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O Sofista

Platão · Parte 233.239

Estrangeiro — [239] E ao tentar atingir-lhe o ser, não contradizia [239a] o que afirmara antes?

Teeteto — Parece.

Estrangeiro — E então? Ao fazer essa junção, não me expressava como se o ligasse a alguma coisa?

Teeteto — Certo.

Estrangeiro — E chamando-o de indefinível, indizível e impronunciável, não falava como se ele fosse um?

Teeteto — Como não?

Estrangeiro — No entanto, também afirmamos que quem quiser expressar-se com acerto, não deverá enunciá-lo nem como uno nem como múltiplo, nem referir-se a ele de maneira nenhuma, pois qualquer indicação a seu respeito implica a idéia de unidade.

Teeteto — É absolutamente certo.

XXVII — Estrangeiro — Sendo assim, como acreditar no que eu falo? Pois tanto agora como antes, redondamente na tentativa de refutar o não-ser. Vamos procuremo-lo agora em ti.

Teeteto — Que queres dizer com isso?

Estrangeiro — Prossigamos! Com a galhardia própria dos moços, esforça-te ao máximo, e sem atribuir ao não-ser nem existência nem unidade nem pluralidade numérica, procura dizer algo razoável a respeito do não-ser.

Teeteto — Precisava ser temerário além da conta para tentar alguma coisa, depois de ver o que aconteceu contigo.

Estrangeiro — Então, se estiveres de acordo, ponhamo-nos de lado, eu e tu, até encontrarmos quem se sai bem desta enrascadela, e até lá declaremos que com sua astúcia muito própria o sofista se meteu nalgum buraco indevassável.

Teeteto — É muito certo.

Estrangeiro — Por isso mesmo, se admitirmos que ele possui uma espécie de arte ilusionista, [239d] com a maior facilidade saberá tirar partido da expressão, para virá-la contra nós, e o próprio instante em que o acoimarmos de fazedor de imagens, perguntará o que afinal, entendemos por imagem. Por isso, Teeteto, urge combinar o que iremos responder a esse jovem impertinente.

Teeteto — Evidentemente, nos reportaremos às imagens na água e nos espelhos, e também às pintadas ou esculpidas e a quantas mais houver do mesmo gênero.

XXVIII — Estrangeiro — Pelo que vejo, Teeteto, nunca puseste os olhos em cima de um sofista.

Teeteto — Por quê?

Estrangeiro — Acreditas mesmo que ele ande com os olhos fechados ou que não tenha olhos?

Teeteto — Como assim?