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Juízes (Tradução Brasileira)

Comissão da Sociedade Bíblica Americana (H. C. Tucker et al.)

rolo estático · Pedra Angular

Tradutor
Comissão da Sociedade Bíblica Americana (H. C. Tucker et al.)
Idioma
por
Editora
SBB
Abreviatura
Jz
Licença
dominio_publico
Fonte
Tradução Brasileira, 1917. Via github.com/damarals/biblias (JSON canônico), 2026.
Identificador
biblia-07-juizes-por-tb-1917
Markdown
../livros/BIBLIAS/Portugues/Traducao_Brasileira_1917/07_Juizes_por_tb_1917.md

Juízes

Capítulo 1

1 Depois da morte de Josué, consultaram os filhos de Israel a Jeová, dizendo: Quem dentre nós subirá, primeiro, aos cananeus, para pelejar contra eles?

2 Respondeu Jeová: Subirá Judá; eis que lhe entreguei a terra na sua mão.

3 Então, disse Judá a Simeão, seu irmão: Sobe comigo à minha sorte, e pelejemos contra os cananeus, que eu também subirei contigo à tua sorte. Simeão foi com ele.

4 Subiu Judá, e Jeová lhes entregou nas mãos os cananeus e os ferezeus: feriram deles, em Bezeque, dez mil homens.

5 Acharam, em Bezeque, a Adoni-Bezeque; pelejaram contra ele e feriram aos cananeus e aos ferezeus.

6 Fugiu Adoni-Bezeque; mas, perseguindo-o, prenderam-no, e cortaram-lhe os dedos polegares das mãos e dos pés.

7 Disse Adoni-Bezeque: Setenta reis, a quem haviam sido cortados os dedos polegares das mãos e dos pés, apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa: assim como eu fiz, assim Deus me retribuiu. Levaram-no a Jerusalém, e ali morreu.

8 Os filhos de Judá, pelejando contra Jerusalém, tomaram-na e passaram-na ao fio da espada, pondo fogo à cidade.

9 Depois, os filhos de Judá desceram a pelejar contra os cananeus, que habitavam na região montanhosa, no Neguebe e na Sefelá.

10 Judá marchou contra os cananeus que moravam em Hebrom (ora o nome de Hebrom era dantes Quiriate-Arba); e feriu a Sesai, Aimã e Talmai.

11 Dali partiu contra os habitantes de Debir (ora, o nome de Debir era dantes Quiriate-Sefer).

12 Disse Calebe: Ao homem que ferir a Quiriate Sefer, e a tomar, a esse darei por mulher minha filha Acsa.

13 Tomou-a Otniel, filho de Quenaz, irmão mais moço de Calebe; e este lhe deu por mulher sua filha Acsa.

14 Estando ela em caminho para casa de Otniel, persuadiu-lhe que pedisse ao pai um campo. Ela saltou do seu jumento; Calebe perguntou-lhe: Que é o que tens?

15 Respondeu ela: Dá-me uma bênção; porquanto me estabeleceste na terra do Neguebe, dá-me também fontes de água. Deu-lhe, pois, Calebe as fontes superiores e as fontes inferiores.

16 Os filhos do queneu, sogro de Moisés, subiram da cidade das Palmeiras com os filhos de Judá ao deserto de Judá, que está no Neguebe de Arade; foram e habitaram com o povo da terra.

17 Depois, Judá marchou com Simeão, seu irmão, e feriram aos cananeus que habitavam em Zefate e totalmente a destruíram. O nome da cidade chamava-se Hormá.

18 Também Judá tomou a Gaza, a Asquelom e a Ecrom com os seus termos.

19 Jeová foi com Judá. Este desapossou os habitantes da região montanhosa; porém não pôde desapossar os habitantes do vale, porque tinham carros de ferro.

20 Como Moisés havia dito, deram Hebrom a Calebe, que dali expulsou os três gigantes.

21 Os filhos de Benjamim não expulsaram os jebuseus que habitavam em Jerusalém; mas eles ficaram habitando com os filhos de Benjamim em Jerusalém, até o dia de hoje.

22 A casa de José, também eles subiram contra Betel; e Jeová era com eles.

23 A casa de José enviou espias a reconhecer a Betel (ora, a cidade antes se chamava Luz).

24 Os vigias viram sair da cidade um homem e disseram-lhe: Mostra-nos o caminho para entrarmos na cidade, e usaremos de misericórdia contigo.

25 Mostrou-lhes o caminho para entrarem na cidade, a qual foi por eles passada ao fio da espada; porém deixaram ir livre aquele homem com toda a sua família.

26 Então, entrou esse homem na terra dos heteus, edificou uma cidade e pôs-lhe o nome de Luz, a qual assim se chama até ao dia de hoje.

27 Manassés não expulsou os habitantes de Bete-Seã e suas vilas, nem os de Taanaque, de Dor, de Ibleão e de Megido com suas vilas; porém os cananeus resolveram habitar na mesma terra.

28 Quando Israel cobrou forças bastantes, obrigou os cananeus a trabalhos forçados e não os expeliu de todo.

29 Efraim não expulsou os cananeus que habitavam em Gezer, mas estes ficaram habitando ali com ele.

30 Zebulom não expulsou os habitantes de Quitrom, nem os de Naalol; mas os cananeus ficaram habitando entre eles e foram obrigados a trabalhos forçados.

31 Aser não expulsou os habitantes de Aco, nem de Sidom, nem de Alabe, nem de Aczibe, nem de Helba, nem de Afeca, nem de Reobe;

32 mas os aseritas moraram no meio dos cananeus, habitantes da terra, porque não os expulsaram.

33 Naftali não expulsou os habitantes de Bete-Semes, nem os de Bete-Anate; porém morou entre os cananeus, habitantes da terra; todavia, os habitantes de Bete-Semes e Bete-Anate foram obrigados a trabalhos forçados.

34 Os amorreus impeliram aos filhos de Dã até a região montanhosa; porque não lhes permitiram descer ao vale;

35 mas os amorreus resolveram habitar em Heres, em Aijalom e em Saalbim. Contudo, a mão da casa de José prevaleceu, de sorte que foram obrigados a trabalhos forçados.

36 O termo dos amorreus foi desde a subida de Acrabim, Sela e dali para cima.

Capítulo 2

1 O Anjo de Jeová subiu de Gilgal a Boquim e disse: Eu vos fiz sair do Egito e vos trouxe à terra que, com juramento, prometi a vossos pais (eu disse: Nunca violarei a minha aliança convosco);

2 vós não fareis aliança alguma com os habitantes desta terra, derrubareis os seus altares; porém não obedecestes à minha voz. Que é o que fizestes?

3 Pelo que também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós, mas eles vos serão por ciladas, e os seus deuses vos serão laços.

4 Ao falar o Anjo de Jeová estas palavras a todos os filhos de Israel, levantou o povo a sua voz e chorou.

5 Assim, esse lugar se chamou Boquim; ali fizeram sacrifícios a Jeová.

6 Tendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel cada um para a sua herança, a fim de possuírem a terra.

7 O povo serviu a Jeová todos os dias de Josué e dos anciãos que sobreviveram a Josué, os quais tinham visto todas as grandes obras que Jeová fizera a favor de Israel.

8 Morreu Josué, filho de Num, servo de Jeová, com a idade de cento e dez anos.

9 Sepultaram-no no termo da sua herança em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás.

10 Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; após ela levantou-se outra geração, que não conhecia a Jeová, nem tampouco as obras que ele fizera a favor de Israel.

11 Então, os filhos de Israel fizeram o mal à vista de Jeová e serviram aos Baalins.

12 Abandonaram a Jeová, Deus de seus pais, que os tirou da terra do Egito, e seguiram a outros deuses, dentre os deuses dos povos que estavam ao redor deles; adoraram-nos e provocaram a Jeová à ira.

13 Abandonaram a Jeová, e serviram a Baal e a Astarote.

14 Acendeu-se a ira de Jeová contra Israel, e ele os entregou nas mãos dos espoliadores para os despojarem, e os vendeu aos seus inimigos ao redor, de sorte que lhes não puderam mais resistir.

15 Por onde quer que saíam, a mão de Jeová estava contra eles para o mal, como ele havia dito, e como lhes havia jurado; e estavam em grande aperto.

16 Jeová suscitou juízes, que os livraram da mão dos que os despojavam.

17 Contudo, não obedeceram aos seus juízes, porque se prostituíram a outros deuses e os adoraram. Depressa se desviaram do caminho, por onde seus pais andaram em obediência aos mandamentos de Jeová; não fizeram assim como eles.

18 Quando Jeová lhes suscitava juízes, ele era com o juiz, e os livrava da mão dos seus inimigos todos os dias do juiz; pois Jeová se arrependia em atenção ao gemer que lhes provocavam os que os oprimiam e apertavam.

19 Mas, depois que o juiz era morto, reincidiam e tornavam-se piores do que seus pais, seguindo após outros deuses para os servir e adorar; não abandonavam nenhuma das suas práticas, nem a sua obstinação.

20 Acendeu-se a ira de Jeová contra Israel e ele disse: Porquanto esta nação tem violado a minha aliança que ordenei a seus pais, e não tem obedecido à minha voz,

21 eu também não expulsarei de diante dela nenhuma das nações que Josué, ao morrer, deixou,

22 para por elas provar a Israel, se guardarão ou não, como seus pais o guardaram, o caminho de Jeová para nele andar.

23 Deixou Jeová essas nações, sem as desapossar imediatamente; nem as entregou nas mãos de Josué.

Capítulo 3

1 Estas são as nações que Jeová deixou, para por elas provar a Israel, isto é, a quantos não tiveram experiência de todas as guerras de Canaã.

2 Isto fez tão somente para que as gerações dos filhos de Israel tivessem experiência de guerra, sendo nela instruídos unicamente os que dantes não tinham essa experiência.

3 Estas são os cinco régulos dos filisteus, e todos os cananeus, e os sidônios, e os heveus que habitavam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até à entrada de Hamate.

4 Estes serviram para provar a Israel, a fim de saber se eles obedeceriam aos mandamentos de Jeová, que ele ordenou aos seus pais por intermédio de Moisés.

5 Os filhos de Israel habitaram no meio dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.

6 Tomaram por mulheres as filhas deles, deram suas filhas aos filhos dos mesmos e serviram aos seus deuses.

7 Os filhos de Israel fizeram o mal à vista de Jeová, e esqueceram-se de Jeová, seu Deus, servindo os Baalins e as Aserotes.

8 Pelo que se acendeu a ira de Jeová contra Israel, e os entregou nas mãos de Cusã-Risataim, rei de Mesopotâmia; os filhos de Israel serviram a Cusã-Risataim oito anos.

9 Quando os filhos de Israel clamaram a Jeová, suscitou-lhes ele um salvador que os livrou, a saber, Otniel filho de Quenaz, irmão mais moço de Calebe.

10 O Espírito de Jeová veio sobre ele, e ele julgou a Israel; saiu a pelejar, e Jeová entregou-lhe nas mãos a Cusã-Risataim, rei de Mesopotâmia, contra o qual prevaleceu a sua mão.

11 A terra teve descanso quarenta anos. Otniel, filho de Quenaz, morreu.

12 Então, tornaram os filhos de Israel a fazer o mal à vista de Jeová; e Jeová fortaleceu a Eglom, rei de Moabe, contra Israel, porque haviam feito o mal à sua vista.

13 Eglom, unindo a si os filhos de Amom e de Amaleque, foi-se e feriu a Israel. Apoderaram-se da cidade das Palmeiras,

14 e os filhos de Israel serviram a Eglom, rei de Moabe, dezoito anos.

15 Mas, quando os filhos de Israel clamaram a Jeová, suscitou-lhes ele um salvador, Eúde, filho de Gera, benjamita, homem canhoto. Por ele enviaram os filhos de Israel tributo a Eglom, rei de Moabe.

16 Eúde, fazendo para si um punhal de dois gumes, dum côvado de comprido, cingiu-o debaixo do vestido à sua coxa direita.

17 Apresentou o tributo a Eglom, rei de Moabe; ora, Eglom era em extremo gordo.

18 Eúde despediu a gente que trouxera o tributo, depois de o ter apresentado.

19 Porém ele mesmo voltou das pedras esculpidas que estavam junto a Gilgal e disse: Tenho que dizer-te, ó rei, uma palavra em segredo. Disse o rei: Silêncio! Todos os que lhe assistiam saíram da sua presença.

20 Eúde entrou a ele, e o rei estava sentado inteiramente a sós na sua sala de verão. Disse Eúde: Tenho que dizer-te uma palavra da parte de Deus. O rei levantou-se logo da sua cadeira.

21 Então, Eúde, estendendo a mão esquerda, tirou o punhal de sobre a coxa direita e lho cravou no ventre.

22 O cabo também entrou após a folha, e a gordura fechou-se sobre ela, porque não tirou do ventre o punhal. Saíram as fezes.

23 Eúde, saindo ao pórtico, cerrou sobre ele as portas da sala e trancou-as.

24 Depois de ter ele saído, vieram os servos do rei. Olharam, e eis que as portas da sala estavam trancadas. Disseram: Sem dúvida ele está aliviando o ventre na privada do seu quarto.

25 Esperaram até que viram que estavam enganados, pois que não abriu as portas da sala; portanto, tomaram a chave e as abriram. Eis que o seu senhor estava estendido morto em terra.

26 Eúde escapou enquanto se demoravam e, tendo passado pelas pedras esculpidas, foi para Seirá.

27 Depois de ter chegado, tocou na trombeta o alarme na região montanhosa de Efraim, e os filhos de Israel, com ele à frente, desceram dali.

28 Disse-lhes: Segui-me, porque Jeová vos entregou nas mãos os vossos inimigos, os moabitas. Desceram após ele, apoderaram-se dos vaus do Jordão contra os moabitas, e não deixaram passar nem um só homem.

29 Naquele tempo, feriram dos moabitas uns dez mil homens, cada um deles robusto e valente; e não escapou nem sequer um.

30 Assim, foi subjugado Moabe, naquele dia, debaixo da mão de Israel. A terra teve descanso oitenta anos.

31 Depois dele foi Sangar, filho de Anate, que matou a seiscentos homens dos filisteus com uma aguilhada de boi; também ele livrou a Israel.

Capítulo 4

1 Os filhos de Israel tornaram a fazer o mal à vista de Jeová, depois da morte de Eúde.

2 Entregou-os Jeová nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinou em Hazor; o general do seu exército era Sísera, que habitava em Harosete dos Gentios.

3 Clamaram os filhos de Israel a Jeová, porque Jabim tinha novecentos carros de ferro e, por vinte anos, oprimia cruelmente os filhos de Israel.

4 Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.

5 Ela se assentava debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ter com ela a juízo.

6 Esta mandou chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes-Naftali, e lhe disse: Não te ordena Jeová, Deus de Israel: Vai, e marcha para o monte Tabor, e leva contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom?

7 Atrairei a ti ao rio Quisom Sísera, general das hostes de Jabim, juntamente com os seus carros e com as suas tropas, e to entregarei nas mãos.

8 Disse-lhe Baraque: Se vieres comigo, irei; mas, se não vieres comigo, não irei.

9 Respondeu ela: Certamente irei contigo. Contudo, não será tua a glória na expedição em que vais; porque Jeová entregará a Sísera nas mãos duma mulher. Levantou-se Débora e foi com Baraque a Quedes.

10 Baraque convocou a Zebulom e a Naftali em Quedes; subiram dez mil homens após ele; também Débora subiu com ele.

11 Ora, Héber, queneu, se tinha separado dos queneus, a saber, dos filhos de Hobabe, sogro de Moisés, e tinha armado as suas tendas até chegar ao terebinto em Zaanim, que está junto a Quedes.

12 Anunciaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido ao monte Tabor.

13 Sísera ajuntou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele, desde Harosete dos Gentios até o rio Quisom.

14 Disse Débora a Baraque: Levanta-te, porque este é o dia em que Jeová entregou nas tuas mãos a Sísera; não saiu Jeová diante de ti? Desceu Baraque do monte Tabor e dez mil homens após ele.

15 Diante de Baraque Jeová desbaratou ao fio da espada a Sísera com todos os seus carros e todas as suas hostes; Sísera desceu do seu carro e fugiu a pé.

16 Mas Baraque perseguiu os carros e as hostes até Harosete dos Gentios. Todas as hostes de Sísera caíram ao fio da espada; não escapou nem sequer um só homem.

17 Entretanto, Sísera fugiu a pé à tenda da Jael, mulher de Héber, queneu, porque havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu.

18 Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra na minha tenda; não temas. Sísera entrou-lhe na tenda, e ela o cobriu com uma coberta.

19 Ele lhe disse: Dá-me de beber um pouco de água, porque estou com sede. Ela abriu um odre de leite, e lhe deu a beber, e o cobriu.

20 Ele lhe disse mais: Põe-te à porta da tenda, e quando alguém vier e te perguntar: Está aqui alguém? responderás: Não.

21 Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda e, levando um martelo na mão, chegou-se a ele mansamente e cravou-lhe a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra; pois estava num profundo sono e mui exausto. Assim morreu.

22 Eis que, seguindo Baraque a Sísera, saiu-lhe Jael ao encontro e disse-lhe: Vem, e mostrar-te-ei o homem a quem procuras. Entrou-lhe na tenda; e eis que Sísera jazia morto, e o prego estava encerrado na sua fonte.

23 Naquele dia, humilhou Deus a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel.

24 A mão dos filhos de Israel prevalecia cada vez mais contra Jabim, rei de Canaã, até que de todo o destruíram.

Capítulo 5

1 Cantaram, naquele dia, Débora e Baraque, filho de Abinoão, dizendo:

2 Por iniciarem o movimento os capitães em Israel, por se oferecer voluntariamente o povo, bendizei a Jeová.

3 Ouvi, reis, dai ouvidos, potentados: eu mesma, eu da minha parte cantarei a Jeová, entoarei hinos a Jeová, Deus de Israel.

4 Jeová, quando saías de Seir, quando marchavas da região de Edom, tremeu a terra, gotejaram os céus, também as nuvens gotejaram águas.

5 Os montes se derreteram na presença de Jeová, até o Sinai, na presença de Jeová, Deus de Israel.

6 Nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael cessavam as caravanas, e andavam os viajantes por atalhos desviados.

7 Cessaram as aldeias em Israel, cessaram, até que eu, Débora, me levantei, até que eu me levantei por mãe em Israel.

8 Escolheram novos deuses; então, estava a guerra nas portas: viu-se, porventura, escudo ou lança entre quarenta mil em Israel?

9 O meu coração inclina-se para os comandantes de Israel, que se ofereceram voluntariamente entre o povo; bendizei a Jeová.

10 Contai isso, vós os que cavalgais sobre jumentas brancas, os que vos assentais sobre ricos tapetes, e os que andais pelo caminho.

11 Longe do estrondo dos flecheiros, nos lugares em que se tira água, ali falarão da justiça de Jeová, das suas justiças para com as suas aldeias de Israel. Desceu o povo de Jeová às portas.

12 Desperta, desperta, Débora: desperta, desperta, entoa um cântico. levanta-te, Baraque, e leva presos os teus cativos, ó filho de Abinoão.

13 Desceu o restante dos nobres e o povo, desceu Jeová por mim contra os poderosos.

14 De Efraim… a sua raiz em Amaleque; após de ti, Benjamim…, entre os teus povos. De Maquir desceram os comandantes, e, de Zebulom, os que levam o báculo de inspetores de tropas.

15 Os príncipes de Issacar estavam com Débora; e Issacar… assim Baraque. Ao vale precipitaram-se em suas pegadas, entre as facções de Rúben havia grandes discussões.

16 Por que te sentaste junto às lareiras, para ouvires os que apitam chamando os rebanhos? Entre as facções de Rúben havia grandes discussões.

17 Gileade ficou da banda dalém do Jordão. Dã, por que vive ele na vizinhança dos navios? Aser habitou na costa do Grande Mar, e deixou-se estar junto aos portos.

18 Zebulom é um povo que temerariamente se expôs à morte, como também Naftali, nas alturas do campo.

19 Vieram os reis e pelejaram; os reis de Canaã pelejaram então, em Taanaque, junto às águas de Megido; lucro de dinheiro não levaram.

20 Desde os céus pelejaram, desde as suas órbitas pelejaram as estrelas contra Sísera.

21 Arrastou-os a torrente de Quisom, a antiga torrente, a torrente de Quisom. Ó minha alma, calcaste aos pés a força!

22 Então, feriram a terra as unhas dos cavalos no galope desenfreado dos seus ginetes.

23 Amaldiçoai a Meroz, diz o Anjo de Jeová, amaldiçoai amargamente aos seus habitantes, porque não vieram ao socorro de Jeová, ao socorro de Jeová, como homens de valor.

24 Bendita mais que todas as mulheres será Jael, mulher de Héber, o queneu; bendita será mais que as mulheres nômades.

25 Água pediu ele, leite lhe deu ela; numa taça de príncipes ofereceu-lhe coalhada.

26 Estendeu a mão à estaca e a mão direita, ao martelo dos trabalhadores; feriu a Sísera, rachou-lhe a cabeça, furou e traspassou-lhe as fontes.

27 Aos pés dela se encurvou, caiu, ficou estirado; aos pés dela se encurvou, caiu; onde se encurvou, ali caiu morto.

28 Olhava pela janela a mãe de Sísera e exclamava através da grade: Por que tarda em vir o seu carro? Por que se demoram os passos das suas carruagens?

29 As mais sábias das suas damas lhe respondem, e ela mesma responde a si própria:

30 Não estão, porventura, achando, repartindo os despojos? A cada homem, uma ou mais donzelas; para Sísera, despojos de estofos tintos, despojos de estofos tintos bordados, um ou mais destes bordados como despojo para os pescoços…?

31 Assim perecerão, Jeová, todos os teus inimigos; porém os que o amam serão como quando o sol se levanta na sua força. Teve a terra descanso por quarenta anos.

Capítulo 6

1 Fizeram os filhos de Israel o mal à vista de Jeová, e ele os entregou nas mãos de Midiã sete anos.

2 A mão de Midiã prevaleceu sobre Israel, por cuja causa fizeram para si os filhos de Israel as covas que estão nos montes, e as cavernas, e as fortalezas.

3 Tendo Israel feito as suas semeaduras, subiam contra ele os midianitas, os amalequitas e os filhos do Oriente;

4 e, acampando-se, destruíram as novidades da terra até a vizinhança de Gaza, e nada deixavam em Israel para sustentar a vida, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.

5 Pois eles subiam com os seus gados e tendas, e vinham tanto eles como os seus camelos em multidão inumerável como gafanhotos; e entravam na terra para a destruir.

6 Israel ficou muito extenuado por causa de Midiã; e clamavam os filhos de Israel a Jeová.

7 Quando os filhos de Israel clamaram a Jeová por causa de Midiã,

8 mandou-lhes ele um profeta, que lhes disse: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Eu vos fiz subir do Egito e vos tirei da casa da servidão;

9 e vos livrei das mãos dos egípcios, e de todos os que vos oprimiam, e os desapossei de diante de vós e dei-vos a sua terra.

10 Eu vos disse: Eu sou Jeová, vosso Deus; não temais os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém não obedecestes à minha voz.

11 Veio o Anjo de Jeová, e sentou-se debaixo do terebinto que estava em Ofra e pertencia a Joás, abiezrita, cujo filho Gideão estava malhando trigo no lagar, para o esconder dos midianitas.

12 Então lhe apareceu o Anjo de Jeová e lhe disse: Jeová é contigo, valentíssimo varão.

13 Respondeu-lhe Gideão: Ó senhor meu, se Jeová é conosco, por que, então, nos tem sucedido tudo isto? Onde estão todas as suas obras maravilhosas, de que nos falaram nossos pais, dizendo: Não nos fez Jeová subir do Egito? Porém, agora, ele nos desamparou e nos entregou nas mãos de Midiã.

14 Virou-se para ele Jeová e disse: Vai nessa tua força e livra a Israel da mão de Midiã; porventura não te enviei?

15 Replicou-lhe Gideão: Ó Senhor, como livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.

16 Tornou-lhe Jeová: Certamente serei contigo, e ferirás aos midianitas como a um só homem.

17 Prosseguiu Gideão: Se achei graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que tu és quem fala comigo.

18 Não te vás daqui até que eu volte, e traga o meu presente e ponha diante de ti. Respondeu ele: Eu esperarei até que voltes.

19 Gideão entrou, e preparou um cabrito, e fez dum efa de farinha bolos asmos; pôs a carne num cesto, e o caldo, numa panela, e trouxe-lhe tudo para debaixo do terebinto, e lho apresentou.

20 Disse-lhe o Anjo de Deus: Toma a carne e os bolos, põe-nos sobre esta rocha, e derrama-lhes por cima o caldo. Assim fez Gideão.

21 Estendeu o Anjo de Jeová a ponta da vara que tinha na mão, e tocou a carne e os bolos asmos; da rocha subiu fogo e consumiu a carne e os bolos asmos; e o anjo de Jeová desapareceu-lhe dos olhos.

22 Vendo que era o Anjo de Jeová, disse Gideão: Ai de mim, Deus Jeová, porque vi o Anjo de Jeová face a face.

23 Disse-lhe Jeová: Paz seja contigo; não temas: não morrerás!

24 Ali edificou Gideão um altar a Jeová, e chamou-lhe Jeová-Shalom: ainda está o altar até o dia de hoje em Ofra dos abiezritas.

25 Naquela noite lhe disse Jeová: Toma o touro de teu pai, a saber, o segundo touro de sete anos, e derruba o altar de Baal, que é de teu pai, e corta a Aserá que está junto ao altar.

26 Edifica um altar a Jeová, teu Deus, no cume deste lugar forte, na forma devida, toma o segundo touro, e oferece um holocausto, usando da lenha da Aserá que cortarás.

27 Gideão tomou dez dos seus servos e fez segundo Jeová lhe falara; mas, porque teve medo da casa de seu pai e dos homens da cidade, não o fez de dia, fê-lo de noite.

28 Levantando-se os homens da cidade de madrugada, eis que estava o altar de Baal derrubado, cortada a Aserá que estava junto a ele e oferecido o segundo touro sobre o altar que havia sido edificado.

29 Falaram uns aos outros: Quem fez isto? Depois de investigarem e inquirirem, disseram: Foi Gideão, filho de Joás, quem fez isso.

30 Os homens da cidade disseram a Joás: Tira para fora teu filho, para que morra, porque derrubou o altar de Baal e cortou a Aserá que estava junto a ele.

31 Respondeu Joás a todos os que se puseram contra ele: Pleiteareis vós por Baal? Ou salvá-lo-eis vós? (Quem pleitear por ele será morto ainda esta manhã.) Se ele é deus, pleiteie por si mesmo, porque alguém derrubou o seu altar.

32 Naquele dia, chamou a Gideão Jerubaal, dizendo: Pleiteie Baal contra ele, pois derrubou o seu altar.

33 Ajuntaram-se todos os midianitas, os amalequitas e os filhos do Oriente; passaram e acamparam-se no vale de Jezreel.

34 Mas o Espírito de Jeová tomou posse de Gideão, que tocou o alarme; congregou-se Abiezer após ele.

35 Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que se congregou após ele; enviou também mensageiros a Aser, a Zebulom e a Naftali, que lhes saíram ao encontro.

36 Disse Gideão a Deus: Se tu hás de livrar a Israel por minha mão, como disseste,

37 eis que porei eu um velo de lã na eira: se o orvalho estiver só no velo, e toda a terra ficar seca, conhecerei que hás de livrar a Israel por minha mão, como disseste.

38 Assim sucedeu, porque se levantou cedo no dia seguinte, apertou o velo, e do velo espremeu o orvalho, enchendo de água uma taça.

39 Disse mais Gideão a Deus: Não se acenda a tua ira contra mim, e só falarei mais uma vez. Permite que eu faça a prova ainda esta vez com o velo; rogo-te que só o velo esteja seco, e que haja orvalho sobre a terra toda.

40 Deus assim o fez naquela noite: só no velo houve secura, e orvalho na terra toda.

Capítulo 7

1 Levantando-se de madrugada Jerubaal, que é Gideão, e todo o povo que estava com ele, acamparam-se junto à fonte Harode: o arraial de Midiã estava da banda do norte, perto do outeiro de Moré, no vale.

2 Disse Jeová a Gideão: Tens contigo gente demais para eu entregar os midianitas nas suas mãos, sem que Israel se glorie contra mim, dizendo: Foi a minha própria mão que me salvou.

3 Agora apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem é medroso e tímido, volte e retire-se do monte Gileade. Voltaram do povo vinte e dois mil; e ficaram dez mil.

4 Disse mais Jeová a Gideão: Ainda há povo em demasia. Faze-o descer às águas, e ali tos provarei: Irá contigo aquele de quem eu te disser: Este irá contigo; porém não irá aquele de quem eu te disser: Este não irá contigo.

5 Fez descer o povo às águas; e disse Jeová a Gideão: Todo homem que lamber as águas com a língua, como faz o cão, a esse porás à parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos para beber.

6 Foi o número daqueles que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; mas todo o resto do povo abaixou-se de joelhos para beber água.

7 Então, disse Jeová a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água vos salvarei, e entregarei os midianitas nas tuas mãos. Quanto a todo o povo, vá cada um ao seu lugar.

8 Tomou o povo provisões na sua mão e as suas trombetas: Gideão enviou todos os homens de Israel, cada um à sua tenda, porém reteve os trezentos homens. Estava o arraial de Midiã em baixo do vale.

9 Disse-lhe naquela noite Jeová: Levanta-te, desce ao arraial, porque to entreguei nas mãos.

10 Mas, se tu tiveres medo de descer, desce tu e teu moço, Pura, ao arraial;

11 ouvirás o que dizem; depois, serão fortalecidas as tuas mãos para desceres sobre o arraial. Desceu ele e o seu moço Pura ao extremo das sentinelas que estavam no arraial.

12 Os midianitas, os amalequitas e todos os filhos do Oriente estavam estendidos no vale como gafanhotos em multidão; eram os seus camelos uma multidão inumerável como areia que há na praia do mar.

13 No momento em que Gideão chegou, um homem estava contando um sonho ao seu companheiro e dizia: Tive um sonho. Eis que um pão de cevada torrado veio rolando sobre o arraial de Midiã, chegou a uma tenda, bateu nela de sorte que ela caiu, e virou-a de cima para baixo, de modo que ficou estendida por terra.

14 Respondeu-lhe o companheiro: Isso não é outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita; nas mãos dele entregou Deus a Midiã e a todo o arraial.

15 Tendo Gideão ouvido a narração do sonho e a sua interpretação, prostrou-se para adorar; voltou ao arraial de Israel e disse: Levantai-vos, pois Jeová vos entregou nas mãos o arraial de Midiã.

16 Dividiu os trezentos homens em três companhias e pôs nas mãos de todos eles trombetas e cântaros vazios, contendo tochas.

17 Disse-lhes: Olhai para mim e fazei assim como eu fizer. Quando eu chegar à extremidade do arraial, como eu fizer, assim fareis vós.

18 Quando eu tocar a trombeta, eu e todos os que estiverem comigo, tocai também vós as trombetas ao redor de todo o arraial e dizei: por Jeová e por Gideão!

19 Gideão e os cem homens que com ele iam chegaram à extremidade do arraial ao princípio da vigília média, havendo sido de pouco colocadas as guardas; tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas mãos.

20 As três companhias tocaram as trombetas, despedaçaram os cântaros, segurando com as mãos esquerdas as tochas e com as direitas as trombetas para as tocarem e clamaram: A espada de Jeová e de Gideão!

21 Conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial, que todo deitou a correr: gritaram e puseram-nos em fuga.

22 Tocaram as trezentas trombetas, e Jeová fez voltar a espada de um contra outro, e contra todo o arraial, que fugiu até Bete-Sita em direção de Zererá, até ao termo de Abel-Meolá, junto a Tabate.

23 Foram convocados os homens de Israel, de Naftali, de Aser e de toda a tribo de Manassés, e perseguiam a Midiã.

24 Gideão enviou mensageiros por toda a região montanhosa de Efraim, dizendo: Descei ao encontro de Midiã e tomai-lhes as águas até Bete-Bara, isto é, o Jordão. Foram convocados todos os homens de Efraim, e tomaram as águas até Bete-Bara, o Jordão.

25 Aprisionaram aos dois príncipes de Midiã, a Orebe e a Zeebe; mataram a Orebe no penhasco de Orebe, e a Zeebe, no lagar de Zeebe. Perseguiram a Midiã; e trouxeram as cabeças de Orebe e de Zeebe a Gideão, da banda dalém do Jordão.

Capítulo 8

1 Então lhe disseram os homens de Efraim: Que é isso que nos fizeste, em não nos chamares, quando foste pelejar contra Midiã? Repreenderam-no asperamente.

2 Respondeu-lhes: Que fiz eu comparável com o que vós fizestes? Não são os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?

3 Deus vos entregou nas mãos os príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe; que pude eu fazer de comparável com o que vós fizestes? Então se lhes aplacou a ira, depois que ele dissera isso.

4 Veio Gideão ao Jordão, que passou juntamente com os trezentos homens que estavam com ele, desfalecidos, mas perseguindo.

5 Disse aos homens de Sucote: Dai uns pães ao povo que me segue, pois estão desfalecidos, e eu vou perseguindo a Zeba e a Zalmuna, reis de Midiã.

6 Responderam os príncipes de Sucote: Porventura, já se acham no teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que déssemos pão ao teu exército?

7 Tornou-lhes Gideão: Pois, quando Jeová me tiver entregado nas mãos a Zeba e a Zalmuna, hei de vos rasgar as carnes com os espinhos do deserto e com os abrolhos.

8 Dali subiu a Penuel, e falou-lhes da mesma maneira. Os homens de Penuel responderam-lhe como os homens de Sucote lhe haviam respondido.

9 Disse também aos homens de Penuel: Quando eu voltar em paz, derrubarei esta torre.

10 Estavam Zeba e Zalmuna em Carcor, com as suas hostes, uns quinze mil homens, os restantes de todo o exército dos filhos do Oriente: pois caíram cento e vinte mil homens que puxavam da espada.

11 Subiu Gideão pelo caminho dos nômades, ao oriente de Noba e Jogbeá, e feriu a hoste inimiga, porque ela se dava por segura.

12 Fugiram Zeba e Zalmuna: Gideão perseguiu-os, prendeu os dois reis de Midiã, Zeba e Zalmuna, e desbaratou toda a hoste.

13 Gideão, filho de Joás, voltou da peleja desde a subida de Heres.

14 Tendo prendido a um moço dos homens de Sucote, o inquiriu. Este lhe deu por escrito os nomes dos príncipes de Sucote, e dos seus anciãos, setenta e sete homens.

15 Veio aos homens de Sucote e disse: Eis aqui Zeba e Zalmuna, a respeito dos quais me motejastes, dizendo: Porventura, se acham no teu poder as mãos de Zeba e Zalmuna, para que déssemos pão aos teus homens que estão desfalecidos?

16 Tomou os anciãos da cidade, e espinhos do deserto e abrolhos e, com eles, ensinou aos homens de Sucote.

17 Derrubou também a torre de Penuel e matou os homens da cidade.

18 Disse a Zeba e Zalmuna: Que sorte de homens eram os que matastes em Tabor? Responderam eles: Como és tu, assim eram eles; cada um parecia filho de rei.

19 Gideão tornou: Eles eram meus irmãos, filhos de minha mãe; por Jeová, que se vós tivésseis poupado a vida a eles, eu não vos mataria!

20 Então, disse a Jéter, seu primogênito: Levanta-te e mata-os. O mancebo, porém, não puxou da espada; pois temia, porque ainda era moço.

21 Disseram Zeba e Zalmuna: Levanta-te e lança-te sobre nós, porque qual o homem, tal a sua força. Levantando-se Gideão, matou a Zeba e a Zalmuna, e tirou os colares que estavam aos pescoços dos seus camelos.

22 Então, disseram os homens de Israel a Gideão: Domina sobre nós, tanto tu, e teu filho, bem como o filho de teu filho; porque nos livraste do poder de Midiã.

23 Gideão respondeu-lhes: Eu não dominarei sobre vós, nem sobre vós dominará meu filho; Jeová vos dominará.

24 Disse-lhes mais Gideão: Permiti-me fazer-vos um pedido: dá-me cada um as arrecadas do seu despojo. (Porque os ismaelitas usavam arrecadas de ouro.)

25 Eles responderam: De boa vontade as daremos. Estenderam uma capa, e cada um deles deitou ali as arrecadas do seu despojo.

26 O peso das arrecadas de ouro, que pediu, foi mil e setecentos siclos de ouro (afora os colares, e os pendentes, e os vestidos de púrpura que os reis de Midiã trajavam, e afora as cadeias que estavam aos pescoços dos seus camelos).

27 Dele fez Gideão um éfode, e colocou-o na sua cidade de Ofra; ali ia todo o Israel a idolatrá-lo; e foi um laço para Gideão e sua casa.

28 Foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel e nunca mais levantaram a cabeça. A terra teve descanso quarenta anos nos dias de Gideão.

29 Retirou-se Jerubaal, filho de Joás, e habitou em sua casa.

30 Gideão teve setenta filhos que saíram da sua coxa, porque tinha muitas mulheres.

31 A sua concubina que morava em Siquém deu-lhe à luz também um filho; e ele lhe pôs por nome Abimeleque.

32 Morreu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice, e foi sepultado no sepulcro de seu pai, Joás, em Ofra dos abiezritas.

33 Logo que morreu Gideão, tornaram os filhos de Israel a idolatrarem os Baalins e fizeram a Baal-Berite o seu deus.

34 Os filhos de Israel não se lembraram de Jeová, seu Deus, que os havia libertado da mão de todos os seus inimigos ao redor;

35 nem usaram de beneficência para com a casa de Jerubaal, o qual é Gideão, segundo toda a bondade que ele havia mostrado para com Israel.

Capítulo 9

1 Abimeleque, filho de Jerubaal, foi a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou com eles e com toda a parentela da casa de seu avô materno, dizendo:

2 Falai aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Qual é melhor para vós: que todos os filhos de Jerubaal, setenta pessoas, vos dominem, ou que um só domine sobre vós? Lembrai-vos também de que eu sou osso vosso e carne vossa.

3 Os irmãos de sua mãe falaram essas palavras a respeito dele aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém; e inclinaram-se os corações deles a seguir a Abimeleque, porque disseram: É nosso irmão.

4 Deram-lhe setenta siclos de prata do templo de Baal-Berite, com os quais alugou Abimeleque a uns homens miseráveis e atrevidos, que o seguiram.

5 Foi à casa de seu pai, a Ofra, e matou a seus irmãos, filhos de Jerubaal, umas setenta pessoas, sobre uma mesma pedra; mas Jotão, filho mais moço de Jerubaal, foi deixado, pois se escondeu.

6 Então se ajuntaram todos os cidadãos de Siquém, e toda Bete-Milo, e foram e constituíram rei a Abimeleque junto ao terebinto da coluna que havia em Siquém.

7 Tendo sido avisado disso Jotão, foi e pôs-se de pé no cume do monte Gerizim; e levantando a voz, clamou e disse-lhes: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, para que Deus vos ouça a vós.

8 Foram uma vez as árvores a ungir sobre si um rei; e disseram à oliveira: Reina sobre nós.

9 Mas a oliveira respondeu-lhes: Deixarei, porventura, a minha gordura de que se usa para honrar aos deuses e aos homens, e irei a dominar sobre as árvores?

10 Disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.

11 Mas a figueira respondeu-lhes: Deixarei, porventura, a minha doçura e boas novidades, e irei a dominar sobre as árvores?

12 Disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.

13 Respondeu-lhes a videira: Deixarei, porventura, o meu suco, que alegra aos deuses e aos homens e irei a dominar sobre as árvores?

14 Todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.

15 Respondeu o espinheiro às árvores: Se vós, na verdade, me ungis por vosso rei, vinde e refugiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, do espinheiro sairá fogo, e devorará os cedros do Líbano.

16 Agora, se de boa fé e com retidão procedestes, constituindo rei a Abimeleque, se vos portastes bem com Jerubaal e com a sua casa e lhe fizestes conforme os seus merecimentos

17 (meu pai pelejou por vós, expôs a sua vida aos perigos e vos livrou do poder de Midiã;

18 porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, matastes a seus filhos, umas setenta pessoas, sobre uma mesma pedra, e fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém a Abimeleque, filho de uma sua escrava, porque é vosso irmão);

19 se vos tendes portado hoje de boa fé e com retidão para com Jerubaal e para com a sua casa, alegrai-vos em Abimeleque, e ele também se alegre em vós.

20 Mas, se não, de Abimeleque sairá fogo, e devorará os cidadãos de Siquém e a Bete-Milo; dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo sairá fogo, e devorará a Abimeleque.

21 Então, partiu Jotão, fugiu e foi a Beer, e ali habitou por temer a seu irmão Abimeleque.

22 Reinou Abimeleque sobre Israel três anos.

23 Deus enviou um espírito mau para o meio de Abimeleque e dos cidadãos de Siquém; estes se houveram aleivosamente contra Abimeleque,

24 para que a violência praticada contra os setenta filhos de Jerubaal aparecesse, e para que o sangue deles caísse sobre Abimeleque, seu irmão, que os matou, e sobre os de Siquém, que lhe auxiliaram para tirar a vida a seus irmãos.

25 Puseram-lhe os cidadãos de Siquém emboscadas nos cumes dos outeiros, e roubaram a todos os que passavam por eles na estrada: disto foi avisado Abimeleque.

26 Veio Gaal, filho de Ebede, com seus irmãos, e estabeleceu-se em Siquém; e confiaram nele os cidadãos de Siquém.

27 Saindo ao campo, vindimaram as suas vinhas, pisaram as uvas e fizeram uma festa; e, tendo entrado no templo do seu deus, comeram, beberam e amaldiçoaram a Abimeleque.

28 Disse Gaal, filho de Ebede: Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que o sirvamos? Não é, porventura, filho de Jerubaal? Não é Zebul o seu legado? Servi, antes, aos homens de Hamor, pai de Siquém; mas nós, por que o serviremos?

29 Prouvera a Deus que este povo estivesse sob a minha direção; pois eu expeliria a Abimeleque. Disse a Abimeleque: Aumenta o teu exército e sai.

30 Tendo Zebul, governador da cidade, ouvido as palavras de Gaal, filho de Ebede, acendeu-se em ira.

31 Enviou astutamente a Abimeleque mensageiros que lhe dissessem: Eis que Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos são vindos a Siquém e procuram sublevar a cidade contra ti.

32 Agora, levanta-te de noite, tu e o povo que estiver contigo, e deixa-te estar escondido no campo;

33 e pela manhã, logo que nascer o sol, levantar-te-ás e darás de golpe sobre a cidade: saindo contra ti Gaal com a sua gente, far-lhe-ás como te permitirem as circunstâncias.

34 Levantou-se de noite Abimeleque com toda a sua gente; e divididos em quatro companhias puseram emboscadas a Siquém.

35 Saiu Gaal, filho de Ebede, e pôs-se à entrada da cidade; e levantou-se do lugar das emboscadas Abimeleque e o povo que estava com ele.

36 Quando Gaal viu ao povo, disse a Zebul: Eis que desce gente dos cumes dos outeiros. Respondeu-lhe Zebul: Tu vês as sombras dos outeiros, como se fossem homens.

37 Mas Gaal tornou a falar e disse: Está descendo gente de perto do umbigo da terra, e vem vindo uma companhia do caminho do terebinto de Meonenim.

38 Então lhe disse Zebul: Onde está agora a tua boca, com a qual dizias: Quem é Abimeleque, para que o sirvamos? Não é este o povo que desprezavas? Sai agora e peleja contra ele.

39 Saiu Gaal à vista dos cidadãos de Siquém e pelejou contra Abimeleque.

40 Abimeleque o perseguiu, e fugiu Gaal diante dele, e muitos caíram feridos até a entrada da porta.

41 Abimeleque habitou em Arumá: e Zebul expeliu a Gaal e a seus irmãos, para que não habitassem em Siquém.

42 No dia seguinte, saiu o povo ao campo; disto foi avisado Abimeleque,

43 que tomou a sua gente, a dividiu em três companhias e pôs emboscadas no campo. Olhou, e eis que o povo saía da cidade, pelo que se levantou contra eles e os feriu.

44 Abimeleque e as companhias que com ele estavam correram e puseram-se à entrada da cidade; as outras duas companhias deram de improviso sobre todos os que estavam no campo e os feriram.

45 Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia, tomou-a e matou ao povo que nela se achava; e assolando-a, a semeou de sal.

46 Tendo ouvido isso todos os habitantes de Migdol-Siquém, entraram no esconderijo, no templo de El-Berite.

47 Abimeleque foi avisado de que se achavam congregados todos os habitantes de Migdol-Siquém.

48 Subiu ao monte Zalmom, ele e toda a sua gente; e, tomando um machado na mão, cortou um ramo de árvore, levantou-o e pô-lo no ombro, e disse ao povo que estava com ele: O que me vistes fazer, fazei-o também, depressa.

49 Assim, todo o povo cortou cada um o seu ramo, e seguiram a Abimeleque; e tendo posto os ramos junto ao esconderijo, o incendiaram sobre eles, de sorte que morreram também todos os habitantes de Migdol-Siquém, quase mil pessoas, homens e mulheres.

50 Depois, foi Abimeleque a Tebes, a qual sitiou e tomou.

51 Havia, porém, no meio da cidade, uma torre forte, para onde se refugiaram todos os homens e mulheres, a saber, todos os habitantes da cidade que, fechadas as portas, subiram ao eirado da torre.

52 Chegando Abimeleque à torre, pelejou contra ela e aproximou-se da porta para a incendiar.

53 Uma mulher lançou a pedra superior de um moinho sobre a cabeça de Abimeleque e quebrou-lhe o crânio.

54 Então, chamou depressa ao moço, seu escudeiro, e lhe disse: Desembainha a tua espada e mata-me, para que não se diga de mim: Uma mulher matou-o. O moço atravessou-o, e ele morreu.

55 Vendo os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar.

56 Assim, Deus fez cair sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, tirando a vida a seus setenta irmãos.

57 Também toda a maldade dos homens de Siquém, fê-la cair sobre a cabeça deles; e veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.

Capítulo 10

1 Depois de Abimeleque, levantou-se para livrar a Israel, Tola, filho de Puá, filho de Dodô, homem de Issacar, que habitava em Samir, na região montanhosa de Efraim.

2 Ele julgou a Israel vinte e três anos, morreu e foi sepultado em Samir.

3 Depois dele levantou-se Jair, gileadita, que julgou a Israel vinte e dois anos.

4 Ele tinha trinta filhos que montavam em trinta jumentos, e que tinham trinta cidades que se chamam até hoje Havote-Jair, as quais estão na terra de Gileade.

5 Morreu Jair e foi sepultado em Camom.

6 Tornaram os filhos de Israel a fazer o mal à vista de Jeová e serviram aos Baalins, às Astarotes e aos deuses da Síria, de Sidom, de Moabe, dos filhos de Amom e dos filisteus; deixaram a Jeová e não o serviram.

7 Acendeu-se a ira de Jeová contra Israel, e entregou-os na mão dos filisteus e dos filhos de Amom,

8 os quais esse mesmo ano começaram a vexá-los e oprimi-los. Por dezoito anos, oprimiram a todos os filhos de Israel que estavam além do Jordão, na terra dos amorreus, que é em Gileade.

9 Passaram o Jordão os filhos de Amom para pelejar também contra Judá, contra Benjamim e contra a casa de Efraim, de sorte que Israel se viu mui angustiado.

10 Clamaram os filhos de Israel a Jeová, dizendo: Pecamos contra ti, porque deixamos o nosso Deus e servimos aos Baalins.

11 Respondeu Jeová aos filhos de Israel: Não vos livrei eu dos egípcios, dos amorreus, dos filhos de Amom e dos filisteus?

12 Também os sidônios, os amalequitas e os maonitas vos oprimiram; clamastes a mim, e livrei-vos das suas mãos.

13 Contudo, vós me deixastes a mim e servistes a outros deuses, pelo que não vos livrarei mais.

14 Ide e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo do vosso aperto.

15 Disseram os filhos de Israel a Jeová: Pecamos; faze tu a nós tudo quanto te parecer bem; somente livra-nos hoje.

16 Eles tiraram do meio de si os deuses estranhos e serviram a Jeová, que se angustiou em sua alma por causa da miséria de Israel.

17 Tendo-se ajuntado os filhos de Amom, acamparam-se em Gileade. Mas os filhos de Israel, tendo-se congregado, acamparam-se em Mispa.

18 O povo, os príncipes de Gileade, disseram uns aos outros: Quem começará a pelejar contra os filhos de Amom? Esse será por cabeça sobre todos os habitantes de Gileade.

Capítulo 11

1 Ora, Jefté, gileadita, era ilustre em valor, mas filho de uma prostituta; Gileade gerou a Jefté.

2 A mulher de Gileade deu-lhe filhos; quando os filhos de sua mulher eram já grandes, expulsaram a Jefté e disseram-lhe: Não herdarás na casa de nosso pai, pois és filho de outra mulher.

3 Jefté fugiu de seus irmãos e habitou na terra de Tobe; agregaram-se-lhe homens miseráveis e saíam com ele.

4 Passado algum tempo, pelejaram os filhos de Amom contra Israel.

5 Como os filhos de Amom pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar da terra de Tobe a Jefté;

6 e disseram-lhe: Vem e sê o nosso chefe, para que combatamos contra os filhos de Amom.

7 Perguntou Jefté aos anciãos de Gileade: Não sois vós os que me tivestes ódio, e que me expulsastes da casa de meu pai? Por que sois vindos a mim agora, quando vos achais em aperto?

8 Responderam a Jefté os anciãos de Gileade: É por isso que tornamos a ti, para que venhas conosco e pelejes contra os filhos de Amom. Ser-nos-ás por cabeça sobre todos os habitantes de Gileade.

9 Disse Jefté aos anciãos de Gileade: Se vós me fizerdes voltar para pelejar contra os filhos de Amom, e Jeová mos entregar nas mãos, serei eu vosso cabeça?

10 Replicaram a Jefté os anciãos de Gileade: Jeová será testemunha entre nós, de que faremos conforme a tua palavra.

11 Foi Jefté com os anciãos de Gileade, e o povo fê-lo cabeça e chefe sobre si: e Jefté proferiu todas as suas palavras perante Jeová, em Mispa.

12 Jefté enviou mensageiros ao rei dos filhos de Amom, que lhe dissessem: Que tens tu comigo, que vieste a mim para pelejares contra a minha terra?

13 Respondeu o rei dos filhos de Amom aos mensageiros de Jefté: É porque Israel, vindo do Egito, me tomou a terra desde Arnom até Jaboque e o Jordão; agora restitui-me essas terras em paz.

14 Tornou Jefté a enviar mensageiros ao rei dos filhos de Amom;

15 e disse-lhe: Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe, nem a terra dos filhos de Amom;

16 mas, quando Israel subiu do Egito e andou pelo deserto até o mar Vermelho e chegou a Cades,

17 enviou mensageiros ao rei de Edom, que lhe dissessem: Deixa-me passar pela tua terra. Mas o rei de Edom não lhe deu ouvidos. Enviou também ao rei de Moabe, mas este não consentiu; assim, Israel ficou em Cades.

18 Depois, andou pelo deserto, e rodeou a terra de Edom e a terra de Moabe, e veio pelo lado oriental da terra de Moabe, e se acampou da outra banda de Arnom; porém não entrou no território de Moabe, porque Arnom era o termo de Moabe.

19 Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, rei de Hesbom, e disse-lhe: Deixa-nos passar pela tua terra ao meu lugar.

20 Mas Seom recusou deixar passar Israel pelo seu território; pelo contrário, tendo Seom ajuntado todas as suas forças, acampou-se em Jaza e pelejou contra Israel.

21 Jeová, Deus de Israel, entregou-o com todas as suas forças nas mãos de Israel, que os feriu; assim se fez senhor de toda a terra dos amorreus, que habitavam naquele país.

22 Tomaram posse de todo o território dos amorreus, desde Arnom até Jaboque e desde o deserto até o Jordão.

23 Assim, Jeová, Deus de Israel, desapossou os amorreus de diante do seu povo de Israel, e hás de tu possuir este território?

24 Não possuirás tu o território dos que desapossar Camos, teu deus? Assim, possuiremos nós o território de todos os que desapossar, diante de nós, Jeová, nosso Deus.

25 És tu melhor do que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? Porventura contendeu ele, em algum tempo, com Israel ou lhe fez guerra alguma vez?

26 Durante os trezentos anos que Israel habitou em Hesbom e suas vilas, e em Aroer e suas vilas, e em todas as cidades vizinhas ao Arnom; por que não as recuperastes nesse tempo?

27 Não sou eu, portanto, quem pecou contra ti, és tu, porém, que me estás fazendo injúria a mim, declarando-me a guerra. Jeová, que hoje é árbitro, julgue entre os filhos de Israel e os filhos de Amom.

28 Todavia, o rei dos filhos de Amom não deu ouvidos à mensagem que Jefté lhe enviou.

29 Tendo o Espírito de Jeová vindo sobre Jefté, atravessou ele a Gileade e a Manassés e, passando por Mispa de Gileade, dali foi aos filhos de Amom.

30 Fez Jefté um voto a Jeová e disse: Se, na verdade, me entregares nas mãos os filhos de Amom,

31 a pessoa, seja ela qual for, que sair da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu voltar vitorioso dos filhos de Amom, será de Jeová, e eu a oferecerei em holocausto.

32 Assim, passou Jefté aos filhos de Amom, a pelejar contra eles; e Jeová entregou-os nas mãos dele.

33 Jefté feriu-os com grande mortandade desde Aroer até chegar a Minite, numas vinte cidades, e até Abel-Queramim. Foram subjugados os filhos de Amom diante dos filhos de Israel.

34 Jefté voltou para sua casa em Mispa, e saiu-lhe ao encontro sua filha com tambores e com danças. Ela era a filha única; além dela não tinha outro filho nem filha.

35 Quando a viu, rasgou os seus vestidos e disse: Ai de mim, filha minha! Tu me arruinaste e te fizeste a causa da minha calamidade; porquanto dei a minha palavra a Jeová e não posso voltar atrás.

36 Ela lhe respondeu: Pai meu, deste a tua palavra a Jeová; faze a mim conforme o que prometeste, pois que Jeová te vingou dos teus inimigos, dos filhos de Amom.

37 Disse a seu pai: Seja isto feito a meu favor: deixa-me por dois meses, para que eu vá e desça pelos montes, chorando a minha virgindade com as minhas companheiras.

38 Respondeu-lhe ele: Vai. Deixou-a ir por dois meses; então se foi ela com as suas companheiras e chorou a sua virgindade nos montes.

39 Passados os dois meses, tornou ela para seu pai, o qual lhe fez segundo o seu voto: ela não tinha conhecido varão. Veio a ser costume em Israel,

40 o irem de ano em ano as filhas de Israel a chorar a filha de Jefté por quatro dias.

Capítulo 12

1 Então se congregaram os homens de Efraim e, passando até Zafom, disseram a Jefté: Por que passaste a pelejar contra os filhos de Amom e não nos chamaste para irmos contigo? Por isso, queimaremos a fogo a tua casa contigo.

2 Respondeu-lhes Jefté: Eu e o meu povo tivemos uma grande contenda com os filhos de Amom; chamei-vos, porém não me livráveis da sua mão.

3 Quando vi que não me livrastes, arrisquei a vida, passei contra os filhos de Amom, e Jeová mos entregou nas mãos; por que subistes contra mim, hoje, para me fazerdes guerra?

4 Assim, reuniu Jefté todos os homens de Gileade e pelejou contra Efraim, que foi ferido pelos de Gileade, porque este dissera: Sois fugitivos de Efraim, vós, gileaditas, que morais no meio de Efraim e no meio de Manassés.

5 Os gileaditas apoderaram-se dos vaus do Jordão contra os efraimitas; quando algum dos fugitivos de Efraim dizia: Deixai-me passar, perguntavam-lhe os homens de Gileade: És tu efraimita? Se ele respondia: Não;

6 replicavam-lhe eles: Dize chibolete. Se ele dizia sibolete, não conseguindo pronunciar bem, pegavam dele e o degolavam aos vaus do Jordão. De Efraim caíram, naquele tempo, quarenta e dois mil homens.

7 Jefté julgou a Israel seis anos. Morreu Jefté, gileadita, e foi sepultado numa das cidades de Gileade.

8 Depois dele, Ibsã, de Belém, julgou a Israel.

9 Tinha trinta filhos e trinta filhas que casou fora, e de fora trouxe trinta mulheres para seus filhos. Julgou a Israel sete anos.

10 Morreu Ibsã e foi sepultado em Belém.

11 Sucedeu-lhe Elom, zebulonita, que julgou a Israel dez anos.

12 Morreu e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.

13 Depois dele, Abdom, filho de Hilel, piratonita, julgou a Israel.

14 Tinha quarenta filhos e trinta netos que montavam em setenta jumentos. Julgou a Israel oito anos.

15 Morreu Abdom, filho de Hilel, piratonita, e foi sepultado em Piratom, na terra de Efraim, na região montanhosa dos amalequitas.

Capítulo 13

1 Os filhos de Israel tornaram a fazer o mal à vista de Jeová, que os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos.

2 Havia um homem de Zorá, da família dos danitas cujo nome era Manoá; sua mulher era estéril, e não lhe dera filhos.

3 O Anjo de Jeová apareceu à mulher, e disse-lhe: Eis que és estéril e não tens tido filhos; mas conceberás e darás à luz um filho.

4 Agora, toma cuidado, e não bebas vinho nem bebida que possa embriagar, e não comas coisa alguma imunda;

5 pois conceberás e darás à luz um filho por cuja cabeça não passará navalha: porque o menino será nazireu para com Deus; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus.

6 Entrou a mulher e disse a seu marido: Veio a mim um homem de Deus, cujo rosto era como o do anjo de Deus, em extremo terrível. Não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome;

7 porém disse-me: Eis que conceberás e darás à luz um filho. Agora, não bebas vinho nem bebida que possa embriagar, nem comas coisa alguma imunda, porque o menino será nazireu para com Deus desde o nascimento até o dia da sua morte.

8 Suplicou Manoá a Jeová e disse: Peço-te, Senhor, que o homem de Deus, que enviaste, venha ter conosco outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer.

9 Deus ouviu a voz de Manoá; e o Anjo de Deus veio ter com a mulher outra vez, estando ela sentada no campo, porém não estava com ela seu marido Manoá.

10 Apressou-se a mulher e, correndo, deu notícia disso ao marido e disse-lhe: Eis que me apareceu o homem que veio ter comigo outro dia.

11 Levantou-se Manoá, seguiu a sua mulher e, tendo chegado ao homem, perguntou-lhe: És tu o que falaste a esta mulher? Ele respondeu: Eu sou.

12 Então, disse Manoá: Quando, pois, se cumprirem as tuas palavras, como se há de criar o menino e que fará ele?

13 Respondeu o Anjo de Jeová a Manoá: Guarde-se a mulher de tudo quanto eu lhe disse.

14 De nenhum produto da vinha poderá ela comer, não beba vinho nem bebida que possa embriagar e não coma coisa alguma imunda. Guarde tudo quanto lhe ordenei.

15 Manoá disse ao Anjo de Jeová: Permite-nos deter-te, para que preparemos um cabrito.

16 Respondeu a Manoá o Anjo de Jeová: Ainda que me detenhas, não comerei o teu pão; e, se preparares um holocausto, oferecê-lo-ás a Jeová. Pois Manoá não sabia que era o Anjo de Jeová.

17 Manoá perguntou ao Anjo de Jeová: Qual é o teu nome, para que, verificada que seja a tua palavra, te honremos?

18 Respondeu-lhe o Anjo de Jeová: Por que perguntas pelo meu nome, visto que é admirável?

19 Tomou Manoá o cabrito com a oferta de cereais e o ofereceu sobre a pedra a Jeová, que obra maravilhas. Manoá e sua mulher estavam observando.

20 Ao subir a chama de sobre o altar para o céu, subiu com ela o Anjo de Jeová; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram com o rosto em terra.

21 Porém, o Anjo de Jeová não tornou a aparecer a Manoá ou a sua mulher. Então, soube Manoá que era o Anjo de Jeová.

22 Manoá disse a sua mulher: Certamente morreremos, porque vimos a Deus.

23 Mas sua mulher lhe respondeu: Se Jeová nos quisera matar, não teria ele recebido das nossas mãos um holocausto e uma oferta de cereais, nem nos teria mostrado todas estas coisas, nem nos teria dito neste tempo tais coisas como estas.

24 A mulher deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sansão. O menino cresceu, e Jeová abençoou-o.

25 O Espírito de Jeová começou a incitá-lo em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.

Capítulo 14

1 Desceu Sansão a Timna, onde viu uma mulher das filhas dos filisteus.

2 Subiu, deu notícias disso a seu pai e a sua mãe e disse: Vi em Timna uma mulher das filhas dos filisteus; agora, tomai-ma por mulher.

3 Responderam-lhe seu pai e sua mãe: Não há mulheres entre as filhas de teus irmãos, ou entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus incircuncisos? Sansão disse a seu pai: Toma-me esta, porque ela muito me agrada.

4 Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isso vinha de Jeová, pois ele procurava ocasião contra os filisteus. Ora, naquele tempo, os filisteus dominavam sobre Israel.

5 Desceu Sansão com seu pai e com sua mãe a Timna, a cujas vinhas chegaram; eis que lhe saiu ao encontro, rugindo, um leão novo.

6 O Espírito de Jeová apoderou-se de Sansão, que despedaçou ao leão, como quem despedaça um cabrito, sem ter coisa alguma na mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe disse o que tinha feito.

7 Desceu e falou com a mulher; e ela muito lhe agradou.

8 Passado algum tempo, voltou para recebê-la e apartou-se do caminho para ver o cadáver do leão; eis que estava no corpo do leão um enxame de abelhas e mel.

9 Tirando-o nas mãos, ia comendo pelo caminho; e chegando aonde estavam seu pai e sua mãe, deu-lhes do mel, e eles comeram. Porém não lhes disse que do corpo do leão havia ele tirado o mel.

10 Seu pai desceu à casa da mulher; e fez ali Sansão um banquete, pois assim o costumavam fazer os mancebos.

11 Quando o viram os homens do lugar, deram-lhe trinta companheiros para estarem com ele.

12 Disse-lhes Sansão: Permiti-me propor-vos um enigma. Se puderdes decifrá-lo dentro dos sete dias das bodas, e descobri-lo, dar-vos-ei trinta roupões de linho e trinta mudas de vestidos;

13 mas, se não puderdes decifrá-lo, vós me dareis a mim trinta roupões e trinta mudas de vestidos. Responderam-lhe eles: Propõe o teu enigma, para que o ouçamos.

14 Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura. Em três dias não puderam decifrar o enigma.

15 Ao sétimo dia, disseram à mulher de Sansão: Persuade a teu marido que nos declare o enigma, para que não te queimemos a ti e à casa de teu pai a fogo; acaso nos convidastes a fim de nos empobrecer?

16 A mulher de Sansão chorou diante dele e disse: Tão somente me aborreces e não me amas; propuseste um enigma aos filhos de meu povo e não mo declaraste. Ele lhe disse: Nem a meu pai nem a minha mãe o declarei e to declararei a ti?

17 Ela chorava diante dele durante os sete dias em que celebravam as bodas. Ao sétimo dia, ele lho declarou, porque o importunava; e ela o declarou aos filhos do seu povo.

18 Disseram-lhe os homens da cidade, antes de se pôr o sol: Que coisa há mais doce do que o mel? E que coisa há mais forte do que o leão? Respondeu-lhes ele: Se não tivésseis lavrado com minha novilha, não teríeis descoberto o meu enigma.

19 O Espírito de Jeová apoderou-se de Sansão, que desceu a Asquelom, matou trinta homens dos habitantes, tomou os despojos e deu as mudas de vestidos aos que decifraram o enigma. Acendeu-se a sua ira, e subiu para a casa de seu pai.

20 Porém a mulher de Sansão foi dada ao seu companheiro, que lhe servira de paraninfo.

Capítulo 15

1 Passado algum tempo, nos dias da ceifa do trigo, Sansão, levando um cabrito, foi visitar a sua mulher e disse: Entrarei na câmara de minha mulher. Mas o pai dela não o deixou entrar

2 e lhe disse: Pensei, na verdade, que de todo a aborrecias; por isso, a dei ao teu companheiro. Não é, porém, mais formosa do que ela sua irmã mais nova? Toma-a em seu lugar.

3 Disse-lhes Sansão: Esta vez estou sem culpa para com os filisteus, se eu lhes fizer o mal.

4 Sansão foi-se e apanhou trezentas raposas; tomou fachos e, viradas as raposas cauda a cauda, pôs-lhes um facho entre cada par de caudas.

5 Tendo ele chegado fogo aos fachos, largou as raposas nas searas dos filisteus, e abrasou tanto as medas como o trigo ainda em pé, e vinhas e olivais.

6 Disseram os filisteus: Quem fez isto? Respondeu-se-lhes: Sansão, genro do timnita, porque lhe tirou sua mulher, e a deu ao companheiro. Subiram, pois, os filisteus, e queimaram a fogo tanto a ela como a seu pai.

7 Disse-lhes Sansão: Se este é o vosso procedimento, sem dúvida me vingarei de vós, e depois desistirei.

8 De todo os desbaratou com grande mortandade; então, desceu e habitou na fenda do penhasco de Etã.

9 Tendo subido os filisteus, acamparam-se em Judá e espalharam-se por Leí.

10 Perguntaram-lhes os homens de Judá: Por que subistes contra nós? Responderam eles: Para amarrarmos a Sansão é que subimos, a fim de lhe fazermos como nos fez a nós.

11 Então, três mil homens de Judá desceram à fenda do penhasco do Etã e disseram a Sansão: Não sabes tu que os filisteus dominam sobre nós? Que é isso que nos fizeste? Respondeu-lhes ele: Como me fizeram a mim, assim lhes fiz a eles.

12 Descemos, replicaram eles, para te amarrar, a fim de te entregar nas mãos dos filisteus. Jurai-me, disse-lhes Sansão, que vós mesmos não me agredireis.

13 Eles lhe responderam: Não te agrediremos, mas te amarraremos e te entregaremos nas suas mãos; porém de maneira alguma te mataremos. Amarraram-no com duas cordas novas e tiraram-no do penhasco.

14 Chegando ele a Leí, jubilaram os filisteus, ao saírem-lhe ao encontro. O Espírito de Jeová apoderou-se dele, as cordas que tinha nos braços tornaram-se como linho queimado, e as suas amarraduras lhe caíram das mãos.

15 Achou uma queixada verde dum jumento e, estendendo a mão, tomou-a e matou mil homens.

16 Disse Sansão: Com a queixada dum jumento, montões e mais montões; com a queixada dum jumento matei mil homens.

17 Tendo acabado de falar, lançou da mão a queixada. Aquele lugar chamou-se Ramate-Leí.

18 Sentindo grande sede, clamou a Jeová e disse: Tu deste ao teu servo esta grande vitória; agora, morrerei eu de sede e cairei nas mãos dos incircuncisos?

19 Porém Deus fendeu a mactés que está em Leí, e dali saiu água; tendo bebido, Sansão recobrou alento e reviveu; por isso, o lugar ficou sendo chamado En-Hacoré, que está em Leí até hoje.

20 Julgou a Israel nos dias dos filisteus vinte anos.

Capítulo 16

1 Sansão foi a Gaza, e viu ali uma prostituta e entrou a ela.

2 Foi dito aos gazitas: Sansão é chegado aqui. Cercaram-no e esperaram-no às escondidas na porta da cidade, e ficaram quietos toda a noite, dizendo: Quando raiar o dia, matá-lo-emos.

3 Porém Sansão deitou-se até à meia-noite, tempo em que se levantou, e pegou nas duas meias portas da cidade e nas duas ombreiras, arrancou-as juntamente com a tranca e, pondo-as sobre os ombros, levou-as até o cume do monte que está defronte de Hebrom.

4 Depois disso se afeiçoou a uma mulher que morava no vale de Soreque, e que se chamava Dalila.

5 Subiram a ter com ela os régulos dos filisteus e disseram-lhe: Persuade-lhe que descubra donde lhe vem tamanha força e de que modo o poderemos vencer, a fim de o amarrarmos para o atormentar; e nós te daremos, cada um de nós, mil e cem siclos de prata.

6 Disse Dalila a Sansão: Declara-me donde te vem tamanha força e de que modo poderás ser amarrado para sofrer tormentos.

7 Respondeu-lhe Sansão: Se me amarrassem com sete cordas de nervos, ainda não secados, tornar-me-ia fraco, e seria como qualquer outro homem.

8 Trouxeram-lhe os régulos dos filisteus sete cordas de nervos, ainda não secados, com as quais ela o amarrou.

9 Ora tinha ela homens que esperavam escondidos na câmara interior. Disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Ele quebrou as cordas como se quebra o fio da estopa ao chegar-lhe o cheiro do fogo. Assim, não se soube donde lhe vinha a força.

10 Disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste de mim e me disseste mentiras; agora, dize-me de que modo poderás ser amarrado.

11 Respondeu-lhe ele: Se me amarrassem bem com cordas novas, que ainda não houvessem sido usadas para obra alguma, tornar-me-ia fraco e seria como qualquer outro homem.

12 Dalila tomou cordas novas, e amarrou-o com elas, e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Ora, os homens esperavam escondidos na câmara interior. Ele as quebrou dos seus braços como um fio.

13 Disse Dalila a Sansão: Até agora, tens zombado de mim e me tens dito mentiras; dize-me de que modo poderás ser amarrado. Respondeu-lhe ele: Se teceres as sete tranças dos cabelos da minha cabeça com a urdidura da teia.

14 Ela as fixou com o torno do tear e disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Ele, despertando do sono, arrancou o torno, o tear e a teia.

15 Ela lhe disse: Como podes dizer que me amas, quando não confias em mim? Já três vezes tens zombado de mim e não me tens dito donde te vem a tua grande força.

16 Importunando-o ela todos os dias com as suas palavras e molestando-o, a alma dele angustiou-se até a morte.

17 Descobriu-lhe todo o seu coração e disse-lhe: Nunca passou navalha pela minha cabeça; porque tenho sido nazireu para com Deus desde o ventre de minha mãe. Se me fosse rapada a cabeça, ir-se-ia de mim a minha força, tornar-me-ia fraco e seria como qualquer outro homem.

18 Vendo Dalila que ele lhe descobrira todo o seu coração, mandou chamar os régulos dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu ele todo o seu coração. Então, os régulos dos filisteus subiram a ter com ela e trouxeram o dinheiro nas suas mãos.

19 Ela fez que Sansão dormisse sobre os seus joelhos; e mandou chamar a um homem, e fez que cortasse as sete tranças dos cabelos da sua cabeça. Começou a atormentá-lo, e a sua força se lhe foi.

20 Disse-lhe: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Despertando ele do sono, disse: Sairei como nas outras ocasiões e me sacudirei. Porém não sabia que Jeová se havia retirado dele.

21 Os filisteus pegaram nele, e vazaram-lhe os olhos; e, tendo-o levado a Gaza, amarraram-no com cadeias de bronze e obrigaram-no a mover um moinho no cárcere.

22 Todavia, os cabelos da sua cabeça, logo que foram rapados, começaram a crescer de novo.

23 Os régulos dos filisteus reuniram-se para oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom e para se regozijar; pois diziam: O nosso deus nos entregou nas mãos a Sansão, nosso inimigo.

24 Quando o povo o viu, louvaram ao seu deus; pois diziam: O nosso deus nos entregou nas mãos o nosso inimigo e o destruidor do nosso país, que multiplicou os nossos mortos.

25 Estando eles alegres, disseram: Mandai vir Sansão, para que nos divirta. Mandaram vir do cárcere Sansão que os divertia: e puseram-no entre as colunas.

26 Disse Sansão ao moço que o guiava pela mão: Deixa-me apalpar as colunas, em que se sustem a casa, para que a elas me encoste.

27 Ora, a casa estava cheia de homens e mulheres; estavam também ali todos os régulos dos filisteus; havia no telhado uns três mil homens e mulheres, que olhavam enquanto Sansão os divertia.

28 Sansão clamou a Jeová e disse: Senhor Jeová, lembra-te de mim, e fortalece-me ainda esta vez, ó Deus, para que me vingue nos filisteus ao menos dum dos meus dois olhos.

29 Abraçou-se Sansão com as duas colunas do meio, em que a casa se sustinha, e pegou nelas, numa com a mão direita, noutra com a mão esquerda

30 e disse: Morra eu com os filisteus. Empurrou com toda a sua força; e a casa caiu sobre os régulos e sobre todo o povo que nela estava. Assim, foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matou na sua vida.

31 Então, desceram seus irmãos e toda a casa de seu pai, tomaram-no e, tendo voltado, sepultaram-no entre Zorá e Estaol, no lugar da sepultura de seu pai Manoá. Ele julgou a Israel vinte anos.

Capítulo 17

1 Havia um homem da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Mica.

2 Ele disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por cuja causa praguejaste, e de que também falaste a mim, eis que está no meu poder; eu a tomei. Respondeu-lhe sua mãe: Bendito de Jeová seja meu filho!

3 Restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: Da minha mão solenemente dedico a prata a Jeová a favor de meu filho, para fazer uma imagem de escultura e de fundição; agora, ta darei de novo.

4 Quando ele restituiu a prata a sua mãe, tomou ela duzentos siclos de prata e deu-os ao ourives, o qual fez uma imagem de escultura e de fundição. A imagem ficou em casa de Mica,

5 que tinha uma capelinha de deuses; fez um éfode e terafins, e consagrou a um de seus filhos, o qual lhe serviu de sacerdote.

6 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que bem lhe parecia.

7 Havia um mancebo, vindo de Belém-Judá, da família de Judá, que era levita e habitava ali.

8 O homem partiu da cidade de Belém-Judá para ficar onde quer que achasse colocação. Seguindo o seu caminho, chegou à região montanhosa de Efraim, à casa de Mica.

9 Perguntou-lhe Mica: Donde vens? Respondeu-lhe ele: Sou levita de Belém-Judá, e vou ficar onde quer que ache colocação.

10 Disse-lhe Mica: Fica comigo e serve-me de pai e de sacerdote; dar-te-ei cada ano dez siclos de prata, o vestuário e o sustento. Assim, o mancebo levita entrou,

11 e, concordando em ficar com o homem, foi-lhe como um de seus filhos.

12 Mica consagrou ao mancebo levita, que lhe serviu de sacerdote, e ficou em sua casa.

13 Então, disse Mica: Agora sei que Jeová me fará o bem, visto que tenho um levita por sacerdote.

Capítulo 18

1 Naqueles dias, não havia rei em Israel, e a tribo dos danitas buscava para si herança onde habitar; porque, até então, não lhe tinha caído entre as tribos de Israel a sua herança.

2 De Zorá e de Estaol os filhos de Dã enviaram da sua família cinco homens, tirados dos seus vários ramos, homens de valor, a espiar e explorar a terra. Disseram-lhes: Ide explorar a terra. Eles chegaram à região montanhosa de Efraim, à casa de Mica, e ali pousaram.

3 Estando eles perto da casa de Mica, reconheceram a voz do mancebo levita; e dirigindo-se para lá, perguntaram-lhe: Quem te trouxe para cá? Que é o que estás fazendo aqui? Que é o que tens aqui?

4 Respondeu-lhes ele: Tais e tais coisas me tem feito Mica, ele me assalariou, e eu me tornei o seu sacerdote.

5 Disseram-lhe: Consulta a Deus, para que saibamos se será próspero o caminho que seguimos.

6 Disse-lhes o sacerdote: Ide em paz; perante Jeová está o caminho que seguis.

7 Partiram os cinco homens e, indo a Laís, viram o povo que estava nela, como quieto e em paz habitava seguro, conforme o costume dos sidônios. Não havia na terra nenhuma autoridade que o envergonhasse em coisa alguma, achava-se longe dos sidônios e não tinha relações com outra gente.

8 Voltaram aos seus irmãos em Zorá e Estaol, os quais lhes perguntaram: Que dizeis vós?

9 Responderam eles: Levantai-vos e subamos contra eles; porque vimos a terra, e é ela muito fértil. Vós estais quietos! Não vos demoreis em irdes ocupar a terra.

10 Quando fordes, achareis um povo descuidado, e a terra é muito espaçosa; pois Deus vo-la entregou nas mãos, lugar em que não há falta de coisa alguma que há na terra.

11 Da família dos danitas partiram dali, de Zorá e de Estaol, seiscentos homens armados em guerra.

12 Tendo subido, acamparam-se em Quiriate-Jearim, em Judá, pelo que esse lugar ficou sendo chamado Maané-Dã até hoje; eis que está ao ocidente de Quiriate-Jearim.

13 Dali, passaram à região montanhosa de Efraim e chegaram à casa de Mica.

14 Disseram aos seus irmãos os cinco homens que foram a espiar a terra de Laís: Sabeis, porventura, que há nestas casas um éfode, e terafins, e uma imagem de escultura e de fundição? Agora, considerai o que haveis de fazer.

15 Dirigiram-se para lá e chegaram à casa do mancebo levita, à casa de Mica, e saudaram-no com amizade.

16 Os seiscentos homens, filhos de Dã, armados em guerra, ficaram à entrada da porta.

17 Mas os cinco homens que foram espiar a terra subiram, entraram ali e tomaram a imagem de escultura, o éfode, os terafins e a imagem de fundição. O sacerdote estava em pé à entrada da porta com os seiscentos homens, armados em guerra.

18 Quando eles entraram na casa de Mica e levaram a imagem de escultura, o éfode, os terafins e a imagem de fundição, perguntou-lhes o sacerdote: Que estais fazendo?

19 Responderam-lhe: Cala-te, põe a mão sobre a tua boca, vem conosco e serve-nos de pai e de sacerdote. É-te melhor ser sacerdote na casa de um particular, ou sê-lo numa tribo e numa família em Israel?

20 Alegrou-se o coração do sacerdote, que tomou o éfode, os terafins e a imagem de escultura e se foi com o povo.

21 Viraram-se e partiram, tendo posto diante de si os pequeninos, e o gado, e os seus bens.

22 Estando eles já longe da casa de Mica, foram convocados os homens que estavam nas casas vizinhas à de Mica e alcançaram aos filhos de Dã.

23 Gritaram atrás deles, e eles, virando o rosto, perguntaram a Mica: Que queres, visto que vens com tanta gente?

24 Respondeu-lhes: Tomastes os meus deuses que fiz e o sacerdote, e fostes embora, e que tenho eu mais? Que pergunta é essa que me fazes: Que queres?

25 Replicaram-lhe os filhos de Dã: Não faças ouvir a tua voz entre nós, para que não suceda que se lancem sobre vós uns homens violentos, e percas a vida e bem assim a vida dos da tua casa.

26 Assim, seguiram o seu caminho os filhos de Dã. Mica, vendo que eles eram mais fortes do que ele, virou-se e voltou para sua casa.

27 Eles levaram o que Mica havia feito e o sacerdote que tivera, chegando a Laís, a um povo quieto e descuidado, passaram-no ao fio da espada e puseram fogo à cidade.

28 Não havia quem o livrasse, porque estava longe de Sidom, e eles não tinham relações com outra gente; estava a cidade no vale que pertence a Bete-Reobe. Tendo reedificado a cidade, habitaram nela

29 e chamaram-lhe Dã, do nome de seu pai Dã, que nascera a Israel. Todavia, o nome da cidade era originalmente Laís.

30 Os filhos de Dã erigiram para si a imagem de escultura. Jônatas, filho de Gérson, filho de Moisés, juntamente com seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas até o dia do cativeiro da terra.

31 Estabeleceram a imagem de escultura que fizera Mica por todo o tempo em que a casa de Deus estava em Siló.

Capítulo 19

1 Nos dias em que não havia rei em Israel, habitava um levita nas partes remotas da região montanhosa de Efraim, o qual tomou para si uma concubina de Belém-Judá.

2 A sua concubina lhe foi infiel e, deixando-o, foi para a casa de seu pai em Belém-Judá. Ali ficou uns quatro meses.

3 Seu marido, tendo consigo o seu servo e dois jumentos, levantou-se e foi atrás dela para lhe falar bondosamente, a fim de tornar a trazê-la. Ela o fez entrar na casa de seu pai. Quando o pai da moça o viu, saiu alegre a recebê-lo.

4 Seu sogro, o pai da moça, o deteve, de modo que ficou com ele três dias. Assim, comeram, beberam e se alojaram ali.

5 Ao quarto dia, levantaram-se de manhã, e ele se ergueu para partir. O pai da moça disse ao seu genro: Fortalece-te com um bocado de pão e, depois, partirás.

6 Sentaram-se ambos juntos, e comeram e beberam; e disse o pai da moça ao homem: Peço-te que te deixes passar aqui a noite, e alegre-se o teu coração.

7 O homem ergueu-se para partir, porém o seu sogro, instando com ele, fê-lo pernoitar ali.

8 Ao quinto dia, levantou-se de manhã para partir; e disse o pai da moça: Conforta o teu coração. Assim se detiveram até o declinar do dia; e comeram ambos juntos.

9 O homem se ergueu para partir, com a sua concubina e com o seu servo, e disse-lhe o seu sogro, o pai da moça: Eis que o dia declina para a tarde; peço-te que passes aqui a noite. Eis que o dia se vai acabando; passa aqui a noite, para que se alegre o teu coração. Amanhã, levanta-te cedo para encetares viagem e irás para tua casa.

10 Porém o homem não quis passar ali a noite, mas, erguendo-se, partiu e chegou à altura de Jebus (que é Jerusalém). Levava consigo dois jumentos albardados e também a sua concubina.

11 Quando passavam por Jebus, o dia estava a terminar; e o servo disse ao seu senhor: Vem, tomemos o caminho desta cidade dos jebuseus e passemos nela a noite.

12 Respondeu-lhe o seu senhor: Não tomaremos o caminho da cidade de gente estrangeira, que não é dos filhos de Israel; mas passaremos até Gibeá.

13 Disse mais o seu servo: Vinde, vamos a um destes lugares; e passaremos a noite em Gibeá, ou em Ramá.

14 Passaram adiante e continuaram o seu caminho; e o sol se lhes pôs perto de Gibeá, que pertence a Benjamim.

15 Dirigiram-se para lá, a fim de passarem ali a noite. Entrando ele, sentou-se na praça da cidade, porque não havia quem os recolhesse em casa para ali pernoitarem.

16 Eis que, ao anoitecer, vinha do campo, do seu trabalho, um homem velho, que era da região montanhosa de Efraim, e forasteiro em Gibeá; porém os habitantes do lugar eram benjamitas.

17 Levantando o velho os olhos, viu na praça da cidade o viajante e perguntou-lhe: Para onde vais? Donde vens?

18 Respondeu-lhe: Estamos viajando de Belém-Judá para as partes remotas da região montanhosa de Efraim, donde sou; fui a Belém-Judá, e agora estou de viagem para a Casa de Jeová; e não há quem me receba em sua casa.

19 Todavia, temos palha e pasto para os nossos jumentos; há pão e vinho para mim, e para a tua serva, e para o criado que está com os teus servos; não há falta de coisa alguma.

20 Então, disse o velho: Paz seja contigo; porém tudo o que faltar ficará ao meu cargo; somente não passes a noite na praça.

21 Fê-lo entrar em sua casa e deu pasto aos jumentos; e havendo eles lavado os pés, comeram e beberam.

22 Enquanto eles se alegravam, eis que uns homens da cidade, filhos de Belial, cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao dono da casa, ao velho, dizendo: Traze cá para fora o homem que entrou na tua casa, para que o conheçamos.

23 O dono da casa saiu a ter com eles e disse-lhes: Não, meus irmãos, não cometais semelhante maldade; visto que o homem já entrou em minha casa, não façais essa loucura.

24 Eis aqui está minha filha virgem e a concubina do homem. Trá-las-ei cá para fora, humilhai-as a elas, e fazei-lhes o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais tal loucura.

25 Mas os homens não o queriam ouvir; o homem pegou na sua concubina e a fez sair a eles, para fora. Eles a conheceram e dela abusaram a noite toda até pela manhã: largaram-na ao raiar da alva.

26 Ao romper do dia, veio a mulher e caiu à porta da casa do homem, onde estava o seu senhor, e ali ficou até que se fez claro.

27 Levantando-se pela manhã o seu senhor, abriu as portas da casa e saiu para seguir o seu caminho; eis que a mulher, sua concubina, estava estirada à porta da casa com as mãos sobre o limiar.

28 Ele lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos; mas ninguém respondeu. Então a pôs sobre o jumento e, levantando-se o homem, foi para o seu lugar.

29 Quando chegou em casa, tomou um cutelo, e pegou na sua concubina, e dividindo-a, membro por membro, em doze pedaços, enviou-os por todo o território de Israel.

30 Dizia todo homem que aquilo via: Nunca tal coisa se fez nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até hoje. Ponderai isto, consultai e não caleis.

Capítulo 20

1 Saíram todos os filhos de Israel, e reuniu-se perante Jeová em Mispa a congregação como se fora um só homem, desde Dã até Berseba, como também a terra de Gileade.

2 Os homens principais de todo o povo, a saber, de todas as tribos de Israel, apresentaram-se na assembleia do povo de Deus, em número de quatrocentos mil que tiravam a espada.

3 (Ouviram os filhos de Benjamim que os filhos de Israel haviam subido a Mispa.) Disseram os filhos de Israel: Dizei-nos, de que modo se cometeu esta maldade?

4 Respondeu o levita, marido da mulher que fora morta: Em Gibeá, que pertence a Benjamim, entrei eu com minha concubina para ali passar a noite.

5 Os cidadãos de Gibeá levantaram-se contra mim e cercaram de noite a casa em que eu estava; a mim me tencionaram matar e a minha concubina a violaram, de maneira que morreu.

6 Então, peguei na minha concubina, dividi-a em pedaços e enviei-os por todo o país da herança de Israel, porque cometeram tal abominação e loucura em Israel.

7 Eis aqui estais todos vós, israelitas; dai a vossa palavra e conselho neste caso.

8 Todo o povo se levantou como um só homem, dizendo: Nenhum de nós irá para a sua tenda, e nenhum de nós voltará para a sua casa.

9 Porém isto é o que faremos a Gibeá; subiremos contra ela por sorte;

10 tomaremos de todas as tribos de Israel dez homens de cada cem, e cem de cada mil, e mil de cada dez mil para procurarem víveres para o povo, a fim de que, vindo a Gibeá de Benjamim, lhe deem o pago de toda a loucura que fez em Israel.

11 Assim se ajuntaram contra a cidade todos os homens de Israel, coligados como um só homem.

12 As tribos de Israel mandaram homens por toda a tribo de Benjamim, para que lhe dissessem: Que maldade é essa que se fez entre vós?

13 Entregai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os façamos morrer e para que tiremos de Israel este mal. Porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel.

14 Das cidades ajuntaram-se em Gibeá os filhos de Benjamim para saírem a pelejar contra os filhos de Israel.

15 Contaram-se naquele dia os filhos de Benjamim, das cidades, vinte e seis mil homens que tiravam a espada, afora os habitantes de Gibeá, de que se contaram setecentos homens escolhidos.

16 Entre todo este povo havia setecentos homens escolhidos que usavam da mão esquerda em vez da direita, cada um podia dar tiros de funda num cabelo sem errar.

17 Foram contados dos homens de Israel, excluindo a Benjamim, quatrocentos mil que tiravam a espada, todos eles homens de guerra.

18 Tendo-se levantado os filhos de Israel, subiram a Betel e consultaram a Deus, perguntando: Quem de nós subirá primeiro para pelejar contra os filhos de Benjamim? Respondeu Jeová: Judá subirá primeiro.

19 Levantaram-se de manhã os filhos de Israel e acamparam-se contra Gibeá.

20 Saíram os homens de Israel para pelejar contra Benjamim, e ordenaram batalha contra eles junto a Gibeá.

21 Então, os filhos de Benjamim saíram de Gibeá, e derrubaram por terra, naquele dia, vinte e dois mil homens dos israelitas.

22 Esforçou-se o povo, os homens de Israel, e tornaram a ordenar batalha no lugar em que a tinham ordenado no primeiro dia.

23 Subiram os filhos de Israel e choraram diante de Jeová até à tarde, e perguntaram-lhe: Tornarei a pelejar contra os filhos de meu irmão Benjamim? Respondeu Jeová: Subi contra eles.

24 Marcharam os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim no segundo dia.

25 Também Benjamim, nesse mesmo dia, lhes saiu de Gibeá ao encontro, e derrubou por terra dos filhos de Israel mais dezoito mil homens; todos estes tiravam a espada.

26 Todos os filhos de Israel e todo o povo subiram a Betel, choraram, ali se assentaram diante de Jeová e jejuaram aquele dia até à tarde. Diante de Jeová ofereceram holocaustos e ofertas pacíficas.

27 Os filhos de Israel perguntaram a Jeová (porque a arca da aliança de Deus estava ali naqueles dias,

28 e Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, lhe assistia): Tornarei ainda a sair à peleja contra os filhos de meu irmão Benjamim, ou desistirei? Respondeu Jeová: Subi, porque amanhã tos entregarei nas mãos.

29 Israel pôs emboscadas ao redor de Gibeá.

30 Ao terceiro dia, subiram os filhos de Israel contra os filhos de Benjamim, e como das outras vezes ordenaram batalha contra Gibeá.

31 Saíram os filhos de Benjamim ao encontro do povo e foram atraídos da cidade; como das outras vezes, começaram a ferir e mataram do povo uns trinta homens de Israel no campo, pelas estradas, uma das quais sobe para Betel, e a outra, para Gibeá.

32 Disseram os filhos de Benjamim: Estão derrotados diante de nós como dantes. Porém os filhos de Israel disseram: Fujamos, e atraiamo-los da cidade para as estradas.

33 Todos os homens de Israel se levantaram do seu lugar e ordenaram batalha em Baal-Tamar. A emboscada de Israel surgiu de repente do seu lugar ao ocidente de Gibeá.

34 Vieram contra Gibeá dez mil homens escolhidos de todo o Israel e travou-se renhido combate; mas os de Gibeá não sabiam que a derrota vinha sobre eles.

35 Jeová feriu a Benjamim diante de Israel, que lhe destruiu, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens: todos estes tiravam a espada.

36 Assim, os filhos de Benjamim viram que estavam derrotados; pois os homens de Israel cederam lugar a Benjamim, porque confiaram na emboscada que haviam posto contra Gibeá.

37 A emboscada apressou-se, correu impetuosamente para Gibeá e, apresentando-se ali, feriu a cidade toda ao fio da espada.

38 Os homens de Israel tinham combinado com a emboscada que fizesse subir uma nuvem de fumo como sinal do tempo

39 em que deviam voltar ao combate. Benjamim começou a ferir e a matar dos homens de Israel quase trinta pessoas, pois disseram: Sem dúvida estão derrotados diante de nós, como na peleja anterior.

40 Mas, quando a nuvem começou a subir da cidade numa coluna de fumo, os benjamitas olharam para trás, e eis que a cidade toda subia em fumo ao céu.

41 Os homens de Israel deram volta, e os homens de Benjamim pasmaram, pois viram que a derrota lhes tinha sobrevindo.

42 Portanto, viraram as costas diante dos filhos de Israel em busca do caminho do deserto; porém a peleja os apertou; os das cidades os destruíram ao passar por eles.

43 Cercaram aos benjamitas, perseguiram-nos e pisaram-nos desde Menuá até a altura de Gibeá, para o nascente do sol.

44 Caíram de Benjamim dezoito mil homens, todos eles homens de valor.

45 Então, viraram as costas e fugiram para o deserto até a penha de Rimom. Rabiscaram deles nas veredas ainda cinco mil homens; seguiram-nos de perto até Gidom e mataram deles uns dois mil homens.

46 Assim que todos os que de Benjamim caíram, naquele dia, foram vinte e cinco mil homens que tiravam a espada, todos eles homens de valor.

47 Mas seiscentos homens viraram as costas e, fugindo para o deserto até a penha de Rimom, ficaram ali quatro meses.

48 Os filhos de Israel voltaram para os filhos de Benjamim e feriram ao fio da espada a cidade com os homens e animais e tudo o que se achava ali; além disso, puseram fogo a todas as cidades que acharam.

Capítulo 21

1 Ora, os homens de Israel haviam jurado em Mispa, dizendo: Nenhum de nós dará sua filha por mulher aos benjamitas.

2 Veio o povo a Betel, e ali se assentaram até à tarde diante de Deus, e levantaram a sua voz e choraram com grande pranto.

3 Disseram: Por que, Jeová, Deus de Israel, aconteceu que hoje falte uma tribo em Israel?

4 No dia seguinte, levantou-se cedo o povo, edificou ali um altar e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas.

5 Disseram os filhos de Israel: Quem é o que dentre todas as tribos de Israel não subiu à assembleia de Jeová? Porque tinha sido pronunciado contra aquele que não subisse a Jeová em Mispa o grande juramento de que fosse morto sem falta.

6 Os filhos de Israel tiveram pena de seu irmão Benjamim, e disseram: Uma tribo é hoje cortada de Israel.

7 Como obteremos mulheres para os que restam deles, visto que nós juramos por Jeová que não lhes daríamos nossas filhas por mulheres?

8 Disseram, pois: Quem é o que dentre as tribos de Israel não subiu a Jeová em Mispa? Ora, de Jabes-Gileade não viera um só homem ao arraial, à assembleia.

9 Quando o povo foi contado, não se achou ali nenhum dos habitantes de Jabes-Gileade.

10 A congregação enviou para lá doze mil homens dos mais valentes e ordenou-lhes: Ide e passai ao fio da espada os habitantes de Jabes-Gileade juntamente com as mulheres e os pequeninos.

11 Isso é o que haveis de fazer: exterminareis a todos os homens e a todas as mulheres que tiverem conhecido varão.

12 Acharam entre os habitantes de Jabes-Gileade quatrocentas moças virgens, que não tinham conhecido varão; e trouxeram-nas ao arraial em Siló, que está na terra de Canaã.

13 Então, toda a congregação enviou e falou aos filhos de Benjamim que estavam na penha de Rimom e lhes proclamou a paz.

14 Nesse tempo, voltaram os benjamitas; deram-se-lhes as mulheres que foram conservadas vivas dentre as mulheres de Jabes-Gileade, e estas ainda não lhes bastaram.

15 O povo teve pena de Benjamim, porque Jeová havia aberto uma brecha nas tribos de Israel.

16 Disseram os anciãos da congregação: Como obteremos mulheres para os que restam, visto que de Benjamim as mulheres haviam sido exterminadas?

17 Disseram mais: Deve haver uma herança para os que escaparam de Benjamim, para que uma tribo não seja apagada de Israel.

18 Contudo, não lhes poderemos dar mulheres de nossas filhas; porque os filhos de Israel tinham jurado: Maldito seja aquele que der mulher a Benjamim.

19 Disseram: A festa de Jeová realiza-se anualmente em Siló, que está situada ao norte de Betel, ao oriente da estrada que sobe de Betel a Siquém e ao sul de Lebona.

20 Ordenaram aos filhos de Benjamim, dizendo: Ide e escondei-vos de emboscada nas vinhas.

21 Olhai e, quando saírem as filhas de Siló a dançar nos coros, saí vós das vinhas e arrebatai, cada um a sua mulher, das filhas de Siló, e ide para a terra de Benjamim.

22 Quando seus pais ou seus irmãos vierem queixar-se a nós, dir-lhes-emos: Dignai-vos de no-las conceder, porque não tomamos mulher para cada um deles na batalha, nem lhas destes; de outra sorte, seríeis agora culpados.

23 Assim fizeram os filhos de Benjamim; e, segundo o seu número, tomaram para si mulheres, arrebatando-as dentre as que dançavam; foram, voltaram para a sua herança, edificaram as cidades e nelas habitaram.

24 Partiram dali, nesse tempo, os filhos de Israel, cada um para a sua tribo, para a sua família e para a sua herança.

25 Naqueles dias, não havia rei em Israel: cada um fazia o que bem lhe parecia.

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