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id: "parmenides-fragmentos-pt-palavro-2025"
type: "translation"
title: "Fragmentos de Parmênides de Eleia"
original_title: "Παρμενίδης: Ἀποσπάσματα"
author: "Parmênides"
translator:
- "Bruno Palavro"
editor: "Bruno Palavro"
year_original: "c. 540 a.C.–?"
publication_year: 2025
language: "por"
tags:
- "pre-socratics"
- "eleatics"
- "ancient-philosophy"
- "epic-poetry"
- "century-5-bce"
status: "draft"
project: "pedra_angular"
related:
- "parmenides-fragmentos-grc-palavro-2025"
- "parmenides-fragmentos-grc-pt-palavro-2025"
- "parmenides-fragmentos-grc-diels-1922"
- "parmenides-testemunhos-grc-diaphoreus-2026"
scope: "22 fragmentos, na ordem e numeração da edição de Palavro, com a correspondência Diels-Kranz entre colchetes"
urn_work: "urn:cts:greekLit:tlg1562.tlg002"
urn: "urn:cts:greekLit:tlg1562.tlg002.pa-por1"
source: "PALAVRO, Bruno. Épica Sapiencial: compêndio para uma edição geral da poesia de Xenófanes, Parmênides e Empédocles. Tese (Doutorado em Letras) — Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025."
license: "CC-BY-NC-4.0"
physical_source: "Tese_Palavro.pdf (PDF nascido digital, 282 p.), recebido do autor"
processing: "Extraído do PDF da tese (pp. 83–94 do PDF) verso a verso, pela diagramação de páginas espelhadas (grego à esquerda, português à direita), com Saneamento/palavro_extrair_tese.py e palavro_montar.py (2026-10-17); conferido com a versão .md de 2026-09-23. A numeração de versos da margem vira marcador [5]; a contagem contínua entre parênteses fica como na tese; os espaços que na tese marcam lacuna foram reduzidos a um. Transmitido noutra língua e assim dado na tese: fr. 20 [18DK] em latim. Licença CC-BY-NC-4.0 escolhida pelo autor, por escrito, em e-mail a Διαφορεύς de 2026-10-17. Preparado por Διαφορεύς, Claude Opus 5.5."
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# Fragmentos de Parmênides de Eleia

## fr. 1 [1DK]

> Éguas que me carregam até onde o ânimo alcança
> conduziam-me ao ir para o plurifalado caminho
> da divindade, que a toda cidade conduz o homem sábio —
> lá fui levado: por lá, muiespertas levavam-me as éguas
> se esticando à carroça, co’as moças guiando o caminho. [5]
> O eixo entre os meões lançava o brado da flauta,
> todo abrasante, pois se apressava co’os dois rodopiantes
> círculos de ambos os lados, e precipitavam-se as moças
> filhas do Sol, me guiando ao deixar o palácio da Noite
> rumo à luz, da cabeça co’as mãos removendo seus véus. [10]
> Lá é que está o portal das estradas do Dia e da Noite,
> que ambos no sobreportal se sustém e no umbral pedregoso,
> onde impõe-se etéreo e pleno em grandíssimas portas;
> muipunitiva Justiça detém as chaves da troca.
> E a persuadiram as moças com suas palavras suaves, [15]
> bem ponderadas, para que alçasse a trava encravada
> dessa passagem voando — e então se fizeram as portas
> uma abertura abissal, esvoaçando com dois pluribrônzeos
> eixos em vãos aflautados que se retrucavam rodando,
> justos em pregos e pinos; e ali, através disso tudo, [20]
> retas as moças mantinham na rota seu carro e as éguas.
> E recebeu-me a deusa propensa, e na mão minha mão pôs,
> destra, e assim, ao tomá-la, profere e me diz a palavra:
> “Jovem menino, ó companheiro de eternas cocheiras
> e éguas que te carregam até alcançar nosso paço — [25]
> salve, te alegra! Não foi por mau fado que foste induzido
> para rodar tal caminho, tão longe da via dos homens,
> mas por norma e justiça. Precisas ouvir tudo isto:
> o coração impassível da persuasiva verdade
> e o parecer dos mortais, que não tem persuasão de verdade — [30]
> e aprenderás, pois, como devia porém o aparente
> precisamente ser, no todo o que tudo pervade.

## fr. 2 [5DK]

> para mim comum é o ponto
> donde irei principiar: para trás virei novamente

## fr. 3 [2DK]

> Vem então, te direi, e tu cuida ao ouvir o discurso!
> Para pensar, eis as únicas vias de questionamento:
> uma, decerto, que ‘é’ e que ‘não é não ser’ assim sendo,
> é a estrada da persuasão, pois segue a verdade;
> outra, afinal, que ‘não é’ e que ‘é preciso não ser’ assim sendo — [5]
> e essa sim eu te aponto ser imperscrutável vereda:
> nem conhecer o não ente (pois isso é de todo inviável)

## fr. 4 [3DK]

> nem apontar poderias: o mesmo é pensar, pois, e ser.

## fr. 5 [6DK]

> É preciso falar e pensar ser ente, pois ser é,
> bem como nada não é — e eu peço: pondera sobre isso.
> Já te desvio do primeiro caminho de questionamento;
> logo em seguida, do outro, por onde mortais nada sábios
> erram, bicéfalos, pois impotência é o que direciona [5]
> em seus peitos as mentes errantes, e são conduzidos
> cegos e surdos, e estarrecidos, turba indecisa,
> sim, para quem vir a ser e não ser tanto valem o mesmo
> como não o mesmo, e contrária é a estrada de todos.

## fr. 6 [4DK]

> Vê o ausente na mente precisamente presente —
> pois não irás cortar que o ente ao ente se atenha,
> nem disperso de todo por tudo na ordem do mundo
> nem compresso

## fr. 7 [7DK]

> Não, isto nunca terás dominado, serem não entes —
> desse caminho de questionamento desvia tua mente,
> nem nessa via muitravessada experiência te force
> para exercer um olhar invidente, um ouvido ecoante,
> bem como a língua: decide por conta a muidisputada [5]

## fr. 8 [8DK]

> prova por mim proferida! E um só discurso de via
> resta portanto, que ‘é’; e decerto os sinais sobre esta
> são muitíssimos: ente é inato e imperecível
> sendo, inteiro, unimembre, sim, terminado, impassível,
> nem nunca foi nem será, já que é todo agora igualmente, [5]
> uno, contínuo — pois que nascimento lhe questionarias?
> Donde, por onde crescido? Vindo afinal de não ente
> nem pensarás nem dirás: indizível, pois, e impensável
> é que não é — e por que, sendo assim, irromper deveria
> antes, depois, se brotando e principiando do nada? [10]
> Eis que então deve ser totalmente ou de todo não ser.
> Nem permite o vigor persuasivo que desde não ente
> nasça algo além do mesmo; por isso, não nasça
> nem pereça, Justiça não deixa ou desprende seus elos,
> mas os mantém. E o que há de afinal decidir-se é só isto: [15]
> é ou não é — e, como é necessário, está então decidido
> que este se deixe impensável anônimo (não verdadeiro
> é esse caminho), e que o outro por fim é factível e existe.
> Como é que o ente seria? Como nascer ele iria?
> Pois, se foi, não é, nem é se será no futuro. [20]
> Eis que o nascer desvanece e de seu perecer não se ouve.
> Nem divisível ele é, já que é todo junto igualmente:
> nem com mais por aqui, que o impeça afinal de conter-se,
> nem com menos ali, mas é todo pleno de ente —
> tem-se contínuo no todo, com ente ao ente acorrendo. [25]
> Mas além disso é imóvel nos grandes confins de correntes,
> sem princípio ou parada — nascer, perecer, como visto,
> erram longe, banidos por persuasão de verdade —;
> mesmo em mesmo persiste jazendo afim a si mesmo:
> preso assim persiste, pois Coação poderosa [30]
> tem-no afinal nas prisões do confim que o retém em sua volta,
> visto que o ente não sem termo é norma que seja:
> é, pois, não desprovido (não sendo, tudo é preciso).
> Sim, o mesmo é pensar e o em vista de que é pensamento:
> não afinal sem o ente, no que houve de ser afirmado, [35]
> descobrirás o pensar; nem é nem será o próprio tempo
> algo além desse ente, que a Parte prendeu com seus elos
> pra ser inteiro & imóvel — tudo será o seu nome
> quanto hão posto mortais, persuadidos de ser de verdade,
> sim, nascer, perecer e não ser e ser assim sendo, [40]
> e alternar de lugar e trocar-se a pele lustrosa.
> Mas como último é seu confim, ele é terminal de
> todo local, como massa de esfera bencirculada,
> equilibrado do meio até tudo: nem mais elevado
> é por aqui e por ali nem é tampouco mais baixo — [45]
> pois nem existe não ente que o faça parar de alcançar-se
> com seu igual nem ente é maior ou menor do que o ente
> é por aqui e por ali, já que é todo inviolável:
> todo afim a si mesmo, igualmente os confins ele encontra.
> Paro aqui o pensamento e a conta persuasiva [50]
> envolvendo a verdade; daqui, o parecer dos mortais
> ouve e aprende no mundo falseado de minhas palavras!
> É que uma dupla puseram, pra formas ideias nomearem,
> e uma preciso não é, no que houve de serem errantes;
> contraposto cindiram-se o corpo e sinais impuseram [55]
> um à parte do outro: a flama do fogo etéreo,
> que é gentil e bem leve, o mesmo por tudo em si mesmo,
> mas não o mesmo que o outro; e aquilo conforme si mesmo
> contra, noite inacesa, de corpo denso e pesado.
> Eis a ordem do mundo que símil em tudo te afirmo, [60]
> para que nunca nenhum dos mortais te passe na ideia!

## fr. 9 [10DK]

> Conhecerás a natura do éter e os signos etéreos
> todos, e ainda da pura clareza do sol lampejante —
> tocha sagrada — as invisas proezas, e donde nasceram;
> sim, e a proeza perlustre ouvirás da ciclópica lua,
> sua natureza também, e verás o céu envolvente, [5]
> donde brotou, como ali o conduziu Coação a prendê-lo
> para suster os confins das estrelas

## fr. 10 [11DK]

> como a terra, e ainda o sol e a lua,
> bem como o éter comum, e a láctea celeste e o Olympo
> ’xtremo e a cálida força dos astros então irromperam
> ao nascimento

## fr. 11 [9DK]

> Já que todas as cousas ‘luz’ e ‘noite’ nomeiam,
> com o que é próprio de suas potências nisso e naquilo,
> tudo é junto pleno de luz e da ilúcida noite,
> de ambas iguais afinal, já que nada está com nenhuma.

## fr. 12 [12DK]

> pois as mais estreitas são plenas de fogo impermisto,
> sob as da noite, aonde uma parte da chama se lança;
> e em seu meio está a divindade, que tudo governa:
> ela de tudo a união principia, e o parto odiado,
> conduzindo fêmea até macho, e também, ao contrário, [5]
> macho até fêmea

## fr. 13 [13DK]

> e planejou então Eros primeiro de todos os deuses

## fr. 14 [14DK]

> noctiluzente a volver sobre a terra lúmen alheio

## fr. 15 [15DK]

> sempre em tal direção, encarando a clareza do sol

## fr. 16 [21DK]

> luz de mentira

## fr. 17 [15aDK]

> aquarraizada

## fr. 18 [20DK]

> Já sob ela é uma gélida e aterradora vereda,
> côncava, sim, lamacenta — a melhor para quem prosseguisse
> ao desejável bosque da plurionorada Aphrodite.

## fr. 19 [17DK]

> destra para os meninos, sim, e na esquerda, meninas

## fr. 20 [18DK]

> Quando fêmea e varão vão unir os seus brotos de Cýpris,
> eis que nos vãos a formante potência do sangue diverso,
> com harmonia contida, faz corpos bem ajustados;
> pois se as potências, contudo, no sêmen permisto disputam,
> sem que se unam no corpo permisto, a Fatalidade [5]
> seu nascimento haverá de afetar com dupla semente!

## fr. 21 [16DK]

> tal como tem cada vez a mistura dos membros errantes,
> tal se apresenta a mente aos humanos: é o mesmo que pensa
> a natureza dos membros para qualquer dos humanos
> todos e a tudo afinal, pois o pleno é que é o pensamento.

## fr. 22 [19DK]

> Eis como, no parecer, brotaram e são por agora
> e depois disso terminarão ao terem crescido;
> e assinalado os humanos um nome puseram em cada.
