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Rei Édipo

Sófocles · Notas, a partir da ed0

[ed0]: A tradução, aqui, como no volume XXII da “Clássicos Jackson”, é atribuída a J.B. de Mello e Souza, autor do Prefácio e das notas introdutórias às tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides que figuram no volume. Não sei se, “por razões editoriais”, atribuiu-se ao emérito professor, por seu renome, a tradução de todo o volume, em vez de atribuir-lhe a organização do mesmo. É o que se depreende das palavras do próprio João Baptista de Mello e Souza no Prefácio:

[eda]: Acrescentado CORIFEU, que não constava na fonte digitalizada. [NE]

[n1]: Conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares trazendo ramos de louros, ou de oliveira, enfeitados com fitas de lã.

[n2]:

[n3]: Ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio, ou ser portador de uma notícia auspiciosa.

[n4]: Os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de Delfos, falava pelo oráculo o próprio deus Apolo.

[n5]: “Causa o sangue o flagelo sobre a cidade”, diz, literalmente, Sófocles.

[n6]: Os interpretadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois Édipo vai fazer o contrário do que diz, numa anfibologia trágica, usada com freqüência por Sófocles.

[n7]: Literalmente: “às plagas do deus ocidental”, porque, para os gregos, o Hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no Ocidente, visto que a luz vinha do Oriente.

[n7a]: “péan” no texto digitalizado. Grafia atualizada: [N.E.]

[n8]: Justifica-se essa alegoria, visto que Marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sumo sacerdote, em sua primeira fala.

[n9]: Um dos títulos conferidos ao deus Apolo, por ter nascido na Lácia. (Cf. Horácio, III, ode IV).

[n10]: Segundo a lenda a que se refere Heródoto, (l. V., 59), Agenor era um rei da Fenícia. Seu filho Cadmo fundou Tebas, dando seu nome à colina principal, e ao recinto fortificado da cidade (Cadméia). De Cadmo foi filho Polidoro, pai de Lábdaco. A este rei sucedeu o infeliz Laio.

[n11]: Tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. Isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, falava Tirésias a Édipo.

[n12]: “Este dia te dará o nascimento e a morte” — diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que Édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência.

[n13]: A estrofe coral compara o execrado criminoso a um touro, numa fuga interminável, perseguido por um enxame de insetos terríveis. Tal alegoria foi inspirada, naturalmente, pela lenda de Io, que figura no Prometeu Acorrentado, de Ésquilo.

[n14]: Alusão à Esfinge, com quem Édipo ousara defrontar-se, resolvendo, então, o famoso enigma.

[n15]: Esta informação é dada por Jocasta casualmente, bem como a de ter ocorrido o crime numa encruzilhada — meros detalhes sem importância, na aparência, mas que produzem no espírito de Édipo uma impressão de terror, artifício este mais de uma vez usado por Sófocles em suas obras.

[n16]: Um só carro, menciona o texto grego. — Apêne era o carro de rodas, coberto, e preferido para longas viagens.

[n17]: É de capital importância esta passagem. “Και σοι γυναι”, diz o poeta (e a ti, mulher...). Esse tratamento íntimo mostra que toda essa revelação de Édipo só devia ser ouvida por Jocasta, como se o narrador falasse em voz baixa.

[n18]: Conforme Apolodoro, é de supor que a cena se tenha passado assim: O arauto ia na frente, afastado do carro. Para trás, a alguma distância, vinham os servos. Encontrando Édipo, o cocheiro ordena-lhe que saia do caminho; Édipo não atende imediatamente a semelhante intimação. O cocheiro força-o brutalmente a saltar de lado, para não ser esmagado. Laio agride-o com o chicote; Édipo, indignado, reage com o bordão, atingindo o velho com uma só pancada na cabeça, o que faz cair o rei, para não mais se erguer. Forte como era, Édipo fere, então, o cocheiro, e, a seguir, luta com o arauto e com um dos servos, que correram em defesa do velho rei. O outro escravo, ao ver o que ocorria, fugiu.

[n19]: “... eu não observaria mais à direita, nem à esquerda,” diz Jocasta no texto de Sófocles. Essa afirmação, porém, significava que ela não mais acreditaria nos oráculos, uma vez que no caso da morte de Laio a profecia oracular teria falhado completamente.

[n20]: Estas passagens do coro não se entendem com Édipo; os intérpretes mais autorizados concordam em ver nessa parte da tragédia uma alusão ao estado político de Atenas, ao tempo da dominação de Aleibíades.

[n21]: Esposa... e mãe... O verso em que o Corifeu faz esta apresentação presta-se a um duplo efeito, pois a pausa após a palavra “esposa” deixa perceber que Jocasta é, ao mesmo tempo, esposa e mãe de Édipo, antecipando assim a personagem a revelação terrível.

[n22]: Por cidadãos do Istmo se designavam os habitantes de Corinto.

[n23]: Édipo, em grego, significa: pés inchados.

[n24]: Nota-se de novo, o dúbio sentido que se pode dar a esta frase de Édipo, que refere à Fortuna, evidentemente.

[n25]: A estrela a que se refere o mensageiro aparece, realmente, alguns dias antes do equinócio do Outono. O período indicado abrange, pois, seis estações completas, ou seja, dezoito meses.

[n26]: O texto grego diz: “... de cantos oraculares”, certamente porque os enigmas eram propostos em versos do mesmo tipo dos hexâmetros em que se redigiam as respostas do oráculo.

[n27]: Que Édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. Heródoto conta em suas histórias, (V, 87) que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. Para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou estilete pontiagudo.