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Jeremias (Tradução Brasileira)

Comissão da Sociedade Bíblica Americana (H. C. Tucker et al.)

rolo estático · Pedra Angular

Tradutor
Comissão da Sociedade Bíblica Americana (H. C. Tucker et al.)
Idioma
por
Editora
SBB
Abreviatura
Jr
Licença
dominio_publico
Fonte
Tradução Brasileira, 1917. Via github.com/damarals/biblias (JSON canônico), 2026.
Identificador
biblia-24-jeremias-por-tb-1917
Markdown
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Jeremias

Capítulo 1

1 As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim,

2 a quem veio a palavra de Jeová nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado;

3 e nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do undécimo ano de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até o exílio de Jerusalém, no quinto mês.

4 Ora, a palavra de Jeová veio a mim, dizendo:

5 Antes que eu te formasse no ventre, te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei: um profeta para as nações te constituí.

6 Então, disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que não sei falar, porque sou um menino.

7 Respondeu-me, porém, Jeová: Não digas: Eu sou um menino, porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás.

8 Não tenhas medo por causa deles, porque eu sou contigo, para te livrar, diz Jeová.

9 Então, Jeová estendeu a sua mão, me tocou a boca e me disse: Eis que tenho posto as minhas palavras na tua boca.

10 Vê que te constituí hoje sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e demolires, para destruíres e derrubares, para edificares e plantares.

11 Demais, veio a mim a palavra de Jeová, dizendo: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Eu vejo uma vara de amendoeira.

12 Disse-me Jeová: Viste bem, porque eu vigio sobre a minha palavra para a cumprir.

13 Segunda vez veio a mim a palavra de Jeová, dizendo: Que vês tu? E respondi: Eu vejo uma caldeira fervente, que olha da banda do Norte.

14 Disse-me Jeová: Do Norte é que se estenderá o mal sobre todos os habitantes da terra.

15 Pois eis que eu convocarei todas as famílias dos reinos do Norte, diz Jeová; eles virão e porão cada um o seu trono à entrada das portas de Jerusalém, e contra os muros dela ao redor, e contra todas as cidades de Judá.

16 Pronunciarei contra eles todos os meus juízos por causa de toda a sua malícia, porque me deixaram a mim, e queimaram incenso a outros deuses, e adoraram as obras das suas mãos.

17 Tu, pois, cinge os teus lombos, levanta-te e dize-lhes tudo quanto eu te ordenar; não te espantes deles, para que eu não te espante diante deles.

18 Eis que hoje eu te ponho como uma cidade fortificada, como uma coluna de ferro e como muros de bronze, contra a terra toda, contra os reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o povo da terra.

19 Eles pelejarão contra ti, mas contra ti não prevalecerão, porque eu sou contigo, diz Jeová, para te livrar.

Capítulo 2

1 Veio a mim a palavra de Jeová, dizendo:

2 Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz Jeová: A favor de ti lembro-me da beneficência da tua mocidade, do amor dos teus desposórios, de como me seguiste no deserto, numa terra que não estava semeada.

3 Israel era santidade para Jeová, primícias da sua novidade; todos os que o devoram serão tidos por culpados; sobre eles virá o mal, diz Jeová.

4 Ouvi a palavra de Jeová, ó casa de Jacó e todas as famílias da casa de Israel.

5 Assim diz Jeová: Que injustiça acharam em mim vossos pais, visto que se alongaram de mim, e foram após a vaidade, e se tornaram vãos?

6 Eles não disseram: Onde está Jeová, que nos fez subir da terra do Egito e que nos conduziu pelo deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de fome e de escuridão, por uma terra pela qual ninguém passava?

7 Eu vos introduzi numa terra de jardins, para que comêsseis os seus frutos e o seu bem; mas, quando entrastes, profanastes a minha terra e fizestes a minha herança uma abominação.

8 Os sacerdotes não disseram: Onde está Jeová? E os que tratavam da lei não me conheceram; também os regentes prevaricaram contra mim, e os profetas profetizaram em nome de Baal e andaram após o que de nada aproveita.

9 Pelo que ainda contenderei convosco, diz Jeová, e contenderei com os, filhos de vossos filhos.

10 Pois passai às ilhas de Quitim e vede; mandai a Quedar e considerai bem; vede se jamais sucedeu coisa semelhante.

11 Acaso, trocou alguma nação os seus deuses, que, contudo, não são deuses? Mas o meu povo trocou a sua glória por aquilo que de nada aproveita.

12 Pasmai, céus, sobre isso, e espantai-vos, e sede sobremaneira desolados, diz Jeová.

13 Pois dois males fez o meu povo: Deixaram-me a mim, fonte de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.

14 Acaso, é Israel um servo? Acaso, é ele um escravo nascido em casa? Porque logo veio a ser presa?

15 Sobre ele rugiram os leões novos, e levantaram a sua voz, e fizeram a terra dele uma desolação; as suas cidades estão queimadas, sem que haja quem nelas habite.

16 Também os filhos de Nofe e de Tafnes se apascentam sobre o alto da tua cabeça.

17 Porventura, não te aconteceu isso por teres deixado a Jeová, teu Deus, quando ele te guiava pelo caminho?

18 Agora, que tens tu com o caminho do Egito, para beberes as águas de Sior? Ou que tens tu com o caminho da Assíria, para beberes as águas do rio?

19 A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão. Sabe e vê que má e amarga coisa é o teres deixado a Jeová, teu Deus, e o não haver em ti temor de mim, diz o Senhor, Jeová dos Exércitos.

20 Há muito que quebraste o teu jugo, e rompeste as tuas ataduras, e disseste: Não servirei. Pois sobre todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa te deitaste, fazendo-te prostituta.

21 Todavia, eu te plantei como uma vide escolhida, toda semente da verdade; como, pois, te tornaste para mim numa planta degenerada de vida estranha?

22 Embora te laves com salitre e uses muito sabão, contudo, a tua iniquidade fica registrada diante de mim, diz o Senhor Jeová.

23 Como podes dizer: Não estou manchada, não tenho andado após os Baalins? Vê o teu caminho no vale, conhece o que tens feito; és como dromedária ligeira, que anda torcendo os seus caminhos,

24 como asna silvestre, acostumada ao deserto, que sorve o vento na sua paixão; quem a pode impedir de satisfazer o seu desejo? Todos os que a buscarem não se fatigarão; no mês dela, achá-la-ão.

25 Guarda o teu pé da nudez e a tua garganta, da sede. Mas tu disseste: Não há esperança, não; porque amei os estranhos e após eles andarei.

26 Como o ladrão fica envergonhado quando o apanham, assim ficam envergonhados os da casa de Israel, eles, os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas.

27 Eles dizem a um pau: Tu és meu pai; e a uma pedra: Tu me deste à luz. Pois me voltaram as costas e não o rosto; porém, no tempo da sua tribulação, dirão: Levanta-te e salva-nos.

28 Mas onde estão os teus deuses, que fizeste para ti? Levantem-se eles se te podem salvar no tempo da tua tribulação; pois os teus deuses, ó Judá, são tantos em número como as tuas cidades.

29 Por que quereis contender comigo? Todos vós transgredistes contra mim, diz Jeová.

30 Em vão castiguei vossos filhos; eles não receberam a correção; a vossa espada devorou os vossos profetas, como um leão destruidor.

31 Ó geração! Vede vós a palavra de Jeová. Porventura, tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra de escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Andamos à vontade, não tornaremos mais para ti?

32 Pode, porventura, a donzela esquecer-se dos seus adornos, ou a noiva, do seu cinto? Mas o meu povo esqueceu-se de mim por dias que não têm número.

33 Como diriges bem o teu caminho, para buscares o amor! Pois até às mulheres perdidas lhes ensinaste os teus caminhos.

34 Também nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue das almas dos inocentes pobres; não no lugar do arrombamento o achei, mas sobre todos estes vestidos.

35 Contudo, disseste: Eu sou inocente; certamente, a sua ira já se desviou de mim. Eis que eu entrarei em juízo contigo, porque dizes: Não tenho pecado.

36 Por que te apressas tanto a mudar o teu caminho? Também do Egito serás envergonhada, como já foste envergonhada da Assíria.

37 Também dele sairás com as mãos sobre a cabeça, porque Jeová rejeitou as tuas confianças, e não serás bem sucedido nelas.

Capítulo 3

1 Dizem: Se um homem repudiar a sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura, tornará ele mais para ela? Acaso, não será aquela terra grandemente contaminada? Mas tu te hás prostituído a muitos amantes? E pensas tu em voltar para mim? — diz Jeová.

2 Levanta os teus olhos aos altos escalvados e vê; onde é o lugar em que te não hás prostituído? Junto aos caminhos te sentaste, esperando-os, como um árabe no deserto; e manchaste a terra com as tuas fornicações e com a tua malícia.

3 Portanto, foram retidos os chuveiros, e não houve chuva tardia; tiveste a fronte duma prostituta e não quiseste ter vergonha.

4 Acaso, não clamarás a mim desde agora, dizendo: Pai meu, tu és o guia da minha mocidade?

5 Reterá ele a sua ira para sempre? Ou conservá-la-á até o fim? Eis que assim falaste, mas fizeste coisas ruins e continuaste nelas.

6 Jeová disse-me nos dias do rei Josias: Viste, porventura, o que fez a apóstata Israel? Ela foi-se acima de todo alto monte e debaixo de toda árvore frondosa, e ali se entregou à fornicação.

7 Depois de ter feito todas essas coisas, eu disse: Ela voltará para mim. Contudo, ela não voltou. A sua aleivosa irmã Judá viu isso,

8 sim, viu que, por esse motivo, a saber, por ter cometido adultério a apóstata Israel, eu a repudiara e lhe dera carta de divórcio; contudo, a sua aleivosa irmã Judá, não temeu, mas também ela se foi e se entregou à fornicação.

9 Pela facilidade da sua prostituição contaminou ela a terra e adulterou com pedras e com paus.

10 Apesar de tudo isso, a sua aleivosa irmã Judá não voltou para mim de todo o seu coração, mas fingidamente, diz Jeová.

11 Disse-me Jeová: A apóstata Israel mostrou-se mais justa do que a aleivosa Judá.

12 Vai, e apregoa estas palavras para a banda do Norte, e dize: Volta, apóstata Israel, diz Jeová. Não olharei em ira para ti, porque eu sou compassivo, diz Jeová, e não conservarei para sempre a minha ira.

13 Tão somente reconhece a tua iniquidade, reconhece que transgrediste contra Jeová, teu Deus, e perverteste os teus caminhos aos estranhos, debaixo de toda árvore frondosa, e não obedeceste à minha voz, diz Jeová.

14 Voltai, filhos apóstatas, diz Jeová, porque eu sou vosso esposo. Eu vos tomarei um de cada cidade e dois de cada família e vos levarei a Sião.

15 Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência.

16 Quando vos multiplicardes e crescerdes na terra, naqueles dias, diz Jeová, não dirão mais: A arca da Aliança de Jeová! Nem lhes virá ela ao pensamento, nem dela se lembrarão; não a visitarão, nem será ela restabelecida.

17 Naquele tempo, chamarão a Jerusalém o Trono de Jeová; nela se reunirão todas as nações, em nome de Jeová, e não andarão mais após a obstinação do seu coração maligno.

18 Naqueles dias, a casa de Judá andará com a casa de Israel, e virão juntamente da terra do Norte para a terra que dei em herança a vossos pais.

19 Mas eu disse: Como te porei entre os filhos e te darei a terra desejável, a mais formosa herança das nações? Eu disse: Chamar-me-eis Meu pai e não vos desviareis de me seguirdes.

20 Deveras, do como que a mulher se aparta aleivosamente do seu companheiro, assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz Jeová.

21 Uma voz se ouve nos altos escalvados, o choro e as súplicas dos filhos de Israel; porque perverteram o seu caminho, esqueceram-se de Jeová, seu Deus.

22 Voltai, filhos apóstatas, eu curarei as vossas apostasias. Eis que somos vindos ter contigo, porque tu és Jeová, nosso Deus.

23 Na verdade, em vão é o som que vem dos outeiros e o tumulto nas montanhas; na verdade, em Jeová, nosso Deus, está a salvação de Israel.

24 Mas a coisa vergonhosa devorou o trabalho de nossos pais desde a nossa mocidade: os seus rebanhos e os seus gados, seus filhos e suas filhas.

25 Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-nos a nossa confusão, porque temos pecado contra Jeová, nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa mocidade até o dia de hoje; e não obedecemos à voz de Jeová, nosso Deus.

Capítulo 4

1 Se voltares, Israel, diz Jeová, voltarás para mim; se tirares de diante da minha face as tuas abominações, não serás removido.

2 Se jurares em verdade, em juízo e em justiça: Pela vida de Jeová; então, nele se bendirão as nações e nele se glorificarão.

3 Pois assim diz Jeová aos homens de Judá e a Jerusalém: Lavrai o vosso terreno que está em alqueive e não semeeis entre espinhos.

4 Circuncidai-vos a Jeová e tirai os prepúcios do vosso coração, homens de Judá e habitantes de Jerusalém; para que o meu furor não saia como fogo e arda de modo que ninguém o possa apagar, por causa da maldade dos vossos feitos.

5 Anunciai em Judá e publicai em Jerusalém; dizei: Tocai a trombeta na terra; gritai em alta voz e dizei: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas.

6 Arvorai um estandarte em direção de Sião; recolhei os vossos bens em lugar seguro, não demoreis; porque eu vou trazer um leão e grande destruição.

7 Um leão já subiu da sua ramada, e um destruidor das nações já partiu e saiu do seu lugar para fazer a tua terra uma desolação, a fim de que sejam assoladas as tuas cidades e fiquem sem habitantes.

8 Por isso, cingi-vos de saco, lamentai e uivai, porque não se apartou de nós o ardor da ira de Jeová.

9 Sucederá, naquele dia, diz Jeová, que desfalecerá o coração do rei e o coração dos príncipes; pasmarão os sacerdotes, e os profetas serão consternados.

10 Disse eu: Ah! Senhor Jeová! Na verdade, enganaste grandemente a este povo e a Jerusalém, dizendo: Vós tereis paz; porquanto a espada chega até a alma.

11 Naquele tempo, se dirá a este povo e a Jerusalém: Um vento abrasador, vindo dos altos escalvados no deserto, aproxima-se da filha do meu povo, não para cirandar, nem para alimpar;

12 vento demasiado forte para essas coisas virá da minha parte; agora, também pronunciarei eu juízos contra eles.

13 Eis que virá subindo como nuvens, e os seus carros serão como o torvelinho; os seus cavalos são mais velozes do que águias. Ai de nós! Porque somos despojados.

14 Ó Jerusalém, lava da malícia o teu coração, para que sejas salva. Até quando permanecerão em ti os teus maus pensamentos?

15 Pois uma voz anuncia desde Dã e proclama a calamidade desde os montes de Efraim!

16 Fazei disto menção às nações; eis, proclamai contra Jerusalém que de um país remoto vêm vigias e levantam a voz contra as cidades de Judá.

17 Como guardas de campos estão contra ela ao redor, porque contra mim se rebelaram, diz Jeová.

18 O teu caminho e os teus feitos fizeram vir sobre ti essas coisas; esta é a tua malícia; certamente, é ela amarga; certamente, chega até o teu coração.

19 Minhas entranhas, minhas entranhas! Eu torço-me em dores. Paredes do meu coração! O meu coração aflige-se em mim. Não posso calar, porque ouviste, ó minha alma, a voz da trombeta, o alarido da guerra.

20 Proclama-se destruição sobre destruição, porque despojada está a terra toda; de repente, são destruídas as minhas tendas, e, num momento, as minhas cortinas.

21 Até quando verei o estandarte e ouvirei a voz da trombeta?

22 Pois o meu povo é néscio, a mim não me conhecem; são filhos insensatos e não têm entendimento; sábios são para fazerem o mal, porém não sabem fazer o bem.

23 Olhei para a terra, e eis que era sem forma e vazia; e para os céus, e não havia neles luz.

24 Olhei para os montes, e eis que tremiam, e todos os outeiros se agitavam.

25 Olhei, e eis que não havia homem, e todas as aves do céu tinham fugido.

26 Olhei, e eis que a terra de jardins era um deserto, e todas as suas cidades estavam demolidas diante de Jeová e diante do ardor da sua ira.

27 Pois assim diz Jeová: Desolada ficará a terra toda; contudo, não a destruirei totalmente.

28 Por isso, pranteará a terra, e se enegrecerão os céus de cima; porque falei, resolvi e não me arrependi, nem disso desistirei.

29 Foge a cidade toda por causa do tumulto dos cavaleiros e flecheiros; entram os homens nas ramadas e trepam pelos penhascos; todas as cidades ficam desamparadas, e ninguém habita nelas.

30 Tu, sendo despojada, que farás? Embora te vistas de escarlate, embora te enfeites de adornos de ouro, embora pintes os teus olhos com o antimônio, em vão te enfeitas; desprezam-te os teus amantes, procuram tirar-te a vida.

31 Pois ouvi uma voz como a duma mulher que está de parto, angústia como a de quem dá à luz o seu primogênito, a voz da filha de Sião, que está ofegante, que estende as mãos, dizendo: Ai de mim agora! Porque a minha alma desfalece por causa dos assassinos.

Capítulo 5

1 Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede, agora, sabei e procurai nas suas praças a ver se podeis achar um homem, se há alguém que faça a justiça, que busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela.

2 Embora digam: Pela vida de Jeová, certamente, juram falso.

3 Ó Jeová, acaso, não atentam os teus olhos para a verdade? Feriste-os, porém não lhes doeu; consumiste-os, porém recusaram receber a correção; endureceram as suas faces mais que uma pedra; recusaram-se a voltar.

4 Disse eu: Certamente, eles são pobres, são insensatos; pois não sabem o caminho de Jeová nem o do seu Deus;

5 ir-me-ei aos grandes e com eles falarei; porque eles sabem o caminho de Jeová e o juízo do seu Deus. Porém estes, à uma, tinham quebrado o jugo, tinham rompido as ataduras.

6 Pelo que um leão do bosque os matará, um lobo dos desertos os despojará, um leopardo vigiará sobre as cidades deles; todo aquele que delas sair será despedaçado, porque muitas são as suas transgressões, e se têm multiplicado as suas apostasias.

7 Como pois te perdoarei? Teus filhos me abandonaram a mim e juraram por aqueles que não são deuses; quando eu os tinha fartado, cometeram adultério e, nas casas das meretrizes, ajuntaram-se em tropas.

8 Tornaram-se como cavalos de lançamento bem nutridos; cada um rinchava à mulher do seu próximo.

9 Acaso, não hei de castigar por causa dessas coisas? — diz Jeová; duma nação como esta não se há de vingar a minha alma?

10 Subi aos seus muros e derrubai-os; porém não a acabeis de todo; tirai as suas gavinhas, porque não são de Jeová.

11 Pois a casa de Israel e a casa de Judá se houveram aleivosamente contra mim, diz Jeová.

12 Negaram a Jeová e disseram: Não é ele; não nos sobrevirá o mal; nem veremos espada nem fome.

13 Os profetas tornar-se-ão vento, e a palavra não está neles. Assim se lhes fará.

14 Portanto, assim diz Jeová, Deus dos Exércitos: Porquanto proferis esta palavra, eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca e, em lenha, este povo, e aquele os devorará.

15 Eis que trarei sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz Jeová; é uma nação imperecível, uma nação antiga, uma nação cuja língua não sabes, nem entendes o que dizem.

16 A sua aljava é um sepulcro aberto, todos eles são valentes.

17 Comerão a tua seara e o teu pão, que teus filhos e tuas famílias deviam comer; comerão os teus rebanhos e os teus gados; comerão as tuas vides e as tuas figueiras; e com a espada derrubarão as tuas cidades fortificadas, em que confias.

18 Porém, ainda naqueles dias, não vos acabarei de todo.

19 Quando disserdes: Por que nos tem feito Jeová, nosso Deus, todas essas coisas? Então, lhes responderás: Como me abandonastes e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros em terra que não é vossa.

20 Anunciai isto na casa de Jacó e fazei-o ouvir em Judá, dizendo:

21 Ouvi isto, povo insensato e sem entendimento; que tendes olhos e não vedes; que tendes ouvidos e não ouvis:

22 Acaso, não me temeis? — diz Jeová; não tremereis diante de mim, que, por um decreto perpétuo, pus a areia para o limite do mar, limite que ele não pode passar? Ainda que se agitem as suas ondas, contudo, não podem prevalecer; ainda que bramem, não a podem ultrapassar.

23 Mas este povo tem um coração refratário e rebelde; já se rebelaram e se foram.

24 Nem dizem no seu coração: Temamos a Jeová, nosso Deus, que, no tempo próprio, nos dá a chuva, tanto a primeira como a última, e que nos reserva as semanas determinadas da ceifa.

25 As vossas iniquidades desviaram essas coisas, e os vossos pecados apartaram de vós o bem.

26 Pois entre o meu povo se acham iníquos; eles vigiam, como espreitam os passarinheiros; armam laços, apanham homens.

27 Como uma gaiola se enche de aves, assim as suas casas estão cheias de dolo; por isso, se engrandeceram e enriqueceram.

28 Têm-se engordado, estão nédios; ultrapassam em feitos de malícia; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que estes sejam prósperos; nem julgam a causa dos necessitados.

29 Acaso, não hei de castigar por causa destas coisas? — diz Jeová; duma nação como esta não se há de vingar a minha alma?

30 Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na terra:

31 os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por meio deles; e o meu povo assim o quer. Que fareis no fim disso?

Capítulo 6

1 Do meio de Jerusalém levai, filhos de Benjamim, os vossos bens para um lugar seguro; tocai a trombeta em Tecoa e levantai o estandarte sobre Bete-Haquerém, porque da banda do Norte aparece um mal e uma grande destruição.

2 Quanto à mulher formosa e delicada, à filha de Sião, eu a exterminarei.

3 A ela virão pastores com os seus rebanhos; contra ela armarão ao redor as suas tendas; e cada um apascentará no seu lugar.

4 Preparai contra ela a guerra; levantai-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de nós! Porque já declina o dia, porque as sombras da tarde se dilatam.

5 Levantai-vos, e subamos de noite e destruamos os seus palácios.

6 Pois assim disse Jeová dos Exércitos: Cortai as suas árvores e levantai uma tranqueira contra Jerusalém. Esta é a cidade que foi visitada por dentro; ela está cheia de opressão.

7 Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela conserva fresca a sua malícia; a violência e o despojo se ouvem nela; diante de mim estão sem cessar a enfermidade e as feridas.

8 Deixa-te ser admoestada, Jerusalém, para que não se aparte de ti a minha alma, para que eu não te torne em desolação e em terra não habitada.

9 Assim diz Jeová dos Exércitos: Na verdade, rabiscarão como uma vinha o resto de Israel; torna a tua mão, como vindimador, às gavinhas.

10 A quem falarei e darei testemunho, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncidados e eles não podem escutar; eis que a palavra de Jeová se lhes tornou em opróbrio; nela não têm prazer.

11 Por isso, estou cheio do furor de Jeová; estou cansado de me conter. Derrama-o sobre os meninos na rua e juntamente sobre a assembleia dos mancebos. Pois o marido será tomado com a mulher, o velho, com o que está cheio de dias;

12 as suas casas passarão a outros, os campos e igualmente as mulheres, porque estenderei a minha mão sobre os habitantes da terra, diz Jeová.

13 Desde o menor até o maior deles, cada um se entrega à cobiça; e, desde o profeta até o sacerdote, cada um procede perfidamente.

14 Também curam superficialmente o mal do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.

15 Serão envergonhados, por terem cometido abominação, esses que de maneira alguma sentem vergonha, nem tampouco sabem que coisa é confundir-se. Portanto, cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar, tropeçarão, diz Jeová.

16 Assim diz Jeová: Ponde-vos nos caminhos, vede e perguntai pelas antigas veredas, onde está o bom caminho; andai nele e achareis descanso para as vossas almas. Mas disseram: Não andaremos nele.

17 Eu pus sobre vós atalaias, dizendo: Escutai o som da trombeta; mas disseram: Não escutaremos.

18 Portanto ouvi, ó nações, e informa-te, ó congregação, do que se acha entre eles.

19 Ouve, terra. Eis que vou trazer calamidades sobre este povo, a saber, o fruto dos seus pensamentos, porque não escutaram as minhas palavras e rejeitaram a minha lei.

20 Para que, pois, me vem de Sabá o incenso, e dum país remoto a cana aromática? Os vossos holocaustos não me são aceitos, nem os vossos sacrifícios me são agradáveis.

21 Portanto, assim diz Jeová: Eis que vou pôr tropeços diante deste povo, e tropeçarão neles juntamente os pais e os filhos; o vizinho e o seu amigo perecerão.

22 Assim diz Jeová: Eis que da terra do Norte vem um povo, e dos últimos confins da terra será suscitada uma grande nação.

23 Trazem arco e escudo; são cruéis e não têm misericórdia; a voz deles brama como o mar, e montam em cavalos, disposto cada um como homem de guerra contra ti, filha de Sião.

24 Temos ouvido a fama disso: afrouxam-se as nossas mãos; apoderaram-se de nós a angústia e as dores como as da mulher que está de parto.

25 Não saiais ao campo, nem andeis pelo caminho, porque ali está a espada do inimigo, e há terror por todos os lados.

26 Ó filha do meu povo, cinge-te de saco e revolve-te na cinza; toma luto como por um filho único, pranto amargosíssimo; porque de repente virá sobre nós o despojador.

27 Por averiguador e fortaleza te pus entre o meu povo, para que saibas e examines o seu caminho.

28 Todos eles são sobremaneira refratários, andam espalhando calúnias, são cobre e ferro; todos eles procedem aleivosamente.

29 Sopram a fole, consumido está do fogo o chumbo; debalde, continuam a fundição, porque os iníquos não são separados.

30 Prata de refugo lhes chamarão, porque Jeová os refugou.

Capítulo 7

1 A Palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias, dizendo:

2 Põe-te em pé na porta da Casa de Jeová, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra de Jeová, todo Judá que entrais por estas portas para adorardes a Jeová.

3 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Emendai os vossos caminhos e os vossos feitos, e vos farei habitar neste lugar.

4 Não confieis em palavras mentirosas, dizendo: Templo de Jeová, templo de Jeová é este.

5 Se emendardes radicalmente os vossos caminhos e os vossos feitos; se deveras executardes o juízo entre um homem e o seu próximo;

6 se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão e a viúva e não derramardes neste lugar o sangue inocente, nem, em prejuízo vosso, andardes após outros deuses,

7 então, vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.

8 Eis que vós confiais em palavras mentirosas, que não vos podem aproveitar.

9 Acaso, furtareis, matareis, cometereis adultério, jurareis falso, queimareis incenso a Baal e andareis após outros deuses a quem não conhecestes,

10 e vireis a apresentar-vos diante de mim nesta casa, que é chamada do meu nome, e direis: Somos livres, para que pratiqueis todas estas abominações?

11 Esta casa, que é chamada do meu nome, porventura, se tornou aos vossos olhos um covil de salteadores? Eis que eu, eu o vi, diz Jeová.

12 Pois ide, agora, ao meu lugar que estava em Siló, onde no princípio fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz por causa da maldade do meu povo de Israel.

13 Agora, porque fizestes todas essas obras, diz Jeová, porque eu vos falei, levantando-me cedo e falando, mas vós não ouvistes; porque vos chamei, porém não respondestes;

14 portanto, como fiz a Siló, assim farei à casa que é chamada do meu nome, e em que vós confiais, e ao lugar que vos dei a vós e a vossos pais.

15 Lançar-vos-ei de diante da minha face, como lancei a todos os vossos irmãos, a toda a linhagem de Efraim.

16 Tu, pois, não rogues por este povo, não levantes por ele clamor nem oração, não me importunes, porque te não escutarei.

17 Acaso, não vês tu o que fazem nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?

18 Os filhos ajuntam lenha, os pais acendem fogo, e as mulheres preparam massas para fazerem tortas à rainha do céu e oferecerem libações a outros deuses, afim de me provocarem à ira.

19 Acaso, eles a mim me provocam à ira? — diz Jeová; não se provocam a si mesmos à confusão do seu rosto?

20 Portanto, assim diz o Senhor Jeová: Eis que a minha ira e o meu furor serão derramados sobre este lugar, e sobre os homens, e sobre os animais, e sobre as árvores do campo, e sobre os frutos da terra; acender-se-á e não se apagará.

21 Assim diz Jeová dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei carne.

22 Pois no dia em que os tirei da terra do Egito não falei com vossos pais, não lhes dei mandamento acerca de holocaustos ou sacrifícios;

23 mas dei-lhes este mandamento, dizendo: Escutai a minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai por todo o caminho que vos ordeno, para que te vá bem.

24 Porém não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram para trás em vez de irem para diante.

25 Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até o dia de hoje, tenho-vos enviado todos os meus servos, os profetas, levantando-me cedo cada dia e enviando-os.

26 Contudo, não me escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz: fizeram pior que seus pais.

27 Dir-lhes-ás todas estas palavras, porém não te escutarão; chamá-los-ás, porém não te responderão.

28 Dir-lhes-ás: Esta é a nação que não escutou a voz de Jeová, seu Deus, nem recebeu instrução; já pereceu a verdade, e está exterminada da boca deles.

29 Corta os teus cabelos, Jerusalém, e lança-os fora, e levanta um pranto sobre os altos escalvados; porque Jeová rejeitou e desamparou a geração, objeto do seu furor.

30 Pois os filhos de Judá fizeram o que é mau aos meus olhos, diz Jeová; puseram as suas abominações na casa, que é chamada do meu nome, para a profanarem.

31 Edificaram os altos de Tofete, que está no vale do filho de Hinom, para queimarem no fogo seus filhos e suas filhas, coisa que não ordenei, nem me veio à mente.

32 Portanto, eis que vêm os dias, diz Jeová, em que não se chamará mais Tofete, nem vale do filho de Hinom, mas vale de matança; e enterrarão em Tofete, por não haver mais outro lugar.

33 Os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves do céu, e aos animais da terra; e ninguém os enxotará.

34 Então, das cidades de Judá e das ruas de Jerusalém farei cessar a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva; porque a terra se converterá em ermo.

Capítulo 8

1 Naquele tempo, diz Jeová, tirarão fora dos seus sepulcros os ossos dos reis de Judá, e os ossos dos príncipes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalém.

2 Expô-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem eles amaram, e a quem serviram, e após quem andaram, e a quem buscaram, e a quem adoraram; não serão recolhidos, nem sepultados; serão por esterco sobre a face da terra.

3 Escolherão antes a morte que a vida todos os que ficarem dessa malvada família, em todos os lugares para onde os arrojei, diz Jeová dos Exércitos.

4 Também lhes dirás: Assim diz Jeová: Porventura, cairão os homens e não se levantarão? Acaso, o que se desvia não voltará?

5 Por que, pois, apostatou este povo de Jerusalém com uma perpétua apostasia? Ele retém o engano, recusa-se a voltar.

6 Eu escutei e ouvi, mas não falam o que é reto; ninguém se arrepende da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se volta para a sua carreira, como um cavalo que, na batalha, corre a toda a brida.

7 A cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; a rola, a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece a ordenação de Jeová.

8 Como dizeis: Nós somos sábios, e a lei de Jeová está conosco? Mas, na verdade, eis que a falsa pena dos escribas a converteu em mentira.

9 Os sábios são envergonhados, espantados e presos; rejeitaram a palavra de Jeová, e que sabedoria é essa que eles têm?

10 Portanto, darei suas mulheres a outros, e os seus campos, aos que hão de possuí-los; porque, desde o menor até o maior, cada um está entregue à cobiça; desde o profeta até o sacerdote, cada um procede aleivosamente.

11 Eles curam superficialmente o mal da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz, quando não há paz.

12 Serão envergonhados, por terem cometido abominação, esses que de maneira alguma sentem vergonha, nem tampouco sabem que coisa é confundir-se. Portanto, cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar, tropeçarão, diz Jeová.

13 Eu os consumirei de todo, diz Jeová; não haverá uvas na vide, nem figos, na figueira, e murchará a folha; o que lhes tenho dado deles passará.

14 Por que nos sentamos quietos? Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas e ali nos calemos, porque Jeová, nosso Deus, nos fez calar e nos deu a beber água de fel, porque pecamos contra Jeová.

15 Aguardamos a paz, porém não chegou bem algum; e o tempo da cura, e eis o pavor!

16 Já desde Dã se ouve o ronco dos seus cavalos; à voz dos rinchos dos seus ginetes, estremece a terra toda; porque vieram e devoraram a terra e quanto nela havia, a cidade e os que nela habitavam.

17 Pois eis que vou enviar entre vós serpentes, basiliscos contra os quais não há encantamentos; eles vos morderão, diz Jeová.

18 Oxalá que eu pudesse confortar-me contra a tristeza; o meu coração desfalece dentro de mim.

19 Eis a voz do clamor da filha do meu povo desde a terra que está mui remota: Porventura, não está Jeová em Sião? Não está nela o seu Rei? Por que me provocaram à ira as suas imagens esculpidas e com estranhas vaidades?

20 Já se passou a ceifa, já se acabou o verão, e nós não estamos salvos.

21 Quebrantado estou pelo mal da filha do meu povo; estou de luto; o espanto apoderou-se de mim.

22 Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não se acha lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?

Capítulo 9

1 Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas, para que eu chorasse de dia e de noite os mortos da filha do meu povo!

2 Oxalá eu tivesse no deserto um albergue de viandantes, para poder deixar o meu povo e me apartar deles! Porque todos eles são adúlteros, assembleia de prevaricadores.

3 Com dolo, encurvam a sua língua como o seu arco; e não é com fidelidade que se tornam fortes na terra, porque passam de maldade em maldade e não me conhecem, diz Jeová.

4 Guardai-vos cada um do seu próximo e não vos fieis de nenhum irmão, porque cada irmão se tornará de todo um suplantador, e cada próximo andará caluniando.

5 Zombarão, cada um do seu próximo, e não falarão a verdade; ensinaram a sua língua a proferir mentiras, cansam-se em praticar a iniquidade.

6 A tua habitação está no meio do dolo, com dolo recusam-se à conhecer-me, diz Jeová.

7 Portanto, assim diz Jeová dos Exércitos: Eis que eu os fundirei e os provarei, pois que outra coisa faria eu a respeito da filha do meu povo?

8 A língua deles é flecha mortífera; ela fala o engano. Com a boca, fala o homem paz ao seu próximo, mas no coração arma-lhe ciladas.

9 Acaso, não hei de castigar por causa dessas coisas? — diz Jeová; de uma nação como esta não se há de vingar a minha alma?

10 Pelos montes, romperei em choro e pranto e, pelos pastos do deserto, em lamento, porque foram abrasados, de maneira que ninguém passe por ali; ali, não se pode ouvir o berro do gado; já, desde as aves dos céus até os animais, fugiram e se foram.

11 Farei de Jerusalém montões, morada de chacais; e das cidades de Judá farei uma desolação, sem ficarem nela habitantes.

12 Quem é o homem sábio, que entenda isso? E a quem falou a boca de Jeová, para que o publique? Por que razão pereceu a terra e foi abrasada como um deserto, de maneira que ninguém passe por ela?

13 Jeová diz: Porque abandonaram a minha lei, que lhes pus diante, e não obedeceram à minha voz, nem andaram nela,

14 mas andaram após a obstinação do seu coração e após os Baalins, coisa que lhes ensinaram seus pais;

15 portanto, assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que alimentarei a este povo com absinto e lhe darei de beber água de fel.

16 Também os espalharei por entre as nações que nem eles nem seus pais conheceram; e enviarei após eles a espada até que os tenha consumido.

17 Assim diz Jeová dos Exércitos: Considerai, e chamai as carpideiras, para que venham, e mandai buscar as que são hábeis, para que venham.

18 Apressem-se e principiem o lamento sobre nós, para que destilem lágrimas os nossos olhos, e as nossas pálpebras se desfaçam em água.

19 Pois de Sião se ouve uma voz de pranto. Como somos despojados! Estamos sobremaneira confundidos, por termos deixado a terra, por terem eles derrubado as nossas casas.

20 Contudo, ouvi, mulheres, a palavra de Jeová, e recebam os vossos ouvidos a palavra da sua boca, e ensinai a vossas filhas o pranto, e cada uma, à sua vizinha, o lamento.

21 Pois a morte subiu pelas nossas janelas, entrou em nossos palácios, para exterminar das ruas as crianças e das praças os mancebos.

22 Fala: Assim diz Jeová: Os cadáveres dos homens cairão como esterco sobre a face do campo e como gavela, por detrás do ceifador, e ninguém os recolherá.

23 Assim diz Jeová: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas;

24 mas nisto se glorie aquele que se gloria: em entender e em me conhecer, que eu sou Jeová, que faço benignidade, juízo e justiça sobre a terra; porque nessas coisas me deleito, diz Jeová.

25 Eis que vêm os dias, diz Jeová, em que hei de castigar a todos os que são circuncidados no seu prepúcio:

26 ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que têm o cabelo cortado em redondo, os quais habitam no deserto. Pois todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel vem a ser uns incircuncisos de coração.

Capítulo 10

1 Ouvi a palavra que Jeová vos fala, casa de Israel.

2 Assim diz Jeová: Não aprendais o caminho das nações e não vos espanteis dos sinais do céu, pois deles se espantam as nações.

3 Pois os costumes dos povos são vaidade. O ídolo é apenas um madeiro que se corta do bosque, obra das mãos do artífice que o trabalhou com o machado.

4 Enfeitam-no com prata e com ouro; com pregos e a marteladas o firmam, para que não se abale.

5 São como o espantalho num pepinal e não falam; necessitam de serem carregados porque não podem dar passo. Não tenhais medo deles, porque não podem fazer o mal, nem está neles o fazer o bem.

6 Ninguém é semelhante a ti, Jeová; grande és tu, e grande é o teu nome em poder.

7 Quem te não temeria, ó Rei das nações? Convém que sejas temido, porquanto, entre todos os sábios das nações e em todos os seus reinos, não há quem seja semelhante a ti.

8 Porém são, à uma, embrutecidos e se tornam insensatos; a instrução que os ídolos lhes dão é madeiro.

9 Há prata em chapas que se traz de Társis, e ouro, de Ufaz, obra do artífice e das mãos do ourives; de azul e de púrpura é a vestidura deles; todos eles são obra de homens peritos.

10 Porém Jeová é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei sempiterno. Ao seu furor, estremece a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação.

11 Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra perecerão da terra e de debaixo dos céus.

12 Ele fez a terra com o seu poder, estabeleceu o mundo com a sua sabedoria e, com o seu entendimento, estendeu os céus;

13 ao dar ele a sua voz, há um tumulto de águas nos céus, e faz subir das extremidades da terra os vapores; faz os relâmpagos para a chuva e, dos seus tesouros, faz sair o vento.

14 Todo homem tem-se embrutecido e não tem conhecimento; todo ourives é envergonhado pela imagem que ele esculpiu. Pois a imagem que ele fundiu é mentira, e nelas não há fôlego.

15 Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação, perecerão.

16 Não é semelhante a estes Aquele que é a Porção de Jacó; porque ele é o que forma todas as coisas; e Israel é a tribo da sua herança. Jeová dos Exércitos é o seu nome.

17 Tira do chão a tua trouxa, tu que moras em lugar cercado.

18 Pois assim diz Jeová: Eis que vou, agora, lançar para fora os habitantes da terra e os angustiarei, para que o sintam.

19 Ai de mim por causa do meu mal! Mui grande é a minha ferida. Mas eu disse: Certamente, enfermidade minha é esta, e eu a suportarei.

20 A minha tenda foi despojada, e todas as minhas cordas foram quebradas; meus filhos saíram de mim, já não existem: não há mais quem estenda a minha tenda e levante as minhas cortinas.

21 Pois os pastores se embruteceram e não consultaram a Jeová; por isso, não prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos.

22 Eis que vem o som dum rumor e um grande tumulto da terra do Norte, para fazer das cidades de Judá uma desolação, uma morada de chacais.

23 Eu sei, Jeová, que não é do homem o seu caminho, não depende do homem que anda o dirigir os seus passos.

24 Corrige-me, Jeová, porém com juízo; não na tua ira, para que não me reduzas a nada.

25 Derrama o teu furor sobre as gentes que não te conhecem e sobre as famílias que não invocam o teu nome, porque devoraram a Jacó, sim, o devoraram, e consumiram, e devastaram o lugar da sua habitação.

Capítulo 11

1 Eis a palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias, dizendo:

2 Ouvi as palavras desta aliança e fala aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém;

3 dize-lhes: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Maldito seja o homem que não ouvir as palavras desta aliança,

4 a qual ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: Obedecei à minha voz e fazei segundo tudo quanto vos ordeno; assim, vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus;

5 para que eu estabeleça o juramento que jurei a vossos pais, de lhes dar uma terra que manasse leite e mel, como é no dia de hoje. Então, respondi e disse: Amém, Jeová!

6 Disse-me Jeová: Proclama todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança e observai-as.

7 Pois com instância protestei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito até o dia de hoje, levantando-me cedo e protestando: Obedecei à minha voz.

8 Contudo, não obedeceram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram, cada um, na obstinação do seu mau coração; portanto, fiz vir sobre eles todas as palavras desta aliança, as quais lhes ordenei que observassem, porém não as observaram.

9 Disse-me mais Jeová: Uma conspiração se achou entre os homens de Judá e entre os habitantes de Jerusalém.

10 Tornaram às iniquidades de seus pais, que recusaram ouvir as minhas palavras; e já se foram após outros deuses, para os servir; a casa de Israel e a casa de Judá quebraram a minha aliança, que fiz com seus pais.

11 Por isso, assim diz Jeová: Eis que vou trazer sobre eles calamidades, de que não poderão escapar; clamarão a mim, porém não os escutarei.

12 Então, irão as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém e clamaram aos deuses aos quais queimarão incenso; mas estes não salvarão de maneira alguma no tempo da sua aflição.

13 Pois, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá; e, segundo o número das ruas de Jerusalém, tendes erigido altares a uma coisa vergonhosa, altares para queimardes incenso a Baal.

14 Portanto, não ores tu por este povo, nem por eles levantes clamor nem oração; porque eu não os ouvirei no tempo em que clamarem a mim por causa da sua aflição.

15 Que tem a minha amada a fazer na minha casa, visto que leva a efeito maus desígnios? Porventura, votos e carne santa poderão afastar de ti o mal? Ou por estes poderás escapar.

16 Jeová te pôs o nome de oliveira verde, formosa de belos frutos; mas, ao som dum grande tumulto, acendeu fogo nessa árvore, e os seus ramos são quebrados.

17 Pois Jeová dos Exércitos, que te plantou, acaba de pronunciar contra ti calamidades, por causa dos males da casa de Israel e da casa de Judá, que da sua parte fizeram, queimando incenso a Baal, para me provocarem à ira.

18 Jeová me fez saber, e eu o soube; então, me mostraste os feitos deles.

19 Mas eu era como um manso cordeiro que é levado ao matadouro; eu não soube que haviam formado contra mim desígnios, dizendo: Destruamos a árvore juntamente com o seu fruto e exterminemo-lo da terra dos viventes, para que não seja lembrado mais o seu nome.

20 Porém tu, Jeová dos Exércitos, que julgas retamente, que provas os rins e o coração, permite que eu veja a vingança que tomarás deles; porque a ti revelei a minha causa.

21 Portanto, assim diz Jeová acerca dos homens de Anatote, os quais procuram tirar-te a vida, dizendo: Não profetizarás em nome de Jeová, para que não morras às nossas mãos;

22 por isso, assim diz Jeová dos Exércitos: Eis que os castigarei; os mancebos morrerão à espada, seus filhos e suas filhas morrerão de fome,

23 e não lhes ficará um resto, pois farei vir calamidades sobre os homens de Anatote, a saber, o ano de serem eles visitados.

Capítulo 12

1 Justo és tu, Jeová, quando eu pleitear contigo; contudo, pleitearei a causa contigo. Por que prospera o caminho dos iníquos? Por que vivem em paz todos os que procedem aleivosamente?

2 Plantaste-os, e lançaram raízes; medraram, dão fruto; perto estás na boca deles, mas longe dos seus rins.

3 Porém tu, Jeová, me conheces; tu me vês e provas o meu coração para contigo. Arranca-os como ovelhas destinadas para o matadouro e prepara-os para o dia da matança.

4 Até quando lamentará a terra, e murchará a erva do campo todo? Por causa da maldade dos que nela habitam, consumidos foram os animais e as aves, porque disseram: Ele não verá o nosso fim.

5 Se, correndo com os que iam a pé, te fizeram cansar, então, como podes competir com os cavalos? Embora numa terra de paz estejas seguro, como hás de fazer na soberba do Jordão?

6 Pois até teus irmãos, e a casa de teu pai, até esses mesmos se houveram aleivosamente contigo; até esses clamaram após ti a grandes vozes. Não te fies deles, ainda que te dirijam boas palavras.

7 Deixei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha alma às mãos dos seus inimigos.

8 A minha herança tornou-se-me como leão no bosque; levantou a voz contra mim; por isso, eu a aborreço.

9 Acaso, é para mim a minha herança como uma ave de rapina de várias cores? Acaso, as aves de rapina se voltam contra ela de todos os lados? Ide, ajuntai todos os animais do campo, trazei-os para a devorarem.

10 Muitos pastores destruíram a minha vinha, calcaram aos pés a minha porção, fizeram da minha aprazível porção um ermo desolado.

11 Tornaram-na em desolação; ela, assolada, pranteia ao meu pesar. Toda a terra está devastada, porque ninguém toma isso a peito.

12 Sobre todos os altos escalvados do deserto são vindos despojadores, porque a espada de Jeová devora desde uma até outra extremidade da terra; não há paz para nenhuma carne.

13 Semearam trigo, mas ceifaram espinhos; cansaram-se, mas não recebem proveito algum. Envergonhados sereis dos vossos frutos por causa do ardor da ira de Jeová.

14 Assim diz Jeová acerca de todos os meus maus vizinhos, que tocam a herança que fiz herdar o meu povo de Israel: Eis que os arrancarei a eles da sua terra e arrancarei a casa de Judá do meio deles.

15 Depois de os ter eu arrancado, tornarei e me compadecerei deles; fá-los-ei voltar, cada um para a sua herança e cada um para a sua terra.

16 Se aprenderem diligentemente os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome… Pela vida de Jeová, assim como ensinaram o meu povo a jurar por Baal; serão edificados no meio do meu povo.

17 Porém, se não ouvirem, arrancarei essa nação, arrancando-a e destruindo-a, diz Jeová.

Capítulo 13

1 Assim me disse Jeová: Vai, compra-te um cinto de linho e põe-no sobre os teus lombos, porém não o metas na água.

2 Comprei, pois, um cinto conforme a palavra de Jeová e o pus sobre os meus lombos.

3 Pela segunda vez, veio-me a palavra de Jeová, dizendo:

4 Toma o cinto que compraste, o qual está sobre os teus lombos; levanta-te, vai ao Eufrates e esconde-o ali na fenda duma pedra.

5 Fui, pois, e escondi-o junto ao Eufrates, como Jeová me ordenou.

6 Passados muitos dias, disse-me Jeová: Levanta-te, vai ao Eufrates e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali.

7 Então, fui ao Eufrates, cavei e tomei o cinto do lugar em que o havia escondido; eis que já tinha apodrecido o cinto e para nada prestava.

8 Então, me veio a palavra de Jeová, dizendo:

9 Assim diz Jeová: Deste mesmo modo, farei apodrecer a soberba de Judá e muita soberba de Jerusalém.

10 Este povo mau, que recusa ouvir as minhas palavras, que anda na obstinação do seu coração e já se foi após outros deuses para os servir e para os adorar, será tal qual este cinto, que para nada presta.

11 Pois assim como se une o cinto aos lombos dum homem, assim fiz unir-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz Jeová, para que me fossem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória. Porém não quiseram ouvir.

12 Portanto, lhes dirás esta palavra: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Toda a vasilha se encherá de vinho; e responder-te-ão: Acaso, não sabemos que toda vasilha se encherá de vinho?

13 Então, lhes dirás: Assim diz Jeová: Eis que vou encher de embriaguez a todos os habitantes desta terra, isto é, aos reis que se assentam sobre o trono de Davi, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém.

14 Atirá-los-ei uns contra outros, os pais bem como os filhos, diz Jeová; não perdoarei, nem pouparei, nem serei movido de compaixão, nada me impedirá de os destruir.

15 Ouvi e dai ouvidos; não vos ensoberbeçais; porque Jeová falou.

16 Dai glória a Jeová, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecem os vossos pés nos montes tenebrosos, antes que mude a luz em sombra de morte, e a converta em escuridão, estando vós esperando por ela.

17 Mas, se o não ouvirdes, chorará em segredo a minha alma por causa da vossa soberba; os meus olhos chorarão amargamente e se desfarão em lágrimas, porque o rebanho de Jeová será levado cativo.

18 Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, sentai-vos no chão, porque da vossa cabeça já caiu a coroa da vossa glória.

19 Fechadas estão as cidades do Neguebe, e não há quem as abra; Judá, todo ele, é levado cativo, inteiramente cativo.

20 Levantai os vossos olhos e vede os que vêm do Norte; onde está o rebanho que te foi confiado, o teu lindo rebanho?

21 Que dirás, quando ele puser por cabeça sobre ti os que ensinaste a serem teus amigos? Não te tomarão as dores, como as duma mulher que está de parto?

22 Se disseres no teu coração: Por que me sobrevieram essas coisas? Pela grandeza da tua iniquidade foram descobertas as tuas fraldas, e fez-se violência aos teus calcanhares.

23 Acaso, pode o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas malhas? Então, podereis também vós fazer o bem, os quais sois acostumados a fazer o mal.

24 Por isso, os espalharei como o restolho que passa arrebatado pelo vento do deserto.

25 Esta é a tua sorte, a porção que te é medida por mim, diz Jeová, porque te esqueceste de mim e confiaste na mentira.

26 Portanto, também eu levantarei as tuas fraldas sobre o teu rosto, e aparecerá a tua vergonha.

27 Tenho visto as tuas abominações sobre os outeiros no campo, a saber, os teus adultérios, os teus rinchos, e a luxúria da tua prostituição. Ai de ti, Jerusalém! Quanto tempo haverá ainda, antes que te purifiques?

Capítulo 14

1 A palavra de Jeová que veio a Jeremias a respeito da seca.

2 Pranteia Judá, e desfalecem as suas portas, sentam-se de luto no chão, e já subiu o clamor de Jerusalém.

3 Os seus nobres enviam os seus inferiores procurar água. Estes vão aos poços e não acham água; voltam com os seus cântaros vazios, ficam envergonhados e confundidos e cobrem as suas cabeças.

4 Por não ter caído chuva sobre a terra, esta se fende, e, por esse motivo, ficam envergonhados os lavradores e cobrem as suas cabeças.

5 Até a veada no campo pare e abandona a sua cria, porque não há relva.

6 Os asnos selvagens põem-se nos altos escalvados e, ofegantes, sorvem o ar como chacais; desfalecem os seus olhos, porque não há erva.

7 Ainda que as nossas iniquidades dão testemunho contra nós, opera tu, ó Jeová, por amor do teu nome, porque muitas são as nossas apostasias; contra ti temos pecado.

8 Ó Esperança de Israel, Salvador seu no tempo de aperto, porque serias tu como peregrino na terra e como um viandante que se desvia para passar a noite?

9 Por que serias como homem surpreendido, como um valente que não pode salvar? Contudo, tu, Jeová, estás no meio de nós, e somos chamados do teu nome; não nos desampares.

10 Assim diz Jeová a respeito deste povo: Gostam de andar errantes, não retêm os seus pés. Por isso, Jeová não os aceita; agora, se lembrará da iniquidade deles, e visitará os seus pecados.

11 Disse-me mais Jeová: Não ores por este povo para o bem seu.

12 Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor; quando oferecerem holocaustos e oblações, não os aceitarei; porém os consumirei pela espada, e pela fome, e pela peste.

13 Disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar.

14 Disse-me Jeová: Os profetas profetizam mentiras em meu nome. Não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; eles vos profetizam uma visão mentirosa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração.

15 Portanto, assim diz Jeová acerca dos profetas que profetizam em meu nome, acerca desses profetas que eu não enviei e que contudo dizem: Não haverá espada nem fome nesta terra. Esses profetas hão de ser consumidos à espada e à fome.

16 O povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas, porque derramarei sobre eles a sua maldade.

17 Dir-lhes-ás esta palavra: Derramem os meus olhos lágrimas de noite e de dia e não cessem de chorar, porque a virgem, filha do meu povo, sofreu uma grande brecha e foi mui gravemente ferida.

18 Se eu sair ao campo, eis os mortos à espada! Se eu entrar na cidade, eis os enfermos de fome! Porque tanto o profeta como o sacerdote vão rodeando a terra e não têm conhecimento.

19 Porventura, já, de todo, rejeitaste a Judá? Acaso, aborreceu a tua alma a Sião? Porque nos tens ferido, sem que haja para nós cura alguma? Aguardamos a paz, porém não chegou bem algum; e o tempo da cura, e eis o pavor!

20 Reconhecemos, Jeová, a nossa maldade e a iniquidade de nossos pais, porque contra ti havemos pecado.

21 Por amor do teu nome, não nos aborreças; não tragas opróbrio sobre o trono da tua glória. Lembra-te, não anules a tua aliança conosco.

22 Acaso, entre as vaidades das gentes, há quem possa fazer vir a chuva? Ou podem os céus dar chuvas? Não és tu, Jeová, nosso Deus, o que fazes isso? Portanto, por ti esperaremos. Pois tu tens feito todas essas coisas.

Capítulo 15

1 Disse-me Jeová: Ainda que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, todavia, a minha alma não poderia estar com este povo; lança-os de diante de mim, e saiam.

2 Quando te perguntarem: Para onde sairemos? Então, lhes responderás: Assim diz Jeová: O que é para a morte, para a morte; o que é para a espada, para a espada; o que é para a fome, para a fome; e o que é para o cativeiro, para o cativeiro.

3 Porei sobre eles quatro sortes de castigo, diz Jeová: a espada para matar, e os cães para dilacerarem, e as aves do céu e os animais para devorarem e destruírem.

4 Farei que sejam um espetáculo horrendo a todos os reinos da terra, por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, e por causa do que fez em Jerusalém.

5 Pois quem se compadecerá de ti, Jerusalém? Quem se condoerá de ti? Ou quem se desviará para perguntar pela tua paz?

6 Tu me rejeitaste, diz Jeová, voltaste para trás; por isso, estendi a minha mão contra ti e te destruí; cansado estou de me arrepender.

7 Eu os cirandei com a pá nas portas da terra; já desfilhei, já destruí o meu povo; não voltaram dos seus caminhos.

8 As suas viúvas se me têm multiplicado mais do que a areia dos mares; fiz vir sobre eles, até sobre a mãe de mancebos, um despojador ao meio-dia; fiz cair de repente sobre ela angústia e pavor.

9 Desfalece a que teve sete filhos; exalou o seu espírito, já se pôs o seu sol enquanto ainda era dia; ficou envergonhada e confundida. Os que ficaram deles, entregá-los-ei à espada diante dos seus inimigos, diz Jeová.

10 Ai de mim, minha mãe! Porque me deste à luz homem de rixas e homem de contendas para a terra toda! Nunca lhes dei dinheiro à usura, nem me deram a mim à usura; contudo, cada um deles me amaldiçoa.

11 Jeová disse: Na verdade, te fortalecerei para o bem; na verdade, farei que o inimigo te suplique no tempo de calamidade e no tempo de aflição.

12 Acaso, pode alguém quebrar o ferro, o ferro do Norte, e o bronze?

13 A tua substância e os teus tesouros, eu os darei sem preço ao saque, por todos os teus pecados e em todos os teus termos.

14 Farei que passes com os teus inimigos para uma terra que não sabes; porque o fogo se ateou na minha ira e sobre vós arderá.

15 Tu sabes, Jeová; lembra-te de mim, visita-me e vinga-me dos meus perseguidores; pela tua longanimidade, não me arrebates, eu te peço. Sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas.

16 Acharam-se as tuas palavras, e eu as comi; e as tuas palavras eram para mim o gozo e a alegria do meu coração. Pois sou chamado do teu nome, Jeová, Deus dos Exércitos.

17 Não me sentei na assembleia dos que se alegram, nem me regozijei; sentei-me a sós por causa da tua mão, pois me encheste de indignação.

18 Por que é perpétua a minha dor, e, incurável, a minha ferida, que se recusa a ser curada? Acaso, ser-me-ás como um ribeiro enganoso, como águas que não são fiéis?

19 Portanto, assim diz Jeová: Se te tornares, então, te farei voltar, para que te apresentes diante de mim; e, se tirares do vil o precioso, serás como a minha boca; voltar-se-ão eles para ti, mas tu não te voltarás para eles.

20 Dar-te-ei a este povo por um muro fortificado e de bronze; eles pelejarão contra ti, porém contra ti não prevalecerão, porque eu sou contigo para te salvar e para te livrar, diz Jeová.

21 Livrar-te-ei das mãos dos iníquos e remir-te-ei das mãos dos terríveis.

Capítulo 16

1 Veio a mim a palavra de Jeová, dizendo:

2 Não tomarás mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar.

3 Pois acerca dos filhos e acerca das filhas que nascem neste lugar, e acerca das mães que os deram à luz, e acerca dos pais que os geraram nesta terra, assim diz Jeová:

4 De mortes terríveis morrerão; não serão lamentados, nem enterrados; serão como esterco sobre a face da terra. Serão consumidos à espada e de fome; os seus cadáveres servirão de pasto para as aves do céu e para os animais da terra.

5 Pois assim diz Jeová: Não entreis na casa de luto, nem vás a lamentá-los, nem te compadeças deles, porque deste povo, diz Jeová, já tirei a minha paz, a saber, a benignidade e terna compaixão.

6 Morrerão nesta terra tanto grandes como pequenos: não serão enterrados, não serão lamentados, não se farão por eles incisões, nem por eles se raparão os cabelos.

7 Quando estiverem de luto, não se repartirá pão entre eles, para os consolar sobre os mortos; nem se lhes dará a beber o copo da consolação por seu pai ou sua mãe.

8 Não entrarás na casa do banquete para te sentares com eles a comer e a beber.

9 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que, perante os vossos olhos e em vossos dias, vou fazer cessar deste lugar a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva.

10 Quando anunciares a este povo todas essas palavras, e te disserem: Para que pronunciou Jeová contra nós todo este grande mal? Ou qual é a nossa iniquidade? Ou qual é o nosso pecado, que cometemos contra Jeová, nosso Deus?

11 Então, lhes responderás: Porque vossos pais me abandonaram, diz Jeová; porque andaram após outros deuses, os serviram e os adoraram; porque me abandonaram e não guardaram a minha lei.

12 Vós fizestes o mal ainda mais do que vossos pais; pois eis que andais, cada um após a obstinação do seu mau coração, de modo que não me escuteis.

13 Portanto, eu vos lançarei fora desta terra para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais; ali, servireis a outros deuses de dia e de noite; pois não concederei favor algum.

14 Portanto, eis que vêm os dias, diz Jeová, em que não se dirá mais: Pela vida de Jeová, que tirou da terra do Egito os filhos de Israel;

15 mas, sim: Pela vida de Jeová, que tirou os filhos de Israel da terra do Norte, bem como de todos os países para onde os tinha lançado. Fá-los-ei voltar para a sua terra, que dei a seus pais.

16 Eis que mandarei vir muitos pescadores, diz Jeová, e eles os pescarão; depois, mandarei vir muitos caçadores, e eles os caçarão de todos os montes e de todos os outeiros, e das fendas dos penhascos.

17 Pois os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; não se acham eles escondidos da minha face, nem está a sua iniquidade encoberta aos meus olhos.

18 Primeiramente, pagarei em dobro a sua iniquidade e o seu pecado, porque contaminaram a minha terra com os cadáveres das suas coisas detestáveis e encheram das suas abominações a minha herança.

19 Ó Jeová, força minha, e fortaleza minha, e meu refúgio no dia da angústia, a ti virão as nações desde as extremidades da terra e dirão: Nossos pais herdaram tão somente mentiras, vaidades e coisas em que não há proveito.

20 Porventura, fará um homem para si deuses, que, contudo, não são deuses?

21 Portanto, eis que os farei conhecer, sim, desta vez os farei conhecer a minha mão e o meu poder; e saberão que o meu nome é Jeová.

Capítulo 17

1 O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com a ponta dum diamante; gravado está na tábua do seu coração e nos chifres dos vossos altares.

2 enquanto os seus filhos se lembram dos seus altares, e dos seus Aserins junto às árvores frondosas, sobre os altos outeiros.

3 Ó meu monte que te elevas sobre o campo, a tua substância e todos os teus tesouros, bem como os teus altos, dá-los-ei como despojo por causa do pecado, em todos os teus termos.

4 Tu abandonarás a tua herança que te dei, e farei que sirvas aos teus inimigos na terra que não conheces; porque ateaste um fogo na minha ira, o qual arderá para sempre.

5 Assim diz Jeová: Maldito é o homem que confia no homem, põe a carne por seu braço e cujo coração se desvia de Jeová!

6 Porque será como o junípero no deserto e não verá quando vier o bem; mas habitará nos lugares áridos do ermo, numa terra de salsugem e despovoada.

7 Bendito é o homem que confia em Jeová e de quem Jeová é a confiança!

8 Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes à margem dum ribeiro; não temerá quando vier o calor, mas a sua folha será verde; no ano de seca, não andará cuidadoso, nem deixará de dar fruto.

9 Enganoso é o coração acima de todas as coisas e gravemente enfermo; quem o poderá conhecer?

10 Eu, Jeová, esquadrinho o coração, provo os rins, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo o fruto dos seus feitos.

11 Como a perdiz que ajunta pintainhos que não são do seu ninho, assim é o que ajunta riquezas, porém não com direito; no meio dos seus dias, as deixará, e, no seu fim, se mostrará insensato.

12 Um trono de glória, exaltado desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.

13 Ó Jeová, Esperança de Israel! Todos os que te abandonarem serão envergonhados; os que se desviarem de ti, serão escritos sobre a terra, porque abandonaram a Jeová, fonte das águas vivas.

14 Cura-me, Jeová, e serei curado; salva-me, e serei salvo, porque tu és o meu louvor.

15 Eis que eles me dizem: Onde está a palavra de Jeová? Que venha agora!

16 Quanto a mim, não me apressei em deixar de ser pastor após ti, nem tampouco desejei o dia calamitoso; tu sabes; o que saiu dos meus lábios foi diante da tua face.

17 Não me sejas motivo de pavor; meu refúgio és tu no dia da calamidade.

18 Sejam envergonhados os que me perseguem, porém não seja eu envergonhado; assombrem-se eles, porém não me assombre eu; faze vir sobre eles o dia da calamidade e quebra-os com dobrado quebrantamento.

19 Assim me disse Jeová: Vai e põe-te na porta dos filhos do povo, pela qual entram os reis de Judá e pela qual saem, como também em todas as portas de Jerusalém,

20 e dize-lhes: Ouvi a palavra de Jeová, reis de Judá, e todo o Judá, e todos os habitantes de Jerusalém que entrais por estas portas.

21 Assim diz Jeová: Guardai-vos a vós mesmos e não queirais trazer cargas no dia do sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém;

22 nem das vossas casas tireis cargas no dia do sábado, nem façais trabalho algum; antes, santificai o dia do sábado, como ordenei a vossos pais.

23 Porém não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz, para não me ouvirem, para não receberem instruções.

24 Se diligentemente me ouvirdes, diz Jeová, para não introduzirdes cargas pelas portas desta cidade no dia do sábado, mas para santificardes o dia do sábado, sem fazerdes nele trabalho algum,

25 pelas portas desta cidade entrarão reis e príncipes, que se assentarão sobre o trono de Davi e andarão em carros e montados em cavalos, eles e os seus príncipes, os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém; e esta cidade permanecerá para sempre.

26 Virão das cidades de Judá, e dos contornos de Jerusalém, e da terra de Benjamim, e da planície, e da região montanhosa, e do Neguebe, trazendo à Casa de Jeová holocaustos, e sacrifícios, e oblações, e incenso, trazendo também sacrifícios de ação de graças.

27 Se, porém, não me ouvirdes para santificardes o dia do sábado e para no dia do sábado cessardes de trazer carga e entrar com ela pelas portas de Jerusalém; acenderei fogo nas portas dela, fogo que devorará os palácios de Jerusalém e não se apagará.

Capítulo 18

1 A palavra que veio da parte de Jeová a Jeremias, dizendo:

2 Levanta-te, desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.

3 Desci, pois, à casa do oleiro, e eis que ele estava ocupado com a sua obra sobre as rodas.

4 Quando se estragou nas suas mãos o vaso que o oleiro fazia de barro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos.

5 Então, veio a mim a palavra de Jeová, dizendo:

6 Acaso, não poderei fazer de vós, casa de Israel, como este oleiro? — diz Jeová. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.

7 No momento em que falar acerca duma nação e acerca de um reino, para arrancar, e para derrubar, e para destruir,

8 se aquela nação acerca da qual falei se converter do seu mal, arrepender-me-ei do mal que intentei fazer-lhe.

9 No momento em que falar acerca duma nação e acerca dum reino, para edificar e para plantar,

10 se fizer o mal diante dos meus olhos, não escutando a minha voz, arrepender-me-ei do bem que disse-lhe faria.

11 Fala, agora, aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém: Assim diz Jeová: Eis que vou forjar mal contra vós e formar um projeto contra vós; convertei-vos, pois, cada um do seu mau caminho, e emendai os vossos caminhos e os vossos feitos.

12 Mas eles dizem: Não há esperança; porque havemos de andar após os nossos projetos e havemos de fazer cada um conforme a obstinação do seu mau coração.

13 Portanto, assim diz Jeová: Perguntai entre as nações: Quem ouviu tais coisas? A virgem de Israel fez uma coisa sobremaneira horrenda.

14 Acaso, faltará da pedra do campo a neve do Líbano? Serão esgotadas as águas frias que vêm de longe?

15 Pois o meu povo se esqueceu de mim, queimando incenso à vaidade, que os fez tropeçar nos seus caminhos, nas antigas veredas, para andarem por atalhos, por um caminho não feito,

16 e para se tornar a terra deles em objeto de espanto e de perpétuos assobios. Todo o que passar por ela, ficará espantado e meneará a cabeça.

17 Como por um vento oriental, os espalharei diante do inimigo; mostrar-lhes-ei as costas e não a face, no dia da sua calamidade.

18 Então, disseram: Vinde, e formemos projetos contra Jeremias, porque do sacerdote não perecerá a lei, nem do sábio, o conselho, nem do profeta, a palavra. Vinde, e firamo-lo com a língua e não atendamos a nenhuma das suas palavras.

19 Atende-me, Jeová, e ouve a voz dos que pleiteiam comigo.

20 Acaso, se tornará mal por bem? Porque cavaram uma cova para a minha alma. Lembra-te de como me apresentei diante de ti para falar a favor deles e para apartar deles o teu furor.

21 Portanto, entrega seus filhos à fome e põe-nos no poder da espada; fiquem as suas mulheres sem filhos e viúvas, sejam os seus homens mortos de morte, e os seus membros, feridos à espada na peleja.

22 Seja ouvido o clamor que vem das suas casas, quando fizeres vir, de repente, tropas sobre eles; porque cavaram uma cova para me prenderem e esconderam laços para os meus pés.

23 Contudo, Jeová, tu sabes todo o seu conselho contra mim para me matar; não perdoes a sua iniquidade, nem apagues o seu pecado de diante da tua face. Mas sejam eles derrubados diante de ti; procede contra eles no tempo da tua ira.

Capítulo 19

1 Assim disse Jeová: Vai, e compra uma botija de barro de oleiro, e toma contigo dos anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes;

2 sai ao vale dos filhos de Hinom, que está junto à entrada da Porta Harsite, e proclama ali as palavras que eu te disser;

3 dize: Ouvi a palavra de Jeová, reis de Judá e habitantes de Jerusalém. Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que vou trazer calamidades sobre este lugar, e quem quer que as ouvir, retinir-lhe-ão os ouvidos.

4 Pois me abandonaram, e alienaram este lugar, e nele queimaram incenso a outros deuses, a quem não conheceram, nem eles, nem seus pais, nem os reis de Judá; e encheram este lugar do sangue de inocentes;

5 e edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocausto a Baal, o que não ordenei, nem falei, nem entrou na minha mente.

6 Por isso, eis que vêm os dias, diz Jeová, em que este lugar não será chamado mais Tofete, nem vale do filho de Hinom, mas vale de Matança.

7 Eu tornarei vão o conselho de Judá e de Jerusalém neste lugar; farei que caiam à espada diante dos seus inimigos e pela mão dos que procuram tirar-lhes a vida; e darei os seus cadáveres para pasto às aves do céu e aos animais da terra.

8 Farei esta cidade objeto de espanto e de assobios; todo o que passar por ela, ficará espantado e assobiará por causa de todas as pragas dela.

9 Fá-los-ei comer as carnes de seus filhos e as carnes de suas filhas, e comerão cada um as carnes do seu próximo, no cerco e no aperto em que os apertarão os seus inimigos e os que procuram tirar-lhes a vida.

10 Então, quebrarás a botija à vista dos homens que forem contigo

11 e lhes dirás: Assim diz Jeová dos Exércitos: Assim quebrarei este povo e esta cidade como quem quebra um vaso de oleiro, que não pode mais refazer-se; e enterrarão em Tofete, por não haver outro lugar para os enterrar.

12 Assim farei a este lugar e aos habitantes de Jerusalém, diz Jeová, e porei esta cidade como Tofete.

13 As casas de Jerusalém e as casas dos reis de Judá, que são contaminadas, serão como Tofete, a saber, todas as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a todo o exército do céu e ofereceram libações a outros deuses.

14 Voltou Jeremias de Tofete, aonde Jeová o tinha enviado a profetizar; e pôs-se em pé no átrio da Casa de Jeová e disse a todo o povo:

15 Assim disse Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que vou trazer sobre esta cidade e sobre todas as suas vilas todo o mal que falei contra ela, porque endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as minhas palavras.

Capítulo 20

1 Ora, Pasur, filho do sacerdote Imer, que era superintendente da Casa de Jeová, ouviu a Jeremias profetizando essas coisas.

2 Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no cepo que estava na porta superior de Benjamim, na Casa de Jeová.

3 No dia seguinte, Pasur tirou do cepo a Jeremias. Então, lhe disse Jeremias: Jeová não te pôs por nome Pasur, mas Magor-Missabibe.

4 Pois assim diz Jeová: Eis que te farei um espanto para ti mesmo e para todos os teus amigos; eles cairão pela espada dos seus inimigos, e os teus olhos o verão. Entregarei a todo o Judá nas mãos do rei de Babilônia, e ele os levará cativos para Babilônia e matá-los-á à espada.

5 Também entregarei todas as riquezas desta cidade, e todos os teus lucros, e todas as tuas coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis de Judá, entregá-los-ei nas mãos dos seus inimigos, que os despojarão, tomarão e levarão para Babilônia.

6 Tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro; ireis à Babilônia, e ali morrereis, e ali sereis sepultados, tu e todos os teus amigos, a quem profetizaste falsamente.

7 Seduziste-me, Jeová, e deixei-me seduzir; mais forte és tu do que eu e prevaleceste. Torno-me objeto de escárnio o dia todo, todos zombam de mim.

8 Pois, sempre que falo, clamo em alta voz; clamo: Violência e despojo! Porque a palavra de Jeová se me torna em opróbrio e em ludíbrio o dia todo.

9 Se eu disser: Não farei menção dele, nem falarei mais em seu nome, há no meu coração um como fogo ardente, encerrado nos meus ossos, e estou cansado de sofrer e não posso conter-me.

10 Pois tenho ouvido a difamação de muitos, há terror por todos os lados. Denunciai, e o denunciaremos, dizem todos os meus íntimos amigos, os que aguardam o meu manquejar; porventura, se deixará seduzir, e prevaleceremos contra ele e dele nos vingaremos.

11 Mas Jeová está comigo como um que é poderoso e terrível; portanto, tropeçarão os meus perseguidores e não prevalecerão. Porque não se houveram sabiamente, ficarão grandemente envergonhados, com perpétua desonra, que nunca será esquecida.

12 Mas tu, Jeová dos Exércitos, que provas o justo, que vês os rins e o coração, permite que veja eu a tua vingança contra eles; porque te revelei a minha causa.

13 Cantai a Jeová, louvai a Jeová; porque livrou da mão dos malfeitores a alma do necessitado.

14 Maldito seja o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à luz minha mãe!

15 Maldito seja o homem que levou, causando-lhe muita alegria, as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho varão!

16 Seja esse homem como as cidades que Jeová subverteu, sem se arrepender. Ouça ele um clamor pela manhã e um alarido ao meio-dia.

17 Por que não me matou no ventre? Assim minha mãe teria sido a minha sepultura e teria ficado para sempre grávida!

18 Por que saí do ventre para ver trabalho e tristeza, de sorte que os meus dias se consumissem de vergonha?

Capítulo 21

1 A palavra que veio da parte de Jeová a Jeremias, quando o rei Zedequias lhe enviou Pasur, filho de Malquias, e Sofonias, filho do sacerdote Maaseias, que dissessem:

2 Consulta a Jeová por nós, porque Nabucodonosor, rei de Babilônia, está fazendo guerra contra nós. Porventura, Jeová nos tratará segundo todas as suas obras maravilhosas, para que o rei se retire de nós.

3 Então, lhes respondeu Jeremias:

4 Assim direis a Zedequias: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Eis que tornarei para trás os instrumentos de guerra que estão nas vossas mãos, com os quais vós pelejais contra o rei de Babilônia e contra os caldeus, que vos cercam ao redor dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade.

5 Eu pelejarei contra vós com mão estendida e com braço forte, e em ira, e em furor, e em grande indignação.

6 Ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; e morrerão duma grande peste.

7 Depois, diz Jeová, entregarei nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e nas mãos dos seus inimigos, e nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida a Zedequias, rei de Judá, e seus servos, e o povo, todos quantos nesta cidade restarem da peste, da espada e da fome. Ele os passará ao fio da espada; não os poupará, nem se compadecerá, nem terá misericórdia.

8 A este povo dirás: Assim diz Jeová: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte.

9 O que ficar nesta cidade morrerá à espada, e de fome, e de peste; mas o que sair e for para os caldeus, que vos cercam, viverá, e a sua vida lhe será por despojo.

10 Pois pus o meu rosto contra esta cidade para mal e não para bem, diz Jeová; ela será entregue nas mãos do rei de Babilônia, e este a queimará com fogo.

11 No tocante à casa de Judá, ouvi a palavra de Jeová:

12 Ó casa de Davi, assim diz Jeová, executai juízo pela manhã e livrai das mãos do opressor aquele que foi despojado, para que não seja o meu furor como fogo e arda sem que haja quem o apague por causa da maldade dos vossos feitos.

13 Eis que sou contra ti, Moradora do vale e da Rocha do planalto, diz Jeová; contra vós que dizeis: Quem descerá contra nós? Ou quem entrará em nossas habitações?

14 Castigar-vos-ei segundo o fruto dos vossos feitos, diz Jeová; no bosque dela, acenderei fogo que devorará tudo o que está ao redor dela.

Capítulo 22

1 Assim diz Jeová: Desce à casa do rei de Judá, e fala ali esta palavra,

2 e dize: Ouve a palavra de Jeová, ó rei de Judá, que te sentas sobre o trono de Davi. Ouvi, tu, e os teus servos, e o teu povo, que entrais por estas portas.

3 Assim diz Jeová: Executai juízo e justiça e livrai das mãos do opressor aquele que foi despojado. Não façais mal, não façais violência ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não derrameis neste lugar sangue inocente.

4 Pois, se deveras fizerdes isso, pelas portas desta casa entrarão reis que se assentarão sobre o trono de Davi, que andarão em carros e montados em cavalos, eles, os seus servos e o seu povo.

5 Mas, se não ouvirdes estas palavras, juro por mim mesmo, diz Jeová, que esta casa se tornará uma desolação.

6 Pois assim diz Jeová acerca da casa do rei de Judá: Tu és Gileade para mim e a cabeça de Líbano; todavia, certamente, farei de ti um ermo, e cidades não habitadas.

7 Prepararei contra ti destruidores, cada um com as suas armas; eles cortarão os teus cedros escolhidos e lançá-los-ão no fogo.

8 Muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu próximo: Por que se houve Deus assim com esta grande cidade?

9 Responder-se-lhes-á: Porque abandonaram a Jeová, seu Deus, adoraram a outros deuses e os serviram.

10 Não choreis o morto, nem o lastimeis; mas chorai muito aquele que sai. Pois não voltará mais, nem verá a terra onde nasceu.

11 Porque assim diz Jeová acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de seu pai Josias, e que saiu deste lugar: Nunca mais voltará para cá;

12 mas, no lugar para onde o levaram cativo, ali morrerá e nunca mais verá esta terra.

13 Ai daquele que edifica a sua casa na iniquidade e as suas câmaras na injustiça! Que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo e não lhe dá o salário!

14 Que diz: Edificar-me-ei uma casa larga, e câmaras espaçosas, e que abre para si janelas, que de cedro forra a sua casa e a pinta de vermelhão.

15 Acaso, reinarás, porque tu procuras exceder no uso de cedro? Acaso, teu pai não comia, não bebia? Mas ele praticou o juízo e a justiça; então, tudo lhe corria bem.

16 Julgou a causa do pobre e necessitado; então, ia bem. Porventura, não é isso conhecer-me? — diz Jeová.

17 Pois os teus olhos e o teu coração atentam tão somente para a ganância, e para derramar sangue inocente, e para praticar a opressão e a violência.

18 Portanto, assim diz Jeová acerca de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não o lamentarão, dizendo: Ah, meu irmão! Nem: Ah, irmã! Não o lamentarão, dizendo: Ah, senhor! Nem: Ah, sua glória!

19 Com a sepultura dum jumento será ele sepultado, sendo arrastado e lançado fora das portas de Jerusalém.

20 Sobe ao Líbano e clama; em Basã, levanta a tua voz e clama desde Abarim, porque todos os teus amantes são destruídos.

21 Falei-te no tempo da tua prosperidade; mas disseste: Não ouvirei. Este tem sido o teu caminho desde a tua mocidade, o não obedeceres à minha voz.

22 O vento apascentará todos os teus pastores, e os teus amantes irão para o cativeiro; certamente, então, ficarás envergonhado e confundido, por causa de toda a tua maldade.

23 Ó tu, que habitas no Líbano e fazes o teu ninho nos cedros, quão digna de lástima serás, quando te vierem as dores, o sofrer como duma mulher que está de parto!

24 Pela minha vida, diz Jeová, ainda que Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, fosse o anel do selo na minha mão direita, contudo, dali te arrancaria.

25 Entregar-te-ei nas mãos dos que procuram tirar-te a vida e nas mãos daqueles a quem temes, a saber, nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e nas mãos dos caldeus.

26 A ti e a tua mãe, que te deu à luz, lançar-vos-ei para outro país, em que não nascestes; e ali morrereis.

27 Mas para a terra, para que a alma deles almeja voltar, para lá não voltarão.

28 Acaso, este homem Jeconias é algum vaso desprezado e quebrado? Acaso, é ele vaso de que ninguém se agrada? Porque foram lançados, ele e a sua linhagem, e arrojados para a terra que não conhecem?

29 Ó terra, terra, terra, ouve a palavra de Jeová.

30 Assim diz Jeová: Escreve que este homem não terá filhos, homem que não prosperará nos seus dias; pois nenhum da sua linhagem prosperará, sentado sobre o trono de Davi e reinando daqui em diante em Judá.

Capítulo 23

1 Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! — diz Jeová.

2 Portanto, assim diz Jeová, Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes o meu rebanho, e o afugentastes, e não o visitastes. Eis que visitarei sobre vós a maldade dos vossos feitos, diz Jeová.

3 De todos os países para onde os tiver afugentado, ajuntarei os que restam do meu rebanho e os farei voltar para as suas habitações; frutificarão e se multiplicarão.

4 Levantarei sobre eles pastores que os apascentarão. Nunca mais terão medo, nem se espantarão; nem do seu número faltará nenhum, diz Jeová.

5 Eis que vêm dias, diz Jeová, em que levantarei a Davi um Renovo justo, que como rei reinará, procederá sabiamente e executará o juízo e a justiça na terra.

6 Nos seus dias, será salvo Judá, e Israel habitará seguro; este é o nome de que será chamado: Jeová é a Nossa Justiça.

7 Portanto, vêm os dias, diz Jeová, em que nunca mais dirão: Pela vida de Jeová, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito;

8 mas: Pela vida de Jeová, que tirou e trouxe a linhagem da casa de Israel da terra boreal e de todos os países para onde eu os tinha arrojado; e habitarão na sua terra.

9 Acerca dos profetas. O meu coração está quebrantado dentro de mim, todos os meus ossos tremem; por causa de Jeová e por causa das suas santas palavras, estou feito como um homem bêbado e como um homem vencido do vinho.

10 Pois a terra está cheia de adúlteros. A terra chora por causa da maldição; os pastos do ermo se secam. A carreira dos adúlteros é má, e a sua força não é reta.

11 Pois tanto o profeta como o sacerdote são profanos; até na minha casa achei a sua maldade, diz Jeová.

12 Pelo que o seu caminho lhes será como lugares escorregadios nas trevas; serão impelidos e cairão nele, porque farei vir sobre eles males, o ano da sua visitação, diz Jeová.

13 Nos profetas da Samaria, vi o que causa desgosto; profetizavam em nome de Baal e faziam errar o meu povo de Israel.

14 Mas nos profetas de Jerusalém vi uma coisa horrorosa: cometem adultérios, e andam em mentiras, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se converta cada um da sua maldade. Todos eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores de Jerusalém, como Gomorra.

15 Portanto, assim diz Jeová dos Exércitos acerca dos profetas: Eis que os alimentarei de absinto e lhes darei de beber água de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação de toda a terra.

16 Assim diz Jeová dos Exércitos: Não escuteis as palavras dos profetas que vos profetizam a vós. Enchem-vos de vãs esperanças; falam a visão do seu coração e não segundo a boca de Jeová.

17 Dizem continuamente aos que me desprezam: Jeová falou: Vós tereis a paz; e a todo o que anda na obstinação do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós.

18 Pois quem assistiu no concílio de Jeová, para que percebesse e ouvisse a sua palavra? Quem escutou a minha palavra e a ouviu?

19 Eis que a tempestade de Jeová, seu furor, já saiu, uma tempestade remoinhosa; descarregar-se-á sobre a cabeça dos iníquos.

20 A ira de Jeová não retrocederá, até que tenha ele executado e até que tenha cumprido os desígnios do seu coração; nos últimos dias, entendereis isso perfeitamente.

21 Eu não enviei esses profetas; contudo, eles correram; eu não lhes falei; todavia, profetizaram.

22 Porém, se tivessem assistido no meu concílio, teriam feito o meu povo ouvir as minhas palavras e o teriam desviado do seu mau caminho e da maldade dos seus feitos.

23 Acaso, sou eu Deus de perto, diz Jeová, e não sou Deus de longe?

24 Pode alguém ocultar-se em lugares escondidos, que eu não o verei? — diz Jeová. Porventura, não encho eu o céu e a terra? — diz Jeová.

25 Tenho ouvido o que dizem os profetas que em meu nome profetizam mentiras, dizendo: Sonhei, sonhei.

26 Até quando se achará isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, dos profetas do engano do seu coração?

27 Os quais fazem que o meu povo se esqueça do meu nome pelos sonhos deles, que cada um conta ao seu próximo, assim como os seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal.

28 O profeta que tem um sonho conte um sonho; e o que tem a minha palavra fale a minha palavra fielmente. Que tem a palha com o trigo? — diz Jeová.

29 Acaso, não é a minha palavra como fogo? — diz Jeová; e como um martelo que faz as pedras em pedaços?

30 Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz Jeová, que furtam as minhas palavras cada um ao seu próximo.

31 Eis que eu sou contra os profetas, diz Jeová, que usam as suas línguas e dizem: Ele diz.

32 Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz Jeová, e os referem, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com a sua vã jactância; eu não os enviei, nem lhes dei ordem. Nada aproveitarão eles a este povo, diz Jeová.

33 Quando te perguntar este povo, ou o profeta, ou um sacerdote: Qual é o oráculo de Jeová? Então, lhes responderás: Que oráculo! Arrojar-vos-ei, diz Jeová.

34 Quanto ao profeta, e ao sacerdote, e ao povo que disser: Oráculo de Jeová, castigarei aquele homem e sua casa.

35 Assim direis, cada um ao seu próximo e a cada um a seu irmão: Que respondeu Jeová? E: Que falou Jeová?

36 Mas nunca mais mencionareis o oráculo de Jeová, porque a cada um lhe serve de oráculo a sua própria palavra, e perverteis as palavras do Deus vivo, de Jeová dos Exércitos, nosso Deus.

37 Assim dirás ao profeta: Que respondeu Jeová? E: Que falou Jeová?

38 Se, porém, disserdes: O oráculo de Jeová, portanto, assim diz Jeová: Porque dizeis esta palavra: Oráculo de Jeová, e eu vos enviei a dizer: Não direis: Oráculo de Jeová;

39 portanto, eis-me aqui, e certamente vos tomarei, e vos lançarei fora da minha presença a vós, e a cidade que vos dei a vós, e a vossos pais;

40 e trarei sobre vós sempiterno opróbrio e perpétua vergonha, que jamais será esquecida.

Capítulo 24

1 Depois que Nabucodonosor, rei de Babilônia, levou de Jerusalém cativos Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, juntamente com os artífices e ferreiros, e os trouxe para Babilônia, mostrou-me Jeová uma visão, e eis dois cestos de figos postos diante do templo de Jeová.

2 Um cesto tinha figos muito bons, quais são os figos temporãos; e o outro cesto tinha figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que eram.

3 Então, me perguntou Jeová: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os bons, figos muito bons; e os ruins, figos muito ruins, que não se podem comer, de ruins que são.

4 A palavra de Jeová veio a mim, dizendo:

5 Assim diz Jeová, Deus de Israel: Como tu atentas para estes bons figos, assim eu atentarei com favor para os exilados de Judá, que enviei deste lugar para a terra dos caldeus.

6 Porei sobre eles favoravelmente os meus olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os demolirei; plantá-los-ei e não os arrancarei.

7 Dar-lhes-ei coração para que me conheçam, que eu sou Jeová; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Pois se voltarão para mim de todo o seu coração.

8 Como tu desprezas os figos ruins, que não se podem comer, de ruins que são, certamente, diz Jeová: Do mesmo modo, desprezarei eu a Zedequias, rei de Judá, os seus príncipes e o resto de Jerusalém, que ficam nesta terra, e os que moram na terra do Egito.

9 Farei que sejam espetáculo horrendo, ofensa a todos os reinos da terra, opróbrio e provérbio, escárnio e maldição, em todos os lugares para onde os arrojarei.

10 Enviarei entre eles a espada, a fome e a peste, até que sejam consumidos de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais.

Capítulo 25

1 A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá, no quarto ano de Jeoaquim, rei de Judá (que era o primeiro ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia);

2 palavra que o profeta Jeremias falou a todo o povo de Judá e a todos os habitantes de Jerusalém:

3 Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra de Jeová e tenho-vos falado, levantando-me cedo e falando-vos; porém não tendes escutado.

4 Jeová vos tem enviado a vós todos os seus servos, os profetas, levantando-se e enviando-os; porém vós não tendes escutado, nem inclinado os vossos ouvidos,

5 dizendo-vos Jeová: Retirai-vos, cada um do seu mau caminho e da maldade dos seus feitos, e habitai na terra que Jeová vos deu a vós e a vossos pais desde os tempos antigos e para sempre;

6 não vades após outros deuses, para os servirdes e para os adorardes, nem me provoqueis à ira com as obras das vossas mãos; e não vos farei mal algum.

7 Porém não me escutastes, assim provocando-me à ira com as obras das vossas mãos, para o vosso mal.

8 Portanto, assim diz Jeová dos Exércitos: Porquanto não me tendes escutado,

9 eis que enviarei e tomarei todas as famílias do Norte, diz Jeová, como também enviarei o meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia, e os trarei contra esta terra, e contra os seus habitantes, e contra todas estas nações ao redor; eu os destruirei de todo e farei que sejam objeto de espanto, de assobios e de perpétuas desolações.

10 Farei cessar dentre eles a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, o som da mó e a luz da candeia.

11 Toda esta terra virá a ser uma desolação e um espanto; estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos.

12 Findos que forem os setenta anos, castigarei o rei de Babilônia e aquela nação, diz Jeová, por causa da sua iniquidade, e bem assim a terra dos caldeus; e farei dela perpétuas desolações.

13 Trarei sobre aquela terra todas as minhas palavras que tenho proferido contra ela, a saber, tudo o que está escrito neste livro, que profetizou Jeremias contra todas as nações.

14 Deles, sim, deles, se servirão muitas nações e grandes reis; e lhes recompensarei a eles segundo os seus feitos e segundo as obras das suas mãos.

15 Pois assim me disse Jeová, Deus de Israel: Toma da minha mão o cálice do vinho deste furor e faze que dele bebam todas as nações às quais eu te enviar.

16 Elas beberão, e cambalearão, e enlouquecerão por causa da espada que eu enviarei entre elas.

17 Tomei da mão de Jeová o cálice e fiz que bebessem todas as nações às quais Jeová me enviou,

18 a saber, a Jerusalém, às cidades de Judá, aos seus reis e aos seus príncipes, para fazer deles uma desolação, um espanto, um assobio e uma maldição, como hoje se vê;

19 a Faraó, rei do Egito, aos seus servos, aos seus príncipes e a todo o seu povo;

20 a todo o povo misto, a todos os reis da terra de Uz, a todos os reis da terra dos filisteus, a Asquelom, a Gaza, a Ecrom e ao que resta de Asdode;

21 a Edom, a Moabe e aos filhos de Amom;

22 a todos os reis de Tiro, a todos os reis de Sidom e aos reis da ilha que está além do mar;

23 a Dedã, a Tema, a Buz e a todos os que têm os cabelos cortados em redondo;

24 a todos os reis da Arábia e todos os reis do povo misto que habita no deserto;

25 a todos os reis de Zinri, a todos os reis de Elão e a todos os reis dos medos;

26 a todos os reis do Norte, aos de longe e aos de perto, assim a um como a outro, e a todos os reinos da terra que estão sobre a face da terra. O rei de Sisaque beberá depois deles.

27 Dir-lhes-ás: Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Bebei, e embriagai-vos, e vomitai, e nunca mais vos levanteis, por causa da espada que eu enviarei entre vós.

28 Se recusarem tomar da tua mão o cálice para que bebam, dir-lhes-ás: Assim diz Jeová dos Exércitos: Certamente, bebereis.

29 Pois eis que, com a cidade que é chamada do meu nome, eu vou começar a trazer o mal, e haveis vós de ficar de todo impunes? Não ficareis impunes, porque eu vou chamar uma espada que venha sobre todos os habitantes da terra, diz Jeová dos Exércitos.

30 Portanto, profetiza contra eles todas estas palavras e dize-lhes: Jeová rugirá lá do alto e, desde a sua santa morada, fará ouvir a sua voz; rugirá fortemente contra a sua habitação; contra todos os habitantes da terra dará um brado, como os que pisam as uvas.

31 É chegado o estrondo até os confins da terra, porque Jeová tem uma controvérsia com as nações, entra em juízo com toda carne; quanto aos iníquos, já os entregou à espada, diz Jeová.

32 Assim diz Jeová dos Exércitos: Eis que o mal passará de nação em nação, e grande tempestade se levantará das extremidades da terra.

33 Os mortos de Jeová se estenderão, naquele dia, desde uma à outra extremidade da terra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem enterrados; servirão de esterco sobre a face da terra.

34 Uivai, pastores, e clamai; revolvei-vos em cinzas, vós que sois os principais do rebanho; pois estão cumpridos os vossos dias em que haveis de ser mortos, e far-vos-ei em pedaços, e caireis como vaso precioso.

35 Os pastores não terão para onde fugir, nem os principais do rebanho, para onde escaparem.

36 Eis os gritos dos pastores e os uivos dos principais do rebanho! Porque Jeová está devastando o pasto deles.

37 Os prados de paz serão reduzidos ao silêncio por causa do ardor da ira de Jeová.

38 Deixou como leão o seu covil; porque a terra deles já se tornou em espanto, por causa da espada opressora e por causa do ardor da sua ira.

Capítulo 26

1 No princípio do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio da parte de Jeová esta palavra, dizendo:

2 Assim diz Jeová: Põe-te no átrio da Casa de Jeová e fala a todas as cidades de Judá, que vêm a adorar na Casa de Jeová, todas as palavras que eu te mandar que lhes fales; não omitas uma só palavra.

3 Pode ser que ouçam e se convertam, cada um do seu mau caminho, para que eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade dos seus feitos.

4 Dir-lhes-ás: Assim diz Jeová: Se não me ouvirdes, para andardes na minha lei, que pus diante de vós,

5 e para ouvirdes as palavras dos meus servos, os profetas, que eu vos envio, levantando-me cedo e enviando-os (porém vós não tendes escutado),

6 farei que esta casa seja como Siló e farei desta cidade uma maldição para todas as nações da terra.

7 Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram a Jeremias, proferindo estas palavras na Casa de Jeová.

8 Tendo Jeremias acabado de falar tudo o que Jeová lhe ordenara que falasse a todo o povo, pegaram nele os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, dizendo: Certamente, morrerás.

9 Porque profetizaste em nome de Jeová, dizendo: Esta casa será como Siló, e esta cidade ficará erma e desabitada. Todo o povo se ajuntou a Jeremias, na Casa de Jeová.

10 Quando os príncipes de Judá ouviram essas coisas, subiram da casa do rei à Casa de Jeová e se assentaram à entrada da Porta Nova da Casa de Jeová.

11 Disseram os sacerdotes e os profetas aos príncipes e a todo o povo: Este homem é réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouvistes com os vossos próprios ouvidos.

12 Jeremias falou a todos os príncipes e a todo o povo: Jeová enviou-me a profetizar contra esta casa e contra esta cidade todas as palavras que ouvistes.

13 Agora, pois, emendai os vossos caminhos e os vossos feitos e obedecei a voz de Jeová, vosso Deus, e Jeová se arrependerá do mal que falou contra vós.

14 Mas, quanto a mim, eis que estou nas vossas mãos; fazei a mim conforme for bom e reto aos vossos olhos.

15 Tão somente ficai sabendo que, se vós me tirardes a vida, trareis sangue inocente sobre vós mesmos, sobre esta cidade e sobre os seus habitantes; porque, na verdade, Jeová me enviou a vós a falar aos vossos ouvidos todas essas palavras.

16 Disseram os príncipes e todo o povo aos sacerdotes e aos profetas: Este homem não é réu de morte, pois em nome de Jeová, nosso Deus, nos falou.

17 Levantaram-se alguns dos anciãos da terra e falaram a toda a assembleia do povo:

18 Miqueias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá; e falou a todo o povo de Judá: Assim diz Jeová dos Exércitos: Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões, e o monte da Casa, em altos cobertos de bosque.

19 Porventura, lhe tiraram a vida Ezequias, rei de Judá, e todo o Judá? Acaso, não temeu o rei a Jeová, e não se arrependeu Jeová do mal que falara contra eles? Mas nós estamos fazendo um grande mal contra as nossas almas.

20 Houve também um homem, Urias, filho de Semaías, de Quiriate-Jearim, que profetizava em nome de Jeová; e profetizou contra esta cidade e contra esta terra segundo todas as palavras de Jeremias.

21 Quando o rei Jeoaquim, e todos os seus principais homens, e todos os príncipes ouviram as palavras dele, procurou o rei tirar-lhe a vida; mas, quando Urias o ouviu, temeu, fugiu e foi para o Egito.

22 Enviou o rei Jeoaquim certos homens ao Egito; enviou ao Egito Elnatã, filho de Acbor, e outros homens com ele,

23 os quais tiraram do Egito a Urias e o trouxeram ao rei Jeoaquim; este o fez morrer à espada e lançou o seu cadáver nas sepulturas da plebe.

24 Porém a mão de Aicão, filho de Safã, foi com Jeremias, de modo que não foi entregue nas mãos do povo, para que o matasse.

Capítulo 27

1 No princípio do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio da parte de Jeová esta palavra a Jeremias, dizendo:

2 Assim me diz a mim Jeová: Faze-te brochas e canzis e põe-nos ao teu pescoço.

3 Depois, envia-os ao rei do Edom, e ao rei de Moabe, e ao rei dos filhos de Amom, e ao rei do Tiro, e ao rei de Sidom, por mão dos mensageiros que são vindos a Jerusalém a ter com Zedequias, rei de Judá.

4 Ordena-lhes que digam aos seus amos: Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Isso direis a vossos amos:

5 Eu, com o meu grande poder e com o meu braço estendido, fiz a terra, os homens e os animais que estão sobre a face da terra e a dou a quem me parecer bem.

6 Agora, eu entreguei todas estas terras nas mãos do meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia; também lhe dei todos os animais, para que o sirvam.

7 Todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que venha o tempo da sua terra; e então muitas nações e grandes reis se servirão dele.

8 A nação e o reino que não o servirem a ele, Nabucodonosor, rei de Babilônia, e que não meterem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, a essa nação castigá-la-ei, diz Jeová, com a espada, e com a fome, e com a peste, até que os tenha consumido pela mão dele.

9 Mas, quanto a vós, não escuteis os vossos profetas, nem os vossos adivinhadores, nem os vossos sonhos, nem os vossos agoureiros, nem os vossos encantadores, que vos dizem: Não servireis o rei de Babilônia.

10 Porque eles vos profetizam a mentira, com o fim de vos removerem para longe da vossa terra e a fim de que sejais expulsos por mim e venhais a perecer.

11 Mas a nação que meter o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia e o servir, a essa nação deixá-la-ei ficar na sua terra, diz Jeová; lavrá-la-ão e nela habitarão.

12 Falei a Zedequias, rei de Judá, segundo todas essas palavras, dizendo: Metei os vossos pescoços debaixo do jugo do rei de Babilônia, e servi-o, a ele e ao seu povo, e vivei.

13 Por que morrereis, tu e o teu povo, à espada, de fome e de peste, como disse Jeová acerca da nação que não servir ao rei de Babilônia?

14 Não escuteis as palavras dos profetas que vos dizem: Não servireis ao rei de Babilônia; porque eles vos profetizam a mentira.

15 Pois não os enviei, diz Jeová, mas eles profetizam falsamente em meu nome, para que eu vos lance fora e para que vós venhais a perecer, vós e os profetas que vos profetizam.

16 Também falei aos sacerdotes e a todo este povo: Assim diz Jeová: Não escuteis as palavras dos vossos profetas que vos profetizam, dizendo: Eis que os vasos da Casa de Jeová agora cedo serão trazidos de Babilônia, porque eles vos profetizam a mentira.

17 Não os escuteis; servi ao rei de Babilônia e vivei. Por que se tornaria esta cidade em desolação?

18 Mas, se são profetas, e se há neles a palavra de Jeová, intercedam, agora, junto a Jeová dos Exércitos, para que não vão para Babilônia os vasos que ficaram na Casa de Jeová, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém.

19 Pois assim diz Jeová dos Exércitos acerca das colunas, e acerca do mar, e acerca das bases, e acerca do resto dos vasos que ficaram nesta cidade,

20 os quais Nabucodonosor, rei de Babilônia, não tomou quando levou cativos de Jerusalém para Babilônia Jeconias, filho de Jeoaquim, filho de Judá, e todos os nobres de Judá e de Jerusalém;

21 sim, isso diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel, acerca dos vasos que ficaram na Casa de Jeová, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém:

22 A Babilônia serão levados e ali ficarão até o dia em que os visitar, diz Jeová; então, farei trazer e restituí-los a este lugar.

Capítulo 28

1 No mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, isto é, no quarto ano, no quinto mês, Hananias, filho de Azur, profeta, que era de Gibeão, falou-me, na casa de Jeová, na presença dos sacerdotes e de todo o povo, dizendo:

2 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Quebrei o jugo do rei de Babilônia.

3 Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer para este lugar todos os vasos da Casa de Jeová, que Nabucodonosor, rei de Babilônia, levou deste lugar, transferindo-os para Babilônia.

4 Eu farei, diz Jeová, que tornem para este lugar Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e todos os cativos de Judá, que foram para Babilônia; porque hei de quebrar o jugo do rei de Babilônia.

5 Respondeu o profeta Jeremias ao profeta Hananias, na presença dos sacerdotes, e na presença de todo o povo que estava na Casa de Jeová,

6 sim, o profeta Jeremias disse: Amém! Assim faça Jeová; cumpra Jeová as tuas palavras que profetizaste, tornando a trazer de Babilônia para este lugar os vasos da Casa de Jeová e todos os exilados.

7 Contudo, ouve, agora, esta palavra que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo.

8 Os profetas que já houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitos países e contra grandes reinos acerca de guerra, de mal e de peste.

9 Quanto ao profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra do profeta, será conhecido o profeta, que, na verdade, foi enviado por Jeová.

10 O profeta Hananias, tirando o canzil do pescoço do profeta Jeremias, o quebrou

11 e falou na presença de todo o povo: Assim diz Jeová: Deste modo, dentro de dois anos quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações. Foi-se o profeta Jeremias o seu caminho.

12 Depois de ter o profeta Hananias quebrado o canzil de sobre o pescoço do profeta Jeremias, veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

13 Vai e dize a Hananias: Assim diz Jeová: Quebraste os canzis de madeira, mas, em vez deles, farás canzis de ferro.

14 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Pus um jugo de ferro sobre o pescoço de todas estas nações, para que sirvam a Nabucodonosor, rei de Babilônia; e o servirão. Também lhe dei os animais do campo.

15 Disse o profeta Jeremias ao profeta Hananias: Ouve, agora, Hananias: Jeová não te enviou, tu, porém, fazes que este povo confie numa mentira.

16 Portanto, assim diz Jeová: Eis que te lançarei de sobre a face da terra. Este ano morrerás, porque pregaste rebelião contra Jeová.

17 Morreu, pois, o profeta Hananias no mesmo ano no sétimo mês.

Capítulo 29

1 Ora, são estas as palavras da carta que o profeta Jeremias enviou de Jerusalém aos que restavam dos anciãos do cativeiro, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todo o povo que Nabucodonosor levara cativos de Jerusalém para Babilônia,

2 depois que saíram de Jerusalém o rei Jeconias, e a rainha-mãe, e os eunucos, e os príncipes de Judá e Jerusalém, e os artífices, e os ferreiros.

3 Estas são as palavras da carta mandada por mão de Elasa, filho de Safã, e de Gemarias, filho de Hilquias (os quais enviou Zedequias, rei de Judá, a Babilônia, a Nabucodonosor, rei de Babilônia):

4 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel, a todos os do cativeiro que fiz levar cativos de Jerusalém para Babilônia:

5 Edificai casas e habitai nelas; plantai jardins e comei o fruto deles;

6 tomai mulheres e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais.

7 Buscai a paz da cidade, para a qual fiz que fosseis levados cativos, e orai por ela a Jeová; porque, na sua paz, vós tereis paz.

8 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, e os vossos adivinhadores, nem deis ouvidos aos vossos sonhos que vós sonhais.

9 Pois eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz Jeová.

10 Assim diz Jeová: Logo que forem cumpridos para Babilônia setenta anos, visitar-vos-ei e cumprirei a minha boa palavra dada a vós, fazendo-vos voltar para este lugar.

11 Eu sei os pensamentos que tenho acerca de vós, diz Jeová, pensamentos de paz e não de mal, para vos dar um futuro e uma expectação.

12 Invocar-me-eis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.

13 Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.

14 Eu serei achado de vós, diz Jeová, e farei voltar os vossos cativos, e ajuntar-vos-ei de todas as nações e todos os lugares para onde vos tenho lançado, diz Jeová; e far-vos-ei voltar para o lugar donde vos fiz ir para o exílio.

15 Pois dissestes: Jeová nos suscitou profetas em Babilônia.

16 Assim diz Jeová acerca do rei que se assenta sobre o trono de Davi e acerca de todo o povo que habita nesta cidade, a saber, vossos irmãos que não saíram conosco para o exílio;

17 assim diz Jeová dos Exércitos: Eis que vou enviar sobre eles a espada, a fome e a peste e fá-los-ei como figos péssimos, que não se podem comer, de ruins que são.

18 Persegui-los-ei com a espada, com a fome e com a peste e fá-los-ei um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra, e objeto de execração, e de espanto, e de assobios, e de opróbrio, entre todas as nações para onde os tenho lançado;

19 porque não escutaram as minhas palavras, diz Jeová, com as quais lhes enviei os meus servos, os profetas, levantando-me cedo e enviando-os. Na verdade, não escutaram, diz Jeová.

20 Ouvi, pois, a palavra de Jeová, vós todos os exilados que enviei de Jerusalém para Babilônia.

21 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel, acerca de Acabe, filho de Colaías, e acerca de Zedequias, filho de Maaseias, que vos profetizam mentiras em meu nome: Eis que os entregarei nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia; e ele fará matá-los diante dos vossos olhos.

22 Deles será formulada uma maldição por todos os exilados de Judá que estão em Babilônia, dizendo: Faça-te Jeová como a Zedequias e como a Acabe, os quais o rei de Babilônia assou no fogo;

23 porque cometeram insensatez em Israel, e adulteraram com as mulheres dos seus próximos, e falaram falsamente em meu nome palavras que não lhes mandei. Eu é que sei e sou testemunha, diz Jeová.

24 A Semaías, neelamita, dirás:

25 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Porquanto tu enviaste em teu nome cartas a todo o povo que está em Jerusalém, e a Sofonias, filho do sacerdote Maaseias, e a todos os sacerdotes, dizendo:

26 Jeová te constituiu sacerdote em lugar do sacerdote Joiada, para que fosses encarregado da Casa de Jeová, no tocante a todo homem que está fora de si e profetiza, a fim de que o metas no cepo e no tronco;

27 agora, pois, por que não repreendeste a Jeremias de Anatote, que vos profetiza?

28 Pois enviou mensageiros a vós, em Babilônia, a dizer: Coisa dilatada é; edificai casas e habitai nelas; plantai jardins e comei o fruto deles.

29 Sofonias, o sacerdote, leu esta carta aos ouvidos do profeta Jeremias.

30 Então, veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

31 Manda dizer a todos os exilados: Assim diz Jeová acerca de Semaías, neelamita: Porquanto vos profetizou Semaías, e eu não o enviei, e ele fez que vós confiásseis numa mentira,

32 portanto assim diz Jeová: Eis que castigarei a Semaías, neelamita, e a sua posteridade. Não haverá dele varão que habite entre este povo, nem verá ele o bem que hei de fazer ao meu povo, diz Jeová, porque pregou rebelião contra Jeová.

Capítulo 30

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias, dizendo:

2 Assim diz Jeová, Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que te falei.

3 Pois eis que vêm os dias, diz Jeová, em que farei voltar o cativeiro do meu povo de Israel e de Judá, diz Jeová; fá-los-ei voltar para a terra que dei a seus pais, e eles a possuirão.

4 São estas as palavras que Jeová falou acerca de Israel e acerca de Judá.

5 Assim diz Jeová: Ouvimos uma voz de tremor; pavor há, e não paz.

6 Perguntai, vede se o homem está com dores de parto; porque vejo terem todos os homens as mãos sobre os lombos, como a mulher que está de parto, e por que empalideceram todos os rostos?

7 Ah! Que é grande aquele dia, de sorte que não há outro semelhante; e tempo é de tribulação para Jacó, mas dele será livre.

8 Naquele dia, diz Jeová, quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e romperei as tuas brochas. Nunca mais estrangeiros se servirão dele,

9 mas este servirá a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei, que lhe suscitarei.

10 Portanto, não temas, servo meu, Jacó, nem te espantes, Israel. Pois eis que da terra longínqua te salvarei e, da terra do seu cativeiro, os teus descendentes; Jacó voltará e ficará tranquilo e sossegado, e ninguém o atemorizará.

11 Eu sou contigo, diz Jeová, para te salvar; por isso, destruirei totalmente todas as nações entre as quais te espalhei. A ti, porém, não te destruirei de todo; mas castigar-te-ei com juízo e, de maneira alguma, te terei por inocente.

12 Pois assim diz Jeová: Incurável é a tua fratura, e gravíssima, a tua ferida.

13 Não há quem pleiteie a tua causa. Para a tua ferida, não tens remédios nem emplasto.

14 Todos os teus amantes já se esqueceram de ti; não te procuram. Pois te feri com ferida de inimigo e com castigo de quem é cruel, porque grande é a tua iniquidade, e têm-se multiplicado os teus pecados.

15 Por que gritas por causa da tua fratura? Incurável é a tua dor. Por ser grande a tua iniquidade e por se terem multiplicado os teus pecados é que te fiz essas coisas.

16 Portanto, todos os que te devoram serão devorados, e todos os teus adversários serão levados, cada um deles para o cativeiro; os que te despojam serão despojados, e entregarei ao saque todos os que te saqueiam.

17 Pois te restaurarei a saúde e te curarei das tuas feridas, diz Jeová; porque te chamaram repudiada, dizendo: É ela Sião, a qual ninguém procura.

18 Assim diz Jeová: Eis que farei voltar o cativeiro das tendas de Jacó e me compadecerei das suas moradas; a cidade será reedificada sobre o seu montão, e o palácio será habitado como dantes.

19 Sairá deles ação de graças e a voz dos que se alegram. Multiplicá-los-ei, e não serão diminuídos; também os glorificarei, e não serão apoucados.

20 Seus filhos serão como em tempos passados, e a sua congregação será estabelecida diante de mim, e castigarei todos os que os oprimem.

21 Deles sairá o seu príncipe, e, do meio deles, o seu regente; fá-lo-ei aproximar, e ele se chegará a mim. Pois quem jamais ousou chegar-se a mim? — diz Jeová.

22 Vós sereis o meu povo, eu serei o vosso Deus.

23 Eis que a tempestade de Jeová, seu furor, já saiu, sim, uma tempestade varredeira; descarregar-se-á sobre a cabeça dos iníquos.

24 Não retrocederá o ardor da ira de Jeová, até que ele tenha executado e até que tenha cumprido os desígnios do seu coração. Nos últimos dias, entendereis isso.

Capítulo 31

1 Naquele tempo, diz Jeová, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo.

2 Assim diz Jeová: O povo que escapou da espada achou graça no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel.

3 Da terra longínqua apareceu-me Jeová, dizendo: Com amor eterno te amei, portanto com benignidade te atraí.

4 De novo te edificarei, e serás edificada, virgem de Israel; ainda serás adornada com os teus atabales, e sairás nas danças dos que se alegram.

5 Ainda plantarás vinhas nos montes da Samaria; plantarão os plantadores, e lograrão os frutos delas.

6 Pois haverá um dia em que os vigias sobre os planaltos de Efraim gritarão: Levantai-vos, e subamos a Sião, a Jeová nosso Deus.

7 Pois assim diz Jeová: Cantai sobre Jacó com alegria, e exultai sobre a cabeça das nações; publicai, louvai e dizei: Salva, Jeová, ao teu povo, o resto de Israel.

8 Eis que os trarei da terra boreal, e os congregarei dos últimos confins da terra, e juntamente com eles o cego, o coxo, a mulher grávida e a que está do parto: voltarão para aqui uma grande companhia.

9 Com choro virão, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas por um caminho plano, em que não tropeçarão. Pois tornei-me pai de Israel, e Efraim é o meu primogênito.

10 Ouvi, nações, a palavra de Jeová, e anunciai-a às ilhas remotas; dizei: Aquele que espalhou a Israel, congregá-lo-á, e o guardará, como pastor o seu rebanho.

11 Pois Jeová resgatou a Jacó, e o remiu da mão de quem era mais forte do que ele.

12 Virão e cantarão de júbilo na altura de Sião, e correrão à bondade de Jeová; ao trigo, e ao mosto, e ao azeite, e às crias das ovelhas e das vacas; a sua alma será como jardim regado; e nunca mais desfalecerão.

13 Então se alegrará a virgem na dança, como também os mancebos e os velhos juntamente; porque converterei o seu pranto em gozo, os consolarei e os alegrarei, passada a sua tristeza.

14 Saciarei de gordura a alma dos sacerdotes, e o meu povo se fartará com a minha bondade, diz Jeová.

15 Assim diz Jeová: Ouviu-se um clamor em Ramá, lamento e choro amargo, era Raquel chorando a seus filhos. Ela não quer ser consolada acerca de seus filhos, porque já não existem.

16 Assim diz Jeová: Faze a tua voz cessar de chorar, e de verterem lágrimas os teus olhos; porque há recompensa para a tua obra, diz Jeová; os teus filhos voltarão da terra do inimigo.

17 Há esperança para o teu futuro, diz Jeová, e teus filhos voltarão para os seus termos.

18 Na verdade ouvi a Efraim queixando-se e dizendo: Castigaste-me, e sofri o castigo como novilho ainda não domado. Converte-me, e serei convertido; pois tu és Jeová, meu Deus.

19 Certamente depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati na coxa. Fiquei envergonhado e confundido, porque suportei o opróbrio da minha mocidade.

20 Acaso é Efraim meu querido filho? é ele criança em quem me deleito? pois quantas vezes falo contra ele, tantas vezes me lembro dele ternamente. Comovem-se as minhas entranhas por ele; certamente me compadecerei dele, diz Jeová.

21 Põe-te marcos, faze-te postes que te guiem; dirige o teu coração à estrada, ao caminho por que tu foste: volta, virgem de Israel, volta para essas tuas cidades.

22 Até quando andarás errante, filha apóstata? pois Jeová criou uma coisa nova sobre a terra: uma mulher cercará a um varão.

23 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Ainda proferirão este dito na terra de Judá, e nas suas cidades, quando eu fizer voltar o seu cativeiro: Jeová te abençoe, ó morada da justiça, ó monte da santidade!

24 Nele habitarão Judá e todas as suas cidades juntamente; os lavradores e os que pastoreiam os rebanhos.

25 Pois saciei a alma cansada, e fartei toda a alma desfalecida.

26 Nisto despertei, e olhei; e o meu sono foi doce para mim.

27 Eis que vêm os dias, diz Jeová, em que semearei a casa de Israel e a casa de Judá com a semente de homens, e com a semente de animais.

28 Assim como vigiei sobre eles para arrancar, para demolir, para subverter, para destruir e para afligir, do mesmo modo vigiarei sobre eles para edificar e para plantar, diz Jeová.

29 Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram.

30 Mas cada um morrerá pela sua iniquidade; todo o homem que comer uvas verdes, a esse é que lhe ficarão botos os dentes.

31 Eis que vêm os dias, diz Jeová, em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá,

32 não segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito (essa minha aliança, eles a invalidaram, ainda que me desposei com eles, diz Jeová).

33 Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz Jeová: Imprimirei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;

34 não ensinará mais cada um ao seu próximo, dizendo: Conhece a Jeová; porque todos me conhecerão desde o menor até o maior deles, diz Jeová. Pois perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.

35 Assim diz Jeová, que dá o sol para a luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para a luz da noite, que agita o mar, de maneira que bramem as suas ondas. Jeová dos Exércitos é o seu nome.

36 Se estas ordenanças faltarem diante de mim, cessará também a linhagem de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.

37 Assim diz Jeová: Se puder ser medido o céu lá em cima, e se puderem ser sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a linhagem de Israel, por tudo quanto têm feito, diz Jeová.

38 Eis que vêm os dias, diz Jeová, em que a cidade será edificada para Jeová desde a torre de Hananeel até a porta da esquina.

39 O cordel da medida ainda se estenderá em linha direta até o outeiro de Garebe, e dará volta até Goá.

40 O vale inteiro dos cadáveres e da cinza, e todos os campos até a torrente de Cedrom, até a esquina da porta dos cavalos para o oriente, será tudo santo a Jeová; nunca mais será arrancado, nem demolido.

Capítulo 32

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias no décimo ano de Zedequias, rei de Judá, o qual ano era o décimo oitavo de Nabucodonosor.

2 Ora nesse tempo cercava o exército do rei de Babilônia a Jerusalém; e o profeta Jeremias se achava encarcerado no pátio da guarda, que estava na casa do rei de Judá.

3 Pois Zedequias, rei de Judá, o havia encerrado, dizendo: Porque profetizas tu e dizes: Assim diz Jeová: Eis que entregarei esta cidade nas mãos do rei de Babilônia, e ele a tomará;

4 e Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus, mas certamente será entregue nas mãos do rei de Babilônia, e falará com ele boca a boca, e os seus olhos verão os olhos dele;

5 e o rei de Babilônia levará para Babilônia Zedequias que ali estará até que eu o visite, diz Jeová? Ainda que pelejeis contra os caldeus, não sereis bem sucedidos.

6 Disse Jeremias: A palavra de Jeová veio a mim, dizendo:

7 Eis que Hananeel, filho de Salum, teu tio, virá a ti, dizendo: Compra-te o meu campo que está em Anatote; pois a ti, a quem pertence o direito de resgate, compete comprá-lo.

8 Veio, pois, segundo a palavra de Jeová, ter comigo no pátio da guarda Hananeel, filho do meu tio, e disse-me: Compra o meu campo que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito da herança, e a ti pertence o resgatá-lo; compra-o para ti. Entendi que era isto a palavra de Jeová.

9 Comprei o campo que estava em Anatote a Hananeel, filho de meu tio, e pesei-lhe o dinheiro, dezesseis siclos de prata.

10 Subscrevi o auto e o selei, chamei testemunhas e pesei-lhe o dinheiro numa balança.

11 Tomei o auto da compra, tanto o selado, que continha o mandado e as condições, como o aberto.

12 O auto da compra entreguei a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaseias, na presença de Hananeel, filho de meu tio, e na presença das testemunhas que subscreveram o auto da compra, à vista de todos os judeus que estavam sentados no pátio da guarda.

13 Dei ordem a Baruque diante deles, dizendo:

14 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Toma estes autos, este auto da compra, tanto o selado como o aberto, e mete-os num vaso de barro, para que se possam conservar muitos dias.

15 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Ainda se comprarão casas e campos e vinhas nesta terra.

16 Ora depois que eu entregara o auto da compra a Baruque, filho de Nerias, orei a Jeová, dizendo:

17 Ah, Senhor Jeová! tu fizeste o céu e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido (nada há que seja demasiado difícil para ti);

18 tu mostras misericórdia a milhares, e tornas a iniquidade dos pais ao seio de seus filhos depois deles; tu és o grande, o poderoso Deus, cujo nome é Jeová dos Exércitos,

19 grande em conselho, e poderoso em obras; e cujos olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens; para dares a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto dos seus feitos.

20 Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até o dia de hoje, e em Israel e entre outros homens; e te fizeste um nome qual tu tens neste dia.

21 Tu tiraste da terra do Egito o teu povo de Israel com sinais e com maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande terror;

22 e deste-lhe esta terra, que juraste a seus pais que lhes darias, terra que mana leite e mel.

23 Eles entraram, e dela tomaram posse; porém não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; não fizeram nada de tudo o que lhes ordenaste fizessem; portanto fizeste que lhes sucedesse todo este mal.

24 Eis as trincheiras já são chegadas à cidade para a tomarem, e a cidade, vencida pela espada, pela fome e pela peste, foi entregue nas mãos dos caldeus que pelejam contra ela. O que falaste aconteceu; eis que tu o vês.

25 Tu, Senhor Jeová, me disseste: Compra o campo por dinheiro, e chama testemunhas, ainda que a cidade já está entregue nas mãos dos caldeus.

26 Veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

27 Eis que eu sou Jeová, Deus de toda a carne; acaso há alguma coisa demasiado difícil para mim?

28 Portanto assim diz Jeová: Eis que entregarei esta cidade nas mãos dos caldeus, e nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a tomará.

29 Os caldeus que pelejam contra esta cidade virão, atearão fogo a esta cidade e a queimarão, juntamente com as casas, sobre cujos eirados os seus habitantes têm oferecido incenso a Baal, e derramado libações a outros deuses, para me provocarem à ira.

30 Pois os filhos de Israel e os filhos de Judá têm feito desde a sua mocidade tão somente o que era mau aos meus olhos; os filhos de Israel somente me têm provocado à ira com as obras das suas mãos, diz Jeová.

31 Esta cidade, desde o dia em que a edificaram até o dia de hoje, tem servido para provocar a minha ira e o meu furor a fim de que eu a remova de diante de mim,

32 por causa de toda a maldade dos filhos de Israel e dos filhos de Judá, que eles praticaram para me provocarem à ira, eles, os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes, os seus profetas, os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém.

33 Voltaram-me as costas, e não o rosto; embora eu os ensinasse, levantando-me cedo e ensinando-os, contudo não escutaram para receberem instruções.

34 Mas puseram as suas abominações na casa que é chamada do meu nome, para a profanarem.

35 Edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom, para fazerem que seus filhos e suas filhas passassem pelo fogo a Moloque: o que não lhes ordenei, nem entrou na minha mente, que fizessem esta abominação, para fazerem pecar a Judá.

36 Agora, pois, assim diz Jeová, Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está entregue nas mãos do rei de Babilônia pela espada, pela fome e pela peste:

37 Eis que os ajuntarei de todos os países para os quais os tenho arrojado na minha ira, e no meu furor, e em grande indignação; eu os tornarei a trazer para este lugar, e farei que habitem em segurança.

38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

39 Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam para sempre; a fim de que lhes vá bem a eles e a seus filhos depois deles;

40 farei com eles uma aliança sempiterna de não me desviar deles, para lhes fazer o bem; e porei o temor de mim nos seus corações, para que não se apartem de mim.

41 Alegrar-me-ei sobre eles para lhes fazer o bem, e certamente os plantarei nesta cidade com todo o meu coração e com toda a minha alma.

42 Pois assim diz Jeová: Assim como fiz vir sobre este povo todo este grande mal, do mesmo modo farei vir sobre eles todo o bem que eu lhes tenho prometido.

43 Comprar-se-ão campos nesta terra, da qual vós dizeis: Erma é, sem homem nem animal; está entregue nas mãos dos caldeus.

44 Comprarão campos por dinheiro, e subscreverão os autos, e os selarão e chamarão testemunhas, na terra de Benjamim e nos lugares ao redor de Jerusalém, e nas cidades da região montanhosa, e nas cidades da Sefelá e nas cidades do Neguebe; porque farei voltar o seu cativeiro, diz Jeová.

Capítulo 33

1 Pela segunda vez veio a palavra de Jeová a Jeremias, quando estava ainda encarcerado no pátio da guarda, dizendo:

2 Assim diz Jeová que faz estas coisas, Jeová que as forma, para as estabelecer; Jeová é o seu nome.

3 Clama a mim, e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e difíceis, que não sabes.

4 Pois assim diz Jeová, Deus de Israel, acerca das casas desta cidade, e acerca das casas dos reis de Judá, que foram demolidas para com elas fazer uma defesa contra as trincheiras e contra a espada.

5 Essas casas vêm a pelejar contra os caldeus, mas é para se encherem dos cadáveres dos homens que feri na minha ira e no meu furor; é por causa de toda a maldade deles que eu escondi desta cidade o meu rosto.

6 Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes revelarei a abundância de paz e de verdade.

7 Farei voltar o cativeiro de Judá e o cativeiro de Israel, e os edificarei como no princípio.

8 Purificá-los-ei de toda a sua iniquidade, em que pecaram contra mim; e lhes perdoarei todas as suas iniquidades, com que pecaram contra mim, e com que transgrediram contra mim.

9 Esta cidade me servirá de nome, de gozo, de louvor e de glória, diante de todas as nações da terra, que ouvirem todo o bem que eu lhes estou fazendo, e que temerem e tremerem por causa de todo o bem e por causa de toda a paz que eu lhes estou proporcionando.

10 Assim diz Jeová: Neste lugar do qual vós dizeis: Ermo é, sem homem nem animal, sim, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, que são ermas, sem homem, sem habitante, e sem animal, ainda se ouvirá

11 a voz de gozo e a voz de alegria, a voz de noivo e a voz de noiva, a voz dos que dizem: Dai graças a Jeová dos Exércitos, porque Jeová é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre; e também se ouvirá a voz dos que trazem à casa de Jeová sacrifícios de ação de graças. Pois farei voltar o cativeiro da terra como no princípio, diz Jeová.

12 Assim diz Jeová dos Exércitos: Neste lugar que está ermo sem homem nem animal, e em todas as suas cidades, ainda haverá uma habitação de pastores que façam repousar aos seus rebanhos.

13 Nas cidades da região montanhosa, nas cidades da Sefelá, e nas cidades do Neguebe, e na terra de Benjamim, e nos lugares ao redor de Jerusalém, e nas cidades de Judá ainda passarão os rebanhos pelas mãos do que os conta, diz Jeová.

14 Eis que vêm os dias, diz Jeová, em que cumprirei a boa palavra que falei acerca da casa de Israel e acerca da casa de Judá.

15 Naqueles dias e naquele tempo farei brotar um Renovo de justiça para Davi; ele executará juízo e justiça na terra.

16 Naqueles dias Judá será salvo, e Jerusalém habitará em segurança; este é o nome de que será ela chamada: Jeová é a nossa justiça.

17 Pois assim diz Jeová: Nunca faltará a Davi varão que se assente sobre o trono da casa de Israel;

18 nem aos sacerdotes levíticos faltará diante de mim varão que ofereça holocaustos, e queime oblações, e ofereça sacrifícios continuamente.

19 A palavra de Jeová veio a Jeremias, dizendo:

20 Assim diz Jeová: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia, e a minha aliança com a noite, de sorte que não haja nem dia nem noite a seu tempo;

21 também poderá ser invalidada a minha aliança com o meu servo Davi, para que não tenha ele um filho que reine sobre o seu trono; também poderá ser invalidada a minha aliança com os sacerdotes levíticos, meus ministros.

22 Assim como o exército do céu não pode ser contado, nem ser medida a areia do mar; assim multiplicarei a linhagem de Davi, meu servo, e os levitas, meus ministros.

23 A palavra de Jeová veio a Jeremias, dizendo:

24 Acaso não consideras o que este povo tem falado, dizendo: Acaso Jeová acaba de rejeitar as duas famílias que escolheu? assim eles desprezam o meu povo, ao ponto de não considerá-lo mais uma nação.

25 Assim diz Jeová: Se não durar a minha aliança com o dia e com a noite, se eu não tiver determinado as ordenanças do céu e da terra;

26 também rejeitarei a linhagem de Jacó, e de Davi, meu servo, de sorte que não tomarei da sua linhagem os que dominem sobre a linhagem de Abraão, Isaque e Jacó. Pois farei voltar o cativeiro deles, e me compadecerei deles.

Capítulo 34

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias, quando Nabucodonosor, rei de Babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos da terra que estavam debaixo do seu domínio, e todos os povos pelejavam contra Jerusalém e contra todas as suas cidades. Esta palavra dizia:

2 Assim diz Jeová, Deus de Israel: Vai, fala a Zedequias, rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz Jeová: Eis que entregarei esta cidade nas mãos do rei de Babilônia, e ele lhe lançará fogo.

3 Tu não escaparás da sua mão; mas certamente serás preso e entregue na sua mão; os teus olhos verão os olhos do rei de Babilônia, e ele te falará boca a boca, e irás a Babilônia.

4 Todavia ouve a palavra de Jeová, ó Zedequias, rei de Judá; assim diz Jeová acerca de ti: Não morrerás à espada;

5 em paz morrerás, e queimar-te-ão perfumes a ti, como fizeram a teus pais, os reis passados que te precederam, e te prantearão, dizendo: Ah senhor! Pois eu falei a palavra, diz Jeová.

6 O profeta Jeremias falou todas estas palavras a Zedequias, rei de Judá, em Jerusalém,

7 quando o exército do rei de Babilônia pelejava contra Jerusalém, e contra todas as cidades que restavam de Judá, contra Laquis e contra Azeca; porque das cidades de Judá só estas haviam ficado como cidades fortificadas.

8 Depois que o rei Zedequias fizera uma aliança com todo o povo que estava em Jerusalém, veio da parte de Jeová a palavra a Jeremias, para lhes apregoar a liberdade;

9 a fim de que cada um deixasse ir livre, o seu servo, e cada um igualmente a sua serva, hebreu ou hebreia; e que ninguém se servisse dum judeu seu irmão.

10 Todos os príncipes e todo o povo, que haviam entrado na aliança, obedeceram, deixando ir livres, cada um o seu servo, e cada um a sua serva, de maneira que ninguém daqui em diante se servisse deles; sim obedeceram, e deixaram-nos ir.

11 Mas depois se arrependeram, e fizeram voltar os servos e as servas que eles haviam deixado ir livres, e sujeitaram-nos como servos e servas.

12 Portanto da parte de Jeová veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

13 Assim diz Jeová, Deus de Israel: Eu fiz uma aliança com vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da casa de servidão, dizendo:

14 Ao fim de sete anos, deixareis ir cada um a seu irmão hebreu que te for vendido e que te houver servido seis anos, deixá-lo-ás ir de ti livre; vossos pais, porém, não me ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos.

15 Há pouco tornastes e fizestes o que é reto nos meus olhos, apregoando liberdade cada um ao seu próximo; tínheis feito uma aliança diante de mim na casa que é chamada do meu nome;

16 mas tornastes a profanar o meu nome, fazendo voltar cada um o seu servo, e cada um a sua serva, que haveis deixado ir livres conforme a sua vontade, e sujeitando-os para que fossem vossos servos e servas.

17 Portanto assim diz Jeová: Vós não me ouvistes, para apregoardes a liberdade, cada um a seu irmão e cada um ao seu próximo; eis que vos estou apregoando a liberdade, diz Jeová, para a espada, para a peste e para a fome; farei que sejais um espetáculo horrendo a todos os reinos da terra.

18 Entregarei os homens que transgrediram a minha aliança, e não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim, quando dividiram em duas partes o bezerro e passaram pelo meio das suas porções.

19 Os príncipes de Judá, e os príncipes de Jerusalém, e os eunucos, e os sacerdotes, e todo o povo da terra, os quais passaram pelo meio das porções do bezerro;

20 eu os entregarei nas mãos dos seus inimigos, e nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida; os seus cadáveres servirão de pasto para as aves do céu e para os animais da terra.

21 A Zedequias, rei de Judá, e os seus príncipes, entregá-los-ei nas mãos dos seus inimigos e nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida, e nas mãos do exército do rei de Babilônia, que se retiraram de vós.

22 Eis que darei ordem, diz Jeová, e os farei voltar a esta cidade; eles pelejarão contra ele, e a tomarão e a incendiarão: das cidades de Jeová farei uma desolação, de sorte que não haja habitantes nelas.

Capítulo 35

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo:

2 Vai à casa dos recabitas, fala com eles e, introduzindo-os na casa de Jeová, em uma das câmaras, dá-lhes vinho a beber.

3 Tomei a Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a seus irmãos e a todos os seus filhos e a toda a casa dos recabitas;

4 e os introduzi na casa de Jeová, na câmara dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus, a qual estava junto à câmara dos príncipes, e ficava sobre a câmara de Maaseias, filho de Salum, guarda do vestíbulo;

5 e pus diante dos filhos da casa dos recabitas taças cheias de vinho, e copos, e disse-lhes: Bebei vinho.

6 Eles, porém, responderam: Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: Não bebereis vinho, nem vós, nem vossos filhos, nunca jamais;

7 não edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha, nem a possuireis; mas habitareis em tendas todos os vossos dias, para que vivais muitos dias sobre a face da terra, em que vós sois peregrinos.

8 Temos obedecido à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em toda a palavra que nos ordenou, de não bebermos vinho em todos os nossos dias, nós, nossas mulheres, nossos filhos e nossas filhas;

9 nem de edificarmos casas para nossa moradia; nem de possuirmos vinha, nem campo, nem semente;

10 mas temos habitado em tendas, e temos obedecido e feito segundo tudo o que Jonadabe, nosso pai, nos ordenou.

11 Quando, porém, Nabucodonosor, rei de Babilônia, subia à nossa terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalém por causa do exército dos caldeus, e por causa do exército dos siros; assim habitamos em Jerusalém.

12 Veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

13 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Vai, e dize aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém: Acaso não recebereis instrução para ouvirdes as minhas palavras? diz Jeová.

14 Guardadas têm sido as palavras de Jonadabe, filho de Recabe, pelas quais ordenou a seus filhos que não bebessem vinho; e até o dia de hoje não o têm bebido, porque obedecem ao mandamento de seu pai; eu, porém, vos tenho falado a vós, levantando-me cedo e falando, e não me tendes escutado.

15 Também vos tenho enviado a vós todos os meus servos, os profetas, levantando-me cedo e enviando-os, a dizer: Tornai-vos agora, cada um do seu mau caminho, e emendai os vossos feitos, e não vades após outros deuses para os servirdes, e habitareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; porém não inclinastes os vossos ouvidos, nem me escutastes.

16 Porquanto os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, têm guardado o mandamento de seu pai, que lhes ordenou, mas este povo não tem escutado;

17 portanto assim diz Jeová, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Eis que trarei sobre Judá e sobre todos os habitantes de Jerusalém todo o mal que pronunciei contra eles: porque lhes falei, porém não me ouviram; chamei-os, porém não responderam.

18 À casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Porque haveis obedecido o mandamento de Jonadabe, vosso pai, guardando todos os seus preceitos, e fazendo segundo tudo o que vos ordenou;

19 portanto assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: A Jonadabe, filho de Recabe, não lhe faltará nunca varão que assista diante de mim para sempre.

Capítulo 36

1 No quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio da parte de Jeová esta palavra a Jeremias, dizendo:

2 Toma o rolo dum livro, e nele escreve todas as palavras que te hei falado contra Israel, e contra Judá e contra todas as nações, desde o dia em que te falei, desde os dias de Josias até o dia de hoje.

3 Talvez ouçam os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes; de modo que se tornem cada um do seu mau caminho, a fim de que eu perdoe a sua iniquidade e o seu pecado.

4 Chamou Jeremias a Baruque, filho de Nerias; e da boca de Jeremias escreveu Baruque, no rolo dum livro, todas as palavras de Jeová, que ele lhe havia falado.

5 Jeremias ordenou a Baruque, dizendo: Eu estou encarcerado; não posso entrar na casa de Jeová.

6 Entra tu, pois, e pelo rolo, que tens escrito da minha boca, lê todas as palavras de Jeová aos ouvidos do povo, na casa de Jeová, no dia de jejum; também as lerás aos ouvidos de todos os de Judá que vêm das suas cidades.

7 Pode ser que eles apresentem a sua súplica diante de Jeová e se tornem cada um do seu mau caminho; pois grande é a ira e o furor que Jeová pronunciou contra este povo.

8 Fez Baruque, filho de Nerias, segundo tudo o que o profeta Jeremias lhe ordenou, lendo no livro as palavras de Jeová na casa de Jeová.

9 Ora no quinto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, no nono mês, todo o povo em Jerusalém, e todo o povo que veio das cidades de Judá a Jerusalém, apregoaram um jejum diante de Jeová.

10 Então na casa de Jeová, na câmara de Gemarias, filho do secretário Safã, no átrio superior, à entrada da porta nova da casa de Jeová, leu Baruque no livro aos ouvidos de todo o povo as palavras de Jeremias.

11 Tendo Micaías, filho de Gemarias, filho de Safã, ouvido todas as palavras de Jeová, lidas do livro,

12 desceu à casa do rei, à câmara do secretário. Eis que estavam ali sentados todos os príncipes: o secretário Elisama, e Delaías, filho de Semaías, e Elnatã, filho de Acbor, e Gemarias, filho de Safã, e Zedequias, filho de Hananias e todos os príncipes.

13 Micaías referiu-lhes todas as palavras que ouvira, quando Baruque leu o livro aos ouvidos do povo.

14 Portanto todos os príncipes enviaram Jeudi, filho de Netanias, filho de Selemias, filho de Cusi, a Baruque, para lhe dizer: Toma na tua mão o rolo de que leste aos ouvidos do povo, e vem. Tomou Baruque, filho de Nerias, o rolo na sua mão, e foi ter com eles.

15 Disseram-lhe: Senta-te agora, e lê-o aos nossos ouvidos. Baruque o leu aos seus ouvidos.

16 Tendo eles ouvido todas as palavras, voltaram-se espantados uns para os outros, e disseram a Baruque: Certamente referiremos ao rei todas estas palavras.

17 Perguntaram a Baruque: Declara-nos agora como escreveste da sua boca todas estas palavras.

18 Respondeu-lhes Baruque: Ele me referia com a sua boca todas estas palavras, e eu as escrevia no livro com tinta.

19 Disseram os príncipes a Baruque: Vai, esconde-te, tu e Jeremias; não saiba alguém onde estais.

20 Eles foram ao átrio ter com o rei, depois de terem depositado o rolo na câmara do secretário Elisama, e referiram todas as palavras aos ouvidos do rei.

21 Enviou o rei a Jeudi para ir buscar o rolo; este o tirou da câmara do secretário Elisama, e o leu aos ouvidos do rei, e aos ouvidos de todos os príncipes que estavam em torno do rei.

22 Ora o rei estava sentado na casa de inverno pelo nono mês e diante dele estava um braseiro aceso.

23 Tendo Jeudi lido três ou quatro folhas, cortava-as com o canivete e lançava-as no fogo que estava no braseiro, até que o rolo todo foi consumido no fogo que estava no braseiro.

24 Não tiveram medo nem rasgaram os seus vestidos, nem o rei nem nenhum dos seus servos que ouviram todas estas palavras.

25 Todavia Elnatã e Delaías e Gemarias tinham rogado ao rei que não queimasse o rolo; porém ele não os quis ouvir.

26 Ordenou o rei a Jerameel, filho do rei, e a Seraías, filho de Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, a trazerem o escriba Baruque e o profeta Jeremias; porém Jeová os escondeu.

27 Depois que o rei queimara o rolo, e as palavras que Baruque escrevera da boca de Jeremias, veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

28 Toma de novo outro livro, e nele escreve todas as palavras primeiras que havia no primeiro livro que Jeoaquim, rei de Judá, havia queimado.

29 Acerca de Jeoaquim, rei de Judá, dirás: Assim diz Jeová: Tu acabas de queimar este rolo, perguntando: Por que tens escrito nele: Certamente virá o rei de Babilônia e destruirá esta terra, e fará cessar nela homens e animais?

30 Por isso assim diz Jeová acerca de Jeoaquim, rei de Judá. Ele não terá quem se assente sobre o trono de Davi, e o seu cadáver será exposto ao calor de dia e à geada de noite.

31 Castigá-lo-ei a ele, a sua linhagem e os seus servos por causa da sua iniquidade; e trarei sobre eles e sobre os habitantes de Jerusalém e sobre os homens de Judá todo o mal que pronunciei contra eles, porém não escutaram.

32 Tomou outro rolo, e o deu ao escriba Baruque, filho de Nerias, o qual escreveu nele, da boca de Jeremias, todas as palavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, havia queimado no fogo; e ainda se lhes acrescentaram muitas palavras semelhantes.

Capítulo 37

1 Zedequias, filho de Josias, a quem Nabucodonosor, rei de Babilônia, constituíra rei na terra de Judá, reinou como rei, em lugar de Conias, filho de Jeoaquim.

2 Mas nem ele, nem os seus servos, nem o povo da terra escutaram as palavras de Jeová, que ele falou pelo profeta Jeremias.

3 O rei Zedequias enviou Jucal, filho de Selemias, e o sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, a ter com o profeta Jeremias, para que lhe dissessem: Roga por nós a Jeová nosso Deus.

4 Ora Jeremias entrava e saía entre o povo, pois ainda não tinha sido encarcerado.

5 O exército de Faraó tinha saído do Egito; e quando os caldeus que sitiavam Jerusalém, ouviram esta nova, retiraram-se de Jerusalém.

6 Veio a palavra de Jeová a Jeremias, dizendo:

7 Assim diz Jeová, Deus de Israel: Ao rei de Judá, que vos enviou a mim para me consultar, assim direis: Eis que o exército de Faraó, que saiu para vos socorrer, regressará para a sua terra no Egito.

8 Os caldeus voltarão e pelejarão contra esta cidade, tomá-la-ão e a incendiarão.

9 Assim diz Jeová: Não vos enganeis a vós mesmos, dizendo: Certamente se retirarão de nós os caldeus; porque não se retirarão.

10 Pois ainda que tivésseis derrotado todo o exército dos caldeus que pelejam contra vós e entre eles só ficassem homens feridos, contudo se levantariam, cada um na sua tenda, e incendiariam esta cidade.

11 Tendo-se o exército dos caldeus retirado de Jerusalém por causa do exército de Faraó,

12 Jeremias saiu de Jerusalém para ir à terra de Benjamim, a fim de receber ali a parte que lhe tocava no meio do povo.

13 Estando ele na porta de Benjamim, achava-se ali um capitão da guarda, chamado Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias. O capitão prendeu ao profeta Jeremias, dizendo: Tu estás desertando para os caldeus.

14 Disse Jeremias: É falso; eu não estou desertando para os caldeus. Porém Jerias não deu ouvidos a Jeremias; pois o prendeu e o levou aos príncipes.

15 Os príncipes, irados contra Jeremias, feriram-no, e meteram-no no cárcere na casa do secretário Jônatas; pois tinham feito dela cárcere.

16 Tendo Jeremias entrado na masmorra e nas celas, e havendo ficado ali muitos dias;

17 enviou o rei Zedequias, mandou tirá-lo, e secretamente em sua casa perguntou-lhe: Há alguma palavra da parte de Jeová? Respondeu Jeremias: Há. Também acrescentou: Nas mãos do rei de Babilônia serás entregue.

18 Disse mais Jeremias ao rei Zedequias: Em que pequei contra ti, ou contra os teus servos, ou contra este povo, para que me tenhais metido no cárcere?

19 Onde estão agora os vossos profetas que vos profetizavam, dizendo: Não virá o rei de Babilônia contra vós nem contra esta terra?

20 Agora ouve, peço-te, ó rei, meu senhor: seja aceita a súplica que te dirijo. Não me faças voltar para a casa do secretário Jônatas, a fim de que não morra eu ali.

21 Deu ordens o rei Zedequias; meteram a Jeremias no pátio da guarda, e deram-lhe cada dia um pão da rua dos padeiros até que se acabou todo o pão da cidade. Assim ficou Jeremias no pátio da guarda.

Capítulo 38

1 Ouviram Sefatias, filho de Matã, e Gedalias, filho de Pasur, e Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras que Jeremias falou a todo o povo, dizendo:

2 Assim diz Jeová: Quem ficar nesta cidade, morrerá à espada, de fome e de peste; mas quem sair aos caldeus, viverá; a sua vida lhe será por despojo e ele viverá.

3 Assim diz Jeová: Certamente esta cidade será entregue nas mãos do exército do rei de Babilônia, e ele a tomará.

4 Então disseram os príncipes ao rei: Tire-se a vida, rogamos-te, a esse homem; porquanto enfraquece as mãos dos homens de guerra que ficam nesta cidade, bem como as mãos de todo o povo, falando-lhes tais palavras; esse homem não busca o bem-estar deste povo, porém o mal.

5 Respondeu o rei Zedequias: Eis que ele está nas vossas mãos; pois não é o rei quem possa fazer coisa alguma contra vós.

6 Tomaram a Jeremias, e lançaram-no na masmorra de Malquias, filho do rei, a qual estava no pátio da guarda; e desceram Jeremias com cordas. Na masmorra não havia água, senão lodo; e Jeremias atolou-se no lodo.

7 Ora quando Ebede-Meleque o etíope, eunuco que estava na casa do rei, ouviu que tinham metido a Jeremias na masmorra (estando o rei naquele tempo sentado na porta de Benjamim);

8 Ebede-Meleque saiu da casa do rei, e disse-lhe:

9 Ó rei, senhor meu, estes homens fizeram o mal em tudo quanto fizeram ao profeta Jeremias, a quem lançaram na masmorra. Onde ele está morrerá pela falta de víveres: pois não há mais pão na cidade.

10 Ordenou o rei a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Toma daqui contigo trinta homens, e tira da masmorra a Jeremias, o profeta, antes que morra.

11 Assim Ebede-Meleque tomou consigo os homens, entrou na casa do rei, debaixo da tesouraria, e dali tomou uns velhos panos rotos e uns velhos trapos apodrecidos, e desceu-os com cordas a Jeremias na masmorra.

12 Ebede-Meleque o etíope disse a Jeremias: Põe agora debaixo dos teus sovacos entre os braços e as cordas estes velhos panos rotos e velhos trapos apodrecidos. Jeremias assim o fez.

13 Tiraram, pois, a Jeremias com as cordas, e alçaram-no da masmorra; e Jeremias ficou no pátio da guarda.

14 Enviou o rei Zedequias, e fez trazer a si o profeta Jeremias à terceira entrada que está na casa de Jeová; e o rei disse a Jeremias: Vou fazer-te uma pergunta; não me encubras nada.

15 Disse Jeremias a Zedequias: Se eu to anunciar, acaso não me tirarás a vida? Se eu te aconselhar, não me escutarás.

16 Jurou secretamente o rei Zedequias a Jeremias, dizendo: Pela vida de Jeová, que nos fez esta alma, não te tirarei a vida nem te entregarei nas mãos destes homens que procuram tirar-te a vida.

17 Disse Jeremias a Zedequias: Assim diz Jeová, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Se saíres aos príncipes do rei de Babilônia, viverá a tua alma e não será incendiada esta cidade;

18 mas se não saíres aos príncipes do rei de Babilônia, será esta cidade entregue nas mãos dos caldeus, e eles a incendiarão, e tu não escaparás das suas mãos.

19 Disse o rei Zedequias a Jeremias: Receio-me dos judeus que têm passado para os caldeus, não suceda que me entreguem nas mãos deles, e escarneçam de mim.

20 Jeremias, porém, disse: Não te entregarão. Obedece à voz de Jeová, naquilo que te falo; assim te irá bem, e viverá a tua alma.

21 Mas se tu recusares sair, esta é a palavra que me mostrou Jeová.

22 Eis que todas as mulheres que restam na casa do rei de Judá, serão levadas para fora aos príncipes do rei de Babilônia, e dirão: Incitaram-te e prevaleceram contra ti os teus amigos íntimos; agora estão os teus pés atolados no lodo, e esses amigos se apartam de ti.

23 Tuas mulheres e teus filhos serão levados para fora aos caldeus, de cujas mãos não escaparás; por mão do rei de Babilônia serás preso; por tua culpa arderá em fogo esta cidade.

24 Disse Zedequias a Jeremias: Não saiba ninguém estas palavras, e não morrerás.

25 Mas se os príncipes ouvirem que falei contigo, e vierem a ti e te disserem: Declara-nos agora o que disseste ao rei; não no-lo encubras, e não te mataremos; declara-nos também o que o rei te disse a ti:

26 dir-lhes-ás: Apresentei a minha súplica diante do rei, que não me fizesse voltar à casa de Jônatas para ali morrer.

27 Vieram todos os príncipes a Jeremias e lhe perguntaram; e ele lhes respondeu segundo todas estas palavras que o rei ordenara. Assim cessaram de falar com ele; porque a coisa não foi percebida.

28 Então ficou Jeremias no pátio da guarda, até o dia em que foi tomada Jerusalém.

Capítulo 39

1 Quando Jerusalém foi tomada (no nono ano de Zedequias, rei de Judá, no décimo mês, vieram Nabucodonosor, rei de Babilônia, e todo o seu exército contra Jerusalém e a sitiaram;

2 no undécimo ano de Zedequias, no quarto mês, aos nove dias do mês, fez-se uma brecha na cidade),

3 entraram todos os príncipes do rei de Babilônia, e sentaram-se na porta do meio: Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, Rabe-Mague, juntamente com todo o resto dos príncipes do rei de Babilônia.

4 Quando Zedequias, rei de Judá, e todos os homens de guerra os viram, fugiram, e de noite saíram da cidade, pelo caminho do jardim do rei, pela porta entre os dois muros. Zedequias saiu pelo caminho da Arabá.

5 Porém o exército dos caldeus os perseguiu, e alcançou a Zedequias nas campinas de Jericó; apoderando-se dele, levaram-no a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Ribla na terra de Hamate, e o rei o sentenciou.

6 O rei de Babilônia matou em Ribla os filhos de Zedequias diante dos seus olhos; também matou o rei de Babilônia a todos os príncipes de Judá.

7 Cegou os olhos de Zedequias e o atou com grilhões para o levar a Babilônia.

8 Os caldeus incendiaram a casa do rei, e as casas do povo, e derribaram os muros de Jerusalém.

9 Então o resto do povo que havia ficado na cidade, e os desertores que haviam passado para ele, e o resto do povo que havia ficado, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou-os cativos para Babilônia.

10 Dos pobres dentre o povo, porém, que não tinham coisa alguma, Nebuzaradã, capitão da guarda, deixou-os ficar na terra de Judá, e ao mesmo tempo deu-lhes vinhas e campos.

11 Nabucodonosor, rei de Babilônia, ordenou a Nebuzaradã, capitão da guarda, acerca de Jeremias, dizendo:

12 Toma-o, e trata-o bem, e não lhe faças mal algum; mas faze-lhe como ele te disser.

13 Enviaram Nebuzaradã, capitão da guarda, e Nebus-Hasbã, Rabe-Saris, e Nergal-Sarezer, Rabe-Mague, e todos os magnates do rei de Babilônia;

14 sim enviaram, e tiraram do pátio da guarda a Jeremias, e entregaram-no a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, para que o levasse para casa; assim habitou entre o povo.

15 Ora veio a palavra de Jeová a Jeremias, quando Jeremias estava encarcerado no pátio da guarda, dizendo:

16 Vai, e dize a Ebede-Meleque o etíope: Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que trarei as minhas palavras sobre esta cidade para mal, e não para bem; e cumprir-se-ão diante de ti naquele dia.

17 Mas livrar-te-ei naquele dia, diz Jeová; e não serás entregue nas mãos dos homens, a quem temes.

18 Pois certamente te salvarei, e não cairás à espada, mas a tua vida te será por despojo; porque puseste a tua confiança em mim, diz Jeová.

Capítulo 40

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias, depois que Nebuzaradã, capitão da guarda, o deixara ir de Ramá, quando o tomara, estando ele atado com cadeias no meio de todos os exilados de Jerusalém e de Judá, que foram levados cativos para Babilônia.

2 Tomando o capitão da guarda a Jeremias, disse-lhe: Jeová teu Deus pronunciou este mal contra este lugar;

3 Jeová o trouxe e fez, conforme falou. Porque tendes pecado contra Jeová, e não tendes obedecido à sua voz, portanto isto é vindo sobre vós.

4 Agora, eis que te solto hoje das cadeias que estão sobre as tuas mãos. Se te parecer bem o vires comigo a Babilônia, vem, e te tratarei bem; mas se parecer mal o vires comigo a Babilônia, deixa de ir. Eis que a terra toda está diante de ti; para o lugar para onde julgares bem e conveniente ir, para esse vai.

5 Ora não tendo Jeremias ainda voltado, disse-lhe o capitão da guarda: Volta a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a quem o rei de Babilônia constituiu governador das cidades de Judá, e habita com ele no meio do povo; ou vai para qualquer lugar que te parecer conveniente. Deu-lhe o capitão da guarda vitualhas e um presente, e deixou-o ir.

6 Então foi Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, a Mispa, e habitou com ele no meio do povo que havia ficado na terra.

7 Ora, tendo ouvido todos os capitães das forças que estavam nos campos, eles e seus homens, que o rei de Babilônia tinha constituído a Gedalias, filho de Aicão, governador na terra, e que lhe havia entregado homens, mulheres, meninos e os mais pobres da terra dos que não foram levados cativos para Babilônia;

8 vieram ter com Gedalias a Mispa, Ismael, filho de Netanias, e Joanã e Jônatas, filho de Careá, e Seraías, filho de Tanumete, e os filhos de Efai o netofatita, e Jazanias, filho do maacatita, eles e seus homens.

9 Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, jurou-lhes a eles e aos seus homens, dizendo: Não tenhais medo de servirdes aos caldeus; habitai na terra, e servi ao rei de Babilônia, e vos irá bem.

10 Quanto a mim, eis que habito em Mispa para estar às ordens dos caldeus que vieram a nós; vós, porém, colhei o vinho e os frutos do verão, e o azeite, e metei-os nos vasos, e habitai nas vossas cidades que ocupais.

11 Do mesmo modo quando todos os judeus que estavam em Moabe, e entre os filhos de Amom, e em Edom, e os que estavam em todos os países, ouviram que o rei de Babilônia deixara um resto de Judá, e que pusera sobre eles a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã;

12 então voltaram de todos os lugares para onde foram arrojados, e vieram à terra de Judá ter com Gedalias a Mispa, e colheram o vinho e os frutos do verão em grande abundância.

13 Joanã, filho de Careá, e todos os capitães das forças que estavam nos campos, vieram ter com Gedalias a Mispa,

14 e disseram-lhe: Sabes tu que Baalis, rei dos filhos de Amom, enviou a Ismael, filho de Netanias, para te tirar a vida? Porém não lhes deu crédito Gedalias, filho de Aicão.

15 Então Joanã, filho de Careá, falou em segredo a Gedalias em Mispa, dizendo: Que se me permita ir e matarei a Ismael filho de Netanias, e ninguém o saberá. Para que tiraria ele a tua vida, de sorte que fossem dispersos todos os judeus que se têm congregado a ti, e perecesse o resto de Judá?

16 Gedalias, filho de Aicão, porém, disse a Joanã, filho de Careá: Não farás isso; pois o que tu dizes de Ismael, é falso.

Capítulo 41

1 Ora no sétimo mês Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, de linhagem real, e um dos magnatas do rei, e dez homens com ele, veio a Gedalias, filho de Aicão, a Mispa; e comeram pão juntos ali em Mispa.

2 Levantaram-se Ismael, filho de Netanias, e os dez homens que com ele estavam, e feriram à espada a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, matando assim aquele que o rei de Babilônia havia posto por governador sobre a terra.

3 Matou também Ismael a todos os judeus que estavam com Gedalias em Mispa, e aos caldeus que foram achados ali, a saber, aos homens de guerra.

4 Ao outro dia depois que matara a Gedalias, não sabendo ainda ninguém,

5 vieram de Siquém, de Siló e de Samaria uns homens, ao todo oitenta com as barbas rapadas, e os vestidos rasgados, e as carnes cortadas, trazendo nas mãos oblações e incenso, para os levarem à casa de Jeová.

6 Saiu de Mispa a recebê-los Ismael, filho de Netanias, indo andando e chorando; e ao encontrá-los, disse-lhes: Vinde a Gedalias, filho de Aicão.

7 Quando chegaram ao meio da cidade, Ismael, filho de Netanias, ele e os homens que estavam com ele, mataram-nos, e lançaram-nos no meio do poço.

8 Mas entre eles acharam-se dez homens que disseram a Ismael: Não nos mates, porque temos escondidos no campo depósitos de trigo, e de cevada, e de azeite, e de mel. Assim os deixou, e não os matou entre seus irmãos.

9 Ora o poço em que lançou Ismael todos os cadáveres dos homens que matara ao lado de Gedalias (era este poço o que fizera o rei Asa por causa de Baasa, rei de Israel), a este encheu de mortos Ismael, filho de Netanias.

10 Ismael levou cativo todo o resto do povo que estava em Mispa, a saber, as filhas do rei e todo o povo que havia ficado em Mispa, os quais Nebuzaradã, capitão da guarda, tinha entregado a Gedalias, filho de Aicão; levou-os cativos Ismael, filho de Netanias, e foi-se para passar aos filhos de Amom.

11 Ouvindo, porém, Joanã, filho de Careá, e todos os capitães que estavam com ele, todo o mal que havia feito Ismael, filho de Netanias,

12 tomaram todos os homens e foram a pelejar contra Ismael, filho de Netanias, e acharam-no junto às grandes águas que há em Gibeão.

13 Ora todo o povo que estava com Ismael, se alegrou quando viu a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães das forças que estavam com ele.

14 Assim todo o povo que Ismael levara cativo de Mispa deu volta, e tornou e foi a Joanã, filho de Careá.

15 Ismael, filho de Netanias, porém, escapou de Joanã com oito homens, e foi-se aos filhos de Amom.

16 Joanã, filho de Careá, com todos os capitães das forças que estavam com ele, tomou de Mispa todo o resto do povo, os homens de guerra, e as mulheres, e os meninos, e os eunucos, que ele havia feito voltar de Gibeão, e que havia recobrado de Ismael, filho de Netanias, depois de ter este matado a Gedalias, filho de Aicão.

17 Foram-se então e estiveram de passagem em Gerute- Quimã, que está ao pé de Belém, com o intuito de entrarem no Egito por causa dos caldeus;

18 pois tinham medo deles, porque Ismael, filho de Netanias, tinha matado a Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei de Babilônia pusera por governador sobre a terra.

Capítulo 42

1 Chegaram todos os capitães das forças, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo desde o menor até o maior,

2 e disseram ao profeta Jeremias: Seja aceita, pedimos-te, a nossa súplica diante de ti, e roga a Jeová teu Deus, por nós, por todo este resto; porque de muitos temos ficado só uns poucos, assim como nos vêm os teus olhos.

3 Roga para que Jeová teu Deus nos indique o caminho no qual havemos de andar, e aquilo que havemos de fazer.

4 Respondeu-lhes o profeta Jeremias: Tenho ouvido; eis que orarei conforme as vossas palavras a Jeová vosso Deus. Tudo o que Jeová vos responder, eu vo-lo referirei; não vos encobrirei coisa alguma.

5 Disseram eles a Jeremias: Seja Jeová entre nós testemunha verdadeira e fiel, se assim o não fizermos conforme toda a palavra, com que te enviar a nós Jeová teu Deus.

6 Seja em bem, ou seja em mal, obedeceremos à voz de Jeová nosso Deus, a quem te enviamos; para que nos vá bem, quando obedecermos à voz de Jeová nosso Deus.

7 Passados que foram dez dias, veio a palavra de Jeová a Jeremias.

8 Jeremias chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães das forças que estavam com ele, e a todo o povo desde o menor até o maior,

9 e disse-lhes: Assim diz Jeová, Deus de Israel, a quem me enviastes, para que eu apresentasse diante dele as vossas súplicas:

10 Se continuardes a ficar nesta terra, edificar-vos-ei, e não vos derribarei; plantar-vos-ei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito.

11 Não tenhais medo do rei de Babilônia, de quem vós tendes medo; não tenhais medo dele, diz Jeová; pois eu sou convosco para vos salvar, e para vos livrar das suas mãos.

12 Conceder-vos-ei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e vos faça voltar para a vossa terra.

13 Mas se vós disserdes: Não moraremos nesta terra; se não obedecerdes à voz de Jeová vosso Deus,

14 mas disserdes: Não, antes iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão; e ali habitaremos:

15 ouvi a palavra de Jeová, ó resto de Judá. Assim diz Jeová dos exércitos, Deus de Israel: Se vós tiverdes o firme propósito de entrardes no Egito, e fordes para lá peregrinar;

16 a espada, que vós temeis, vos alcançará ali na terra do Egito, e a fome, que vós receais, vos guiará bem de perto ali no Egito, e ali morrereis.

17 Assim acontecerá a todos os homens que tiverem o firme propósito de entrarem no Egito para ali peregrinar; morrerão à espada, de fome, e de peste; não ficará nenhum deles, nem escapará do mal que eu farei vir sobre eles.

18 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Assim como se derramou a minha ira e o meu furor sobre os habitantes de Jerusalém, assim será derramado o meu furor sobre vós, quando entrardes no Egito; vireis a ser objeto de execração, e de espanto, e de maldição e de opróbrio; e não tornareis mais a ver este lugar.

19 Jeová disse acerca de vós, ó resto de Judá: Não entreis no Egito; tende por certo que hoje vo-lo tenho protestado.

20 Na verdade com dolo vos tendes havido contra vós mesmos; porque me enviastes a Jeová vosso Deus, dizendo: Roga por nós a Jeová, nosso Deus, e segundo tudo o que disser Jeová nosso Deus, anuncia-no-lo assim, que nós o faremos.

21 Hoje vo-lo tenho anunciado, porém não obedecestes a voz de Jeová vosso Deus em coisa alguma pela qual me enviou a vós.

22 Agora tende por certo que à espada, de fome e de peste morrereis no lugar aonde desejais ir para ali peregrinardes.

Capítulo 43

1 Tendo Jeremias acabado de falar a todo o povo todas as palavras de Jeová, Deus deles, com as quais Jeová, Deus deles, o havia enviado a eles, sim tendo acabado de falar todas estas palavras,

2 falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; Jeová nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egito para ali peregrinardes.

3 Mas Baruque, filho de Nerias, te está incitando contra nós, para nos entregar nas mãos dos caldeus, a fim de que nos tirem a vida e nos levem cativos a Babilônia.

4 Não obedeceram Joanã, filho de Careá, e todos os capitães das forças, e todo o povo, à voz de Jeová, para morarem na terra de Judá.

5 Mas Joanã, filho de Careá, e todos os capitães das forças, tomaram todo o resto de Judá que, para peregrinarem na terra de Judá, haviam voltado de todas as nações para as quais haviam sido arrojados,

6 os homens, e as mulheres, e os meninos, e as filhas do rei e toda a pessoa que Nebuzaradã, capitão da guarda, tinha deixado com Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, e o profeta Jeremias, e Baruque, filho de Nerias,

7 e entraram na terra do Egito; pois não obedeceram a voz de Jeová, e vieram até Tafnes.

8 Veio a palavra de Jeová a Jeremias em Tafnes, dizendo:

9 Toma na tua mão pedras grandes, e esconde-as com barro no pavimento que está à entrada da casa de Faraó em Tafnes, à vista dos homens de Judá;

10 e dize-lhes: Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que enviarei e tomarei o meu servo, Nabucodonosor, rei de Babilônia, e porei o seu trono sobre estas pedras que escondi; e ele estenderá sobre elas o seu pavilhão real.

11 Virá e ferirá a terra do Egito: os que são destinados para a morte, serão entregues à morte; os que para o cativeiro, ao cativeiro; e os que para a espada, à espada.

12 Eu farei pegar fogo nas casas dos deuses do Egito, e o rei os queimará e os levará cativos; vestir-se-á da terra do Egito, como se veste o pastor com a sua roupa; e sairá dali em paz.

13 Também quebrará as colunas de Bete-Semes, que está na terra do Egito, e incendiará as casas dos deuses do Egito.

Capítulo 44

1 Eis a palavra que veio a Jeremias acerca de todos os judeus que moravam na terra do Egito, em Migdol, e em Tafnes, e em Mênfis, e no país de Patros.

2 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Vós tendes visto todo este mal que fiz vir sobre Jerusalém, e sobre todas as cidades de Judá; eis que hoje são elas uma desolação, e ninguém nelas habita,

3 por causa da sua maldade que, para me provocarem à ira, praticaram, indo a queimar incenso e a servir outros deuses, a quem não conheceram, nem eles, nem vós, nem vossos pais.

4 Todavia vos enviei todos os meus servos, os profetas, levantando-me cedo e enviando-os, a dizer: Ah, não façais esta coisa abominável que aborreço!

5 Porém não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos para abandonarem a sua maldade, e não mais queimarem incenso a outros deuses.

6 Pelo que o meu furor e a minha ira, derramando-se, incendiaram as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém, que se tornaram ermas e desoladas, como hoje se vê.

7 Agora assim diz Jeová, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Por que fazeis vós contra vossas almas este grande mal, fazendo que do meio de Judá seja exterminado dentre vós o homem e a mulher, a criança e o que mama, e que não vos fique resto algum? por que fazeis este grande mal,

8 provocando-me à ira com as obras das vossas mãos, queimando incenso a outros deuses na terra do Egito, aonde fostes a peregrinar, para que sejais exterminados, e vos torneis objeto de maldição e de opróbrio entre todas as nações da terra?

9 Acaso estais esquecidos das maldades de vossos pais, e das maldades dos reis de Judá, das maldades de suas mulheres, e das vossas maldades e das maldades de vossas mulheres, que praticaram na terra de Judá, e nas ruas de Jerusalém?

10 Até o dia de hoje não se humilharam nem tiveram temor, nem andaram na minha lei e nos meus estatutos, que pus diante de vós e diante de vossos pais.

11 Portanto assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que porei o meu rosto contra vós para mal e para exterminar a todo Judá.

12 Tomarei os que restam de Judá, os quais resolveram entrar na terra do Egito para ali peregrinarem, e todos eles serão consumidos; na terra do Egito cairão; à espada e de fome serão consumidos: desde o menor até o maior morrerão à espada e de fome; e tornar-se-ão objeto de execração, e de espanto, e de maldição e de opróbrio.

13 Castigarei os que moram na terra do Egito, como castiguei a Jerusalém, à espada, de fome e de peste.

14 Dos que restam de Judá, os quais são vindos para peregrinarem na terra do Egito não haverá quem escape nem sobreviva, para tornar à terra de Judá, a qual eles desejam voltar a fim de ali morarem: não voltarão senão os que escaparem.

15 Responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes, uma grande assembleia, a saber, todo o povo que morava na terra do Egito, em Patros:

16 Quanto à palavra que nos disseste em nome de Jeová, nós não te escutaremos.

17 Mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, de queimarmos incenso à rainha do céu e de lhe derramarmos libações, como temos feito, nós e nossos pais, os nossos reis e os nossos príncipes, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém; então tínhamos fartura de pão, e nos ia bem, e não vimos mal algum.

18 Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha do céu e de lhe derramar libações, temos tido falta de tudo e temos sido consumidos pela espada e pela fome.

19 Quando queimávamos incenso à rainha do céu, e lhe derramávamos libações, acaso era sem o conhecimento de nossos maridos que nós lhe fazíamos tortas para a retratar, e lhe derramávamos libações?

20 Disse Jeremias a todo o povo, aos homens e às mulheres e a todo o povo, que lhe haviam dado esta resposta:

21 Quanto ao incenso que queimastes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vós e vossos pais, os vossos reis e os vossos príncipes, e o povo da terra, acaso não se lembrou disso Jeová, nem lhe veio isso à mente?

22 Jeová não o podia suportar mais, por causa da maldade dos vossos feitos e por causa das abominações que havíeis praticado; assim a vossa terra se tornou em desolação, e em objeto de espanto e de opróbrio, e desabitada, como hoje se vê.

23 Porque tendes queimado incenso, e porque tendes pecado contra Jeová, e não tendes obedecido a voz de Jeová, nem andado na sua lei e nos seus estatutos, e nos seus testemunhos; por isso vos sobreveio este mal, como hoje se vê.

24 Também Jeremias disse a todo o povo e a todas as mulheres: Ouvi a palavra de Jeová, todos os de Judá que estais na terra do Egito:

25 Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Vós e vossas mulheres falastes por vossa boca, e com as vossas mãos o cumpristes, dizendo: Certamente cumpriremos os nossos votos que temos feito, de queimarmos incenso à rainha do céu, e de lhe derramarmos libações; confirmai, pois, os vossos votos, e cumpri-os.

26 Portanto ouvi a palavra de Jeová, todos os de Judá que habitais na terra do Egito: Eis que por meu grande nome vos jurei, diz Jeová, que o meu nome não será pronunciado mais por boca de nenhum homem de Judá em toda a terra do Egito, dizendo-se: Pela vida de Jeová.

27 Eis que vigiarei sobre eles para mal, e não para bem; e todos os homens de Judá que estão na terra do Egito, serão consumidos pela espada e pela fome, até que de todo se acabem.

28 Os que escaparem da espada, voltarão da terra do Egito para a terra de Judá, poucos em número; e todos os que restam de Judá, que são vindos à terra do Egito para ali peregrinarem, saberão que palavra subsistirá, se a minha ou a deles.

29 Isto vos servirá de sinal, diz Jeová, de que vos castigarei neste lugar, para que saibas que certamente subsistirão as minhas palavras contra vós para mal.

30 Assim diz Jeová: Eis que entregarei Faraó-Hofra, rei do Egito, nas mãos dos seus inimigos, e nas mãos dos que procuram tirar-lhe a vida; assim como entreguei Zedequias, rei de Judá, nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, que era seu inimigo e procurava tirar-lhe a vida.

Capítulo 45

1 A palavra que no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, o profeta Jeremias falou a Baruque, filho de Nerias, quando este escrevia num livro estas palavras da boca de Jeremias que disse:

2 Assim diz Jeová, Deus de Israel, acerca de ti, ó Baruque:

3 Disseste: Ai de mim agora; pois Jeová acrescentou tristeza à minha dor; estou cansado do meu gemer, e não acho descanso.

4 Assim lhe dirás: Isto diz Jeová: Eis que eu estou demolindo o que edifiquei, e arrancando o que plantei, e isto em toda a terra.

5 Buscas tu para ti mesmo coisas grandes? não as busques. Pois eis que eu estou trazendo o mal sobre toda a carne, diz Jeová; porém te darei a tua vida por despojo em todos os lugares para onde fores.

Capítulo 46

1 A palavra de Jeová que veio a Jeremias, o profeta, acerca das nações.

2 A respeito do Egito; acerca do exército de Faraó-Neco, rei do Egito, que estava junto ao rio Eufrates em Carquemis, ao qual Nabucodonosor, rei de Babilônia, derrotou no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá.

3 Preparai o escudo e o pavês, e chegai-vos para pelejar.

4 Aparelhai os cavalos, montai nos ginetes, e apresentai-vos com elmos; açacalai lanças, vesti-vos de couraças.

5 Por que tenho esta visão? eles se espantam e voltam para trás; os seus valentes são derrotados e fogem precipitados: terror há por todos os lados, diz Jeová.

6 Não fuja o ligeiro, nem escape o valente; à banda do norte junto ao rio Eufrates tropeçaram e caíram.

7 Quem é este que sobe como o Nilo, cujas águas se agitam como os rios?

8 O Egito sobe como o Nilo, e as suas águas agitam-se como os rios; e diz: Subirei, cobrirei a terra; destruirei a cidade e os que nela habitam.

9 Subi, cavalos, estrondeai, carros; e saiam os valentes: Cus e Pute, que manejam o escudo e os ludins que manejam e entesam o arco.

10 Aquele dia, porém, é dia do Senhor, Jeová dos Exércitos, dia de vingança em que se vingará dos seus adversários; a espada devorará e se fartará e se embriagará com o sangue deles. Pois o Senhor, Jeová dos exércitos, tem um sacrifício na terra do norte junto ao rio Eufrates.

11 Sobe a Gileade, e toma bálsamo, ó virgem filha do Egito; em vão multiplicas os remédios, não há cura para ti.

12 As nações já ouviram a tua vergonha, e a terra está cheia do teu clamor; porque o valente tropeçou no valente, ambos juntos caíram.

13 A palavra que Jeová falou ao profeta Jeremias sobre o haver de vir Nabucodonosor, rei de Babilônia, e haver de ferir a terra do Egito.

14 Anunciai-o no Egito e fazei ouvir isto em Migdol; fazei também ouvir isto em Mênfis e em Tafnes; dizei: Apresenta-te, e prepara-te; pois a espada já devorou ao redor de ti.

15 Por que está derrubado o teu valente? ele não ficou de pé, porque Jeová o empurrou.

16 Jeová fez que muitos caíssem; eles caíram uns sobre os outros, e disseram: Levanta-te, e voltemos para o nosso povo e para a terra onde nascemos, para fugirmos da espada opressora.

17 Clamaram ali: Estrondo é o nome de Faraó, rei do Egito; deixou passar o tempo apontado.

18 Pela minha vida, diz o Rei, cujo nome é Jeová dos Exércitos, certamente assim virá o rei do Egito como o Tabor entre os montes e como o Carmelo junto ao mar.

19 Ó filha que habitas no Egito, prepara-te para ires ao cativeiro; pois Mênfis se tornará em desolação, e ficará deserta e despovoada.

20 O Egito é uma novilha mui formosa; mas do norte é vindo um tavão sobre ela.

21 Também os seus soldados mercenários no meio dela são como bezerros cevados; eles igualmente voltaram para trás, fugiram juntos, não ficaram firmes; pois é vindo sobre eles o dia da sua calamidade, o tempo da sua visitação.

22 O seu ruído é como o da serpente que foge; à frente dum exército marcharão e virão contra ela com machados como os que cortam lenha.

23 O bosque, diz Jeová, que de outro modo ninguém o poderá examinar, eles o cortarão; porquanto são mais numerosos do que os gafanhotos, são inumeráveis.

24 Envergonhada será a filha do Egito, entregue nas mãos do povo do norte.

25 Jeová dos Exércitos, Deus de Israel, diz: Eis que castigarei a Amom de Nô e a Faraó e ao Egito, juntamente com os seus deuses e com os seus reis, a saber, a Faraó e aos que nele confiam.

26 Entregá-los-ei nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida, e nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e nas mãos dos seus servos: e depois será habitada, como nos dias antigos, diz Jeová.

27 Mas tu não tenhas medo, servo meu Jacó, nem te espantes, Israel; porque eu te livrarei de terras remotas e da terra do seu cativeiro a tua linhagem; voltará Jacó, e ficará tranquilo e sossegado, e ninguém o amedrontará.

28 Tu não tenhas medo, servo meu Jacó; porque eu sou contigo. Pois destruirei totalmente todas as nações para onde te arrojei. A ti, porém, não te destruirei de todo, mas castigar-te-ei com juízo, e de maneira alguma te terei por inocente.

Capítulo 47

1 A palavra que da parte de Jeová veio a Jeremias acerca dos filisteus, antes que Faraó ferisse a Gaza.

2 Assim diz Jeová: Eis que do norte se levantam as águas, e se converterão em torrente trasbordante, e trasbordarão a terra e quanto há nela, a cidade e os que nela habitam; os homens clamarão, e todos os habitantes da terra uivarão.

3 Ao som do bater dos pés dos seus cavalos, ao estrépito dos seus carros, ao estrondo das suas rodas, os pais não atendem aos filhos por serem fracas as suas mãos;

4 e porque vem vindo o dia para despojar a todos os filisteus, de exterminar de Tiro e de Sidom a todos os aliados que ficarem; pois Jeová despojará os filisteus, ao resto da ilha de Caftor.

5 A calvície é vinda sobre Gaza; Asquelom é reduzida a nada, bem como o resto do seu vale; até quando te sarjarás?

6 Ó espada de Jeová, até quando deixarás de repousar? Entra na tua bainha; descansa e fica quieta.

7 Como poderá ficar quieta, visto que Jeová te deu um encargo? Contra Asquelom, e contra a costa marítima, é que ele a enviou.

Capítulo 48

1 A respeito de Moabe. Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Ai de Nebo! porque está devastado; envergonhada está Quiriataim, está tomada; Misgabe está envergonhada e espantada.

2 O louvor de Moabe já não existe mais; em Hesbom formaram maus desígnios contra ela dizendo: Vinde, exterminemo-la para que não seja mais uma nação. Também tu, ó Madmém, serás reduzida ao silêncio; a espada te perseguirá.

3 Um grito soa de Horonaim, estrago e grande destruição!

4 Destruído está Moabe; os seus pobrezinhos fizeram ouvir um clamor.

5 Pois pela subida de Luíte subirão com choro contínuo; na descida de Horonaim ouviram a angústia do grito da destruição.

6 Fugi, salvai as vossas vidas, e tornai-vos como um junípero no deserto.

7 Pois, porquanto confiaste nas tuas obras e nos teus tesouros, também tu serás tomada; irá Camos para o cativeiro juntamente com os seus sacerdotes e os seus príncipes.

8 O espoliador virá sobre todas as cidades, e nenhuma escapará; também perecerá o vale, e será destruída a planície; como Jeová o disse.

9 Dai asas a Moabe, porque tem de fugir. As suas cidades se tornarão em desolação sem que haja quem nelas habite.

10 Maldito seja quem fizer negligentemente a obra de Jeová, e maldito quem vedar do sangue a sua espada!

11 Moabe tem estado sossegado desde a sua mocidade, e tem repousado nas suas fezes, e não tem sido deitado de vasilha em vasilha, nem tem ido para o cativeiro; por isso conserva o seu sabor, e o seu cheiro não se muda.

12 Portanto eis que vêm os dias, diz Jeová, em que lhe enviarei trasfegadores, que o trasfegarão; despejarão as suas vasilhas, e despedaçarão os seus jarros.

13 Moabe terá vergonha de Camos, como a casa de Israel teve vergonha de Betel, sua confiança.

14 Como dizeis: Valentes somos e homens fortes para a guerra?

15 Devastado está Moabe, entradas as suas cidades, os seus mancebos escolhidos desceram à matança, diz o Rei, cujo nome é Jeová dos exércitos.

16 Está prestes a chegar a calamidade de Moabe, e vem vindo a largos passos a sua aflição.

17 Condoei-vos dele, todos os que estais ao redor dele, e todos os que sabeis o seu nome; dizei: Como se fez em pedaços a vara forte, o báculo formoso!

18 Ó filha que habitas em Dibom, desce da tua glória, e senta-te sequiosa; porque o espoliador de Moabe é vindo contra ti, já destruiu as tuas fortalezas.

19 Põe-te junto ao caminho, e espia, ó moradora de Aroer; pergunta ao que foge e à que escapa: Que sucedeu?

20 Envergonhado está Moabe, porque está espantado; uivai e gritai; anunciai em Arnom que Moabe está devastado.

21 O juízo é vindo sobre a terra da campina; sobre Holom, e sobre Jaza, e sobre Mefaate,

22 sobre Dibom, e sobre Nebo, e sobre Bete-Diblataim,

23 sobre Quiriataim, e sobre Bete-Gamul, e sobre Bete-Meom;

24 sobre Queriote, e sobre Bozra, e sobre todas as cidades de Moabe, quer as de longe, quer as de perto.

25 Decepado está o chifre de Moabe, quebrado o seu braço, diz Jeová.

26 Embriagai-o, porque se engrandeceu contra Jeová; Moabe revolver-se-á no seu vômito, e tornar-se-á também objeto de ludíbrio.

27 Pois não se tornou Israel objeto de ludíbrio para ti? não foi ele achado entre ladrões? porquanto sempre que falas dele, meneias a cabeça.

28 Deixai as cidades, e habitai nos penhascos, ó moradores de Moabe: sede como a pomba que faz o seu ninho nos lados da boca da caverna.

29 Temos ouvido o orgulho de Moabe, que é orgulhoso em extremo, a sua sobranceria, o seu orgulho, a sua arrogância e a altivez do seu coração.

30 Eu sei, diz Jeová, a sua indignação, que nada é; as suas jactâncias nada têm efetuado.

31 Portanto uivarei por Moabe; gritarei por todo Moabe: pelos homens de Quir-Heres prantearei.

32 Com choro maior do que o de Jazer te chorarei, ó vide de Sibma; os teus ramos passaram o mar, chegaram até o mar de Jazer; o espoliador lançou-se sobre os teus frutos de verão e sobre a tua vindima.

33 A alegria e o gozo acham-se desterrados do campo fértil e da terra de Moabe; fiz cessar dos lagares o vinho; ninguém com júbilo pisará as uvas; o júbilo não será júbilo.

34 Do grito de Hesbom até Eleale, até Jaaz fizeram ouvir a sua voz, desde Zoar até Horonaim, até Eglate-Selisias; pois também as águas de Ninrim virão a ser desolação.

35 Demais, farei cessar em Moabe aquele que faz ofertas no alto e queima incenso aos seus deuses.

36 Portanto o meu coração ressoará como flautas por causa de Moabe, e o meu coração ressoará como flautas por causa dos homens de Quir-Heres, porque já pereceu a abundância que ele adquiriu.

37 Pois todas as cabeças são calvas, e todas as barbas rapadas: em todas as mãos há sarjaduras, e sobre os lombos sacos.

38 Sobre todos os eirados de Moabe, e em todas as suas praças há pranto por toda a parte; pois fiz a Moabe em pedaços como um vaso que não agrada, diz Jeová.

39 Como está espantado! como uivam! como vira as costas Moabe envergonhado! assim se tornará Moabe objeto de ludíbrio e de espanto a todos os que estiverem ao redor dele.

40 Pois assim diz Jeová: Eis que o inimigo voará como uma águia, e estenderá as suas asas contra Moabe.

41 Tomada está Queriote, ocupadas as fortalezas, e naquele dia será o coração dos valentes de Moabe como o coração da mulher que está com dores de parto.

42 Moabe será destruído para que não seja uma nação, porque se engrandeceu contra Jeová.

43 O pavor, e a cova, e o laço estão sobre ti, ó morador de Moabe, diz Jeová.

44 Quem fugir do pavor cairá na cova; e quem sair da cova será apanhado no laço; porque trarei sobre ele, sobre Moabe, o ano da sua visitação, diz Jeová.

45 À sombra de Hesbom param sem forças os que fugiram; porque o fogo saiu de Hesbom, e do meio de Seom a labareda; e devorou as fontes da cabeça de Moabe e o alto da cabeça dos filhos do tumulto.

46 Ai de ti, Moabe! desfeito está o povo de Camos, porque teus filhos foram levados cativos, e tuas filhas para o cativeiro.

47 Contudo farei voltar o cativeiro de Moabe nos últimos dias, diz Jeová. Até aqui o juízo contra Moabe.

Capítulo 49

1 A respeito dos filhos de Amom. Assim diz Jeová: Acaso não tem filhos Israel? não tem ele herdeiro? Por que razão herda Milcom a Gade, e o seu povo habita nas cidades desta?

2 Portanto eis que vêm os dias, diz Jeová, em que farei ouvir o alarido de guerra contra Rabá dos filhos de Amom; tornar-se-á num montão desolado, e as suas filhas arderão em fogo; então herdará Israel os que o herdaram a ele, diz Jeová:

3 Uivai, ó Hesbom, porque Ai está despojada. Gritai, filhas de Rabá, cingi-vos de sacos; chorai, e dai voltas pelos currais; porque Milcom irá para o cativeiro juntamente com os seus sacerdotes e com os seus príncipes.

4 Por que te glorias nos vales, no teu vale que trasborda de abundância, ó filha apóstata? que confiavas nos teus tesouros, dizendo: Quem virá a mim?

5 Eis que farei vir sobre ti pavor, diz o Senhor, Jeová dos Exércitos, por meio de todos os que estão ao redor de ti; e sereis lançados fora, cada um para adiante, e não haverá quem recolha o desgarrado.

6 Contudo depois farei voltar o cativeiro dos filhos de Amom, diz Jeová.

7 A respeito de Edom. Assim diz Jeová dos Exércitos: Acaso já não se acha sabedoria em Temã? dos prudentes já pereceu o conselho? desvaneceu a sua sabedoria?

8 Fugi, voltai, escondei-vos, habitantes de Dedã; porque trarei sobre ele a calamidade de Esaú, o tempo em que o visitarei.

9 Se vierem a ti vindimadores, não deixarão rabiscos? se ladrões de noite, destruirão até terem o que lhes baste?

10 Mas eu desnudei a Esaú, descobri os seus esconderijos, e ele não poderá ocultar-se; despojada está a sua linhagem, e bem assim seus irmãos, e os seus vizinhos, e ele já não existe.

11 Deixa os teus órfãos, eu os conservarei em vida; e confiem em mim tuas viúvas.

12 Pois assim diz Jeová: Eis que aqueles a quem não pertencia beber o cálice, certamente o hão de beber; és tu o que serás tido inteiramente por inocente? Não serás tido por inocente, porém certamente hás de beber.

13 Pois por mim mesmo jurei, diz Jeová, que Bozra se tornará em espetáculo horrendo, em opróbrio, em desolação e em maldição; e todas as suas cidades se converterão em desolações perpétuas.

14 Eu ouvi novas da parte de Jeová, e um embaixador foi enviado por entre as nações para dizer: Ajuntai-vos, e vinde contra ela, e levantai-vos para a guerra.

15 Pois eis que te fiz pequeno entre as nações, e desprezado entre os homens.

16 Quanto a seres tu terrível, enganou-te o orgulho do teu coração, ó tu que habitas nas cavernas dos penhascos, que ocupas o cume do outeiro; embora ponhas como águia o teu ninho no alto, dali te farei descer, diz Jeová.

17 Edom tornar-se-á em objeto de espanto; todo o que passar por ela, se espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas.

18 Como na subversão de Sodoma e de Gomorra, e das cidades circunvizinhas, diz Jeová, não habitará ali homem, nem nela peregrinará filho de homem.

19 Eis que um inimigo como leão, subirá da soberba do Jordão contra a morada forte; mas de repente o farei correr dela; e quem for escolhido, pô-lo-ei sobre ela. Pois quem há semelhante a mim? quem me fixará um prazo? e quem é o pastor que me poderá resistir?

20 Portanto ouvi o conselho de Jeová, que ele tomou contra Edom, e os desígnios que formou contra os habitantes de Temã: Certamente eles, os mais pequenos do rebanho, serão arrastados; certamente a sua habitação será espantada por causa deles.

21 Ao estrondo da sua queda estremeceu a terra; há um clamor cujo som se ouve no Mar Vermelho.

22 Eis que um inimigo, como águia, subirá, voará e estenderá as suas asas contra Bozra; e o coração dos valentes de Edom tornar-se-á naquele dia como o coração da mulher que está com dores de parto.

23 A respeito de Damasco. Envergonhadas estão Hamate e Arpade; estão derretidas, porque acabam de ouvir más novas; no mar há angústia, não se pode sossegar.

24 Enfraquecida está Damasco, vira-se para fugir, e o tremor apossou-se dela; apoderou-se dela angústia e dores como a da mulher que está de parto.

25 Como não foi abandonada a cidade de renome, a cidade da minha alegria!

26 Portanto os seus mancebos cairão nas suas ruas, e todos os homens de guerra serão reduzidos ao silêncio naquele dia, diz Jeová dos exércitos.

27 Acenderei fogo no muro de Damasco, e devorará os palácios de Ben-Hadade.

28 A respeito de Quedar, e dos reinos de Hazor, que Nabucodonosor, rei de Babilônia, feriu. Assim diz Jeová: Levantai-vos, subi a Quedar, e despojai os filhos do oriente.

29 As suas tendas e os seus rebanhos, tomá-los-ão; levarão para si as suas cortinas e todos os seus vasos, e os seus camelos; e gritarão a eles: Há terror por toda a parte.

30 Fugi, andai errantes para longe, escondei-vos, habitantes de Hazor, diz Jeová; porque Nabucodonosor, rei de Babilônia, tomou conselho contra vós, e formou um desígnio contra vós.

31 Levantai-vos, e subi a uma nação que está sossegada, que habita descuidada, diz Jeová; que não tem portas nem ferrolhos, e que habita a sós.

32 Os seus camelos serão para presa, e a multidão do seu gado para despojo; espalharei a todo o vento os que cortam o cabelo em redondo; e de todos os lados lhes trarei a sua calamidade, diz Jeová.

33 Hazor tornar-se-á em morada de chacais, em desolação para sempre: não habitará ali homem, nem nela peregrinará filho de homem.

34 Eis a palavra de Jeová que no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, veio ao profeta Jeremias acerca de Elão.

35 Assim diz Jeová dos Exércitos: Eis que quebrarei o arco de Elão, a fonte do seu poder.

36 Farei vir sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos do céu, e os espalharei para todos estes ventos; e não haverá nação aonde não cheguem os fugitivos de Elão.

37 Farei que Elão se espante diante de seus inimigos, e diante dos que procuram tirar-lhe a vida. Farei vir sobre eles o mal, o ardor da minha ira, diz Jeová; enviarei após eles a espada, até que eu os tenha consumido.

38 Porei o meu trono em Elão, e destruirei dali rei e príncipes, diz Jeová.

39 Nos últimos dias farei voltar o cativeiro de Elão, diz Jeová.

Capítulo 50

1 A palavra que falou Jeová acerca de Babilônia, acerca da terra dos caldeus, por meio do profeta Jeremias.

2 Anunciai entre as nações e publicai, e arvorai um estandarte; publicai e não encubrais; dizei: Tomada está Babilônia, envergonhado Bel, espantado Merodaque; envergonhadas estão as suas imagens, espantados os seus ídolos.

3 Pois do norte vem contra ela uma nação, que tornará a sua terra em desolação, e ninguém habitará nela; tanto os homens como os animais já fugiram e se foram.

4 Naqueles dias e naquele tempo, diz Jeová, virão os filhos de Israel, juntamente com os filhos de Judá, seguirão o seu caminho chorando, e buscarão a Jeová seu Deus.

5 Tendo os seus rostos voltados para lá, indagarão acerca de Sião, dizendo: Vinde, e uni-vos a Jeová com uma aliança sempiterna que nunca será esquecida.

6 Ovelhas perdidas têm sido o meu povo; os seus pastores fizeram-nas errar, e voltar aos montes; do monte passaram ao outeiro, esqueceram-se do lugar do seu repouso.

7 Todos os que os acharam, os devoraram, e os seus adversários disseram: Não somos culpados; porque pecaram contra Jeová, morada de justiça, contra Jeová, esperança de seus pais.

8 Fugi do meio de Babilônia, e saí da terra dos caldeus, e sede como os bodes que vão adiante dos rebanhos.

9 Pois eis que suscitarei e farei vir da terra boreal contra Babilônia uma assembleia de grandes nações; por-se-ão em ordem contra ela, e dali será ela tomada. As suas flechas serão as de um valente perito que não tornará vazio.

10 Caldeia servirá de presa; e todos os que a despojaram, serão fartos, diz Jeová.

11 Porquanto vos alegrais, porquanto vos regozijais, ó vós que saqueais a minha herança, porquanto estais soltos como novilha que pisa o trigo, e rinchais como ginetes;

12 mui envergonhada será vossa mãe, confundida será a que vos deu à luz; eis que será a última das nações, erma, terra árida, e deserta.

13 Por causa do furor de Jeová não será habitada, mas será de todo desolada; todo o que passar por Babilônia, se espantará e assobiará por causa de todas as suas pragas.

14 Ponde-vos em ordem contra Babilônia ao redor, todos vós os que armais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas; porque ela tem pecado contra Jeová.

15 Gritai contra ela ao redor; ela se submeteu, caídos estão os seus baluartes, derrubados os seus muros. Pois é vingança de Jeová; tomai vingança dela: como ela tem feito, assim fazei-lhe a ela.

16 Exterminai de Babilônia o que semeia e o que maneja a foice no tempo da ceifa; por causa da espada opressora tornarão cada um para o seu povo, e fugirão, cada um para a sua terra.

17 Israel é ovelha desgarrada que os leões afugentaram: devorou-o primeiro o rei da Assíria, e por fim este Nabucodonosor, rei de Babilônia, quebrou-lhe os ossos.

18 Portanto assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que castigarei o rei de Babilônia e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria.

19 Farei voltar Israel para a sua morada, e pastará no Carmelo e em Basã, e a sua alma se fartará nos outeiros de Efraim e de Gileade.

20 Naqueles dias e naquele tempo, diz Jeová, buscar-se-á a iniquidade de Israel, e não a haverá mais; e os pecados de Judá, e não se acharão: pois perdoarei aos que eu reservar.

21 Sobe à terra de Merataim, sobe contra ela e contra os habitantes de Pécode; mata e de todo destrói após eles, diz Jeová, e faze conforme tudo o que te ordenei.

22 Na terra há som de guerra, e de grande destruição.

23 Como está partido e quebrado o martelo de toda a terra! como se tornou Babilônia um espetáculo horrendo entre as nações!

24 Eu te enredei, e foste também tomada, ó Babilônia, e tu não o soubeste; estás surpreendida e também apanhada, porque tens provocado a Jeová.

25 Jeová acaba de abrir o seu arsenal, e tirar dele as armas da sua indignação; porque o Senhor, Jeová dos Exércitos, tem que fazer na terra dos caldeus.

26 Vinde contra ela de todos os lados, abri os seus celeiros, fazei dela montões, e destruí-a de todo; não fique dela resto algum.

27 Matai a todos os seus novilhos; desçam eles ao degoladouro: ai deles! pois é chegado o seu dia, o tempo da sua visitação.

28 Eis a voz dos que fogem e escapam da terra de Babilônia para anunciar em Sião a vingança de Jeová, nosso Deus, a vingança do seu templo.

29 Convocai contra Babilônia os flecheiros, todos os que armam o arco; acampai-vos contra ela em redor; e não escape ninguém. Pagai-lhe conforme a sua obra; conforme tudo o que ela tem feito, assim lhe fazei a ela; porque se houve arrogantemente contra Jeová, contra o Santo de Israel.

30 Por isso os seus mancebos cairão nas suas ruas, e todos os seus homens de guerra serão reduzidos ao silêncio naquele dia, diz Jeová.

31 Eis que sou contra ti, ó orgulhosa, diz o Senhor, Jeová dos Exércitos: pois é chegado o teu dia, o tempo em que te visitarei.

32 A orgulhosa tropeçará, e cairá, e ninguém a levantará; e acenderei fogo nas suas cidades, que devorará todos os que estão ao redor dela.

33 Assim diz Jeová dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá juntamente sofrem opressão; e todos os que os levaram cativos, os retêm; recusam deixá-los ir.

34 O redentor deles é forte; Jeová dos Exércitos é o seu nome; certamente defenderá em juízo a causa deles, para dar descanso à terra, e para inquietar os habitantes de Babilônia.

35 A espada está sobre os caldeus, diz Jeová, e sobre os habitantes de Babilônia, e sobre os seus príncipes, e sobre os seus sábios.

36 A espada está sobre os paroleiros, e eles ficarão insensatos; a espada está sobre os seus valentes, e eles serão espantados.

37 A espada está sobre os seus cavalos, e sobre os seus carros, e sobre todo o povo misto que se acha no meio dela, e eles tornar-se-ão como mulheres; a espada está sobre os seus tesouros, e eles serão roubados.

38 A seca está sobre as suas águas, e elas secarão; pois é terra de imagens esculpidas, e pelos seus ídolos fazem-se loucos.

39 Portanto feras do deserto juntamente com lobos habitarão ali, e morarão nela avestruzes e nunca mais será habitada, nem servirá de moradia de geração em geração.

40 Como quando Deus subverteu a Sodoma e a Gomorra e as suas cidades vizinhas, diz Jeová, não habitará ali homem, nem nela peregrinará filho de homem.

41 Eis que um povo vem do norte; e uma grande nação e muitos reis serão suscitados dos últimos confins da terra.

42 Armam-se de arco e de lança; são cruéis, e não têm piedade; a voz deles brama como o mar, e montam em cavalos, cada um posto em ordem, como homem para a batalha, contra ti, ó filha de Babilônia.

43 Já ouviu o rei de Babilônia a fama deles, e desfalecem as suas mãos; dele se apoderou a angústia, e dores como as da mulher que está de parto.

44 Eis que subirá um inimigo, como leão, da soberba do Jordão contra a morada forte; mas de repente o farei correr dela; quem for escolhido, pô-lo-ei sobre ela. Pois quem há semelhante a mim? quem me fixará um prazo? e quem é o pastor que me poderá resistir.

45 Portanto ouvi o conselho de Jeová, que tomou contra Babilônia, e os desígnios que formou contra a terra dos caldeus: certamente eles, os mais pequenos do rebanho, serão arrastados; certamente a sua habitação será espantada por causa deles.

46 Ao estrondo da tomada de Babilônia, estremece a terra; e ouve-se entre as nações o grito.

Capítulo 51

1 Assim diz Jeová: Eis que vou levantar contra Babilônia e contra os que habitam em Lebecamai um vento destruidor.

2 Enviarei a Babilônia padejadores, que a padejarão, e tornar-lhe-ão vazia a terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade.

3 Não arme o flecheiro o seu arco, nem se levante o que estiver armado de sua couraça; e não perdoeis aos mancebos dela; destruí completamente todo o seu exército.

4 Cairão mortos na terra dos caldeus, e atravessados nas suas ruas.

5 Porque Israel não enviuvou, nem Judá, do seu Deus, de Jeová dos exércitos; ainda que a terra deles está cheia de culpas contra o Santo de Israel.

6 Fugi do meio de Babilônia, e salve cada um a sua vida; não sejais exterminados na sua iniquidade; pois é tempo da vingança de Jeová; ele lhe dará o pago.

7 Na mão de Jeová tem sido Babilônia um copo de ouro que embriaga toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso estão fora de si.

8 Repentinamente caiu Babilônia e ficou arruinada; uivai sobre ela; tomai bálsamo para a sua dor, porventura sarará.

9 Teríamos sarado a Babilônia, porém não está sarada; abandonai-a, e vamo-nos, cada qual para sua terra; pois o seu juízo chega ao céu, e se eleva até as nuvens.

10 Jeová manifestou a nossa justiça; vinde, e anunciemos em Sião a obra de Jeová nosso Deus.

11 Aguçai as setas, preparai os arneses: Jeová despertou o espírito dos reis dos medos; porque o seu intento é contra Babilônia para a destruir. Pois é vingança de Jeová, vingança do seu templo.

12 Arvorai um estandarte contra os muros de Babilônia, reforçai a guarda, colocai os vigias, disponde as emboscadas; porque Jeová tanto intentou como fez o que falou acerca dos habitantes de Babilônia.

13 Ó tu, que habitas sobre muitas águas, abundante em tesouros, é chegado o teu fim, é medida a tua ganância.

14 Jeová dos Exércitos jurou por si mesmo, dizendo: Certamente te encherei de homens, como de pulgão; e eles levantarão um grito contra ti.

15 Ele fez a terra com o seu poder, estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com o seu entendimento estendeu os céus.

16 Ao dar ele a sua voz, há um tumulto de águas nos céus, e faz subir das extremidades da terra os vapores; faz os relâmpagos para a chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento.

17 Todo o homem tem-se embrutecido, e não tem conhecimento; todo o ourives é envergonhado pela imagem que esculpiu. Pois a imagem que ele fundiu é mentira, e nelas não há fôlego.

18 Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação perecerão.

19 Não é semelhante a estes o que é a porção de Jacó; porque ele é o que forma todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança. Jeová dos exércitos é o seu nome.

20 Tu me serves de machado e de armas de guerra; por ti despedaçarei as nações, e por ti destruirei reinos;

21 por ti despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro;

22 por ti despedaçarei o carro e o que vai montado nele; por ti despedaçarei o homem e a mulher; por ti despedaçarei o velho e o moço; por ti despedaçarei o mancebo e a donzela;

23 por ti despedaçarei o pastor e o seu rebanho; por ti despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois; e por ti despedaçarei governadores e vice-reis.

24 Pagarei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldeia todo o seu mal que fizeram em Sião ante os vossos olhos, diz Jeová.

25 Eis que sou contra ti, diz Jeová, ó monte destruidor, que destrói toda a terra; estenderei a minha mão sobre ti, e te farei rodar dos penhascos abaixo, e te tornarei em um monte queimado.

26 De ti não tomarão pedra para um ângulo, nem pedra para fundamentos; mas desolada ficarás para sempre, diz Jeová.

27 Arvorai um estandarte na terra, tocai a trombeta entre as nações, preparai contra ela as nações, convocai contra ela os reinos de Ararate, de Mini, e de Asquenaz; apontai contra ela um marechal; fazei subir cavalos como pulgões ásperos.

28 Preparai contra ela as nações, os reis dos medos, os seus governadores e todos os seus vice-reis, e toda a terra do seu domínio.

29 Estremece a terra, e está angustiada; porque estão em vigor contra Babilônia os desígnios de Jeová, para fazer da terra de Babilônia uma desolação sem habitantes.

30 Os valentes de Babilônia deixam de pelejar, ficam nos seus presídios; têm minguado a sua força, têm-se tornado como mulheres; incendiadas são as suas moradas, quebrados os seus ferrolhos.

31 Um correio corre ao encontro de outro, e um mensageiro ao encontro de outro, para dizer ao rei de Babilônia que a sua cidade está tomada de todos os lados;

32 e que as passagens estão surpreendidas, e os canaviais incendiados, e amedrontados os homens de guerra.

33 Pois assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: A filha de Babilônia é como a eira ao tempo em que é pisada; ainda um pouco, e o tempo da ceifa lhe virá.

34 Nabucodonosor, rei de Babilônia, devorou-me, esmagou-me, fez de mim um vaso vazio, como dragão tragou-me, encheu o seu ventre do que eu tinha de delicioso; e deitou-me fora.

35 A violência que se me fez a mim e a minha carne, seja sobre Babilônia, diga a moradora de Sião; e o meu sangue sobre os habitantes de Caldeia, diga Jerusalém.

36 Portanto assim diz Jeová: Eis que defenderei a tua causa, e te vingarei; secarei o seu mar, e farei que se esgote a sua fonte.

37 Babilônia virá a ser montões, morada de chacais, espetáculo horrendo, e objeto de assobios, sem que nela haja habitantes.

38 Juntos rugem como leões novos, rosnam como cachorros de leões.

39 Estando eles esquentados, preparar-lhes-ei um banquete, e os embriagarei para que se regozijem, e durmam um sono sem fim, e não despertem, diz Jeová.

40 Fá-los-ei descer como cordeiros ao matadouro, como carneiros, como bodes.

41 Como está Sisaque tomada! e surpreendida a glória de toda a terra! como se tornou Babilônia um espetáculo horrendo entre as nações!

42 O mar é vindo sobre Babilônia, coberta está da multidão das suas ondas.

43 As suas cidades tornaram-se em desolação, terra árida, e deserta; não habitará nelas homem, nem por elas passará filho de homem.

44 Castigarei a Bel, em Babilônia, e farei que lance da sua boca o que tem tragado; e nunca mais concorrerão as nações: na verdade já caiu o muro de Babilônia.

45 Saí do meio dela, povo meu, e salvai do furor da ira de Jeová, cada um a sua vida.

46 Não desfaleça o vosso coração, nem tenhais medo por causa do rumor que se há de ouvir na terra; pois virá num ano um rumor, e depois desse em outro ano um rumor, e haverá violência na terra, dominador contra dominador.

47 Portanto eis que vêm os dias, em que executarei juízo sobre as imagens esculpidas de Babilônia, e toda a terra dela ficará envergonhada; e todos os seus mortos cairão no meio dela.

48 Então o céu e a terra, e tudo quanto neles há, cantarão de júbilo sobre Babilônia; porque do norte lhe virão a ela os espoliadores, diz Jeová.

49 Como Babilônia fez cair os mortos de Israel, assim cairão em Babilônia os mortos de toda a terra.

50 Vós que escapastes da espada, ide-vos, não fiqueis parados; lembrai-vos de Jeová desde terras remotas, e suba Jerusalém à vossa mente.

51 Envergonhados estamos, porque ouvimos opróbrio; a confusão nos cobriu o rosto; pois estrangeiros entraram nos santuários da casa de Jeová.

52 Por isso eis que vêm os dias, diz Jeová, em que executarei juízo sobre as suas imagens esculpidas; e em toda a sua terra gemerão os feridos.

53 Ainda que suba Babilônia ao céu, e ainda que fortifique o alto da sua força, contudo de mim virão sobre ela espoliadores, diz Jeová.

54 Uma voz de clamor ouve-se de Babilônia, e de grande destruição da terra dos caldeus;

55 pois Jeová está despojando a Babilônia, e fará cessar dela a sua grande voz; bramarão as ondas do inimigo como muitas águas, dá-se o estrondo da sua voz.

56 O espoliador é vindo sobre ela, isto é, sobre Babilônia, tomados são os seus valentes, despedaçados os seus arcos: pois Jeová é Deus que recompensa, ele certamente pagará.

57 Embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, os seus governadores e os seus vice-reis, e os seus valentes; dormirão um sono perpétuo, e não despertarão, diz o Rei, cujo nome é Jeová dos Exércitos.

58 Assim diz Jeová dos Exércitos: Os largos muros de Babilônia serão de todo derrubados, e as suas altas portas serão abrasadas pelo fogo; os povos trabalharão para a vaidade, e as nações para o fogo, e tanto uns como outros ficarão cansados.

59 A palavra que o profeta Jeremias mandou a Seraías, filho de Nerias, filho de Maaseias, quando ia com Zedequias, rei de Judá, a Babilônia, no quarto ano do seu reinado. Ora Seraías era o camareiro-mor.

60 Escreveu Jeremias em um livro todo o mal que havia de vir sobre Babilônia, a saber, todas estas palavras que ficam escritas acerca de Babilônia.

61 Disse Jeremias a Seraías: Quando chegares a Babilônia, vê que leias todas estas palavras,

62 e dize: Tu, Jeová, falaste acerca deste lugar, para o exterminares, a fim de que não haja quem nele habite, nem homem nem animal, mas que fique deserto para sempre.

63 Quando tiveres acabado de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra, e o lançarás no meio do Eufrates:

64 e dirás: Assim se submergirá Babilônia, e não se levantará, por causa do mal que vou trazer sobre ela e ela ficará cansada. Até aqui são as palavras de Jeremias.

Capítulo 52

1 Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Hamutal, filha de Jeremias de Libna.

2 Ele fez o que era mau aos olhos de Jeová, conforme tudo o que Jeoaquim fizera.

3 Isto aconteceu por causa da ira de Jeová em Jerusalém até os ter lançado da sua presença. Zedequias rebelou-se contra o rei de Babilônia.

4 Sucedeu que, no ano nono do seu reinado, no décimo mês, aos dez dias do mês, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, com todo o seu exército contra Jerusalém, e acampou-se contra ela; e contra ela levantaram trincheiras ao redor.

5 A cidade ficou sitiada até o undécimo ano de Zedequias.

6 No quarto mês aos nove dias do mês, viu-se a cidade apertada de fome, de modo que não havia pão para o povo da terra.

7 Então se abriu uma brecha na cidade, e todos os homens de guerra fugiram, e saíram da cidade de noite, pelo caminho da porta entre os dois muros, a qual está junto ao jardim do rei (ora os caldeus cercavam a cidade ao redor); e foram-se pelo caminho da Arabá.

8 Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei, e alcançou a Zedequias nas campinas de Jericó; todo o seu exército dispersou-se e o abandonou.

9 Prenderam o rei, e o levaram ao rei de Babilônia a Ribla na terra de Hamate; e ele lhe pronunciou a sentença.

10 O rei de Babilônia matou os filhos de Zedequias diante dos seus olhos; e bem assim matou todos os príncipes de Judá em Ribla.

11 Vazou os olhos de Zedequias, atou-o com cadeias, levou-o para Babilônia e o pôs no cárcere até o dia da sua morte.

12 Ora no quinto mês, aos dez dias do mês, era o décimo nono ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio a Jerusalém Nebuzaradã, capitão da guarda, que assistia na presença do rei de Babilônia;

13 queimou a casa de Jeová, e a casa do rei; e todas as casas de Jerusalém, a saber, todas as casas importantes, ele as entregou às chamas.

14 Todo o exército dos caldeus que estava com o capitão da guarda deitou abaixo em roda todos os muros de Jerusalém.

15 Dos mais pobres da terra, e o resto do povo que havia ficado na cidade, e os desertores que se tinham passado ao rei de Babilônia, e o resto da multidão, levou-os cativos Nebuzaradã, capitão da guarda.

16 Mas dos mais pobres da terra deixou Nebuzaradã, capitão da guarda, para serem vinheiros e lavradores.

17 Os caldeus despedaçaram as colunas de cobre que estavam na casa de Jeová, e as bases, e o mar de cobre que estava na casa de Jeová, e levaram todo o cobre para Babilônia.

18 Levaram também as panelas, e as pás e os apagadores, e as bacias, e as colheres, e todos os vasos de cobre, de que usavam no ministério.

19 Levou o capitão da guarda os copos, e os braseiros, e as bacias, e as panelas, e os candeeiros, e as colheres e as taças, o que era de ouro, em ouro, e o que era de prata, em prata,

20 as duas colunas, o único mar, e os doze bois de cobre que estavam debaixo das bases, que o rei Salomão tinha feito para a casa de Jeová. O cobre de todos estes vasos não tinha peso.

21 Quanto às colunas, a altura de cada coluna era de dezoito cúbitos; um cordão de doze cúbitos a cercava; e a sua grossura era de quatro dedos: era oca.

22 Sobre ela havia um capitel de cobre; e cada capitel tinha cinco cúbitos de alto, e uma rede e romãs sobre o capitel ao redor, tudo de cobre; e a segunda coluna tinha as mesmas coisas, e romãs.

23 Havia noventa e seis romãs aos lados; as romãs todas eram cem, postas sobre a rede ao redor.

24 Levou o capitão da guarda a Seraías, o sumo sacerdote, e a Sofonias o segundo sacerdote e os três guardas da porta;

25 e da cidade levou a um oficial que tinha a seu cargo os homens de guerra; e a sete homens dos que assistiam ao rei e que se achavam na cidade; e ao escriba do capitão do exército que registrava o povo da terra; e sessenta homens do povo da terra, que se achavam no meio da cidade.

26 Tomando-os Nebuzaradã, capitão da guarda, levou-os ao rei de Babilônia, a Ribla.

27 O rei de Babilônia os feriu, assim matando-os, em Ribla na terra de Hamate. Assim Judá foi levado cativo fora da sua terra.

28 Esta é a gente que Nabucodonosor levou cativo: no sétimo ano três mil e vinte e três judeus;

29 no décimo oitavo ano de Nabucodonosor, levou de Jerusalém oitocentas e trinta e duas pessoas;

30 no vigésimo terceiro ano de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou cativas dentre os judeus setecentas e quarenta e cinco pessoas: todas as pessoas foram quatro mil e seiscentas.

31 No trigésimo sétimo ano do cativeiro de Jeoaquim, rei de Judá, no duodécimo mês aos vinte e cinco dias do mês, Evil-Merodaque, rei de Babilônia, no primeiro ano do seu reinado, levantou a cabeça de Jeoaquim, rei de Judá, e o tirou do cárcere.

32 Falou-lhe benignamente, pôs o trono dele acima dos tronos dos reis que estavam com ele em Babilônia.

33 Fez-lhe mudar os vestidos de que usava no cárcere; e Jeoaquim comia pão na presença do rei continuamente todos os dias de sua vida.

34 Para a sua ração, foi-lhe dada pelo rei de Babilônia uma ração contínua, em cada dia a sua porção até o dia da sua morte, durante todos os dias da sua vida.

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