Estrangeiro — [268] Pois em verdade aqui está ele, e bem patente. Entre esses tais, há o tipo ingênuo que acredita saber o que apenas imagina; o outro, pelo contrário, que se deixa arrastar por seus próprios argumentos, não esconde a suspeita e o receio de ignorar o que diante de terceiros ele procura aparentar que sabe.
Teeteto — Sem dúvida, há esses dois tipos que acabaste de descrever.
Estrangeiro — Ao primeiro, então, daremos o nome de imitador simples, e ao outro, o de imitador dissimulado?
Teeteto — Seria de toda a conveniência.
Estrangeiro — E este último gênero, diremos que é simples ou duplo?
Teeteto — Examina-o tu mesmo.
Estrangeiro — Examino e creio perceber dois gêneros. No primeiro, distingo o indivíduo capaz de dissimular em público com discursos prolixos; no outro, o que em círculos mais restritos, com sentenças curtas leva seu interlocutor a contradizer-se.
Teeteto — É muito certo o que dizes.
Estrangeiro — E o homem dos discursos longos, como o designaremos? É estadista ou orador popular?
Teeteto — Orador popular.
Estrangeiro — E o outro, que denominação lhe cabe à justa: sábio ou sofista?
Teeteto — Sábio, não é possível, pois já provamos que ele é ignorante. Mas, por [268c] ser imitador do sábio, é fora de dúvida que alguma coisa do nome deste há de passar para ele. E agora me ocorre que de um tipo assim é que podemos dizer com toda a segurança: um sofista acabado!
Estrangeiro — Nesse caso, fixemos aqui mesmo seu nome, como fizemos antes, entrelaçando-o de ponta a ponta em todos os seus elementos?
Teeteto — Perfeitamente.
Estrangeiro — Sendo assim, a espécie imitativa e suscitadora de contradições da parte dissimuladora da arte baseada na opinião, pertencente ao gênero imaginário que [268d] se prende à arte ilusória da produção de imagens, criação humana, não divina, desse malabarismo ilusório com palavras: quem afirmar que é de semelhante sangue e dessa estirpe que provém o verdadeiro sofista, só dirá, como parece, a pura verdade.
Teeteto — Perfeitamente.
FIM
Ὁ Διαφορεύς παρῆν