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Fragmentos de Parmênides de Eleia

Parmênides

rolo estático · Pedra Angular

Autor
Parmênides
Tradutor
Bruno Palavro
Editor
Bruno Palavro
Idioma
por
Ano do original
c. 540 a.C.–?
URN
urn:cts:greekLit:tlg1562.tlg002.pa-por1
Licença
CC-BY-NC-4.0
Fonte
PALAVRO, Bruno. Épica Sapiencial: compêndio para uma edição geral da poesia de Xenófanes, Parmênides e Empédocles. Tese (Doutorado em Letras) — Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025.
Identificador
parmenides-fragmentos-pt-palavro-2025
Markdown
../livros/FILOSOFIA/Portugues/Pre_Socraticos/Parmenides/Fragmentos/Parmenides_Fragmentos_pt_Palavro_2025.md
Endereço por URN
https://pedraangular.app.br/urn/?urn:cts:greekLit:tlg1562.tlg002.pa-por1 (uma passagem: acrescente :216a, :1.1…)
Como citar
PARMÊNIDES. Fragmentos de Parmênides de Eleia. Tradução de Bruno Palavro. Edição de Bruno Palavro. Pedra Angular (org. Διαφορεύς), versão 1.0.0. DOI: 10.5281/zenodo.23068915. URN: urn:cts:greekLit:tlg1562.tlg002.pa-por1. Disponível em: https://pedraangular.app.br/rolo/parmenides-fragmentos-pt-palavro-2025.html. Acesso em: [data do acesso].
BibTeX (Zotero, LaTeX)
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Fragmentos de Parmênides de Eleia

fr. 1 [1DK]

Éguas que me carregam até onde o ânimo alcança

conduziam-me ao ir para o plurifalado caminho

da divindade, que a toda cidade conduz o homem sábio —

lá fui levado: por lá, muiespertas levavam-me as éguas

se esticando à carroça, co’as moças guiando o caminho. [5]

O eixo entre os meões lançava o brado da flauta,

todo abrasante, pois se apressava co’os dois rodopiantes

círculos de ambos os lados, e precipitavam-se as moças

filhas do Sol, me guiando ao deixar o palácio da Noite

rumo à luz, da cabeça co’as mãos removendo seus véus. [10]

Lá é que está o portal das estradas do Dia e da Noite,

que ambos no sobreportal se sustém e no umbral pedregoso,

onde impõe-se etéreo e pleno em grandíssimas portas;

muipunitiva Justiça detém as chaves da troca.

E a persuadiram as moças com suas palavras suaves, [15]

bem ponderadas, para que alçasse a trava encravada

dessa passagem voando — e então se fizeram as portas

uma abertura abissal, esvoaçando com dois pluribrônzeos

eixos em vãos aflautados que se retrucavam rodando,

justos em pregos e pinos; e ali, através disso tudo, [20]

retas as moças mantinham na rota seu carro e as éguas.

E recebeu-me a deusa propensa, e na mão minha mão pôs,

destra, e assim, ao tomá-la, profere e me diz a palavra:

“Jovem menino, ó companheiro de eternas cocheiras

e éguas que te carregam até alcançar nosso paço — [25]

salve, te alegra! Não foi por mau fado que foste induzido

para rodar tal caminho, tão longe da via dos homens,

mas por norma e justiça. Precisas ouvir tudo isto:

o coração impassível da persuasiva verdade

e o parecer dos mortais, que não tem persuasão de verdade — [30]

e aprenderás, pois, como devia porém o aparente

precisamente ser, no todo o que tudo pervade.

fr. 2 [5DK]

para mim comum é o ponto

donde irei principiar: para trás virei novamente

fr. 3 [2DK]

Vem então, te direi, e tu cuida ao ouvir o discurso!

Para pensar, eis as únicas vias de questionamento:

uma, decerto, que ‘é’ e que ‘não é não ser’ assim sendo,

é a estrada da persuasão, pois segue a verdade;

outra, afinal, que ‘não é’ e que ‘é preciso não ser’ assim sendo — [5]

e essa sim eu te aponto ser imperscrutável vereda:

nem conhecer o não ente (pois isso é de todo inviável)

fr. 4 [3DK]

nem apontar poderias: o mesmo é pensar, pois, e ser.

fr. 5 [6DK]

É preciso falar e pensar ser ente, pois ser é,

bem como nada não é — e eu peço: pondera sobre isso.

Já te desvio do primeiro caminho de questionamento;

logo em seguida, do outro, por onde mortais nada sábios

erram, bicéfalos, pois impotência é o que direciona [5]

em seus peitos as mentes errantes, e são conduzidos

cegos e surdos, e estarrecidos, turba indecisa,

sim, para quem vir a ser e não ser tanto valem o mesmo

como não o mesmo, e contrária é a estrada de todos.

fr. 6 [4DK]

Vê o ausente na mente precisamente presente —

pois não irás cortar que o ente ao ente se atenha,

nem disperso de todo por tudo na ordem do mundo

nem compresso

fr. 7 [7DK]

Não, isto nunca terás dominado, serem não entes —

desse caminho de questionamento desvia tua mente,

nem nessa via muitravessada experiência te force

para exercer um olhar invidente, um ouvido ecoante,

bem como a língua: decide por conta a muidisputada [5]

fr. 8 [8DK]

prova por mim proferida! E um só discurso de via

resta portanto, que ‘é’; e decerto os sinais sobre esta

são muitíssimos: ente é inato e imperecível

sendo, inteiro, unimembre, sim, terminado, impassível,

nem nunca foi nem será, já que é todo agora igualmente, [5]

uno, contínuo — pois que nascimento lhe questionarias?

Donde, por onde crescido? Vindo afinal de não ente

nem pensarás nem dirás: indizível, pois, e impensável

é que não é — e por que, sendo assim, irromper deveria

antes, depois, se brotando e principiando do nada? [10]

Eis que então deve ser totalmente ou de todo não ser.

Nem permite o vigor persuasivo que desde não ente

nasça algo além do mesmo; por isso, não nasça

nem pereça, Justiça não deixa ou desprende seus elos,

mas os mantém. E o que há de afinal decidir-se é só isto: [15]

é ou não é — e, como é necessário, está então decidido

que este se deixe impensável anônimo (não verdadeiro

é esse caminho), e que o outro por fim é factível e existe.

Como é que o ente seria? Como nascer ele iria?

Pois, se foi, não é, nem é se será no futuro. [20]

Eis que o nascer desvanece e de seu perecer não se ouve.

Nem divisível ele é, já que é todo junto igualmente:

nem com mais por aqui, que o impeça afinal de conter-se,

nem com menos ali, mas é todo pleno de ente —

tem-se contínuo no todo, com ente ao ente acorrendo. [25]

Mas além disso é imóvel nos grandes confins de correntes,

sem princípio ou parada — nascer, perecer, como visto,

erram longe, banidos por persuasão de verdade —;

mesmo em mesmo persiste jazendo afim a si mesmo:

preso assim persiste, pois Coação poderosa [30]

tem-no afinal nas prisões do confim que o retém em sua volta,

visto que o ente não sem termo é norma que seja:

é, pois, não desprovido (não sendo, tudo é preciso).

Sim, o mesmo é pensar e o em vista de que é pensamento:

não afinal sem o ente, no que houve de ser afirmado, [35]

descobrirás o pensar; nem é nem será o próprio tempo

algo além desse ente, que a Parte prendeu com seus elos

pra ser inteiro & imóvel — tudo será o seu nome

quanto hão posto mortais, persuadidos de ser de verdade,

sim, nascer, perecer e não ser e ser assim sendo, [40]

e alternar de lugar e trocar-se a pele lustrosa.

Mas como último é seu confim, ele é terminal de

todo local, como massa de esfera bencirculada,

equilibrado do meio até tudo: nem mais elevado

é por aqui e por ali nem é tampouco mais baixo — [45]

pois nem existe não ente que o faça parar de alcançar-se

com seu igual nem ente é maior ou menor do que o ente

é por aqui e por ali, já que é todo inviolável:

todo afim a si mesmo, igualmente os confins ele encontra.

Paro aqui o pensamento e a conta persuasiva [50]

envolvendo a verdade; daqui, o parecer dos mortais

ouve e aprende no mundo falseado de minhas palavras!

É que uma dupla puseram, pra formas ideias nomearem,

e uma preciso não é, no que houve de serem errantes;

contraposto cindiram-se o corpo e sinais impuseram [55]

um à parte do outro: a flama do fogo etéreo,

que é gentil e bem leve, o mesmo por tudo em si mesmo,

mas não o mesmo que o outro; e aquilo conforme si mesmo

contra, noite inacesa, de corpo denso e pesado.

Eis a ordem do mundo que símil em tudo te afirmo, [60]

para que nunca nenhum dos mortais te passe na ideia!

fr. 9 [10DK]

Conhecerás a natura do éter e os signos etéreos

todos, e ainda da pura clareza do sol lampejante —

tocha sagrada — as invisas proezas, e donde nasceram;

sim, e a proeza perlustre ouvirás da ciclópica lua,

sua natureza também, e verás o céu envolvente, [5]

donde brotou, como ali o conduziu Coação a prendê-lo

para suster os confins das estrelas

fr. 10 [11DK]

como a terra, e ainda o sol e a lua,

bem como o éter comum, e a láctea celeste e o Olympo

’xtremo e a cálida força dos astros então irromperam

ao nascimento

fr. 11 [9DK]

Já que todas as cousas ‘luz’ e ‘noite’ nomeiam,

com o que é próprio de suas potências nisso e naquilo,

tudo é junto pleno de luz e da ilúcida noite,

de ambas iguais afinal, já que nada está com nenhuma.

fr. 12 [12DK]

pois as mais estreitas são plenas de fogo impermisto,

sob as da noite, aonde uma parte da chama se lança;

e em seu meio está a divindade, que tudo governa:

ela de tudo a união principia, e o parto odiado,

conduzindo fêmea até macho, e também, ao contrário, [5]

macho até fêmea

fr. 13 [13DK]

e planejou então Eros primeiro de todos os deuses

fr. 14 [14DK]

noctiluzente a volver sobre a terra lúmen alheio

fr. 15 [15DK]

sempre em tal direção, encarando a clareza do sol

fr. 16 [21DK]

luz de mentira

fr. 17 [15aDK]

aquarraizada

fr. 18 [20DK]

Já sob ela é uma gélida e aterradora vereda,

côncava, sim, lamacenta — a melhor para quem prosseguisse

ao desejável bosque da plurionorada Aphrodite.

fr. 19 [17DK]

destra para os meninos, sim, e na esquerda, meninas

fr. 20 [18DK]

Quando fêmea e varão vão unir os seus brotos de Cýpris,

eis que nos vãos a formante potência do sangue diverso,

com harmonia contida, faz corpos bem ajustados;

pois se as potências, contudo, no sêmen permisto disputam,

sem que se unam no corpo permisto, a Fatalidade [5]

seu nascimento haverá de afetar com dupla semente!

fr. 21 [16DK]

tal como tem cada vez a mistura dos membros errantes,

tal se apresenta a mente aos humanos: é o mesmo que pensa

a natureza dos membros para qualquer dos humanos

todos e a tudo afinal, pois o pleno é que é o pensamento.

fr. 22 [19DK]

Eis como, no parecer, brotaram e são por agora

e depois disso terminarão ao terem crescido;

e assinalado os humanos um nome puseram em cada.

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