Hebreus
Capítulo 1
1 Deus, tendo falado em tempos passados, ora mais, ora menos e de muitos modos, aos pais, pelos profetas,
2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, ao qual constituiu herdeiro de todas as coisas, por quem criou igualmente os mundos;
3 o qual, sendo o resplendor da sua glória e a imagem expressa da sua substância e sustentando todas as coisas com a palavra do seu poder, depois de fazer a purificação dos pecados, sentou-se à destra da Majestade, nas alturas,
4 feito tanto mais excelente que os anjos quanto tem herdado nome mais excelente que eles.
5 Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje eu te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele ser-me-á Filho?
6 Mas, quando outra vez introduzir o primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
7 A respeito dos anjos, diz: Quem faz aos seus anjos ventos e aos seus ministros, chama de fogo;
8 acerca do Filho, porém, diz: O teu trono, ó Deus, é pelos séculos dos séculos. E: Cetro de equidade é o cetro do seu reino.
9 Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; portanto, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, acima dos teus companheiros.
10 E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos;
11 eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como um vestido,
12 Tu os enrolarás como um manto, como um vestido, e eles serão mudados; mas tu és o mesmo, e os teus anos não minguarão.
13 Mas acerca de qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha mão direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés?
14 Não são todos eles espíritos ministrantes, enviados para exercer o seu ministério a favor dos que hão de herdar a salvação?
Capítulo 2
1 Por essa razão, é necessário atendermos, mais assiduamente, às coisas que ouvimos,
2 para que não suceda que delas nos desviemos. Pois, se a palavra falada pelos anjos ficou firme, e toda transgressão e desobediência receberam justa retribuição,
3 como escaparemos nós, se tivermos descuidado de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada ao princípio mediante o Senhor, foi confirmada a nós pelos que a ouviram;
4 dando Deus testemunho juntamente com eles, por milagres, e prodígios, e por múltiplos poderes, e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade.
5 Pois não a anjos sujeitou Deus o mundo vindouro, de que falamos.
6 Mas, em certo lugar, alguém testificou, dizendo: Que é o homem, que te lembres dele? Ou o filho do homem, que o visites?
7 Fizeste-o um pouco menor que os anjos, coroaste-o de glória e de honra;
8 sujeitaste todas as coisas debaixo dos seus pés. Pois sujeitando-lhe todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, não vemos ainda todas as coisas sujeitas a ele;
9 porém àquele Jesus, que foi feito um pouco menor que os anjos, nós o vemos, por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte a favor de todo homem.
10 Pois convinha que aquele, para quem são todas as coisas e por quem todas existem, conduzindo à glória muitos filhos, aperfeiçoasse pelos sofrimentos ao autor da salvação deles.
11 Pois tanto o que santifica como os que são santificados vêm, todos, de um só; pela qual razão ele não se envergonha de lhes chamar irmãos,
12 dizendo: Declararei o teu nome a meus irmãos; no meio da congregação, te louvarei.
13 E outra vez: Eu porei a minha confiança nele. E de novo: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu.
14 Portanto, desde que os filhos têm carne e sangue comum, também ele, semelhantemente, participou dessas coisas, para, pela morte, destruir aquele que tinha o poder da morte, isto é, ao Diabo,
15 e para libertar a todos os que, por medo da morte, estavam toda a vida debaixo da escravidão.
16 Pois, certamente, não presta auxílio aos anjos, mas presta auxílio à descendência de Abraão.
17 Por onde importava que, em tudo, fosse ele feito semelhante a seus irmãos, para que viesse a ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas referentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo.
18 Pois, naquilo em que ele mesmo sofreu, sendo tentado, pode socorrer aos que são tentados.
Capítulo 3
1 Por isso, santos irmãos, participantes de uma vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus,
2 o qual era fiel ao que o constituiu, como também Moisés o era em toda a casa de Deus.
3 Pois ele é tido por digno de tanta maior glória que Moisés, quanto aquele que estabeleceu a casa tem maior honra que a mesma casa.
4 Pois toda casa é estabelecida por alguém, mas o que estabeleceu todas as coisas é Deus.
5 Moisés, na verdade, era fiel em toda a casa de Deus como um servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
6 Cristo, porém, como filho, sobre a casa de Deus, a qual casa somos nós, se guardarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.
7 Por isso, diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
8 não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da provação no deserto,
9 onde os vossos pais me experimentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos.
10 Porquanto me indignei contra esta geração e disse: Eles sempre erram no seu coração; não conheceram os meus caminhos.
11 Assim, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso.
12 Cuidai, irmãos, que não haja, porventura, em algum de vós um perverso coração de incredulidade, em apostatar do Deus vivo;
13 mas exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que algum de vós não seja endurecido pelo engano do pecado.
14 Pois nos tornamos participantes de Cristo, se guardarmos firmes, até o fim, o princípio da nossa confiança.
15 Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação.
16 Pois quais foram os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram todos os que saíram do Egito por meio de Moisés?
17 E contra quem esteve indignado quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
18 E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes?
19 Vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.
Capítulo 4
1 Temamos, portanto, que, sendo-nos feita uma promessa de entrarmos no seu descanso, não haja algum de vós, porventura, que pareça ter falhado.
2 Pois, na verdade, a nós nos tem sido evangelizado, como a eles; mas a palavra da mensagem não lhes aproveitou, não sendo unida com a fé naqueles que a ouviram.
3 Pois nós, que cremos, entramos no descanso, assim como ele tem dito: Assim, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso, embora fossem completadas as obras desde a fundação do mundo.
4 Pois, em certo lugar, disse assim acerca do dia sétimo: E descansou Deus, no dia sétimo, de todas as suas obras.
5 E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu descanso.
6 Visto, portanto, que resta que alguns entrem nele e que os que foram anteriormente evangelizados não entraram, por causa da desobediência,
7 outra vez determina um certo dia, hoje, dizendo por Davi, depois de tanto tempo (como antes se disse): Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.
8 Pois, se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria, depois, falado de outro dia.
9 Portanto, resta um sabatismo para o povo de Deus.
10 Pois aquele que entrou no descanso dele, este também descansou das suas obras, assim como Deus das suas.
11 Portanto, esforcemo-nos por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia segundo o mesmo exemplo de desobediência.
12 Pois a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e que penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e pronta para discernir as disposições e pensamentos do coração.
13 Não há criatura que não seja manifesta diante dele, mas todas as coisas estão nuas e descobertas aos olhos daquele a quem havemos de dar contas.
14 Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote que penetrou os céus, a saber, Jesus, Filho de Deus, guardemos firmes a nossa confissão.
15 Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que tem sido tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.
16 Cheguemo-nos, portanto, com confiança, ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos em tempo oportuno.
Capítulo 5
1 Pois todo sumo sacerdote, sendo escolhido dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas pertencentes a Deus, para que ofereça tanto dons como sacrifícios pelos pecados,
2 o qual possa condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois que ele também está cercado de enfermidades,
3 e, por essa razão deve, tanto pelo povo como também por si mesmo, oferecer sacrifício pelos pecados.
4 Ninguém arroga para si essa honra, senão quando é chamado por Deus, como também foi Arão.
5 Assim, também Cristo não se exaltou a si mesmo para ser feito sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje eu te gerei;
6 como também em outro lugar diz: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque.
7 Ele, nos dias da sua carne, tendo oferecido preces, e súplicas com forte clamor, e lágrimas ao que podia salvá-lo da morte e tendo sido ouvido pela sua reverência,
8 embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu,
9 e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,
10 chamado por Deus sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
11 Acerca deste muito temos que dizer e difícil de explicar, visto que vos tendes tornado tardios em ouvir.
12 Pois, devendo já ser mestres em razão do tempo, tendes ainda mister de que alguém vos ensine os rudimentos dos princípios elementares dos oráculos de Deus e vos tendes tornado tais, que tendes precisão de leite e não de mantimento sólido.
13 Todo o que usa de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança;
14 mas o mantimento sólido é para os adultos, para aqueles que têm, pela prática, as suas faculdades exercitadas para discernirem tanto o bem como o mal.
Capítulo 6
1 Por isso, deixando a doutrina dos princípios elementares de Cristo, passemos à perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,
2 o ensino sobre batismos e imposição de mãos, sobre ressurreição de mortos e sobre juízo eterno.
3 Isso faremos, se Deus o permitir.
4 Pois é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo,
5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro,
6 e depois caíram, impossível é renová-los outra vez para o arrependimento, visto que eles crucificam de novo para si o Filho de Deus e o expõem à ignomínia.
7 Pois a terra que tem embebido a chuva que cai muitas vezes sobre ela e produz ervas úteis àquelas por quem é também lavrada recebe de Deus a bênção;
8 mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, está perto de maldição, e o seu fim é ser queimada.
9 Porém, quanto a vós, amados, estamos persuadidos de coisas melhores e mais vizinhas à salvação, ainda que assim falamos.
10 Pois Deus não é injusto para se esquecer do vosso trabalho e da caridade que mostrastes para com seu nome, quando servistes e ainda servis aos santos.
11 Desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo, para complemento da sua esperança até o fim;
12 para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, por fé e por paciência, herdam as promessas.
13 Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não teve outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo,
14 dizendo: Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei;
15 assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa.
16 Pois os homens juram pelo que é maior que eles, e o juramento para confirmação é para eles o fim de todas as contendas.
17 Por isso, Deus, determinando mais abundantemente mostrar aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, interpôs um juramento,
18 para que, por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos uma poderosa consolação, nós que, como refúgio, nos temos apressado em lançar mão da esperança proposta,
19 a qual temos como âncora segura e firme da alma e que entra também no interior do véu,
20 onde Jesus, como precursor, entrou por nós, quando se tornou sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Capítulo 7
1 Pois este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que encontrou a Abraão quando voltava da matança dos reis e o abençoou,
2 a quem também Abraão repartiu o dízimo de tudo (sendo, por interpretação, primeiramente Rei de justiça e depois também Rei de Salém, que é Rei de paz,
3 sem pai, nem mãe, sem genealogia, que não tem princípio de dias, nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote continuamente.
4 Considerai quão grande era este a quem Abraão, o patriarca, deu o dízimo do melhor dos despojos.
5 Com efeito, os que, dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio, têm mandamento de receber, segundo a Lei, dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, embora estes tenham saído dos lombos de Abraão;
6 mas aquele cuja genealogia não é contada destes recebeu dízimos de Abraão e abençoou ao que tem as promessas.
7 Porém está fora de toda questão que o menor é abençoado pelo maior.
8 Aqui, na verdade, recebem dízimos homens que morrem, mas ali os recebe aquele de quem é testificado que vive.
9 E, por assim dizer, por meio de Abraão, até o mesmo Levi, o recebedor de dízimos, pagou dízimos;
10 pois ele estava ainda nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque encontrou a Abraão.
11 Ora, se o aperfeiçoamento fosse pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a Lei), que necessidade havia ainda de que um outro sacerdote se levantasse segundo a ordem de Melquisedeque e de que não fosse contado segundo a ordem de Arão?
12 Pois, mudado que seja o sacerdócio, é necessário que se faça também mudança da Lei.
13 Pois aquele de quem isso se diz pertence a outra tribo, da qual ninguém tem servido ao altar;
14 pois é evidente que da linhagem de Judá nasceu nosso Senhor, da qual tribo Moisés nada disse acerca de sacerdotes.
15 Ainda isso se manifesta mais claramente, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote,
16 o qual não se tem tornado sacerdote segundo a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder de uma vida indissolúvel.
17 Pois dele se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
18 Pois, na verdade, é ab-rogado o mandamento prévio, por causa da sua fraqueza e inutilidade
19 (pois a Lei nada fez perfeito), e é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos chegamos a Deus.
20 Porquanto não é sem prestar juramento
21 (pois aqueles, na verdade, foram feitos sacerdotes sem juramento, mas este com juramento por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre);
22 portanto, também Jesus se tem tornado fiador de uma melhor aliança.
23 Aqueles, na verdade, foram feitos sacerdotes em grande número, porque a morte não permitiu que permanecessem;
24 mas este, porque permanece para sempre, tem o seu sacerdócio inviolável.
25 Por isso, também pode salvar completamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
26 Pois nos convinha tal sumo sacerdote santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais alto que os céus,
27 que não tem necessidade, como aqueles sumos sacerdotes, de oferecer sacrifícios diariamente, primeiro, pelos seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez uma só vez para sempre, quando se ofereceu a si mesmo.
28 Pois a Lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm enfermidades, mas a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constitui ao Filho, para sempre aperfeiçoado.
Capítulo 8
1 No que estamos dizendo, o ponto principal é este: temos um tal sumo sacerdote que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus,
2 ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor armou, e não o homem.
3 Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios, porquanto é necessário que esse sumo sacerdote também tenha alguma coisa que oferecer.
4 Se ele estivesse, pois, sobre a terra, nem sacerdote seria, havendo os que oferecem dons segundo a Lei;
5 os quais servem ao que é modelo e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas conforme o modelo que te foi mostrado no monte.
6 Mas, agora, este tem conseguido tanto melhor ministério, quanto é Mediador ainda de uma melhor aliança, a qual tem sido decretada sobre melhores promessas.
7 Pois, se aquela primeira aliança tivesse sido livre de defeito, não se teria buscado ocasião para uma segunda.
8 Pois, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança,
9 não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os conduzir para fora da terra do Egito; pois eles não perseveraram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor.
10 Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel: depois daqueles dias, diz o Senhor, imprimindo as minhas leis na mente deles, eu as escreverei também sobre os seus corações; serei para eles Deus, e eles serão para mim povo.
11 Cada um não ensinará ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; pois todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles.
12 Pois eu lhes perdoarei as suas iniquidades e não me lembrarei mais dos seus pecados.
13 Dizendo Nova aliança, ele tem feito antiquada a primeira; mas aquilo que se está tornando antiquado e envelhecendo perto está de desaparecer.
Capítulo 9
1 Até a primeira aliança, na verdade, teve as suas ordenanças de serviço sagrado e o seu santuário terrestre.
2 Pois havia um tabernáculo preparado, o primeiro em que estava o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição, e este se chama o Santo Lugar;
3 mas, atrás do segundo véu, o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos,
4 tendo um altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, coberta de ouro ao redor por todas as partes, na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que brotou, e as tábuas da aliança,
5 e, por cima dela, os querubins de glória, que cobriam o propiciatório, das quais coisas não é oportuno, agora, falar individualmente.
6 Preparadas assim essas coisas, entram continuamente no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para celebrar os serviços sagrados,
7 mas, no segundo, entra, a sós, o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece por si e pelas ignorâncias do povo,
8 significando, com isso, o Espírito Santo que o caminho do Santo lugar não se tem manifestado, enquanto subsiste o primeiro tabernáculo,
9 o qual é uma parábola para o tempo presente, conforme a qual se oferecem tanto dons como sacrifícios, que não podem, quanto à consciência, tornar perfeito o adorador,
10 sendo somente (com comidas e bebidas e várias abluções) umas ordenanças da carne impostas até um tempo de reforma.
11 Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos de homens, isto é, não desta criação,
12 nem pelo sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou, uma vez para sempre, no Santo Lugar, havendo obtido uma redenção eterna.
13 Pois, se o sangue de bodes e de touros e as cinzas de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam para a purificação da carne,
14 quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu sem defeito a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!
15 Por isso, ele é Mediador de uma nova aliança, para que, tendo intervindo a morte para a redenção das transgressões que havia debaixo da primeira aliança, os que têm sido chamados recebam a promessa da eterna herança.
16 Pois, onde há um testamento, é necessário que intervenha a morte do testador;
17 pois um testamento não tem força senão pela morte, visto que nunca tem valor enquanto o testador vive.
18 Por isso, nem a primeira aliança foi celebrada sem sangue.
19 Pois, quando Moisés havia falado a todo o povo todos os mandamentos segundo a Lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água e lã tinta de escarlata e hissopo e aspergiu não só o próprio livro como também a todo o povo,
20 dizendo: Este é o sangue da aliança, que Deus ordenou para vós.
21 Também, da mesma maneira, aspergiu o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado.
22 Segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e, sem derramamento de sangue, não há remissão.
23 Era necessário, portanto, que as figuras das coisas celestiais fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as mesmas coisas celestiais, com sacrifícios melhores que estes.
24 Pois Cristo não entrou num santo lugar feito por mãos de homens, figura do verdadeiro, mas no mesmo céu, para, agora, aparecer diante de Deus por nós;
25 nem a fim de se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o sumo sacerdote entra no Santo Lugar de ano em ano com sangue alheio;
26 de outra forma, lhe seria necessário ter sofrido muitas vezes desde o fundamento do mundo; mas, agora, tem sido manifestado uma vez para sempre na consumação dos séculos, para abolição do pecado pelo sacrifício de si mesmo.
27 Porquanto é ordenado aos homens que morram uma só vez (e, depois disso, vem o juízo),
28 assim também Cristo, tendo sido imolado uma vez para sempre, a fim de levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.
Capítulo 10
1 Visto que a Lei tem a sombra dos bens vindouros, não a mesma imagem das coisas, nunca pode, pelos mesmos sacrifícios que eles oferecem continuamente de ano em ano, fazer perfeitos aos que se chegam a Deus.
2 De outra sorte, não teriam cessado de se oferecer, porque os adoradores, tendo sido uma vez purificados, não teriam tido mais consciência de pecados?
3 Nesses sacrifícios, porém, há recordação de pecados todos os anos;
4 pois é impossível que sangue de touros e de bodes tire pecados.
5 Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me formaste;
6 não te deleitaste em holocaustos e sacrifícios pelos pecados.
7 Então, eu disse: Eis aqui venho (No rol do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, a tua vontade.
8 Dizendo acima que sacrifícios, e ofertas, e holocaustos, e sacrifícios pelo pecado não quiseste, nem te deleitaste neles (os quais são oferecidos segundo a Lei),
9 então, disse: Eis aqui venho para fazer a tua vontade. Tira o primeiro para estabelecer o segundo.
10 Na qual vontade temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo feita uma vez para sempre.
11 Na verdade, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, os quais nunca podem tirar pecados;
12 mas este, havendo oferecido, para sempre, um só sacrifício pelos pecados, sentou-se à destra de Deus,
13 daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés.
14 Pois, com uma só oferta, tem aperfeiçoado para sempre aos que são santificados.
15 O Espírito Santo também nos testifica, porque, depois de haver dito:
16 Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Imprimindo as minhas leis nos seus corações, eu as escreverei sobre a mente deles, acrescenta:
17 Dos seus pecados e das suas iniquidades não me lembrarei mais.
18 Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado.
19 Portanto, irmãos, tendo confiança de entrarmos no Santo Lugar pelo sangue de Jesus,
20 pelo caminho que nos inaugurou, caminho novo e de vida, pelo véu, isto é, pela sua carne,
21 e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
22 cheguemo-nos, com coração sincero, em plena certeza da fé, tendo os nossos corações purificados de uma consciência má e lavados os nossos corpos com água pura;
23 firmes, guardemos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que fez a promessa,
24 e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,
25 não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns; mas exortando uns aos outros e tanto mais quanto vedes chegar o Dia.
26 Pois, se pecamos voluntariamente, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,
27 senão uma certa expectação terrível do juízo e um ardor de fogo, que há de devorar os adversários.
28 Aquele que transgride a Lei de Moisés, sendo-lhe provado com duas ou três testemunhas, morre sem misericórdia;
29 de quanto mais severo castigo, pensais vós, será julgado digno aquele que calca aos pés o Filho de Deus e tem em conta de profano o sangue da aliança com que foi santificado, e ultraja ao Espírito da graça?
30 Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará ao seu povo.
31 Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
32 Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois que fostes iluminados, padecestes um grande conflito de sofrimentos;
33 pois, por um lado, fostes feitos um espetáculo tanto por ludíbrios como por aflições e, por outro, tendes-vos tornado companheiros dos que foram assim tratados.
34 Pois não só vos compadecestes dos encarcerados, mas aceitastes, com gozo, o despojo de vossos bens, conhecendo que vós vos tendes a vós mesmos como uma possessão mais excelente e durável.
35 Não lanceis fora, portanto, a vossa confiança, a qual tem uma grande recompensa.
36 Pois tendes necessidade da perseverança, para que, tendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Pois, ainda em bem pouco tempo, aquele que há de vir virá e não tardará.
38 Mas o meu justo viverá da fé, e, se ele recuar, nele não tem prazer a minha alma.
39 Mas nós não somos dos que retrocedem para perdição; mas dos que têm a fé para a salvação da alma.
Capítulo 11
1 Ora, a fé é a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas.
2 Pois foi por ela que os antigos obtiveram bom testemunho.
3 É pela fé que entendemos que os mundos foram formados pela palavra de Deus, de modo que o visível não se tem feito das coisas que aparecem.
4 Pela fé, ofereceu Abel a Deus mais excelente sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho quanto a seus dons; e, por ela, estando ele morto, ainda fala.
5 Pela fé, foi trasladado Enoque para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o havia trasladado. Pois, antes da sua trasladação teve o testemunho de haver agradado a Deus.
6 Sem fé é impossível agradar a Deus; pois é necessário que o que se chega a Deus creia que há Deus e que se mostra remunerador dos que o buscam.
7 Pela fé, Noé, divinamente avisado a respeito das coisas que ainda não se viam, sendo temente a Deus, construiu uma arca para o salvamento da sua casa, pela qual condenou ao mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé.
8 Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu para sair em demanda de um lugar que havia de receber como herança; e saiu não sabendo para onde ia.
9 Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa;
10 porque aguardava a cidade que tem os fundamentos cujo arquiteto e edificador é Deus.
11 Pela fé, até a própria Sara recebeu o poder de conceber um filho ainda fora do tempo da idade, visto que ela teve por fiel aquele que lho havia prometido.
12 Por isso, também de um, e este já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está à borda do mar.
13 Na fé, morreram todos estes, sem terem alcançado as promessas, mas tendo-as visto, e saudado de longe, e confessado que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
14 Pois os que dizem tais coisas declaram que buscam uma pátria sua.
15 Se, na verdade, se tivessem recordado daquela donde saíram, teriam tido oportunidade de voltar.
16 Mas, agora, aspiram a uma pátria melhor, isto é, a celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de se chamar Deus deles, pois lhes preparou uma cidade.
17 Pela fé, Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque; sim, aquele que tinha recebido com alegria as promessas ia oferecendo seu filho unigênito,
18 a quem se havia dito: Em Isaque, será chamada a tua descendência,
19 julgando que Deus o podia ressuscitar até dentre os mortos; donde também, em figura, o recobrou.
20 Pela fé, Isaque abençoou a Jacó e a Esaú mesmo acerca das coisas futuras.
21 Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou a cada um dos filhos de José e adorou inclinado sobre a extremidade do seu bordão.
22 Pela fé, José, estando próximo o seu fim, fez menção da saída dos filhos de Israel e deu ordem a respeito de seus ossos.
23 Pela fé, Moisés, depois de nascido, foi ocultado três meses por seus pais, porque viram que era menino formoso e não temeram o edito do rei.
24 Pela fé, Moisés, quando homem, recusou ser chamado filho da filha de faraó,
25 escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que ter o gozo do pecado por algum tempo,
26 tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito, pois olhava para a recompensa.
27 Pela fé, deixou ele o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme como quem vê aquele que é invisível.
28 Pela fé, celebrou a Páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos não os tocasse.
29 Pela fé, atravessaram os israelitas o mar Vermelho como por terra seca; e, tentando isso os egípcios, foram afogados.
30 Pela fé, caíram os muros de Jericó, depois de rodeados por sete dias.
31 Pela fé, não foi destruída a meretriz Raabe com os desobedientes, tendo recebido os espias com paz.
32 E que mais direi ainda? Porque o tempo me faltará, se eu falar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas,
33 que, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram as promessas, taparam as bocas dos leões,
34 extinguiram a violência do fogo, evitaram o fio da espada, de fracos tornaram-se fortes, fizeram-se poderosos na guerra, puseram em fugida os exércitos de estrangeiros.
35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento para alcançarem melhor ressurreição;
36 e outros experimentaram escárnios, açoites e ainda grilhões e prisão;
37 eles foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada; eles andaram errantes, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos, maltratados,
38 uns homens (de quem o mundo não era digno) errantes nos desertos, nos montes, nas covas e nas cavernas da terra.
39 Todos estes, tendo alcançado bom testemunho pela sua fé, contudo, não alcançaram a promessa,
40 tendo Deus provido alguma coisa melhor no tocante a nós, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.
Capítulo 12
1 Portanto, também nós, visto que temos ao redor de nós tão grande número de testemunhas, pondo de lado todo impedimento e o pecado que se nos apega, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,
2 fitando os olhos em Jesus, Autor e Consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe foi proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está sentado à destra do trono de Deus.
3 Considerai, pois, atentamente, aquele que tem sofrido tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
4 Ainda não tendes resistido até o sangue, combatendo contra o pecado,
5 e vos tendes esquecido da exortação que vos é dirigida a vós, como a filhos: Filho meu, não menosprezes a correção do Senhor, nem te desanimes, quando por ele és repreendido;
6 pois o Senhor castiga ao que ama e açoita a todo filho que recebe.
7 É para disciplina que sofreis (Deus vos trata como a filhos); pois qual o filho a quem não corrige seu pai?
8 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.
9 Além disso, nós tivemos, na verdade, nossos pais carnais, que nos corrigiam, e os olhávamos com respeito; não seremos muito mais sujeitos ao Pai dos espíritos e viveremos?
10 Pois aqueles, por uns poucos dias, nos corrigiam segundo a sua vontade, mas este nos castiga para o nosso proveito, a fim de sermos participantes da sua santidade.
11 Toda correção, ao presente, na verdade, não parece ser de gozo, mas de tristeza; depois, porém, dá fruto pacífico de justiça aos que por ela têm sido exercitados.
12 Por isso, levantai as mãos remissas e os joelhos paralisados
13 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, mas, antes, seja sanado.
14 Segui a paz com todos e aquela santificação sem a qual ninguém verá ao Senhor,
15 vigiando com cuidado para que a ninguém falte a graça de Deus; para que não haja alguma raiz de amargura, que, brotando, vos perturbe, e, por ela, sejam muitos contaminados;
16 para que não haja algum fornicário ou profano como Esaú, que, por uma vianda, vendeu a sua primogenitura.
17 Pois sabeis que, quando ele ainda depois desejava herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, embora o buscasse, diligentemente, com lágrimas.
18 Não tendes chegado ao fogo palpável e incendido, e à escuridão, e à caligem, e à tempestade,
19 e ao som da trombeta, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram rogaram que não se lhes falasse mais;
20 porque não podiam suportar o que lhes era ordenado: Se até um animal tocar o monte, será apedrejado.
21 Era tão terrível o que se via, que Moisés disse: Estou todo aterrorizado e trêmulo!
22 Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, Jerusalém celestial, às hostes inumeráveis de anjos,
23 à assembleia geral e igreja dos primogênitos que são registrados nos céus, e a Deus, Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,
24 e a Jesus, Mediador de uma nova aliança, e ao sangue de aspersão, que fala melhor do que o de Abel.
25 Vede que não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles quando recusaram o que sobre a terra os advertiu, muito menos escaparemos nós, se damos as costas àquele que dos céus nos adverte,
26 cuja voz moveu, então, a terra, mas, agora, tem ele prometido: Mais uma vez, eu farei tremer não só a terra, mas também o céu.
27 Ora, esta palavra: Mais uma vez significa a remoção das coisas movidas como coisas criadas, para que permaneçam as que não são movidas.
28 Por isso, tendo recebido um reino que não se pode mover, tenhamos graça, pela qual prestemos serviços mui agradáveis a Deus, com reverência e temor;
29 pois o nosso Deus é um fogo consumidor.
Capítulo 13
1 Permaneça a caridade fraternal.
2 Não vos esqueçais da hospitalidade aos estranhos; porque, por esta, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.
3 Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles; dos que são maltratados, como sendo vós mesmos no corpo.
4 Seja honrado o matrimônio por todos, e seja o leito sem mácula; pois, aos fornicários e adúlteros, Deus os julgará.
5 Seja a vossa vida isenta de avareza, contentando-vos com o que tendes; pois ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.
6 De modo que digamos com confiança: O Senhor é quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem?
7 Lembrai-vos dos que vos governaram, os quais vos falaram a palavra de Deus; e, contemplando o fim do seu procedimento, imitai a sua fé.
8 Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.
9 Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; porque boa coisa é ter o coração confirmado pela graça e não por viandas, que não aproveitaram aos que delas cuidaram.
10 Temos um altar do qual não têm direito de comer os que servem o tabernáculo.
11 Pois o corpo daqueles animais cujo sangue é trazido para dentro do Santo Lugar, pelo sumo sacerdote, como oferta pelo pecado, são queimados fora do acampamento.
12 Porquanto Jesus também, para que santificasse o povo pelo seu sangue, sofreu fora da porta.
13 Saiamos, portanto, a ele fora do acampamento, levando o seu opróbrio;
14 pois não temos aqui uma cidade que permanece, mas buscamos a que há de vir.
15 Por ele, pois, ofereçamos constantemente a Deus sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.
16 Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com outros, pois com tais sacrifícios é que Deus se agrada.
17 Obedecei aos que vos governam e sede-lhes sujeitos, pois eles velam pelas vossas almas como os que têm de dar contas. Obedecei-lhes para que isso façam com alegria e não gemendo, pois isso é uma coisa sem proveito para vós.
18 Orai por nós, pois estamos persuadidos de que temos uma boa consciência, desejando em tudo portar-nos bem.
19 Mais e mais, vos exorto a que façais isso, para que, mais depressa, eu vos seja restituído.
20 O Deus de paz, que dos mortos trouxe, outra vez, pelo sangue de uma aliança eterna, a Jesus, nosso Senhor,
21 grande Pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em todo o bem, para que façais a sua vontade, fazendo ele em nós o que é agradável a seus olhos, mediante Jesus Cristo, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
22 Mas rogo-vos, irmãos, que suporteis essa palavra de exortação, pois vos tenho escrito em poucas palavras.
23 Sabei que nosso irmão Timóteo tem sido libertado, com o qual, se vier brevemente, vos verei.
24 Saudai a todos os que vos governam e a todos os santos. Os da Itália vos saúdam.
25 A graça seja com todos vós.