1 Samuel
Capítulo 1
1 Houve um homem de Remataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita.
2 Ele tinha duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina. Penina tinha filhos, porém Ana não os tinha.
3 Este homem subia da sua cidade, de ano em ano, a adorar e oferecer sacrifícios, em Siló, a Jeová dos Exércitos. Assistiam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, como sacerdotes de Jeová.
4 No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, costumava dar quinhões à sua mulher Penina e a todos os seus filhos e filhas,
5 porém a Ana dava um só quinhão; contudo ele a amava; mas Jeová lhe havia cerrado a madre.
6 Para lhe fazer enfadar-se, muito a atormentava a sua rival, porque Jeová lhe havia cerrado a madre.
7 Assim fazia ele de ano em ano. Certa ocasião em que Penina subiu à Casa de Jeová, irritou ela a Ana, que se pôs a chorar e não comeu.
8 Perguntou-lhe Elcana, seu marido: Ana, por que choras? Por que não comes? E por que está triste o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?
9 Levantou-se Ana, depois que comeram e beberam em Siló. Ora, o sacerdote Eli estava sentado na sua cadeira, junto ao umbral da porta do templo de Jeová.
10 Ela, profundamente amargurada, orou a Jeová e chorou muito;
11 fez um voto e disse: Jeová dos Exércitos, se, na verdade, tu te dignares olhar para a aflição da tua serva e se te lembrares de mim; se não te esqueceres da tua serva, mas se lhe deres um filho varão, eu o darei a Jeová por todos os dias da sua vida, e não passará navalha pela sua cabeça.
12 Continuando ela a orar diante de Jeová, observou Eli o movimento dos seus lábios.
13 Ana, todavia, falava no seu coração; tão somente se moviam os seus lábios, porém não se ouvia a sua voz. Por isso, julgou Eli que ela estava embriagada.
14 Disse-lhe Eli: Até quando estarás embriagada? Deixa passar de ti o teu vinho.
15 Ana respondeu: Não é assim, meu senhor; eu sou uma mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida que possa embriagar, porém derramei a minha alma diante de Jeová.
16 Não tenhas a tua serva por filha de Belial, porque, movida pela abundância da minha queixa e da minha provocação, falei até agora.
17 Então, lhe respondeu Eli: Vai-te em paz; o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste.
18 Ela disse: Ache a tua serva graça aos teus olhos. Assim, a mulher foi o seu caminho e comeu, e não mais era triste o seu semblante.
19 Tendo-se levantado de madrugada, adoraram perante Jeová, voltaram e chegaram à sua casa, em Ramá. Elcana conheceu a sua mulher Ana; e Jeová lembrou-se dela.
20 Concebeu Ana e, tendo passado o período, deu à luz um filho e pôs-lhe por nome Samuel, dizendo: Porque de Jeová o pedi.
21 Subiu Elcana e toda a sua casa a oferecer a Jeová o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.
22 Mas Ana não subiu, pois disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, levá-lo-ei, a fim de que ele apareça diante de Jeová e a fim de que lá fique para sempre.
23 Respondeu-lhe Elcana, seu marido: Faze o que te parecer bem; fica até o desmamares, e cumpra Jeová a sua palavra. Assim, ficou a mulher e deu leite a seu filho até que o desmamou.
24 Depois de o ter desmamado, levando consigo a ele, e três novilhos, e um efa de farinha, e um odre de vinho, o trouxe à Casa de Jeová, em Siló. O menino era ainda muito criança.
25 Depois de terem sacrificado o novilho, trouxeram o menino a Eli.
26 Ana disse: Ah! Meu senhor! Tão certamente como vive a tua alma, senhor, eu sou a mulher que estive aqui na tua presença, orando a Jeová.
27 A respeito deste menino orava eu, e Jeová me concedeu a petição que lhe fiz.
28 Portanto, eu de minha parte o entreguei a Jeová; por todos os dias que ele viver, está entregue a Jeová. Então, adorou ali a Jeová.
Capítulo 2
1 Então, Ana orou e disse: Alegra-se o meu coração em Jeová. Exaltado é o meu poder em Jeová. A minha boca dilata-se sobre os meus inimigos, porque eu me regozijo na tua salvação.
2 Ninguém há santo como Jeová; pois não há outro fora de ti, nem há outra rocha como o nosso Deus.
3 Não continueis a falar tão orgulhosamente; não saiam da vossa boca palavras arrogantes, porque Jeová é Deus que tudo sabe, e por ele são pesadas as ações.
4 O arco dos fortes se quebra, e os fracos são cingidos de força.
5 Os fartos assalariam-se por pão, e os famintos deixam de ter fome. Até a estéril deu à luz sete filhos, e a que teve muitos filhos perde as forças.
6 Jeová é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Sheol e faz subir.
7 Jeová é o que empobrece e dá riquezas; ele abate e também eleva.
8 Levanta do pó ao pobre, do monturo eleva ao necessitado, para os fazer assentar entre os príncipes e para lhes dar por herança um trono de glória; pois de Jeová são as colunas da terra, e sobre elas tem posto o mundo.
9 Ele guardará os pés dos seus santos; os ímpios, porém, ficarão mudos nas trevas, porque, pela força, não prevalecerá o homem.
10 Jeová despedaçará os seus inimigos e contra eles trovejará nos céus. Jeová julgará as extremidades da terra; dará força ao seu rei e exaltará o poder do seu ungido.
11 Então, se retirou Elcana para sua casa, em Ramá. O menino, porém, ficou servindo a Jeová na presença do sacerdote Eli.
12 Ora, os filhos de Eli eram filhos de Belial; não conheciam a Jeová.
13 Este era o costume dos sacerdotes para com o povo: sempre que alguém oferecia um sacrifício, vinha o servo do sacerdote, quando se cozia a carne, tendo na mão o seu garfo de três dentes,
14 e metia-o na panela, ou no tacho, ou no caldeirão, ou na marmita. Tudo o que o garfo trazia para cima, tomava-o o sacerdote para si. Assim faziam em Siló a todos os israelitas que lá chegavam.
15 Ainda mais: antes que queimassem a gordura, vinha o servo do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: Dá carne de assar para o sacerdote, porque ele não receberá de ti carne cozida, mas crua.
16 Se lhe respondia o ofertante: Sem dúvida, logo há de ser queimada a gordura; então, tomarás quanto quiseres; replicava-lhe o servo: Não, porém hás de dar-ma agora; se não, tomá-la-ei à força.
17 Era muito grande o pecado desses moços diante de Jeová, pois o povo veio a desprezar a oferta de Jeová.
18 Samuel, porém, ministrava diante de Jeová, vestido de um éfode de linho.
19 Sua mãe fazia-lhe uma pequena túnica e, de ano em ano, lha trazia, quando subia em companhia de seu marido a oferecer o sacrifício anual.
20 Eli abençoou a Elcana e a sua mulher e disse: Jeová te dê semente desta mulher em lugar da que foi pedida a Jeová. Então, voltaram para sua casa.
21 Visitou Jeová a Ana, e ela concebeu e deu à luz três filhos e duas filhas. Entretanto, o menino Samuel crescia diante de Jeová.
22 Ora, Eli era muito velho, mas ouvia tudo o que faziam seus filhos a todo o Israel e como se deitavam com as mulheres que ministravam à porta da tenda da revelação.
23 Disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? De todo este povo eu ouço falar dos vossos maus atos.
24 Não, filhos meus; pois não é boa a fama que eu ouço. Estais fazendo transgredir o povo de Jeová.
25 Se o homem pecar contra outro, Deus o julgará; mas, se um homem pecar contra Jeová, quem intercederá por ele? Todavia, não ouviram a voz de seu pai, porque Jeová os queria matar.
26 Mas o menino Samuel ia crescendo em estatura e no favor de Jeová bem como dos homens.
27 Veio um homem de Deus a Eli e disse-lhe: Assim diz Jeová: Não me revelei à casa de teu pai, quando eles estavam no Egito sujeitos à casa de Faraó?
28 Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar incenso e para trazer um éfode diante de mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
29 Por que pisastes aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas que ordenei que se fizessem na minha habitação, e por que honras a teus filhos mais do que a mim, engordando-vos das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?
30 Portanto, diz Jeová, Deus de Israel: Eu tinha dito que a tua casa e a casa de teu pai andariam para sempre diante de mim, mas, agora, diz Jeová: Longe de mim tal coisa, porque honrarei aos que me honram, e os que me desprezam serão tidos em pouca conta.
31 Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, de sorte que não haja ancião em tua casa.
32 Em todo o bem que Deus fará a Israel verás o aperto na minha habitação; e nunca haverá um ancião em tua casa.
33 O homem da tua linhagem a quem eu não cortar do meu altar será poupado para que os teus olhos se consumam, e a tua alma se entristeça; todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade.
34 Será para ti por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e a Fineias: no mesmo dia morrerão ambos.
35 Eu suscitarei para mim um sacerdote fiel, que fará segundo tudo o que está no meu coração e na minha mente; edificar-lhe-ei uma casa duradoura, e ele andará sempre diante do meu ungido.
36 Todo aquele que restar em tua casa virá e se prostrará diante dele por uma moeda de prata e por um pão e dirá: Rogo-te que me admitas a um dos cargos sacerdotais, para que eu coma um bocado de pão.
Capítulo 3
1 O menino Samuel ministrava a Jeová diante de Eli. Naqueles dias, a palavra de Jeová era preciosa; não havia visão manifesta.
2 Estando Eli deitado no seu lugar (Ora, os seus olhos tinham começado a escurecer, e ele não podia ver.),
3 e ainda não se havendo apagado a lâmpada de Deus, e estando Samuel também deitado no templo de Jeová, onde estava a arca de Deus,
4 chamou Jeová a Samuel. Este respondeu: Eis-me aqui.
5 Correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Ele respondeu: Eu não te chamei; torna a deitar-te. Ele foi e deitou-se.
6 Jeová tornou a chamar outra vez a Samuel, que, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois me chamaste. Eli respondeu-lhe: Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te.
7 Samuel ainda não conhecia a Jeová, cuja palavra ainda não lhe havia sido revelada.
8 Tornou Jeová a chamar a Samuel pela terceira vez. Ele, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois me chamaste. Então, entendeu Eli que Jeová chamava ao menino.
9 Por isso, disse Eli a Samuel: Vai deitar-te; se alguém te chamar, responderás: Fala, Jeová, porque o teu servo ouve. Foi, pois, Samuel e deitou-se no seu lugar.
10 Então, veio Jeová, parou e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Respondeu ele: Fala, pois o teu servo ouve.
11 Disse Jeová a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir, ficar-lhe-ão tinindo ambos os ouvidos.
12 Naquele dia, darei contra Eli pleno cumprimento de tudo o que tenho falado a respeito da sua casa.
13 Eu já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, por causa da iniquidade de que ele tinha ciência, pois trouxeram seus filhos uma maldição sobre si, e ele não os repreendeu.
14 Por isso, jurei à casa de Eli que a iniquidade dela nunca jamais será expiada com sacrifícios nem com ofertas de cereais.
15 Samuel ficou deitado até pela manhã, quando abriu as portas da Casa de Jeová. Mas ele temia relatar a visão a Eli.
16 Chamou Eli a Samuel e disse: Samuel, meu filho. Este respondeu: Eis-me aqui.
17 Eli perguntou-lhe: Que é o que Jeová te falou? peço-te que não mo encubras; assim te faça Deus e ainda mais, se me encobrires alguma coisa de tudo o que te falou.
18 Samuel referiu-lhe tudo e nada lhe encobriu. Então, disse Eli: Ele é Jeová; faça o que lhe parecer bem.
19 Crescia Samuel, e Jeová era com ele; não deixou nenhuma das suas palavras cair no chão.
20 Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel foi confirmado como profeta de Jeová.
21 Jeová tornou a aparecer em Siló, pois ali se revelou a Samuel pela sua palavra.
Capítulo 4
1 E veio a palavra de Samuel a todo o Israel. Ora, saiu Israel à batalha contra os filisteus e acampou-se em Ebenézer, e os filisteus acamparam-se em Afeca.
2 Puseram-se os filisteus em ordem de batalha contra Israel, e, travada a peleja, Israel foi ferido diante dos filisteus, que mataram no campo a uns quatro mil homens do exército.
3 Depois que o povo tornou para o arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu hoje Jeová diante dos filisteus? Tragamos para nós de Siló a arca da Aliança de Jeová, para que venha para o meio de nós e nos livre das mãos dos nossos inimigos.
4 Enviou o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca da Aliança de Jeová dos Exércitos, que se assenta sobre os querubins. Os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, ali estavam com a arca da Aliança de Deus.
5 Quando a arca da Aliança de Jeová chegou ao arraial, rompeu todo Israel em grandes brados, e ressonou a terra.
6 Os filisteus, tendo ouvido o som da gritaria, perguntaram: Que quer dizer esta enorme vozeria no arraial dos hebreus? Então, souberam que a arca de Jeová havia chegado ao arraial.
7 Temeram os filisteus, dizendo: Deus é chegado ao arraial. Diziam: Ai de nós! Porque nunca antes aconteceu tal coisa.
8 Ai de nós! Quem nos livrará da mão destes deuses excelsos? Estes foram os deuses que feriram aos egípcios com toda sorte de pragas no deserto.
9 Sede corajosos e portai-vos varonilmente, ó filisteus, para que não venhais a ser escravos dos hebreus, assim como eles foram vossos escravos; portai-vos varonilmente e pelejai.
10 Pelejaram os filisteus, e foi derrotado Israel, fugindo cada um para a sua tenda. Houve mui grande matança, pois pereceram de Israel uns trinta mil homens de pé.
11 Foi tomada a arca de Deus, e foram mortos os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias.
12 Então, correu um homem de Benjamim, saído das fileiras, e no mesmo dia chegou a Siló, rasgados os vestidos e coberta de terra a cabeça.
13 Ao chegar ele, estava Eli sentado na sua cadeira, junto da estrada, vigiando, porque o seu coração estava tremendo pela arca de Deus. Depois de entrar o homem na cidade e dar as novas, rompeu toda a cidade em lamentáveis brados,
14 e, ao ouvi-los, Eli perguntou: Que quer dizer o ruído deste clamor? Apressou-se o homem e, vindo, deu as notícias a Eli.
15 Ora, Eli tinha noventa e oito anos; os seus olhos tinham cegado, e não podia ver.
16 Disse o homem a Eli: Eu sou o que saí das fileiras e delas fugi hoje mesmo. Perguntou-lhe Eli: Como sucedeu a coisa, meu filho?
17 Respondeu-lhe o que trazia a nova: Israel fugiu de diante dos filisteus, houve também grande matança no povo, foram mortos os teus dois filhos, Hofni e Fineias, e tomada a arca de Deus.
18 Quando ele mencionou a arca de Deus, Eli caiu da sua cadeira para trás junto à porta, quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu, pois era homem velho e pesado. Ele tinha julgado a Israel quarenta anos.
19 A sua nora, mulher de Fineias, estava grávida e próxima ao parto; ouvindo a nova de que a arca de Deus foi tomada e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz, porque as dores lhe sobrevieram.
20 Quando ela estava para expirar, disseram-lhe as mulheres que estavam ao lado dela: Não tenhas medo, pois deste à luz um filho. Ela, porém, não respondeu, nem fez caso disso,
21 e chamou Icabode ao menino, dizendo: De Israel foi-se a glória, porque foi tomada a arca de Deus e por causa de seu sogro e de seu marido.
22 Disse: De Israel foi-se a glória, porque foi tomada a arca de Deus.
Capítulo 5
1 Os filisteus tomaram a arca de Deus e a trouxeram de Ebenézer até Asdode.
2 Tomando-a, meteram-na no templo de Dagom e colocaram-na junto a Dagom.
3 Tendo-se levantado de madrugada no dia seguinte os de Asdode, eis que estava Dagom caído com o rosto em terra, diante da arca de Jeová. Tomaram a Dagom e tornaram a pô-lo no seu lugar.
4 Levantando-se de manhã, no dia seguinte, eis que estava Dagom caído com o rosto em terra, diante da arca de Jeová; e a cabeça de Dagom e ambas as palmas das suas mãos estavam cortadas sobre o limiar, somente havendo-lhe ficado o tronco.
5 Por isso, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram no seu templo não pisam o limiar de Dagom em Asdode, até o dia de hoje.
6 Mas a mão de Jeová pesou sobre os de Asdode, e os assolou, e os feriu de tumores, a saber, a Asdode e aos seus termos.
7 O que tendo visto os homens de Asdode, disseram: Não fique conosco a arca do Deus de Israel, porque a sua mão descarrega duramente sobre nós e sobre Dagom, nosso deus.
8 Enviaram, e congregaram a si todos os régulos dos filisteus, e perguntaram: Que faremos nós da arca do Deus de Israel? Responderam eles: Seja levada a arca do Deus de Israel até Gate. Foi levada a arca do Deus de Israel até lá.
9 Depois de a terem levado para lá, foi a mão de Jeová contra a cidade num grande vexame; feriu aos homens, tanto pequenos como grandes, e nasceram-lhes tumores.
10 Enviaram a arca de Deus a Ecrom. Logo que chegou a arca de Deus a Ecrom, clamaram os ecronitas, dizendo: Transportaram para nós a arca do Deus de Israel para nos matar a nós e a todo o nosso povo.
11 Então, enviaram, e congregaram a todos os régulos dos filisteus, e disseram: Recambiai a arca do Deus de Israel, para que ela volte para o seu lugar e não nos mate a nós e ao nosso povo; pois havia um pânico mortal na cidade toda; a mão de Deus pesava sobremaneira nela.
12 Os homens que não morriam eram feridos com os tumores; e o clamor da cidade subiu até o céu.
Capítulo 6
1 Esteve a arca de Jeová no país dos filisteus sete meses.
2 Os filisteus chamaram os sacerdotes e os adivinhadores e disseram-lhes: Que faremos da arca de Jeová? Dize-nos com que a enviaremos para o seu lugar.
3 Responderam eles: Se a recambiardes, não enviareis vazia a arca do Deus de Israel, porém a ele remetereis uma oferta pela culpa; então, sereis curados e sabereis porque a sua mão se não tira de vós.
4 Eles perguntaram: Qual será a oferta pela culpa que lhe havemos de remeter? Eles responderam: Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, segundo o número de régulos dos filisteus, porque uma e a mesma praga estava sobre todos vós e sobre os vossos régulos.
5 Fareis figuras dos vossos tumores e dos ratos que devastam a vossa terra e dareis glória ao Deus de Israel. Porventura, fará a sua mão menos pesada e tirá-la-á de cima de vós, dos vossos deuses e da vossa terra.
6 Por que endurecereis os vossos corações, como os egípcios e Faraó endureceram os seus corações? Não foi, porventura, depois de ele os fazer joguete que deixaram ir o povo, que só então se foi?
7 Agora, fazei um carro novo e tomai duas vacas paridas, sobre as quais não tenha vindo o jugo; atai-as ao carro; porém, tirando delas os bezerros, levá-los-eis para a casa.
8 Tomai a arca de Jeová e ponde-a sobre o carro; as joias de ouro que lhe remeterdes como ofertas pela culpa, metei-as num cofre ao lado da arca e deixai-a ir.
9 Reparai; se ela subir pelo caminho do seu termo a Bete-Semes, foi ele quem nos fez este grande mal; mas, se não, conheceremos que não foi a sua mão que nos feriu; foi casual o que sucedeu.
10 Assim fizeram os homens: tomaram duas vacas paridas, puseram-nas ao carro e encerraram os seus bezerros em casa;
11 e colocaram a arca de Jeová sobre o carro, e o cofre que continha os ratos de ouro, e as figuras dos seus tumores.
12 As vacas iam direitas pelo caminho de Bete-Semes; iam berrando pela estrada, mas não se desviaram nem para a direita nem para a esquerda. Os régulos dos filisteus foram seguindo-as até o termo de Bete-Semes.
13 Ora, os de Bete-Semes estavam segando trigo no vale e, levantando os olhos, viram a arca; ao verem-na, se regozijaram.
14 O carro chegou ao campo de Josué, bete-semita, e ali parou, onde havia uma grande pedra. Fenderam a madeira do carro e ofereceram as vacas em holocausto a Jeová.
15 Os levitas desceram a arca de Jeová e o cofre que estava ao lado dela, no qual se achavam as joias de ouro, e puseram-nos sobre a grande pedra. No mesmo dia, os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e imolaram sacrifícios a Jeová.
16 Os cinco régulos dos filisteus viram-no e voltaram no mesmo dia para Ecrom.
17 Estes são os tumores de ouro que os filisteus remeteram a Jeová como uma oferta pela culpa: por Asdode um, por Gaza um, por Asquelom um, por Gate um, por Ecrom um;
18 e os ratos de ouro, segundo o número de todas as cidades dos filisteus, as quais pertenciam aos cinco régulos, desde as cidades fortificadas até as aldeias campestres. Disso é testemunha a grande pedra sobre a qual puseram a arca de Jeová, a qual permanece até hoje no campo de Josué, bete-semita.
19 Jeová feriu os homens de Bete-Semes, porque olharam para dentro da arca de Jeová; sim, feriu do povo uns cinquenta mil e setenta homens; e o povo chorou por ter Jeová ferido ao povo com grande matança.
20 Então, perguntaram os homens de Bete-Semes: Quem pode estar em pé diante de Jeová, deste Deus santo? E para quem subirá desde nós?
21 Enviaram mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim que lhe dissessem: Os filisteus remeteram a arca de Jeová; descei e fazei subir para vós.
Capítulo 7
1 Então, vieram os homens de Quiriate-Jearim e fizeram subir a arca de Jeová. Levaram-na para a casa de Abinadabe, que estava no outeiro, e consagraram a Eleazar, filho dele, para que guardasse a arca de Jeová.
2 Desde o dia em que a arca ficou em Quiriate-Jearim, passaram-se muitos dias, pois chegou a ser vinte anos; e lamentava toda a casa de Israel por Jeová.
3 Falou Samuel a toda a casa de Israel: Se, de todo o vosso coração, voltais a Jeová, lançai dentre vós os deuses estrangeiros e os Astarotes, preparai os vossos corações para com Jeová e servi a ele só; ele vos livrará da mão dos filisteus.
4 Os filhos de Israel lançaram fora os Baalins e os Astarotes e serviram só a Jeová.
5 Samuel disse: Congregai a todo o Israel em Mispa, e orarei por vós a Jeová.
6 Congregaram-se em Mispa, tiraram água e entornaram-na diante de Jeová; jejuaram aquele dia e ali disseram: Temos pecado contra Jeová. Samuel julgou os filhos de Israel em Mispa.
7 Quando os filisteus ouviram que os filhos de Israel tinham congregado em Mispa, subiram os régulos contra Israel. O que tendo ouvido os filhos de Israel, tiveram medo dos filisteus.
8 Os filhos de Israel disseram a Samuel: Não cesses de chamar por nós a Jeová, nosso Deus, para que nos livre da mão dos filisteus.
9 Então, Samuel tomou um cordeiro que ainda mamava e o ofereceu inteiro a Jeová, em holocausto; clamou Samuel a Jeová por Israel, e Jeová lhe respondeu.
10 Enquanto Samuel oferecia o holocausto, chegaram os filisteus para pelejarem contra Israel; mas Jeová trovejou, naquele dia, com grande voz contra os filisteus e os aterrou; foram derrotados diante de Israel.
11 Saindo de Mispa os homens de Israel, perseguiram os filisteus e feriram-nos, até o lugar que está por baixo de Bete-Car.
12 Samuel tomou uma pedra, e a colocou entre Mispa e Sem, e chamou-lhe Ebenézer, dizendo: Até aqui nos tem socorrido Jeová.
13 Assim foram subjugados os filisteus e nunca mais vieram aos termos de Israel; a mão de Jeová foi contra os filisteus todos os dias de Samuel.
14 As cidades que os filisteus tinham tomado a Israel foram restituídas desde Ecrom até Gate, cujos termos arrebatou-os Israel da mão dos filisteus. Havia paz entre Israel e os amorreus.
15 Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida.
16 De ano em ano, circulava entre Betel, Gilgal e Mispa, julgando a Israel em todos esses lugares.
17 Depois, voltava para Ramá, porque lá estava a sua casa. Ali, julgava a Israel e ali também edificou um altar a Jeová.
Capítulo 8
1 Tendo Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel.
2 Seu filho primogênito chamava-se Joel, e o segundo, Abias; foram juízes em Berseba.
3 Mas seus filhos não andaram nos caminhos dele; pelo contrário, se desviaram após o lucro, receberam peitas e perverteram a justiça.
4 Tendo-se congregado todos os anciãos de Israel, vieram ter com Samuel a Ramá
5 e disseram-lhe: Eis que tu estás velho, e teus filhos não andam nos teus caminhos. Constitui-nos um rei, como o têm todas as nações, para que ele nos julgue.
6 Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. Então, Samuel orou a Jeová.
7 Disse Jeová a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo o que eles te dizem, pois não é a ti que eles rejeitaram, mas a mim, para eu não reinar sobre eles.
8 Segundo todas as obras que têm feito desde o dia em que os fiz subir do Egito até o dia de hoje, pois me abandonaram a mim e serviram a outros deuses, assim também te fazem a ti.
9 Agora, ouve a sua voz; contudo, lhes declararás solenemente e lhes farás ver como se portará o rei que há de reinar sobre eles.
10 Referiu Samuel todas as palavras de Jeová ao povo, que lhe havia pedido um rei,
11 e disse: Assim se portará o rei que há de reinar sobre vós: tomará vossos filhos e os porá nos seus carros e entre os seus cavaleiros, e eles correrão adiante dos seus carros;
12 e os constituirá capitães de mil e capitães de cinquenta, e lavradores dos seus campos, e segadores das suas messes, e fabricantes das suas armas e dos seus carros.
13 Tomará vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
14 Tomará o melhor dos vossos campos, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais e dá-los-á aos seus servos.
15 Dizimará as vossas sementes e as vossas vinhas, para dar aos seus eunucos e aos seus servos.
16 Também tomará os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho.
17 Dizimará também os vossos rebanhos, e vós sereis seus servos.
18 Naquele dia, vós lamentareis por causa do vosso rei que vós mesmos escolhestes; e Jeová não vos responderá naquele dia.
19 Mas o povo não quis escutar a voz de Samuel; e disseram: Não; mas queremos ter um rei sobre nós,
20 para que sejamos também como todas as nações. O nosso rei nos julgará, marchará à nossa frente e pelejará as nossas batalhas.
21 Samuel ouviu todas as palavras do povo e as referiu aos ouvidos de Jeová.
22 Jeová disse a Samuel: Escuta a sua voz e constitui-lhe um rei. Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um para a sua cidade.
Capítulo 9
1 Havia um homem de Benjamim por nome Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afia, filho dum benjamita, varão ilustre em valor.
2 Ele tinha um filho chamado Saul, na flor da idade e belo. Não havia entre os filhos de Israel outro mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo.
3 Tinham-se perdido as jumentas de Quis, pai de Saul. Disse Quis a seu filho Saul: Toma, agora, contigo um dos servos, levanta-te e vai procurar as jumentas.
4 Então, atravessando a região montanhosa de Efraim, como também a terra de Salisa, não as acharam; depois atravessaram a terra de Saalim, porém não estavam ali; e não as acharam também na terra de Benjamim.
5 Tendo eles chegado à terra de Zufe, disse Saul para o servo que levava consigo: Vem, e voltemos; não suceda que meu pai deixe de pensar nas jumentas e que se aflija por nós.
6 Disse-lhe o servo: Eis que há, nesta cidade, um homem de Deus, e ele é muito considerado; tudo o que ele diz sucede infalivelmente. Vamos, pois, lá; porventura, ele nos pode informar sobre o caminho que seguimos.
7 Então, disse Saul ao seu servo: Porém, se lá formos, que é o que levaremos ao homem? Pois já se acabou o pão dos nossos alforjes, e nenhum presente temos que levar ao homem de Deus. Que temos?
8 O servo tornou a responder a Saul: Eis que se acha na minha mão um quarto de siclo de prata. Dá-lo-ás ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho
9 (Antigamente, em Israel, todo o que ia consultar a Deus dizia assim: Vinde, vamos ter com o vidente; porque aquele que, hoje, se chama profeta se chamava, outrora, vidente).
10 Disse Saul ao seu servo: Dizes bem, anda, vamos. Assim, subiram à cidade em que estava o homem de Deus.
11 Quando eles subiam pela encosta à cidade, encontraram umas moças que saíam a tirar água e lhes perguntaram: Está aqui o vidente?
12 Elas lhes responderam: Está; ei-lo aí tens diante de ti. Apressa-te, porque hoje veio à cidade, porquanto o povo oferece hoje sacrifícios no alto.
13 Ao entrardes na cidade, logo o encontrareis, antes que suba ao alto para comer; pois o povo não comerá, a menos que ele não tenha vindo, porque ele é quem há de abençoar o sacrifício; e, depois, comem os que forem convidados. Subi, agora, porque a esta hora o achareis.
14 E subiram à cidade; ao entrarem, saiu-lhes Samuel ao encontro, para subir ao alto.
15 Ora, Jeová tinha revelado a Samuel a vinda de Saul um dia antes de ele chegar, dizendo:
16 Amanhã, a esta hora, te enviarei um homem, que vem da terra de Benjamim, e tu o ungirás por príncipe sobre o meu povo de Israel. Ele livrará o meu povo da mão dos filisteus, pois olhei para o meu povo, porque o seu clamor chegou a mim.
17 Quando Samuel viu a Saul, disse-lhe Jeová: Eis o homem de quem eu te disse: Este dominará sobre o meu povo.
18 Então, Saul se chegou a Samuel, na porta, e disse: Peço-te que me digas onde é a casa do vidente.
19 Samuel respondeu a Saul: Eu sou o vidente. Sobe adiante de mim ao alto, porque hoje comereis comigo; pela manhã, te despedirei e descobrir-te-ei tudo o que tens no teu coração.
20 Pelo que toca às tuas jumentas que há três dias se perderam, não te dê isso cuidado, porque já se acharam. Para quem é tudo o que é desejável em Israel? Não é, porventura, para ti e para toda a casa de teu pai?
21 Respondeu Saul: Acaso, não sou eu benjamita, da mais pequena das tribos de Israel? Não é a minha família a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que me falas tu logo assim?
22 Samuel, tomando a Saul e ao seu servo, levou-os para a sala de jantar e deu-lhes o primeiro lugar entre os convidados, que eram cerca de trinta pessoas.
23 Samuel disse ao cozinheiro: Traze a porção que te dei e que mandei que guardasses à parte.
24 Tomou o cozinheiro a espádua e o que nela havia e pô-la diante de Saul. Samuel disse: Eis o que foi reservado! Põe-no diante de ti e come; porque se te reservou para ti até o tempo determinado, ao dizer eu: Convidei o povo. Assim, comeu Saul com Samuel naquele dia.
25 Tendo eles descido do alto para a cidade, falou Samuel com Saul, no eirado.
26 Levantaram-se cedo; e, ao raiar do dia, chamou Samuel a Saul, no eirado, dizendo: Levanta-te para eu te despedir. Levantou-se Saul, e saíram ambos para fora, ele e Samuel.
27 Eles desciam e se achavam na extremidade da cidade, quando Samuel disse a Saul: Manda ao servo que vá adiante de nós (E ele foi.), mas tu demora-te aqui, para que eu te faça saber a palavra de Deus.
Capítulo 10
1 Tomou Samuel o vaso de óleo, e lho derramou sobre a cabeça, e o beijou, e disse: Não te ungiu Jeová para ser príncipe sobre a sua herança?
2 Quando te apartares hoje de mim, acharás dois homens juntos ao sepulcro de Raquel, no território de Benjamim, em Zelza. Eles te dirão: Acharam-se as jumentas que foste procurar; e teu pai, deixando de cuidar delas, aflige-se por ti e diz: Que farei eu por meu filho?
3 Então, dali irás para adiante e chegarás ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão três homens que, subindo a Deus a Betel, levam: um, três cabritos; outro, três pães; e o outro, um odre de vinho.
4 Eles te saudarão e te darão dois pães; tu os receberás das suas mãos.
5 Depois, virás ao outeiro de Deus, onde está a guarnição dos filisteus. Ao entrares ali na cidade, encontrarás um rancho de profetas descendo do alto, precedido de saltérios, tambores, flautas, harpas, e eles profetizando.
6 O Espírito de Jeová se apoderará de ti, profetizarás com eles e ficarás mudado em outro homem.
7 Quando esses sinais te acontecerem, faze o que pedir a ocasião, porque Deus é contigo.
8 Descerás diante de mim a Gilgal, e eu descerei a ter contigo, para oferecer holocaustos e para imolar sacrifícios de ofertas pacíficas. Esperarás sete dias, até que eu venha ter contigo e te declare o que hás de fazer.
9 Tanto que Saul deu costas para partir de Samuel, Deus lhe mudou o coração em outro; e todos esses sinais aconteceram naquele dia.
10 Chegando eles ao outeiro, eis que um rancho de profetas lhe saiu ao encontro; o Espírito de Deus apoderou-se de Saul, e ele profetizou no meio deles.
11 Todos os que o tinham conhecido antes, quando viram que ele profetizava com os profetas, diziam uns aos outros: Que é o que aconteceu ao filho de Quis? Está Saul também entre os profetas?
12 Então, um homem do lugar respondeu, e disse: Quem é o pai deles? Por isso, passou em provérbio: Está Saul também entre os profetas?
13 Tendo acabado de profetizar, veio ao alto.
14 O tio de Saul perguntou-lhe a ele e ao seu servo: Aonde fostes? Respondeu ele: A procurar as jumentas. Quando vimos que não apareciam, fomos ter com Samuel.
15 Tornou-lhe o tio: Declara-me, que é o que vos disse Samuel.
16 Respondeu Saul a seu tio: Declarou-nos que as jumentas já eram achadas. Mas, no tocante ao assunto do reino de que lhe falara Samuel, não lho disse.
17 Convocou Samuel o povo a Jeová, em Mispa,
18 e disse aos filhos de Israel: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Eu fiz subir a Israel do Egito, e vos livrei da mão dos egípcios e da mão de todos os reinos que vos oprimiam.
19 Mas vós, hoje, rejeitastes o vosso Deus, que é quem vos livra de todas as vossas calamidades e angústias, e lhe dissestes: Não! Mas constitui um rei sobre nós. Agora ponde-vos diante de Jeová pelas vossas tribos e pelos vossos milhares.
20 Tendo Samuel feito chegar todas as tribos de Israel, tomou-se a tribo de Benjamim.
21 Tendo feito chegar a tribo de Benjamim pelas suas famílias, tomou-se a família de Matri; e dele se tomou Saul, filho de Quis. Mas, quando o procuraram, não podia ser encontrado.
22 Portanto, tornaram a perguntar a Jeová: Não veio ainda o homem para cá? Jeová respondeu: Ele se escondeu por entre a bagagem.
23 Foram correndo e trouxeram-no de lá. Estando ele entre o povo, era mais alto do que todo o povo desde o ombro para cima.
24 Disse Samuel a todo o povo: Vedes a quem Jeová escolheu? Pois não há entre todo o povo quem lhe seja semelhante. Então, todo o povo rompeu em gritos e disse: Viva o rei!
25 Declarou Samuel diante do povo o que fariam os reis e, escrevendo-o num livro, depositou-o diante de Jeová. Então, Samuel despediu todo o povo, cada um para a sua casa.
26 Voltou Saul também para a sua casa, em Gibeá; e foram com ele os homens de valor, cujos corações Deus tinha tocado.
27 Mas os filhos de Belial disseram: Como pode este homem salvar-nos? Desprezaram-no e não lhe trouxeram presentes. Saul, porém, portou-se como se fora surdo.
Capítulo 11
1 Então, subiu Naás, amonita, e se acampou contra Jabes-Gileade. Disseram todos os homens de Jabes a Naás: Faze aliança conosco, e te serviremos.
2 Respondeu-lhes Naás, amonita: Farei aliança convosco com a condição de vos serem tirados os olhos direitos; assim, trarei opróbrio sobre todo o Israel.
3 Disseram-lhe os anciãos de Jabes: Concede-nos sete dias, para que enviemos mensageiros por todo o território de Israel; e, não havendo ninguém que nos livre, sairemos a ter contigo.
4 Vieram os mensageiros a Gibeá de Saul e falaram estas palavras aos ouvidos do povo; todo o povo levantou a voz e chorou.
5 Eis que Saul vinha do campo, atrás dos bois, e perguntou: Que tem o povo para chorar? Referiram-lhe as palavras dos homens de Jabes.
6 O Espírito de Deus apoderou-se de Saul, quando ouviu estas palavras e acendeu-se grandemente a sua ira.
7 Tomou uma junta de bois, cortou-os em pedaços e enviou a todos os termos de Israel por mão de mensageiros que dissessem: Todo aquele que não sair para seguir a Saul e a Samuel, assim se fará aos seus bois. Então, caiu o temor do Senhor sobre o povo, e saíram como um só homem.
8 Contou-o em Bezeque; e acharam-se trezentos mil homens de Israel e trinta mil de Judá.
9 Disseram aos mensageiros que tinham vindo: Assim direis aos homens de Jabes-Gileade: Amanhã, quando o sol aquentar, sereis socorridos. Vieram os mensageiros e deram a notícia aos homens de Jabes, que se alegraram
10 e disseram: Amanhã, sairemos a ter convosco, e nos fareis tudo o que bem vos parecer.
11 Ao outro dia, dividiu Saul o povo em três companhias. Na vigília da manhã, entraram no meio do arraial e feriram aos amonitas até que se fez sentir o calor do dia. Os que escaparam foram desmantelados, de sorte que não ficaram deles dois juntos.
12 Disse o povo a Saul: Quem são os que diziam: Reinará, porventura, Saul sobre nós? Trazei cá os homens, para que os matemos.
13 Porém Saul disse: Hoje, não se há de matar ninguém, porque, no dia de hoje, Jeová salvou a Israel,.
14 Então, disse Samuel ao povo: Vinde, e vamos a Gilgal e renovemos ali o reino.
15 Partiu todo o povo para Gilgal; ali em Gilgal, constituíram a Saul por seu rei diante de Jeová e ali imolaram sacrifícios de ofertas pacíficas diante de Jeová, e ali muito se alegrou Saul, e todos os homens de Israel.
Capítulo 12
1 Disse Samuel a todo o Israel: Escutei a vossa voz em tudo o que me dissestes e constitui um rei sobre vós.
2 Agora, eis que o rei vai adiante de vós. Eu sou velho e cheio de cãs, e meus filhos estão convosco; eu tenho andado adiante de vós desde a minha mocidade até hoje.
3 Eis-me aqui! Testemunhai contra mim perante Jeová e perante o seu ungido: de quem tomei o boi? Ou de quem tomei o jumento? Ou a quem defraudei? Ou a quem maltratei? Ou da mão de quem recebi uma peita para encobrir com ela os meus olhos? E vô-lo restituirei.
4 Responderam eles: Não nos defraudaste, nem nos maltrataste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguém.
5 Ele lhes disse: Jeová é testemunha contra vós, e o seu ungido é hoje testemunha de que não achastes coisa alguma na minha mão. Eles responderam: Ele é testemunha.
6 Samuel disse ao povo: Jeová é quem designou a Moisés e a Arão e fez subir a vossos pais da terra do Egito.
7 Agora, ponde-vos aqui, para que eu pleiteie convosco perante Jeová, relativamente a todos os atos de justiça que ele vos fez a vós e a vossos pais.
8 Quando Jacó entrou no Egito, e vossos pais clamaram a Jeová, enviou ele a Moisés e a Arão, para que tirassem a vossos pais do Egito, e fê-los habitar neste lugar.
9 Mas esqueceram-se de Jeová, seu Deus, e ele os entregou nas mãos de Sísera, capitão do exército de Hazor, nas mãos dos filisteus e nas mãos de Moabe, os quais pelejaram contra eles.
10 Clamaram a Jeová e disseram: Pecamos, porque deixamos a Jeová e servimos aos Baalins e aos Astarotes; mas, agora, livra-nos das mãos dos nossos inimigos, e te serviremos.
11 Jeová enviou a Jerubaal, e a Bedã, e a Jefté, e a Samuel e livrou-vos da mão dos vossos inimigos ao redor, e habitastes em segurança.
12 Quando vistes que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós, dissestes-me: Não; mas um rei dominará sobre nós, quando Jeová, vosso Deus, era vosso rei.
13 Agora, eis o rei que escolhestes e pedistes; e eis que Jeová pôs sobre vós um rei.
14 Se temerdes a Jeová, e o servirdes, e derdes ouvidos à sua voz, e não fordes rebeldes às suas ordens, e tanto vós como o rei que vos domina fordes seguidores de Jeová, vosso Deus, bem está;
15 mas, se não derdes ouvidos a voz de Jeová, e fordes rebeldes às suas ordens, será a mão de Jeová contra vós como o era contra vossos pais.
16 Agora, ficai aqui e vede esta grande coisa que Jeová vai fazer diante dos vossos olhos.
17 Não é, hoje, a sega do trigo? Invocarei a Jeová, e ele enviará trovões e chuva. Sabereis e vereis que é grande a vossa maldade que fizestes perante Jeová, pedindo um rei sobre vós.
18 Invocou Samuel a Jeová, que enviou, naquele dia, trovões e chuva. Todo o povo temeu muito a Jeová e a Samuel.
19 Todo o povo disse a Samuel: Roga a Jeová, teu Deus, pelos teus servos, para que não morramos, porque a todos os nossos pecados ajuntamos o mal de pedirmos um rei.
20 Então, disse Samuel ao povo: Não temais; vos fizestes todo este mal; não vos desvieis de seguir a Jeová, mas servi-o de todo o vosso coração.
21 Não vos desvieis, pois seguiríeis coisas vãs, que não vos podem aproveitar, nem livrar, porque são vãs.
22 Jeová, por causa do seu grande nome, não desamparará ao seu povo, porque aprouve a Jeová fazer de vós o seu povo.
23 Quanto a mim, longe de mim o pecar eu contra Jeová, deixando de orar por vós. Eu vos instruirei no caminho bom e direito.
24 Tão somente temei a Jeová e servi-o fielmente de todo o vosso coração, pois vede quão grande coisa acaba de fazer na vossa presença.
25 Se, porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis tanto vós como o vosso rei.
Capítulo 13
1 Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar e reinou dois anos sobre Israel.
2 Saul escolheu para si três mil homens de Israel; estavam com ele dois mil, em Micmás e no monte de Betel, e mil estavam com Jônatas, em Gibeá de Benjamim. Ao resto do povo mandou que fosse cada um para a sua tenda.
3 Jônatas bateu a guarnição dos filisteus que estava em Geba; o que ouviram os filisteus. Saul fez tocar a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreus.
4 Todo o Israel ouviu dizer que Saul tinha batido a guarnição dos filisteus e que Israel se havia tornado abominável aos filisteus. O povo foi convocado após Saul, em Gilgal.
5 Os filisteus ajuntaram-se para pelejar contra Israel: trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar; subiram e acamparam-se em Micmás, ao oriente de Bete-Áven.
6 Vendo os homens de Israel o aperto em que estavam (pois o povo se achava angustiado), esconderam-se em covas, e em buracos, e em rochedos, e em túmulos, e em cisternas.
7 Ora, alguns dos hebreus tinham passado o Jordão para a terra de Gade e Gileade; porém Saul ficou ainda em Gilgal, e todo o povo o seguia tremendo.
8 Esperou sete dias, segundo o tempo aprazado por Samuel. Mas Samuel não veio a Gilgal, e o povo, deixando a Saul, se dispersava.
9 Disse Saul: Trazei-me cá o holocausto e as ofertas pacíficas. Ele ofereceu o holocausto.
10 Apenas ele tinha acabado de oferecer o holocausto, eis que chegou Samuel; Saul saiu-lhe ao encontro, para o saudar.
11 Samuel perguntou: Que fizeste? Respondeu Saul: Vendo que o povo, deixando-me, se dispersava, e que tu não vinhas nos dias aprazados, e que os filisteus se reuniam em Micmás,
12 por isso, disse eu: agora, os filisteus descerão contra mim a Gilgal, e eu não aplaquei a Jeová. Constrangi-me, pois, e ofereci o holocausto.
13 Samuel disse a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento de Jeová, teu Deus, que ele te ordenou. Jeová teria confirmado para sempre o teu reino sobre Israel;
14 porém, agora, não subsistirá o teu reino. Jeová buscou para si um homem segundo o seu coração e mandou-lhe que fosse príncipe sobre o seu povo, porque não guardaste o que te ordenou.
15 Levantou-se Samuel e subiu de Gilgal a Gibeá de Benjamim. Saul contou o povo que se achava com ele, cerca de seiscentos homens.
16 Saul, e seu filho Jônatas, e o povo que se achava com eles ficaram em Geba de Benjamim, mas os filisteus acamparam-se em Micmás.
17 Os saqueadores saíram do arraial dos filisteus em três companhias: uma tomou o caminho de Ofra para a terra de Sual;
18 outra tomou o caminho de Bete-Horom; e a outra tomou o caminho do termo que pende para o vale de Zeboim, na direção do deserto.
19 Ora, em toda a terra de Israel não se achava um ferreiro, pois os filisteus disseram: Para não suceder que os hebreus façam para si espadas ou lanças,
20 mas todos os israelitas tinham que descer aos filisteus, para cada um afiar a sua relha, a sua enxada, o seu machado e a sua picareta.
21 Tinham, porém, limas para as picaretas, para as enxadas, para os forcados e para os machados e para consertar as aguilhadas.
22 No dia da batalha, não se achou nem espada nem lança na mão de nenhum do povo que estava com Saul e Jônatas; porém se acharam com Saul e com seu filho Jônatas.
23 Saiu a guarnição dos filisteus ao desfiladeiro de Micmás.
Capítulo 14
1 Sucedeu um dia que Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: Vem, e passemos à guarnição dos filisteus, que está do outro lado. A seu pai, porém, não disse nada.
2 Saul estava sentado na extremidade de Gibeá, debaixo da romeira que está em Migrom, e o povo que estava com ele era cerca de seiscentos homens.
3 Aías, filho de Aitube, irmão de Icabode, filho de Fineias, filho de Eli, sacerdote de Jeová em Siló, trazia o éfode. O povo não sabia que Jônatas tinha ido.
4 Entre os desfiladeiros pelos quais Jônatas intentava passar à guarnição dos filisteus, havia um penhasco de uma e de outra banda: o nome de um era Bozez, e o nome do outro era Sené.
5 Um penhasco elevava-se ao norte, em frente de Micmás, e o outro, ao sul, em frente de Geba.
6 Disse Jônatas ao seu escudeiro: Vem, e passemos à guarnição destes incircuncidados. Talvez Jeová opere por nós, porque nada há que proíba a Jeová de livrar ou com muitos ou com poucos.
7 Então, lhe respondeu o seu escudeiro: Faze tudo o que estiver no teu coração. Segue; eis que eu estou contigo para o que quiseres.
8 Disse Jônatas: Eis que passaremos aos homens e nos descobriremos a eles.
9 Se nos falarem assim: Parai até que venhamos a vós, pararemos em nosso lugar e não subiremos a eles.
10 Porém, se disserem assim: Subi a nós; subiremos, pois Jeová nô-los entregou nas mãos. Isso nos servirá de sinal.
11 Então, se descobriram ambos eles à guarnição dos filisteus, que disseram: Eis que os hebreus estão saindo dos buracos em que se tinham escondido.
12 Os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro: Subi a nós, e mostrar-vos-emos uma coisa. Disse Jônatas ao seu escudeiro: Sobe após de mim, pois Jeová os entregou nas mãos de Israel.
13 Trepou Jônatas, engatinhando com as mãos e pés, e o seu escudeiro, após dele. Os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro matava-os atrás dele.
14 Esta foi a primeira desfeita em que Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens, dentro duma como meia jeira de terra.
15 Houve tremor no arraial, no campo e entre todo o povo; tremeram a guarnição e os saqueadores, e também estremeceu a terra, de sorte que houve grandíssimo pânico.
16 Olharam as sentinelas de Saul que estavam em Gibeá de Benjamim, e eis que a multidão, derretendo-se, escorria para aqui e para ali.
17 Disse Saul ao povo que estava com ele: Indagai, agora, e vede quem é o que saiu dentre nós. Tendo-se indagado, eis que Jônatas e seu escudeiro não estavam ali.
18 Disse Saul a Aías: Traze para cá a arca de Deus. Pois a arca de Deus estava naquele dia com os filhos de Israel.
19 Enquanto Saul ainda falava ao sacerdote, o tumulto que havia no arraial dos filisteus ia-se crescendo; e Saul disse ao sacerdote: Retira a tua mão.
20 Saul e todo o povo que estava com ele reuniram-se e foram à batalha; e cada um voltava reciprocamente a espada contra outro em grande confusão.
21 Os hebreus que estavam dantes ao lado dos filisteus, tendo vindo dos arredores ao arraial deles, também vieram a unir-se com os israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
22 Da mesma maneira todos os homens de Israel que se haviam escondido na região montanhosa de Efraim, depois de terem ouvido que os filisteus fugiam, também eles os perseguiram de perto na batalha.
23 Assim, livrou Jeová a Israel naquele dia, e a refrega passou além de Bete-Áven.
24 Os homens de Israel estavam angustiados naquele dia. Saul, porém, ajuramentou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até a tarde e até eu me vingar dos meus inimigos! Assim, todo o povo se absteve de comer.
25 Todo o povo veio a um bosque onde havia mel sobre a superfície do campo.
26 Entrando o povo no bosque, corria o mel; mas ninguém chegou a mão à boca, pois o povo respeitava o juramento.
27 Jônatas, porém, não tinha ouvido quando seu pai ajuramentou o povo. Estendendo a ponta da vara que tinha na mão, molhou-a no favo de mel e chegou a mão à boca; e aclararam-se-lhe os olhos.
28 Então, disse um do povo: Teu pai ajuramentou solenemente o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão hoje! O povo estava cansado.
29 Disse Jônatas: Meu pai trouxe desastre sobre a terra; vede como se me aclararam os olhos, porque provei um pouco deste mel.
30 Quanto mais se o povo, hoje, tivesse comido livremente do que encontrou do despojo dos seus inimigos? Pois, agora, não houve grande destroço entre os filisteus.
31 Feriram, naquele dia, os filisteus desde Micmás até Aijalom. O povo estava muito cansado
32 e, lançando-se ao despojo, tomou ovelhas, e bois, e bezerros, e, degolando-os no chão, comeu-os com sangue.
33 Noticiaram a Saul, dizendo: Eis que o povo está a pecar contra Jeová, comendo com sangue. Respondeu ele: Procedestes traiçoeiramente; trazei-me aqui já uma grande pedra.
34 Acrescentou Saul: Dispersai-vos por entre o povo e dizei-lhes: Trazei-me cá, cada um o seu boi e cada um a sua ovelha, e degolai-os aqui, e comei, e não pequeis contra Jeová, comendo com sangue. Todo o povo trouxe, naquela noite, pela mão, cada um o seu boi, e ali os degolou.
35 Edificou Saul um altar a Jeová; foi este o primeiro altar que lhe edificou.
36 Disse Saul: Desçamos, durante a noite, aos filisteus, e despojemo-los até o raiar do dia, e não deixemos deles um só homem. Responderam eles: Faze tudo o que bem te parecer. Então, disse o sacerdote: Cheguemo-nos aqui a Deus.
37 Saul consultou a Jeová: Descerei aos filisteus? Entregá-los-ás nas mãos de Israel? Porém Jeová não lhe respondeu naquele dia.
38 Disse Saul: Chegai-vos aqui, todos os principais do povo; informai-vos e vede em que se cometeu hoje este pecado.
39 Pois pela vida de Jeová que salva a Israel, embora seja o culpado Jônatas, meu filho, certamente, se lhe tirará a vida. Porém nenhum de todo o povo lhe respondeu.
40 Então, disse a todo o Israel: Ficai vós de uma parte, e eu e meu filho Jônatas ficaremos da outra parte. Respondeu o povo a Saul: Faze o que bem te parecer.
41 Disse Saul a Jeová, Deus de Israel: Mostra o que é justo. Foram implicados pela sorte Jônatas e Saul; o povo, porém, ficou livre.
42 Disse Saul: Deitai sortes entre mim e Jônatas, meu filho. Caiu a sorte sobre Jônatas.
43 Perguntou Saul a Jônatas: Declara-me o que fizeste. Jônatas lho declarou e disse: Provei, na verdade, um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão. Eis-me aqui; estou pronto a morrer.
44 Saul disse: Assim me faça Deus e ainda mais, se não morreres sem falta, Jônatas.
45 Disse o povo a Saul: Porventura, morrerá Jônatas, que efetuou este grande livramento em Israel? Tal não suceda; pela vida de Jeová, não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça, pois, ajudado de Deus, fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jônatas, para que não morresse.
46 Subiu Saul e deixou de perseguir aos filisteus, que foram para as suas terras.
47 Tendo Saul tomado o reino sobre Israel, pelejou contra todos os seus inimigos ao redor: contra Moabe, e contra os filhos de Amom, e contra Edom, e contra os reis de Zobá, e contra os filisteus; e, para onde quer que se voltava, era vitorioso.
48 Houve-se valorosamente, destroçou os amalequitas e livrou a Israel das mãos dos que o despojavam.
49 Os filhos de Saul foram Jônatas, Isvi e Malquisua, e os nomes de suas duas filhas eram estes: o da primogênita, Merabe, e o da mais moça, Mical.
50 A mulher de Saul chamava-se Ainoã, filha de Aimaás. O nome do general do seu exército foi Abner, filho de Ner, tio de Saul.
51 Quis era pai de Saul, e Ner, pai de Abner, era filho de Abiel.
52 Por todos os dias de Saul houve uma forte guerra contra os filisteus; e, sempre que Saul via a qualquer homem poderoso ou valente, o agregava a si.
Capítulo 15
1 Disse Samuel a Saul: Jeová enviou-me para te ungir rei sobre o seu povo, sobre Israel; agora, escuta as palavras de Jeová.
2 Assim diz Jeová dos Exércitos: Observei o que fez Amaleque a Israel e de que modo se lhe opôs quando saía do Egito.
3 Vai, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a ele e a tudo o que tiver; não lhe perdoes, mas mata homem e mulher, o menino e crianças de mama, boi e ovelha, camelo e jumento.
4 Saul convocou o povo e enumerou-os em Telaim: duzentos mil homens de pé e dez mil homens de Judá.
5 Chegou Saul à cidade de Amaleque e dispôs emboscadas ao longo da torrente.
6 Disse Saul aos queneus: Ide, retirai-vos, descei dentre os amalequitas; não suceda que eu vos destrua juntamente com eles, porque vós usastes de misericórdia com todos os filhos de Israel, quando subiam do Egito.
7 Saul bateu os amalequitas desde Havilá, no caminho de Sur que está defronte do Egito.
8 Tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas, e destruiu por completo a todo o povo ao fio da espada.
9 Mas Saul e o povo perdoaram a Agague e ao melhor das ovelhas, e dos bois, e dos animais engordados, e dos cordeiros, e a todo o que era bom e não os quiseram destruir totalmente; porém a tudo o que houve de vil e desprezível, isso destruíram.
10 Veio a palavra de Jeová a Samuel, dizendo:
11 Arrependo-me de ter constituído rei a Saul, porque deixou de me seguir e não cumpriu as minhas ordens. Indignou-se Samuel e clamou a Jeová toda a noite.
12 Levantou-se cedo Samuel para se encontrar com Saul pela manhã. Foi dito a Samuel que veio Saul ao Carmelo, e levantou para si um monumento, e, voltando, passou, e desceu a Gilgal.
13 Chegando Samuel a Saul, disse-lhe Saul: Bendito sejas tu de Jeová! Já cumpri a ordem de Jeová.
14 Samuel perguntou: Que quer dizer, pois, este balido de ovelhas que ressoa nos meus ouvidos e o mugido de bois que ouço?
15 Respondeu Saul: Trouxeram-nos de Amaleque, pois o povo perdoou ao melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar a Jeová, teu Deus; o resto, porém, destruímo-lo totalmente.
16 Disse Samuel a Saul: Espera e permite-me declarar-te o que Jeová me disse esta noite. Respondeu-lhe Saul: Fala.
17 Prosseguiu Samuel: Embora pequeno aos teus próprios olhos, não foste feito, porventura, o cabeça das tribos de Israel? Jeová ungiu-te rei sobre Israel,
18 enviou-te a esta jornada e disse: Vai, destrói totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que sejam consumidos.
19 Por que não obedeceste à voz de Jeová, mas te lançaste ao despojo e fizeste o mal à vista de Jeová?
20 Respondeu Saul a Samuel: Pelo contrário, obedeci à voz de Jeová, e fui no caminho pelo qual Jeová me enviou, e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e destruí totalmente os amalequitas.
21 Mas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, que são as primícias do anátema, para as sacrificar a Jeová, teu Deus, em Gilgal.
22 Disse Samuel: Tem, porventura, Jeová tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, quanto tem em que se obedeça à sua voz? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrifício, e o atender, do que a gordura de carneiros.
23 Porque a rebelião é como o pecado da adivinhação, e a obstinação é como a idolatria e os terafins. Porquanto rejeitaste a palavra de Jeová, ele te rejeitou também a ti, para que não sejas rei.
24 Disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi a ordem de Jeová e as tuas palavras. Tive medo do povo e obedeci à sua voz.
25 Agora, perdoa-me o meu pecado e volta comigo para que eu adore a Jeová.
26 Mas Samuel disse a Saul: Não voltarei contigo, porque rejeitaste a palavra de Jeová, e Jeová te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel.
27 Ao voltar Samuel as costas para se ir, Saul pegou-lhe pela orla da capa, a qual se rasgou.
28 Disse-lhe Samuel: Hoje, rasgou de ti Jeová o reino de Israel e o entregou ao teu próximo, que é melhor do que tu.
29 Também o Triunfador de Israel não mentirá, nem se arrependerá, porque não é um homem, para que se arrependa.
30 Saul disse: Pequei. Contudo, honra-me, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel e volta comigo, para que eu adore a Jeová, teu Deus.
31 Voltando Samuel, seguiu a Saul, e Saul adorou a Jeová.
32 Disse Samuel: Trazei-me aqui Agague, rei dos amalequitas. Agague veio a ele, tremendo, e disse: Na verdade, se passou a amargura da morte.
33 Disse, porém, Samuel: Como a tua espada tem desfilhado a mulheres, assim será desfilhada tua mãe entre as mulheres. Samuel despedaçou a Agague diante de Jeová, em Gilgal.
34 Depois, voltou para Ramá; e Saul foi para sua casa em Gibeá de Saul.
35 Samuel não tornou mais a ver Saul até o dia da sua morte, pois teve pena de Saul. Jeová arrependeu-se de ter constituído a Saul rei sobre Israel.
Capítulo 16
1 Disse Jeová a Samuel: Até quando terás tu pena de Saul, havendo-o eu rejeitado para que não reine sobre Israel? Enche o teu chifre de óleo e vem; enviar-te-ei a Jessé, belemita, porque dentre seus filhos me provi de um rei.
2 Respondeu Samuel: Como irei eu? Porque Saul o ouvirá e me matará. Disse-lhe Jeová: Toma contigo um novilho da manada e dize: Sou vindo para oferecer sacrifício a Jeová.
3 Convidarás a Jessé para o sacrifício, eu te mostrarei o que hás de fazer, e ungir-me-ás a quem eu te designar.
4 Fez Samuel o que Jeová falou e foi a Belém. Os anciãos da cidade saíram-lhe ao encontro, tremendo, e perguntaram: É de paz a tua vinda?
5 Respondeu ele: É; sou vindo para oferecer sacrifício a Jeová. Purificai-vos e vinde comigo ao sacrifício. Purificou Samuel a Jessé e a seus filhos e convidou-os para o sacrifício.
6 Tendo eles entrado, olhou para Eliabe e disse: Por certo está na presença de Jeová o seu ungido.
7 Disse, porém, Jeová a Samuel: Não olhes para a sua aparência nem para a grandeza da sua estatura, porque o rejeitei. Não vê Jeová como vê o homem; pois o homem olha para o que está diante dos olhos, mas Jeová olha para o coração.
8 Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este escolheu Jeová.
9 Depois, Jessé fez passar a Samá. Samuel disse: Nem tampouco a este escolheu Jeová.
10 Em seguida, fez passar Jessé seus sete filhos diante de Samuel. Disse Samuel a Jessé: Jeová não escolheu a estes.
11 Perguntou Samuel a Jessé: Estes são todos os teus filhos? Respondeu Jessé: Ainda falta o mais moço, que anda apascentando o rebanho. Disse Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos havemos de sentar à mesa, a menos que ele não tenha vindo aqui.
12 Jessé mandou chamá-lo e fê-lo entrar. Ora, era ele ruivo, de belos olhos e de gentil aspecto. Jeová disse: Levanta-te e unge-o, pois é ele.
13 Tomou Samuel o chifre de óleo e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, se apoderou de Davi o Espírito de Jeová. Então, levantando-se Samuel, foi para Ramá.
14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito de Jeová, atormentava-o um espírito maligno da parte de Jeová.
15 Os servos de Saul disseram-lhe: Eis que agora um espírito maligno, enviado de Deus, te atormenta.
16 Manda, senhor nosso, aos teus servos que estão na tua presença que busquem um homem que saiba tocar harpa; quando o espírito maligno, enviado de Deus, te sobrevier, tocará ele com a sua mão, e te acharás melhor.
17 Disse Saul aos seus servos: Buscai-me, agora, um homem que saiba tocar bem e trazei-o à minha presença.
18 Respondeu um dos mancebos e disse: Conheço um filho de Jessé, belemita, que sabe tocar bem e é ilustre em valor, guerreiro, sisudo nas palavras e de gentil aspecto; e Jeová é com ele.
19 Pelo que Saul enviou mensageiros que dissessem a Jessé: Envia-me teu filho Davi, que anda com as ovelhas.
20 Jessé tomou um jumento carregado de pães, um odre de vinho e um cabrito e enviou-os a Saul por intermédio de seu filho Davi.
21 Davi veio ter com Saul, e apresentou-se-lhe; Saul estimava-o muito, e Davi tornou-se-lhe um dos seus escudeiros.
22 Mandou Saul dizer a Jessé: Assista Davi diante de mim, pois me caiu em graça.
23 Quando o espírito, enviado de Deus, vinha sobre Saul, tomava Davi a harpa e a tocava com a sua mão; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.
Capítulo 17
1 Ajuntando os filisteus as suas forças para a guerra, vieram a unir-se em Socó, que pertence a Judá, e acamparam-se entre Socó e Azeca, em Efes-Damim.
2 Saul, porém, e os filhos de Israel, tendo-se ajuntado, acamparam-se no vale de Elá e ordenaram a batalha para ir de encontro aos filisteus.
3 Os filisteus estavam na encosta dum monte, e Israel, na encosta de outro monte; e entre eles, um vale.
4 Do arraial dos filisteus saiu um campeão, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis cúbitos e um palmo.
5 Trazia na cabeça um capacete de cobre e vinha vestido de uma couraça escameada, cujo peso era de cinco mil siclos de cobre.
6 Tinha as pernas cobertas de umas grevas de cobre e um dardo de cobre, entre os ombros.
7 A haste da sua lança era como o órgão de um tear, e a ponta da sua lança pesava seiscentos siclos de ferro. Diante dele ia o seu escudeiro.
8 Posto em pé, clamava às tropas de Israel e dizia-lhes: Por que saístes a formar a linha de batalha? Não sou eu filisteu, e vós, servos de Saul? Escolhei um homem, e desça a ter comigo.
9 Se ele puder pelejar comigo e tirar-me a vida, seremos vossos servos; mas, se eu prevalecer contra ele e lhe tirar a vida, sereis nossos servos e nos servireis.
10 Acrescentou o filisteu: Eu desafio, hoje, as tropas de Israel. Dai-me um homem, para que pelejemos a sós.
11 Quando Saul e todo o Israel ouviram as palavras do filisteu, ficaram desalentados e com muito medo.
12 Ora, Davi era filho daquele efratita de Belém-Judá cujo nome era Jessé, que tinha oito filhos e, nos dias de Saul, era homem idoso e adiantado em anos entre os homens.
13 Os três filhos mais velhos de Jessé tinham seguido Saul à guerra; e eram os nomes dos seus três filhos que foram à guerra: Eliabe, o primogênito; o segundo, Abinadabe; e o terceiro, Samá.
14 Davi era o mais moço; os três maiores seguiram a Saul.
15 Ora, Davi ia a Saul e voltava dele a apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
16 O filisteu vinha de manhã e de tarde, apresentando-se por quarenta dias.
17 Disse Jessé a seu filho Davi: Toma, agora, para teus irmãos este efa de grão tostado e estes dez pães e corre a levá-los ao arraial a teus irmãos;
18 leva também estes dez queijos ao seu comandante de mil, vê como passam teus irmãos e recebe deles a senha.
19 Saul com eles e todos os homens de Israel estão no vale de Elá, pelejando contra os filisteus.
20 Levantou-se Davi de manhã cedo, deixou o rebanho ao cuidado dum guarda, carregou-se e partiu, como Jessé lhe tinha ordenado. Chegou às trincheiras no momento em que o exército ia sair para formar em linha de batalha e dava sinal de combate.
21 Israel e os filisteus puseram-se em ordem de batalha, exército contra exército.
22 Davi deixou a sua carga entregue ao cuidado dum guarda da bagagem, correu ao exército e foi indagar de seus irmãos como passavam.
23 Quando estava falando com eles, eis que vinha subindo do exército dos filisteus o campeão, cujo nome era Golias, filisteu de Gate. Falou segundo aquelas palavras, e Davi ouviu-as.
24 Todos os israelitas, tanto que viram o homem, fugiram de diante dele com muito medo.
25 Diziam os homens de Israel: Vistes a este homem que subiu? Subiu para desafiar a Israel. Ao homem que o matar, o rei encherá de grandes riquezas, e lhe dará sua filha, e fará livre em Israel a casa de seu pai.
26 Falou Davi aos homens que se achavam perto dele: Que se fará ao homem que matar a esse filisteu e tirar o opróbrio de sobre Israel? Pois quem é esse filisteu incircuncidado, para desafiar os exércitos do Deus vivo?
27 O povo repetiu-lhe a mesma palavra, dizendo: Assim se fará a quem o matar.
28 Eliabe, seu irmão mais velho, ouviu-o quando falava aos homens, acendeu-se a sua ira contra Davi e disse: Por que desceste? Ao cuidado de quem deixaste essas poucas ovelhas no deserto? Eu conheço a tua altivez e a malignidade do teu coração. Desceste para ver a batalha.
29 Respondeu Davi: Que fiz eu agora? Não é grave o caso?
30 Virou-se dele para outro e falou a mesma coisa. O povo respondeu-lhe como dantes.
31 Ouvidas as palavras que Davi falou, foram repetidas na presença de Saul, que mandou chamá-lo.
32 Davi disse a Saul: Não desfaleça o coração de alguém por causa dele. O teu servo irá e pelejará com este filisteu.
33 Saul disse a Davi: Não poderás ir contra esse filisteu para pelejar com ele, pois tu és jovem, e ele é guerreiro desde a sua mocidade.
34 Respondeu Davi a Saul: O teu servo estava apascentando as ovelhas de seu pai; quando vinha um leão ou um urso e levava um cordeiro do meio do rebanho,
35 eu corria após ele, e o matava, e lho arrancava da boca; e, levantando-se ele contra mim, eu o agarrava pelas queixadas, e o feria, e matava.
36 Leão e urso matou o teu servo, e a esse filisteu incircuncidado fará como a um deles, visto que tem desafiado os exércitos do Deus vivo.
37 Acrescentou Davi: Jeová, que me livrou das garras do leão e das garras do urso, livrar-me-á da mão desse filisteu. Saul disse a Davi: Vai, e Jeová seja contigo!
38 Saul vestiu a Davi dos seus vestidos, e pôs-lhe sobre a cabeça um capacete de cobre, e vestiu-o duma couraça.
39 Davi cingiu a espada sobre os seus vestidos e procurou andar, pois não os tinha experimentado. Davi disse a Saul: Não posso andar com estas coisas, porque não as tenho experimentado. Davi tirou-as de sobre si.
40 Tomou na mão o seu cajado, escolheu do leito da torrente cinco pedras mui lisas e meteu-as no bolso de pastor que trazia consigo, a saber, no surrão. Tinha na mão a funda; e foi-se chegando ao filisteu.
41 O filisteu ia andando e aproximando-se de Davi, e o seu escudeiro ia adiante dele.
42 Quando o filisteu olhou e viu a Davi, desprezou-o, porquanto era mancebo ruivo e de gentil aspecto.
43 Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para tu vires a mim com um pau? Em nome dos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi.
44 Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei as tuas carnes às aves do céu e às bestas do campo.
45 Então, lhe respondeu Davi: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, venho a ti em nome de Jeová dos Exércitos, do Deus das tropas de Israel, as quais tens desafiado.
46 Hoje mesmo, Jeová te entregará nas minhas mãos; matar-te-ei e tirar-te-ei a cabeça. Darei, hoje, às aves do céu e às feras do campo os cadáveres do arraial dos filisteus, e toda a terra saberá que há Deus em Israel.
47 Saberá toda esta congregação que Jeová salva, não pela espada e lança. Porque de Jeová é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos.
48 Como o filisteu se levantasse e viesse chegando para se encontrar com Davi, apressou-se este e correu em direção do exército para se encontrar com o filisteu.
49 Davi meteu a mão no bolso e tirou dali uma pedra. Arrojou-a com a funda e feriu ao filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra.
50 Assim, Davi prevaleceu contra o filisteu com uma funda e com uma pedra; feriu ao filisteu e o matou, porém não havia espada na mão de Davi.
51 Correu Davi, e pôs-se em pé sobre o filisteu, e tomou a espada dele, e, tirando-a da bainha, matou-o, e com ela decepou-lhe a cabeça. Vendo os filisteus que era morto o seu campeão, fugiram.
52 Os homens de Israel e de Judá levantaram-se, gritaram e perseguiram aos filisteus, até a entrada de Gate e até Ecrom. Os feridos dentre os filisteus caíram pelo caminho de Saaraim, até Gate e até Ecrom.
53 Voltando os filhos de Israel de perseguirem aos filisteus, despojaram o arraial deles.
54 Tomando Davi a cabeça do filisteu, levou-a para Jerusalém; porém pôs as armas dele na sua tenda.
55 Quando Saul viu a Davi sair contra o filisteu, perguntou a Abner, o general do exército: Abner, de quem é filho este mancebo? Respondeu Abner: Por tua vida, ó rei, que o não sei.
56 Disse o rei: Pergunta de quem é filho esse rapaz.
57 Voltando Davi depois de morto o filisteu, tomou-o Abner e levou-o à presença de Saul, trazendo Davi na mão a cabeça do filisteu.
58 Saul perguntou-lhe: De quem és filho, mancebo? Respondeu Davi: Sou filho do teu servo Jessé, belemita.
Capítulo 18
1 Tendo Davi acabado de falar com Saul, ligou-se a alma de Jônatas com a de Davi, e Jônatas amou-o como a si mesmo.
2 Naquele dia, Saul o tomou e não lhe permitiu que tornasse para a casa de seu pai.
3 Jônatas e Davi fizeram aliança, porque Jônatas o amava como a si mesmo.
4 Despojou-se Jônatas da capa de que estava vestido e deu-a a Davi e bem assim a sua armadura, incluindo a sua espada, o seu arco e o seu cinto.
5 Saiu Davi aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência; Saul deu-lhe o mando sobre a gente de guerra, e isso pareceu bem a todo o povo e também aos servos de Saul.
6 Ao virem eles, na ocasião da volta de Davi, depois de morto o filisteu, as mulheres saíram de todas as cidades de Israel, cantando e dançando, ao encontro do rei Saul, com tambores, com alegria e com instrumentos de música.
7 As mulheres, tangendo, respondiam umas as outras: Saul matou os seus milhares, E Davi, as suas dezenas de milhares.
8 Saul irou-se em extremo, e desagradou-lhe este incidente. Ele disse: A Davi elas deram dez milhares e a mim, milhares. Que lhe falta senão só o reino?
9 Daquele dia em diante não via Saul a Davi com bons olhos.
10 Ao outro dia, o espírito maligno, enviado de Deus, apoderou-se de Saul, e profetizava dentro da casa; e Davi tocava a harpa com a sua mão, como o fazia todos os dias. Saul tinha na mão a sua lança,
11 que arrojou, dizendo: Traspassarei a Davi contra a parede. Davi, porém, desviou-se de diante dele por duas vezes.
12 Saul temia a Davi, porque Jeová era com Davi e se tinha retirado dele.
13 Por isso, Saul o afastou de si e o fez comandante de mil homens. Ele saía e entrava diante do povo.
14 Davi conduzia-se com prudência em todos os caminhos, e Jeová era com ele.
15 Vendo Saul que ele se conduzia com muita prudência, tinha medo dele.
16 Mas todo o Israel e Judá amavam a Davi, porque saía e entrava diante deles.
17 Disse Saul a Davi: Eis aqui Merabe, minha filha mais velha, que te darei por mulher, contanto que sejas homem de valor e pelejes as batalhas de Jeová. Pois Saul dizia consigo: Não seja a minha mão contra ele, mas sim a dos filisteus.
18 Respondeu Davi a Saul: Quem sou eu, e qual é a minha vida ou a família de meu pai em Israel, para vir a ser genro do rei?
19 Mas, tendo chegado o tempo em que Merabe, filha de Saul, devia ser dada a Davi, foi ela dada por mulher a Adriel, meolotita.
20 Mical, filha de Saul, amava a Davi. Contaram-no a Saul, e isso lhe agradou.
21 Disse Saul: Eu lha darei, para que ela lhe sirva de laço e para que a mão dos filisteus seja contra ele. Pelo que disse Saul a Davi: Pela segunda vez, virás hoje a ser meu genro.
22 Ordenou Saul aos seus servos: Falai em segredo a Davi: Eis que tu estás no agrado do rei, e todos os seus servos te amam; agora, consente em ser genro do rei.
23 Os servos de Saul falaram essas palavras aos ouvidos de Davi, que respondeu: Parece-vos pouca coisa ser genro do rei, sendo eu pobre e de nenhuma valia?
24 Os servos de Saul lhe referiram isso, dizendo: Desta maneira falou Davi.
25 Então, disse Saul: Assim direis a Davi: O rei não deseja dote, mas cem prepúcios de filisteus, para tomar vingança dos inimigos do rei. Ora, Saul pensava em fazer Davi cair por mão dos filisteus.
26 Tendo os servos de Saul referido essas palavras a Davi, agradou-lhe tornar-se genro do rei. Antes de se terem expirado os dias,
27 levantou-se Davi, e partiu, ele e seus homens, e matou dentre os filisteus duzentos homens; trouxe os prepúcios deles e deu-os em número completo ao rei, para ser seu genro. Saul deu-lhe por mulher sua filha Mical.
28 Viu Saul e conheceu que Jeová era com Davi; e Mical, filha de Saul, também o amava.
29 Saul temia ainda mais a Davi e continuamente se fazia seu inimigo.
30 Saíram os régulos dos filisteus à campanha; e, sempre que saíam, conduzia-se Davi com mais prudência do que todos os servos de Saul; e o seu nome tornou-se muito querido.
Capítulo 19
1 Ordenou Saul a Jônatas, seu filho, e a todos os servos que matassem a Davi. Porém Jônatas, filho de Saul, estava muito afeiçoado a Davi.
2 Disse Jônatas a Davi: Saul, meu pai, procura tirar-te a vida. Agora, guarda-te amanhã pela manhã, fica num lugar oculto e esconde-te.
3 Eu sairei, e me porei ao lado de meu pai no campo em que estiveres, e lhe falarei acerca de ti; avisar-te-ei de tudo o que souber.
4 Jônatas falou em favor de Davi a seu pai Saul, e disse-lhe: Não peque o rei contra o seu servo, contra Davi, porque ele não tem pecado contra ti e porque as suas ações para contigo têm sido muito boas;
5 ele arriscou a vida e matou ao filisteu, e Jeová efetuou um grande livramento para todo o Israel. Tu o viste e te alegraste; por que queres pecar contra o sangue inocente, matando sem causa a Davi?
6 Saul deu ouvidos à voz de Jônatas e jurou, dizendo: Pela vida de Jeová, não se lhe tirará a vida.
7 Chamou Jônatas a Davi e referiu-lhe todas estas coisas. Também Jônatas trouxe Davi a Saul, e Davi ficou na presença dele como dantes.
8 Renovou-se depois a guerra. Saindo Davi, pelejou contra os filisteus; fez neles uma grande matança, e fugiram de diante dele.
9 O espírito maligno enviado de Jeová veio sobre Saul, estando ele sentado em casa e tendo na mão a sua lança; e Davi tocava a harpa com a sua mão.
10 Saul procurou atravessar a Davi com a lança contra a parede, mas ele se desviou de diante de Saul, que fincou a lança na parede. Fugiu Davi e escapou naquela noite.
11 Saul enviou mensageiros à casa de Davi, que a vigiassem e que o matassem pela manhã. Mical, mulher de Davi, disse-lhe: Se não te salvares esta noite, amanhã serás morto.
12 Mical desceu-o por uma janela, e ele foi, fugiu e escapou.
13 Mical tomou o terafim, e deitou-o na cama, e, pondo-lhe à cabeceira uma pele de cabra, cobriu-o com a roupa.
14 Quando Saul enviou mensageiros que prendessem a Davi, ela disse: Ele está doente.
15 Saul enviou mensageiros que vissem a Davi, dizendo-lhes: Trazei-mo na cama, para que eu lhe tire a vida.
16 Tendo entrado os mensageiros, eis que o terafim estava na cama, tendo à cabeceira a pele de cabra.
17 Perguntou Saul a Mical: Por que me iludiste assim e deixaste ir o meu inimigo, de maneira que escapou? Respondeu Mical a Saul: Foi porque ele me disse: Deixa-me ir, se não eu te mato.
18 Davi, porém, fugiu e escapou; e, indo ter com Samuel, em Ramá, contou-lhe tudo o que Saul lhe tinha feito. Retiraram-se ele e Samuel e ficaram em Naiote.
19 Foi dito a Saul: Eis que Davi está em Naiote, em Ramá.
20 Enviou Saul mensageiros para prenderem Davi. Quando viram a companhia dos profetas profetizando e Samuel presidindo-lhes, veio o Espírito de Deus sobre eles, e também profetizaram.
21 Avisado disso Saul, enviou outros mensageiros, que também profetizaram. De novo, enviou terceiros mensageiros, os quais também profetizaram.
22 Então, foi também ele a Ramá e, chegando ao poço grande que está em Secu, perguntou: Onde estão Samuel e Davi? Respondeu-se-lhe: Eis que estão em Naiote, em Ramá.
23 Partiu para Naiote, em Ramá. Veio também sobre ele o Espírito de Deus e ia caminhando e profetizando, até que lá chegou.
24 Ele despiu os seus vestidos, também profetizou diante de Samuel e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite. Pelo que se diz: Está também Saul entre os profetas?
Capítulo 20
1 Fugiu Davi de Naiote, que é em Ramá, e veio, e disse a Jônatas: Que fiz eu? Qual é a minha iniquidade e qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?
2 Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não hás de morrer. Meu pai não faz coisa alguma, nem grande nem pequena, sem primeiro me dar parte; por que me ocultaria isso meu pai? Não é verdade.
3 Tornou Davi a jurar e disse: Teu pai sabe muito bem que achei graça aos teus olhos e diz: Não saiba isso Jônatas, para que se não entristeça. Todavia, pela vida de Jeová e pela tua vida, há apenas um passo entre mim e a morte.
4 Jônatas respondeu a Davi: Que desejas tu que eu faça por ti?
5 Disse Davi a Jônatas: Amanhã é a lua nova, e eu me deveria assentar com o rei para comer; mas me deixarás ir, e me esconderei no campo até a tarde do terceiro dia.
6 Se teu pai perguntar por mim, responderás: Davi pediu-me licença, para que corresse a Belém, sua cidade, porque se faz lá o sacrifício anual para toda a parentela.
7 Se ele responder: Está bem, o teu servo terá paz; porém, se ele muito se indignar, sabe que ele está determinado a praticar o mal.
8 Usa de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança de Jeová; mas, se houver em mim culpa, tira-me tu mesmo a vida; por que me levarias a teu pai?
9 Respondeu Jônatas: Isso não te suceda! Pois, se eu, na verdade, soubesse que meu pai estava determinado a trazer o mal sobre ti, não to declararia eu?
10 Perguntou Davi a Jônatas: Quem me há de avisar, se, por acaso, teu pai te responder com aspereza?
11 Respondeu Jônatas a Davi: Vem, e saiamos fora ao campo. Saíram ambos ao campo.
12 Disse Jônatas a Davi: Jeová, Deus de Israel, seja testemunha. Vou eu sondar a meu pai a estas horas amanhã ou depois de amanhã e, havendo alguma coisa favorável a Davi, eu te enviarei a ti e te avisarei.
13 Faça assim Jeová a Jônatas e mais ainda, se, querendo meu pai fazer-te mal, eu não te avisar e não te enviar embora, para que vás em paz. Seja Jeová contigo, como o tem sido com meu pai.
14 Não somente usarás para comigo, enquanto viver, a misericórdia de Jeová, para que eu não morra;
15 mas também não cortarás nunca da minha casa a tua misericórdia; nem ainda quando Jeová tiver exterminado da face da terra a cada um dos inimigos de Davi.
16 Fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: Jeová a requererá da mão dos inimigos de Davi.
17 Jônatas fez que Davi tomasse um novo juramento pelo amor que lhe tinha; porque o amava como a si mesmo.
18 Jônatas disse-lhe: Amanhã é a lua nova; perguntar-se-á por ti, porque o teu lugar estará desocupado.
19 Depois de ausente três dias, descerás apressadamente, e irás ao lugar em que te escondeste no dia do ajuste, e te assentarás junto à pedra Ezel.
20 Eu atirarei junto a ela três setas, como quem atira ao alvo.
21 Eis que enviarei o moço e lhe direi: Vai, busca as setas. Se eu disser ao moço: Olha que as setas estão para cá de ti, levanta-as e vem, porque, pela vida de Jeová, há paz para ti, e nada há que temer.
22 Porém, se disser ao moço: Olha que as setas estão para lá de ti, vai-te, porque Jeová te despede.
23 Quanto ao negócio de que eu e tu falamos, Jeová é testemunha dele para sempre entre mim e ti.
24 Escondeu-se Davi no campo; e, chegada que foi a lua nova, pôs-se o rei à mesa para comer.
25 O rei sentou-se, como de costume, na sua cadeira junto à parede; Jônatas ficou em pé, e Abner sentou-se ao lado de Saul; mas o lugar de Davi estava desocupado.
26 Todavia, naquele dia, nada disse Saul, porque dizia consigo: Alguma coisa lhe aconteceu. Ele não está limpo, certamente ele não está limpo.
27 Sucedeu que, no dia depois da lua nova, sendo o segundo dia, ainda estava desocupado o lugar de Davi, e perguntou Saul a Jônatas, seu filho: Por que não veio o filho de Jessé comer, nem ontem nem hoje?
28 Respondeu Jônatas a Saul: Davi pediu-me licença, para que fosse a Belém.
29 Ele disse-me: Deixa-me ir, porque nossa parentela tem um sacrifício na cidade, e meu irmão me ordenou que fosse. Agora, se achei graça aos teus olhos, deixa-me ir e ver meus irmãos. Por isso, ele não tem vindo à mesa do rei.
30 Acendeu-se a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe: Filho de mulher perversa e rebelde, não sei eu, porventura, que escolheste o filho de Jessé para vergonha tua e para vergonha de tua mãe?
31 Porque, em todo o tempo em que o filho de Jessé viver sobre a terra, não estarás seguro nem tu nem o teu reino. Pelo que envia agora e traze-mo, pois está condenado à morte.
32 Respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e disse-lhe: Por que se há de lhe tirar a vida? Que fez?
33 Saul atirou-lhe com a lança para o ferir, pelo que Jônatas entendeu que seu pai tinha determinado fazer morrer a Davi.
34 Levantou-se da mesa Jônatas, todo encolerizado, e no segundo dia do mês não comeu; pois ficou mui sentido por causa de Davi, porque seu pai o ultrajara.
35 Ao outro dia pela manhã, saiu Jônatas para o campo, no tempo ajustado com Davi, e levou consigo um rapazinho.
36 Disse ao seu rapaz: Corre, busca agora as setas que eu vou atirar. Ao correr o rapaz, atirou ele uma seta para lá dele.
37 Tendo o rapaz chegado ao lugar onde estava a seta que Jônatas tinha atirado, gritou Jônatas ao rapaz e disse: Não está a seta mais para lá de ti?
38 Vai depressa, não te demores. O rapaz de Jônatas recolheu as setas e voltou ao seu amo.
39 O rapaz, porém, não entendia coisa alguma; somente Jônatas e Davi o sabiam.
40 Deu Jônatas as suas armas ao rapaz e disse-lhe: Vai, leva-as à cidade.
41 Logo que o rapaz foi, levantou-se Davi do lugar que olha para o Neguebe, caindo com o rosto em terra, prostrou-se três vezes. Beijando-se um ao outro, choraram ambos, mas Davi mais.
42 Disse Jônatas a Davi: Vai-te em paz, porquanto nós juramos ambos em nome de Jeová, dizendo: Jeová será para sempre entre mim e ti e entre a minha semente e a tua semente. Levantou-se Davi e retirou-se; e Jônatas entrou na cidade.
Capítulo 21
1 Veio Davi a Nobe, ao sacerdote Aimeleque. Aimeleque saiu, tremendo ao encontro de Davi, e perguntou-lhe: Por que vens só, e ninguém, contigo?
2 Respondeu Davi ao sacerdote Aimeleque: O rei encomendou-me um negócio e disse-me: Não saiba ninguém do negócio pelo qual eu te envio e daquilo que te ordenei; por isso, eu disse aos moços que me encontrassem em tal e tal lugar.
3 Agora, que tens à mão? Ainda que não sejam senão cinco pães, dá-mos ou qualquer outra coisa que se achar.
4 Respondendo o sacerdote a Davi, disse-lhe: Não tenho ao meu alcance pão comum, porém há pão consagrado; se ao menos os moços se têm abstido de mulheres!
5 Davi respondeu ao sacerdote e disse-lhe: Como sempre, quando eu saio à campanha, foram-nos vedadas as mulheres e consagradas as equipagens dos moços; embora fosse comum, seria santificado hoje pelas equipagens.
6 Deu-lhe o sacerdote do pão consagrado, porque não havia ali pão, senão os pães da proposição, os quais se tinham tirado de diante de Jeová, no dia em que se tiravam para se porem pães quentes.
7 Ora, achava-se ali, naquele dia, detido diante de Jeová, certo homem dentre os servos de Saul cujo nome era Doegue, idumeu, o principal dos pastores de Saul.
8 Disse Davi a Aimeleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? Pois eu não trouxe comigo nem a minha lança nem as minhas armas, porque o negócio do rei era urgente.
9 Respondeu o sacerdote: A espada de Golias filisteu, a quem mataste no vale de Elá, está aqui envolta num pano atrás do éfode. Se a queres levar, leva-a, porque não há outra aqui, senão essa. Davi disse: Não há outra semelhante a essa; dá-ma.
10 Levantou-se Davi e fugiu, naquele dia, da presença de Saul e foi a Aquis, rei de Gate.
11 Perguntaram-lhe os servos de Aquis: Este não é Davi, o rei da terra? Não foi deste que cantavam nas danças, dizendo: Saul matou os seus milhares, e Davi, as suas dezenas de milhares?
12 Davi guardou estas palavras, meditando-as no seu coração, e teve muito medo de Aquis, rei de Gate.
13 Ele se contrafez diante deles, e fingiu-se doido nas mãos deles, e tamborilava sobre as portas, e deixava correr a saliva pela barba.
14 Disse Aquis aos seus servos: Eis que bem vedes que o homem está louco; por que razão o trouxestes a mim?
15 Faltam-me, porventura, loucos, para que trouxésseis este a fazer loucuras diante de mim? Há de entrar este na minha casa?
Capítulo 22
1 Davi retirou-se dali e escapou para a cova de Adulão. O que tendo ouvido seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram para lá a ter com ele.
2 Ajuntaram-se a ele todos os que se viam oprimidos, todos os que se achavam endividados e todos os amargurados de espírito; e ele se fez chefe sobre eles. Eram com ele cerca de quatrocentos homens.
3 Dali, passou Davi para Mispa de Moabe e disse ao rei de Moabe: Peço-te que meu pai e minha mãe fiquem convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer a meu respeito.
4 Trouxe-os perante o rei de Moabe; e com este ficaram por todo o tempo que Davi esteve no lugar seguro.
5 Disse o profeta Gade a Davi: Não fiques no lugar seguro; sai e entra na terra de Judá. Saiu Davi e foi para o bosque de Herete.
6 Ouviu Saul que já se sabia de Davi e dos homens que estavam com ele. Ora, Saul estava sentado em Gibeá, debaixo da tamargueira em Ramá, tendo na mão a sua lança, e todos os seus servos o rodeavam.
7 Disse aos seus servos que o rodeavam: Ouvi, agora, benjamitas! Acaso, o filho de Jessé vos dará a todos vós campos e vinhas e far-vos-á a todos capitães de milhares e capitães de centenas,
8 para que todos vós tenhais conspirado contra mim e não haja ninguém que me dê aviso, ao entrar meu filho numa aliança com o filho de Jessé, e não haja ninguém que tenha pena de mim e me avise de ter meu filho sublevado contra mim ao meu servo, para que me arme ciladas, como hoje se vê?
9 Respondeu Doegue, idumeu, que estava ao lado dos servos de Saul: Eu vi o filho de Jessé vir a Nobe, a Aimeleque, filho de Aitube.
10 Este consultou a Jeová a pedido dele, e lhe deu mantimento, e lhe deu também a espada de Golias, filisteu.
11 Mandou o rei chamar ao sacerdote Aimeleque, filho de Aitube, e a toda a casa de seu pai, a saber, os sacerdotes que estavam em Nobe. Todos eles vieram à presença do rei.
12 Disse Saul: Ouve, filho de Aitube! Este respondeu: Eis-me aqui, meu senhor!
13 Perguntou-lhe Saul: Por que conspirastes contra mim, tu e o filho de Jessé, em lhe dares tu pão e uma espada e em seu favor consultares a Deus, para que ele se sublevasse contra mim, armando-me ciladas, como hoje se vê?
14 Aimeleque respondeu ao rei: Quem, entre todos os teus servos, é como Davi, fiel, genro do rei, chefe da tua guarda e honrado na tua casa?
15 Porventura, é de hoje que comecei a consultar a Deus em seu favor? Longe de mim tal. Não impute o rei coisa alguma ao seu servo, nem a toda a casa de meu pai, pois o teu servo nada sabe de tudo isso, nem pouco nem muito.
16 Respondeu o rei: Vais morrer, Aimeleque, tu e toda a casa de teu pai.
17 Disse o rei aos da guarda que o rodeavam: Voltai-vos contra os sacerdotes de Jeová e matai-os, porque estão de mãos dadas com Davi, e porque sabiam que fugiu, e não me avisaram disso. Porém os servos do rei não quiseram estender as suas mãos para arremeter contra os sacerdotes de Jeová.
18 Disse o rei a Doegue: Vai tu e arremete contra os sacerdotes. Doegue, idumeu, voltou-se, arremeteu contra os sacerdotes e matou naquele dia oitenta e cinco homens que vestiam o éfode de linho.
19 A Nobe, cidade dos sacerdotes, passou ao fio da espada; passou ao fio da espada homens e mulheres, meninos e crianças de mama, e bois, jumentos e ovelhas,
20 Um dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, que se chamava Abiatar, escapou e fugiu para Davi.
21 Abiatar disse a Davi que Saul tinha feito morrer os sacerdotes de Jeová.
22 Disse Davi a Abiatar: Naquele dia em que Doegue, idumeu, se achou ali, eu bem sabia que ele o havia de dizer a Saul. Eu fui a causa da morte de todas as pessoas da casa de teu pai.
23 Fica comigo, não temas, porque quem procura a minha vida procura também a tua; comigo estarás em segurança.
Capítulo 23
1 Foi dito a Davi: Eis que os filisteus estão pelejando contra Queila e saqueando as eiras.
2 Consultou Davi a Jeová, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus? Respondeu Jeová a Davi: Vai, e ferirás aos filisteus, e salvarás a Queila.
3 Os homens de Davi disseram-lhe: Temos medo aqui em Judá, quanto mais se formos a Queila contra o exército dos filisteus?
4 Davi tornou a consultar a Jeová, que lhe respondeu: Levanta-te, desce a Queila, porque eu hei de entregar os filisteus nas tuas mãos.
5 Foram Davi e seus homens a Queila e pelejaram contra os filisteus; Davi levou-lhes os gados e fez uma grande matança entre eles. Assim, salvou os habitantes de Queila.
6 Ao fugir Abiatar, filho de Aimeleque, para Davi a Queila, desceu levando o éfode na mão.
7 Foi comunicado a Saul que Davi tinha ido a Queila. Disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos; está encerrado, porque entrou numa cidade que tem portas e ferrolhos.
8 Então, Saul mandou chamar todo o povo à peleja, para que descessem a Queila e sitiassem Davi e os seus homens.
9 Sabendo Davi que Saul lhe maquinava o mal, disse ao sacerdote Abiatar: Traze cá o éfode.
10 Davi disse: O teu servo acaba de ouvir, Jeová, Deus de Israel, que Saul se prepara para vir a Queila, a fim de destruir a cidade por minha causa.
11 Entregar-me-ão os cidadãos de Queila nas mãos dele? Descerá Saul como o teu servo ouviu? Rogo-te, Jeová, Deus de Israel, que o digas ao teu servo. Respondeu Jeová: Descerá.
12 Perguntou Davi: Acaso, os cidadãos de Queila me entregarão a mim e aos meus homens nas mãos de Saul? Respondeu Jeová: Entregarão.
13 Davi e seus homens, que eram cerca de seiscentos, levantaram-se, e partiram de Queila, e andaram errantes para cá e para lá. Tendo sido dito a Saul que Davi escapara de Queila, deixou de sair.
14 Davi ficou no deserto, em lugares seguros, e permaneceu na região montanhosa, no deserto de Zife. Saul buscava-o todos os dias, mas Deus não o entregou nas suas mãos.
15 Vendo Davi que Saul saíra em busca da sua vida, permaneceu no deserto de Zife, em Horesa.
16 Levantou-se Jônatas, filho de Saul, e foi ter com Davi em Horesa, e o confortou em Deus.
17 Disse-lhe: Não tenhas medo, pois não te achará a mão de Saul, meu pai. Tu reinarás sobre Israel, e eu serei o segundo depois de ti; o que também Saul, meu pai, bem sabe.
18 Ambos fizeram aliança diante de Jeová; ficou Davi em Horesa, e Jônatas voltou para sua casa.
19 Depois, subiram os zifitas a ter com Saul, em Gibeá, e disseram: Não se esconde Davi entre nós nos lugares seguros, em Horesa, no outeiro de Haquilá, que está ao sul do deserto?
20 Agora, desce, ó rei, conforme é todo o desejo do teu coração, e a nós, toca-nos entregá-lo nas mãos do rei.
21 Disse Saul: Benditos sejais de Jeová, porque vos compadecestes de mim!
22 Ide, informai-vos ainda melhor, sabei e notai o lugar que frequenta e quem o tenha visto ali; pois se me diz que ele é muito astuto.
23 Vede, e informai-vos acerca de todos os esconderijos em que ele se oculta, e tornai a vir ter comigo sem falta, e eu irei convosco. Se ele estiver na terra, eu o buscarei entre todos os milhares de Judá.
24 Eles se levantaram e foram para Zife adiante de Saul; Davi e seus homens, porém, estavam no deserto de Maom, na Arabá, ao sul de Jesimom.
25 Saul e seus homens foram em busca dele. Isso foi dito a Davi. Pelo que desceu para a penha e ficou no deserto de Maom. O que tendo Saul ouvido, entrou no deserto para perseguir a Davi.
26 Saul ia duma banda do monte, e Davi e seus homens, da outra banda do monte. Davi fugiu apressadamente para escapar de Saul, porque Saul e seus homens cercavam a Davi e aos seus para os prender.
27 Porém chegou um mensageiro a Saul dizendo: Apressa-te e vem, porque os filisteus acabam de invadir a terra.
28 Tornou-se Saul, deixando de perseguir a Davi, e marchou contra os filisteus. Por isso, se chamou àquele lugar Sela-Hamalequote.
29 Davi subiu dali e habitou nos lugares seguros de En-Gedi.
Capítulo 24
1 Tendo Saul voltado de perseguir os filisteus, foi-lhe dito: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.
2 Tomando Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, foi em busca de Davi e dos seus homens até sobre as penhas das cabras monteses.
3 Chegou, no caminho, a uns currais de ovelhas, onde havia uma cova; entrou nela Saul a aliviar o ventre. Ora, Davi e seus homens estavam sentados na parte mais interna da cova.
4 Disseram-lhe os homens de Davi: Este é o dia do qual te disse Jeová: Eis que te entrego nas mãos o teu inimigo, e far-lhe-ás o que bem te parecer. Davi levantou-se e, de mansinho, cortou a orla do manto de Saul.
5 Depois, bateu o coração de Davi, por ter cortado a orla do manto de Saul.
6 Disse aos seus homens: Deus me guarde de que eu faça isso ao meu senhor, ao ungido de Jeová, a saber, que eu estenda a mão contra ele, visto que ele é o ungido de Jeová.
7 Com essas palavras, conteve Davi os seus homens e não lhes permitiu que se lançassem contra Saul. Saindo Saul da cova, prosseguiu o seu caminho.
8 Levantou-se também Davi depois dele e, tendo saído da cova, gritou a Saul, dizendo: Ó rei, meu senhor! Olhando Saul para trás, prostrou-se Davi com o rosto em terra e fez-lhe uma reverência.
9 Disse Davi a Saul: Por que dás ouvidos às palavras dos que dizem: Davi procura fazer-te mal?
10 Eis que os teus próprios olhos viram hoje que Jeová te entregou nas minhas mãos quando estavas na cova, e foi-me dito que eu te matasse, porém a minha mão te poupou, e eu disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, porque é o ungido de Jeová.
11 Vê, meu pai, vê a orla do manto na minha mão. No fato de cortar eu a orla do manto sem te matar, reconhece que não há na minha mão nem mal nem transgressão e que não pequei contra ti, ainda que tu andes à caça da minha vida para ma tirares.
12 Jeová seja o juiz entre mim e ti e Jeová me vingue de ti; a minha mão, porém, não será contra ti.
13 Como diz o provérbio dos antigos: Dos ímpios procede a impiedade. A minha mão, porém, não será contra ti.
14 Após quem saiu o rei de Israel? A quem persegues tu? Persegues a um cão morto, a uma pulga.
15 Seja Jeová juiz, e julgue entre mim e ti, e veja e pleiteie a minha causa, e me livre das tuas mãos.
16 Tendo Davi acabado de falar a Saul estas palavras, perguntou Saul: É esta a tua voz, meu filho Davi? Então, Saul levantou a voz e chorou.
17 Disse a Davi: Tu és mais justo do que eu, pois tu me tens feito o bem, e eu te tenho feito o mal.
18 Tu me mostraste hoje que grande bem me fizeste, pois, tendo-me Jeová entregado nas tuas mãos, não me tiraste a vida.
19 Por que quem há que, encontrando a seu inimigo, o deixará sem lhe fazer mal? Jeová te pague com o bem o que hoje me fizeste.
20 Agora, sei que sem falta hás de ser rei e que o reino de Israel há de se firmar na tua mão.
21 Agora, jura-me por Jeová que não exterminarás a minha semente depois de mim e que não extinguirás o meu nome da casa de meu pai.
22 Davi o jurou a Saul. Voltou Saul para sua casa, mas Davi e seus homens subiram ao lugar seguro.
Capítulo 25
1 Faleceu Samuel; todo o Israel se ajuntou, e prantearam-no e enterraram-no na sua casa, em Ramá. Davi levantou-se e desceu ao deserto de Parã.
2 Havia um homem em Maom que tinha o seu negócio no Carmelo; era este homem muito rico, e tinha três mil ovelhas e mil cabras, e estava ocupado em tosquiar as suas ovelhas no Carmelo.
3 Chamava-se o homem Nabal, e sua mulher chamava-se Abigail; era esta mulher sensata e formosa, porém era o homem duro e grosseiro. Era ele da casa de Calebe.
4 Davi ouviu no deserto que Nabal tosquiava as suas ovelhas,
5 e enviou dez mancebos, e disse-lhes: Subi ao Carmelo, ide à casa de Nabal e saudai-o da minha parte.
6 Assim direis àquele próspero: Paz seja a ti, paz seja à tua casa e paz seja a tudo o que tens!
7 Agora, ouvi que tens tosquiadores. Os teus pastores acabam de estar conosco, e não mofamos deles, nem perderam eles coisa alguma por todo o tempo que estiveram no Carmelo.
8 Pergunta aos teus mancebos, e eles to dirão. Portanto, que achem os moços graça aos teus olhos, porque viemos em tão boa ocasião. Dá aos teus servos e a Davi, teu filho, qualquer coisa que tiveres à mão.
9 Tendo chegado os mancebos de Davi, falaram a Nabal todas essas palavras em nome de Davi e ficaram calados.
10 Nabal respondeu aos servos de Davi: Quem é Davi? Quem é o filho de Jessé? Muitos são, hoje em dia, os servos que fogem ao seu senhor.
11 Hei de pegar no meu pão, no meu vinho e na carne das minhas reses que degolei para os que tosquiam as minhas ovelhas, e dá-los a uns homens que não sei donde vêm?
12 Puseram-se a caminho os mancebos de Davi, voltaram e, tendo chegado, contaram-lhe segundo todas estas palavras.
13 Então, disse Davi aos seus homens: Cinja cada um a espada. Cada um cingiu a espada, e Davi também cingiu a sua; subiram após Davi cerca de quatrocentos homens, e ficaram duzentos com a bagagem.
14 Um dos mancebos, porém, contou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Davi enviou do deserto mensageiros a saudar o nosso amo, e este disparatou com eles.
15 Mas os homens nos foram muito bons e não mofaram de nós, nem perdemos coisa alguma, por todo o tempo em que tivemos relações com eles, quando estávamos nos campos.
16 Eles nos serviam de muro assim de dia como de noite, por todo o tempo que andamos com eles apascentando as ovelhas.
17 Agora, considera e vê o que hás de fazer, porque o mal está determinado contra o nosso amo e contra toda a sua casa. Ele é tal filho de Belial, que ninguém lhe pode falar.
18 Apressou-se Abigail, tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas assadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos e pô-los em cima de jumentos.
19 Disse aos seus mancebos: Ide adiante de mim, que vos seguirei de perto. Porém ela nada disse a seu marido Nabal.
20 Enquanto montada num jumento, descia ela pelas fraldas do monte, descia-lhe também Davi e seus homens ao encontro; e ela se encontrou com eles.
21 Ora, Davi tinha dito: Na verdade, de nada me serviu ter eu conservado no deserto tudo o que era deste homem, de maneira que nada perdeu de tudo o que lhe pertencia; ele me tornou mal por bem.
22 Assim, faça Deus aos inimigos de Davi e mais ainda, se eu deixar até ao amanhecer, de tudo o que lhe pertence, ainda um só menino.
23 Abigail tanto que viu a Davi, apressou-se, desceu do jumento, prostrou-se sobre o rosto diante de Davi e inclinou-se até a terra.
24 Lançou-se-lhe aos pés e disse: Sobre mim caia, meu senhor, a culpa, e deixa falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavras da tua serva.
25 Não se importe o meu senhor com este homem de Belial, a saber, com Nabal; porque tal é ele qual é o seu nome; Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele. Mas eu, tua serva, não vi os mancebos que tu, meu senhor, enviaste.
26 Agora, meu senhor, pela vida de Jeová e pela tua vida, visto que Jeová te impediu de derramares sangue e de te vingares pela tua própria mão, sejam agora como Nabal os teus inimigos e os que buscam fazer o mal ao meu senhor.
27 Este é o presente que trouxe a tua serva ao meu senhor, seja ele dado aos mancebos que seguem ao meu senhor.
28 Perdoa a transgressão da tua serva, pois, sem dúvida, Jeová fará do meu senhor uma casa firme, porquanto o meu senhor peleja as batalhas de Jeová; e não se achará em ti o mal todos os teus dias.
29 Se alguém se levantar para te perseguir e buscar a tua vida, será a vida do meu senhor posta no feixe dos que vivem sob a proteção de Jeová, teu Deus; mas a vida dos teus inimigos, ele a arrojará como de uma funda.
30 Quando Jeová houver feito ao meu senhor todo o bem que ele falou a teu respeito e te tiver estabelecido por príncipe sobre Israel,
31 não te será por pesar nem de remorso, meu senhor, por teres derramado sangue sem motivo ou por se ter o meu senhor vingado a si mesmo. Quando Jeová houver feito o bem ao meu senhor, lembrar-te-ás da tua serva.
32 Davi respondeu a Abigail: Bendito seja Jeová, Deus de Israel, que te enviou hoje ao meu encontro!
33 Bendita seja a tua sabedoria, e bendita sejas tu, que me tolheste de verter sangue e vingar-me, pela minha própria mão!
34 Pois, na verdade, juro pela vida de Jeová, Deus de Israel, que me impediu de fazer o mal, que, se tu não te apresentasses e me não viesses ao encontro, não teria ficado a Nabal, até o amanhecer, ainda um só menino.
35 Aceitou Davi da mão de Abigail tudo o que lhe trouxera e disse-lhe: Sobe em paz para a tua casa; vê que dei ouvidos à tua voz e fiz a tua vontade.
36 Voltou Abigail para Nabal. Eis que ele fazia em casa um banquete, como banquete de rei, e o seu coração se achava alegre, porque estava muito embriagado. Pelo que não lhe referiu coisa alguma, nem pouco nem muito até pela manhã.
37 Pela manhã, quando Nabal já estava livre do vinho, contou-lhe sua mulher essas coisas. Teve o seu coração um choque mortal, ficando ele como uma pedra.
38 Passados dez dias, feriu Jeová a Nabal, que morreu.
39 Tendo Davi ouvido que Nabal era morto, disse: Bendito seja Jeová, que pleiteou a minha causa a respeito da afronta que recebi de Nabal e preservou ao seu servo do mal! Pois Jeová fez cair a malignidade de Nabal sobre a sua cabeça. Mandou Davi falar a Abigail, para a receber por mulher.
40 Tendo vindo os servos de Davi a Abigail, ao Carmelo, disseram-lhe: Davi nos enviou a ti, para te tomarmos por sua mulher.
41 Ela se levantou, se prostrou com o rosto em terra e disse: Eis que a tua serva é criada para lavar os pés dos servos do meu senhor.
42 Abigail apressou-se e, levantando-se, montou num jumento; foram com ela cinco moças que lhe assistiam, e ela seguiu os mensageiros de Davi, que a recebeu por mulher.
43 Davi também tomou a Ainoã de Jezreel, e ambas foram suas mulheres.
44 Saul tinha dado Mical, sua filha, mulher de Davi, a Palti, filho de Laís, que era de Galim.
Capítulo 26
1 Vieram os zifitas ter com Saul, a Gibeá, e disseram: Não se esconde Davi no outeiro de Haquilá, que é defronte do deserto?
2 Levantou-se Saul e desceu ao deserto de Zife, levando consigo três mil homens escolhidos de Israel, para buscar a Davi ali.
3 Acampou-se Saul no outeiro de Haquilá, que é defronte do deserto, junto ao caminho. Porém Davi morava no deserto, e, sabendo que Saul vinha ali em sua procura,
4 enviou espias, e certificou-se de que Saul tinha vindo.
5 Levantou-se Davi, e foi ao lugar onde Saul se tinha acampado, e viu o lugar onde se deitavam Saul e Abner, filho de Ner, general das suas tropas. Saul estava deitado dentro da trincheira, e ao redor dele estava acampado o povo.
6 Perguntou Davi a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe: Quem descerá comigo a Saul ao arraial? Respondeu Abisai: Eu descerei contigo.
7 Foram de noite Davi e Abisai ao povo. Eis que Saul estava deitado e dormindo dentro da trincheira, e a sua lança, fincada na terra, à sua cabeceira. Abner e o povo estavam deitados ao redor dele.
8 Então, disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo. Agora, deixa-me atravessá-lo com a lança até o chão dum só golpe; não lhe darei outro.
9 Mas Davi respondeu a Abisai: Não o mates, pois quem pode estender a mão contra o ungido de Jeová e ficar inocente?
10 Acrescentou Davi: Pela vida de Jeová, Jeová o há de ferir ou chegará o seu dia, e morrerá ou descerá para a batalha e perecerá.
11 Não permita Jeová que eu estenda a mão contra o seu ungido; porém toma, agora, a lança que está à sua cabeceira e a bilha de água, e vamo-nos.
12 Davi tomou da cabeceira de Saul a lança e a bilha de água, e foram-se. Ninguém o viu, nem o soube, nem se despertou, pois todos dormiam, porque, da parte de Jeová, tinha caído sobre eles um profundo sono.
13 Tendo Davi passado à outra banda, pôs-se no cume do monte, ao longe, havendo uma grande distância entre eles.
14 Bradou ao povo e a Abner, filho de Ner, dizendo: Não respondes, Abner? Respondeu Abner: Quem és tu que bradas ao rei?
15 Disse-lhe Davi: Não és tu um valente? Quem há em Israel tal como tu? Por que não guardaste o rei, teu senhor? Porque veio um do povo para matar o rei, teu senhor.
16 Não é bom isso que fizeste; pela vida de Jeová, mereceis vós a morte, porque não guardastes ao vosso senhor, ao ungido de Jeová. Vede, agora, onde está a lança do rei e a bilha de água que estava à sua cabeceira.
17 Conheceu Saul a voz de Davi e disse: Não é esta a tua voz, meu filho Davi? Davi respondeu: Minha voz é, ó rei, meu senhor.
18 Prosseguiu: Por que persegue o meu senhor ao seu servo? Pois que fiz eu? Que maldade se acha na minha mão?
19 Ouve, agora, ó rei, meu senhor, as palavras de teu servo: se é Jeová o que te tem instigado contra mim, receba ele o cheiro de uma oferta de cereais; se, porém, são os filhos dos homens, malditos sejam perante Jeová! Pois eles me expulsaram hoje, para que eu não seja incluído na herança de Jeová, dizendo: Vai, serve a outros deuses.
20 Agora, não se derrame o meu sangue na terra fora da presença de Jeová; porque saiu o rei de Israel em busca de uma pulga, como se persegue uma perdiz nos montes.
21 Disse Saul: Pequei; volta, meu filho Davi, pois não te tornarei a fazer o mal, porque foi hoje preciosa a minha vida aos teus olhos. Eis que tenho procedido nesciamente, errado excessivamente.
22 Respondeu Davi: Eis aqui a lança, ó rei! Venha cá um dos mancebos e leve-a.
23 Pague Jeová a cada um a sua justiça e a sua fidelidade; porquanto Jeová te entregou hoje na minha mão, e eu não quis estender a mão contra o ungido de Jeová.
24 Assim como foi a tua vida hoje de muita estima aos meus olhos, assim seja de muita estima a minha vida aos olhos de Jeová, e livre-me ele de toda a tribulação.
25 Disse Saul a Davi: Bendito sejas tu, meu filho Davi! Pois grandes coisas farás e também, sem falta, prevalecerás. Então, se foi Davi o seu caminho, e Saul voltou para o seu lugar.
Capítulo 27
1 Disse Davi no seu coração: Ora, perecerei ainda algum dia pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar para a terra dos filisteus, a fim de que Saul perca de todo as esperanças e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; assim, escaparei da sua mão.
2 Levantou-se Davi e passou com os seiscentos homens que estavam com ele para Aquis, filho de Maoque, rei de Gate.
3 Davi habitou com Aquis, em Gate, ele e seus homens, cada um com a sua família, e Davi com as suas duas mulheres, Ainoã, jezreelita, e Abigail, carmelita, que fora mulher de Nabal.
4 Foi Saul avisado de que Davi tinha fugido para Gate e não cuidou mais de o buscar.
5 Disse Davi a Aquis: Se achei graça aos teus olhos, dê-se-me um lugar numa das cidades do país, para que eu habite ali; pois a que fim habitará o teu servo contigo na cidade real?
6 Aquis deu-lhe, naquele dia, a Ziclague. Pelo que Ziclague pertence aos reis de Judá até o dia de hoje.
7 Foi o número dos dias que Davi habitou no país dos filisteus um ano e quatro meses.
8 Subia Davi com os seus homens, e davam sobre os gesuritas, e os gersitas, e os amalequitas, pois estas nações habitavam a terra que se estende desde Telã, na direção de Sur, até a terra do Egito.
9 Davi feria a terra, e não deixava com vida nem homem nem mulher, e tomava as ovelhas, e os bois, e os jumentos, e os camelos, e os vestidos; voltava e vinha para Aquis.
10 Aquis perguntava-lhe: Para que parte fizeste hoje a correria? Respondia-lhe Davi: Para o Neguebe de Judá, ou para Neguebe dos jerameelitas, ou para o Neguebe dos quenitas.
11 Davi não deixava com vida nem homem nem mulher, para os trazer a Gate, pois dizia: Para que não nos denunciem, dizendo: Assim faz Davi. Este foi o seu costume por todos os dias que habitou no país dos filisteus.
12 Aquis se confiava de Davi, dizendo: Ele fez que o seu povo de Israel de todo o aborrecesse, pelo que será meu servo para sempre.
Capítulo 28
1 Naqueles dias, ajuntaram os filisteus as suas tropas para a guerra, a fim de pelejarem contra Israel. Disse Aquis a Davi: Fica sabendo que hás de ir comigo ao campo, tu e teus homens.
2 Respondeu Davi a Aquis: Tu saberás, portanto, o que o teu servo há de fazer. Disse Aquis a Davi: Por isso, te farei guarda da minha cabeça para sempre.
3 Ora, Samuel era morto; todo o Israel o tinha chorado, e enterraram-no em Ramá, que era a sua cidade. Saul tinha lançado fora da terra os que consultavam espíritos ou um espírito familiar.
4 Ajuntaram-se os filisteus e vieram acampar-se em Suném; ajuntou Saul todo o Israel, e acamparam-se em Gilboa.
5 Vendo Saul o exército dos filisteus, foi tomado de medo, e tremeu muito o seu coração.
6 Saul consultou a Jeová, porém ele não lhe respondeu nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
7 Então, disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma mulher que consulte a um espírito familiar, para que eu vá consultá-la. Responderam-lhe os seus servos: Há em En-Dor uma mulher que consulta espírito familiar.
8 Saul disfarçou-se e, tomando outros vestidos, foi, acompanhado de dois homens, e chegaram de noite à casa da mulher. Ele disse: Adivinha-me pelo espírito familiar e faze-me subir aquele que eu te disser.
9 Respondeu-lhe a mulher: Eis que tu sabes o que fez Saul, como exterminou da terra os que consultam espíritos ou espírito familiar; por que me estás armando um laço à minha vida, para me fazeres morrer?
10 Saul jurou-lhe por Jeová, dizendo: Pela vida de Jeová, nenhuma culpa te sobrevirá por causa disso.
11 Perguntou-lhe a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-me subir Samuel.
12 Quando a mulher viu a Samuel, deu um grande grito e disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu és Saul.
13 Respondeu-lhe o rei: Não tenhas medo; que vês tu? Disse a mulher a Saul: Vejo um deus subindo da terra.
14 Perguntou-lhe ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está envolto numa capa. Entendeu Saul que era Samuel, prostrou-se com o rosto em terra e fez-lhe uma reverência.
15 Disse Samuel a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Respondeu Saul: Estou mui angustiado, porque os filisteus me fazem guerra, e Deus se tem afastado de mim e não me responde mais, nem por profetas nem por sonhos. Por isso, te chamei, para que me fizesses saber o que hei de fazer.
16 Disse Samuel: Para que me perguntas, visto que Jeová se tem afastado de ti e se fez teu inimigo?
17 Jeová te fez, como pela minha boca te disse; Jeová rasgou o reino da tua mão e o deu ao teu próximo, a Davi.
18 Porque não obedeceste à voz de Jeová e não executaste o furor da sua ira contra Amaleque, portanto isso te fez Jeová, hoje.
19 Jeová entregará também contigo Israel nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e teus filhos estareis comigo; Jeová entregará o arraial de Israel nas mãos dos filisteus.
20 Caiu imediatamente Saul estendido por terra, e foi tomado de grande medo, por causa das palavras de Samuel. Não havia forças nele, porque não tinha comido pão todo aquele dia nem toda aquela noite.
21 Aproximou-se de Saul a mulher e, vendo que ele estava muito turbado, disse-lhe: Eis que a tua serva obedeceu à tua voz e, expondo a minha vida, dei ouvidos às palavras que me falaste.
22 Agora, ouve também tu a voz da tua serva e permite que eu ponha diante de ti um bocado de pão; come para que tenhas forças e possas ir teu caminho.
23 Ele, porém, o recusou e disse: Não comerei. Mas os servos, juntamente com a mulher, o constrangeram; e deu ouvidos à voz deles. Levantou-se do chão e sentou-se sobre o leito.
24 A mulher tinha em casa um bezerro cevado, que se apressou a matar, e tomou farinha, e, amassando-a, a cozeu em pães asmos.
25 Pôs tudo diante de Saul e diante dos seus servos; e eles comeram. Então, se levantaram e partiram naquela noite.
Capítulo 29
1 Ajuntaram os filisteus todas as suas hostes em Afeca, e acamparam-se os israelitas junto à fonte, em Jezreel.
2 Os régulos dos filisteus estavam marchando com as suas centenas e milhares; e Davi e seus homens marchavam na retaguarda, com Aquis.
3 Perguntaram os régulos dos filisteus: Que fazem aqui estes hebreus? Aquis respondeu-lhes: Este não é Davi, servo de Saul, rei de Israel, que tem estado comigo alguns dias ou alguns anos, sem que lhe tenha achado culpa alguma desde o dia em que se refugiou para mim até o dia de hoje?
4 Porém os régulos dos filisteus se iraram contra ele e disseram a Aquis: Faze voltar este homem, para que torne ao lugar em que o puseste e não desça conosco à batalha, a fim de que não se faça nosso adversário no combate. Com que se reconciliaria com o seu senhor? Não seria, porventura, com as cabeças destes homens?
5 Acaso, este não é Davi, de quem cantando diziam nas danças: Saul matou os seus milhares, e Davi, as suas dezenas de milhares?
6 Aquis chamou a Davi e disse-lhe: Pela vida de Jeová, tu tens sido reto, e é bom aos meus olhos o teu sair e entrar comigo no arraial, pois não tenho achado mal algum em ti desde o dia em que vieste ter comigo até o dia de hoje; porém tu não agradas aos régulos.
7 Agora, volta e vai-te em paz, para não desagradares aos régulos dos filisteus.
8 Perguntou Davi a Aquis: Mas que tenho eu feito? Que tens achado no teu servo desde o dia em que te apareci até o dia de hoje, para que eu não vá pelejar contra os inimigos do rei, meu senhor?
9 Respondeu Aquis a Davi: Sei que és bom aos meus olhos, como um anjo de Deus; todavia, os régulos dos filisteus disseram: Ele não há de subir conosco à batalha.
10 Agora, levanta-te de manhã cedo, tu e os servos do teu senhor que vieram contigo, e, tendo-vos levantado de manhã cedo, parti logo que haja luz.
11 Levantou-se Davi de madrugada com seus homens, para partirem pela manhã e voltarem para a terra dos filisteus. Os filisteus, porém, subiram a Jezreel.
Capítulo 30
1 Quando, ao terceiro dia, chegou Davi com seus homens a Ziclague, os amalequitas tinham feito uma invasão no Neguebe e em Ziclague, e tinham ferido Ziclague, e a tinham queimado a fogo;
2 tinham levado cativas as mulheres e todos os que ali se achavam, tanto pequenos como grandes; não mataram a ninguém, porém os levaram consigo e foram seu caminho.
3 Quando Davi e seus homens chegaram à cidade, eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, e seus filhos, e filhas, levados cativos.
4 Davi e o povo que se achava com ele levantaram a sua voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.
5 Foram também levadas cativas as duas mulheres de Davi, Ainoã, a jezreelita, e Abigail, que fora mulher de Nabal, o carmelita.
6 Davi estava muito angustiado, pois o povo, tendo a alma amargurada por causa de seus filhos e de suas filhas, falava em apedrejá-lo. Porém ele se confortou em Jeová, seu Deus.
7 Disse Davi ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: Traze-me cá o éfode. Abiatar trouxe o éfode a Davi.
8 Davi consultou a Jeová, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? Alcançá-la-ei? Respondeu-lhe Jeová: Persegue-a, pois, sem falta, a alcançarás e tudo libertarás.
9 Partiu Davi, com os seiscentos homens que com ele se achavam, e foram à torrente de Besor, onde os retardatários ficaram.
10 Porém perseguiu Davi com quatrocentos homens, porque ficaram atrás duzentos, que, de cansados, não puderam passar a torrente de Besor.
11 Achando no campo a um egípcio, trouxeram-no a Davi. Fizeram-lhe comer pão e beber água;
12 deram-lhe também um pedaço de pasta de figos secos e dois cachos de passas. Depois de os ter comido, recobrou alento, pois havia três dias e três noites que não tinha comido pão, nem bebido água.
13 Então, lhe perguntou Davi: De quem és tu? donde vens? Respondeu ele: Eu sou um moço egípcio, servo dum amalequita; o meu senhor me abandonou, porque adoeci há três dias.
14 Nós fizemos uma correria para o Neguebe dos quereteus, para o de Judá e para o de Calebe e pusemos fogo a Ziclague.
15 Disse-lhe Davi: Poderás descer e guiar-me a essa tropa? Ele respondeu: Jura-me tu por Deus que não me hás de matar e que me não hás de entregar nas mãos do meu senhor, e descerei e guiar-te-ei a essa tropa.
16 Desceu e o guiou. Eis que eles estavam espalhados sobre a face de toda a terra, comendo, bebendo e dançando, por causa de todo o grande despojo que haviam tomado da terra dos filisteus e da terra de Judá.
17 Feriu-os Davi desde o crepúsculo até a tarde do dia seguinte, e nenhum deles escapou, senão quatrocentos mancebos que, montados nos camelos, fugiram.
18 Recobrou Davi tudo o que os amalequitas tinham tomado e livrou as suas duas mulheres.
19 Não lhes faltou coisa alguma, nem pequena, nem grande, nem filhos, nem filhas, nem despojo, nem qualquer coisa que eles tinham tomado para si. Davi tornou a trazer tudo.
20 Davi tomou todos os rebanhos e manadas; aqueles que os fizeram caminhar diante do outro gado diziam: Este é o despojo de Davi.
21 Chegou Davi aos duzentos homens que, de cansados, não puderam segui-lo, os quais também foram obrigados a ficar à torrente de Besor. Estes saíram ao encontro de Davi e dos que vinham com ele. Davi, aproximando-se deles, saudou-os.
22 Então, todos os malvados e filhos de Belial, dentre os que foram com Davi, disseram: Visto que não foram conosco, nada lhes daremos do despojo que recobramos, senão que a cada um daremos suas mulheres e seus filhos, para que os levem e se retirem.
23 Disse Davi: Não fareis assim, meus irmãos, com o que nos deu Jeová, que nos conservou e entregou em nossas mãos a tropa que vinha contra nós.
24 Quem vos ouvirá neste negócio? Pois qual é a porção do que desce para a batalha, tal será a porção do que fica com a bagagem; receberão partes iguais.
25 Daquele dia em diante até hoje, foi estabelecido por estatuto e preceito em Israel.
26 Chegando Davi a Ziclague, enviou dos despojos aos anciãos de Judá, seus amigos, dizendo: Eis um presente para vós dos despojos dos inimigos de Jeová.
27 Dos despojos enviou aos de Betel, aos de Ramote do Neguebe, aos de Jatir,
28 aos de Aroer, aos de Sifmote, aos de Estemoa,
29 aos de Racal aos das cidades dos jerameelitas, aos das cidades dos quenitas,
30 aos de Hormá, aos de Borasã, aos de Atace,
31 aos de Hebrom e a todos os lugares que Davi e seus homens costumavam frequentar.
Capítulo 31
1 Entretanto, os filisteus pelejavam contra Israel; os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus e caíram mortos no monte de Gilboa.
2 Os filisteus seguiram de perto a Saul e a seus filhos e mataram a Jônatas, a Abinadabe e a Malquisua, filhos de Saul.
3 A peleja agravou-se contra Saul, e alcançaram-no os flecheiros, que o feriram mui gravemente.
4 Então, disse Saul ao seu escudeiro: Desembainha a tua espada e atravessa-me com ela, para que não venham estes incircuncidados, e me traspassem, e escarneçam de mim. Mas o seu escudeiro não o quis fazer, pois teve muito medo. Tomou Saul a sua espada e deixou-se cair sobre ela.
5 Quando o seu escudeiro viu que Saul era morto, lançou-se ele também sobre a espada e morreu com ele.
6 Morreram juntamente, naquele dia, Saul e seus três filhos, e o seu escudeiro, e todos os que se achavam com ele.
7 Vendo os de Israel que estavam da banda dalém do vale e além do Jordão que os homens de Israel fugiram e que Saul e seus filhos eram mortos, desampararam as suas cidades e fugiram. Vieram os filisteus e habitaram nelas.
8 Quando, ao outro dia, foram os filisteus despojar os mortos, acharam a Saul e a seus três filhos estirados no monte Gilboa.
9 Cortaram a cabeça a Saul e despojaram-no das suas armas; enviaram por toda a terra dos filisteus para que se levasse a notícia à casa dos seus ídolos e ao povo.
10 Puseram as armas de Saul no templo de Astarote e penduraram o seu corpo no muro de Bete-Seã.
11 Quando os habitantes de Jabes-Gileade ouviram o que os filisteus tinham feito a Saul,
12 levantaram-se todos os valentes e, caminhando a noite toda, tiraram do muro de Bete-Seã o cadáver de Saul e os cadáveres de seus filhos, e voltaram a Jabes, e ali os queimaram.
13 Tomaram-lhes os ossos, sepultaram-nos debaixo da tamargueira, em Jabes, e jejuaram sete dias.