ela apresentado sob tantos aspectos, confesso-me
GRC: γενήσεσθαι τότε ὁπόταν ἱκανῶς φυλάττωσιν. ΘΕΑΙ. οὔκουν τό γε εἰκός. ΞΕ. ἔστω δὴ διακριτικῆς τέχνης καθαρτική, καθαρτικῆς δὲ τὸ περὶ ψυχὴν μέρος ἀφωρίσθω, τούτου δὲ διδασκαλική, διδασκαλικῆς δὲ παιδευτική· τῆς δὲ παιδευτικῆς ὁ περὶ τὴν μάταιον δοξοσοφίαν γιγνόμενος ἔλεγχος ἐν τῷ νῦν λόγῳ παραφανέντι μηδὲν ἄλλʼ ἡμῖν εἶναι λεγέσθω πλὴν ἡ γένει γενναία σοφιστική. ΘΕΑΙ. λεγέσθω μέν· ἀπορῶ δὲ ἔγωγε ἤδη διὰ τὸ πολλὰ
[231c]
PT-BR: em dificuldade para formular com verdade e segurança a definição certa do sofista. Estrangeiro — Compreendo que te encontres em dificuldade. Mas teremos de admitir que ele, também, não estará menos atrapalhado para achar maneira de escapar de nossa argumentação. E muito certo o ditado: Não é fácil fugir de tudo. Por isso, apertemo-lo até o fim. Teeteto — Falaste bem. XIX — Estrangeiro — Inicialmente, aproveitemos esta pausa para tomar fôlego, e enquanto descansamos, cá entre nós façamos a
GRC: πεφάνθαι, τί χρή ποτε ὡς ἀληθῆ λέγοντα καὶ διισχυριζόμενον εἰπεῖν ὄντως εἶναι τὸν σοφιστήν. ΞΕ. εἰκότως γε σὺ ἀπορῶν. ἀλλά τοι κἀκεῖνον ἡγεῖσθαι χρὴ νῦν ἤδη σφόδρα ἀπορεῖν ὅπῃ ποτὲ ἔτι διαδύσεται τὸν λόγον· ὀρθὴ γὰρ ἡ παροιμία, τὸ τὰς ἁπάσας μὴ ῥᾴδιον εἶναι διαφεύγειν. νῦν οὖν καὶ μάλιστα ἐπιθετέον αὐτῷ. ΘΕΑΙ. καλῶς λέγεις. ΞΕ. πρῶτον δὴ στάντες οἷον ἐξαναπνεύσωμεν, καὶ πρὸς
[231d]
PT-BR: conta das formas sob que o sofista já nos apareceu. Se mal não me lembro, de início achamos que ele era um caçador que sabia cobrar seus serviços para pegar moços ricos. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Em segundo lugar, mercador de conhecimentos para a alma. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E em terceiro, não se nos revelou retalhista desses mesmos conhecimentos? Teeteto — Sim; e em quarto, fabricante dos conhecimentos que ele próprio vende. Estrangeiro — Tens boa memória. A quinta fica a meu cargo definir: uma espécie de atleta nos
GRC: ἡμᾶς αὐτοὺς διαλογισώμεθα ἅμα ἀναπαυόμενοι, φέρε, ὁπόσα ἡμῖν ὁ σοφιστὴς πέφανται. δοκῶ μὲν γάρ, τὸ πρῶτον ηὑρέθη νέων καὶ πλουσίων ἔμμισθος θηρευτής. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δέ γε δεύτερον ἔμπορός τις περὶ τὰ τῆς ψυχῆς μαθήματα. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τρίτον δὲ ἆρα οὐ περὶ αὐτὰ ταῦτα κάπηλος ἀνεφάνη; ΘΕΑΙ. ναί, καὶ τέταρτόν γε αὐτοπώλης περὶ τὰ μαθήματα ἡμῖν ἦν. ΞΕ. ὀρθῶς ἐμνημόνευσας. πέμπτον δʼ ἐγὼ πειράσομαι
[231e]
PT-BR: certames da palavra e por demais habilidoso na arte das disputas. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — A sexta forma suscitou discussões; não obstante, concordamos em atribuir-lhe o papel de purificador das opiniões que na alma servem de obstáculo para o conhecimento. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro —
GRC: μνημονεύειν· τῆς γὰρ ἀγωνιστικῆς περὶ λόγους ἦν τις ἀθλητής, τὴν ἐριστικὴν τέχνην ἀφωρισμένος. ΘΕΑΙ. ἦν γὰρ οὖν. ΞΕ. τό γε μὴν ἕκτον ἀμφισβητήσιμον μέν, ὅμως δʼ ἔθεμεν αὐτῷ συγχωρήσαντες δοξῶν ἐμποδίων μαθήμασιν περὶ ψυχὴν καθαρτὴν αὐτὸν εἶναι. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν.
[232]
PT-BR: Ainda não percebeste que o indivíduo versado em diferentes conhecimentos, sempre que é designado profissionalmente pelo nome de uma única arte não nos proporciona uma imagem sadia? É evidente que quem faz tal idéia de determinada arte é incapaz de distinguir nela o ponto de convergência daqueles conhecimentos. Essa a razão de ser ele designado por muitos nomes, não apenas por um. Teeteto — É bem provável que tudo se passe como disseste. XX — Estrangeiro — Acautelemo-nos para que não nos aconteça a mesma coisa, por falta de diligência em nossa investigação. Voltemos, pois, para o começo e recapitulemos o que ficou dito a respeito do sofista. Uma particularidade me parece designá-lo à maravilha. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Se estou bem lembrado, dissemos que era disputador. Teeteto — Certo. Estrangeiro — E então? E também não afirmamos que ele ensinava a outras pessoas essa mesma arte? Teeteto — Afirmamos. Estrangeiro — Determinemos, então, em que essa gente se considera competente para ensinar aos outros é arte de disputar. De início, orientemos nosso exame da seguinte
GRC: ΞΕ. ἆρʼ οὖν ἐννοεῖς, ὅταν ἐπιστήμων τις πολλῶν φαίνηται, μιᾶς δὲ τέχνης ὀνόματι προσαγορεύηται, τὸ φάντασμα τοῦτο ὡς οὐκ ἔσθʼ ὑγιές, ἀλλὰ δῆλον ὡς ὁ πάσχων αὐτὸ πρός τινα τέχνην οὐ δύναται κατιδεῖν ἐκεῖνο αὐτῆς εἰς ὃ πάντα τὰ μαθήματα ταῦτα βλέπει, διὸ καὶ πολλοῖς ὀνόμασιν ἀνθʼ ἑνὸς τὸν ἔχοντα αὐτὰ προσαγορεύει; ΘΕΑΙ. κινδυνεύει τοῦτο ταύτῃ πῃ μάλιστα πεφυκέναι. ΞΕ. μὴ τοίνυν ἡμεῖς γε αὐτὸ ἐν τῇ ζητήσει διʼ ἀργίαν πάσχωμεν, ἀλλʼ ἀναλάβωμεν ἓν πρῶτον τῶν περὶ τὸν σοφιστὴν εἰρημένων. ἓν γάρ τί μοι μάλιστα κατεφάνη αὐτὸν μηνῦον. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ἀντιλογικὸν αὐτὸν ἔφαμεν εἶναί που. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τί δʼ; οὐ καὶ τῶν ἄλλων αὐτοῦ τούτου διδάσκαλον γίγνεσθαι; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. σκοπῶμεν δή, περὶ τίνος ἄρα καί φασιν οἱ τοιοῦτοι ποιεῖν ἀντιλογικούς. ἡ δὲ σκέψις ἡμῖν ἐξ ἀρχῆς ἔστω τῇδέ
[232c]
PT-BR: maneira: será acerca das coisas divinas de modo geral, ocultas aos homens, que eles comunicam a seus discípulos a capacidade de discutir? Teeteto — Pelo menos, é o que todos dizem. Estrangeiro — E também acerca de tudo o que vemos na terra e no céu e de quanto em ambos se contém. Teeteto — Por que não? Estrangeiro — Mas, em suas reuniões particulares quando discutem problemas gerais da geração e do ser sabemos perfeitamente que são tão fortes na arte de se contradizerem, como capazes de transmitir aos outros essa mesma habilidade. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E a respeito de leis e dos negócio públicos, não se comprometem a fazer dos outros bons disputadores? Teeteto — Ninguém, por assim dizer, os procuraria, se da parte deles não houvesse tal promessa. Estrangeiro — No que entende com as artes em geral e com cada uma em particular, todas as objeções a que os respectivos profissionais precisarão responder foram redigidas em forma popular e se encontram ao alcance de quem quiser estudá-las. Teeteto — Quer parecer-me que te referes aos escritos de Protágoras sobre
GRC: πῃ. φέρε, περὶ τῶν θείων, ὅσʼ ἀφανῆ τοῖς πολλοῖς, ἆρʼ ἱκανοὺς ποιοῦσι τοῦτο δρᾶν; ΘΕΑΙ. λέγεται γοῦν δὴ περὶ αὐτῶν ταῦτα. ΞΕ. τί δʼ ὅσα φανερὰ γῆς τε καὶ οὐρανοῦ καὶ τῶν περὶ τὰ τοιαῦτα; ΘΕΑΙ. τί γάρ; ΞΕ. ἀλλὰ μὴν ἔν γε ταῖς ἰδίαις συνουσίαις, ὁπόταν γενέσεώς τε καὶ οὐσίας πέρι κατὰ πάντων λέγηταί τι, σύνισμεν ὡς αὐτοί τε ἀντειπεῖν δεινοὶ τούς τε ἄλλους ὅτι ποιοῦσιν ἅπερ αὐτοὶ δυνατούς; ΘΕΑΙ. παντάπασί γε. ΞΕ. τί δʼ αὖ περὶ νόμων καὶ συμπάντων τῶν πολιτικῶν, ἆρʼ οὐχ ὑπισχνοῦνται ποιεῖν ἀμφισβητητικούς; ΘΕΑΙ. οὐδεὶς γὰρ ἂν αὐτοῖς ὡς ἔπος εἰπεῖν διελέγετο μὴ τοῦτο ὑπισχνουμένοις. ΞΕ. τά γε μὴν περὶ πασῶν τε καὶ κατὰ μίαν ἑκάστην τέχνην, ἃ δεῖ πρὸς ἕκαστον αὐτὸν τὸν δημιουργὸν ἀντειπεῖν, δεδημοσιωμένα που καταβέβληται γεγραμμένα τῷ βουλομένῳ μαθεῖν. ΘΕΑΙ. τὰ Πρωταγόρειά μοι φαίνῃ περί τε πάλης καὶ
[232e]
PT-BR: a luta e outras artes que tais. Estrangeiro — Isso mesmo, varão felicíssimo, e a muitas outras coisas mais. E sua arte de contradizer, não se te afigura, em resumo, uma faculdade capaz de discutir todos os assuntos? Teeteto — Parece, mesmo, que pouquíssima coisa lhe escapa. Estrangeiro — Mas, pelos deuses, menino, achas possível semelhante coisa? Talvez vossos olhos de moço distingam com nitidez o que para os nossos é confuso. Teeteto —
GRC: τῶν ἄλλων τεχνῶν εἰρηκέναι. ΞΕ. καὶ πολλῶν γε, ὦ μακάριε, ἑτέρων. ἀτὰρ δὴ τὸ τῆς ἀντιλογικῆς τέχνης ἆρʼ οὐκ ἐν κεφαλαίῳ περὶ πάντων πρὸς ἀμφισβήτησιν ἱκανή τις δύναμις ἔοικʼ εἶναι; ΘΕΑΙ. φαίνεται γοῦν δὴ σχεδὸν οὐδὲν ὑπολιπεῖν. ΞΕ. σὺ δὴ πρὸς θεῶν, ὦ παῖ, δυνατὸν ἡγῇ τοῦτο; τάχα γὰρ ἂν ὑμεῖς μὲν ὀξύτερον οἱ νέοι πρὸς αὐτὸ βλέποιτε, ἡμεῖς δὲ ἀμβλύτερον.
[233]
PT-BR: A que te referes, e qual a razão de te manifestares desse modo? Não apanho bem o sentido da questão. ## Mímesis a Produção Mimética de Imagens — 233d-236d Estrangeiro — Pergunto se é possível conhecer-se tudo. Teeteto — Se fosse assim, Estrangeiro, a raça humana seria composta só de eleitos. Estrangeiro — De que maneira, então, num debate com algum indivíduo atilado poderá o ignorante dizer algo sadio? Teeteto — Não é possível Estrangeiro — E qual será o segredo dessa habilidade sofística? Teeteto — A respeito de quê? Estrangeiro — Como chegam a convencer os moços de que eles sabem tudo. Pois é evidente que se não discutissem nem lhes deixassem a impressão de bons disputadores, ou, ainda que o fizessem, se esses mesmos dotes de controversistas não lhes granjeassem fama de sábios, conforme acabaste de dizer, de maravilha se decidira alguém a dar-lhes dinheiro só para ter a honra de tornar-se seu discípulo. Teeteto — Sim, fora difícil. Estrangeiro — Mas o certo é que todos o fazem. Teeteto — E de muito bom grado. Estrangeiro — É que, a meu ver, eles dão a impressão de serem assaz instruídos nos assuntos que discutem. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Porém não dissemos que discutem a respeito de tudo? Teeteto — Sim. Estrangeiro — É assim que eles aparecem aos olhos dos alunos como sábios universais. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Muito embora não o sejam, pois já vimos não ser possível tal coisa. Teeteto — Sim, é de todo em todo impossível. XXI — Estrangeiro — Logo, o sofista se nos revelou como possuidor de um conhecimento aparente sobre todos os assuntos, não do verdadeiro conhecimento. Teeteto — Exato. Quanto disseste talvez seja o que de mais pertinente já se falou a esse respeito. Estrangeiro — Sendo assim, para melhor ilustração formulemos um exemplo mais claro. Teeteto — Como será? Estrangeiro — Deste jeito. Presta atenção, para responderes certo. Teeteto — A respeito de quê? Estrangeiro — Se alguém se apresentasse, não como entendido na arte de falar e contestar, mas como capaz de fazer e de executar tudo... Teeteto — Tudo, como? Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Não entendeste nem o começo do que eu disse. Ao que parece, ignoras o que seja Tudo. Teeteto — Não entendi, realmente. Estrangeiro — Ora bem; por Tudo, compreendo eu e tu, e também todos os animais e todas as árvores. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Imagino alguém que se declarasse capaz de fazer a mim e a ti e a todas as plantas. Teeteto —
GRC: ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον, καὶ πρὸς τί μάλιστα λέγεις; οὐ γάρ που κατανοῶ τὸ νῦν ἐρωτώμενον. ΞΕ. εἰ πάντα ἐπίστασθαί τινα ἀνθρώπων ἐστὶ δυνατόν. ΘΕΑΙ. μακάριον μεντἂν ἡμῶν, ὦ ξένε, ἦν τὸ γένος. ΞΕ. πῶς οὖν ἄν ποτέ τις πρός γε τὸν ἐπιστάμενον αὐτὸς ἀνεπιστήμων ὢν δύναιτʼ ἂν ὑγιές τι λέγων ἀντειπεῖν; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς. ΞΕ. τί ποτʼ οὖν ἂν εἴη τὸ τῆς σοφιστικῆς δυνάμεως θαῦμα; ΘΕΑΙ. τοῦ δὴ πέρι; ΞΕ. καθʼ ὅντινα τρόπον ποτὲ δυνατοὶ τοῖς νέοις δόξαν παρασκευάζειν ὡς εἰσὶ πάντα πάντων αὐτοὶ σοφώτατοι. δῆλον γὰρ ὡς εἰ μήτε ἀντέλεγον ὀρθῶς μήτε ἐκείνοις ἐφαίνοντο, φαινόμενοί τε εἰ μηδὲν αὖ μᾶλλον ἐδόκουν διὰ τὴν ἀμφισβήτησιν εἶναι φρόνιμοι, τὸ σὸν δὴ τοῦτο, σχολῇ ποτʼ ἂν αὐτοῖς τις χρήματα διδοὺς ἤθελεν ἂν τούτων αὐτῶν μαθητὴς γίγνεσθαι. ΘΕΑΙ. σχολῇ μεντἄν. ΞΕ. νῦν δέ γʼ ἐθέλουσιν; ΘΕΑΙ. καὶ μάλα. ΞΕ. δοκοῦσι γὰρ οἶμαι πρὸς ταῦτα ἐπιστημόνως ἔχειν αὐτοὶ πρὸς ἅπερ ἀντιλέγουσιν. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. δρῶσι δέ γε τοῦτο πρὸς ἅπαντα, φαμέν; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. πάντα ἄρα σοφοὶ τοῖς μαθηταῖς φαίνονται. ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. οὐκ ὄντες γε· ἀδύνατον γὰρ τοῦτό γε ἐφάνη. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐκ ἀδύνατον; ΞΕ. δοξαστικὴν ἄρα τινὰ περὶ πάντων ἐπιστήμην ὁ σοφιστὴς ἡμῖν ἀλλʼ οὐκ ἀλήθειαν ἔχων ἀναπέφανται. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν, καὶ κινδυνεύει γε τὸ νῦν εἰρημένον ὀρθότατα περὶ αὐτῶν εἰρῆσθαι. ΞΕ. λάβωμεν τοίνυν σαφέστερόν τι παράδειγμα περὶ τούτων. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον δή; ΞΕ. τόδε. καί μοι πειρῶ προσέχων τὸν νοῦν εὖ μάλα ἀποκρίνασθαι. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. εἴ τις φαίη μὴ λέγειν μηδʼ ἀντιλέγειν, ἀλλὰ ποιεῖν καὶ δρᾶν μιᾷ τέχνῃ συνάπαντα ἐπίστασθαι πράγματα— ΘΕΑΙ. πῶς πάντα εἶπες; ΞΕ. τὴν ἀρχὴν τοῦ ῥηθέντος σύ γʼ ἡμῖν εὐθὺς ἀγνοεῖς· τὰ γὰρ σύμπαντα, ὡς ἔοικας, οὐ μανθάνεις. ΘΕΑΙ. οὐ γὰρ οὖν. ΞΕ. λέγω τοίνυν σὲ καὶ ἐμὲ τῶν πάντων καὶ πρὸς ἡμῖν τἆλλα ζῷα καὶ δένδρα. ΘΕΑΙ. πῶς λέγεις; ΞΕ. εἴ τις ἐμὲ καὶ σὲ καὶ τἆλλα φυτὰ πάντα ποιήσειν φαίη—
[234]
PT-BR: A que vem esse Fazer? De, certo não tens em mente
GRC:
[234a]
PT-BR: algum lavrador, visto dizeres que ele faz animais. Estrangeiro — Isso mesmo; e também o mar, o céu, os deuses e tudo o mais. E depois de fazer todas essas coisas num abrir e fechar de olhos, vende-as por alguma tutaméia. Teeteto — Decerto estás brincando. Estrangeiro — Como! Quando alguém presume saber tudo e se julga capaz de tudo ensinar a outra pessoa por preço de nada e em pouquíssimo tempo, como não acreditar que seja brincadeira? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E conheces brincadeira mais graciosa e artística do que a mimética? Teeteto — Não, de fato, pois exprimes uma infinidade de coisas só com mencionares esse único gênero, o mais vasto, por assim dizer, e mais variado. XXII — Estrangeiro — A esse modo, quando algum indivíduo se gaba de ser capaz de tudo criar por meio de uma única arte, sabemos muito bem que pela imitação de imagens homônimas dos seres, com a arte da pintura, ele é capaz de enganar meninos pouco avisados, só com lhes mostrar de longe seus desenhos, e de convencê-los de que é, realmente, capaz de produzir o que quiser. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E então? E a respeito dos discursos, não devemos admitir que há outra arte capaz de iludir os jovens e os que ainda se encontram longe da verdade dos fatos, com lhes enfeitiçar os ouvidos por meio de imagens faladas, deixando-os convencidos de ser verdade o que ele diz e de que o orador é o mais sábio dos homens? Teeteto — E por que não existiria uma arte desse tipo? Estrangeiro — Mas a maioria das pessoas, Teeteto, presente a tais discussões, não serão levadas, com a idade e o passar do tempo, quando entrarem em contato mais íntimo com a realidade e a experiência os forçar a sentir a verdade das coisas, a modificar as opiniões então admitidas, de forma que o que era grande lhes pareça pequeno, o que era fácil,
GRC: ΘΕΑΙ. τίνα δὴ λέγων τὴν ποίησιν; οὐ γὰρ δὴ γεωργόν γε ἐρεῖς τινα· καὶ γὰρ ζῴων αὐτὸν εἶπες ποιητήν. ΞΕ. φημί, καὶ πρός γε θαλάττης καὶ γῆς καὶ οὐρανοῦ καὶ θεῶν καὶ τῶν ἄλλων συμπάντων· καὶ τοίνυν καὶ ταχὺ ποιήσας αὐτῶν ἕκαστα πάνυ σμικροῦ νομίσματος ἀποδίδοται. ΘΕΑΙ. παιδιὰν λέγεις τινά. ΞΕ. τί δέ; τὴν τοῦ λέγοντος ὅτι πάντα οἶδε καὶ ταῦτα ἕτερον ἂν διδάξειεν ὀλίγου καὶ ἐν ὀλίγῳ χρόνῳ, μῶν οὐ παιδιὰν νομιστέον; ΘΕΑΙ. πάντως που. ΞΕ. παιδιᾶς δὲ ἔχεις ἤ τι τεχνικώτερον ἢ καὶ χαριέστερον εἶδος ἢ τὸ μιμητικόν; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς· πάμπολυ γὰρ εἴρηκας εἶδος εἰς ἓν πάντα συλλαβὼν καὶ σχεδὸν ποικιλώτατον. ΞΕ. οὐκοῦν τόν γʼ ὑπισχνούμενον δυνατὸν εἶναι μιᾷ τέχνῃ πάντα ποιεῖν γιγνώσκομέν που τοῦτο, ὅτι μιμήματα καὶ ὁμώνυμα τῶν ὄντων ἀπεργαζόμενος τῇ γραφικῇ τέχνῃ δυνατὸς ἔσται τοὺς ἀνοήτους τῶν νέων παίδων, πόρρωθεν τὰ γεγραμμένα ἐπιδεικνύς, λανθάνειν ὡς ὅτιπερ ἂν βουληθῇ δρᾶν, τοῦτο ἱκανώτατος ὢν ἀποτελεῖν ἔργῳ. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τί δὲ δή; περὶ τοὺς λόγους ἆρʼ οὐ προσδοκῶμεν εἶναί τινα ἄλλην τέχνην, ᾗ αὖ δυνατὸν ὂν αὖ τυγχάνει τοὺς νέους καὶ ἔτι πόρρω τῶν πραγμάτων τῆς ἀληθείας ἀφεστῶτας διὰ τῶν ὤτων τοῖς λόγοις γοητεύειν, δεικνύντας εἴδωλα λεγόμενα περὶ πάντων, ὥστε ποιεῖν ἀληθῆ δοκεῖν λέγεσθαι καὶ τὸν λέγοντα δὴ σοφώτατον πάντων ἅπαντʼ εἶναι; ΘΕΑΙ. τί γὰρ οὐκ ἂν εἴη ἄλλη τις τοιαύτη τέχνη; ΞΕ. τοὺς πολλοὺς οὖν, ὦ Θεαίτητε, τῶν τότε ἀκουόντων ἆρʼ οὐκ ἀνάγκη χρόνου τε ἐπελθόντος αὐτοῖς ἱκανοῦ καὶ προϊούσης ἡλικίας τοῖς τε οὖσι προσπίπτοντας ἐγγύθεν καὶ διὰ παθημάτων ἀναγκαζομένους ἐναργῶς ἐφάπτεσθαι τῶν ὄντων, μεταβάλλειν τὰς τότε γενομένας δόξας, ὥστε σμικρὰ μὲν φαίνεσθαι τὰ μεγάλα, χαλεπὰ δὲ τὰ ῥᾴδια, καὶ πάντα
[234e]
PT-BR: difícil, vindo a desmoronar-se em contato com a realidade todas aquelas fantasias de palavras? Teeteto — Sem dúvida, tanto quanto posso julgar na minha idade, conquanto me inclua no número dos que só apanham muito por cima semelhantes questões. Estrangeiro —
GRC: πάντῃ ἀνατετράφθαι τὰ ἐν τοῖς λόγοις φαντάσματα ὑπὸ τῶν ἐν ταῖς πράξεσιν ἔργων παραγενομένων; ΘΕΑΙ. ὡς γοῦν ἐμοὶ τηλικῷδε ὄντι κρῖναι. οἶμαι δὲ καὶ ἐμὲ τῶν ἔτι πόρρωθεν ἀφεστηκότων εἶναι.
[235]
PT-BR: Por isso mesmo, todos nós nos esforçamos, como fazemos desde agora, para te aproximar o mais possível de tudo isso, antes de passares por aquela experiência. Porém, voltando ao sofista, diz-me o seguinte: já
GRC: ΞΕ. τοιγαροῦν ἡμεῖς σε οἵδε πάντες πειρασόμεθα καὶ νῦν πειρώμεθα ὡς ἐγγύτατα ἄνευ τῶν παθημάτων προσάγειν. περὶ δʼ οὖν τοῦ σοφιστοῦ τόδε μοι λέγε· πότερον ἤδη τοῦτο
[235a]
PT-BR: não se nos tornou evidente que ele pertence à classe dos ilusionistas, como simples imitador que é das realidades, ou ainda seremos inclinados a acreditar que possui o verdadeiro conhecimento de todos os assuntos em que se revela disputador habilidoso? Teeteto — Como acreditar nisso, Estrangeiro? Muito pelo contrário, até. De tudo exposto, conclui-se que ele pertence à classe dos que não fazem outra coisa senão brincar. Estrangeiro — Logo, podemos classificá-lo como imitador ilusionista. Teeteto — Como não? XXIII — Estrangeiro — Então, prossigamos! Nosso trabalho, agora, consistirá
GRC: σαφές, ὅτι τῶν γοήτων ἐστί τις, μιμητὴς ὢν τῶν ὄντων, ἢ διστάζομεν ἔτι μὴ περὶ ὅσωνπερ ἀντιλέγειν δοκεῖ δυνατὸς εἶναι, περὶ τοσούτων καὶ τὰς ἐπιστήμας ἀληθῶς ἔχων τυγχάνει; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς ἄν, ὦ ξένε; ἀλλὰ σχεδὸν ἤδη σαφὲς ἐκ τῶν εἰρημένων, ὅτι τῶν τῆς παιδιᾶς μετεχόντων ἐστί τις μερῶν εἷς. ΞΕ. γόητα μὲν δὴ καὶ μιμητὴν ἄρα θετέον αὐτόν τινα. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐ θετέον; ΞΕ. ἄγε δή, νῦν ἡμέτερον ἔργον ἤδη τὸν θῆρα μηκέτʼ
[235b]
PT-BR: em não dar trégua à caça. Já conseguimos envolvê-la quase de todo nas malhas usadas pela dialética em semelhantes casos. De uma coisa, ao menos, não conseguirá escapar. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Ser incluído no gênero dos prestidigitadores. Teeteto — É também o que eu penso a seu respeito. Estrangeiro — Proponho dividir, com a maior rapidez possível, a arte dos simulacros, e, uma vez firmados nela os pés, no caso de tentar resistir-nos o sofista, sugigá-lo segundo as determinações do edito
GRC: ἀνεῖναι· σχεδὸν γὰρ αὐτὸν περιειλήφαμεν ἐν ἀμφιβληστρικῷ τινι τῶν ἐν τοῖς λόγοις περὶ τὰ τοιαῦτα ὀργάνων, ὥστε οὐκέτʼ ἐκφεύξεται τόδε γε. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. τὸ μὴ οὐ τοῦ γένους εἶναι τοῦ τῶν θαυματοποιῶν τις εἷς. ΘΕΑΙ. κἀμοὶ τοῦτό γε οὕτω περὶ αὐτοῦ συνδοκεῖ. ΞΕ. δέδοκται τοίνυν ὅτι τάχιστα διαιρεῖν τὴν εἰδωλοποιικὴν τέχνην, καὶ καταβάντας εἰς αὐτήν, ἐὰν μὲν ἡμᾶς εὐθὺς ὁ σοφιστὴς ὑπομείνῃ, συλλαβεῖν αὐτὸν κατὰ τὰ ἐπεσταλμένα
[235c]
PT-BR: real da razão, a quem apresentaremos a presa. E se ele se enfiar pelos recessos da arte de imitar, continuaremos a acompanhar-lhe o rastro, com subdividir sem parar a secção a que se acolher, até pormos a mão em cima dele. De um jeito ou de outro, nem ele nem espécie alguma poderá gabar-se de haver escapado dos que sabem tratar com igual proficiência o geral e o particular. Teeteto — Falaste bem; assim mesmo é que devemos proceder. Estrangeiro — Continuando a aplicar o método da divisão, creio perceber
GRC: ὑπὸ τοῦ βασιλικοῦ λόγου, κἀκείνῳ παραδόντας ἀποφῆναι τὴν ἄγραν· ἐὰν δʼ ἄρα κατὰ μέρη τῆς μιμητικῆς δύηταί πῃ, συνακολουθεῖν αὐτῷ διαιροῦντας ἀεὶ τὴν ὑποδεχομένην αὐτὸν μοῖραν, ἕωσπερ ἂν ληφθῇ. πάντως οὔτε οὗτος οὔτε ἄλλο γένος οὐδὲν μή ποτε ἐκφυγὸν ἐπεύξηται τὴν τῶν οὕτω δυναμένων μετιέναι καθʼ ἕκαστά τε καὶ ἐπὶ πάντα μέθοδον. ΘΕΑΙ. λέγεις εὖ, καὶ ταῦτα ταύτῃ ποιητέον. ΞΕ. κατὰ δὴ τὸν παρεληλυθότα τρόπον τῆς διαιρέσεως
[235d]
PT-BR: agora duas espécies de arte mimética. Em qual delas se encontra a forma que procuramos, é o que ainda não me considero em condições de decidir. Teeteto — Porém antes disso declaremos quais são essas espécies. Estrangeiro — Vejo primeiro a arte de copiar, que consegue os melhores resultados quando o original é reproduzido em suas proporções de comprimento, largura e profundidade, além das cores apropriadas a cada parte, do
GRC: ἔγωγέ μοι καὶ νῦν φαίνομαι δύο καθορᾶν εἴδη τῆς μιμητικῆς· τὴν δὲ ζητουμένην ἰδέαν, ἐν ὁποτέρῳ ποθʼ ἡμῖν οὖσα τυγχάνει, καταμαθεῖν οὐδέπω μοι δοκῶ νῦν δυνατὸς εἶναι. ΘΕΑΙ. σὺ δʼ ἀλλʼ εἰπὲ πρῶτον καὶ δίελε ἡμῖν τίνε τὼ δύο λέγεις. ΞΕ. μίαν μὲν τὴν εἰκαστικὴν ὁρῶν ἐν αὐτῇ τέχνην. ἔστι δʼ αὕτη μάλιστα ὁπόταν κατὰ τὰς τοῦ παραδείγματος συμμετρίας τις ἐν μήκει καὶ πλάτει καὶ βάθει, καὶ πρὸς
[235e]
PT-BR: que resulta uma cópia perfeita. Teeteto — Como! Não é isso, justamente, que todos os imitadores procuram fazer? Estrangeiro —
GRC: τούτοις ἔτι χρώματα ἀποδιδοὺς τὰ προσήκοντα ἑκάστοις, τὴν τοῦ μιμήματος γένεσιν ἀπεργάζηται. ΘΕΑΙ. τί δʼ; οὐ πάντες οἱ μιμούμενοί τι τοῦτʼ ἐπιχειροῦσι δρᾶν;
[236]
PT-BR: Pelo menos, não é o que se verifica com os que
GRC: ΞΕ. οὔκουν ὅσοι γε τῶν μεγάλων πού τι πλάττουσιν ἔργων ἢ γράφουσιν. εἰ γὰρ ἀποδιδοῖεν τὴν τῶν καλῶν ἀληθινὴν συμμετρίαν, οἶσθʼ ὅτι σμικρότερα μὲν τοῦ δέοντος
[236a]
PT-BR: modelam ou pintam obras monumentais. Pois se quiserem reproduzir as verdadeiras proporções do belo, sabes muito bem que as partes superiores parecerão menores do que o natural, e maiores as de baixo, por contemplarmos umas de longe e outras de perto. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E então? E o que dá a impressão de belo, por ser visto de posição desfavorável, mas que, para quem sabe contemplar essas criações monumentais em nada se assemelha com o modelo que presume imitar, por que nome designaremos? Não merecerá o de simulacro, por apenas parecer, sem ser realmente parecido? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E não constitui isso parte considerável tanto da pintura como
GRC: τὰ ἄνω, μείζω δὲ τὰ κάτω φαίνοιτʼ ἂν διὰ τὸ τὰ μὲν πόρρωθεν, τὰ δʼ ἐγγύθεν ὑφʼ ἡμῶν ὁρᾶσθαι. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. ἆρʼ οὖν οὐ χαίρειν τὸ ἀληθὲς ἐάσαντες οἱ δημιουργοὶ νῦν οὐ τὰς οὔσας συμμετρίας ἀλλὰ τὰς δοξούσας εἶναι καλὰς τοῖς εἰδώλοις ἐναπεργάζονται; ΘΕΑΙ. παντάπασί γε. ΞΕ. τὸ μὲν ἄρα ἕτερον οὐ δίκαιον, εἰκός γε ὄν, εἰκόνα καλεῖν; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τῆς γε μιμητικῆς τὸ ἐπὶ τούτῳ μέρος κλητέον ὅπερ εἴπομεν ἐν τῷ πρόσθεν, εἰκαστικήν; ΘΕΑΙ. κλητέον. ΞΕ. τί δέ; τὸ φαινόμενον μὲν διὰ τὴν οὐκ ἐκ καλοῦ θέαν ἐοικέναι τῷ καλῷ, δύναμιν δὲ εἴ τις λάβοι τὰ τηλικαῦτα ἱκανῶς ὁρᾶν, μηδʼ εἰκὸς ᾧ φησιν ἐοικέναι, τί καλοῦμεν; ἆρʼ οὐκ, ἐπείπερ φαίνεται μέν, ἔοικε δὲ οὔ, φάντασμα; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. οὐκοῦν πάμπολυ καὶ κατὰ τὴν ζωγραφίαν τοῦτο τὸ
[236c]
PT-BR: da arte da imitação em geral? Teeteto — Como não? Estrangeiro — E a arte que produz simulacros, não imagens, não seria mais acertado denominá-la ilusória? Teeteto — Certíssimo. Estrangeiro — Aí temos, pois, as duas espécies de fabricação de imagens a que me referi: a imitativa e a ilusória. Teeteto — Certo. Estrangeiro — A questão que há pouco me deixava em dúvida, sobre sabermos em qual das duas classes devemos incluir o sofista,
GRC: μέρος ἐστὶ καὶ κατὰ σύμπασαν μιμητικήν; ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τὴν δὴ φάντασμα ἀλλʼ οὐκ εἰκόνα ἀπεργαζομένην τέχνην ἆρʼ οὐ φανταστικὴν ὀρθότατʼ ἂν προσαγορεύοιμεν; ΘΕΑΙ. πολύ γε. ΞΕ. τούτω τοίνυν τὼ δύο ἔλεγον εἴδη τῆς εἰδωλοποιικῆς, εἰκαστικὴν καὶ φανταστικήν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. ὃ δέ γε καὶ τότʼ ἠμφεγνόουν, ἐν ποτέρᾳ τὸν σοφιστὴν θετέον, οὐδὲ νῦν πω δύναμαι θεάσασθαι σαφῶς,
[236d]
PT-BR: não me parece ainda muito clara. Nosso homem é, realmente, tão admirável quão difícil de conhecer, pois mais uma vez soube esconder-se com bastante finura numa espécie dura de analisar. Teeteto — Parece, mesmo. Estrangeiro — Concordas comigo por convicção ou te deixas levar pelo hábito e pela corrente do discurso, para dares teu assentimento assim tão à ligeira? Teeteto — De que modo? E por que me fazes semelhante pergunta? XXIV — Estrangeiro — O fato, meu bem-aventurado amigo, é que nos metemos
GRC: ἀλλʼ ὄντως θαυμαστὸς ἁνὴρ καὶ κατιδεῖν παγχάλεπος, ἐπεὶ καὶ νῦν μάλα εὖ καὶ κομψῶς εἰς ἄπορον εἶδος διερευνήσασθαι καταπέφευγεν. ΘΕΑΙ. ἔοικεν. ΞΕ. ἆρʼ οὖν αὐτὸ γιγνώσκων σύμφης, ἤ σε οἷον ῥύμη τις ὑπὸ τοῦ λόγου συνειθισμένον συνεπεσπάσατο πρὸς τὸ ταχὺ συμφῆσαι; ΘΕΑΙ. πῶς καὶ πρὸς τί τοῦτο εἴρηκας; ΞΕ. ὄντως, ὦ μακάριε, ἐσμὲν ἐν παντάπασι χαλεπῇ
[236e]
PT-BR: numa investigação espinhosíssima. Este manifestar-se e este parecer sem que o seja, o poder dizer-se o que não é verdade, sempre foi problema inextricável, assim na antigüidade como no nosso tempo. Pois afirmar que é realmente possível falar ou opinar em falso sem deixar-se colher de nenhum modo nas malhas da contradição, é o que é difícil, Teeteto,
GRC: σκέψει. τὸ γὰρ φαίνεσθαι τοῦτο καὶ τὸ δοκεῖν, εἶναι δὲ μή, καὶ τὸ λέγειν μὲν ἄττα, ἀληθῆ δὲ μή, πάντα ταῦτά ἐστι μεστὰ ἀπορίας ἀεὶ ἐν τῷ πρόσθεν χρόνῳ καὶ νῦν. ὅπως γὰρ εἰπόντα χρὴ ψευδῆ λέγειν ἢ δοξάζειν ὄντως εἶναι, καὶ τοῦτο φθεγξάμενον ἐναντιολογίᾳ μὴ συνέχεσθαι, παντάπασιν, ὦ
[237]
PT-BR:
GRC:
[237a]
PT-BR: de compreender. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — É que semelhante proposição se atreve a afirmar a existência do não-ser, sem o que o falso também não existiria. Parmênides, o grande, meu filho, desde o nosso tempo de criança e enquanto viveu
GRC: Θεαίτητε, χαλεπόν. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. τετόλμηκεν ὁ λόγος οὗτος ὑποθέσθαι τὸ μὴ ὂν εἶναι· ψεῦδος γὰρ οὐκ ἂν ἄλλως ἐγίγνετο ὄν. Παρμενίδης δὲ ὁ μέγας, ὦ παῖ, παισὶν ἡμῖν οὖσιν ἀρχόμενός τε καὶ διὰ τέλους τοῦτο ἀπεμαρτύρατο, πεζῇ τε ὧδε ἑκάστοτε λέγων καὶ μετὰ μέτρων—οὐ γὰρ μήποτε τοῦτο δαμῇ, φησίν, εἶναι μὴ ἐόντα·ἀλλὰ σὺ τῆσδʼ ἀφʼ ὁδοῦ διζήμενος εἶργε νόημα.Parmenides Fr. 7.1
[237b]
PT-BR: protestou contra essa doutrina, repetindo sempre, tanto em prosa corrente como em verso: Nunca , falou, chegarás a entender que o não-ser possa ser. A alma conserva afastada de tais reflexões. Aí tens seu testamento. Porém o mais certo será submeter a sentença à prova adequada. É o que teremos de ver desde já, se não te ocorrer alguma objeção. Teeteto — Comigo não te preocupes. Pensa apenas na melhor maneira de conduzir o discurso, que eu acompanharei de perto tuas pegadas. XXV — Estrangeiro — Sem intenção de brigar nem de pilheriar, mas se algum
GRC: παρʼ ἐκείνου τε οὖν μαρτυρεῖται, καὶ μάλιστά γε δὴ πάντων ὁ λόγος αὐτὸς ἂν δηλώσειε μέτρια βασανισθείς. τοῦτο οὖν αὐτὸ πρῶτον θεασώμεθα, εἰ μή τί σοι διαφέρει. ΘΕΑΙ. τὸ μὲν ἐμὸν ὅπῃ βούλει τίθεσο, τὸν δὲ λόγον ᾗ βέλτιστα διέξεισι σκοπῶν αὐτός τε ἴθι κἀμὲ κατὰ ταύτην τὴν ὁδὸν ἄγε. ΞΕ. ἀλλὰ χρὴ δρᾶν ταῦτα. καί μοι λέγε· τὸ μηδαμῶς ὂν τολμῶμέν που φθέγγεσθαι; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. μὴ τοίνυν ἔριδος ἕνεκα μηδὲ παιδιᾶς, ἀλλʼ εἰ σπουδῇ
[237c]
PT-BR: dos ouvintes se visse na contingência de refletir a que se deve aplicar a expressão Não-ser, teremos de acreditar que ele saberia indicar o objeto adequado e mostrá-lo ao seu interlocutor? Teeteto — Para um espírito como o meu, trata-se de uma pergunta difícil e quase impossível de responder. Estrangeiro — Porém uma coisa é certa: que não podemos atribuir o não-ser a nenhum ser. Teeteto — Como fora possível? Estrangeiro — E se não podemos atribuí-lo ao ser, também não poderemos relacioná-lo com coisa alguma. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — É evidente para todos nós, que ao empregarmos a expressão Alguma coisa, sempre nos referimos a um ser, pois seu emprego isolado e, por assim dizer, nu e despido de todo o ser, é absolutamente impossível. Ou não? Teeteto — Impossível. Estrangeiro — Tua anuência implica reconhecer que sempre que alguém diz alguma coisa, refere-se a um determinado objeto? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Alguma coisa, dirás, é expressão de unidade, como Ambas as coisas, a de dual, e Várias coisas, a de objetos no plural. Teeteto — Exato. Estrangeiro — Porém, ao que parece, quem não diz alguma coisa, por força não dirá nada. Teeteto — Sim, de toda a necessidade. Estrangeiro — Então, nem mesmo devemos conceder que semelhante indivíduo fale, porém não diga nada. Não; o certo será dizer que ele não fala quando se dispõe a enunciar o não-ser. Teeteto — Seria a única maneira de solucionar essa questão intricada. XXVI — Estrangeiro —
GRC: δέοι συννοήσαντά τινα ἀποκρίνασθαι τῶν ἀκροατῶν ποῖ χρὴ τοὔνομʼ ἐπιφέρειν τοῦτο, τὸ μὴ ὄν, τί δοκοῦμεν ἂν εἰς τί καὶ ἐπὶ ποῖον αὐτόν τε καταχρήσασθαι καὶ τῷ πυνθανομένῳ δεικνύναι; ΘΕΑΙ. χαλεπὸν ἤρου καὶ σχεδὸν εἰπεῖν οἵῳ γε ἐμοὶ παντάπασιν ἄπορον. ΞΕ. ἀλλʼ οὖν τοῦτό γε δῆλον, ὅτι τῶν ὄντων ἐπί τι τὸ μὴ ὂν οὐκ οἰστέον. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ ἄν; ΞΕ. οὐκοῦν ἐπείπερ οὐκ ἐπὶ τὸ ὄν, οὐδʼ ἐπὶ τὸ τὶ φέρων ὀρθῶς ἄν τις φέροι. ΘΕΑΙ. πῶς δή; ΞΕ. καὶ τοῦτο ἡμῖν που φανερόν, ὡς καὶ τὸ τὶ τοῦτο ῥῆμα ἐπʼ ὄντι λέγομεν ἑκάστοτε· μόνον γὰρ αὐτὸ λέγειν, ὥσπερ γυμνὸν καὶ ἀπηρημωμένον ἀπὸ τῶν ὄντων ἁπάντων, ἀδύνατον· ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. ἀδύνατον. ΞΕ. ἆρα τῇδε σκοπῶν σύμφης, ὡς ἀνάγκη τόν τι λέγοντα ἕν γέ τι λέγειν; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. ἑνὸς γὰρ δὴ τό γε τὶ φήσεις σημεῖον εἶναι, τὸ δὲ τινὲ δυοῖν, τὸ δὲ τινὲς πολλῶν. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τὸν δὲ δὴ μὴ τὶ λέγοντα ἀναγκαιότατον, ὡς ἔοικε, παντάπασι μηδὲν λέγειν. ΘΕΑΙ. ἀναγκαιότατον μὲν οὖν. ΞΕ. ἆρʼ οὖν οὐδὲ τοῦτο συγχωρητέον, τὸ τὸν τοιοῦτον λέγειν μέν τι, λέγειν μέντοι μηδέν, ἀλλʼ οὐδὲ λέγειν φατέον, ὅς γʼ ἂν ἐπιχειρῇ μὴ ὂν φθέγγεσθαι; ΘΕΑΙ. τέλος γοῦν ἂν ἀπορίας ὁ λόγος ἔχοι.
[238]
PT-BR: É cedo para cantar vitória, meu bem-aventurado amigo, porque ainda falta considerar a maior e a primeira das dificuldades, que diz respeito ao próprio começo da questão. Teeteto — Que queres dizer com isso? Fala sem omitir nada. Estrangeiro — A qualquer ser pode-se acrescentar outro ser. Teeteto — Como não? Estrangeiro — E poderemos também conceder que é possível acrescentar algum ser ao não-ser? Teeteto — Como o poderíamos? Estrangeiro — Classificaremos entre os seres os números em geral? Teeteto — Sem dúvida, se a alguma coisa couber semelhante classificação. Estrangeiro — Sendo assim, nem valerá a pena tentar atribuir pluralidade ou unidade ao não-ser. Teeteto — Se o tentássemos, como parece, não procederíamos com acerto, conforme o prova nosso argumento. Estrangeiro — De que jeito, pois, exprimir com a boca ou conceber de algum modo em pensamento os não-seres ou o não-ser, sem recorrer a números? Teeteto — Diz, de que jeito? Estrangeiro — Quando falamos em não-seres, não lhes atribuímos
GRC: ΞΕ. μήπω μέγʼ εἴπῃς· ἔτι γάρ, ὦ μακάριε, ἔστι, καὶ ταῦτά γε τῶν ἀποριῶν ἡ μεγίστη καὶ πρώτη. περὶ γὰρ αὐτὴν αὐτοῦ τὴν ἀρχὴν οὖσα τυγχάνει. ΘΕΑΙ. πῶς φῄς; λέγε καὶ μηδὲν ἀποκνήσῃς. ΞΕ. τῷ μὲν ὄντι που προσγένοιτʼ ἄν τι τῶν ὄντων ἕτερον. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. μὴ ὄντι δέ τι τῶν ὄντων ἆρά ποτε προσγίγνεσθαι φήσομεν δυνατὸν εἶναι; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ΞΕ. ἀριθμὸν δὴ τὸν σύμπαντα τῶν ὄντων τίθεμεν. ΘΕΑΙ. εἴπερ γε καὶ ἄλλο τι θετέον ὡς ὄν. ΞΕ. μὴ τοίνυν μηδʼ ἐπιχειρῶμεν ἀριθμοῦ μήτε πλῆθος μήτε ἓν πρὸς τὸ μὴ ὂν προσφέρειν. ΘΕΑΙ. οὔκουν ἂν ὀρθῶς γε, ὡς ἔοικεν, ἐπιχειροῖμεν, ὥς φησιν ὁ λόγος. ΞΕ. πῶς οὖν ἂν ἢ διὰ τοῦ στόματος φθέγξαιτο ἄν τις ἢ καὶ τῇ διανοίᾳ τὸ παράπαν λάβοι τὰ μὴ ὄντα ἢ τὸ μὴ ὂν χωρὶς ἀριθμοῦ; ΘΕΑΙ. λέγε πῇ; ΞΕ. μὴ ὄντα μὲν ἐπειδὰν λέγωμεν, ἆρα οὐ πλῆθος
[238c]
PT-BR: número plural? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E quando em não-ser, não lhe emprestamos unidade? Teeteto — É mais do que claro. Estrangeiro — No entanto, afirmamos não ser correto nem justo procurar acomodar o ser ao não-ser. Teeteto — Só dizes a verdade. Estrangeiro — Estás vendo, pois, que é absolutamente impossível enunciar ou dizer alguma coisa, ou sequer pensar seja o que for a respeito do não-ser em si mesmo, por ser ele inconcebível, indizível, impronunciável e indefinível. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Se for assim, há pouco não falei verdade quando disse que iria tratar da maior dificuldade de nosso tema. Teeteto — Como! Haverá outra maior? Estrangeiro — Como não, amigo? Depois de tudo o que ficou exposto, não percebeste em que dificuldade enleia o não-ser a quem se propõe refutá-lo, levando-o a contradizer-se logo às primeiras expressões? Teeteto — Que queres dizer com isso? Sê mais claro. Estrangeiro — Não é de mim que se deve exigir maior
GRC: ἐπιχειροῦμεν ἀριθμοῦ προστιθέναι; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. μὴ ὂν δέ, ἆρα οὐ τὸ ἓν αὖ; ΘΕΑΙ. σαφέστατά γε. ΞΕ. καὶ μὴν οὔτε δίκαιόν γε οὔτε ὀρθόν φαμεν ὂν ἐπιχειρεῖν μὴ ὄντι προσαρμόττειν. ΘΕΑΙ. λέγεις ἀληθέστατα. ΞΕ. συννοεῖς οὖν ὡς οὔτε φθέγξασθαι δυνατὸν ὀρθῶς οὔτʼ εἰπεῖν οὔτε διανοηθῆναι τὸ μὴ ὂν αὐτὸ καθʼ αὑτό, ἀλλʼ ἔστιν ἀδιανόητόν τε καὶ ἄρρητον καὶ ἄφθεγκτον καὶ ἄλογον; ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν. ΞΕ. ἆρʼ οὖν ἐψευσάμην ἄρτι λέγων τὴν μεγίστην ἀπορίαν ἐρεῖν αὐτοῦ πέρι, τὸ δὲ ἔτι μείζω τινὰ λέγειν ἄλλην ἔχομεν; ΘΕΑΙ. τίνα δή; ΞΕ. ὦ θαυμάσιε, οὐκ ἐννοεῖς αὐτοῖς τοῖς λεχθεῖσιν ὅτι καὶ τὸν ἐλέγχοντα εἰς ἀπορίαν καθίστησι τὸ μὴ ὂν οὕτως, ὥστε, ὁπόταν αὐτὸ ἐπιχειρῇ τις ἐλέγχειν, ἐναντία αὐτὸν αὑτῷ περὶ ἐκεῖνο ἀναγκάζεσθαι λέγειν; ΘΕΑΙ. πῶς φῄς; εἰπὲ ἔτι σαφέστερον. ΞΕ. οὐδὲν δεῖ τὸ σαφέστερον ἐν ἐμοὶ σκοπεῖν. ἐγὼ μὲν
[238e]
PT-BR: clareza. Ao afirmar que o não-ser não poderá participar nem do uno nem do múltiplo, então e agora referi-me a ele como unidade. Disse: o não-ser. Apanhas a questão? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — No entanto, neste momento declarei que ele era impronunciável, indivisível e indefinível. Acompanhas-me? Teeteto — Acompanho, como não? Estrangeiro —
GRC: γὰρ ὑποθέμενος οὔτε ἑνὸς οὔτε τῶν πολλῶν τὸ μὴ ὂν δεῖν μετέχειν, ἄρτι τε καὶ νῦν οὕτως ἓν αὐτὸ εἴρηκα· τὸ μὴ ὂν γὰρ φημί. συνίης τοι. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ μὴν αὖ καὶ σμικρὸν ἔμπροσθεν ἄφθεγκτόν τε αὐτὸ καὶ ἄρρητον καὶ ἄλογον ἔφην εἶναι. συνέπῃ; ΘΕΑΙ. συνέπομαι. πῶς γὰρ οὔ;
[239]
PT-BR: E ao tentar atingir-lhe o ser, não contradizia
GRC: ΞΕ. οὐκοῦν τό γε εἶναι προσάπτειν πειρώμενος ἐναντία
[239a]
PT-BR: o que afirmara antes? Teeteto — Parece. Estrangeiro — E então? Ao fazer essa junção, não me expressava como se o ligasse a alguma coisa? Teeteto — Certo. Estrangeiro — E chamando-o de indefinível, indizível e impronunciável, não falava como se ele fosse um? Teeteto — Como não? Estrangeiro — No entanto, também afirmamos que quem quiser expressar-se com acerto, não deverá enunciá-lo nem como uno nem como múltiplo, nem referir-se a ele de maneira nenhuma, pois qualquer indicação a seu respeito implica a idéia de unidade. Teeteto — É absolutamente certo. XXVII — Estrangeiro — Sendo assim, como acreditar no que eu falo? Pois tanto agora como antes, redondamente na tentativa de refutar o não-ser. Vamos procuremo-lo agora em ti. Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Prossigamos! Com a galhardia própria dos moços, esforça-te ao máximo, e sem atribuir ao não-ser nem existência nem unidade nem pluralidade numérica, procura dizer algo razoável a respeito do não-ser. Teeteto — Precisava ser temerário além da conta para tentar alguma coisa, depois de ver o que aconteceu contigo. Estrangeiro — Então, se estiveres de acordo, ponhamo-nos de lado, eu e tu, até encontrarmos quem se sai bem desta enrascadela, e até lá declaremos que com sua astúcia muito própria o sofista se meteu nalgum buraco indevassável. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — Por isso mesmo, se admitirmos que ele possui uma espécie de arte ilusionista,
GRC: τοῖς πρόσθεν ἔλεγον; ΘΕΑΙ. φαίνῃ. ΞΕ. τί δέ; τοῦτο προσάπτων οὐχ ὡς ἑνὶ διελεγόμην; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ μὴν ἄλογόν γε λέγων καὶ ἄρρητον καὶ ἄφθεγκτον ὥς γε πρὸς ἓν τὸν λόγον ἐποιούμην. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. φαμὲν δέ γε δεῖν, εἴπερ ὀρθῶς τις λέξει, μήτε ὡς ἓν μήτε ὡς πολλὰ διορίζειν αὐτό, μηδὲ τὸ παράπαν αὐτὸ καλεῖν· ἑνὸς γὰρ εἴδει καὶ κατὰ ταύτην ἂν τὴν πρόσρησιν προσαγορεύοιτο. ΘΕΑΙ. παντάπασί γε. ΞΕ. τὸν μὲν τοίνυν ἐμέ γε τί τις ἂν λέγοι; καὶ γὰρ πάλαι καὶ τὰ νῦν ἡττημένον ἂν εὕροι περὶ τὸν τοῦ μὴ ὄντος ἔλεγχον. ὥστε ἐν ἔμοιγε λέγοντι, καθάπερ εἶπον, μὴ σκοπῶμεν τὴν ὀρθολογίαν περὶ τὸ μὴ ὄν, ἀλλʼ εἶα δὴ νῦν ἐν σοὶ σκεψώμεθα. ΘΕΑΙ. πῶς φῄς; ΞΕ. ἴθι ἡμῖν εὖ καὶ γενναίως, ἅτε νέος ὤν, ὅτι μάλιστα δύνασαι συντείνας πειράθητι, μήτε οὐσίαν μήτε τὸ ἓν μήτε πλῆθος ἀριθμοῦ προστιθεὶς τῷ μὴ ὄντι, κατὰ τὸ ὀρθὸν φθέγξασθαί τι περὶ αὐτοῦ. ΘΕΑΙ. πολλὴ μεντἄν με καὶ ἄτοπος ἔχοι προθυμία τῆς ἐπιχειρήσεως, εἰ σὲ τοιαῦθʼ ὁρῶν πάσχοντα αὐτὸς ἐπιχειροίην. ΞΕ. ἀλλʼ εἰ δοκεῖ, σὲ μὲν καὶ ἐμὲ χαίρειν ἐῶμεν· ἕως δʼ ἄν τινι δυναμένῳ δρᾶν τοῦτο ἐντυγχάνωμεν, μέχρι τούτου λέγωμεν ὡς παντὸς μᾶλλον πανούργως εἰς ἄπορον ὁ σοφιστὴς τόπον καταδέδυκεν. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα δὴ φαίνεται. ΞΕ. τοιγαροῦν εἴ τινα φήσομεν αὐτὸν ἔχειν φανταστικὴν
[239d]
PT-BR: com a maior facilidade saberá tirar partido da expressão, para virá-la contra nós, e o próprio instante em que o acoimarmos de fazedor de imagens, perguntará o que afinal, entendemos por imagem. Por isso, Teeteto, urge combinar o que iremos responder a esse jovem impertinente. Teeteto — Evidentemente, nos reportaremos às imagens na água e nos espelhos, e também às pintadas ou esculpidas e a quantas mais houver do mesmo gênero. XXVIII — Estrangeiro — Pelo que vejo, Teeteto, nunca puseste os olhos em cima de um sofista. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Acreditas mesmo que ele ande com os olhos fechados ou que não tenha olhos? Teeteto — Como assim? Estrangeiro —
GRC: τέχνην, ῥᾳδίως ἐκ ταύτης τῆς χρείας τῶν λόγων ἀντιλαμβανόμενος ἡμῶν εἰς τοὐναντίον ἀποστρέψει τοὺς λόγους, ὅταν εἰδωλοποιὸν αὐτὸν καλῶμεν, ἀνερωτῶν τί ποτε τὸ παράπαν εἴδωλον λέγομεν. σκοπεῖν οὖν, ὦ Θεαίτητε, χρὴ τί τις τῷ νεανίᾳ πρὸς τὸ ἐρωτώμενον ἀποκρινεῖται. ΘΕΑΙ. δῆλον ὅτι φήσομεν τά τε ἐν τοῖς ὕδασι καὶ κατόπτροις εἴδωλα, ἔτι καὶ τὰ γεγραμμένα καὶ τὰ τετυπωμένα καὶ τἆλλα ὅσα που τοιαῦτʼ ἔσθʼ ἕτερα. ΞΕ. φανερός, ὦ Θεαίτητε, εἶ σοφιστὴν οὐχ ἑωρακώς. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. δόξει σοι μύειν ἢ παντάπασιν οὐκ ἔχειν ὄμματα. ΘΕΑΙ. πῶς;
[240]
PT-BR: Quando lhe deres semelhante resposta e lhe falares em imagens de espelho ou em esculturas, meterá a riso o que disseres, como se estivesses falando com quem enxerga; iria, até,
GRC: ΞΕ. τὴν ἀπόκρισιν ὅταν οὕτως αὐτῷ διδῷς ἐὰν ἐν κατόπτροις ἢ πλάσμασι λέγῃς τι, καταγελάσεταί σου τῶν λόγων, ὅταν ὡς βλέποντι λέγῃς αὐτῷ, προσποιούμενος οὔτε κάτοπτρα
[240a]
PT-BR: a ponto de simular que nada conhece de espelhos nem de água nem da própria vista, para insistir apenas no que se pode tirar de quanto acabaste de enumerar. Teeteto — Que será? Estrangeiro — O que há de comum a tudo o que mencionaste como múltiplo e que te aprouve designar por um único nome, quando te referiste a imagem, como se todas aquelas coisas fossem apenas uma única. Fala, pois, e defende-te, sem ceder ao homem nenhum pedacinho de terreno. Teeteto — Que mais, hóspede, poderemos dizer que seja imagem, se não for outra coisa tirada da verdadeira? Estrangeiro — E se essa outra coisa também é verdadeira,
GRC: οὔτε ὕδατα γιγνώσκειν οὔτε τὸ παράπαν ὄψιν, τὸ δʼ ἐκ τῶν λόγων ἐρωτήσει σε μόνον. ΘΕΑΙ. ποῖον; ΞΕ. τὸ διὰ πάντων τούτων ἃ πολλὰ εἰπὼν ἠξίωσας ἑνὶ προσειπεῖν ὀνόματι φθεγξάμενος εἴδωλον ἐπὶ πᾶσιν ὡς ἓν ὄν. λέγε οὖν καὶ ἀμύνου μηδὲν ὑποχωρῶν τὸν ἄνδρα. ΘΕΑΙ. τί δῆτα, ὦ ξένε, εἴδωλον ἂν φαῖμεν εἶναι πλήν γε τὸ πρὸς τἀληθινὸν ἀφωμοιωμένον ἕτερον τοιοῦτον; ΞΕ. ἕτερον δὲ λέγεις τοιοῦτον ἀληθινόν, ἢ ἐπὶ τίνι τὸ
[240b]
PT-BR: por que razão a denominas outra? Teeteto — Verdadeira não será, porém semelhante. Estrangeiro — E por verdadeiro não entendes o que realmente existe? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E agora: o não verdadeiro não é o oposto do verdadeiro? Teeteto — Exato. Estrangeiro — Sendo assim, o semelhante não existe, já que o consideras não verdadeiro. Teeteto — Não; de certo modo, existe. Estrangeiro — Porém não verdadeiramente, conforme declaraste. Teeteto — De fato; apenas como imagem. Estrangeiro — Logo, muito embora realmente não exista, ele é realmente o que denominamos imagem. Teeteto — Só parece que o ser e o não-ser se deixaram enredar na mais estranha complicação. Estrangeiro — Como não há de ser estranha? De qualquer forma, já percebeste que com essas mudanças rápidas nosso sofista de cem cabeças nos obrigou a admitir que de alguma forma o não-ser existe. Teeteto — Percebi muito bem. Estrangeiro — E depois? Como definiremos sua arte, sem ficarmos incoerentes? Teeteto — Ora! De que tens medo, para falares desse modo? Estrangeiro — Ao dizermos que ele nos engana com fantasmas e possui uma arte ilusória, queríamos entender, provavelmente, que com sua arte nossa alma se nutre de opiniões falsas. Ou que diremos? Teeteto — Isso mesmo; que mais poderá ser? Estrangeiro — Porém, formar opinião falsa é pensar o contrário do que realmente existe. Ou como será? Teeteto — O contrário disso. Estrangeiro — Então, admites que opinião falsa é pensamento do que não existe. Teeteto — Necessariamente. Estrangeiro — E como te parece: o que não existe, não existe mesmo, ou de algum jeito existirá o que de nenhum modo existe? Teeteto — Por força, o não-ser terá de existir de algum modo, se tivermos de aceitar, embora em grau mínimo, a possibilidade do erro. Estrangeiro — E agora: não admitirás, também, que o que não existe absolutamente, existe de maneira absoluta? Teeteto — Admito. Estrangeiro — E que isso também é falso? Teeteto — Também. Estrangeiro —
GRC: τοιοῦτον εἶπες; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς ἀληθινόν γε, ἀλλʼ ἐοικὸς μέν. ΞΕ. ἆρα τὸ ἀληθινὸν ὄντως ὂν λέγων; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. τί δέ; τὸ μὴ ἀληθινὸν ἆρʼ ἐναντίον ἀληθοῦς; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. οὐκ ὄντως οὐκ ὂν ἄρα λέγεις τὸ ἐοικός, εἴπερ αὐτό γε μὴ ἀληθινὸν ἐρεῖς. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ ἔστι γε μήν πως. ΞΕ. οὔκουν ἀληθῶς γε, φῄς. ΘΕΑΙ. οὐ γὰρ οὖν· πλήν γʼ εἰκὼν ὄντως. ΞΕ. οὐκ ὂν ἄρα οὐκ ὄντως ἐστὶν ὄντως ἣν λέγομεν εἰκόνα; ΘΕΑΙ. κινδυνεύει τοιαύτην τινὰ πεπλέχθαι συμπλοκὴν τὸ μὴ ὂν τῷ ὄντι, καὶ μάλα ἄτοπον. ΞΕ. πῶς γὰρ οὐκ ἄτοπον; ὁρᾷς γοῦν ὅτι καὶ νῦν διὰ τῆς ἐπαλλάξεως ταύτης ὁ πολυκέφαλος σοφιστὴς ἠνάγκακεν ἡμᾶς τὸ μὴ ὂν οὐχ ἑκόντας ὁμολογεῖν εἶναί πως. ΘΕΑΙ. ὁρῶ καὶ μάλα. ΞΕ. τί δὲ δή; τὴν τέχνην αὐτοῦ τίνα ἀφορίσαντες ἡμῖν αὐτοῖς συμφωνεῖν οἷοί τε ἐσόμεθα; ΘΕΑΙ. πῇ καὶ τὸ ποῖόν τι φοβούμενος οὕτω λέγεις; ΞΕ. ὅταν περὶ τὸ φάντασμα αὐτὸν ἀπατᾶν φῶμεν καὶ τὴν τέχνην εἶναί τινα ἀπατητικὴν αὐτοῦ, τότε πότερον ψευδῆ δοξάζειν τὴν ψυχὴν ἡμῶν φήσομεν ὑπὸ τῆς ἐκείνου τέχνης, ἢ τί ποτʼ ἐροῦμεν; ΘΕΑΙ. τοῦτο· τί γὰρ ἂν ἄλλο εἴπαιμεν; ΞΕ. ψευδὴς δʼ αὖ δόξα ἔσται τἀναντία τοῖς οὖσι δοξάζουσα, ἢ πῶς; ΘΕΑΙ. οὕτως· τἀναντία. ΞΕ. λέγεις ἄρα τὰ μὴ ὄντα δοξάζειν τὴν ψευδῆ δόξαν; ΘΕΑΙ. ἀνάγκη. ΞΕ. πότερον μὴ εἶναι τὰ μὴ ὄντα δοξάζουσαν, ἤ πως εἶναι τὰ μηδαμῶς ὄντα; ΘΕΑΙ. εἶναί πως τὰ μὴ ὄντα δεῖ γε, εἴπερ ψεύσεταί ποτέ τίς τι καὶ κατὰ βραχύ. ΞΕ. τί δʼ; οὐ καὶ μηδαμῶς εἶναι τὰ πάντως ὄντα δοξάζεται; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τοῦτο δὴ ψεῦδος; ΘΕΑΙ. καὶ τοῦτο.
[241]
PT-BR: A esse modo, deve ser considerada falsa a proposição
GRC: ΞΕ. καὶ λόγος οἶμαι ψευδὴς οὕτω κατὰ ταὐτὰ νομισθήσεται
[241a]
PT-BR: que afirma a existência do não-ser ou a não-existência do ser. Teeteto – Realmente; pois, de que maneira chegaria a ser falsa? Estrangeiro — Não há jeito. Mas isso é o que o sofista não quer admitir. E como o admitiria qualquer pessoa de bom senso, se antes concordou que semelhante asserção não pode ser expressa nem falada nem descrita nem pensada? Será que compreendemos, Teeteto, o que ele quer dizer? Teeteto — Como não compreender, se ele declara que nós dissemos o contrário do que afirmamos antes, quando tivemos o ousio de proclamar que há erros nas opiniões e
GRC: τά τε ὄντα λέγων μὴ εἶναι καὶ τὰ μὴ ὄντα εἶναι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ ἂν ἄλλως τοιοῦτος γένοιτο; ΞΕ. σχεδὸν οὐδαμῶς· ἀλλὰ ταῦτα ὁ σοφιστὴς οὐ φήσει. ἢ τίς μηχανὴ συγχωρεῖν τινα τῶν εὖ φρονούντων, ὅταν ἄφθεγκτα καὶ ἄρρητα καὶ ἄλογα καὶ ἀδιανόητα προσδιωμολογημένα ᾖ τὰ πρὸ τούτων ὁμολογηθέντα; μανθάνομεν, ὦ Θεαίτητε, ἃ λέγει; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐ μανθάνομεν ὅτι τἀναντία φήσει λέγειν ἡμᾶς τοῖς νυνδή, ψευδῆ τολμήσαντας εἰπεῖν ὡς ἔστιν
[241b]
PT-BR: nos discursos? Vimo-nos obrigados um sem número de vezes a ligar o ser ao não-ser, em que tivéssemos acabado de declarar ser isso de todo em todo impossível. XXIX — Estrangeiro — Bem lembrado. Porém passemos a considerar o que será preciso fazer com o sofista. Se insistirmos em procurá-lo na classe dos falsos obreiros e charlatães, bem vês como as dificuldades e as objeções nos surgem aos montes. Teeteto — Sem dúvida; em grande quantidade, mesmo. Estrangeiro — E note-se que só nos ocupamos com uma parte mínima,
GRC: ἐν δόξαις τε καὶ κατὰ λόγους; τῷ γὰρ μὴ ὄντι τὸ ὂν προσάπτειν ἡμᾶς πολλάκις ἀναγκάζεσθαι, διομολογησαμένους νυνδὴ τοῦτο εἶναι πάντων ἀδυνατώτατον. ΞΕ. ὀρθῶς ἀπεμνημόνευσας. ἀλλʼ ὅρα δὴ βουλεύεσθαι τί χρὴ δρᾶν τοῦ σοφιστοῦ πέρι· τὰς γὰρ ἀντιλήψεις καὶ ἀπορίας, ἐὰν αὐτὸν διερευνῶμεν ἐν τῇ τῶν ψευδουργῶν καὶ γοήτων τέχνῃ τιθέντες, ὁρᾷς ὡς εὔποροι καὶ πολλαί. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα. ΞΕ. μικρὸν μέρος τοίνυν αὐτῶν διεληλύθαμεν, οὐσῶν
[241c]
PT-BR: porque elas são, a bem dizer, infinitas. Teeteto — Se é assim, nunca apanharemos o sofista. Estrangeiro — Como! Vamos desistir do nosso propósito, só por comodidade? Teeteto — Não por minha causa, enquanto houver um pingo de possibilidade de segurar nosso homem. Estrangeiro — Pelo que declaraste agora mesmo, mostrar-te-ás indulgente, e até satisfeito, se conseguirmos afrouxar um pouquinho a pressão desse argumento tão obstinado? Teeteto — Como não mostrar-me? Estrangeiro — Porém ainda quero fazer-te outro pedido. Teeteto — Qual será? Estrangeiro — Não me teres na conta de parricida. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Por nos vermos forçados, para defender-nos, a pôr à prova a tese de nosso pai Parmênides e arrancar a conclusão de que, seja como for, o não-ser existe, e que o ser, por sua vez, de algum modo não existe. Teeteto — Evidentemente, essa é a tese que precisamos debater em nossa discussão. Estrangeiro — Sim, até um cego, por assim dizer, fora capaz de enxergar isso, pois,
GRC: ὡς ἔπος εἰπεῖν ἀπεράντων. ΘΕΑΙ. ἀδύνατόν γʼ ἄν, ὡς ἔοικεν, εἴη τὸν σοφιστὴν ἑλεῖν, εἰ ταῦτα οὕτως ἔχει. ΞΕ. τί οὖν; οὕτως ἀποστησόμεθα νῦν μαλθακισθέντες; ΘΕΑΙ. οὔκουν ἔγωγέ φημι δεῖν, εἰ καὶ κατὰ σμικρὸν οἷοί τʼ ἐπιλαβέσθαι πῃ τἀνδρός ἐσμεν. ΞΕ. ἕξεις οὖν συγγνώμην καὶ καθάπερ νῦν εἶπες ἀγαπήσεις ἐάν πῃ καὶ κατὰ βραχὺ παρασπασώμεθα οὕτως ἰσχυροῦ λόγου; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐχ ἕξω; ΞΕ. τόδε τοίνυν ἔτι μᾶλλον παραιτοῦμαί σε. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. μή με οἷον πατραλοίαν ὑπολάβῃς γίγνεσθαί τινα. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. τὸν τοῦ πατρὸς Παρμενίδου λόγον ἀναγκαῖον ἡμῖν ἀμυνομένοις ἔσται βασανίζειν, καὶ βιάζεσθαι τό τε μὴ ὂν ὡς ἔστι κατά τι καὶ τὸ ὂν αὖ πάλιν ὡς οὐκ ἔστι πῃ. ΘΕΑΙ. φαίνεται τὸ τοιοῦτον διαμαχετέον ἐν τοῖς λόγοις. ΞΕ. πῶς γὰρ οὐ φαίνεται καὶ τὸ λεγόμενον δὴ τοῦτο τυφλῷ;
[241e]
PT-BR: a menos que a aceite ou a refute, ninguém poderá falar de discursos ou opiniões falsas, ou de simulacros e de imagens, de imitações e de aparências, nem das respectivas artes, sem cometer o ridículo de cair nas mais grosseiras contradições. Teeteto — É muito certo o que dizes. Estrangeiro —
GRC: τούτων γὰρ μήτʼ ἐλεγχθέντων μήτε ὁμολογηθέντων σχολῇ ποτέ τις οἷός τε ἔσται περὶ λόγων ψευδῶν λέγων ἢ δόξης, εἴτε εἰδώλων εἴτε εἰκόνων εἴτε μιμημάτων εἴτε φαντασμάτων αὐτῶν, ἢ καὶ περὶ τεχνῶν τῶν ὅσαι περὶ ταῦτά εἰσι, μὴ καταγέλαστος εἶναι τά γʼ ἐναντία ἀναγκαζόμενος αὑτῷ λέγειν. ΘΕΑΙ. ἀληθέστατα.
[242]
PT-BR: Por isso, precisamos ter a coragem de refutar desde já a tese paterna, ou, no caso de termos escrúpulo, abandonar definitivamente o assunto. Teeteto — Nada nos impede de proceder dessa maneira Estrangeiro — Então, pela terceira vez vou apresentar-te uma perguntazinha. Teeteto — Bastará falares. Estrangeiro — Disse há pouco que me considero absolutamente inapto para semelhantes refutações, o que se comprovou agora mesmo. Teeteto — Sim, já o disseste. Estrangeiro — Depois de confissão tão franca, receio que me chames de louco por tomar posição diametralmente
GRC: ΞΕ. διὰ ταῦτα μέντοι τολμητέον ἐπιτίθεσθαι τῷ πατρικῷ λόγῳ νῦν, ἢ τὸ παράπαν ἐατέον, εἰ τοῦτό τις εἴργει δρᾶν ὄκνος. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ ἡμᾶς τοῦτό γε μηδὲν μηδαμῇ εἴρξῃ. ΞΕ. τρίτον τοίνυν ἔτι σε σμικρόν τι παραιτήσομαι. ΘΕΑΙ. λέγε μόνον. ΞΕ. εἶπόν που νυνδὴ λέγων ὡς πρὸς τὸν περὶ ταῦτʼ ἔλεγχον ἀεί τε ἀπειρηκὼς ἐγὼ τυγχάνω καὶ δὴ καὶ τὰ νῦν. ΘΕΑΙ. εἶπες. ΞΕ. φοβοῦμαι δὴ τὰ εἰρημένα, μή ποτε διὰ ταῦτά σοι μανικὸς εἶναι δόξω παρὰ πόδα μεταβαλὼν ἐμαυτὸν ἄνω καὶ
[242b]
PT-BR: oposta. Só para ser-te agradável, tentemos refutar a proposição, se é que conseguiremos nosso intento. Teeteto — De minha parte, não receies nenhum reparo, se te abalançares a. coligir provas para o debate. Cria coragem, pois, e principia. XXX — Estrangeiro — Então, por onde devemos começar tão perigosa discussão? Quer parecer-me, filho, que seremos forçados a enveredar por este caminho. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Iniciar a investigação pelo que nos parece
GRC: κάτω. σὴν γὰρ δὴ χάριν ἐλέγχειν τὸν λόγον ἐπιθησόμεθα, ἐάνπερ ἐλέγχωμεν. ΘΕΑΙ. ὡς τοίνυν ἔμοιγε μηδαμῇ δόξων μηδὲν πλημμελεῖν, ἂν ἐπὶ τὸν ἔλεγχον τοῦτον καὶ τὴν ἀπόδειξιν ἴῃς, θαρρῶν ἴθι τούτου γε ἕνεκα. ΞΕ. φέρε δή, τίνα ἀρχήν τις ἂν ἄρξαιτο παρακινδυνευτικοῦ λόγου; δοκῶ μὲν γὰρ τήνδʼ, ὦ παῖ, τὴν ὁδὸν ἀναγκαιοτάτην ἡμῖν εἶναι τρέπεσθαι. ΘΕΑΙ. ποίαν δή; ΞΕ. τὰ δοκοῦντα νῦν ἐναργῶς ἔχειν ἐπισκέψασθαι πρῶτον
[242c]
PT-BR: evidente, para não nos atrapalharmos nem chegarmos muito cedo a um acordo, como se tudo houvesse sido bem solucionado. Teeteto — Sê mais claro no que falas. Estrangeiro — O que eu acho é que Parmênides e quantos se empenharam no exame e na determinação do número e da natureza dos seres, não se preocuparam nada de conversar conosco. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Minha impressão é que cada um nos contava uma história, como se fôssemos crianças: um dizia que os seres são três e que, por vezes, entre eles
GRC: μή πῃ τεταραγμένοι μὲν ὦμεν περὶ ταῦτα, ῥᾳδίως δʼ ἀλλήλοις ὁμολογῶμεν ὡς εὐκρινῶς ἔχοντες. ΘΕΑΙ. λέγε σαφέστερον ὃ λέγεις. ΞΕ. εὐκόλως μοι δοκεῖ Παρμενίδης ἡμῖν διειλέχθαι καὶ πᾶς ὅστις πώποτε ἐπὶ κρίσιν ὥρμησε τοῦ τὰ ὄντα διορίσασθαι πόσα τε καὶ ποῖά ἐστιν. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. μῦθόν τινα ἕκαστος φαίνεταί μοι διηγεῖσθαι παισὶν ὡς οὖσιν ἡμῖν, ὁ μὲν ὡς τρία τὰ ὄντα, πολεμεῖ δὲ ἀλλήλοις
[242d]
PT-BR: surgia briga, mas quando se tornavam amigos, então havia casamento, filhos e educação da prole. Outros falavam em dois princípios: úmido e seco, ou quente e frio, que faziam casar e morar juntos. Nossa gente de Eléia, desde o tempo de Xenófanes, senão antes, conta sua história como se o que denominamos múltiplo não fosse mais que um. Porém certas Musas jônicas ou sicilianas
GRC: ἐνίοτε αὐτῶν ἄττα πῃ, τοτὲ δὲ καὶ φίλα γιγνόμενα γάμους τε καὶ τόκους καὶ τροφὰς τῶν ἐκγόνων παρέχεται· δύο δὲ ἕτερος εἰπών, ὑγρὸν καὶ ξηρὸν ἢ θερμὸν καὶ ψυχρόν, συνοικίζει τε αὐτὰ καὶ ἐκδίδωσι· τὸ δὲ παρʼ ἡμῖν Ἐλεατικὸν ἔθνος, ἀπὸ Ξενοφάνους τε καὶ ἔτι πρόσθεν ἀρξάμενον, ὡς ἑνὸς ὄντος τῶν πάντων καλουμένων οὕτω διεξέρχεται τοῖς μύθοις. Ἰάδες δὲ καὶ Σικελαί τινες ὕστερον Μοῦσαι συνενόησαν ὅτι συμπλέκειν
[242e]
PT-BR: chegaram posteriormente à conclusão de que seria mais seguro fundir as duas teses e afirmar que o ser é
GRC: ἀσφαλέστατον ἀμφότερα καὶ λέγειν ὡς τὸ ὂν πολλά τε καὶ ἕν ἐστιν, ἔχθρᾳ δὲ καὶ φιλίᾳ συνέχεται.
[243]
PT-BR: múltiplo e também uno, e que se mantém coeso pelo ódio e pela amizade. Com efeito: sua discordância, dizem as Musas mais tensas, acaba sempre em harmonia, enquanto as mais frouxas relaxam algum tanto esse estado de tensão permanente e afirmam que as duas condições se alternam, ora passando o todo a ser uno,
GRC: ΞΕ. διαφερόμενον γὰρ ἀεὶ συμφέρεται, φασὶν αἱ συντονώτεραι τῶν Μουσῶν· αἱ δὲ μαλακώτεραι τὸ μὲν ἀεὶ ταῦτα οὕτως ἔχειν ἐχάλασαν, ἐν μέρει δὲ τοτὲ μὲν ἓν εἶναί φασι τὸ πᾶν καὶ φίλον ὑπʼ
[243a]
PT-BR: graças ao amor de Afrodite, ora múltiplo e em guerra consigo mesmo, por causa de certa discordância. Em tudo isso é difícil decidir quem está com a verdade ou com a mentira, sobre ser indecoroso lançar alguma pecha em varões de tão elevado conceito e vetustade. Porém o seguinte pode ser afirmado sem a menor ofensa. Teeteto — Que é? Estrangeiro — É que não tiveram a mínima consideração com o vulgo, do qual fazemos parte. Prosseguem seu caminho sem perguntarem se os acompanhamos ou se
GRC: ἀφροδίτης, τοτὲ δὲ πολλὰ καὶ πολέμιον αὐτὸ αὑτῷ διὰ νεῖκός τι. ταῦτα δὲ πάντα εἰ μὲν ἀληθῶς τις ἢ μὴ τούτων εἴρηκε, χαλεπὸν καὶ πλημμελὲς οὕτω μεγάλα κλεινοῖς καὶ παλαιοῖς ἀνδράσιν ἐπιτιμᾶν· ἐκεῖνο δὲ ἀνεπίφθονον ἀποφήνασθαι— ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ὅτι λίαν τῶν πολλῶν ἡμῶν ὑπεριδόντες ὠλιγώρησαν· οὐδὲν γὰρ φροντίσαντες εἴτʼ ἐπακολουθοῦμεν αὐτοῖς λέγουσιν
[243b]
PT-BR: ficamos para trás. Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Quando algum deles abre a boca para afirmar que existe ou nasceu ou se tornou muitos ou um ou dois, e mistura quente com frio ou imagina combinações e separações, pelos deuses, Teeteto, saberás dizer o que todos eles entendem por essas expressões? Eu de mim, no meu tempo de moço, quando me falavam do que ora nos deixa tão confusos, do não-ser, ficava convencido de que compreendia tudo. Porém bem vês como essa questão agora nos deixa embaraçados. Teeteto — Vejo, sim. Estrangeiro — E possível que em nossa alma se passe a mesma coisa com relação ao ser, e imaginamos compreender facilmente o que sobre isso falam, sem nada entendermos do não-ser, quando, de fato, num e noutro caso nossa situação é uma só. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — O mesmo se diga de todos os termos que admitimos antes. Teeteto — Perfeitamente. XXXI — Estrangeiro — Se estiveres de acordo, deixemos para
GRC: εἴτε ἀπολειπόμεθα, περαίνουσι τὸ σφέτερον αὐτῶν ἕκαστοι. ΘΕΑΙ. πῶς λέγεις; ΞΕ. ὅταν τις αὐτῶν φθέγξηται λέγων ὡς ἔστιν ἢ γέγονεν ἢ γίγνεται πολλὰ ἢ ἓν ἢ δύο, καὶ θερμὸν αὖ ψυχρῷ συγκεραννύμενον, ἄλλοθί πῃ διακρίσεις καὶ συγκρίσεις ὑποτιθείς, τούτων, ὦ Θεαίτητε, ἑκάστοτε σύ τι πρὸς θεῶν συνίης ὅτι λέγουσιν; ἐγὼ μὲν γὰρ ὅτε μὲν ἦν νεώτερος, τοῦτό τε τὸ νῦν ἀπορούμενον ὁπότε τις εἴποι, τὸ μὴ ὄν, ἀκριβῶς ᾤμην συνιέναι. νῦν δὲ ὁρᾷς ἵνʼ ἐσμὲν αὐτοῦ πέρι τῆς ἀπορίας. ΘΕΑΙ. ὁρῶ. ΞΕ. τάχα τοίνυν ἴσως οὐχ ἧττον κατὰ τὸ ὂν ταὐτὸν τοῦτο πάθος εἰληφότες ἐν τῇ ψυχῇ περὶ μὲν τοῦτο εὐπορεῖν φαμεν καὶ μανθάνειν ὁπόταν τις αὐτὸ φθέγξηται, περὶ δὲ θάτερον οὔ, πρὸς ἀμφότερα ὁμοίως ἔχοντες. ΘΕΑΙ. ἴσως. ΞΕ. καὶ περὶ τῶν ἄλλων δὴ τῶν προειρημένων ἡμῖν ταὐτὸν τοῦτο εἰρήσθω. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τῶν μὲν τοίνυν πολλῶν πέρι καὶ μετὰ τοῦτο σκεψόμεθʼ,
[243d]
PT-BR: depois a apreciação da maior parte dessas expressões. Urge examinar o chefe principal, o maioral do bando. Teeteto — A que te referes? Evidentemente, queres dizer que devemos iniciar nossa investigação pelo ser, isto é, para vermos o que entendem por essa expressão os que a enunciam. Estrangeiro — Acompanhas-me rente ao calcanhar, Teeteto. A meu ver, o método aconselhável será interrogá-los da seguinte maneira, como se eles estivessem presentes: Vejamos, vós aí, defensores da idéia de que o todo é o quente e o frio ou dois princípios semelhantes: que pretendeis,
GRC: ἂν δόξῃ, περὶ δὲ τοῦ μεγίστου τε καὶ ἀρχηγοῦ πρώτου νῦν σκεπτέον. ΘΕΑΙ. τίνος δὴ λέγεις; ἢ δῆλον ὅτι τὸ ὂν φῂς πρῶτον δεῖν διερευνήσασθαι τί ποθʼ οἱ λέγοντες αὐτὸ δηλοῦν ἡγοῦνται; ΞΕ. κατὰ πόδα γε, ὦ Θεαίτητε, ὑπέλαβες. λέγω γὰρ δὴ ταύτῃ δεῖν ποιεῖσθαι τὴν μέθοδον ἡμᾶς, οἷον αὐτῶν παρόντων ἀναπυνθανομένους ὧδε· φέρε, ὁπόσοι θερμὸν καὶ ψυχρὸν ἤ τινε δύο τοιούτω τὰ πάντʼ εἶναί φατε, τί ποτε
[243e]
PT-BR: ao certo, enunciar, quando dizeis que um e outro ou cada um de per si é ou existe? Como devemos entender esse vosso É? Teremos de admitir um terceiro princípio acrescentado aos dois primeiros, e aceitar que o todo é três, conforme dissestes, não dois apenas? Pois se derdes o nome de Ser a um dos dois, não quereis significar com isso que ambos igualmente sejam. De qualquer forma, um, apenas, terá de ser, não dois. Teeteto — Só dizes a verdade. Estrangeiro — Ou quem sabe se quereis dar ao par o nome de ser? Teeteto — Talvez. Estrangeiro —
GRC: ἄρα τοῦτʼ ἐπʼ ἀμφοῖν φθέγγεσθε, λέγοντες ἄμφω καὶ ἑκάτερον εἶναι; τί τὸ εἶναι τοῦτο ὑπολάβωμεν ὑμῶν; πότερον τρίτον παρὰ τὰ δύο ἐκεῖνα, καὶ τρία τὸ πᾶν ἀλλὰ μὴ δύο ἔτι καθʼ ὑμᾶς τιθῶμεν; οὐ γάρ που τοῖν γε δυοῖν καλοῦντες θάτερον ὂν ἀμφότερα ὁμοίως εἶναι λέγετε· σχεδὸν γὰρ ἂν ἀμφοτέρως ἕν, ἀλλʼ οὐ δύο εἴτην. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ λέγεις. ΞΕ. ἀλλʼ ἆρά γε τὰ ἄμφω βούλεσθε καλεῖν ὄν; ΘΕΑΙ. ἴσως.
[244]
PT-BR: Porém assim, amigos, voltaríamos a lhes falar, diríeis abertamente que ambos são um. Teeteto — Falarias com muito acerto. Estrangeiro — Já que nos encontramos em dificuldades, compete-vos esclarecer o que quereis indicar, quando pronunciais a palavra Ser. É evidente que há muito sabeis isso. Já houve tempo em que nós, também, julgávamos saber; porém agora nos encontramos seriamente atrapalhados. Começai por ensinar-nos esse ponto, a fim de não imaginarmos que compreendemos o que dizeis, quando se dá precisamente
GRC: ΞΕ. ἀλλʼ, ὦ φίλοι, φήσομεν, κἂν οὕτω τὰ δύο λέγοιτʼ ἂν σαφέστατα ἕν. ΘΕΑΙ. ὀρθότατα εἴρηκας. ΞΕ. ἐπειδὴ τοίνυν ἡμεῖς ἠπορήκαμεν, ὑμεῖς αὐτὰ ἡμῖν ἐμφανίζετε ἱκανῶς, τί ποτε βούλεσθε σημαίνειν ὁπόταν ὂν φθέγγησθε. δῆλον γὰρ ὡς ὑμεῖς μὲν ταῦτα πάλαι γιγνώσκετε, ἡμεῖς δὲ πρὸ τοῦ μὲν ᾠόμεθα, νῦν δʼ ἠπορήκαμεν. διδάσκετε οὖν πρῶτον τοῦτʼ αὐτὸ ἡμᾶς, ἵνα μὴ δοξάζωμεν μανθάνειν μὲν τὰ λεγόμενα παρʼ ὑμῶν, τὸ δὲ
[244b]
PT-BR: o contrário. Falando-lhes dessa maneira e exigindo resposta, não apenas deles mas de quantos afirmam que o todo é mais do que um acaso estaremos exorbitando, menino? Teeteto — Absolutamente. XXXII — Estrangeiro — E então? Não precisaremos informar-nos junto dos que afirmam que o todo é um, qual é a propriedade que eles atribuem ao ser? Teeteto — Como não? Estrangeiro — Então, que me respondam a isto: Dizeis que só existe o Uno? É o que afirmamos, responderiam. Não é isso mesmo? Teeteto — Sim. Estrangeiro — E agora: Dais o nome de Ser a alguma coisa? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Que será o mesmo que Um, recorrendo, assim, a duas denominações para a mesma coisa, ou como diremos? Teeteto — Qual poderá ser, Estrangeiro, a resposta deles a semelhante pergunta? Estrangeiro — Evidentemente, Teeteto, para quem parte de tal hipótese, não é fácil responder nem a essa pergunta nem a qualquer outra. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Reconhecer que há dois nomes, depois de admitir que só o Uno existe, é qualquer coisa ridículo. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Como também seria ilógico concordar com quem afirmasse
GRC: τούτου γίγνηται πᾶν τοὐναντίον. ταῦτα δὴ λέγοντές τε καὶ ἀξιοῦντες παρά τε τούτων καὶ παρὰ τῶν ἄλλων ὅσοι πλεῖον ἑνὸς λέγουσι τὸ πᾶν εἶναι, μῶν, ὦ παῖ, τὶ πλημμελήσομεν; ΘΕΑΙ. ἥκιστά γε. ΞΕ. τί δέ; παρὰ τῶν ἓν τὸ πᾶν λεγόντων ἆρʼ οὐ πευστέον εἰς δύναμιν τί ποτε λέγουσι τὸ ὄν; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τόδε τοίνυν ἀποκρινέσθων. ἕν πού φατε μόνον εἶναι; — φαμὲν γάρ, φήσουσιν. ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τί δέ; ὂν καλεῖτέ τι; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. πότερον ὅπερ ἕν, ἐπὶ τῷ αὐτῷ προσχρώμενοι δυοῖν ὀνόμασιν, ἢ πῶς; ΘΕΑΙ. τίς οὖν αὐτοῖς ἡ μετὰ τοῦτʼ, ὦ ξένε, ἀπόκρισις; ΞΕ. δῆλον, ὦ Θεαίτητε, ὅτι τῷ ταύτην τὴν ὑπόθεσιν ὑποθεμένῳ πρὸς τὸ νῦν ἐρωτηθὲν καὶ πρὸς ἄλλο δὲ ὁτιοῦν οὐ πάντων ῥᾷστον ἀποκρίνασθαι. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. τό τε δύο ὀνόματα ὁμολογεῖν εἶναι μηδὲν θέμενον πλὴν ἓν καταγέλαστόν που. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. καὶ τὸ παράπαν γε ἀποδέχεσθαί του λέγοντος ὡς
[244d]
PT-BR: que o nome tem existência à parte. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Aplicar primeiro algum nome a determinado objeto como algo diferente é enunciar duas coisas. Teeteto — Certo. Estrangeiro — E no caso de identificar o nome com a coisa, seria o mesmo que declarar que é nome de nada ou, então, se preferir dizer que é nome de alguma coisa, seguir-se-á que o nome é simplesmente nome de nome, nada mais. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E também que o Uno, como unidade do um, não será senão a unidade do nome. Teeteto — Forçosamente. Estrangeiro — E isto, agora: Dirão que o todo é diferente do um que é, ou que lhe é idêntico? Teeteto — Dirão, como sempre disseram, que idêntico. Estrangeiro — Se o Ser for um todo, como Parmênides também afirma: Tal como a esfera perfeita, redonda por todas as partes Eqüidistantes do centro; pois ter uma certa porção Num lado ou noutro maior ou menor é de todo impossível, o ser, como tal, possuirá meio e extremidades, e tendo tudo isso, forçosamente será dotado de partes. Ou não? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro —
GRC: ἔστιν ὄνομά τι, λόγον οὐκ ἂν ἔχον. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. τιθείς τε τοὔνομα τοῦ πράγματος ἕτερον δύο λέγει πού τινε. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ μὴν ἂν ταὐτόν γε αὐτῷ τιθῇ τοὔνομα, ἢ μηδενὸς ὄνομα ἀναγκασθήσεται λέγειν, εἰ δέ τινος αὐτὸ φήσει, συμβήσεται τὸ ὄνομα ὀνόματος ὄνομα μόνον, ἄλλου δὲ οὐδενὸς ὄν. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. καὶ τὸ ἕν γε, ἑνὸς ὄνομα ὂν καὶ τοῦ ὀνόματος αὖ τὸ ἓν ὄν. ΘΕΑΙ. ἀνάγκη. ΞΕ. τί δέ; τὸ ὅλον ἕτερον τοῦ ὄντος ἑνὸς ἢ ταὐτὸν φήσουσι τούτῳ; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐ φήσουσί τε καὶ φασίν; ΞΕ. εἰ τοίνυν ὅλον ἐστίν, ὥσπερ καὶ Παρμενίδης λέγει,πάντοθεν εὐκύκλου σφαίρης ἐναλίγκιον ὄγκῳ,μεσσόθεν ἰσοπαλὲς πάντῃ· τὸ γὰρ οὔτε τι μεῖζονοὔτε τι βαιότερον πελέναι χρεόν ἐστι τῇ ἢ τῇ,Parmenides Fr. 8.43τοιοῦτόν γε ὂν τὸ ὂν μέσον τε καὶ ἔσχατα ἔχει, ταῦτα δὲ ἔχον πᾶσα ἀνάγκη μέρη ἔχειν· ἢ πῶς; ΘΕΑΙ. οὕτως.
[245]
PT-BR: Contudo, nada impede que uma coisa assim dividida constitua uma unidade, como conjunto e como todo. Teeteto — Por que não? Estrangeiro — Porém; em tais condições, não é impossível que essa coisa seja o próprio Uno? Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — O verdadeiro Uno, na sua mais rigorosa acepção, terá de ser absolutamente indivisível. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — O que for constituído de muitas partes, não corresponderá a essa definição. Teeteto — Compreendo. Estrangeiro — Como, então, diremos: que o ser a quem de todo quadra esse caráter é todo e uno, ou não afirmaremos em absoluto que o ser seja um todo? Teeteto — Difícil escolha me propões. Estrangeiro — A observação é pertinente. Pois o ser a que se ajunta essa espécie de unidade, não ficará idêntico ao um, passando o conjunto a ser maior do que um. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Por outro lado, se
GRC: ΞΕ. ἀλλὰ μὴν τό γε μεμερισμένον πάθος μὲν τοῦ ἑνὸς ἔχειν ἐπὶ τοῖς μέρεσι πᾶσιν οὐδὲν ἀποκωλύει, καὶ ταύτῃ δὴ πᾶν τε ὂν καὶ ὅλον ἓν εἶναι. ΘΕΑΙ. τί δʼ οὔ; ΞΕ. τὸ δὲ πεπονθὸς ταῦτα ἆρʼ οὐκ ἀδύνατον αὐτό γε τὸ ἓν αὐτὸ εἶναι; ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. ἀμερὲς δήπου δεῖ παντελῶς τό γε ἀληθῶς ἓν κατὰ τὸν ὀρθὸν λόγον εἰρῆσθαι. ΘΕΑΙ. δεῖ γὰρ οὖν. ΞΕ. τὸ δέ γε τοιοῦτον ἐκ πολλῶν μερῶν ὂν οὐ συμφωνήσει τῷ ὅλῳ λόγῳ. ΘΕΑΙ. μανθάνω. ΞΕ. πότερον δὴ πάθος ἔχον τὸ ὂν τοῦ ἑνὸς οὕτως ἕν τε ἔσται καὶ ὅλον, ἢ παντάπασι μὴ λέγωμεν ὅλον εἶναι τὸ ὄν; ΘΕΑΙ. χαλεπὴν προβέβληκας αἵρεσιν. ΞΕ. ἀληθέστατα μέντοι λέγεις. πεπονθός τε γὰρ τὸ ὂν ἓν εἶναί πως οὐ ταὐτὸν ὂν τῷ ἑνὶ φανεῖται, καὶ πλέονα δὴ τὰ πάντα ἑνὸς ἔσται. ΘΕΑΙ. ναί.
[245c]
PT-BR: o ser não é tudo, por haver recebido o atributo da unidade, no caso de existir o todo, segue-se que o Uno faltará a si mesmo. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E no rastro desse argumento, se vier a ficar privado de si mesmo, deixará de ser uno. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Porém se o todo absolutamente não existe, o mesmo passa com o ser, que não somente
GRC: ΞΕ. καὶ μὴν ἐάν γε τὸ ὂν ᾖ μὴ ὅλον διὰ τὸ πεπονθέναι τὸ ὑπʼ ἐκείνου πάθος, ᾖ δὲ αὐτὸ τὸ ὅλον, ἐνδεὲς τὸ ὂν ἑαυτοῦ συμβαίνει. ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. καὶ κατὰ τοῦτον δὴ τὸν λόγον ἑαυτοῦ στερόμενον οὐκ ὂν ἔσται τὸ ὄν. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. καὶ ἑνός γε αὖ πλείω τὰ πάντα γίγνεται, τοῦ τε ὄντος καὶ τοῦ ὅλου χωρὶς ἰδίαν ἑκατέρου φύσιν εἰληφότος. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. μὴ ὄντος δέ γε τὸ παράπαν τοῦ ὅλου, ταὐτά τε
[245d]
PT-BR: não é como nunca poderá ser. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Tudo o que adquire existência, só o faz como um todo, de forma que não se pode aceitar como reais nem a existência nem a geração, se não incluirmos o Uno ou o todo entre os seres. Teeteto — De todo o jeito, parece que é assim mesmo. Estrangeiro — E também: como poderá ter quantidade o que não for um todo? O que tem certa quantidade, qua1quer que ela seja, será necessariamente o todo dessa quantidade. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E como essa, se apresentarão mil outras dificuldades, a qual mais
GRC: ταῦτα ὑπάρχει τῷ ὄντι, καὶ πρὸς τῷ μὴ εἶναι μηδʼ ἂν γενέσθαι ποτὲ ὄν. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. τὸ γενόμενον ἀεὶ γέγονεν ὅλον· ὥστε οὔτε οὐσίαν οὔτε γένεσιν ὡς οὖσαν δεῖ προσαγορεύειν τὸ ἓν ἢ τὸ ὅλον ἐν τοῖς οὖσι μὴ τιθέντα. ΘΕΑΙ. παντάπασιν ἔοικε ταῦθʼ οὕτως ἔχειν. ΞΕ. καὶ μὴν οὐδʼ ὁποσονοῦν τι δεῖ τὸ μὴ ὅλον εἶναι· ποσόν τι γὰρ ὄν, ὁπόσον ἂν ᾖ, τοσοῦτον ὅλον ἀναγκαῖον αὐτὸ εἶναι. ΘΕΑΙ. κομιδῇ γε. ΞΕ. καὶ τοίνυν ἄλλα μυρία ἀπεράντους ἀπορίας ἕκαστον
[245e]
PT-BR: inextricável, para quem afirma que o ser é somente um ou somente dois. Teeteto — É o que provam à saciedade as que já se apresentaram; cada uma se prende à anterior, suscitando dúvidas sempre mais sérias e alarmantes acerca das questões já debatidas. XXXIII — Estrangeiro —
GRC: εἰληφὸς φανεῖται τῷ τὸ ὂν εἴτε δύο τινὲ εἴτε ἓν μόνον εἶναι λέγοντι. ΘΕΑΙ. δηλοῖ σχεδὸν καὶ τὰ νῦν ὑποφαίνοντα· συνάπτεται γὰρ ἕτερον ἐξ ἄλλου, μείζω καὶ χαλεπωτέραν φέρον περὶ τῶν ἔμπροσθεν ἀεὶ ῥηθέντων πλάνην.
[246]
PT-BR: Estamos longe de ter esgotado o número dos pensadores meticulosos que se ocuparam com a questão do ser e do não-ser, porém o que já vimos é suficiente. Precisamos agora considerar os que defendem outras doutrinas para, no final de contas convencermo-nos de que a natureza do ser não é absolutamente mais
GRC: ΞΕ. τοὺς μὲν τοίνυν διακριβολογουμένους ὄντος τε πέρι καὶ μή, πάντας μὲν οὐ διεληλύθαμεν, ὅμως δὲ ἱκανῶς ἐχέτω· τοὺς δὲ ἄλλως λέγοντας αὖ θεατέον, ἵνʼ ἐκ πάντων ἴδωμεν
[246a]
PT-BR: fácil de compreender do que a do não-ser. Teeteto — Então, passemos também a examiná-los. Estrangeiro — Dão-nos a impressão de que todos estão travados numa luta de gigantes, tal é sua discordância a respeito do ser. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Uns puxam para a terra tudo o que do céu e do domínio do invisível, tomando nas mãos literalmente, rochas e carvalhos, pois é em tais coisas que se aferram, com afirmarem obstinadamente que só existe o que oferece resistência e que, de algum modo se pode pegar. Definem o corpo e o ser como idênticos,
GRC: ὅτι τὸ ὂν τοῦ μὴ ὄντος οὐδὲν εὐπορώτερον εἰπεῖν ὅτι ποτʼ ἔστιν. ΘΕΑΙ. οὐκοῦν πορεύεσθαι χρὴ καὶ ἐπὶ τούτους. ΞΕ. καὶ μὴν ἔοικέ γε ἐν αὐτοῖς οἷον γιγαντομαχία τις εἶναι διὰ τὴν ἀμφισβήτησιν περὶ τῆς οὐσίας πρὸς ἀλλήλους. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. οἱ μὲν εἰς γῆν ἐξ οὐρανοῦ καὶ τοῦ ἀοράτου πάντα ἕλκουσι, ταῖς χερσὶν ἀτεχνῶς πέτρας καὶ δρῦς περιλαμβάνοντες. τῶν γὰρ τοιούτων ἐφαπτόμενοι πάντων διισχυρίζονται τοῦτο εἶναι μόνον ὃ παρέχει προσβολὴν καὶ ἐπαφήν
[246b]
PT-BR: e se alguém do outro bando assevera que há seres sem corpo, não lhe concedem a mínima atenção e interrompem nesse ponto o diálogo. Teeteto — É uma gente inconversável, realmente; vi muitos tipos assim. Estrangeiro — Por isso mesmo, os que contestam suas proposições se defendem cautelosamente do alto de alguma região invisível, forçando-os a admitir que a verdadeira essência consiste em certas idéias inteligíveis e incorpóreas. Quanto aos corpos, segundo os adversários e o que eles denominam verdade reduzem-nos
GRC: τινα, ταὐτὸν σῶμα καὶ οὐσίαν ὁριζόμενοι, τῶν δὲ ἄλλων εἴ τίς τι φήσει μὴ σῶμα ἔχον εἶναι, καταφρονοῦντες τὸ παράπαν καὶ οὐδὲν ἐθέλοντες ἄλλο ἀκούειν. ΘΕΑΙ. ἦ δεινοὺς εἴρηκας ἄνδρας· ἤδη γὰρ καὶ ἐγὼ τούτων συχνοῖς προσέτυχον. ΞΕ. τοιγαροῦν οἱ πρὸς αὐτοὺς ἀμφισβητοῦντες μάλα εὐλαβῶς ἄνωθεν ἐξ ἀοράτου ποθὲν ἀμύνονται, νοητὰ ἄττα καὶ ἀσώματα εἴδη βιαζόμενοι τὴν ἀληθινὴν οὐσίαν εἶναι· τὰ δὲ ἐκείνων σώματα καὶ τὴν λεγομένην ὑπʼ αὐτῶν ἀλήθειαν
[246c]
PT-BR: a pedacinhos com seus argumentos, e em lugar de essência lhes concedem apenas geração e movimento. Entre esses dois campos, Teeteto, a luta é encarniçada e ininterrupta. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — Perguntemos, então, a esses dois partidos, um por vez, o que eles entendem por essência. Teeteto — E como arrancaremos deles tal explicação? Estrangeiro — Dos que a fazem consistir de idéias, talvez o consigamos facilmente, por serem, de algum modo, mais tratáveis; porém dos que de viva força reduzem tudo
GRC: κατὰ σμικρὰ διαθραύοντες ἐν τοῖς λόγοις γένεσιν ἀντʼ οὐσίας φερομένην τινὰ προσαγορεύουσιν. ἐν μέσῳ δὲ περὶ ταῦτα ἄπλετος ἀμφοτέρων μάχη τις, ὦ Θεαίτητε, ἀεὶ συνέστηκεν. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ. ΞΕ. παρʼ ἀμφοῖν τοίνυν τοῖν γενοῖν κατὰ μέρος λάβωμεν λόγον ὑπὲρ ἧς τίθενται τῆς οὐσίας. ΘΕΑΙ. πῶς οὖν δὴ ληψόμεθα; ΞΕ. παρὰ μὲν τῶν ἐν εἴδεσιν αὐτὴν τιθεμένων ῥᾷον, ἡμερώτεροι γάρ· παρὰ δὲ τῶν εἰς σῶμα πάντα ἑλκόντων
[246d]
PT-BR: a corpo, será muito mais difícil, senão mesmo impossível. Porém acho que com esses tais devemos proceder do seguinte modo. Teeteto — Como será? Estrangeiro — O melhor jeito, no caso de haver algum, é deixá-los realmente melhores. Porém se tal coisa for inexeqüível, admitamos, pelo menos em nosso discurso, que eles condescendem em responder com um pouco mais de cortesia. É de mais valia o assentimento de homens de bem, que não o de indivíduos sem préstimo. Aliás, o que importa não são as pessoas, mas apenas a verdade. Teeteto — É muito certo. XXXIV — Estrangeiro — Então, pede que te respondam os que se tornaram melhores, e atua como intérprete no que expuserem. Teeteto — Sim, façamos isso mesmo. Estrangeiro — Declarem, pois, se admitem que animal mortal é alguma coisa. Teeteto — E por que não admitir? Estrangeiro — E estarão de acordo em que seja um corpo dotado de alma? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E a alma, eles incluem na categoria dos seres? Teeteto —
GRC: βίᾳ χαλεπώτερον, ἴσως δὲ καὶ σχεδὸν ἀδύνατον. ἀλλʼ ὧδέ μοι δεῖν δοκεῖ περὶ αὐτῶν δρᾶν. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. μάλιστα μέν, εἴ πῃ δυνατὸν ἦν, ἔργῳ βελτίους αὐτοὺς ποιεῖν· εἰ δὲ τοῦτο μὴ ἐγχωρεῖ, λόγῳ ποιῶμεν, ὑποτιθέμενοι νομιμώτερον αὐτοὺς ἢ νῦν ἐθέλοντας ἂν ἀποκρίνασθαι. τὸ γὰρ ὁμολογηθὲν παρὰ βελτιόνων που κυριώτερον ἢ τὸ παρὰ χειρόνων· ἡμεῖς δὲ οὐ τούτων φροντίζομεν, ἀλλὰ τἀληθὲς ζητοῦμεν. ΘΕΑΙ. ὀρθότατα. ΞΕ. κέλευε δὴ τοὺς βελτίους γεγονότας ἀποκρίνασθαί σοι, καὶ τὸ λεχθὲν παρʼ αὐτῶν ἀφερμήνευε. ΘΕΑΙ. ταῦτʼ ἔσται. ΞΕ. λεγόντων δὴ θνητὸν ζῷον εἴ φασιν εἶναί τι. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τοῦτο δὲ οὐ σῶμα ἔμψυχον ὁμολογοῦσιν; ΘΕΑΙ. πάνυ γε. ΞΕ. τιθέντες τι τῶν ὄντων ψυχήν;
[247]
PT-BR: Sim. Estrangeiro — E agora: a respeito da alma, não aceitam que alguma possa ser justa e outra injusta, ou esta sensata e aquela desarrazoada? Teeteto — Como não? Estrangeiro — E não é pela presença e posse da justiça que uma alma se torna justa, e pela do contrário, que se torna o oposto disso? Teeteto — É o que terão de conceder. Estrangeiro — Como decerto admitirão que é algo existente o que tanto pode estar presente a alguma coisa como estar ausente. Teeteto — Admitirão, sem dúvida. Estrangeiro — Ora, uma vez que existe a justiça, a sabedoria e as demais virtudes, e também seus contrários, bem como a alma, sede deles todas, como dirão que elas sejam: algo visível e palpável, ou todas serão invisíveis? Teeteto — Dizem que dificilmente qualquer delas poderá ser visível. Estrangeiro — E então? Afirmarão, porventura, que alguma é dotada de corpo? Teeteto — Neste ponto, não respondem de modo simples; para eles a alma seria dotada de uma espécie de corpo. Quanto à sabedoria e tudo o mais a respeito do que lhes perguntaste, envergonhar-se-iam, sem dúvida tanto de afirmar que
GRC: ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τί δέ; ψυχὴν οὐ τὴν μὲν δικαίαν, τὴν δὲ ἄδικόν φασιν εἶναι, καὶ τὴν μὲν φρόνιμον, τὴν δὲ ἄφρονα; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. ἀλλʼ οὐ δικαιοσύνης ἕξει καὶ παρουσίᾳ τοιαύτην αὐτῶν ἑκάστην γίγνεσθαι, καὶ τῶν ἐναντίων τὴν ἐναντίαν; ΘΕΑΙ. ναί, καὶ ταῦτα σύμφασιν. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν τό γε δυνατόν τῳ παραγίγνεσθαι καὶ ἀπογίγνεσθαι πάντως εἶναί τι φήσουσιν. ΘΕΑΙ. φασὶ μὲν οὖν. ΞΕ. οὔσης οὖν δικαιοσύνης καὶ φρονήσεως καὶ τῆς ἄλλης ἀρετῆς καὶ τῶν ἐναντίων, καὶ δὴ καὶ ψυχῆς ἐν ᾗ ταῦτα ἐγγίγνεται, πότερον ὁρατὸν καὶ ἁπτὸν εἶναί φασί τι αὐτῶν ἢ πάντα ἀόρατα; ΘΕΑΙ. σχεδὸν οὐδὲν τούτων γε ὁρατόν. ΞΕ. τί δὲ τῶν τοιούτων; μῶν σῶμά τι λέγουσιν ἴσχειν; ΘΕΑΙ. τοῦτο οὐκέτι κατὰ ταὐτὰ ἀποκρίνονται πᾶν, ἀλλὰ τὴν μὲν ψυχὴν αὐτὴν δοκεῖν σφίσι σῶμά τι κεκτῆσθαι, φρόνησιν δὲ καὶ τῶν ἄλλων ἕκαστον ὧν ἠρώτηκας, αἰσχύνονται
[247c]
PT-BR: carecem absolutamente de existência, como de teimar que todas têm corpo. Estrangeiro — Salta aos olhos, Teeteto, que os homens ficaram mais tratáveis, pois os que foram semeados e são legítimos autóctones, de jeito nenhum se envergonhariam de sua afirmativa inicial, mas insistiriam que não existe em absoluto o que eles não possam esmigalhar entre os dedos. Teeteto — É assim mesmo que todos pensam. Estrangeiro — Voltemos a interrogá-los. Se se dispõem a admitir que alguma parte do ser, embora mínima, é incorpórea, é quanto
GRC: τὸ τολμᾶν ἢ μηδὲν τῶν ὄντων αὐτὰ ὁμολογεῖν ἢ πάντʼ εἶναι σώματα διισχυρίζεσθαι. ΞΕ. σαφῶς γὰρ ἡμῖν, ὦ Θεαίτητε, βελτίους γεγόνασιν ἇνδρες· ἐπεὶ τούτων οὐδʼ ἂν ἓν ἐπαισχυνθεῖεν οἵ γε αὐτῶν σπαρτοί τε καὶ αὐτόχθονες, ἀλλὰ διατείνοιντʼ ἂν πᾶν ὃ μὴ δυνατοὶ ταῖς χερσὶ συμπιέζειν εἰσίν, ὡς ἄρα τοῦτο οὐδὲν τὸ παράπαν ἐστίν. ΘΕΑΙ. σχεδὸν οἷα διανοοῦνται λέγεις. ΞΕ. πάλιν τοίνυν ἀνερωτῶμεν αὐτούς· εἰ γάρ τι καὶ
[247d]
PT-BR: nos basta. Terão agora de explicar o que há de comum, por natureza, nessa parte e em tudo o mais que tem corpo e a que eles visam quando declaram que não existem. Talvez se atrapalhem nessa resposta. Sendo esse o caso, verifica se, por sugestão de nossa parte, não estarão dispostos a aceitar e a reforçar a seguinte definição. Teeteto — Qual é? Enuncia-a logo, para vermos o que sairá disso. Estrangeiro — Declaro, então, que tudo o que possui uma determinada faculdade, seja de atuar de a algum modo sobre outra coisa, seja
GRC: σμικρὸν ἐθέλουσι τῶν ὄντων συγχωρεῖν ἀσώματον, ἐξαρκεῖ. τὸ γὰρ ἐπί τε τούτοις ἅμα καὶ ἐπʼ ἐκείνοις ὅσα ἔχει σῶμα συμφυὲς γεγονός, εἰς ὃ βλέποντες ἀμφότερα εἶναι λέγουσι, τοῦτο αὐτοῖς ῥητέον. τάχʼ οὖν ἴσως ἂν ἀποροῖεν· εἰ δή τι τοιοῦτον πεπόνθασι, σκόπει, προτεινομένων ἡμῶν, ἆρʼ ἐθέλοιεν ἂν δέχεσθαι καὶ ὁμολογεῖν τοιόνδʼ εἶναι τὸ ὄν. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον δή; λέγε, καὶ τάχα εἰσόμεθα. ΞΕ. λέγω δὴ τὸ καὶ ὁποιανοῦν τινα κεκτημένον δύναμιν
[247e]
PT-BR: de sofrer a influência, embora mínima, do mais insignificante agente, mas que fosse uma única vez, é um ser real. Minha definição para explicar os seres é que não passam de capacidade ou força. Teeteto — Como não podem apresentar, assim de pronto, definição melhor, terão de aceitar essa. Estrangeiro —
GRC: εἴτʼ εἰς τὸ ποιεῖν ἕτερον ὁτιοῦν πεφυκὸς εἴτʼ εἰς τὸ παθεῖν καὶ σμικρότατον ὑπὸ τοῦ φαυλοτάτου, κἂν εἰ μόνον εἰς ἅπαξ, πᾶν τοῦτο ὄντως εἶναι· τίθεμαι γὰρ ὅρον ὁρίζειν τὰ ὄντα ὡς ἔστιν οὐκ ἄλλο τι πλὴν δύναμις. ΘΕΑΙ. ἀλλʼ ἐπείπερ αὐτοί γε οὐκ ἔχουσιν ἐν τῷ παρόντι τούτου βέλτιον λέγειν, δέχονται τοῦτο.
[248]
PT-BR: Muito bem. É possível que mais para diante tanto nós como eles mudemos de parecer.
GRC: ΞΕ. καλῶς· ἴσως γὰρ ἂν εἰς ὕστερον ἡμῖν τε καὶ τούτοις
[248a]
PT-BR: Por enquanto, aceitemos essa fórmula como expressão do nosso acordo. Teeteto — Certo. XXXV — Estrangeiro — Passemos agora para os outros, os amigos das idéias. Interpreta-nos também o que disserem. Teeteto — Farei isso mesmo. Estrangeiro — A essência e a geração diferem, e aceitais ambas como distintas, não é isso mesmo? Teeteto — Sim. Estrangeiro — E que só participamos da geração por intermédio do corpo, como é com a alma, por meio do pensamento, que nos comunicamos com o ser verdadeiro, o qual, como afirmais, é sempre o mesmo e imutável, ao passo que a geração varia. Teeteto — Sim, é o que afirmamos. Estrangeiro — Mas por essa comunicação, varões excelentíssimos, num caso e noutro como diremos que pensais? O que enunciamos agora mesmo? Teeteto — Que foi? Estrangeiro — A ação ou a reação de alguma força que se origina do encontro de dois objetos. É possível, Teeteto, que não ouças o que eles respondem; mas eu ouço, por estar habituado a tratar com essa gente. Teeteto — E qual foi a resposta deles? Estrangeiro — Não aceitam o que acabamos de expor aos filhos da terra, a respeito do ser. Teeteto — Que foi? Estrangeiro — Apresentamos como definição cabal do ser a presença do poder de influir em determinado objeto, por menor que seja, ou de ser influenciado por ele. Teeteto — Certo. Estrangeiro — A esse respeito o que eles dizem é que a geração participa, de fato, da faculdade de agir ou de sofrer influências, mas que nenhuma dessas faculdades convém ao ser. Teeteto — E no que eles dizem, não haverá um grãozinho de verdade? Estrangeiro — Certo; porém sobre isso teremos de exigir que nos digam
GRC: ἕτερον ἂν φανείη. πρὸς μὲν οὖν τούτους τοῦτο ἡμῖν ἐνταῦθα μενέτω συνομολογηθέν. ΘΕΑΙ. μένει. ΞΕ. πρὸς δὴ τοὺς ἑτέρους ἴωμεν, τοὺς τῶν εἰδῶν φίλους· σὺ δʼ ἡμῖν καὶ τὰ παρὰ τούτων ἀφερμήνευε. ΘΕΑΙ. ταῦτʼ ἔσται. ΞΕ. γένεσιν, τὴν δὲ οὐσίαν χωρίς που διελόμενοι λέγετε; ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ σώματι μὲν ἡμᾶς γενέσει διʼ αἰσθήσεως κοινωνεῖν, διὰ λογισμοῦ δὲ ψυχῇ πρὸς τὴν ὄντως οὐσίαν, ἣν ἀεὶ κατὰ ταὐτὰ ὡσαύτως ἔχειν φατέ, γένεσιν δὲ ἄλλοτε ἄλλως. ΘΕΑΙ. φαμὲν γὰρ οὖν. ΞΕ. τὸ δὲ δὴ κοινωνεῖν, ὦ πάντων ἄριστοι, τί τοῦθʼ ὑμᾶς ἐπʼ ἀμφοῖν λέγειν φῶμεν; ἆρʼ οὐ τὸ νυνδὴ παρʼ ἡμῶν ῥηθέν; ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. πάθημα ἢ ποίημα ἐκ δυνάμεώς τινος ἀπὸ τῶν πρὸς ἄλληλα συνιόντων γιγνόμενον. τάχʼ οὖν, ὦ Θεαίτητε, αὐτῶν τὴν πρὸς ταῦτα ἀπόκρισιν σὺ μὲν οὐ κατακούεις, ἐγὼ δὲ ἴσως διὰ συνήθειαν. ΘΕΑΙ. τίνʼ οὖν δὴ λέγουσι λόγον; ΞΕ. οὐ συγχωροῦσιν ἡμῖν τὸ νυνδὴ ῥηθὲν πρὸς τοὺς γηγενεῖς οὐσίας πέρι. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ἱκανὸν ἔθεμεν ὅρον που τῶν ὄντων, ὅταν τῳ παρῇ ἡ τοῦ πάσχειν ἢ δρᾶν καὶ πρὸς τὸ σμικρότατον δύναμις; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. πρὸς δὴ ταῦτα τόδε λέγουσιν, ὅτι γενέσει μὲν μέτεστι τοῦ πάσχειν καὶ ποιεῖν δυνάμεως, πρὸς δὲ οὐσίαν τούτων οὐδετέρου τὴν δύναμιν ἁρμόττειν φασίν. ΘΕΑΙ. οὐκοῦν λέγουσί τι; ΞΕ. πρὸς ὅ γε λεκτέον ἡμῖν ὅτι δεόμεθα παρʼ αὐτῶν
[248d]
PT-BR: claramente se se declaram de acordo em que a alma conhece e que o ser é conhecido. Teeteto — É o que sem dúvida confirmarão. Estrangeiro — E então? O conhecer e ser conhecido, como direis que sejam? Trata-se de ação ou de paixão? Ou de ambas as coisas ao mesmo tempo? Ou ambos não terão absolutamente que ver com uma nem com outra? Teeteto — Evidentemente, esse é o caso: nem um nem outro nada tem que ver com as duas. Desse modo, não cairão em contradição com o que disseram antes. Estrangeiro — Compreendo. Porém nisto eles terão de concordar:
GRC: ἔτι πυθέσθαι σαφέστερον εἰ προσομολογοῦσι τὴν μὲν ψυχὴν γιγνώσκειν, τὴν δʼ οὐσίαν γιγνώσκεσθαι. ΘΕΑΙ. φασὶ μὴν τοῦτό γε. ΞΕ. τί δέ; τὸ γιγνώσκειν ἢ τὸ γιγνώσκεσθαί φατε ποίημα ἢ πάθος ἢ ἀμφότερον; ἢ τὸ μὲν πάθημα, τὸ δὲ θάτερον; ἢ παντάπασιν οὐδέτερον οὐδετέρου τούτων μεταλαμβάνειν; ΘΕΑΙ. δῆλον ὡς οὐδέτερον οὐδετέρου· τἀναντία γὰρ ἂν τοῖς ἔμπροσθεν λέγοιεν. ΞΕ. μανθάνω· τόδε γε, ὡς τὸ γιγνώσκειν εἴπερ ἔσται
[248e]
PT-BR: se conhecer é algo ativo, necessariamente o conhecido terá de sofrer sua ação. E, de acordo com essa explicação do ser, sendo conhecido pelo conhecimento, na medida em que for conhecido se movimentará em virtude de sua própria passividade, o que não poderia dar-se, conforme dissemos, com o que está em repouso. Teeteto — Certo. Estrangeiro —
GRC: ποιεῖν τι, τὸ γιγνωσκόμενον ἀναγκαῖον αὖ συμβαίνει πάσχειν. τὴν οὐσίαν δὴ κατὰ τὸν λόγον τοῦτον γιγνωσκομένην ὑπὸ τῆς γνώσεως, καθʼ ὅσον γιγνώσκεται, κατὰ τοσοῦτον κινεῖσθαι διὰ τὸ πάσχειν, ὃ δή φαμεν οὐκ ἂν γενέσθαι περὶ τὸ ἠρεμοῦν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς.
[249]
PT-BR: Mas, por Zeus! Como poderá ser tal coisa? Teremos de admitir, assim à ligeira, que de fato o movimento, a vida, a alma, o pensamento não participam verdadeiramente do ser absoluto, e que este nem vive nem pensa,
GRC: ΞΕ. τί δὲ πρὸς Διός; ὡς ἀληθῶς κίνησιν καὶ ζωὴν καὶ ψυχὴν καὶ φρόνησιν ἦ ῥᾳδίως πεισθησόμεθα τῷ παντελῶς
[249a]
PT-BR: mas, venerável, sagrado e privado de inteligência, permanece imóvel? Teeteto — Fora uma concessão um tanto dura, hóspede. Estrangeiro — Então, afirmaremos que é dotado de inteligência mas que não tem vida? Teeteto — Como fora possível? Estrangeiro — Ou diremos que é dotado desses dois atributos, porém não os possui na alma? Teeteto — De que modo, então, chegaria a possuí-los? Estrangeiro — Ou teremos de aceitar que o ser é dotado de inteligência, vida e alma, mas que, embora vivo, se conserva inteiramente imóvel? Teeteto — Isso agora se me afigura de todo em todo ilógico. Estrangeiro — Assim, teremos de considerar como seres tanto o que é movido como o próprio movimento? Teeteto — Como não? Estrangeiro — De onde vem, Teeteto, que se tudo for imóvel, ninguém poderá saber nada de nada. Teeteto — É mais do que claro. Estrangeiro — Por outro lado, se admitirmos que tudo se movimenta e se altera, por força desse mesmo argumento teremos de privar o ser de inteligência. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Podes conceber que sem estabilidade exista o idêntico
GRC: ὄντι μὴ παρεῖναι, μηδὲ ζῆν αὐτὸ μηδὲ φρονεῖν, ἀλλὰ σεμνὸν καὶ ἅγιον, νοῦν οὐκ ἔχον, ἀκίνητον ἑστὸς εἶναι; ΘΕΑΙ. δεινὸν μεντἄν, ὦ ξένε, λόγον συγχωροῖμεν. ΞΕ. ἀλλὰ νοῦν μὲν ἔχειν, ζωὴν δὲ μὴ φῶμεν; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ΞΕ. ἀλλὰ ταῦτα μὲν ἀμφότερα ἐνόντʼ αὐτῷ λέγομεν, οὐ μὴν ἐν ψυχῇ γε φήσομεν αὐτὸ ἔχειν αὐτά; ΘΕΑΙ. καὶ τίνʼ ἂν ἕτερον ἔχοι τρόπον; ΞΕ. ἀλλὰ δῆτα νοῦν μὲν καὶ ζωὴν καὶ ψυχὴν ἔχειν, ἀκίνητον μέντοι τὸ παράπαν ἔμψυχον ὂν ἑστάναι; ΘΕΑΙ. πάντα ἔμοιγε ἄλογα ταῦτʼ εἶναι φαίνεται. ΞΕ. καὶ τὸ κινούμενον δὴ καὶ κίνησιν συγχωρητέον ὡς ὄντα. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. συμβαίνει δʼ οὖν, ὦ Θεαίτητε, ἀκινήτων τε ὄντων νοῦν μηδενὶ περὶ μηδενὸς εἶναι μηδαμοῦ. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. καὶ μὴν ἐὰν αὖ φερόμενα καὶ κινούμενα πάντʼ εἶναι συγχωρῶμεν, καὶ τούτῳ τῷ λόγῳ ταὐτὸν τοῦτο ἐκ τῶν ὄντων ἐξαιρήσομεν. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. τὸ κατὰ ταὐτὰ καὶ ὡσαύτως καὶ περὶ τὸ αὐτὸ δοκεῖ
[249c]
PT-BR: a si mesmo, no mesmo estado e relativamente ao mesmo objeto? Teeteto — De jeito nenhum. Estrangeiro — E então? E sem essas condições, compreendes que a inteligência possa surgir ou existir em qualquer parte? Teeteto — Absolutamente não! Estrangeiro — Urge, pois, combater por todos os meios quem suprime, assim, o conhecimento, o pensamento e a inteligência, e ainda se abalança a afirmar alguma coisa. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Logo; o filósofo que tem tudo isso na mais alta estima, tanto será obrigado a rejeitar, segundo creio, a doutrina dos adeptos do Uno juntamente com a dos sequazes do múltiplo,
GRC: σοι χωρὶς στάσεως γενέσθαι ποτʼ ἄν; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς. ΞΕ. τί δʼ; ἄνευ τούτων νοῦν καθορᾷς ὄντα ἢ γενόμενον ἂν καὶ ὁπουοῦν; ΘΕΑΙ. ἥκιστα. ΞΕ. καὶ μὴν πρός γε τοῦτον παντὶ λόγῳ μαχετέον, ὃς ἂν ἐπιστήμην ἢ φρόνησιν ἢ νοῦν ἀφανίζων ἰσχυρίζηται περί τινος ὁπῃοῦν. ΘΕΑΙ. σφόδρα γε. ΞΕ. τῷ δὴ φιλοσόφῳ καὶ ταῦτα μάλιστα τιμῶντι πᾶσα, ὡς ἔοικεν, ἀνάγκη διὰ ταῦτα μήτε τῶν ἓν ἢ καὶ τὰ πολλὰ
[249d]
PT-BR: que proclama a imobilidade do todo universal, como a fazer ouvidos moucos para os que movimentam o ser em todos os sentidos, e, à maneira de crianças quando preferem as duas gulodices que lhes damos a escolher, afirmar simultaneamente ambas as coisas a respeito do ser e do todo: que é imóvel e que está em movimento. Teeteto — É muito certo. XXXVI — Estrangeiro — E então? Não te parece que com essa definição já abarcamos muito bem o ser? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Que pena, Teeteto! Pelo que vejo chegou a hora de termos de reconhecer quanto é ingrato nosso empreendimento. Teeteto — Como! Que queres dizer com? Estrangeiro — Pois meu bem-aventurado amigo não percebes que atingimos o ponto mais elevado da ignorância a seu respeito, muito embora tenhamos a presunção de haver dissertado com proficiência? Teeteto — Era realmente o que eu pensava; por isso mesmo, não compreendo como nos extraviamos a esse ponto. Estrangeiro —
GRC: εἴδη λεγόντων τὸ πᾶν ἑστηκὸς ἀποδέχεσθαι, τῶν τε αὖ πανταχῇ τὸ ὂν κινούντων μηδὲ τὸ παράπαν ἀκούειν, ἀλλὰ κατὰ τὴν τῶν παίδων εὐχήν, ὅσα ἀκίνητα καὶ κεκινημένα, τὸ ὄν τε καὶ τὸ πᾶν συναμφότερα λέγειν. ΘΕΑΙ. ἀληθέστατα. ΞΕ. τί οὖν; ἆρʼ οὐκ ἐπιεικῶς ἤδη φαινόμεθα περιειληφέναι τῷ λόγῳ τὸ ὄν; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. βαβαὶ μέντʼ ἂν ἄρα, ὦ Θεαίτητε, ὥς μοι δοκοῦμεν νῦν αὐτοῦ γνώσεσθαι πέρι τὴν ἀπορίαν τῆς σκέψεως. ΘΕΑΙ. πῶς αὖ καὶ τί τοῦτʼ εἴρηκας; ΞΕ. ὦ μακάριε, οὐκ ἐννοεῖς ὅτι νῦν ἐσμεν ἐν ἀγνοίᾳ τῇ πλείστῃ περὶ αὐτοῦ, φαινόμεθα δέ τι λέγειν ἡμῖν αὐτοῖς; ΘΕΑΙ. ἐμοὶ γοῦν· ὅπῃ δʼ αὖ λελήθαμεν οὕτως ἔχοντες, οὐ πάνυ συνίημι.
[250]
PT-BR: Considera com mais calma, depois de tudo o que admitimos até agora, se
GRC: ΞΕ. σκόπει δὴ σαφέστερον εἰ τὰ νῦν συνομολογοῦντες
[250a]
PT-BR: não poderiam apresentar-nos as mesmas perguntas que já formulamos aos que afirmam que o todo consiste no quente e no frio. Teeteto — Que pergunta? Aviva-me a memória. Estrangeiro — Perfeitamente. Esforçar-me-ei por fazer isso mesmo, interrogando-te como fiz com os outros, para, assim, avançarmos um pouquinho. Teeteto — Certo Estrangeiro — Muito bem. Não consideras como contrários movimento e repouso? Teeteto — Como não? Estrangeiro — No entanto, afirmas que os dois e cada um deles existem? Teeteto — Afirmo, sem dúvida. Estrangeiro — Quer dizer: aceitas que ambos e cada um em particular se movem quando lhes atribuis existência? Teeteto — Isso, não. Estrangeiro — Então achas que estão em repouso quando declaras que ambos existem? Teeteto – De que forma? Estrangeiro — Sendo assim, concebes na alma o ser como um terceiro elemento acrescentado àqueles, por incluíres nele repouso e movimento. Foi levando em consideração sua comunhão com o ser, que concluíste pela existência dos dois. Teeteto — É bem possível que aceitemos o ser como um terceiro elemento, quando dizemos que o movimento e o repouso existem. Estrangeiro — Então, o ser não será a combinação de movimento e repouso, porém algo diferente de ambos. Teeteto — Parece. Estrangeiro — Logo, por coerência com sua própria natureza, o ser não está nem em repouso nem em movimento. Teeteto — É possível. Estrangeiro — Para que lado, então, terá de volver o pensamento quem quiser adquirir noções precisas a respeito do ser? Teeteto — Para qual se voltará? Estrangeiro — Não me parece fácil decidir, porque se alguma coisa não se move, como
GRC: δικαίως ἂν ἐπερωτηθεῖμεν ἅπερ αὐτοὶ τότε ἠρωτῶμεν τοὺς λέγοντας εἶναι τὸ πᾶν θερμὸν καὶ ψυχρόν. ΘΕΑΙ. ποῖα; ὑπόμνησόν με. ΞΕ. πάνυ μὲν οὖν· καὶ πειράσομαί γε δρᾶν τοῦτο ἐρωτῶν σὲ καθάπερ ἐκείνους τότε, ἵνα ἅμα τι καὶ προΐωμεν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. εἶεν δή, κίνησιν καὶ στάσιν ἆρʼ οὐκ ἐναντιώτατα λέγεις ἀλλήλοις; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. καὶ μὴν εἶναί γε ὁμοίως φῂς ἀμφότερα αὐτὰ καὶ ἑκάτερον; ΘΕΑΙ. φημὶ γὰρ οὖν. ΞΕ. ἆρα κινεῖσθαι λέγων ἀμφότερα καὶ ἑκάτερον, ὅταν εἶναι συγχωρῇς; ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς. ΞΕ. ἀλλʼ ἑστάναι σημαίνεις λέγων αὐτὰ ἀμφότερα εἶναι; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ΞΕ. τρίτον ἄρα τι παρὰ ταῦτα τὸ ὂν ἐν τῇ ψυχῇ τιθείς, ὡς ὑπʼ ἐκείνου τήν τε στάσιν καὶ τὴν κίνησιν περιεχομένην, συλλαβὼν καὶ ἀπιδὼν αὐτῶν πρὸς τὴν τῆς οὐσίας κοινωνίαν, οὕτως εἶναι προσεῖπας ἀμφότερα; ΘΕΑΙ. κινδυνεύομεν ὡς ἀληθῶς τρίτον ἀπομαντεύεσθαί τι τὸ ὄν, ὅταν κίνησιν καὶ στάσιν εἶναι λέγωμεν. ΞΕ. οὐκ ἄρα κίνησις καὶ στάσις ἐστὶ συναμφότερον τὸ ὂν ἀλλʼ ἕτερον δή τι τούτων. ΘΕΑΙ. ἔοικεν. ΞΕ. κατὰ τὴν αὑτοῦ φύσιν ἄρα τὸ ὂν οὔτε ἕστηκεν οὔτε κινεῖται. ΘΕΑΙ. σχεδόν. ΞΕ. ποῖ δὴ χρὴ τὴν διάνοιαν ἔτι τρέπειν τὸν βουλόμενον ἐναργές τι περὶ αὐτοῦ παρʼ ἑαυτῷ βεβαιώσασθαι; ΘΕΑΙ. ποῖ γάρ; ΞΕ. οἶμαι μὲν οὐδαμόσε ἔτι ῥᾴδιον. εἰ γάρ τι μὴ
[250d]
PT-BR: não há de estar em repouso? E o que não repousa de maneira nenhuma, como não estar em movimento? Porém o ser se nos revelou como alheio a esses dois estados. Mas, será possível semelhante coisa? Teeteto — É absolutamente impossível. Estrangeiro — Sobre isso há uma particularidade que fora justo recordar. Teeteto — Qual é? Estrangeiro — Quando nos perguntaram a que poderíamos aplicar a expressão Não-ser, vimo-nos em grande perplexidade, lembras-te? Teeteto — Como não? Estrangeiro — E agora, será menor a dificuldade a respeito
GRC: κινεῖται, πῶς οὐχ ἕστηκεν; ἢ τὸ μηδαμῶς ἑστὸς πῶς οὐκ αὖ κινεῖται; τὸ δὲ ὂν ἡμῖν νῦν ἐκτὸς τούτων ἀμφοτέρων ἀναπέφανται. ἦ δυνατὸν οὖν τοῦτο; ΘΕΑΙ. πάντων μὲν οὖν ἀδυνατώτατον. ΞΕ. τόδε τοίνυν μνησθῆναι δίκαιον ἐπὶ τούτοις. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ὅτι τοῦ μὴ ὄντος ἐρωτηθέντες τοὔνομα ἐφʼ ὅτι ποτὲ δεῖ φέρειν, πάσῃ συνεσχόμεθα ἀπορίᾳ. μέμνησαι; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ;
[250e]
PT-BR: do ser? Teeteto — Sinceramente, Estrangeiro, me parece que a presente dificuldade é muito maior. Estrangeiro —
GRC: ΞΕ. μῶν οὖν ἐν ἐλάττονί τινι νῦν ἐσμεν ἀπορίᾳ περὶ τὸ ὄν; ΘΕΑΙ. ἐμοὶ μέν, ὦ ξένε, εἰ δυνατὸν εἰπεῖν, ἐν πλείονι φαινόμεθα.
[251]
PT-BR: Pois deixemos assim mesmo a questão inextricável. E uma vez que tanto o ser como o não-ser nos ensejam iguais perplexidade, há esperança de que tudo o que possa contribuir para apresentar-nos um dos dois sob perspectiva mais clara ou mais escura nos será de igual auxilio com relação ao outro. E no caso de não
GRC: ΞΕ. τοῦτο μὲν τοίνυν ἐνταῦθα κείσθω διηπορημένον· ἐπειδὴ δὲ ἐξ ἴσου τό τε ὂν καὶ τὸ μὴ ὂν ἀπορίας μετειλήφατον, νῦν ἐλπὶς ἤδη καθάπερ ἂν αὐτῶν θάτερον εἴτε ἀμυδρότερον εἴτε σαφέστερον ἀναφαίνηται, καὶ θάτερον οὕτως
[251a]
PT-BR: podermos ver nem um nem outro, pelo menos firmemos o propósito de levar avante, da melhor maneira possível, nossas considerações a respeito dos dois, sem nunca separá-los. Teeteto — Ótimo. Estrangeiro — Agora digamos por que razão empregamos nomes diferentes para designar a mesma coisa. Teeteto — Em que casos? Cita um exemplo. XXXVII — Estrangeiro — Aplicamos ao homem as mais variadas denominações, como atribuir-lhe cor, forma, estatura, vícios e virtudes, e com todas essas conotações, e mais dez mil diferentes, não
GRC: ἀναφαίνεσθαι· καὶ ἐὰν αὖ μηδέτερον ἰδεῖν δυνώμεθα, τὸν γοῦν λόγον ὅπῃπερ ἂν οἷοί τε ὦμεν εὐπρεπέστατα διωσόμεθα οὕτως ἀμφοῖν ἅμα. ΘΕΑΙ. καλῶς. ΞΕ. λέγωμεν δὴ καθʼ ὅντινά ποτε τρόπον πολλοῖς ὀνόμασι ταὐτὸν τοῦτο ἑκάστοτε προσαγορεύομεν. ΘΕΑΙ. οἷον δὴ τί; παράδειγμα εἰπέ. ΞΕ. λέγομεν ἄνθρωπον δήπου πόλλʼ ἄττα ἐπονομάζοντες, τά τε χρώματα ἐπιφέροντες αὐτῷ καὶ τὰ σχήματα καὶ μεγέθη καὶ κακίας καὶ ἀρετάς, ἐν οἷς πᾶσι καὶ ἑτέροις μυρίοις οὐ μόνον
[251b]
PT-BR: dizemos apenas que se trata de um homem, mas de certo homem bondoso e possuidor de um sem-número de. atributos. O mesmo passa com muitas outras coisas, que a principio imaginamos como unidades, mas depois tratamos como múltiplas e as designamos por uma infinidade de nomes. Teeteto — O que dizes é a pura verdade. Estrangeiro — Com isso aprestamos um genuíno banquete para os moços e também para os velhos de cabeça dura. Nada mais fácil do que contestar que o uno possa ser múltiplo e o múltiplo uno. Por isso mesmo, exultam com poderem negar que
GRC: ἄνθρωπον αὐτὸν εἶναί φαμεν, ἀλλὰ καὶ ἀγαθὸν καὶ ἕτερα ἄπειρα, καὶ τἆλλα δὴ κατὰ τὸν αὐτὸν λόγον οὕτως ἓν ἕκαστον ὑποθέμενοι πάλιν αὐτὸ πολλὰ καὶ πολλοῖς ὀνόμασι λέγομεν. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ λέγεις. ΞΕ. ὅθεν γε οἶμαι τοῖς τε νέοις καὶ τῶν γερόντων τοῖς ὀψιμαθέσι θοίνην παρεσκευάκαμεν· εὐθὺς γὰρ ἀντιλαβέσθαι παντὶ πρόχειρον ὡς ἀδύνατον τά τε πολλὰ ἓν καὶ τὸ ἓν πολλὰ εἶναι, καὶ δήπου χαίρουσιν οὐκ ἐῶντες ἀγαθὸν λέγειν
[251c]
PT-BR: o homem é bom. Não; só permitem dizer-se que o bom é bom e o homem é homem. Atrevo-me a afirmar, Teeteto, que já encontraste muitos tipos que se deliciam com tais disquisições e, por vezes, até mesmo velhos que, por pobreza de espírito, admiram semelhantes futilidades, consideradas por eles como o supra-sumo da sabedoria. Estrangeiro — Para que nossa investigação abranja todos os que já trataram do ser, não importando a época, fique
GRC: ἄνθρωπον, ἀλλὰ τὸ μὲν ἀγαθὸν ἀγαθόν, τὸν δὲ ἄνθρωπον ἄνθρωπον. ἐντυγχάνεις γάρ, ὦ Θεαίτητε, ὡς ἐγᾦμαι, πολλάκις τὰ τοιαῦτα ἐσπουδακόσιν, ἐνίοτε πρεσβυτέροις ἀνθρώποις, καὶ ὑπὸ πενίας τῆς περὶ φρόνησιν κτήσεως τὰ τοιαῦτα τεθαυμακόσι, καὶ δή τι καὶ πάσσοφον οἰομένοις τοῦτο αὐτὸ ἀνηυρηκέναι. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. ἵνα τοίνυν πρὸς ἅπαντας ἡμῖν ὁ λόγος ᾖ τοὺς
[251d]
PT-BR: desde já assentado que o que vamos expor sob a forma de perguntas se dirige tanto a eles como aos que agora mesmo conversaram conosco. Teeteto — Que perguntas serão? Estrangeiro — Recusemo-nos a emprestar existência ao movimento e ao repouso, e também qualquer atributo a seja o que for, considerando todas as coisas como não misturáveis e incapazes de se comunicarem umas com as outras: isso é que devemos incluir em nosso discurso. Ou será melhor reunir as coisas numa só classe e considerá-las capazes de se comunicarem? Ou algumas sim e outras não? Das três alternativas,
GRC: πώποτε περὶ οὐσίας καὶ ὁτιοῦν διαλεχθέντας, ἔστω καὶ πρὸς τούτους καὶ πρὸς τοὺς ἄλλους, ὅσοις ἔμπροσθεν διειλέγμεθα, τὰ νῦν ὡς ἐν ἐρωτήσει λεχθησόμενα. ΘΕΑΙ. τὰ ποῖα δή; ΞΕ. πότερον μήτε τὴν οὐσίαν κινήσει καὶ στάσει προσάπτωμεν μήτε ἄλλο ἄλλῳ μηδὲν μηδενί, ἀλλʼ ὡς ἄμεικτα ὄντα καὶ ἀδύνατον μεταλαμβάνειν ἀλλήλων οὕτως αὐτὰ ἐν τοῖς παρʼ ἡμῖν λόγοις τιθῶμεν; ἢ πάντα εἰς ταὐτὸν συναγάγωμεν ὡς δυνατὰ ἐπικοινωνεῖν ἀλλήλοις; ἢ τὰ μέν, τὰ δὲ μή; τούτων,
[251e]
PT-BR: Teeteto, qual te parece que eles escolherão? Teeteto — A esse respeito não sei como responder. Estrangeiro — E por que não examinas uma de cada vez, para sentirmos suas conseqüências? Teeteto — Ótima idéia. Estrangeiro — Então, para começar, caso estejas de acordo, admitamos haverem eles afirmado que nada tem o poder de comunicar-se de qualquer maneira seja com o que for. Nessa hipótese, o repouso e o movimento não participarão, em absoluto, do ser. Teeteto —
GRC: ὦ Θεαίτητε, τί ποτʼ ἂν αὐτοὺς προαιρεῖσθαι φήσομεν; ΘΕΑΙ. ἐγὼ μὲν ὑπὲρ αὐτῶν οὐδὲν ἔχω πρὸς ταῦτα ἀποκρίνασθαι. ΞΕ. τί οὖν οὐ καθʼ ἓν ἀποκρινόμενος ἐφʼ ἑκάστου τὰ συμβαίνοντα ἐσκέψω; ΘΕΑΙ. καλῶς λέγεις. ΞΕ. καὶ τιθῶμέν γε αὐτοὺς λέγειν, εἰ βούλει, πρῶτον μηδενὶ μηδὲν μηδεμίαν δύναμιν ἔχειν κοινωνίας εἰς μηδέν. οὐκοῦν κίνησίς τε καὶ στάσις οὐδαμῇ μεθέξετον οὐσίας;
[252]
PT-BR: Não, evidentemente. Estrangeiro — Mas, como! Qualquer deles poderá existir, se não participar do ser? Teeteto — Não é possível. Estrangeiro — A conseqüência imediata dessa primeira concessão, como parece, é tudo subverter: a doutrina dos que movimentam o todo e a dos que o imobilizam como um, e também a dos que admitem a distribuição dos seres em idéias imutáveis e eternas. Todos acrescentam às coisas a noção do ser, com afirmarem alguns que elas são realmente móveis, e outros, que estão, de fato, em repouso. Teeteto — É evidente. Estrangeiro — O mesmo se passa com os que ora unem o todo ora o separam, seja reduzindo à unidade a infinitude, seja fazendo-a sair dela ou decompondo o Universo em número limitado de elementos, com os quais, depois, voltam a reconstruí-lo, pouco importando se consideram tais mudanças como sucessivas ou coexistentes. De qualquer jeito, se; não houver mistura, tudo o que disserem carecerá de sentido. Teeteto — Exato. Estrangeiro — Porém ao maior ridículo expõem sua própria tese os que chegam a ponto de não permitir que receba denominação diferente da sua a coisa que participa da qualidade de outra. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — É que a todo instante se vêem forçados a empregar expressões como Ser, À parte, Dos outros, Em si mesmo, e uma infinidade mais. Como não podem dispensá-las e são obrigados a entremeá-las em seus discursos, não precisam que os outros os refutem, pois levam consigo, como se diz, o inimigo e contraditor que por toda a parte eles carregam e que lhes fala de dentro deles mesmos, tal como fazia o famoso ventríloquo Euricles. Teeteto — O símile é muito oportuno e verdadeiro. Estrangeiro — E então? E se concedêssemos a todas as coisas a faculdade de se comunicarem entre si? Teeteto — Eis uma questão que eu sou capaz de resolver. Estrangeiro — De que jeito? Teeteto — Ora, porque o próprio movimento ficaria em repouso e o repouso se moveria, se ambos se reunissem. Estrangeiro — Porém é de todo em todo impossível parar o movimento ou movimentar-se o repouso. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Só nos resta, pois, a outra alternativa. Teeteto — Certo. XXXVIII — Estrangeiro — Por força, uma das três terá de ser verdadeira: ou tudo se mistura, ou nada; ou ainda, algumas coisas o fazem, outras não. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — As duas primeiras já excluímos, por impossíveis. Teeteto — Realmente. Estrangeiro — Logo, quem quiser responder certo, terá de adotar a terceira. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro —
GRC: ΘΕΑΙ. οὐ γὰρ οὖν. ΞΕ. τί δέ; ἔσται πότερον αὐτῶν οὐσίας μὴ προσκοινωνοῦν; ΘΕΑΙ. οὐκ ἔσται. ΞΕ. ταχὺ δὴ ταύτῃ γε τῇ συνομολογίᾳ πάντα ἀνάστατα γέγονεν, ὡς ἔοικεν, ἅμα τε τῶν τὸ πᾶν κινούντων καὶ τῶν ὡς ἓν ἱστάντων καὶ ὅσοι κατʼ εἴδη τὰ ὄντα κατὰ ταὐτὰ ὡσαύτως ἔχοντα εἶναί φασιν ἀεί· πάντες γὰρ οὗτοι τό γε εἶναι προσάπτουσιν, οἱ μὲν ὄντως κινεῖσθαι λέγοντες, οἱ δὲ ὄντως ἑστηκότʼ εἶναι. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. καὶ μὴν καὶ ὅσοι τοτὲ μὲν συντιθέασι τὰ πάντα, τοτὲ δὲ διαιροῦσιν, εἴτε εἰς ἓν καὶ ἐξ ἑνὸς ἄπειρα εἴτε εἰς πέρας ἔχοντα στοιχεῖα διαιρούμενοι καὶ ἐκ τούτων συντιθέντες, ὁμοίως μὲν ἐὰν ἐν μέρει τοῦτο τιθῶσι γιγνόμενον, ὁμοίως δὲ καὶ ἐὰν ἀεί, κατὰ πάντα ταῦτα λέγοιεν ἂν οὐδέν, εἴπερ μηδεμία ἔστι σύμμειξις. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. ἔτι τοίνυν ἂν αὐτοὶ πάντων καταγελαστότατα μετίοιεν τὸν λόγον οἱ μηδὲν ἐῶντες κοινωνίᾳ παθήματος ἑτέρου θάτερον προσαγορεύειν. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. τῷ τε εἶναί που περὶ πάντα ἀναγκάζονται χρῆσθαι καὶ τῷ χωρὶς καὶ τῷ τῶν ἄλλων καὶ τῷ καθʼ αὑτὸ καὶ μυρίοις ἑτέροις, ὧν ἀκρατεῖς ὄντες εἴργεσθαι καὶ μὴ συνάπτειν ἐν τοῖς λόγοις οὐκ ἄλλων δέονται τῶν ἐξελεγξόντων, ἀλλὰ τὸ λεγόμενον οἴκοθεν τὸν πολέμιον καὶ ἐναντιωσόμενον ἔχοντες, ἐντὸς ὑποφθεγγόμενον ὥσπερ τὸν ἄτοπον Εὐρυκλέα περιφέροντες ἀεὶ πορεύονται. ΘΕΑΙ. κομιδῇ λέγεις ὅμοιόν τε καὶ ἀληθές. ΞΕ. τί δʼ, ἂν πάντα ἀλλήλοις ἐῶμεν δύναμιν ἔχειν ἐπικοινωνίας; ΘΕΑΙ. τοῦτο μὲν οἷός τε κἀγὼ διαλύειν. ΞΕ. πῶς; ΘΕΑΙ. ὅτι κίνησίς τε αὐτὴ παντάπασιν ἵσταιτʼ ἂν καὶ στάσις αὖ πάλιν αὐτὴ κινοῖτο, εἴπερ ἐπιγιγνοίσθην ἐπʼ ἀλλήλοιν. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν τοῦτό γέ που ταῖς μεγίσταις ἀνάγκαις ἀδύνατον, κίνησίν τε ἵστασθαι καὶ στάσιν κινεῖσθαι; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τὸ τρίτον δὴ μόνον λοιπόν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ μὴν ἕν γέ τι τούτων ἀναγκαῖον, ἢ πάντα ἢ μηδὲν ἢ τὰ μὲν ἐθέλειν, τὰ δὲ μὴ συμμείγνυσθαι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. καὶ μὴν τά γε δύο ἀδύνατον ηὑρέθη. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. πᾶς ἄρα ὁ βουλόμενος ὀρθῶς ἀποκρίνεσθαι τὸ λοιπὸν τῶν τριῶν θήσει. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν.
[253]
PT-BR: Mas, como algumas coisas desejam comunicar-se e outras se recusam a
GRC: ΞΕ. ὅτε δὴ τὰ μὲν ἐθέλει τοῦτο δρᾶν, τὰ δʼ οὔ, σχεδὸν
[253a]
PT-BR: isso, comportam-se todas mais ou menos como as letras: umas não combinam em absoluto entre elas; outras ficam em perfeita consonância. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — As vogais, principalmente, se distinguem das demais letras por servirem de vinculo para as outras, de forma que, sem vogal, não é possível haver combinação entre as letras. Teeteto — Sim, é de todo impossível. Estrangeiro — E qualquer pessoa estará em condições de saber que as letras permitem combinações, ou haverá uma arte apropriada, a que terá de recorrer quem quiser proceder com acerto? Teeteto — Sim, uma arte. Estrangeiro — Qual, é? Teeteto — A gramática. Estrangeiro — Como! E o mesmo não acontece com os sons agudos e graves?
GRC: οἷον τὰ γράμματα πεπονθότʼ ἂν εἴη. καὶ γὰρ ἐκείνων τὰ μὲν ἀναρμοστεῖ που πρὸς ἄλληλα, τὰ δὲ συναρμόττει. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τὰ δέ γε φωνήεντα διαφερόντως τῶν ἄλλων οἷον δεσμὸς διὰ πάντων κεχώρηκεν, ὥστε ἄνευ τινὸς αὐτῶν ἀδύνατον ἁρμόττειν καὶ τῶν ἄλλων ἕτερον ἑτέρῳ. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα γε. ΞΕ. πᾶς οὖν οἶδεν ὁποῖα ὁποίοις δυνατὰ κοινωνεῖν, ἢ τέχνης δεῖ τῷ μέλλοντι δρᾶν ἱκανῶς αὐτό; ΘΕΑΙ. τέχνης. ΞΕ. ποίας; ΘΕΑΙ. τῆς γραμματικῆς.
[253b]
PT-BR: Músico é quem conhece a arte de distinguir os sons que se combinam e os que destoam, sendo leigo na matéria quem nada entende de tudo isso. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Igual distinção iremos encontrar nas demais artes, no que tange ao conhecimento ou à ignorância de seus princípios. Teeteto — Como não? Estrangeiro — E agora? Uma vez que já nos declaramos de acordo sobre se comportarem os gêneros de igual modo, no que diz respeito às combinações reciprocas, não será de toda a necessidade conhecer uma arte para orientar-se do começo ao fim do discurso quem quiser indicar os gêneros que
GRC: ΞΕ. τί δέ; περὶ τοὺς τῶν ὀξέων καὶ βαρέων φθόγγους ἆρʼ οὐχ οὕτως; ὁ μὲν τοὺς συγκεραννυμένους τε καὶ μὴ τέχνην ἔχων γιγνώσκειν μουσικός, ὁ δὲ μὴ συνιεὶς ἄμουσος; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. καὶ κατὰ τῶν ἄλλων δὴ τεχνῶν καὶ ἀτεχνιῶν τοιαῦτα εὑρήσομεν ἕτερα. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τί δʼ; ἐπειδὴ καὶ τὰ γένη πρὸς ἄλληλα κατὰ ταὐτὰ μείξεως ἔχειν ὡμολογήκαμεν, ἆρʼ οὐ μετʼ ἐπιστήμης τινὸς ἀναγκαῖον διὰ τῶν λόγων πορεύεσθαι τὸν ὀρθῶς μέλλοντα δείξειν ποῖα ποίοις συμφωνεῖ τῶν γενῶν καὶ ποῖα ἄλληλα
[253c]
PT-BR: combinam e os que se repelem? E mais: se há gêneros que atuam como elo de ligação para outros, permitindo que se misturem, e o contrário disso, na divisão, que sejam motivo de virem alguns a separar-se? Teeteto — Como não haver esse conhecimento, talvez mesmo o mais importante de todos? XXXIX — Estrangeiro — E que nome lhe daremos, Teeteto? Por Zeus! Acaso, sem o querer, viemos bater no conhecimento do homem livre e, empenhados em encontrar o sofista, primeiro descobrimos o filósofo? Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Dividir por gêneros e não tomar a idéia de um pela do outro, e o inverso, a deste pela daquele: não diremos ser esse, precisamente, o conhecimento dialético? Teeteto — É o que diremos, sem dúvida. Estrangeiro — Então, quem for capaz de distinguir uma idéia única numa multidão de idéias independentes, ou um sem-número de idéias diferentes entre si, porém abrangidas por outra mais ampla, e, de novo, uma idéia apenas que se estende por muitas outras e todas elas ligadas a uma unidade,
GRC: οὐ δέχεται; καὶ δὴ καὶ διὰ πάντων εἰ συνέχοντʼ ἄττʼ αὔτʼ ἐστιν, ὥστε συμμείγνυσθαι δυνατὰ εἶναι, καὶ πάλιν ἐν ταῖς διαιρέσεσιν, εἰ διʼ ὅλων ἕτερα τῆς διαιρέσεως αἴτια; ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὐκ ἐπιστήμης δεῖ, καὶ σχεδόν γε ἴσως τῆς μεγίστης; ΞΕ. τίνʼ οὖν αὖ νῦν προσεροῦμεν, ὦ Θεαίτητε, ταύτην; ἢ πρὸς Διὸς ἐλάθομεν εἰς τὴν τῶν ἐλευθέρων ἐμπεσόντες ἐπιστήμην, καὶ κινδυνεύομεν ζητοῦντες τὸν σοφιστὴν πρότερον ἀνηυρηκέναι τὸν φιλόσοφον; ΘΕΑΙ. πῶς λέγεις; ΞΕ. τὸ κατὰ γένη διαιρεῖσθαι καὶ μήτε ταὐτὸν εἶδος ἕτερον ἡγήσασθαι μήτε ἕτερον ὂν ταὐτὸν μῶν οὐ τῆς διαλεκτικῆς φήσομεν ἐπιστήμης εἶναι; ΘΕΑΙ. ναί, φήσομεν. ΞΕ. οὐκοῦν ὅ γε τοῦτο δυνατὸς δρᾶν μίαν ἰδέαν διὰ πολλῶν, ἑνὸς ἑκάστου κειμένου χωρίς, πάντῃ διατεταμένην ἱκανῶς διαισθάνεται, καὶ πολλὰς ἑτέρας ἀλλήλων ὑπὸ μιᾶς ἔξωθεν περιεχομένας, καὶ μίαν αὖ διʼ ὅλων πολλῶν ἐν ἑνὶ συνημμένην, καὶ πολλὰς χωρὶς πάντῃ διωρισμένας· τοῦτο δʼ
[253e]
PT-BR: e também muitas inteiramente isoladas ou separadas: eis o que se chama a arte de distinguir os gêneros, conforme a capacidade de se combinarem ou de não combinarem. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Porém tenho certeza de que não atribuirás essa capacidade dialética senão a quem souber filosofar com pureza e justiça. Teeteto — Como atribuí-la a mais alguém? Estrangeiro —
GRC: ἔστιν, ᾗ τε κοινωνεῖν ἕκαστα δύναται καὶ ὅπῃ μή, διακρίνειν κατὰ γένος ἐπίστασθαι. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν τό γε διαλεκτικὸν οὐκ ἄλλῳ δώσεις, ὡς ἐγᾦμαι, πλὴν τῷ καθαρῶς τε καὶ δικαίως φιλοσοφοῦντι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ ἂν ἄλλῳ δοίη τις;
[254]
PT-BR: O filósofo, se bem o procurarmos, só nesta região é que poderemos encontrá-lo, agora e no futuro, conquanto não seja
GRC: ΞΕ. τὸν μὲν δὴ φιλόσοφον ἐν τοιούτῳ τινὶ τόπῳ καὶ νῦν καὶ ἔπειτα ἀνευρήσομεν ἐὰν ζητῶμεν, ἰδεῖν μὲν χαλεπὸν
[254a]
PT-BR: fácil distingui-lo. O sofista também; mas no seu caso a dificuldade é de outra espécie. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — É que o sofista se acoita nas trevas do não-ser, com cuja convivência já se familiarizou. A escuridão do meio é que torna difícil reconhecê-lo. Não é isso mesmo? Teeteto — Parece. Estrangeiro — Quanto ao filósofo, com a razão sempre aplicada à idéia do ser, em virtude mesmo do excesso de luz, não é também fácil de perceber. A alma da maioria
GRC: ἐναργῶς καὶ τοῦτον, ἕτερον μὴν τρόπον ἥ τε τοῦ σοφιστοῦ χαλεπότης ἥ τε τούτου. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. ὁ μὲν ἀποδιδράσκων εἰς τὴν τοῦ μὴ ὄντος σκοτεινότητα, τριβῇ προσαπτόμενος αὐτῆς, διὰ τὸ σκοτεινὸν τοῦ τόπου κατανοῆσαι χαλεπός· ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. ἔοικεν. ΞΕ. ὁ δέ γε φιλόσοφος, τῇ τοῦ ὄντος ἀεὶ διὰ λογισμῶν προσκείμενος ἰδέᾳ, διὰ τὸ λαμπρὸν αὖ τῆς χώρας οὐδαμῶς εὐπετὴς ὀφθῆναι· τὰ γὰρ τῆς τῶν πολλῶν ψυχῆς ὄμματα
[254b]
PT-BR: dos homens carece de olhos capazes de se fixarem nas coisas divinas. Teeteto — Essa explicação é tão elucidativa como a precedente. Estrangeiro — De futuro, com melhor disposição, estudaremos mais a fundo o filósofo. Quanto ao sofista, é claro que não abriremos mão dele antes de o examinarmos em todos os sentidos. Teeteto — Muito bem. XL — Estrangeiro — E já que chegamos à conclusão de que alguns gêneros desejam comunicar-se entre si, outros não, alguns com poucos, outros com muitos, e uns tantos, ainda, por isso mesmo que
GRC: καρτερεῖν πρὸς τὸ θεῖον ἀφορῶντα ἀδύνατα. ΘΕΑΙ. καὶ ταῦτα εἰκὸς οὐχ ἧττον ἐκείνων οὕτως ἔχειν. ΞΕ. οὐκοῦν περὶ μὲν τούτου καὶ τάχα ἐπισκεψόμεθα σαφέστερον, ἂν ἔτι βουλομένοις ἡμῖν ᾖ· περὶ δὲ τοῦ σοφιστοῦ που δῆλον ὡς οὐκ ἀνετέον πρὶν ἂν ἱκανῶς αὐτὸν θεασώμεθα. ΘΕΑΙ. καλῶς εἶπες. ΞΕ. ὅτʼ οὖν δὴ τὰ μὲν ἡμῖν τῶν γενῶν ὡμολόγηται κοινωνεῖν ἐθέλειν ἀλλήλοις, τὰ δὲ μή, καὶ τὰ μὲν ἐπʼ ὀλίγον, τὰ δʼ ἐπὶ πολλά, τὰ δὲ καὶ διὰ πάντων οὐδὲν κωλύειν τοῖς
[254c]
PT-BR: em tudo penetram, nada encontram que os proíba de comunicar-se com todos, continuemos a desenvolver nosso argumento da seguinte maneira: em vez de considerar todas as idéias, a fim de não nos atrapalharmos em tamanha abundância, escolhamos apenas as de maior relevo, para inquirir, de início, sobre a natureza de cada uma, e depois acerca da capacidade de se comunicarem umas com as outras. Desse jeito, se não conseguirmos apreender o ser e o não-ser em toda sua clareza, pelo menos não deixaremos de chegar a uma explicação compatível com a índole de nossa investigação, o que nos facultará, no caso
GRC: πᾶσι κεκοινωνηκέναι, τὸ δὴ μετὰ τοῦτο συνεπισπώμεθα τῷ λόγῳ τῇδε σκοποῦντες, μὴ περὶ πάντων τῶν εἰδῶν, ἵνα μὴ ταραττώμεθα ἐν πολλοῖς, ἀλλὰ προελόμενοι τῶν μεγίστων λεγομένων ἄττα, πρῶτον μὲν ποῖα ἕκαστά ἐστιν, ἔπειτα κοινωνίας ἀλλήλων πῶς ἔχει δυνάμεως, ἵνα τό τε ὂν καὶ μὴ ὂν εἰ μὴ πάσῃ σαφηνείᾳ δυνάμεθα λαβεῖν, ἀλλʼ οὖν λόγου γε ἐνδεεῖς μηδὲν γιγνώμεθα περὶ αὐτῶν, καθʼ ὅσον ὁ τρόπος ἐνδέχεται τῆς νῦν σκέψεως, ἐὰν ἄρα ἡμῖν πῃ
[254d]
PT-BR: de conseguirmos concluir pela não existência do não-ser, retirarmo-nos sem maiores prejuízos. Teeteto — Sim, façamos isso mesmo. Estrangeiro — Ora, os mais importantes gêneros entre os que acabamos de considerar são o próprio ser, o repouso e o movimento. Teeteto — Sem dúvida, da maior importância. Estrangeiro — Como diremos, também, que os dois últimos absolutamente não se misturam. Teeteto — De forma alguma. Estrangeiro — Porém o ser se mistura com ambos, pois, de uma forma ou de outra, ambos são. Teeteto — É evidente. Estrangeiro — Por conseguinte, serão três. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Cada um deles, então, é diferente dos outros dois, porém igual a si mesmo. Teeteto — Certo. Estrangeiro —
GRC: παρεικάθῃ τὸ μὴ ὂν λέγουσιν ὡς ἔστιν ὄντως μὴ ὂν ἀθῴοις ἀπαλλάττειν. ΘΕΑΙ. οὐκοῦν χρή. ΞΕ. μέγιστα μὴν τῶν γενῶν ἃ νυνδὴ διῇμεν τό τε ὂν αὐτὸ καὶ στάσις καὶ κίνησις. ΘΕΑΙ. πολύ γε. ΞΕ. καὶ μὴν τώ γε δύο φαμὲν αὐτοῖν ἀμείκτω πρὸς ἀλλήλω. ΘΕΑΙ. σφόδρα γε. ΞΕ. τὸ δέ γε ὂν μεικτὸν ἀμφοῖν· ἐστὸν γὰρ ἄμφω που. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τρία δὴ γίγνεται ταῦτα. ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. οὐκοῦν αὐτῶν ἕκαστον τοῖν μὲν δυοῖν ἕτερόν ἐστιν, αὐτὸ δʼ ἑαυτῷ ταὐτόν. ΘΕΑΙ. οὕτως.
[255]
PT-BR: Mas, que enunciamos neste momento, com dizer Outro e Mesmo? Serão dois gêneros diferentes daqueles três, embora sempre e fatalmente misturados com eles, o que nos levaria a considerá-los como cinco, não três, ou com esse Mesmo e esse Outro, sem o percebermos, designamos
GRC: ΞΕ. τί ποτʼ αὖ νῦν οὕτως εἰρήκαμεν τό τε ταὐτὸν καὶ θάτερον; πότερα δύο γένη τινὲ αὐτώ, τῶν μὲν τριῶν ἄλλω, συμμειγνυμένω μὴν ἐκείνοις ἐξ ἀνάγκης ἀεί, καὶ περὶ πέντε ἀλλʼ οὐ περὶ τριῶν ὡς ὄντων αὐτῶν σκεπτέον, ἢ τό τε ταὐτὸν
[255a]
PT-BR: um daqueles três gêneros? Teeteto — É possível. Estrangeiro — Contudo, repouso e movimento não são nem Outro nem Mesmo. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Seja o que for o que atribuímos em comum ao repouso e ao movimento, não terá de ser nenhum dos dois. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Porque o movimento ficaria em repouso e o repouso em movimento. Pois logo que um deles, não importa qual, se aplicasse aos dois, obrigaria o outro a mudar-se no contrário de sua natureza,
GRC: τοῦτο καὶ θάτερον ὡς ἐκείνων τι προσαγορεύοντες λανθάνομεν ἡμᾶς αὐτούς; ΘΕΑΙ. ἴσως. ΞΕ. ἀλλʼ οὔ τι μὴν κίνησίς γε καὶ στάσις οὔθʼ ἕτερον οὔτε ταὐτόν ἐστι. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. ὅτιπερ ἂν κοινῇ προσείπωμεν κίνησιν καὶ στάσιν, τοῦτο οὐδέτερον αὐτοῖν οἷόν τε εἶναι. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. κίνησίς τε στήσεται καὶ στάσις αὖ κινηθήσεται· περὶ γὰρ ἀμφότερα θάτερον ὁποτερονοῦν γιγνόμενον αὐτοῖν ἀναγκάσει μεταβάλλειν αὖ θάτερον ἐπὶ τοὐναντίον τῆς αὑτοῦ
[255b]
PT-BR: visto participar do seu contrário. Teeteto — E evidente. Estrangeiro — No entanto, ambos participam do mesmo e do outro. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Não digamos, então, que o movimento é o mesmo ou o outro; tampouco o repouso. Teeteto — Sim, abstenhamos-nos de afirmar tal coisa. Estrangeiro — Mas não teremos de conceber o ser e o mesmo como idênticos? Teeteto — É possível. Estrangeiro — Porém se o ser e o mesmo em nada diferem, ao dizermos do movimento
GRC: φύσεως, ἅτε μετασχὸν τοῦ ἐναντίου. ΘΕΑΙ. κομιδῇ γε. ΞΕ. μετέχετον μὴν ἄμφω ταὐτοῦ καὶ θατέρου. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. μὴ τοίνυν λέγωμεν κίνησίν γʼ εἶναι ταὐτὸν ἢ θάτερον, μηδʼ αὖ στάσιν. ΘΕΑΙ. μὴ γάρ. ΞΕ. ἀλλʼ ἆρα τὸ ὂν καὶ τὸ ταὐτὸν ὡς ἕν τι διανοητέον ἡμῖν; ΘΕΑΙ. ἴσως. ΞΕ. ἀλλʼ εἰ τὸ ὂν καὶ τὸ ταὐτὸν μηδὲν διάφορον σημαίνετον, κίνησιν αὖ πάλιν καὶ στάσιν ἀμφότερα εἶναι λέγοντες
[255c]
PT-BR: e do repouso que ambos são, no mesmo passo afirmamos que são o mesmo. Teeteto — O que é absurdo! Estrangeiro — Logo, não é possível que o ser e a mesmo sejam um. Teeteto — Dificilmente. Estrangeiro — Assim, teremos de admitir uma quarta idéia, a do mesmo, ao lado das outras três. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro Como! E o outro, não deverá também ser apresentado como uma quinta idéia? Ou teremos de considerá-lo, e também ao ser, como dois nomes para um único gênero? Teeteto — Quem sabe? Estrangeiro — Porém vais concordar agora, me parece, que entre os seres alguns são considerados em si mesmos e outros sempre em suas relações recíprocas. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Como o outro sempre está em relação com outro. Teeteto — Certo. Estrangeiro — O que não se daria, se o ser e o outro não se diferençassem ao máximo. Porque, se o outro participasse das duas idéias, tal como o ser, haveria, por vezes, algum outro que não se relacionasse com nenhum outro. Ora, o que se nos revelou de maneira certíssima foi que não pode haver outro a não ser em relação com outra coisa. Teeteto — É exatamente como dizes. Estrangeiro — Então, precisamos admitir a natureza do outro como
GRC: ἀμφότερα οὕτως αὐτὰ ταὐτὸν ὡς ὄντα προσεροῦμεν. ΘΕΑΙ. ἀλλὰ μὴν τοῦτό γε ἀδύνατον. ΞΕ. ἀδύνατον ἄρα ταὐτὸν καὶ τὸ ὂν ἓν εἶναι. ΘΕΑΙ. σχεδόν. ΞΕ. τέταρτον δὴ πρὸς τοῖς τρισὶν εἴδεσιν τὸ ταὐτὸν τιθῶμεν; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. τί δέ; τὸ θάτερον ἆρα ἡμῖν λεκτέον πέμπτον; ἢ τοῦτο καὶ τὸ ὂν ὡς δύʼ ἄττα ὀνόματα ἐφʼ ἑνὶ γένει διανοεῖσθαι δεῖ; ΘΕΑΙ. τάχʼ ἄν. ΞΕ. ἀλλʼ οἶμαί σε συγχωρεῖν τῶν ὄντων τὰ μὲν αὐτὰ καθʼ αὑτά, τὰ δὲ πρὸς ἄλλα ἀεὶ λέγεσθαι. ΘΕΑΙ. τί δʼ οὔ; ΞΕ. τὸ δέ γʼ ἕτερον ἀεὶ πρὸς ἕτερον· ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. οὐκ ἄν, εἴ γε τὸ ὂν καὶ τὸ θάτερον μὴ πάμπολυ διεφερέτην· ἀλλʼ εἴπερ θάτερον ἀμφοῖν μετεῖχε τοῖν εἰδοῖν ὥσπερ τὸ ὄν, ἦν ἄν ποτέ τι καὶ τῶν ἑτέρων ἕτερον οὐ πρὸς ἕτερον· νῦν δὲ ἀτεχνῶς ἡμῖν ὅτιπερ ἂν ἕτερον ᾖ, συμβέβηκεν ἐξ ἀνάγκης ἑτέρου τοῦτο ὅπερ ἐστὶν εἶναι. ΘΕΑΙ. λέγεις καθάπερ ἔχει. ΞΕ. πέμπτον δὴ τὴν θατέρου φύσιν λεκτέον ἐν τοῖς
[255e]
PT-BR: a quinta idéia ao lado das que já aceitamos. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Idéia essa, é o que diremos, que penetra em todas as outras, pois cada uma em separado é diferente das demais, não por sua própria natureza mas por participar da idéia do outro. Teeteto — Perfeitamente. XLI — O Hóspede — Então, recapitulemos tudo isso a respeito das cinco, isoladamente consideradas. Teeteto — Como será? Estrangeiro — Comecemos pelo movimento, que é de todo em todo diferente do repouso. Ou como diremos? Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Logo, não é repouso Teeteto — De jeito nenhum. Estrangeiro —
GRC: εἴδεσιν οὖσαν, ἐν οἷς προαιρούμεθα. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ διὰ πάντων γε αὐτὴν αὐτῶν φήσομεν εἶναι διεληλυθυῖαν· ἓν ἕκαστον γὰρ ἕτερον εἶναι τῶν ἄλλων οὐ διὰ τὴν αὑτοῦ φύσιν, ἀλλὰ διὰ τὸ μετέχειν τῆς ἰδέας τῆς θατέρου. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. ὧδε δὴ λέγωμεν ἐπὶ τῶν πέντε καθʼ ἓν ἀναλαμβάνοντες. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. πρῶτον μὲν κίνησιν, ὡς ἔστι παντάπασιν ἕτερον στάσεως. ἢ πῶς λέγομεν; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. οὐ στάσις ἄρʼ ἐστίν. ΘΕΑΙ. οὐδαμῶς.
[256]
PT-BR: No entanto, é o que terá de ser, por participar da existência. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Por outro lado, o movimento é diferente do mesmo. Teeteto — Pode ser. Estrangeiro — Não sendo, por conseguinte, o mesmo. Teeteto — Não. Estrangeiro — Porém já vimos que ele era o mesmo consigo mesmo, porque tudo participa do mesmo. Teeteto — Certíssimo. Estrangeiro — Logo, o movimento é o mesmo e não é o mesmo: eis o que seremos obrigados a admitir, sem nos amofinarmos muito com esse fato. Quando dizemos que ele é o mesmo, pretendemos significar que nele próprio ele participa do mesmo; e ao declarar que não
GRC: ΞΕ. ἔστι δέ γε διὰ τὸ μετέχειν τοῦ ὄντος. ΘΕΑΙ. ἔστιν. ΞΕ. αὖθις δὴ πάλιν ἡ κίνησις ἕτερον ταὐτοῦ ἐστιν. ΘΕΑΙ. σχεδόν. ΞΕ. οὐ ταὐτὸν ἄρα ἐστίν. ΘΕΑΙ. οὐ γὰρ οὖν. ΞΕ. ἀλλὰ μὴν αὕτη γʼ ἦν ταὐτὸν διὰ τὸ μετέχειν αὖ πάντʼ αὐτοῦ. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα. ΞΕ. τὴν κίνησιν δὴ ταὐτόν τʼ εἶναι καὶ μὴ ταὐτὸν ὁμολογητέον καὶ οὐ δυσχεραντέον. οὐ γὰρ ὅταν εἴπωμεν αὐτὴν ταὐτὸν καὶ μὴ ταὐτόν, ὁμοίως εἰρήκαμεν, ἀλλʼ ὁπόταν μὲν
[256b]
PT-BR: é o mesmo, queremos dizer, pelo contrário, que assim é por causa de sua comunhão com o outro, a qual o leva a separar-se do mesmo, deixando-o não como o mesmo mas como outro; de onde vem que, mais uma vez e a rigor ele não poderá ser denominado o mesmo. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Donde fica certo que se o movimento participa, de algum modo, do repouso, não será absolutamente descabido denominá-lo estável. Teeteto — Sim, estará certo, se admitirmos que alguns gêneros consentem em misturar-se, e outros não. Estrangeiro — Pois foi essa mesma prova que já apresentamos, antes de chegarmos até aqui e demonstrarmos que, por natureza, terá de ser desse jeito. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Recapitulemos: o movimento é outro que não o outro, como é também outro que não o mesmo e o repouso? Teeteto — Forçosamente. Estrangeiro — Logo, de algum modo, não será outro, como também o será, de acordo com o presente raciocínio. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — E depois? Diremos que ele é diferente dos três primeiros, porém não diferente do quarto, se concordarmos
GRC: ταὐτόν, διὰ τὴν μέθεξιν ταὐτοῦ πρὸς ἑαυτὴν οὕτω λέγομεν, ὅταν δὲ μὴ ταὐτόν, διὰ τὴν κοινωνίαν αὖ θατέρου, διʼ ἣν ἀποχωριζομένη ταὐτοῦ γέγονεν οὐκ ἐκεῖνο ἀλλʼ ἕτερον, ὥστε ὀρθῶς αὖ λέγεται πάλιν οὐ ταὐτόν. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν κἂν εἴ πῃ μετελάμβανεν αὐτὴ κίνησις στάσεως, οὐδὲν ἂν ἄτοπον ἦν στάσιμον αὐτὴν προσαγορεύειν; ΘΕΑΙ. ὀρθότατά γε, εἴπερ τῶν γενῶν συγχωρησόμεθα τὰ μὲν ἀλλήλοις ἐθέλειν μείγνυσθαι, τὰ δὲ μή. ΞΕ. καὶ μὴν ἐπί γε τὴν τούτου πρότερον ἀπόδειξιν ἢ τῶν νῦν ἀφικόμεθα, ἐλέγχοντες ὡς ἔστι κατὰ φύσιν ταύτῃ. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. λέγωμεν δὴ πάλιν· ἡ κίνησίς ἐστιν ἕτερον τοῦ ἑτέρου, καθάπερ ταὐτοῦ τε ἦν ἄλλο καὶ τῆς στάσεως; ΘΕΑΙ. ἀναγκαῖον. ΞΕ. οὐχ ἕτερον ἄρʼ ἐστί πῃ καὶ ἕτερον κατὰ τὸν νυνδὴ λόγον. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ. ΞΕ. τί οὖν δὴ τὸ μετὰ τοῦτο; ἆρʼ αὖ τῶν μὲν τριῶν ἕτερον αὐτὴν φήσομεν εἶναι, τοῦ δὲ τετάρτου μὴ φῶμεν,
[256d]
PT-BR: que são cinco os gêneros que nos dispusemos a examinar? Teeteto — De que jeito? Não podemos admitir um número menor do que o encontrado antes. Estrangeiro — Sem medo algum, portanto, e com a máxima energia afirmemos que o movimento é outro que não o ser. Teeteto — Sim, sem medo nenhum. Estrangeiro — A esse modo, com toda a segurança, não é ser o movimento, como também é ser, visto participar da existência. Teeteto — Certíssimo. Estrangeiro — De onde fica também certo, necessariamente, que o não-ser está no movimento e em todos os gêneros, pois a natureza do outro,
GRC: ὁμολογήσαντες αὐτὰ εἶναι πέντε, περὶ ὧν καὶ ἐν οἷς προυθέμεθα σκοπεῖν; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ἀδύνατον γὰρ συγχωρεῖν ἐλάττω τὸν ἀριθμὸν τοῦ νυνδὴ φανέντος. ΞΕ. ἀδεῶς ἄρα τὴν κίνησιν ἕτερον εἶναι τοῦ ὄντος διαμαχόμενοι λέγωμεν; ΘΕΑΙ. ἀδεέστατα μὲν οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν δὴ σαφῶς ἡ κίνησις ὄντως οὐκ ὄν ἐστι καὶ ὄν, ἐπείπερ τοῦ ὄντος μετέχει; ΘΕΑΙ. σαφέστατά γε. ΞΕ. ἔστιν ἄρα ἐξ ἀνάγκης τὸ μὴ ὂν ἐπί τε κινήσεως εἶναι καὶ κατὰ πάντα τὰ γένη· κατὰ πάντα γὰρ ἡ θατέρου
[256e]
PT-BR: entrando em tudo o mais, deixa todos diferentes do ser, isto é, como não- ser, de forma que, sob esse aspecto, poderemos, com todo o direito, denominá-los não existentes, e o inverso: afirmar que são e existem, visto participarem da existência. Teeteto — É possível. Estrangeiro — Em cada idéia, pois, há muitos seres e uma multidão incontável de não-seres. Teeteto — Parece. Estrangeiro —
GRC: φύσις ἕτερον ἀπεργαζομένη τοῦ ὄντος ἕκαστον οὐκ ὂν ποιεῖ, καὶ σύμπαντα δὴ κατὰ ταὐτὰ οὕτως οὐκ ὄντα ὀρθῶς ἐροῦμεν, καὶ πάλιν, ὅτι μετέχει τοῦ ὄντος, εἶναί τε καὶ ὄντα. ΘΕΑΙ. κινδυνεύει. ΞΕ. περὶ ἕκαστον ἄρα τῶν εἰδῶν πολὺ μέν ἐστι τὸ ὄν, ἄπειρον δὲ πλήθει τὸ μὴ ὄν. ΘΕΑΙ. ἔοικεν.
[257]
PT-BR: Logo, teremos de dizer que o ser em si mesmo é diferente dos outros. Teeteto — Forçosamente. Estrangeiro — Então, concluiremos que quantas vezes os outros são, outras tantas o ser não é, pois não sendo eles, será um em si mesmo, enquanto os outros, de número infinito, não serão. Teeteto — Terá de ser mais ou menos assim. Estrangeiro — Esse ponto, por conseguinte, já não nos causará aborrecimento. Quem não aceitar semelhante conclusão, cuide primeiro de refutar o argumento anterior, para depois atacar o que lhe vem no rastro. Teeteto — Nada mais justo. Estrangeiro — Consideremos também o seguinte. Teeteto — Que será? Estrangeiro — Sempre que nos referimos ao não-ser, não temos em vista, como parece, o oposto do ser, porém algo diferente. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — Quando falamos de algo não grande, achas que nos referimos mais ao pequeno do que ao igual? Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Não podemos concordar que com o emprego da negação indicamos o contrário da coisa enunciada, mas apenas que o Não colocado antes dos nomes que se
GRC: ΞΕ. οὐκοῦν καὶ τὸ ὂν αὐτὸ τῶν ἄλλων ἕτερον εἶναι λεκτέον. ΘΕΑΙ. ἀνάγκη. ΞΕ. καὶ τὸ ὂν ἄρʼ ἡμῖν, ὅσαπέρ ἐστι τὰ ἄλλα, κατὰ τοσαῦτα οὐκ ἔστιν· ἐκεῖνα γὰρ οὐκ ὂν ἓν μὲν αὐτό ἐστιν, ἀπέραντα δὲ τὸν ἀριθμὸν τἆλλα οὐκ ἔστιν αὖ. ΘΕΑΙ. σχεδὸν οὕτως. ΞΕ. οὐκοῦν δὴ καὶ ταῦτα οὐ δυσχεραντέον, ἐπείπερ ἔχει κοινωνίαν ἀλλήλοις ἡ τῶν γενῶν φύσις. εἰ δέ τις ταῦτα μὴ συγχωρεῖ, πείσας ἡμῶν τοὺς ἔμπροσθεν λόγους οὕτω πειθέτω τὰ μετὰ ταῦτα. ΘΕΑΙ. δικαιότατα εἴρηκας. ΞΕ. ἴδωμεν δὴ καὶ τόδε. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ὁπόταν τὸ μὴ ὂν λέγωμεν, ὡς ἔοικεν, οὐκ ἐναντίον τι λέγομεν τοῦ ὄντος ἀλλʼ ἕτερον μόνον. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. οἷον ὅταν εἴπωμέν τι μὴ μέγα, τότε μᾶλλόν τί σοι φαινόμεθα τὸ σμικρὸν ἢ τὸ ἴσον δηλοῦν τῷ ῥήματι; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ΞΕ. οὐκ ἄρʼ, ἐναντίον ὅταν ἀπόφασις λέγηται σημαίνειν, συγχωρησόμεθα, τοσοῦτον δὲ μόνον, ὅτι τῶν ἄλλων τὶ μηνύει
[257c]
PT-BR: seguem indica algo diferente das coisas cujos nomes vêm enunciados depois da negação. Teeteto — Perfeitamente. XLII XLII — Estrangeiro — Consideremos agora mais este ponto, se estiveres de acordo. Teeteto — Qual será? Estrangeiro — A natureza do outro se me afigura tão partida em pequeninos como seu próprio, conhecimento. Teeteto — De que maneira? Estrangeiro — O conhecimento, também, é uno, porém são separadas as partes relacionadas com determinados
GRC: τὸ μὴ καὶ τὸ οὒ προτιθέμενα τῶν ἐπιόντων ὀνομάτων, μᾶλλον δὲ τῶν πραγμάτων περὶ ἅττʼ ἂν κέηται τὰ ἐπιφθεγγόμενα ὕστερον τῆς ἀποφάσεως ὀνόματα. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν. ΞΕ. τόδε δὲ διανοηθῶμεν, εἰ καὶ σοὶ συνδοκεῖ. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ἡ θατέρου μοι φύσις φαίνεται κατακεκερματίσθαι καθάπερ ἐπιστήμη. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. μία μέν ἐστί που καὶ ἐκείνη, τὸ δʼ ἐπί τῳ γιγνόμενον μέρος αὐτῆς ἕκαστον ἀφορισθὲν ἐπωνυμίαν ἴσχει τινὰ
[257d]
PT-BR: objetos e recebem denominações específicas. Daí haver tanta variedade de artes e de conhecimentos. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — O mesmo se passa com a natureza do outro, conquanto. seja apenas uma. Teeteto — E possível; porém digamos como se dá tal coisa. Estrangeiro — Não há uma parte do outro que se contrapõe ao belo? Teeteto — Há. Estrangeiro — E diremos que tem nome ou que não tem? Teeteto — Tem; o que sempre designamos como não-belo, que de nada mais diferirá, se não for da natureza do belo. Estrangeiro — Vamos agora responder a mais uma pergunta. Teeteto — Qual será? Estrangeiro — Alguma coisa que foi separado de um dos gêneros dos seres e depois contraposto, em novas conexões, a outro ser; não será isso o não-belo? Teeteto — Exato. Estrangeiro — Logo, ao que parece, o não-belo é a oposição de um ser a outro. Teeteto — Exatíssimo. Estrangeiro — Mas como! De acordo com essa explicação, teremos de aceitar que o belo participa da existência em grau maior, e o não-belo em menor? Teeteto — Em absoluto. Estrangeiro —
GRC: ἑαυτῆς ἰδίαν· διὸ πολλαὶ τέχναι τʼ εἰσὶ λεγόμεναι καὶ ἐπιστῆμαι. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ τὰ τῆς θατέρου φύσεως μόρια μιᾶς οὔσης ταὐτὸν πέπονθε τοῦτο. ΘΕΑΙ. τάχʼ ἄν· ἀλλʼ ὅπῃ δὴ λέγωμεν; ΞΕ. ἔστι τῷ καλῷ τι θατέρου μόριον ἀντιτιθέμενον; ΘΕΑΙ. ἔστιν. ΞΕ. τοῦτʼ οὖν ἀνώνυμον ἐροῦμεν ἤ τινʼ ἔχον ἐπωνυμίαν; ΘΕΑΙ. ἔχον· ὃ γὰρ μὴ καλὸν ἑκάστοτε φθεγγόμεθα, τοῦτο οὐκ ἄλλου τινὸς ἕτερόν ἐστιν ἢ τῆς τοῦ καλοῦ φύσεως. ΞΕ. ἴθι νυν τόδε μοι λέγε. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ἄλλο τι τῶν ὄντων τινὸς ἑνὸς γένους ἀφορισθὲν καὶ πρός τι τῶν ὄντων αὖ πάλιν ἀντιτεθὲν οὕτω συμβέβηκεν εἶναι τὸ μὴ καλόν; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. ὄντος δὴ πρὸς ὂν ἀντίθεσις, ὡς ἔοικʼ, εἶναί τις συμβαίνει τὸ μὴ καλόν. ΘΕΑΙ. ὀρθότατα. ΞΕ. τί οὖν; κατὰ τοῦτον τὸν λόγον ἆρα μᾶλλον μὲν τὸ καλὸν ἡμῖν ἐστι τῶν ὄντων, ἧττον δὲ τὸ μὴ καλόν; ΘΕΑΙ. οὐδέν.
[258]
PT-BR: Sendo assim, precisaremos dizer que tanto existe o não-grande como o grande. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Como teremos de pôr em pé de igualdade o justo e o injusto, para que um não tenha mais existência do que o outro. Teeteto — Como não? Estrangeiro — E o mesmo diremos de tudo o mais, pois a natureza do outro se nos revelou como incluída entre os seres. Ora, se ela existe, suas partes, também, terão de ser consideradas como existentes. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Assim, ao que parece, a oposição da natureza de uma parte do outro e da natureza do ser, dada a contraposição das duas, não terá menos existência, se assim posso expressar-me, do que o próprio ser, pois ela não indica absolutamente o contrário do ser, porém algo diferente dele. Teeteto — Sem dúvida nenhuma. Estrangeiro — E que nome lhe daremos? Teeteto — O de não-ser, evidentemente; esse mesmo não-ser à procura do qual andávamos por causa do sofista. Estrangeiro — Então, conforme disseste, em nada ele será inferior aos outros, com relação ao ser, sendo nos lícito afirmar sem vacilações, que o não-ser possui incontestavelmente natureza
GRC: ΞΕ. ὁμοίως ἄρα τὸ μὴ μέγα καὶ τὸ μέγα αὐτὸ εἶναι λεκτέον; ΘΕΑΙ. ὁμοίως. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ τὸ μὴ δίκαιον τῷ δικαίῳ κατὰ ταὐτὰ θετέον πρὸς τὸ μηδέν τι μᾶλλον εἶναι θάτερον θατέρου; ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. καὶ τἆλλα δὴ ταύτῃ λέξομεν, ἐπείπερ ἡ θατέρου φύσις ἐφάνη τῶν ὄντων οὖσα, ἐκείνης δὲ οὔσης ἀνάγκη δὴ καὶ τὰ μόρια αὐτῆς μηδενὸς ἧττον ὄντα τιθέναι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. οὐκοῦν, ὡς ἔοικεν, ἡ τῆς θατέρου μορίου φύσεως καὶ τῆς τοῦ ὄντος πρὸς ἄλληλα ἀντικειμένων ἀντίθεσις οὐδὲν ἧττον, εἰ θέμις εἰπεῖν, αὐτοῦ τοῦ ὄντος οὐσία ἐστίν, οὐκ ἐναντίον ἐκείνῳ σημαίνουσα ἀλλὰ τοσοῦτον μόνον, ἕτερον ἐκείνου. ΘΕΑΙ. σαφέστατά γε. ΞΕ. τίνʼ οὖν αὐτὴν προσείπωμεν; ΘΕΑΙ. δῆλον ὅτι τὸ μὴ ὄν, ὃ διὰ τὸν σοφιστὴν ἐζητοῦμεν, αὐτό ἐστι τοῦτο. ΞΕ. πότερον οὖν, ὥσπερ εἶπες, ἔστιν οὐδενὸς τῶν ἄλλων οὐσίας ἐλλειπόμενον, καὶ δεῖ θαρροῦντα ἤδη λέγειν ὅτι τὸ μὴ ὂν βεβαίως ἐστὶ τὴν αὑτοῦ φύσιν ἔχον, ὥσπερ τὸ μέγα
[258c]
PT-BR: própria, e assim como o grande era grande e o belo, belo, e também o não-grande, não grande, e o não-belo, não belo: do mesmo modo diremos que o não-ser tanto era como é não-ser, tendo, pois, de ser contado como uma idéia no conjunto dos seres. Ou ainda terás alguma dúvida, Teeteto, a esse respeito? Teeteto — Nenhuma, absolutamente. XLIII — Estrangeiro — Não percebeste que com nossa rebeldia ultrapassamos de muito a proibição de Parmênides? Teeteto — Como assim? Estrangeiro — Violamos o limite por ele interditado, e em nossa investigação lhe mostramos mais coisas do que o que ele próprio admitira. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — Algures ele diz: Nunca possível ser-te-á compreender que o não-ser possa ser Desse caminho conserva afastado o intelecto curioso. Teeteto — Sim, foi isso mesmo que ele disse. Estrangeiro — porém nós, não apenas demonstramos que o não –ser existe, como revelamos a forma de ser que o não-ser reveste. Provamos, ainda, que existe a natureza do outro e que ela se subdivide ao
GRC: ἦν μέγα καὶ τὸ καλὸν ἦν καλὸν καὶ τὸ μὴ μέγα μὴ μέγα καὶ τὸ μὴ καλὸν μὴ καλόν, οὕτω δὲ καὶ τὸ μὴ ὂν κατὰ ταὐτὸν ἦν τε καὶ ἔστι μὴ ὄν, ἐνάριθμον τῶν πολλῶν ὄντων εἶδος ἕν; ἤ τινα ἔτι πρὸς αὐτό, ὦ Θεαίτητε, ἀπιστίαν ἔχομεν; ΘΕΑΙ. οὐδεμίαν. ΞΕ. οἶσθʼ οὖν ὅτι Παρμενίδῃ μακροτέρως τῆς ἀπορρήσεως ἠπιστήκαμεν; ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. πλεῖον ἢ ʼκεῖνος ἀπεῖπε σκοπεῖν, ἡμεῖς εἰς τὸ πρόσθεν ἔτι ζητήσαντες ἀπεδείξαμεν αὐτῷ. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. ὅτι ὁ μέν πού φησιν—οὐ γὰρ μήποτε τοῦτο δαμῇ, εἶναι μὴ ἐόντα,ἀλλὰ σὺ τῆσδʼ ἀφʼ ὁδοῦ διζήσιος εἶργε νόημα.Parmenides 7.1 ΘΕΑΙ. λέγει γὰρ οὖν οὕτως. ΞΕ. ἡμεῖς δέ γε οὐ μόνον τὰ μὴ ὄντα ὡς ἔστιν ἀπεδείξαμεν, ἀλλὰ καὶ τὸ εἶδος ὃ τυγχάνει ὂν τοῦ μὴ ὄντος ἀπεφηνάμεθα· τὴν γὰρ θατέρου φύσιν ἀποδείξαντες οὖσάν
[258e]
PT-BR: infinito nas relações recíprocas dos seres, depois do que nos aventuramos a afirmar que cada parte do outro que se opõe ao ser precisamente o não-ser. Teeteto — Estou convencido, Estrangeiro, de que essa exposição foi muito bem conduzida. Estrangeiro —
GRC: τε καὶ κατακεκερματισμένην ἐπὶ πάντα τὰ ὄντα πρὸς ἄλληλα, τὸ πρὸς τὸ ὂν ἕκαστον μόριον αὐτῆς ἀντιτιθέμενον ἐτολμήσαμεν εἰπεῖν ὡς αὐτὸ τοῦτό ἐστιν ὄντως τὸ μὴ ὄν. ΘΕΑΙ. καὶ παντάπασί γε, ὦ ξένε, ἀληθέστατά μοι δοκοῦμεν εἰρηκέναι.
[259]
PT-BR: Porém ninguém venha objetar-nos que é por havermos apresentado o não-ser como o contrário do ser que nos atrevemos a dizer que ele existe. Há muito dissemos adeus às pesquisas sobre qualquer contrário do ser, no sentido de sabermos se existe ou não existe, se
GRC: ΞΕ. μὴ τοίνυν ἡμᾶς εἴπῃ τις ὅτι τοὐναντίον τοῦ ὄντος τὸ μὴ ὂν ἀποφαινόμενοι τολμῶμεν λέγειν ὡς ἔστιν. ἡμεῖς γὰρ περὶ μὲν ἐναντίου τινὸς αὐτῷ χαίρειν πάλαι λέγομεν,
[259a]
PT-BR: é definível ou avesso a toda explicação. Quanto ao que acabamos de afirmar a respeito do não-ser, ou nos prove alguém que tudo aquilo está errado, ou, enquanto não puder fazê-lo, diga conosco que os gêneros se misturam uns com os outros e que o ser e o outro penetram em todos e se interpenetram reciprocamente, e que o outro, por participar do ser, existe pelo próprio fato dessa participação, sem ser aquilo de que ele participa, porém outro, e por ser outro que não o ser, é mais do que evidente que terá de ser não-ser. Por sua vez, o ser,
GRC: εἴτʼ ἔστιν εἴτε μή, λόγον ἔχον ἢ καὶ παντάπασιν ἄλογον· ὃ δὲ νῦν εἰρήκαμεν εἶναι τὸ μὴ ὄν, ἢ πεισάτω τις ὡς οὐ καλῶς λέγομεν ἐλέγξας, ἢ μέχριπερ ἂν ἀδυνατῇ, λεκτέον καὶ ἐκείνῳ καθάπερ ἡμεῖς λέγομεν, ὅτι συμμείγνυταί τε ἀλλήλοις τὰ γένη καὶ τό τε ὂν καὶ θάτερον διὰ πάντων καὶ διʼ ἀλλήλων διεληλυθότε τὸ μὲν ἕτερον μετασχὸν τοῦ ὄντος ἔστι μὲν διὰ ταύτην τὴν μέθεξιν, οὐ μὴν ἐκεῖνό γε οὗ μετέσχεν ἀλλʼ ἕτερον, ἕτερον δὲ τοῦ ὄντος ὂν ἔστι σαφέστατα
[259b]
PT-BR: por participar do outro, torna-se um gênero diferente dos outros gêneros, e por ser diferente de todos, não será nem cada um em particular nem todos eles em conjunto, mas apenas ele mesmo. A esse modo, não é possível absolutamente contestar que há milhares e milhares de coisas que o ser não é, e que os outros, por sua vez, ou isoladamente considerados ou em conjunto, de muitas maneiras são, como de muitas maneiras também não são. Teeteto — É muito certo. Estrangeiro — Quem não acreditar nessas oposições, estude o assunto por conta própria e apresente explicação
GRC: ἐξ ἀνάγκης εἶναι μὴ ὄν· τὸ δὲ ὂν αὖ θατέρου μετειληφὸς ἕτερον τῶν ἄλλων ἂν εἴη γενῶν, ἕτερον δʼ ἐκείνων ἁπάντων ὂν οὐκ ἔστιν ἕκαστον αὐτῶν οὐδὲ σύμπαντα τὰ ἄλλα πλὴν αὐτό, ὥστε τὸ ὂν ἀναμφισβητήτως αὖ μυρία ἐπὶ μυρίοις οὐκ ἔστι, καὶ τἆλλα δὴ καθʼ ἕκαστον οὕτω καὶ σύμπαντα πολλαχῇ μὲν ἔστι, πολλαχῇ δʼ οὐκ ἔστιν. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ. ΞΕ. καὶ ταύταις δὴ ταῖς ἐναντιώσεσιν εἴτε ἀπιστεῖ τις, σκεπτέον αὐτῷ καὶ λεκτέον βέλτιόν τι τῶν νῦν εἰρημένων·
[259c]
PT-BR: melhor; e no caso de imaginar que excogitou algo difícil e de encontrar prazer em puxar os argumentos em todos os sentidos, só direi que perdeu tempo com o que nada vale, conforme o demonstrou a presente exposição, pois tudo aquilo nem é engenhoso nem difícil de encontrar. Árduo e nobre é apenas o seguinte. Teeteto — Que será? Estrangeiro — O que acabei de dizer: pôr de lado todas essas sutilezas e esforçar-se quanto possível por acompanhar e criticar um por um os argumentos de quem declara que, de certo modo, o outro é o mesmo
GRC: εἴτε ὥς τι χαλεπὸν κατανενοηκὼς χαίρει τοτὲ μὲν ἐπὶ θάτερα τοτὲ δʼ ἐπὶ θάτερα τοὺς λόγους ἕλκων, οὐκ ἄξια πολλῆς σπουδῆς ἐσπούδακεν, ὡς οἱ νῦν λόγοι φασί. τοῦτο μὲν γὰρ οὔτε τι κομψὸν οὔτε χαλεπὸν εὑρεῖν, ἐκεῖνο δʼ ἤδη καὶ χαλεπὸν ἅμα καὶ καλόν. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. ὃ καὶ πρόσθεν εἴρηται, τὸ ταῦτα ἐάσαντα ὡς δυνατὰ τοῖς λεγομένοις οἷόν τʼ εἶναι καθʼ ἕκαστον ἐλέγχοντα ἐπακολουθεῖν, ὅταν τέ τις ἕτερον ὄν πῃ ταὐτὸν
[259d]
PT-BR: e o mesmo é o outro, de acordo com sua maneira de encarar o assunto, e o que ele diz com respeito às duas afirmações. Porém asseverar que, de qualquer jeito, o mesmo é outro e o outro é o mesmo, o grande é pequeno e o semelhante dessemelhante, folgando por estadear em seus discursos todas essas oposições, não é verdadeira refutação, porém o balbuciar de algum novato que mal principia a entrar em contacto com o ser. Teeteto — Sem dúvida nenhuma. XLIV — Estrangeiro — Realmente, meu caro, a tentativa de separar tudo de tudo é prova de grosseria e de
GRC: εἶναι φῇ καὶ ὅταν ταὐτὸν ὂν ἕτερον, ἐκείνῃ καὶ κατʼ ἐκεῖνο ὅ φησι τούτων πεπονθέναι πότερον. τὸ δὲ ταὐτὸν ἕτερον ἀποφαίνειν ἁμῇ γέ πῃ καὶ τὸ θάτερον ταὐτὸν καὶ τὸ μέγα σμικρὸν καὶ τὸ ὅμοιον ἀνόμοιον, καὶ χαίρειν οὕτω τἀναντία ἀεὶ προφέροντα ἐν τοῖς λόγοις, οὔτε τις ἔλεγχος οὗτος ἀληθινὸς ἄρτι τε τῶν ὄντων τινὸς ἐφαπτομένου δῆλος νεογενὴς ὤν. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. καὶ γάρ, ὠγαθέ, τό γε πᾶν ἀπὸ παντὸς ἐπιχειρεῖν
[259e]
PT-BR: absoluto alheamento das Musas e da filosofia. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — O mais radical processo para acabar com qualquer espécie de discurso é isolar cada coisa do seu conjunto, pois o discurso só nos surge pronto pelo entrelaçamento recíproco das partes. Teeteto — É a pura verdade. Estrangeiro —
GRC: ἀποχωρίζειν ἄλλως τε οὐκ ἐμμελὲς καὶ δὴ καὶ παντάπασιν ἀμούσου τινὸς καὶ ἀφιλοσόφου. ΘΕΑΙ. τί δή; ΞΕ. τελεωτάτη πάντων λόγων ἐστὶν ἀφάνισις τὸ διαλύειν ἕκαστον ἀπὸ πάντων· διὰ γὰρ τὴν ἀλλήλων τῶν εἰδῶν συμπλοκὴν ὁ λόγος γέγονεν ἡμῖν. ΘΕΑΙ. ἀληθῆ.
[260]
PT-BR: Considera agora como foi oportuna nossa campanha contra essa gente, no empenho de forçá-los a permitir que uma coisa se misturasse com outra. Teeteto — Oportuna, por quê? Estrangeiro — Por incluirmos nosso discurso no gênero dos seres. Se nos víssemos privados dele, ficaríamos também privados do que há de mais importante, a saber, a própria filosofia. Porém precisamos chegar a uma conclusão sobre o que venha a ser discurso. Se no-lo roubassem, com negar-lhe qualquer espécie de existência, ficaríamos daqui por diante inteiramente incapazes de falar; e roubado nos seria, se
GRC: ΞΕ. σκόπει τοίνυν ὡς ἐν καιρῷ νυνδὴ τοῖς τοιούτοις διεμαχόμεθα καὶ προσηναγκάζομεν ἐᾶν ἕτερον ἑτέρῳ μείγνυσθαι. ΘΕΑΙ. πρὸς δὴ τί; ΞΕ. πρὸς τὸ τὸν λόγον ἡμῖν τῶν ὄντων ἕν τι γενῶν εἶναι. τούτου γὰρ στερηθέντες, τὸ μὲν μέγιστον, φιλοσοφίας ἂν στερηθεῖμεν· ἔτι δʼ ἐν τῷ παρόντι δεῖ λόγον ἡμᾶς διομολογήσασθαι τί ποτʼ ἔστιν, εἰ δὲ ἀφῃρέθημεν αὐτὸ μηδʼ εἶναι τὸ παράπαν, οὐδὲν ἂν ἔτι που λέγειν οἷοί τʼ ἦμεν.
[260b]
PT-BR: chegássemos a admitir que não há o que se misture com outra coisa. Teeteto — É muito certo tudo isso; porém não compreendo a necessidade de explicarmos o discurso. Estrangeiro — Se te dispuseres a acompanhar-me, talvez compreendas sem dificuldade. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — O não-ser se nos revelou como um gênero entre os demais, distribuído entre todos os seres. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Passemos, então, a considerar se ele se mistura com a opinião e com o discurso. Teeteto — Por quê? Estrangeiro — Se não se misturar, a conclusão
GRC: ἀφῃρέθημεν δʼ ἄν, εἰ συνεχωρήσαμεν μηδεμίαν εἶναι μεῖξιν μηδενὶ πρὸς μηδέν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς τοῦτό γε· λόγον δὲ διʼ ὅτι νῦν διομολογητέον οὐκ ἔμαθον. ΞΕ. ἀλλʼ ἴσως τῇδʼ ἑπόμενος ῥᾷστʼ ἂν μάθοις. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. τὸ μὲν δὴ μὴ ὂν ἡμῖν ἕν τι τῶν ἄλλων γένος ὂν ἀνεφάνη, κατὰ πάντα τὰ ὄντα διεσπαρμένον. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. οὐκοῦν τὸ μετὰ τοῦτο σκεπτέον εἰ δόξῃ τε καὶ λόγῳ μείγνυται. ΘΕΑΙ. τί δή;
[260c]
PT-BR: forçosa é que tudo é verdadeiro; misturando-se, torna-se possível haver opinião falsa e também discurso falso, pois pensar e dizer que não é: eis o que a meu ver, constitui falsidade no pensamento ou no discurso. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Logo, se há falsidade, também há fraude. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Ora, havendo
GRC: ΞΕ. μὴ μειγνυμένου μὲν αὐτοῦ τούτοις ἀναγκαῖον ἀληθῆ πάντʼ εἶναι, μειγνυμένου δὲ δόξα τε ψευδὴς γίγνεται καὶ λόγος· τὸ γὰρ τὰ μὴ ὄντα δοξάζειν ἢ λέγειν, τοῦτʼ ἔστι που τὸ ψεῦδος ἐν διανοίᾳ τε καὶ λόγοις γιγνόμενον. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. ὄντος δέ γε ψεύδους ἔστιν ἀπάτη. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ μὴν ἀπάτης οὔσης εἰδώλων τε καὶ εἰκόνων ἤδη καὶ φαντασίας πάντα ἀνάγκη μεστὰ εἶναι. ΘΕΑΙ. πῶς γὰρ οὔ; ΞΕ. τὸν δέ γε σοφιστὴν ἔφαμεν ἐν τούτῳ που τῷ τόπῳ
[260d]
PT-BR: fraude, forçosamente tudo terá de ficar cheio de simulacros, imagens e fantasias. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Como dissemos, o sofista se refugiou nesta região, porém nega de pé junto que possa haver falsidade, por não ser possível conceber nem
GRC: καταπεφευγέναι μέν, ἔξαρνον δὲ γεγονέναι τὸ παράπαν μηδʼ εἶναι ψεῦδος· τὸ γὰρ μὴ ὂν οὔτε διανοεῖσθαί τινα οὔτε λέγειν· οὐσίας γὰρ οὐδὲν οὐδαμῇ τὸ μὴ ὂν μετέχειν. ΘΕΑΙ. ἦν ταῦτα. ΞΕ. νῦν δέ γε τοῦτο μὲν ἐφάνη μετέχον τοῦ ὄντος, ὥστε ταύτῃ μὲν ἴσως οὐκ ἂν μάχοιτο ἔτι· τάχα δʼ ἂν φαίη τῶν εἰδῶν τὰ μὲν μετέχειν τοῦ μὴ ὄντος, τὰ δʼ οὔ, καὶ λόγον δὴ καὶ δόξαν εἶναι τῶν οὐ μετεχόντων, ὥστε τὴν εἰδωλοποιικὴν καὶ φανταστικήν, ἐν ᾗ φαμεν αὐτὸν εἶναι,
[260e]
PT-BR: exprimir o não-ser; o não-ser não participa absolutamente da existência. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro —
GRC: διαμάχοιτʼ ἂν πάλιν ὡς παντάπασιν οὐκ ἔστιν, ἐπειδὴ δόξα καὶ λόγος οὐ κοινωνεῖ τοῦ μὴ ὄντος· ψεῦδος γὰρ τὸ παράπαν οὐκ εἶναι ταύτης μὴ συνισταμένης τῆς κοινωνίας.
[261]
PT-BR: Porém agora ele se nos revelou como participante do ser, o que talvez leve o sofista a não prosseguir na discussão desse ponto, limitando-se a declarar que só algumas espécies participam do não-ser, outras não, pertencendo os discursos e as opiniões à classe das que não participam. Daí negar com o maior empenho a existência daquela faculdade de criar imagens e simulacros em que pretendemos confiná-lo, por não terem absolutamente comunicação com o ser, a opinião e o discurso; e uma vez que não há participação, não poderá haver falsidade. Por tudo isso, precisaremos, de início, investigar a fundo o que seja discurso, opinião e imaginação, para
GRC: ΞΕ. διὰ ταῦτʼ οὖν λόγον πρῶτον καὶ δόξαν καὶ φαντασίαν διερευνητέον ὅτι ποτʼ ἔστιν, ἵνα φανέντων καὶ τὴν κοινωνίαν αὐτῶν τῷ
[261a]
PT-BR: que, depois de conhecidos, possamos descobrir sua comunhão com o não-ser; uma vez esta patenteada, demonstrar que a falsidade existe, e, demonstrada sua existência, amarrar nela o sofista, no caso de merecer ele semelhante castigo, ou soltá-lo, para irmos procurá-lo noutro gênero. Teeteto — Evidentemente, Estrangeiro, é muito certo tudo o que no começo dissemos a respeito do sofista: como caça, pertence a um gênero difícil de apanhar. Sabe cercar-se de toda espécie de problemas, outras tantas barreiras por detrás das quais ele se acolhe, que precisamos tomar de assalto para podermos chegar ao próprio homem. Agora mesmo, mal acabamos de galgar a primeira
GRC: μὴ ὄντι κατίδωμεν, κατιδόντες δὲ τὸ ψεῦδος ὂν ἀποδείξωμεν, ἀποδείξαντες δὲ τὸν σοφιστὴν εἰς αὐτὸ ἐνδήσωμεν, εἴπερ ἔνοχός ἐστιν, ἢ καὶ ἀπολύσαντες ἐν ἄλλῳ γένει ζητῶμεν. ΘΕΑΙ. κομιδῇ δέ γε, ὦ ξένε, ἔοικεν ἀληθὲς εἶναι τὸ περὶ τὸν σοφιστὴν κατʼ ἀρχὰς λεχθέν, ὅτι δυσθήρευτον εἴη τὸ γένος. φαίνεται γὰρ οὖν προβλημάτων γέμειν, ὧν ἐπειδάν τι προβάλῃ, τοῦτο πρότερον ἀναγκαῖον διαμάχεσθαι πρὶν ἐπʼ αὐτὸν ἐκεῖνον ἀφικέσθαι. νῦν γὰρ μόγις μὲν τὸ μὴ ὂν ὡς οὐκ ἔστι προβληθὲν διεπεράσαμεν, ἕτερον δὲ
[261b]
PT-BR: estacada de sua defesa, a da não existência do não-ser ele nos opõe outra, para obrigar-nos a provar a existência da falsidade, tanto nos discursos como nas opiniões, e depois desse decerto uma terceira e uma quarta, parecendo mesmo que nunca chegaremos ao fim. Estrangeiro — É preciso coragem, Teeteto, sempre que se pode avançar, ainda que seja um pouquinho de cada vez. Quem desanimasse num caso desses, ante a escassez dos resultados, como se comportaria em conjunturas mais sérias, em que não assinalasse nenhum avanço ou mesmo fosse obrigado a recuar? Nesse passo como
GRC: προβέβληται, καὶ δεῖ δὴ ψεῦδος ὡς ἔστι καὶ περὶ λόγον καὶ περὶ δόξαν ἀποδεῖξαι, καὶ μετὰ τοῦτο ἴσως ἕτερον, καὶ ἔτʼ ἄλλο μετʼ ἐκεῖνο· καὶ πέρας, ὡς ἔοικεν, οὐδὲν φανήσεταί ποτε. ΞΕ. θαρρεῖν, ὦ Θεαίτητε, χρὴ τὸν καὶ σμικρόν τι δυνάμενον εἰς τὸ πρόσθεν ἀεὶ προϊέναι. τί γὰρ ὅ γʼ ἀθυμῶν ἐν τούτοις δράσειεν ἂν ἐν ἄλλοις, ἢ μηδὲν ἐν ἐκείνοις ἀνύτων ἢ καὶ πάλιν εἰς τοὔπισθεν ἀπωσθείς; σχολῇ που, τὸ κατὰ
[261c]
PT-BR: diz o provérbio, um tipo assim nunca tomará cidade alguma. Porém, agora, amigo, com superarmos a dificuldade que formulaste, caiu em nosso poder a principal trincheira; tudo o mais será fácil e carente de importância. Teeteto — Dizes bem. XLV — Estrangeiro — Para, começar, conforme já estatuímos, tomemos o discurso e a opinião, para decidirmos com segurança se o não-ser os atinge, ou se ambos, de todo o jeito, são verdadeiros, não vindo nunca, por conseguinte, a ser falso nem um nem outro. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Então, examinemos as palavras, da mesma maneira por que explicamos as idéias e as letras; desse lado é que talvez nos surja a solução procurada. Teeteto — Que iremos ouvir agora a respeito das palavras? Estrangeiro — A questão consiste em saber se todas se combinam ou nenhuma; ou se algumas admitem esse acordo e outras não. Teeteto — É claro que umas o admitem e outras não. Estrangeiro — Decerto, o que queres dizer é que as palavras pronunciadas numa determinada seqüência
GRC: τὴν παροιμίαν λεγόμενον, ὅ γε τοιοῦτος ἄν ποτε ἕλοι πόλιν. νῦν δʼ ἐπεί, ὠγαθέ, τοῦτο ὃ λέγεις διαπεπέρανται, τό τοι μέγιστον ἡμῖν τεῖχος ᾑρημένον ἂν εἴη, τὰ δʼ ἄλλα ἤδη ῥᾴω καὶ σμικρότερα. ΘΕΑΙ. καλῶς εἶπες. ΞΕ. λόγον δὴ πρῶτον καὶ δόξαν, καθάπερ ἐρρήθη νυνδή, λάβωμεν, ἵνα ἐναργέστερον ἀπολογισώμεθα πότερον αὐτῶν ἅπτεται τὸ μὴ ὂν ἢ παντάπασιν ἀληθῆ μέν ἐστιν ἀμφότερα ταῦτα, ψεῦδος δὲ οὐδέποτε οὐδέτερον. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. φέρε δή, καθάπερ περὶ τῶν εἰδῶν καὶ τῶν γραμμάτων ἐλέγομεν, περὶ τῶν ὀνομάτων πάλιν ὡσαύτως ἐπισκεψώμεθα. φαίνεται γάρ πῃ ταύτῃ τὸ νῦν ζητούμενον. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον οὖν δὴ περὶ τῶν ὀνομάτων ὑπακουστέον; ΞΕ. εἴτε πάντα ἀλλήλοις συναρμόττει εἴτε μηδέν, εἴτε τὰ μὲν ἐθέλει, τὰ δὲ μή. ΘΕΑΙ. δῆλον τοῦτό γε, ὅτι τὰ μὲν ἐθέλει, τὰ δʼ οὔ. ΞΕ. τὸ τοιόνδε λέγεις ἴσως, ὅτι τὰ μὲν ἐφεξῆς λεγόμενα
[261e]
PT-BR: e que formam sentido combinam entre si, não combinando as que na sua seriação nada significam. Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — O que imaginei que estivesses pensando, quando concordaste comigo. Há duas maneiras de exprimir o ser por meio da voz. Teeteto — Quais serão? Estrangeiro —
GRC: καὶ δηλοῦντά τι συναρμόττει, τὰ δὲ τῇ συνεχείᾳ μηδὲν σημαίνοντα ἀναρμοστεῖ. ΘΕΑΙ. πῶς τί τοῦτʼ εἶπας; ΞΕ. ὅπερ ᾠήθην ὑπολαβόντα σε προσομολογεῖν. ἔστι γὰρ ἡμῖν που τῶν τῇ φωνῇ περὶ τὴν οὐσίαν δηλωμάτων διττὸν γένος. ΘΕΑΙ. πῶς;
[262]
PT-BR: Uma é o gênero dos substantivos; a outra, o dos verbos. Teeteto — Enumera-os. Estrangeiro — Damos o nome de verbo aos sinais que denotam ação. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Sendo substantivos os sinais articu1ados que referimos ao que realiza a ação. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Ora, vários substantivos enunciados um depois do outro não chegam a formar sentença, o mesmo acontecendo com verbos enumerados sem substantivos. Teeteto — Não compreendi. Estrangeiro — É que há pouco pensavas noutra coisa, quando concordaste comigo. O que eu queria dizer é que a simples seqüência de verbos ou de substantivos não forma um discurso. Teeteto — Como assim? Estrangeiro — É o seguinte: Vai, corre, dorme, e mil outros verbos denotadores de ação, ainda que enumerasses todos, em série, não chegariam a formar uma sentença. Teeteto — Como o poderiam? Estrangeiro — O mesmo passa quando se diz: leão, cervo, cavalo, e todos os mais nomes denotadores de agentes; com semelhante seqüência,
GRC: ΞΕ. τὸ μὲν ὀνόματα, τὸ δὲ ῥήματα κληθέν. ΘΕΑΙ. εἰπὲ ἑκάτερον. ΞΕ. τὸ μὲν ἐπὶ ταῖς πράξεσιν ὂν δήλωμα ῥῆμά που λέγομεν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὸ δέ γʼ ἐπʼ αὐτοῖς τοῖς ἐκείνας πράττουσι σημεῖον τῆς φωνῆς ἐπιτεθὲν ὄνομα. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν ἐξ ὀνομάτων μὲν μόνων συνεχῶς λεγομένων οὐκ ἔστι ποτὲ λόγος, οὐδʼ αὖ ῥημάτων χωρὶς ὀνομάτων λεχθέντων. ΘΕΑΙ. ταῦτʼ οὐκ ἔμαθον. ΞΕ. δῆλον γὰρ ὡς πρὸς ἕτερόν τι βλέπων ἄρτι συνωμολόγεις· ἐπεὶ τοῦτʼ αὐτὸ ἐβουλόμην εἰπεῖν, ὅτι συνεχῶς ὧδε λεγόμενα ταῦτα οὐκ ἔστι λόγος. ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. οἷον βαδίζει τρέχει καθεύδει, καὶ τἆλλα ὅσα πράξεις σημαίνει ῥήματα, κἂν πάντα τις ἐφεξῆς αὔτʼ εἴπῃ, λόγον οὐδέν τι μᾶλλον ἀπεργάζεται. ΘΕΑΙ. πῶς γάρ; ΞΕ. οὐκοῦν καὶ πάλιν ὅταν λέγηται λέων ἔλαφος ἵππος, ὅσα τε ὀνόματα τῶν τὰς πράξεις αὖ πραττόντων
[262c]
PT-BR: também, jamais se comporá um discurso. Tanto neste caso como naquele, os vocábulos enunciados nem indicam ação nem inação, ou existência de um ser ou de um não-ser, até o momento de alguém juntar substantivos com verbos. Só então eles se completam, surgindo o discurso desde a primeira combinação, o que com acerto se poderia denominar a forma primitiva do discurso, a menor de conceber-se. Teeteto — Que, queres dizer com isso? Estrangeiro — Quando se enuncia: o homem aprende, não dirás que se trata do discurso mais elementar e mais conciso? Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — É que, a partir desse instante, ele enuncia algo de alguma coisa que é ou se torna ou foi ou será; não se limita a nomeá-la, porém conta que alguma coisa aconteceu, o que consegue pelo entrelaçamento de verbos com substantivos. Daí não dizermos simplesmente que essa pessoa nomeia, porém que discursa, sendo a essa conexão de palavras que damos o nome de discurso. Teeteto — Certo. XLVI — Estrangeiro — E assim como entre as coisas umas em parte se combinam e outras não: da mesma forma há sinais vocais que não se
GRC: ὠνομάσθη, καὶ κατὰ ταύτην δὴ τὴν συνέχειαν οὐδείς πω συνέστη λόγος· οὐδεμίαν γὰρ οὔτε οὕτως οὔτʼ ἐκείνως πρᾶξιν οὐδʼ ἀπραξίαν οὐδὲ οὐσίαν ὄντος οὐδὲ μὴ ὄντος δηλοῖ τὰ φωνηθέντα, πρὶν ἄν τις τοῖς ὀνόμασι τὰ ῥήματα κεράσῃ. τότε δʼ ἥρμοσέν τε καὶ λόγος ἐγένετο εὐθὺς ἡ πρώτη συμπλοκή, σχεδὸν τῶν λόγων ὁ πρῶτός τε καὶ σμικρότατος. ΘΕΑΙ. πῶς ἄρʼ ὧδε λέγεις; ΞΕ. ὅταν εἴπῃ τις· ἄνθρωπος μανθάνει, λόγον εἶναι φῂς τοῦτον ἐλάχιστόν τε καὶ πρῶτον; ΘΕΑΙ. ἔγωγε. ΞΕ. δηλοῖ γὰρ ἤδη που τότε περὶ τῶν ὄντων ἢ γιγνομένων ἢ γεγονότων ἢ μελλόντων, καὶ οὐκ ὀνομάζει μόνον ἀλλά τι περαίνει, συμπλέκων τὰ ῥήματα τοῖς ὀνόμασι. διὸ λέγειν τε αὐτὸν ἀλλʼ οὐ μόνον ὀνομάζειν εἴπομεν, καὶ δὴ καὶ τῷ πλέγματι τούτῳ τὸ ὄνομα ἐφθεγξάμεθα λόγον. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. οὕτω δὴ καθάπερ τὰ πράγματα τὰ μὲν ἀλλήλοις ἥρμοττεν, τὰ δʼ οὔ, καὶ περὶ τὰ τῆς φωνῆς αὖ σημεῖα τὰ μὲν
[262e]
PT-BR: combinam; mas os que o fazem dão origem à sentença. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Ainda falta uma coisinha de nada. Teeteto — Que é? Estrangeiro — É que a sentença, desde que se forma, por força terá de referir-se a alguma coisa; sentença de nada é que não é possível haver. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Como também terá de ser de certa natureza. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Tomemo-nos a nós mesmos como objeto de exame. Teeteto — Sim, façamos isso. Estrangeiro — Vou formular uma sentença em que um sujeito e uma ação se combinam por meio de um nome e um verbo. A ti é que competirá dizer a que se refere a sentença. Teeteto —
GRC: οὐχ ἁρμόττει, τὰ δὲ ἁρμόττοντα αὐτῶν λόγον ἀπηργάσατο. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν. ΞΕ. ἔτι δὴ σμικρὸν τόδε. ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. λόγον ἀναγκαῖον, ὅτανπερ ᾖ, τινὸς εἶναι λόγον, μὴ δὲ τινὸς ἀδύνατον. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ ποιόν τινα αὐτὸν εἶναι δεῖ; ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. προσέχωμεν δὴ τὸν νοῦν ἡμῖν αὐτοῖς. ΘΕΑΙ. δεῖ γοῦν. ΞΕ. λέξω τοίνυν σοι λόγον συνθεὶς πρᾶγμα πράξει διʼ ὀνόματος καὶ ῥήματος· ὅτου δʼ ἂν ὁ λόγος ᾖ, σύ μοι φράζειν.
[263]
PT-BR: Farei o que puder. Estrangeiro — Teeteto está sentado. Não é longa, pois não? Teeteto — Não; é bem razoável. Estrangeiro — Cabe a ti, agora, dizer a quem se refere a sentença e de que se trata. Teeteto — Evidentemente, fala de mim e se refere a mim mesmo. Estrangeiro — E esta outra? Teeteto — Qual? Estrangeiro — Teeteto, com quem converso neste momento, voa. Teeteto — Desta, também, outra coisa não se poderá dizer, se não for que fala também de mim e a meu respeito. Estrangeiro — Porém já dissemos que toda sentença terá de ser, por força, de uma certa natureza. Teeteto — Sim. Estrangeiro — E como diremos que seja a natureza de cada uma dessas sentenças? Teeteto — Uma delas, de algum modo, é falsa; a outra, verdadeira. Estrangeiro — Das duas, a verdadeira diz de ti as coisas como realmente são. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E a falsa, diferentes da realidade. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Logo, fala de coisas não existentes ti como se existissem? Teeteto — Quase. Estrangeiro — A saber, como existentes, porém diferentes das que existem com relação à tua pessoa, pois já dissemos que com relação a cada coisa há muitos seres e muitos não-seres. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Quanto à segunda sentença que formulei a teu respeito, de acordo com a definição apresentada antes, para começar, é de toda a necessidade que seja concisa. Teeteto — De fato, esse ponto já ficou assentado. Estrangeiro — Depois, que se refira a alguém. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E que se não se referir a ti, não se referirá a mais ninguém. Teeteto — Como não? Estrangeiro — Se não se referisse a ninguém, de jeito nenhum poderia ser sentença, pois já mostramos não ser possível discurso de nada. Teeteto — Certíssimo. Estrangeiro — Assim, quando se fala a teu respeito, porém tratando de coisas outras como sendo as mesmas e do que não é como sendo, semelhante combinação, ao que parece, de substantivos e de verbos é, de fato e verdadeiramente, um falso discurso. Teeteto — Muitíssimo certo. XLVII XLVII — Estrangeiro — Mas como! Pensamento, opinião e imaginação: não é evidente, de início, que todos esses gêneros ocorrem em nossa alma como verdadeiros e como falsos? Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — É o que perceberás facilmente, logo que determinares o que todos eles
GRC: ΘΕΑΙ. ταῦτʼ ἔσται κατὰ δύναμιν. ΞΕ. Θεαίτητος κάθηται. μῶν μὴ μακρὸς ὁ λόγος; ΘΕΑΙ. οὔκ, ἀλλὰ μέτριος. ΞΕ. σὸν ἔργον δὴ φράζειν περὶ οὗ τʼ ἐστὶ καὶ ὅτου. ΘΕΑΙ. δῆλον ὅτι περὶ ἐμοῦ τε καὶ ἐμός. ΞΕ. τί δὲ ὅδʼ αὖ; ΘΕΑΙ. ποῖος; ΞΕ. Θεαίτητος, ᾧ νῦν ἐγὼ διαλέγομαι, πέτεται. ΘΕΑΙ. καὶ τοῦτον οὐδʼ ἂν εἷς ἄλλως εἴποι πλὴν ἐμόν τε καὶ περὶ ἐμοῦ. ΞΕ. ποιὸν δέ γέ τινά φαμεν ἀναγκαῖον ἕκαστον εἶναι τῶν λόγων. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τούτων δὴ ποῖόν τινα ἑκάτερον φατέον εἶναι; ΘΕΑΙ. τὸν μὲν ψευδῆ που, τὸν δὲ ἀληθῆ. ΞΕ. λέγει δὲ αὐτῶν ὁ μὲν ἀληθὴς τὰ ὄντα ὡς ἔστιν περὶ σοῦ. ΘΕΑΙ. τί μήν; ΞΕ. ὁ δὲ δὴ ψευδὴς ἕτερα τῶν ὄντων. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὰ μὴ ὄντʼ ἄρα ὡς ὄντα λέγει. ΘΕΑΙ. σχεδόν. ΞΕ. ὄντων δέ γε ὄντα ἕτερα περὶ σοῦ. πολλὰ μὲν γὰρ ἔφαμεν ὄντα περὶ ἕκαστον εἶναί που, πολλὰ δὲ οὐκ ὄντα. ΘΕΑΙ. κομιδῇ μὲν οὖν. ΞΕ. ὃν ὕστερον δὴ λόγον εἴρηκα περὶ σοῦ, πρῶτον μέν, ἐξ ὧν ὡρισάμεθα τί ποτʼ ἔστι λόγος, ἀναγκαιότατον αὐτὸν ἕνα τῶν βραχυτάτων εἶναι. ΘΕΑΙ. νυνδὴ γοῦν ταύτῃ συνωμολογήσαμεν. ΞΕ. ἔπειτα δέ γε τινός. ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. εἰ δὲ μὴ ἔστιν σός, οὐκ ἄλλου γε οὐδενός. ΘΕΑΙ. πῶς γάρ; ΞΕ. μηδενὸς δέ γε ὢν οὐδʼ ἂν λόγος εἴη τὸ παράπαν· ἀπεφήναμεν γὰρ ὅτι τῶν ἀδυνάτων ἦν λόγον ὄντα μηδενὸς εἶναι λόγον. ΘΕΑΙ. ὀρθότατα. ΞΕ. περὶ δὴ σοῦ λεγόμενα, λεγόμενα μέντοι θάτερα ὡς τὰ αὐτὰ καὶ μὴ ὄντα ὡς ὄντα, παντάπασιν ὡς ἔοικεν ἡ τοιαύτη σύνθεσις ἔκ τε ῥημάτων γιγνομένη καὶ ὀνομάτων ὄντως τε καὶ ἀληθῶς γίγνεσθαι λόγος ψευδής. ΘΕΑΙ. ἀληθέστατα μὲν οὖν. ΞΕ. τί δὲ δή; διάνοιά τε καὶ δόξα καὶ φαντασία, μῶν οὐκ ἤδη δῆλον ὅτι ταῦτά γε ψευδῆ τε καὶ ἀληθῆ πάνθʼ ἡμῶν ἐν ταῖς ψυχαῖς ἐγγίγνεται; ΘΕΑΙ. πῶς; ΞΕ. ὧδʼ εἴσῃ ῥᾷον, ἂν πρῶτον λάβῃς αὐτὰ τί ποτʼ ἔστιν
[263e]
PT-BR: são e em uns que diferem uns dos outros. Teeteto — Basta que te expliques melhor. Estrangeiro — Ora bem, pensamento e discurso são uma e a mesma coisa, com diferença de que o diálogo interior da alma consigo mesma que se processa em silêncio recebeu o nome de pensamento. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — E a corrente que sai dela, pela boca, por meio de sons, recebe o nome de discurso. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Como também sabemos que no discurso há o seguinte. Teeteto — Que será? Estrangeiro — Afirmação e negação. Teeteto — Sabemos, realmente. Estrangeiro —
GRC: καὶ τί διαφέρουσιν ἕκαστα ἀλλήλων. ΘΕΑΙ. δίδου μόνον. ΞΕ. οὐκοῦν διάνοια μὲν καὶ λόγος ταὐτόν· πλὴν ὁ μὲν ἐντὸς τῆς ψυχῆς πρὸς αὑτὴν διάλογος ἄνευ φωνῆς γιγνόμενος τοῦτʼ αὐτὸ ἡμῖν ἐπωνομάσθη, διάνοια; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. τὸ δέ γʼ ἀπʼ ἐκείνης ῥεῦμα διὰ τοῦ στόματος ἰὸν μετὰ φθόγγου κέκληται λόγος; ΘΕΑΙ. ἀληθῆ. ΞΕ. καὶ μὴν ἐν λόγοις γε αὖ ἴσμεν ἐνὸν— ΘΕΑΙ. τὸ ποῖον; ΞΕ. φάσιν τε καὶ ἀπόφασιν. ΘΕΑΙ. ἴσμεν.
[264]
PT-BR: Quando isso se passa na alma, em silêncio, poderás dar-lhe outro nome que não seja o de opinião? Teeteto — Qual mais poderia ser? Estrangeiro — E quando a opinião se forma em alguém, não por ela mesma, mas por intermédio alguma sensação, haverá designação mais acertada do que a de imaginação? Teeteto — Não há outra. . Estrangeiro — Logo, se há discurso verdadeiro e discurso falso, e o pensamento se nos revelou como conversação da alma consigo mesma, e opinião como a conclusão do pensamento,
GRC: ΞΕ. ὅταν οὖν τοῦτο ἐν ψυχῇ κατὰ διάνοιαν ἐγγίγνηται μετὰ σιγῆς, πλὴν δόξης ἔχεις ὅτι προσείπῃς αὐτό; ΘΕΑΙ. καὶ πῶς; ΞΕ. τί δʼ ὅταν μὴ καθʼ αὑτὸ ἀλλὰ διʼ αἰσθήσεως παρῇ τινι, τὸ τοιοῦτον αὖ πάθος ἆρʼ οἷόν τε ὀρθῶς εἰπεῖν ἕτερόν τι πλὴν φαντασίαν; ΘΕΑΙ. οὐδέν. ΞΕ. οὐκοῦν ἐπείπερ λόγος ἀληθὴς ἦν καὶ ψευδής, τούτων δʼ ἐφάνη διάνοια μὲν αὐτῆς πρὸς ἑαυτὴν ψυχῆς διάλογος,
[264b]
PT-BR: vindo a ser o que designamos pela expressão, imagino, uma mistura de sensação e opinião, forçoso é que algumas sejam falsas, dadas suas afinidades com o discurso. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — Como já percebeste, apanhamos mais depressa do que esperávamos a falsa opinião e o falso discurso, pois, não faz muito, tínhamos receio de haver empreendido com semelhante pesquisa uma tarefa irrealizável. Teeteto — Já percebi, realmente. XLVIII — Estrangeiro — Por isso, não desanimemos ante o que ainda nos falta realizar;
GRC: δόξα δὲ διανοίας ἀποτελεύτησις, φαίνεται δὲ ὃ λέγομεν σύμμειξις αἰσθήσεως καὶ δόξης, ἀνάγκη δὴ καὶ τούτων τῷ λόγῳ συγγενῶν ὄντων ψευδῆ τε αὐτῶν ἔνια καὶ ἐνίοτε εἶναι. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. κατανοεῖς οὖν ὅτι πρότερον ηὑρέθη ψευδὴς δόξα καὶ λόγος ἢ κατὰ τὴν προσδοκίαν ἣν ἐφοβήθημεν ἄρτι, μὴ παντάπασιν ἀνήνυτον ἔργον ἐπιβαλλοίμεθα ζητοῦντες αὐτό; ΘΕΑΙ. κατανοῶ. ΞΕ. μὴ τοίνυν μηδʼ εἰς τὰ λοιπὰ ἀθυμῶμεν. ἐπειδὴ
[264c]
PT-BR: e já que conseguimos chegar até aqui, voltemos a tratar de nosso processo de divisão. Teeteto — Que divisão? Estrangeiro — Distinguimos duas classes na arte de fazer imagens: a da cópia e a dos simulacros. Teeteto — Certo. Estrangeiro — E também nos confessamos em dificuldade para incluir o sofista numa delas. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — E no auge de nossa confusão, trevas ainda mais densas nos envolveram, com apresentar-se- nos o argumento de contestação universal, de que não existe absolutamente nem cópia nem simulacro,
GRC: γὰρ πέφανται ταῦτα, τῶν ἔμπροσθεν ἀναμνησθῶμεν κατʼ εἴδη διαιρέσεων. ΘΕΑΙ. ποίων δή; ΞΕ. διειλόμεθα τῆς εἰδωλοποιικῆς εἴδη δύο, τὴν μὲν εἰκαστικήν, τὴν δὲ φανταστικήν. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τὸν σοφιστὴν εἴπομεν ὡς ἀποροῖμεν εἰς ὁποτέραν θήσομεν. ΘΕΑΙ. ἦν ταῦτα. ΞΕ. καὶ τοῦθʼ ἡμῶν ἀπορουμένων ἔτι μείζων κατεχύθη σκοτοδινία, φανέντος τοῦ λόγου τοῦ πᾶσιν ἀμφισβητοῦντος ὡς οὔτε εἰκὼν οὔτε εἴδωλον οὔτε φάντασμʼ εἴη τὸ παράπαν
[264d]
PT-BR: visto não ser possível haver, seja onde for, qualquer espécie de falsidade. Teeteto — Falaste com muito acerto. Estrangeiro — Porém, uma vez provada a existência de falsos discursos e de opiniões falsas, é possível que haja imitação dos seres, e que dessa disposição do espírito nasça uma arte da falsidade. Teeteto — É possível. Estrangeiro — Como também já admitimos no que ficou exposto que o sofista se incluía numa dessas classes. Teeteto — Certo. Estrangeiro —
GRC: οὐδὲν διὰ τὸ μηδαμῶς μηδέποτε μηδαμοῦ ψεῦδος εἶναι. ΘΕΑΙ. λέγεις ἀληθῆ. ΞΕ. νῦν δέ γʼ ἐπειδὴ πέφανται μὲν λόγος, πέφανται δʼ οὖσα δόξα ψευδής, ἐγχωρεῖ δὴ μιμήματα τῶν ὄντων εἶναι καὶ τέχνην ἐκ ταύτης γίγνεσθαι τῆς διαθέσεως ἀπατητικήν. ΘΕΑΙ. ἐγχωρεῖ. ΞΕ. καὶ μὴν ὅτι γʼ ἦν ὁ σοφιστὴς τούτων πότερον, διωμολογημένον ἡμῖν ἐν τοῖς πρόσθεν ἦν. ΘΕΑΙ. ναί.
[265]
PT-BR: Então, experimentemos de novo dividir em dois o
GRC: ΞΕ. πάλιν τοίνυν ἐπιχειρῶμεν, σχίζοντες διχῇ τὸ
[264e]
PT-BR: gênero proposto, avançando metodicamente sempre pela parte do lado direito da secção e apegando-nos no que todas tiverem de específico com o sofista, até que, depois de o despojarmos de suas propriedades comuns, o deixemos com sua natureza peculiar, que exporemos primeiro para nós mesmo, e a seguir para
GRC: προτεθὲν γένος, πορεύεσθαι κατὰ τοὐπὶ δεξιὰ ἀεὶ μέρος τοῦ τμηθέντος, ἐχόμενοι τῆς τοῦ σοφιστοῦ κοινωνίας, ἕως ἂν αὐτοῦ τὰ κοινὰ πάντα περιελόντες, τὴν οἰκείαν λιπόντες
[265a]
PT-BR: os componentes do gênero que por natureza mais se coaduna com semelhante processo. Teeteto — Certo. Estrangeiro — E não é também certo que no começo firmamos a distinção entre a arte criadora e a aquisitiva? Teeteto — Sim. Estrangeiro — E na arte aquisitiva, a caça, a luta, o comércio e outras formas semelhantes não nos permitiram entrever o sofista? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Porém, uma vez que a arte da imitação o absorveu, é mais do que claro que teremos de começar por dividir em dois a própria arte da criação. Pois imitação
GRC: φύσιν ἐπιδείξωμεν μάλιστα μὲν ἡμῖν αὐτοῖς, ἔπειτα καὶ τοῖς ἐγγυτάτω γένει τῆς τοιαύτης μεθόδου πεφυκόσιν. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. οὐκοῦν τότε μὲν ἠρχόμεθα ποιητικὴν καὶ κτητικὴν τέχνην διαιρούμενοι; ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. καὶ τῆς κτητικῆς ἐν θηρευτικῇ καὶ ἀγωνίᾳ καὶ ἐμπορικῇ καί τισιν ἐν τοιούτοις εἴδεσιν ἐφαντάζεθʼ ἡμῖν; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. νῦν δέ γʼ ἐπειδὴ μιμητικὴ περιείληφεν αὐτὸν τέχνη, δῆλον ὡς αὐτὴν τὴν ποιητικὴν δίχα διαιρετέον πρώτην.
[265b]
PT-BR: não deixa de ser criação, a saber, de imagens, simplesmente, é o que afirmamos, não da própria realidade. Não é isso mesmo? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Para começar, a arte criadora consta de duas partes. Teeteto — Quais são? Estrangeiro — Uma é divina; a outra humana. Teeteto — Não compreendi. XLIX — Estrangeiro — Capacidade criadora, se ainda estamos lembrados do que dissemos no começo, é tudo o que for causa de vir a existir o que não existia. Teeteto — Sim, lembro-me. Estrangeiro — Todos os animais mortais, e bem assim as plantas que nascem na terra, de semente ou raiz, e todas as substâncias inanimadas que se encontram seu interior, fusíveis ou não fusíveis devemos dizer que tudo isso nasceu por outra influência que não a de alguma divindade, já que antes não existia? Ou aceitaremos a opinião comum, para falarmos como o povo? Teeteto — Qual opinião? Estrangeiro — Que a Natureza os gerou em virtude de uma causa natural e destituída de pensamento; ou terá sido gerado por alguma força divina, dotada de razão e de conhecimento, oriunda de Deus? Teeteto — Talvez por causa da idade, tenho mudado muito de opinião; porém ao ver-te neste momento, suspeito que és inclinado a acreditar que tudo isso nasce de um pensamento divino, conclusão que eu também aceito. Estrangeiro — Muito bem, Teeteto. Se nós te tomássemos por um desses que de futuro viriam a julgar de outro modo, procuraríamos converter-te à nossa maneira de pensar, assim pelo raciocínio como pela força da persuasão. Porém como percebo que tua natureza dispensa argumentos estranhos e se
GRC: ἡ γάρ που μίμησις ποίησίς τίς ἐστιν, εἰδώλων μέντοι, φαμέν, ἀλλʼ οὐκ αὐτῶν ἑκάστων· ἦ γάρ; ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν. ΞΕ. ποιητικῆς δὴ πρῶτον δύʼ ἔστω μέρη. ΘΕΑΙ. ποίω; ΞΕ. τὸ μὲν θεῖον, τὸ δʼ ἀνθρώπινον. ΘΕΑΙ. οὔπω μεμάθηκα. ΞΕ. ποιητικήν, εἴπερ μεμνήμεθα τὰ κατʼ ἀρχὰς λεχθέντα, πᾶσαν ἔφαμεν εἶναι δύναμιν ἥτις ἂν αἰτία γίγνηται τοῖς μὴ πρότερον οὖσιν ὕστερον γίγνεσθαι. ΘΕΑΙ. μεμνήμεθα. ΞΕ. ζῷα δὴ πάντα θνητά, καὶ δὴ καὶ φυτὰ ὅσα τʼ ἐπὶ γῆς ἐκ σπερμάτων καὶ ῥιζῶν φύεται, καὶ ὅσα ἄψυχα ἐν γῇ συνίσταται σώματα τηκτὰ καὶ ἄτηκτα, μῶν ἄλλου τινὸς ἢ θεοῦ δημιουργοῦντος φήσομεν ὕστερον γίγνεσθαι πρότερον οὐκ ὄντα; ἢ τῷ τῶν πολλῶν δόγματι καὶ ῥήματι χρώμενοι— ΘΕΑΙ. ποίῳ τῳ; ΞΕ. τὴν φύσιν αὐτὰ γεννᾶν ἀπό τινος αἰτίας αὐτομάτης καὶ ἄνευ διανοίας φυούσης, ἢ μετὰ λόγου τε καὶ ἐπιστήμης θείας ἀπὸ θεοῦ γιγνομένης; ΘΕΑΙ. ἐγὼ μὲν ἴσως διὰ τὴν ἡλικίαν πολλάκις ἀμφότερα μεταδοξάζω· νῦν μὴν βλέπων εἰς σὲ καὶ ὑπολαμβάνων οἴεσθαί σε κατά γε θεὸν αὐτὰ γίγνεσθαι, ταύτῃ καὶ αὐτὸς νενόμικα. ΞΕ. καλῶς γε, ὦ Θεαίτητε. καὶ εἰ μέν γέ σε ἡγούμεθα τῶν εἰς τὸν ἔπειτʼ ἂν χρόνον ἄλλως πως δοξαζόντων εἶναι, νῦν ἂν τῷ λόγῳ μετὰ πειθοῦς ἀναγκαίας ἐπεχειροῦμεν ποιεῖν ὁμολογεῖν· ἐπειδὴ δέ σου καταμανθάνω τὴν φύσιν, ὅτι καὶ
[265e]
PT-BR: dirige por si mesma para onde te confessas atraído, abstenho-me de insistir nesse ponto, pois com isso perderíamos tempo inutilmente. Limito-me a afirmar que todas as coisas que atribuímos à Natureza são produto de uma arte divina, e as que os homens compõem por meio. daquelas o são de uma arte humana, e que, de acordo com essa explicação, há duas espécies de arte criadora, a humana e a divina. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Agora divide também em dois cada uma dessas partes. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro —
GRC: ἄνευ τῶν παρʼ ἡμῶν λόγων αὐτὴ πρόσεισιν ἐφʼ ἅπερ νῦν ἕλκεσθαι φῄς, ἐάσω· χρόνος γὰρ ἐκ περιττοῦ γίγνοιτʼ ἄν. ἀλλὰ θήσω τὰ μὲν φύσει λεγόμενα ποιεῖσθαι θείᾳ τέχνῃ, τὰ δʼ ἐκ τούτων ὑπʼ ἀνθρώπων συνιστάμενα ἀνθρωπίνῃ, καὶ κατὰ τοῦτον δὴ τὸν λόγον δύο ποιητικῆς γένη, τὸ μὲν ἀνθρώπινον εἶναι, τὸ δὲ θεῖον. ΘΕΑΙ. ὀρθῶς. ΞΕ. τέμνε δὴ δυοῖν οὔσαιν δίχα ἑκατέραν αὖθις. ΘΕΑΙ. πῶς;
[266]
PT-BR: Assim como dividiste antes no sentido da largura o conjunto da arte criadora, faze-o agora no sentido do comprimento. Teeteto — Está dividida. Estrangeiro — Desse modo obtivemos quatro partes ao todo: duas humanas, que nos dizem respeito, e duas relativas aos deuses e que são divinas. Teeteto — Certo. Estrangeiro — Se considerarmos a divisão no primeiro sentido, em cada secção teremos uma parte produtora de realidades, sendo lícito darmos às duas partes restantes o qualificativo de imaginárias. A esse modo, a produção ficou de novo dividida em duas partes. Teeteto — Torna a falar dessas divisões. L — Estrangeiro — Nós e os outros animais e todos os elementos originários das coisas, o fogo, a água e substâncias congêneres, como sabemos, foram produzidas pelo Deus e são obra sua, cada coisa em particular e no conjunto. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Para todas essas coisas há simulacros que não são elas mesmas e que as acompanham, também originárias de uma arte divina. Teeteto — Que simulacros? Estrangeiro — Os dos sonhos e os que denominamos de dia
GRC: ΞΕ. οἷον τότε μὲν κατὰ πλάτος τέμνων τὴν ποιητικὴν πᾶσαν, νῦν δὲ αὖ κατὰ μῆκος. ΘΕΑΙ. τετμήσθω. ΞΕ. τέτταρα μὴν αὐτῆς οὕτω τὰ πάντα μέρη γίγνεται, δύο μὲν τὰ πρὸς ἡμῶν, ἀνθρώπεια, δύο δʼ αὖ τὰ πρὸς θεῶν, θεῖα. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. τὰ δέ γʼ ὡς ἑτέρως αὖ διῃρημένα, μέρος μὲν ἓν ἀφʼ ἑκατέρας τῆς μερίδος αὐτοποιητικόν, τὼ δʼ ὑπολοίπω σχεδὸν μάλιστʼ ἂν λεγοίσθην εἰδωλοποιικώ· καὶ κατὰ ταῦτα δὴ πάλιν ἡ ποιητικὴ διχῇ διαιρεῖται. ΘΕΑΙ. λέγε ὅπῃ ἑκατέρα αὖθις. ΞΕ. ἡμεῖς μέν που καὶ τἆλλα ζῷα καὶ ἐξ ὧν τὰ πεφυκότʼ ἐστίν, πῦρ καὶ ὕδωρ καὶ τὰ τούτων ἀδελφά, θεοῦ γεννήματα πάντα ἴσμεν αὐτὰ ἀπειργασμένα ἕκαστα· ἢ πῶς; ΘΕΑΙ. οὕτως. ΞΕ. τούτων δέ γε ἑκάστων εἴδωλα ἀλλʼ οὐκ αὐτὰ παρέπεται, δαιμονίᾳ καὶ ταῦτα μηχανῇ γεγονότα. ΘΕΑΙ. ποῖα; ΞΕ. τά τε ἐν τοῖς ὕπνοις καὶ ὅσα μεθʼ ἡμέραν φαντάσματα αὐτοφυῆ λέγεται, σκιὰ μὲν ὅταν ἐν τῷ πυρὶ σκότος
[266c]
PT-BR: aparições naturais, como as sombras que se formam quando as trevas tomam conta do fogo ou o reflexo em objetos lisos e brilhantes de duas luzes que se encontram, uma própria para os olhos e outra estranha e que produzem em nossos sentidos uma imagem de efeito inverso da visão ordinária. Teeteto — São, de fato, as duas obras da produção divina, as próprias coisas e o simulacro que as acompanha. Estrangeiro — E nossa arte? Não podemos dizer que com a arte do arquiteto construímos a própria casa, e por meio do desenho uma outra que é como um sonho de criação humana para as pessoas acordadas? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — O mesmo acontece com as demais obras de nossa atividade produtora, que andam sempre aos pares, a própria coisa, digamos, oriunda da arte criadora, e sua imagem que só gera simulacros. Teeteto — Agora compreendi melhor e reconheço que há duas espécies de arte produtiva que, por sua vez, são duplas: ponho numa das secções as produções divina e humana; na outra, a própria coisa e a criação de certas semelhanças. LI — Estrangeiro — Não esqueçamos de que um gênero da arte imitativa deveria ocupar-se com cópias e o outro com simulacros, se o falso tiver
GRC: ἐγγίγνηται, διπλοῦν δὲ ἡνίκʼ ἂν φῶς οἰκεῖόν τε καὶ ἀλλότριον περὶ τὰ λαμπρὰ καὶ λεῖα εἰς ἓν συνελθὸν τῆς ἔμπροσθεν εἰωθυίας ὄψεως ἐναντίαν αἴσθησιν παρέχον εἶδος ἀπεργάζηται. ΘΕΑΙ. δύο γὰρ οὖν ἐστι ταῦτα θείας ἔργα ποιήσεως, αὐτό τε καὶ τὸ παρακολουθοῦν εἴδωλον ἑκάστῳ. ΞΕ. τί δὲ τὴν ἡμετέραν τέχνην; ἆρʼ οὐκ αὐτὴν μὲν οἰκίαν οἰκοδομικῇ φήσομεν ποιεῖν, γραφικῇ δέ τινʼ ἑτέραν, οἷον ὄναρ ἀνθρώπινον ἐγρηγορόσιν ἀπειργασμένην; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν καὶ τἆλλα οὕτω κατὰ δύο διττὰ ἔργα τῆς ἡμετέρας αὖ ποιητικῆς πράξεως, τὸ μὲν αὐτό, φαμέν, αὐτουργική, τὸ δὲ εἴδωλον εἰδωλοποιική. ΘΕΑΙ. νῦν μᾶλλον ἔμαθον, καὶ τίθημι δύο διχῇ ποιητικῆς εἴδει· θείαν μὲν καὶ ἀνθρωπίνην κατὰ θάτερον τμῆμα, κατὰ δὲ θάτερον τὸ μὲν αὐτῶν ὄν, τὸ δὲ ὁμοιωμάτων τινῶν γέννημα. ΞΕ. τῆς τοίνυν εἰδωλουργικῆς ἀναμνησθῶμεν ὅτι τὸ μὲν εἰκαστικόν, τὸ δὲ φανταστικὸν ἔμελλεν εἶναι γένος, εἰ τὸ
[266e]
PT-BR: de ser verdadeiramente falso e alcançar por natureza algum lugar entre os seres. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — É o que ficou demonstrado; por isso, podemos admitir, sem vacilações que se trata de dois gêneros. Teeteto — Certo. Estrangeiro —
GRC: ψεῦδος ὄντως ὂν ψεῦδος καὶ τῶν ὄντων ἕν τι φανείη πεφυκός. ΘΕΑΙ. ἦν γὰρ οὖν. ΞΕ. οὐκοῦν ἐφάνη τε καὶ διὰ ταῦτα δὴ καταριθμήσομεν αὐτὼ νῦν ἀναμφισβητήτως εἴδη δύο; ΘΕΑΙ. ναί.
[267]
PT-BR: Então, dividamos agora em duas partes a arte dos simulacros. Teeteto — De que jeito? Estrangeiro — Uma trabalha com instrumentos; na outra, quem produz o simulacro serve de instrumento. Teeteto — Que queres dizer com isso? Estrangeiro — Quando alguém, quero crer, usando de seu próprio corpo, procura imitar tua aparência, ou tua voz com a dele, penso que a essa parte da arte fantástica se dá o nome de mímica. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Assinalemos, então, o domínio próprio dessa parte a que demos o nome de mímica; quanto à outra, sejamos práticos e deixemo-la de lado, ficando para
GRC: ΞΕ. τὸ τοίνυν φανταστικὸν αὖθις διορίζωμεν δίχα. ΘΕΑΙ. πῇ; ΞΕ. τὸ μὲν διʼ ὀργάνων γιγνόμενον, τὸ δὲ αὐτοῦ παρέχοντος ἑαυτὸν ὄργανον τοῦ ποιοῦντος τὸ φάντασμα. ΘΕΑΙ. πῶς φῄς; ΞΕ. ὅταν οἶμαι τὸ σὸν σχῆμά τις τῷ ἑαυτοῦ χρώμενος σώματι προσόμοιον ἢ φωνὴν φωνῇ φαίνεσθαι ποιῇ, μίμησις τοῦτο τῆς φανταστικῆς μάλιστα κέκληταί που. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. μιμητικὸν δὴ τοῦτο αὐτῆς προσειπόντες ἀπονειμώμεθα· τὸ δʼ ἄλλο πᾶν ἀφῶμεν μαλακισθέντες καὶ παρέντες
[267b]
PT-BR: terceiros o cuidado de conferir-lhe unidade e de dar-lhe nome adequado. Teeteto — Sim, assinalemos o domínio de uma e abandonemos a outra. Estrangeiro — Mas essa parte, Teeteto, também merece ser subdividida. E a razão, vais sabê-la. Teeteto — Ouçamo-la. Estrangeiro — Entre os imitadores, uns conhecem o que imitam, outros o fazem sem conhecer. E haverá, porventura, mais radical distinção do que a existente entre a ignorância e o conhecimento? Teeteto — Não é possível. Estrangeiro — O exemplo apresentado há pouco é de imitação por conhecimento, pois só poderá imitar-te quem conhecer tua figura e tua pessoa. Teeteto — Sem dúvida. Estrangeiro — E que diremos da figura da justiça ou das virtudes em geral? Mas, não há um sem-número de indivíduos que, sem conhecê-la, porém tendo dela apenas uma espécie de opinião, põem todo o empenho em fazer aparecer ó que eles presumem ter no íntimo, imitando-a, quanto possível, por atos e por palavras? Teeteto — Há muitíssimos, até. Estrangeiro — E por acaso todos eles falham no empenho de parecerem justos, conquanto em absoluto não o sejam, ou dar-se-á precisamente o contrário disso? Teeteto — O contrário, exatamente. Estrangeiro — Importa, pois, declarar que esse imitador é diferente do outro, tal
GRC: ἑτέρῳ συναγαγεῖν τε εἰς ἓν καὶ πρέπουσαν ἐπωνυμίαν ἀποδοῦναί τινʼ αὐτῷ. ΘΕΑΙ. νενεμήσθω, τὸ δὲ μεθείσθω. ΞΕ. καὶ μὴν καὶ τοῦτο ἔτι διπλοῦν, ὦ Θεαίτητε, ἄξιον ἡγεῖσθαι· διʼ ἃ δέ, σκόπει. ΘΕΑΙ. λέγε. ΞΕ. τῶν μιμουμένων οἱ μὲν εἰδότες ὃ μιμοῦνται τοῦτο πράττουσιν, οἱ δʼ οὐκ εἰδότες. καίτοι τίνα μείζω διαίρεσιν ἀγνωσίας τε καὶ γνώσεως θήσομεν; ΘΕΑΙ. οὐδεμίαν. ΞΕ. οὐκοῦν τό γε ἄρτι λεχθὲν εἰδότων ἦν μίμημα; τὸ γὰρ σὸν σχῆμα καὶ σὲ γιγνώσκων ἄν τις μιμήσαιτο. ΘΕΑΙ. πῶς δʼ οὔ; ΞΕ. τί δὲ δικαιοσύνης τὸ σχῆμα καὶ ὅλης συλλήβδην ἀρετῆς; ἆρʼ οὐκ ἀγνοοῦντες μέν, δοξάζοντες δέ πῃ, σφόδρα ἐπιχειροῦσιν πολλοὶ τὸ δοκοῦν σφίσιν τοῦτο ὡς ἐνὸν αὐτοῖς προθυμεῖσθαι φαίνεσθαι ποιεῖν, ὅτι μάλιστα ἔργοις τε καὶ λόγοις μιμούμενοι; ΘΕΑΙ. καὶ πάνυ γε πολλοί. ΞΕ. μῶν οὖν πάντες ἀποτυγχάνουσι τοῦ δοκεῖν εἶναι δίκαιοι μηδαμῶς ὄντες; ἢ τούτου πᾶν τοὐναντίον; ΘΕΑΙ. πᾶν.
[267d]
PT-BR: como o ignorante difere de quem sabe. Teeteto — Certo. LII — Estrangeiro — Onde iremos, então, buscar a designação apropriada para cada um? Evidentemente, é tarefa por demais árdua, porque nisso de dividir os gêneros em espécies, parece que os antigos sofriam de uma velha e inexplicável indolência que nunca os levou pelo menos a tentá-la; dar essa carência tão acentuada de nomes. De um jeito ou de outro, e embora se no afigure um tanto forte a expressão, para melhor diferença-la daremos o nome de doxomimética à imitação que se baseia na opinião, e
GRC: ΞΕ. μιμητὴν δὴ τοῦτόν γε ἕτερον ἐκείνου λεκτέον οἶμαι, τὸν ἀγνοοῦντα τοῦ γιγνώσκοντος. ΘΕΑΙ. ναί. ΞΕ. πόθεν οὖν ὄνομα ἑκατέρῳ τις αὐτῶν λήψεται πρέπον; ἢ δῆλον δὴ χαλεπὸν ὄν, διότι τῆς τῶν γενῶν κατʼ εἴδη διαιρέσεως παλαιά τις, ὡς ἔοικεν, ἀργία τοῖς ἔμπροσθεν καὶ ἀσύννους παρῆν, ὥστε μηδʼ ἐπιχειρεῖν μηδένα διαιρεῖσθαι· καθὸ δὴ τῶν ὀνομάτων ἀνάγκη μὴ σφόδρα εὐπορεῖν. ὅμως δέ, κἂν εἰ τολμηρότερον εἰρῆσθαι, διαγνώσεως ἕνεκα τὴν
[267e]
PT-BR: a que se funda no conhecimento, mimética histórica ou erudita. Teeteto — Isso mesmo. Estrangeiro — Vamos ocupar-nos com a primeira; o sofista não se inclui no número dos que sabem, mas no dos que imitam. Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Examinemos, então, o imitador que se apoia na opinião, como o faríamos com um fragmento de ferro, para vermos se se trata de uma peça uniforme ou se nalgum ponto revela defeito de estrutura. Teeteto — Sim, examinemo-lo. Estrangeiro —
GRC: μὲν μετὰ δόξης μίμησιν δοξομιμητικὴν προσείπωμεν, τὴν δὲ μετʼ ἐπιστήμης ἱστορικήν τινα μίμησιν. ΘΕΑΙ. ἔστω. ΞΕ. θατέρῳ τοίνυν χρηστέον· ὁ γὰρ σοφιστὴς οὐκ ἐν τοῖς εἰδόσιν ἦν ἀλλʼ ἐν τοῖς μιμουμένοις δή. ΘΕΑΙ. καὶ μάλα. ΞΕ. τὸν δοξομιμητὴν δὴ σκοπώμεθα ὥσπερ σίδηρον, εἴτε ὑγιὴς εἴτε διπλόην ἔτʼ ἔχων τινά ἐστιν ἐν αὑτῷ. ΘΕΑΙ. σκοπῶμεν.
[268]
PT-BR: Pois em verdade aqui está ele, e bem patente. Entre esses tais, há o tipo ingênuo que acredita saber o que apenas imagina; o outro, pelo contrário, que se deixa arrastar por seus próprios argumentos, não esconde a suspeita e o receio de ignorar o que diante de terceiros ele procura aparentar que sabe. Teeteto — Sem dúvida, há esses dois tipos que acabaste de descrever. Estrangeiro — Ao primeiro, então, daremos o nome de imitador simples, e ao outro, o de imitador dissimulado? Teeteto — Seria de toda a conveniência. Estrangeiro — E este último gênero, diremos que é simples ou duplo? Teeteto — Examina-o tu mesmo. Estrangeiro — Examino e creio perceber dois gêneros. No primeiro, distingo o indivíduo capaz de dissimular em público com discursos prolixos; no outro, o que em círculos mais restritos, com sentenças curtas leva seu interlocutor a contradizer-se. Teeteto — É muito certo o que dizes. Estrangeiro — E o homem dos discursos longos, como o designaremos? É estadista ou orador popular? Teeteto — Orador popular. Estrangeiro — E o outro, que denominação lhe cabe à justa: sábio ou sofista? Teeteto — Sábio, não é possível, pois já provamos que ele é ignorante. Mas, por
GRC: ΞΕ. ἔχει τοίνυν καὶ μάλα συχνήν. ὁ μὲν γὰρ εὐήθης αὐτῶν ἐστιν, οἰόμενος εἰδέναι ταῦτα ἃ δοξάζει· τὸ δὲ θατέρου σχῆμα διὰ τὴν ἐν τοῖς λόγοις κυλίνδησιν ἔχει πολλὴν ὑποψίαν καὶ φόβον ὡς ἀγνοεῖ ταῦτα ἃ πρὸς τοὺς ἄλλους ὡς εἰδὼς ἐσχημάτισται. ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν ἔστιν ἑκατέρου γένος ὧν εἴρηκας. ΞΕ. οὐκοῦν τὸν μὲν ἁπλοῦν μιμητήν τινα, τὸν δὲ εἰρωνικὸν μιμητὴν θήσομεν; ΘΕΑΙ. εἰκὸς γοῦν. ΞΕ. τούτου δʼ αὖ τὸ γένος ἓν ἢ δύο φῶμεν; ΘΕΑΙ. ὅρα σύ. ΞΕ. σκοπῶ, καί μοι διττὼ καταφαίνεσθόν τινε· τὸν μὲν δημοσίᾳ τε καὶ μακροῖς λόγοις πρὸς πλήθη δυνατὸν εἰρωνεύεσθαι καθορῶ, τὸν δὲ ἰδίᾳ τε καὶ βραχέσι λόγοις ἀναγκάζοντα τὸν προσδιαλεγόμενον ἐναντιολογεῖν αὐτὸν αὑτῷ. ΘΕΑΙ. λέγεις ὀρθότατα. ΞΕ. τίνα οὖν ἀποφαινώμεθα τὸν μακρολογώτερον εἶναι; πότερα πολιτικὸν ἢ δημολογικόν; ΘΕΑΙ. δημολογικόν. ΞΕ. τί δὲ τὸν ἕτερον ἐροῦμεν; σοφὸν ἢ σοφιστικόν; ΘΕΑΙ. τὸ μέν που σοφὸν ἀδύνατον, ἐπείπερ οὐκ εἰδότα
[268c]
PT-BR: ser imitador do sábio, é fora de dúvida que alguma coisa do nome deste há de passar para ele. E agora me ocorre que de um tipo assim é que podemos dizer com toda a segurança: um sofista acabado! Estrangeiro — Nesse caso, fixemos aqui mesmo seu nome, como fizemos antes, entrelaçando-o de ponta a ponta em todos os seus elementos? Teeteto — Perfeitamente. Estrangeiro — Sendo assim, a espécie imitativa e suscitadora de contradições da parte dissimuladora da arte baseada na opinião, pertencente ao gênero imaginário que
GRC: αὐτὸν ἔθεμεν· μιμητὴς δʼ ὢν τοῦ σοφοῦ δῆλον ὅτι παρωνύμιον αὐτοῦ τι λήψεται, καὶ σχεδὸν ἤδη μεμάθηκα ὅτι τοῦτον δεῖ προσειπεῖν ἀληθῶς αὐτὸν ἐκεῖνον τὸν παντάπασιν ὄντως σοφιστήν. ΞΕ. οὐκοῦν συνδήσομεν αὐτοῦ, καθάπερ ἔμπροσθεν, τοὔνομα συμπλέξαντες ἀπὸ τελευτῆς ἐπʼ ἀρχήν; ΘΕΑΙ. πάνυ μὲν οὖν. ΞΕ. τὸ δὴ τῆς ἐναντιοποιολογικῆς εἰρωνικοῦ μέρους τῆς δοξαστικῆς μιμητικόν, τοῦ φανταστικοῦ γένους ἀπὸ τῆς
[268d]
PT-BR: se prende à arte ilusória da produção de imagens, criação humana, não divina, desse malabarismo ilusório com palavras: quem afirmar que é de semelhante sangue e dessa estirpe que provém o verdadeiro sofista, só dirá, como parece, a pura verdade. Teeteto — Perfeitamente.
GRC: εἰδωλοποιικῆς οὐ θεῖον ἀλλʼ ἀνθρωπικὸν τῆς ποιήσεως ἀφωρισμένον ἐν λόγοις τὸ θαυματοποιικὸν μόριον, ταύτης τῆς γενεᾶς τε καὶ αἵματος ὃς ἂν φῇ τὸν ὄντως σοφιστὴν εἶναι, τἀληθέστατα, ὡς ἔοικεν, ἐρεῖ. ΘΕΑΙ. παντάπασι μὲν οὖν.
Ὁ Διαφορεύς παρῆν