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Êxodo (Almeida Revista e Corrigida 1911)

João Ferreira de Almeida (revisão de 1911)

rolo estático · Pedra Angular

Tradutor
João Ferreira de Almeida (revisão de 1911)
Idioma
por
Abreviatura
Êx
Licença
dominio_publico
Fonte
Almeida Revista e Corrigida 1911, 1911. Via github.com/damarals/biblias (JSON canônico), 2026.
Identificador
biblia-02-exodo-por-alm1911-1911
Markdown
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Êxodo

Capítulo 1

1 Estes pois são os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egypto com Jacob: cada um entrou com sua casa:

2 Ruben, Simeão, Levi, e Judah;

3 Issacar, Zabulon, e Benjamin;

4 Dan e Naphtali, Gad e Aser.

5 Todas as almas, pois, que procederam da côxa de Jacob, foram setenta almas: José, porém, estava no Egypto.

6 Sendo pois José fallecido, e todos os seus irmãos, e toda aquella geração,

7 Os filhos de Israel fructificaram, e augmentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu d'elles.

8 Depois levantou-se um novo rei sobre o Egypto, que não conhecera a José;

9 O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.

10 Eia, usemos sabiamente para com elle, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, elle tambem se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra.

11 E pozeram sobre elles maioraes de tributos, para os affligirem com suas cargas. Porque edificaram a Pharaó cidades de thesouros, Pitom e Ramesses.

12 Mas quanto mais o affligiam, tanto mais se multiplicava, e tanto mais crescia: de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.

13 E os egypcios faziam servir os filhos de Israel com dureza;

14 Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão em barro, e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os serviam com dureza.

15 E o rei do Egypto fallou ás parteiras das hebreas (das quaes o nome de uma era Siphra, e o nome da outra Pua),

16 E disse: Quando ajudardes a parir as hebreas, e as virdes sobre os assentos, se fôr filho, matae-o; mas se fôr filha, então viva.

17 As parteiras, porém, temeram a Deus, e não fizeram como o rei do Egypto lhes dissera, antes conservavam os meninos com vida.

18 Então o rei do Egypto chamou as parteiras, e disse-lhes: Porque fizestes isto, que guardastes os meninos com vida?

19 E as parteiras disseram a Pharaó: Porquanto as mulheres hebreas não são como as egypcias: porque são vivas, e já teem parido antes que a parteira venha a ellas.

20 Portanto Deus fez bem ás parteiras. E o povo se augmentou, e se fortaleceu muito.

21 E aconteceu que, porquanto as parteiras temeram a Deus, estabeleceu-lhes casas.

22 Então ordenou Pharaó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lancareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida.

Capítulo 2

1 E foi-se um varão da casa de Levi, e casou com uma filha de Levi.

2 E a mulher concebeu, e pariu um filho, e, vendo que elle era formoso, escondeu-o tres mezes.

3 Não podendo, porém, mais escondel-o tomou uma arca de juncos, e a betumou com betume e pêz; e, pondo n'ella o menino, a poz nos juncos á borda do rio

4 E sua irmã parou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer.

5 E a filha de Pharaó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzellas passeavam, pela borda do rio: e ella viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua creada, e a tomou.

6 E abrindo-a, viu ao menino, e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão d'elle, e disse: Dos meninos dos hebreos é este.

7 Então disse sua irmã á filha de Pharaó: Irei eu a chamar uma ama das hebreas, que crie este menino por ti?

8 E a filha de Pharaó disse-lhe: Vae. E foi-se a moça, e chamou a mãe do menino.

9 Então lhe disse a filha de Pharaó: Leva este menino, e cria-m'o: eu te darei teu salario. E a mulher tomou o menino, e creou-o.

10 E, sendo o menino já grande, ella o trouxe á filha de Pharaó, a qual o adoptou; e chamou o seu nome Moysés, e disse: Porque das aguas o tenho tirado.

11 E aconteceu n'aquelles dias que, sendo Moysés já grande, saiu a seus irmãos, e attentou nas suas cargas: e viu que um varão egypcio feria a um hebreu, varão de seus irmãos.

12 E olhou a uma e a outra banda, e, vendo que ninguem ali havia, feriu ao egypcio, e escondeu-o na areia.

13 E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois varões hebreos contendiam; e disse ao injusto: Porque feres a teu proximo?

14 O qual disse: Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós? pensas matar-me, como mataste o egypcio? Então temeu Moysés, e disse: Certamente este negocio foi descoberto.

15 Ouvindo pois Pharaó este negocio, procurou matar a Moysés: mas Moysés fugiu de diante da face de Pharaó, e habitou na terra de Midian, e assentou-se junto a um poço.

16 E o sacerdote de Midian tinha sete filhas, as quaes vieram a tirar agua, e encheram as pias, para dar de beber ao rebanho de seu pae.

17 Então vieram os pastores, e lançaram-as d'ali; Moysés porém levantou-se, e defendeu-as, e abeberou-lhes o rebanho.

18 E vindo ellas a Reuel seu pae, elle disse: Porque hoje tomastes tão depressa?

19 E ellas disseram: Um homem egypcio nos livrou da mão dos pastores; e tambem nos tirou agua em abundancia, e abeberou o rebanho.

20 E disse a suas filhas: E onde está elle? porque deixastes o homem? chamae-o para que coma pão.

21 E Moysés consentiu em morar com aquelle homem: e elle deu a Moysés sua filha Zippora,

22 A qual pariu um filho, e elle chamou o seu nome Gerson, porque disse: Peregrino fui em terra estranha.

23 E aconteceu depois de muitos d'estes dias, morrendo o rei do Egypto, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram: e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão.

24 E ouviu Deus o seu gemido, e lembrou-se Deus do seu concerto com Abrahão, com Isaac, e com Jacob;

25 E attentou Deus para os filhos d'Israel, e conheceu-os Deus.

Capítulo 3

1 E apascentava Moysés o rebanho de Jethro, seu sogro, sacerdote em Midian: e levou o rebanho atrás do deserto, e veiu ao monte de Deus, a Horeb.

2 E appareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chamma de fogo do meio d'uma sarça: e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

3 E Moysés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima.

4 E vendo o Senhor que se virava para lá a vêr, bradou Deus a elle do meio da sarça, e disse: Moysés, Moysés. E elle disse: Eis-me aqui

5 E disse: Não te chegues para cá: tira os teus sapatos de teus pés; porque o logar em que tu estás é terra sancta.

6 Disse mais: Eu sou o Deus de teu pae, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob. E Moysés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.

7 E disse o Senhor: Tenho visto attentamente a afflicção do meu povo, que está no Egypto, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exactores, porque conheci as suas dôres.

8 Portanto desci para livral-o da mão dos egypcios, e para fazel-o subir d'aquella terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel: ao logar do Cananeo, e do Hetheo, e do Amorrheo, e do Pherezeo, e do Heveo, e do Jebuseo.

9 E agora, eis que o clamor dos filhos d'Israel é vindo a mim, e tambem tenho visto a oppressão com que os egypcios os opprimem.

10 Vem agora, pois, e eu te enviarei a Pharaó, para que tires o meu povo (os filhos d'Israel), do Egypto.

11 Então Moysés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Pharaó e tire do Egypto os filhos d'Israel?

12 E Deus disse: Certamente eu serei comtigo; e isto te será por signal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egypto, servireis a Deus n'este monte.

13 Então disse Moysés a Deus: Eis que quando vier aos filhos d'Israel, e lhes disser: O Deus de vossos paes me enviou a vós; e elles me disserem: Qual é o seu nome? que lhes direi?

14 E disse Deus a Moysés: SEREI O QUE SEREI. Disse mais: Assim dirás aos filhos d'Israel: Serei me enviou a vós.

15 E Deus disse mais a Moysés: Assim dirás aos filhos d'Israel: O Senhor Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob, me enviou a vós: este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração

16 Vae, e ajunta os anciãos d'Israel, e dize-lhes: O Senhor, o Deus de vossos paes, o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacob, me appareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado, e visto o que vos é feito no Egypto.

17 Portanto eu disse: Far-vos-hei subir da afflicção do Egypto á terra do cananeo, do hetheo, e do amorrheo, e do pherezeo, e do heveo, e do jebuseo, a uma terra que mana leite e mel.

18 E ouvirão a tua voz; e virás, tu e os anciãos d'Israel, ao rei do Egypto, e dir-lhe-heis: O Senhor, o Deus dos hebreos, nos encontrou: agora pois deixa-nos ir caminho de tres dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus.

19 Eu sei, porém, que o rei do Egypto não vos deixará ir, nem ainda por uma mão forte.

20 Porque eu estenderei a minha mão, e ferirei ao Egypto com todas as minhas maravilhas que farei no meio d'elle: depois vos deixará ir.

21 E eu darei graça a este povo aos olhos dos egypcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios,

22 Porque cada mulher pedirá á sua visinha e á sua hospeda vasos de prata, e vasos de oiro, e vestidos, os quaes poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis ao Egypto.

Capítulo 4

1 Então respondeu Moysés, e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te appareceu.

2 E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E elle disse: Uma vara.

3 E elle disse: Lança-a na terra. Elle a lançou na terra, e tornou-se em cobra: e Moysés fugia d'ella.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão, e pega-lhe pela cauda, E estendeu sua mão, e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão

5 Para que creiam que te appareceu o Senhor, Deus de seus paes, o Deus de Abrahão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.

6 E disse-lhe mais o Senhor: Mette agora a tua mão no teu seio. E, tirando-a, eis que a sua mão estava leprosa, branca como a neve.

7 E disse: Torna a metter a tua mão no teu seio. E tornou a metter sua mão no seu seio: depois tirou-a do seu seio, e eis que se tornara como a sua outra carne.

8 E acontecerá que, se elles te não crerem, nem ouvirem a voz do primeiro signal, crerão a voz do derradeiro signal;

9 E se acontecer que ainda não creiam a estes dois signaes, nem ouvirem a tua voz, tomarás das aguas do rio, e as derramarás na terra secca: e as aguas, que tomarás do rio, tornar-se-hão em sangue sobre a terra secca.

10 Então disse Moysés ao Senhor: Ah Senhor! eu não sou homem que bem falla, nem de hontem nem de antehontem, nem ainda desde que tens fallado ao teu servo; porque sou pesado de bocca, e pesado de lingua.

11 E disse-lhe o Senhor: Quem fez a bocca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? não sou eu, o Senhor?

12 Vae pois agora, e eu serei com a tua bocca, e te ensinarei o que has de fallar.

13 Elle porém disse: Ah Senhor! envia pela mão d'aquelle a quem tu has de enviar.

14 Então se accendeu a ira do Senhor contra Moysés, e disse: Não é Aarão, o levita, teu irmão? eu sei que elle fallará muito bem: e eis que elle tambem sae ao teu encontro; e, vendo-te, se alegrará em seu coração

15 E tu lhe fallarás, e porás as palavras na sua bocca: e eu serei com a tua bocca, e com a sua bocca, ensinando-vos o que haveis de fazer.

16 E elle fallará por ti ao povo: e aconlecerá que elle te será por bocca, e tu lhe serás por Deus.

17 Toma pois esta vara na tua mão, com que farás os signaes.

18 Então foi-se Moysés, e voltou para Jethro seu sogro, e disse-lhe; Eu irei agora, e tornarei a meus irmãos, que estão no Egypto, para ver se ainda vivem. Disse pois Jethro a Moysés: Vae em paz.

19 Disse tambem o Senhor a Moysés em Midian: Vae, volta para o Egypto; porque todos os que buscavam a tua alma morreram.

20 Tomou pois Moysés sua mulher e seus filhos, e os levou sobre um jumento, e tornou-se á terra do Egypto; e Moysés tomou a vara de Deus na sua mão.

21 E disse o Senhor a Moysés: Quando fores tornado ao Egypto, attenta que faças diante de Pharaó todas as maravi-*lhas que tenho posto na tua mão: mas eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo

22 Então dirás a Pharaó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogenito.

23 E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixal-o ir: eis que eu matarei a teu filho, o teu primogenito.

24 E aconteceu no caminho, n'uma estalagem, que o Senhor o encontrou, e o quiz matar.

25 Então Zippora tomou uma pedra aguda, e circumcidou o prepucio de seu filho, e o lançou a seus pés, e disse: Certamente me és um esposo sanguinario.

26 E desviou-se d'elle. Então ella disse: Esposo sanguinario, por causa da circumcisão.

27 Disse tambem o Senhor a Aarão: Vae ao encontro de Moysés ao deserto. E elle foi, encontrou-o no monte de Deus, e beijou-o.

28 E denunciou Moysés a Aarão todas as palavras do Senhor, que o enviara, e todos os signaes que lhe mandara.

29 Então foram Moysés e Aarão, e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel.

30 E Aarão fallou todas as palavras que o Senhor fallara a Moysés, e fez os signaes perante os olhos do povo,

31 E o povo creu, e ouviram que o Senhor visitava aos filhos d'Israel, e que via a sua afflicção: e inclinaram-se, e adoraram.

Capítulo 5

1 E depois foram Moysés e Aarão, e disseram a Pharaó: Assim diz o Senhor Deus d'Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.

2 Mas Pharaó disse: Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel.

3 E elles disseram: O Deus dos hebreos nos encontrou; portanto deixa-nos agora ir caminho de tres dias ao deserto, para que não venha sobre nós com pestilencia ou com espada.

4 Então disse-lhes o rei do Egypto: Moysés e Aarão, porque fazeis cessar o povo das suas obras? ide a vossas cargas.

5 E disse tambem Pharaó: Eis que o povo da terra já é muito, e vós fazeis cessal-os das suas cargas.

6 Portanto deu ordem Pharaó n'aquelle mesmo dia aos exactores do povo, e aos seus officiaes, dizendo:

7 D'aqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como fizestes hontem e antehontem: vão elles mesmos, e colham palhas para si.

8 E lhes imporeis a conta dos tijolos que fizeram hontem, e antehontem: nada diminuireis d'ella: porque elles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus.

9 Aggrave-se o serviço sobre estes homens, para que se occupem n'elle, e não confiem em palavras de mentira.

10 Então sairam os exactores do povo, e seus officiaes, e fallaram ao povo, dizendo: Assim diz Pharaó: Eu não vos darei palha;

11 Ide vós mesmos, e tomae vós palha d'onde a achardes: porque nada se diminuirá de vosso serviço.

12 Então o povo se espalhou por toda a terra do Egypto, a colher rastolho em logar de palha.

13 E os exactores os apertavam, dizendo: Acabae vossa obra, a tarefa de cada dia, como quando havia palha.

14 E foram açoitados os officiaes dos filhos d'Israel, que os exactores de Pharaó tinham posto sobre elles, dizendo estes: Porque não acabastes vossa tarefa, fazendo tijolos como antes, assim tambem hontem e hoje?

15 Pelo que foram-se os officiaes dos filhos d'Israel, e clamaram a Pharaó, dizendo: Porque fazes assim a teus servos?

16 Palha não se dá a teus servos, e nos dizem: Fazei tijolos: e eis que teus servos são açoitados; porém o teu povo tem a culpa.

17 Mas elle disse: Vós sois ociosos: vós sois ociosos: por isso dizeis: Vamos, sacrifiquemos ao Senhor.

18 Ide pois agora, trabalhae: palha porém não se vos dará: comtudo, dareis a conta dos tijolos.

19 Então os officiaes dos filhos d'Israel viram-se em afflicção, porquanto se dizia: Nada diminuireis de vossos tijolos, da tarefa do dia no seu dia.

20 E encontraram a Moysés e a Aarão, que estavam defronte d'elles, quando sairam de Pharaó,

21 E disseram-lhes: O Senhor attente sobre vós, e julgue isso, porquanto fizeste feder o nosso cheiro diante de Pharaó, e diante de seus servos, dando-*lhes a espada nas mãos, para nos matar.

22 Então se tornou Moysés ao Senhor, e disse: Senhor! porque fizeste mal a este povo? porque me enviaste?

23 Porque desde que entrei a Pharaó, para fallar em teu nome, elle maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste o teu povo.

Capítulo 6

1 Então disse o Senhor a Moysés: Agora verás o que hei de fazer a Pharaó: porque por uma mão poderosa os deixará ir, sim, por uma mão poderosa os lançará de sua terra.

2 Fallou mais Deus a Moysés, e disse: Eu sou o Senhor,

3 E eu appareci a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, como Deus o Todo-poderoso: mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido.

4 E tambem estabeleci o meu concerto com elles, para dar-lhes a terra de Canaan, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos.

5 E tambem tenho ouvido o gemido dos filhos d'Israel, aos quaes os egypcios fazem servir, e me lembrei do meu concerto.

6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egypcios, e vos resgatarei com braço estendido e com juizos grandes.

7 E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egypcios;

8 E eu vos levarei á terra, ácerca da qual levantei minha mão, que a daria a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, e vol-a darei por herança, eu o Senhor.

9 D'este modo fallou Moysés aos filhos d'Israel, mas elles não ouviram a Moysés, por causa da ancia do espirito e da dura servidão.

10 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

11 Entra, e falla a Pharaó rei do Egypto, que deixe sair os filhos d'Israel da sua terra.

12 Moysés, porém, fallou perante o Senhor, dizendo: Eis que os filhos d'Israel me não teem ouvido; como pois Pharaó me ouvirá? tambem eu sou incircumciso dos labios.

13 Todavia o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, e deu-lhes mandamento para os filhos de Israel, e para Pharaó rei do Egypto, para que tirassem os filhos de Israel da terra do Egypto.

14 Estas são as cabeças das casas de seus paes: Os filhos de Ruben, o primogenito de Israel: Hanoch e Pallu, Hezron e Carmi; estas são as familias de Ruben.

15 E os filhos de Simeão: Jemuel, e Jamin, e Ohad, e Jachin, e Zohar, e Shaul, filho de uma cananea; estas são as familias de Simeão.

16 E estes são os nomes dos filhos de Levi, segundo as suas gerações: Gerson, e Koath, e Merari: e os annos da vida de Levi foram cento e trinta e sete annos.

17 Os filhos de Gerson: Libni e Simei, segundo as suas familias;

18 E os filhos de Kohath: Amram, e Izhar, e Hebron, e Uzziel: e os annos da vida de Kohath foram cento e trinta e tres annos.

19 E os filhos de Merari: Mahali e Musi: estas são as familias de Levi, segundo as suas gerações.

20 E Amram tomou por mulher a Jochebed, sua tia, e ella pariu-lhe a Aarão e a Moysés: e os annos da vida de Amram foram cento e trinta e sete annos.

21 E os filhos de Izhar: Korah, e Nepheg, e Zichri.

22 E os filhos de Uzziel: Misael, e Elzaphan e Sithri.

23 E Aarão tomou por mulher a Eliseba, filha de Amminadab, irmã de Nahasson; e ella pariu-lhe a Nadab, e Abihu, Eleazar e Ithamar.

24 E os filhos de Korah: Assir, e Elkana, e Abiasaph: estas são as familias dos Korithas.

25 E Eleazar, filho de Aarão, tomou para si por mulher uma das filhas de Putiel, e ella pariu-lhe a Phineas: estas são as cabeças dos paes dos levitas, segundo as suas familias.

26 Estes são Aarão e Moysés, aos quaes o Senhor disse: Tirae os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

27 Estes são os que fallaram a Pharaó, rei do Egypto, para que tirasse do Egypto os filhos de Israel: estes são Moysés e Aarão.

28 E aconteceu que n'aquelle dia, quando o Senhor fallou a Moysés na terra do Egypto,

29 Fallou o Senhor a Moysés, dizendo: Eu sou o Senhor; falla a Pharaó, rei do Egypto, tudo quanto eu te digo a ti.

30 Então disse Moysés perante o Senhor: Eis que eu sou incircumciso dos labios; como pois Pharaó me ouvirá?

Capítulo 7

1 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que te tenho posto por Deus sobre Pharaó, e Aarão, teu irmão, será o teu propheta.

2 Tu fallarás tudo o que eu te mandar: e Aarão teu irmão fallará a Pharaó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra.

3 Eu, porém, endurecerei o coração de Pharaó, e multiplicarei na terra do Egypto os meus signaes e as minhas maravilhas.

4 Pharaó pois não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egypto, e tirarei meus exercitos, meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egypto, com grandes juizos.

5 Então os egypcios saberão que eu sou o Senhor, quando estender a minha mão sobre o Egypto, e tirar os filhos de Israel do meio d'elles.

6 Então fez Moysés e Aarão; como o Senhor lhes ordenara, assim fizeram.

7 E Moysés era da edade de oitenta annos, e Aarão da edade de oitenta e tres annos, quando fallaram a Pharaó.

8 E o Senhor fallou a Moysés e a Aarão, dizendo:

9 Quando Pharaó vos fallar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; dirás a Aarão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Pharaó; e se tornará em serpente.

10 Então Moysés e Aarão entraram a Pharaó, e fizeram assim como o Senhor ordenara: e lançou Aarão a sua vara diante de Pharaó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente.

11 E Pharaó tambem chamou os sabios e encantadores: e os magos do Egypto fizeram tambem o mesmo com os seus encantamentos,

12 Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes: mas a vara de Aarão tragou as varas d'elles.

13 Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito

14 Então disse o Senhor a Moysés: O coração de Pharaó está aggravado: recusa deixar ir o povo.

15 Vae pela manhã a Pharaó: eis que elle sairá ás aguas: põe-te em frente d'elle na praia do rio, e tomarás em tua mão a vara que se tornou em cobra.

16 E lhe dirás: O Senhor, o Deus dos hebreos, me tem enviado a ti, dizendo: Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto; porém eis que até agora não tens ouvido.

17 Assim diz o Senhor: N'isto saberás que eu sou o Senhor: Eis que eu com esta vara, que tenho em minha mão, ferirei as aguas que estão no rio, e tornar-se-hão em sangue.

18 E os peixes, que estão no rio, morrerão, e o rio federá; e os egypcios nausear-se-hão, bebendo a agua do rio

19 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Toma tu a vara, e estende a tua mão sobre as aguas do Egypto, sobre as suas correntes, sobre os seus rios, e sobre os seus tanques, e sobre todo o ajuntamento das suas aguas, para que se tornem em sangue: e haja sangue em toda a terra do Egypto, assim nos vasos de madeira como nos de pedra.

20 E Moysés e Aarão fizeram assim como o Senhor tinha mandado: e levantou a vara, e feriu as aguas que estavam no rio, diante dos olhos de Pharaó, e diante dos olhos de seus servos; e todas as aguas do rio se tornaram em sangue.

21 E os peixes, que estavam no rio, morreram, e o rio fedeu, que os egypcios não podiam beber a agua do rio: e houve sangue por toda a terra do Egypto.

22 Porém os magos do Egypto tambem fizeram o mesmo com os seus encantamentos; de maneira que o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito

23 E virou-se Pharaó, e foi para sua casa: nem ainda n'isto poz seu coração.

24 E todos os egypcios cavaram poços junto ao rio, para beberem agua; porquanto não podiam beber das aguas do rio.

25 Assim se cumpriram sete dias, depois que o Senhor ferira o rio.

Capítulo 8

1 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 E se recusares deixal-o ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos.

3 E o rio creará rãs, que subirão e virão á tua casa, e ao teu dormitorio, e sobre a tua cama, e ás casas dos teus servos, e sobre o teu povo, e aos teus fornos, e ás tuas amassadeiras.

4 E as rãs subirão sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre todos os teus servos.

5 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua mão com tua vara sobre as correntes, e sobre os rios, e sobre os tanques, e faze subir rãs sobre a terra do Egypto.

6 E Aarão estendeu a sua mão sobre as aguas do Egypto, e subiram rãs, e cobriram a terra do Egypto.

7 Então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos: e fizeram subir rãs sobre a terra do Egypto.

8 E Pharaó chamou a Moysés e a Aarão, e disse: Rogae ao Senhor que tire as rãs de mim e do meu povo; depois deixarei ir o povo, para que sacrifiquem ao Senhor.

9 E Moysés disse a Pharaó: Tu tenhas a honra sobre mim: Quando orarei por ti, e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de ti, e das suas casas, que sómente fiquem no rio

10 E elle disse: Ámanhã. E Moysés disse: Seja conforme á tua palavra, para que saibas que ninguem ha como o Senhor nosso Deus.

11 E as rãs apartar-se-hão de ti, e das tuas casas, e dos teus servos, e do teu povo: sómente ficarão no rio

12 Então saiu Moysés e Aarão de Pharaó: e Moysés clamou ao Senhor por causa das rãs que tinha posto sobre Pharaó,

13 E o Senhor fez conforme á palavra de Moysés: e as rãs morreram nas casas, nos pateos, e nos campos,

14 E ajuntaram-as em montões, e a terra fedeu.

15 Vendo pois Pharaó que havia descanço, aggravou o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito

16 Disse mais o Senhor a Moysés: Dize a Aarão: Estende a tua vara, e fere o pó da terra, para que se torne em piolhos por toda a terra do Egypto.

17 E fizeram assim; porque Aarão estendeu a sua mão com a sua vara, e feriu o pó da terra, e havia muitos piolhos nos homens e no gado: todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egypto.

18 E os magos fizeram tambem assim com os seus encantamentos para produzir piolhos, mas não poderam: e havia piolhos nos homens e no gado.

19 Então disseram os magos a Pharaó: Isto é o dedo de Deus. Porém o coração de Pharaó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito.

20 Disse mais o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó; eis que elle sairá ás aguas, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva

21 Porque se não deixares ir o meu povo, eis que enviarei enxames de moscas sobre ti, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, e á tuas casas; e as casas dos egypcios se encherão d'estes enxames, e tambem a terra em que elles estiverem.

22 E n'aquelle dia eu separarei a terra de Goshen, em que meu povo habita, que n'ella não haja enxames de moscas, para que saibas que eu sou o Senhor no meio d'esta terra.

23 E porei separação entre o meu povo e o teu povo: ámanhã será este signal.

24 E o Senhor fez assim; e vieram grandes enxames de moscas á casa de Pharaó, e ás casas dos seus servos, e sobre toda a terra do Egypto: a terra foi corrompida d'estes enxames.

25 Então chamou Pharaó a Moysés e a Aarão, e disse: Ide, e sacrificae ao vosso Deus n'esta terra.

26 E Moysés disse: Não convem que façamos assim, porque sacrificariamos ao Senhor nosso Deus a abominação dos egypcios: eis que se sacrificassemos a abominação dos egypcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam elles?

27 Deixa-nos ir caminho de tres dias ao deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus, como elle nos dirá.

28 Então disse Pharaó: Deixar-vos-hei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor vosso Deus no deserto; sómente que, indo, não vades longe; orae tambem por mim

29 E Moysés disse: Eis que saio de ti, e orarei ao Senhor, que estes enxames de moscas se retirem ámanhã de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: sómente que Pharaó não mais me engane, não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor.

30 Então saiu Moysés de Pharaó, e orou ao Senhor,

31 E fez o Senhor conforme á palavra de Moysés, e os enxames de moscas se retiraram de Pharaó, dos seus servos, e do seu povo: não ficou uma só.

32 Mas aggravou Pharaó ainda esta vez seu coração, e não deixou ir o povo.

Capítulo 9

1 Depois o Senhor disse a Moysés: Entra a Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.

2 Porque se recusares de os deixar ir, e ainda por força os detiveres,

3 Eis que a mão do Senhor será sobre teu gado, que está no campo, sobre os cavallos, sobre os jumentos, sobre os camelos, sobre os bois, e sobre as ovelhas, com pestilencia gravissima.

4 E o Senhor fará separação entre o gado dos israelitas, e o gado dos egypcios, que nada morra de tudo o que fôr dos filhos d'Israel.

5 E o Senhor assignalou certo tempo, dizendo: Amanhã fará o Senhor esta coisa na terra.

6 E o Senhor fez esta coisa no dia seguinte, e todo o gado dos egypcios morreu: porém do gado dos filhos d'Israel não morreu nenhum.

7 E Pharaó enviou a ver, e eis que do gado d'Israel não morrera nenhum: porém o coração de Pharaó se aggravou, e não deixou ir o povo

8 Então disse o Senhor a Moysés e a Aarão: Tomae vossos punhos cheios da cinza do forno, e Moysés a espalhe para o céu diante dos olhos de Pharaó;

9 E tornar-se-ha em pó miudo sobre toda a terra do Egypto, e se tornará em sarna, que arrebente em ulceras nos homens e no gado, por toda a terra do Egypto.

10 E elles tomaram a cinza do forno, e pozeram-se diante de Pharaó, e Moysés a espalhou para o céu: e tornou-se em sarna, que arrebentava em ulceras nos homens e no gado;

11 De maneira que os magos não podiam parar diante de Moysés, por causa da sarna; porque havia sarna em os magos, e em todos os egypcios.

12 Porém o Senhor endureceu o coração de Pharaó, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito a Moysés.

13 Então disse o Senhor a Moysés: Levanta-te pela manhã cedo, e põe-te diante de Pharaó, e dize-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Deixa ir o meu povo, para que me sirva;

14 Porque esta vez enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo, para que saibas que não ha outro como Eu em toda a terra.

15 Porque agora tenho estendido minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com pestilencia, e para que sejas destruido da terra;

16 Mas devéras para isto te levantei, para mostrar minha potencia em ti, e para que o meu nome seja annunciado em toda a terra.

17 Tu ainda te levantas contra o meu povo, para não os deixar ir?

18 Eis que ámanhã por este tempo farei chover saraiva mui grave, qual nunca houve no Egypto, desde o dia em que foi fundado até agora.

19 Agora pois envia, recolhe o teu gado, e tudo o que tens no campo; todo o homem e animal, que fôr achado no campo, e não fôr recolhido á casa, a saraiva cairá sobre elles, e morrerão.

20 Quem dos servos de Pharaó temia a palavra do Senhor, fez fugir os seus servos e o seu gado para as casas;

21 Mas aquelle que não tinha applicado a palavra do Senhor ao seu coração, deixou os seus servos e o seu gado no campo.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e haverá saraiva em toda a terra do Egypto, sobre os homens e sobre o gado, e sobre toda a herva do campo na terra de Egypto.

23 E Moysés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor deu trovões e saraiva, e fogo corria pela terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egypto.

24 E havia saraiva, e fogo misturado entre a saraiva, mui grave, qual nunca houve em toda a terra do Egypto, desde que veiu a ser uma nação.

25 E a saraiva feriu, em toda a terra do Egypto, tudo quanto havia no campo, desde os homens até aos animaes: tambem a saraiva feriu toda a herva do campo, e quebrou todas as arvores do campo.

26 Sómente na terra de Goshen, onde estavam, os filhos de Israel, não havia saraiva.

27 Então Pharaó enviou para chamar a Moysés e a Aarão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo impios.

28 Orae ao Senhor (pois que basta) para que não haja mais trovões de Deus nem saraiva; e eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui.

29 Então lhe disse Moysés: Em saindo da cidade estenderei minhas mãos ao Senhor: os trovões cessarão, e não haverá mais saraiva; para que saibas que a terra é do Senhor.

30 Todavia, quanto a ti e aos teus servos, eu sei que ainda não temereis diante do Senhor Deus.

31 E o linho e a cevada foram feridos, porque a cevada já estava na espiga, e o linho na cana,

32 Mas o trigo e o centeio não foram feridos, porque estavam cobertos.

33 Saiu pois Moysés de Pharaó, da cidade, e estendeu as suas mãos ao Senhor: e cessaram os trovões e a saraiva, e a chuva não caiu mais sobre a terra.

34 Vendo Pharaó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, continuou em peccar: e aggravou o seu coração, elle e os seus servos.

35 Assim o coração de Pharaó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o Senhor tinha dito por Moysés.

Capítulo 10

1 Depois disse o Senhor a Moysés: Entra a Pharaó, porque tenho aggravado o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes meus signaes no meio d'elle,

2 E para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que obrei no Egypto, e os meus signaes, que tenho feito entre elles: para que saibaes que eu sou o Senhor.

3 Assim foram Moysés e Aarão a Pharaó, e disseram-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreos: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? deixa ir o meu povo, para que me sirva;

4 Porque se ainda recusares deixar ir o meu povo, eis que trarei ámanhã gafanhotos aos teus termos,

5 E cobrirão a face da terra, que a terra não se poderá ver; e elles comerão o resto do que escapou, o que vos ficou da saraiva: tambem comerão toda a arvore que vos cresce no campo;

6 E encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos, e as casas de todos os egypcios, quaes nunca viram teus paes, nem os paes de teus paes, desde o dia, era que elles foram sobre a terra até ao dia de hoje. E virou-se, e saiu da presença de Pharaó.

7 E os servos de Pharaó disseram-lhe: Até quando este nos ha de ser por laço? deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus: ainda não sabes que o Egypto está destruido?

8 Então Moysés e Aarão foram levados outra vez a Pharaó, e elle disse-lhes: Ide, servi ao Senhor vosso Deus. Quaes são os que hão de ir

9 E Moysés disse: Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos.

10 Então elle lhes disse: Seja o Senhor assim comvosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos: olhae que ha mal diante da vossa face.

11 Não será assim: andae agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os empuxaram da face de Pharaó.

12 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre a terra do Egypto pelos gafanhotos, para que venham sobre a terra do Egypto, e comam toda a herva da terra, tudo o que deixou a saraiva.

13 Então estendeu Moysés sua vara sobre a terra do Egypto, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquelle dia e toda aquella noite: e aconteceu que pela manhã o vento oriental trouxe os gafanhotos.

14 E vieram os gafanhotos sobre toda a terra do Egypto, e assentaram-se sobre todos os termos do Egypto; mui graves foram; antes d'estes nunca houve taes gafanhotos, nem depois d'elles virão outros taes.

15 Porque cobriram a face de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; e comeram toda a herva da terra, e todo o fructo das arvores, que deixara a saraiva; e não ficou alguma verdura nas arvores, nem na herva do campo, em toda a terra do Egypto.

16 Então Pharaó se apressou a chamar a Moysés e a Aarão, e disse: Pequei contra o Senhor vosso Deus, e contra vós

17 Agora, pois, peço-vos que perdoeis o meu peccado sómente d'esta vez, e que oreis ao Senhor vosso Deus que tire de mim sómente esta morte.

18 E saiu da presença de Pharaó, e orou ao Senhor.

19 Então o Senhor trouxe um vento occidental fortissimo, o qual levantou os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho; nem ainda um gafanhoto ficou em todos os termos do Egypto.

20 O Senhor, porém, endureceu o coração de Pharaó, e não deixou ir os filhos de Israel.

21 Então disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egypto, trevas que se apalpem.

22 E Moysés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egypto por tres dias.

23 Não viu um ao outro, e ninguem se levantou do seu logar por tres dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações.

24 Então Pharaó chamou a Moysés, e disse: Ide, servi ao Senhor: sómente fiquem vossas ovelhas e vossas vaccas: vão tambem comvosco as vossas creanças.

25 Moysés, porém, disse: Tu tambem darás em nossas mãos sacrificios e holocaustos, que offereçamos ao Senhor nosso Deus

26 E tambem o nosso gado ha de ir comnosco, nem uma unha ficará; porque d'aquelle havemos de tomar, para servir ao Senhor nosso Deus: porque não sabemos com que havemos de servir ao Senhor, até que cheguemos lá

27 O Senhor, porém, endureceu o coração de Pharaó, e não os quiz deixar ir.

28 E disse-lhe Pharaó: Vae-te de mim, guarda-te que não mais vejas o meu rosto: porque no dia em que vires o meu rosto, morrerás.

29 E disse Moysés: Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto.

Capítulo 11

1 E o senhor dissera a Moysés: Ainda uma praga trarei sobre Pharaó e sobre o Egypto: depois vos deixarei ir d'aqui: e, quando vos deixar ir totalmente, a toda a pressa vos lançará d'aqui.

2 Falla agora aos ouvidos do povo, que cada varão peça ao seu visinho, e cada mulher á sua visinha, vasos de prata e vasos de oiro.

3 E o Senhor deu graça ao povo aos olhos dos egypcios; tambem o varão Moysés era mui grande na terra do Egypto, aos olhos dos servos de Pharaó, e aos olhos do povo.

4 Disse mais Moysés: Assim o Senhor tem dito: Á meia noite eu sairei pelo meio do Egypto;

5 E todo o primogenito na terra do Egypto morrerá, desde o primogenito de Pharaó, que houvera de assentar-se sobre o seu throno, até ao primogenito da serva que está detraz da mó, e todo o primogenito dos animaes.

6 E haverá grande clamor em toda a terra do Egypto, qual nunca houve similhante e nunca haverá;

7 Mas entre todos os filhos de Israel nem ainda um cão moverá a sua lingua, desde os homens até aos animaes, para que saibaes que o Senhor fez differença entre os egypcios e os israelitas.

8 Então todos estes teus servos descerão a mim, e se inclinarão diante de mim, dizendo: Sae tu, e todo o povo que te segue as pisadas; e depois eu sairei. E saiu de Pharaó em ardor de ira

9 O Senhor dissera a Moysés: Pharaó vos não ouvirá, para que as minhas maravilhas se multipliquem na terra do Egypto.

10 E Moysés e Aarão fizeram todas estas maravilhas diante de Pharaó; mas o Senhor endureceu o coração de Pharaó, que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra.

Capítulo 12

1 E fallou o Senhor a Moysés e a Aarão na terra do Egypto, dizendo:

2 Este mesmo mez vos será o principio dos mezes: este vos será o primeiro dos mezes do anno.

3 Fallae a toda a congregação d'Israel, dizendo: Aos dez d'este mez tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos paes, um cordeiro para cada casa.

4 Mas se a casa fôr pequena para um cordeiro, então elle tome a seu visinho perto de sua casa, conforme ao numero das almas: cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.

5 O cordeiro, ou cabrito, será sem macula, um macho de um anno, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras,

6 E o guardareis até ao decimo quarto dia d'este mez, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará á tarde.

7 E tomarão do sangue, e pol-o-hão em ambas as umbreiras, e na lumieira da porta, nas casas em que o comerão.

8 E n'aquella noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com hervas amargosas a comerão.

9 Não comereis d'elle crú, nem cozido em agua, senão assado ao fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.

10 E nada d'elle deixareis até ámanhã: mas o que d'elle ficar até ámanhã, queimareis no fogo.

11 Assim pois o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão: e o comereis apressadamente: esta é a paschoa do Senhor.

12 E eu passarei pela terra do Egypto esta noite, e ferirei todo o primogenito na terra do Egypto, desde os homens até aos animaes; e em todos os deuses do Egypto farei juizos, Eu sou o Senhor.

13 E aquelle sangue vos será por signal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egypto.

14 E este dia vos será por memoria, e celebral-o-heis por festa ao Senhor: nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpetuo.

15 Sete dias comereis pães asmos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao setimo dia, aquella alma será cortada d'Israel.

16 E ao primeiro dia haverá sancta convocação; tambem ao setimo dia tereis sancta convocação: nenhuma obra se fará n'elles, senão o que cada alma houver de comer; isso sómente apromptareis para vós.

17 Guardae pois a festa dos pães asmos, porque n'aquelle mesmo dia tirei vossos exercitos da terra do Egypto: pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpetuo.

18 No primeiro mez, aos quatorze dias do mez, á tarde, comereis pães asmos até vinte e um do mez á tarde.

19 Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas: porque qualquer que comer pão levedado, aquella alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra.

20 Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães asmos.

21 Chamou pois Moysés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomae vós cordeiros para vossas familias, e sacrificae a paschoa.

22 Então tomae um mólho de hyssopo, e molhae-o no sangue que estiver na bacia, e mettei na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, do sangue que estiver na bacia, porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até á manhã

23 Porque o Senhor passará para ferir aos egypcios, porém quando vir o sangue na lumieira da porta, e em ambas as umbreiras, o Senhor passará aquella porta, e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.

24 Portanto guardae isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.

25 E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto.

26 E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este vosso?

27 Então direis: Este é o sacrificio da paschoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos d'Israel no Egypto, quando feriu aos egypcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.

28 E foram os filhos d'Israel, e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

29 E aconteceu, á meia noite, que o Senhor feriu a todos os primogenitos na terra do Egypto, desde o primogenito de Pharaó, que se sentava em seu throno, até ao primogenito do captivo que estava no carcere, e todos os primogenitos dos animaes.

30 E Pharaó levantou-se de noite, elle e todos os seus servos, e todos os egypcios; e havia grande clamor no Egypto, porque não havia casa em que não houvesse um morto.

31 Então chamou a Moysés e a Aarão de noite, e disse: Levantae-vos, sahi do meio do meu povo, tanto vós como os filhos d'Israel: e ide, servi ao Senhor, como tendes dito.

32 Levae tambem comvosco vossas ovelhas e vossas vaccas, como tendes dito; e ide, e abençoae-me tambem a mim.

33 E os egypcios apertavam ao povo, apressando-se para lançal-os da terra; porque diziam: Todos somos mortos.

34 E o povo tomou a sua massa, antes que levedasse, as suas amassadeiras atadas em seus vestidos, sobre seus hombros.

35 Fizeram pois os filhos de Israel conforme á palavra de Moysés, e pediram aos egypcios vasos de prata, e vasos de oiro, e vestidos.

36 E o Senhor deu graça ao povo em os olhos dos egypcios, e emprestavam-*lhes: e elles despojavam aos egypcios.

37 Assim partiram os filhos de Israel de Rameses para Succoth, coisa de seiscentos mil de pé, sómente de varões, sem contar os meninos.

38 E subiu tambem com elles muita mistura de gente, e ovelhas, e vaccas, uma grande multidão de gado.

39 E cozeram bolos asmos da massa que levaram do Egypto, porque não se tinha levedado, porquanto foram lançados do Egypto; e não se poderam deter, nem ainda se prepararam comida.

40 O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egypto foi de quatrocentos e trinta annos.

41 E aconteceu, passados os quatrocentos e trinta annos, n'aquelle mesmo dia succedeu que todos os exercitos do Senhor sairam da terra do Egypto.

42 Esta noite se guardará ao Senhor, porque n'ella os tirou da terra do Egypto: esta é a noite do Senhor, que devem guardar todos os filhos de Israel nas suas gerações.

43 Disse mais o Senhor a Moysés e a Aarão: Esta é a ordenança da paschoa; nenhum filho do estrangeiro comerá d'ella.

44 Porém todo o servo de qualquer, comprado por dinheiro, depois que o houveres circumcidado, então comerá d'ella.

45 O estrangeiro e o assalariado não comerão d'ella.

46 N'uma casa se comerá; não levarás d'aquella carne fóra da casa, nem d'ella quebrareis osso.

47 Toda a congregação de Israel o fará.

48 Porém se algum estrangeiro se hospedar comtigo, e quizer celebrar a paschoa ao Senhor, seja-lhe circumcidado todo o macho, e então chegará a celebral-a, e será como o natural da terra; mas nenhum incircumciso comerá d'ella.

49 Uma mesma lei haja para o natural, e para o estrangeiro que peregrinar entre vós.

50 E todos os filhos de Israel o fizeram: como o Senhor ordenara a Moysés e a Aarão, assim fizeram.

51 E aconteceu n'aquelle mesmo dia que o Senhor tirou os filhos de Israel da terra do Egypto, segundo os seus exercitos.

Capítulo 13

1 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Sanctifica-me todo o primogenito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animaes: porque meu é.

3 E Moysés disse ao povo: Lembrae-*vos d'este mesmo dia, em que saistes do Egypto, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou d'aqui: portanto não comereis pão levedado.

4 Hoje, no mez de Abib, vós sahis.

5 E acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, e dos hetheos, e dos amorrheos, e dos heveos, e dos jebuzeos, a qual jurou a teus paes que t'a daria, terra que mana leite e mel, guardarás este culto n'este mez.

6 Sete dias comerãs pães asmos; e ao setimo dia haverá festa ao Senhor.

7 Sete dias se comerão pães asmos, e o levedado não se verá comtigo, nem ainda fermento será visto em todos os teus termos.

8 E n'aquelle mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: Isto é pelo que o Senhor me tem feito, quando eu sahi do Egypto.

9 E te será por signal sobre tua mão, e por lembrança entre teus olhos; para que a lei do Senhor esteja em tua bocca: porquanto com mão forte o Senhor te tirou do Egypto.

10 Portanto tu guardarás este estatuto a seu tempo, de anno em anno.

11 Tambem acontecerá que, quando o Senhor te houver mettido na terra dos cananeos, como jurou a ti e a teus paes, quando t'a houver dado,

12 Farás passar ao Senhor tudo o que abrir a madre, e tudo o que abrir a madre do fructo dos animaes que terás: os machos serão do Senhor.

13 Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro; e se o não resgatares cortar-lhe-has a cabeça: mas todo o primogenito do homem entre teus filhos resgatarás.

14 Se acontecer que teu filho no tempo futuro te pergunte, dizendo: Que é isto? dir-lhe-has: O Senhor nos tirou com mão forte do Egypto, da casa da servidão.

15 Porque succedeu que, endurecendo-se Pharaó, para não nos deixar ir, o Senhor matou todos os primogenitos na terra do Egypto, do primogenito do homem até ao primogenito dos animaes: por isso eu sacrifico ao Senhor os machos de tudo que abre a madre; porém a todo o primogenito de meus filhos eu resgato.

16 E será por signal sobre tua mão, e por frontaes entre os teus olhos; porque o Senhor nos tirou do Egypto com mão forte.

17 E aconteceu, que quando Pharaó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos philisteos, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e se tornem ao Egypto.

18 Mas Deus fez rodear o povo pelo caminho no deserto do Mar Vermelho: e subiram os filhos de Israel da terra do Egypto armados.

19 E tomou Moysés os ossos de José comsigo, porquanto havia este estreitamente ajuramentado aos filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei pois subir d'aqui os meus ossos comvosco.

20 Assim se partiram de Succoth, e acamparam-se em Etham, á entrada do deserto.

21 E o Senhor ia adiante d'elles, de dia n'uma columna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite n'uma columna de fogo, para os allumiar, para que caminhassem de dia e de noite.

22 Nunca tirou de diante da face do povo a columna de nuvem, de dia, nem a columna de fogo, de noite.

Capítulo 14

1 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos de Israel que tornem, e que se acampem diante de Pi-hahiroth, entre Migdol e o mar, diante de Baal-zephon: em frente d'elle assentareis o campo junto ao mar.

3 Então Pharaó dirá dos filhos de Israel: Estão embaraçados na terra, o deserto os encerrou.

4 E eu endurecerei o coração de Pharaó, para que os persiga, e serei glorificado em Pharaó em todo o seu exercito, e saberão os egypcios que eu sou o Senhor. E elles fizeram assim.

5 Sendo pois annunciado ao rei do Egypto que o povo fugia, mudou-se o coração de Pharaó e dos seus servos contra o povo, e disseram: Porque fizemos isso, havendo deixado ir a Israel, que nos não sirva?

6 E apromptou o seu carro, e tomou comsigo o seu povo;

7 E tomou seiscentos carros escolhidos, e todos os carros do Egypto, e os capitães sobre elles todos.

8 Porque o Senhor endureceu o coração de Pharaó, rei do Egypto, que perseguisse aos filhos de Israel: porém os filhos de Israel sairam com alta mão

9 E os egypcios perseguiram-n'os, todos os cavallos e carros de Pharaó, e os seus cavalleiros, e o seu exercito, e alcançaram-n'os acampados junto ao mar, perto de Pi-hahiroth, diante de Baal-zephon.

10 E, chegando Pharaó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egypcios vinham atraz d'elles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor.

11 E disseram a Moysés: Não havia sepulchros no Egypto, que nos tiraste de lá, para que morramos n'este deserto? porque nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egypto?

12 Não é esta a palavra que te temos fallado no Egypto, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egypcios? pois que melhor nos fôra servir aos egypcios, do que morrermos no deserto.

13 Moysés, porém, disse ao povo: Não temaes; estae quietos, e vêde o livramento do Senhor, que hoje vos fará: porque aos egypcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre:

14 O Senhor pelejará por vós, e vos calareis.

15 Então disse o Senhor a Moysés: Porque clamas a mim? dize aos filhos de Israel que marchem.

16 E tu, levanta a tua vara, e estende a tua mão sobre o mar, e fende-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em secco.

17 E eu, eis que endurecerei o coração dos egypcios, para que entrem n'elle atraz d'elles; e eu serei glorificado em Pharaó, e em todo o seu exercito, nos seus carros e nos seus cavalleiros,

18 E os egypcios saberão que eu sou o Senhor, quando fôr glorificado em Pharaó, nos seus carros e nos seus cavalleiros.

19 E o anjo de Deus, que ia diante do exercito d'Israel, se retirou, e ia detraz d'elles: tambem a columna de nuvem se retirou de diante d'elles, e se poz atraz d'elles,

20 E ia entre o campo dos egypcios e o campo d'Israel: e a nuvem era escuridade para aquelles, e para estes esclarecia a noite: de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro.

21 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquella noite; e o mar tornou-se em secco, e as aguas foram partidas.

22 E os filhos d'Israel entraram pelo meio do mar em secco: e as aguas foram-lhes como muro á sua direita e á sua esquerda.

23 E os egypcios seguiram-n'os, e entraram atraz d'elles todos os cavallos de Pharaó, os seus carros e os seus cavalleiros, até ao meio do mar.

24 E aconteceu que, na vigilia d'aquella manhã, o Senhor, na columna do fogo e da nuvem, viu o campo dos egypcios: e alvorotou o campo dos egypcios,

25 E tirou-lhes as rodas dos seus carros, e fel-os andar difficultosamente. Então disseram os egypcios: Fujamos da face d'Israel, porque o Senhor por elles peleja contra os egypcios.

26 E disse o Senhor a Moysés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as aguas tornem sobre os egypcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalleiros.

27 Então Moysés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar tornou-se em sua força ao amanhecer, e os egypcios fugiram ao seu encontro: e o Senhor derribou os egypcios no meio do mar

28 Porque as aguas, tornando, cobriram os carros e os cavalleiros de todo o exercito de Pharaó, que os haviam seguido no mar: nem ainda um d'elles ficou.

29 Mas os filhos d'Israel foram pelo meio do mar secco: e as aguas foram-lhes como muro á sua mão direita e á sua esquerda.

30 Assim o Senhor salvou Israel n'aquelle dia da mão dos egypcios: e Israel viu os egypcios mortos na praia do mar.

31 E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egypcios; e temeu o povo ao Senhor, e creram no Senhor e em Moysés, seu servo.

Capítulo 15

1 Então cantou Moysés e os filhos d'Israel este cantico ao Senhor, e fallaram, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque summamente se exaltou: lançou no mar o cavallo e o seu cavalleiro.

2 O Senhor é a minha força, e o meu cantico; elle me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; elle é o Deus de meu pae, por isso o exaltarei.

3 O Senhor é varão de guerra: o Senhor é o seu nome.

4 Lançou no mar os carros de Pharaó e o seu exercito; e os seus escolhidos principes afogaram-se no Mar Vermelho.

5 Os abysmos os cobriram: desceram ás profundezas como pedra.

6 A tua dextra, ó Senhor, se tem glorificado em potencia: a tua dextra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo;

7 E com a grandeza da tua excellencia derribaste aos que se levantaram contra ti: enviaste o teu furor, que os consumiu como o rastolho.

8 E com o sopro dos teus narizes amontoaram-se as aguas, as correntes pararam-se como montão: os abysmos coalharam-se no coração do mar.

9 O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos: fartar-se-*ha a minha alma d'elles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá,

10 Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu: afundaram-se como chumbo em vehementes aguas.

11 Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? quem é como tu glorificado em sanctidade, terrivel em louvores, obrando maravilhas?

12 Estendeste a tua mão direita: a terra os tragou.

13 Tu, com a tua beneficencia, guiaste a este povo, que salvaste: com a tua força o levaste á habitação da tua sanctidade.

14 Os povos o ouvirão, elles estremecerão: apoderar-se-ha uma dôr dos habitantes da Palestina.

15 Então os principes de Edom se pasmarão, dos poderosos dos moabitas apoderar-se-ha um tremor, derreter-se-hão todos os habitantes de Canaan.

16 Espanto e pavor cairá sobre elles: pela grandeza do teu braço emmudecerão como pedra; até que o teu povo haja passado, ó Senhor, até que passe este povo que adquiriste.

17 Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no logar que tu, ó Senhor, apparelhaste para a tua habitação, o sanctuario, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.

18 O Senhor reinará eterna e perpetuamente;

19 Porque os cavallos de Pharaó, com os seus carros e com os seus cavalleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as aguas do mar sobre elles; mas os filhos d'Israel passaram em secco pelo meio do mar.

20 Então Miriam, a prophetiza, a irmã d'Aarão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres sairam atraz d'ella com tamboris e com danças.

21 E Miriam lhes respondia: Cantae ao Senhor, porque summamente se exaltou, e lançou no mar o cavallo com o seu cavalleiro.

22 Depois fez Moysés partir os israelitas do Mar Vermelho, e sairam ao deserto de Sur: e andaram tres dias no deserto, e não acharam aguas.

23 Então chegaram a Marah; mas não poderam beber as aguas de Marah, porque eram amargas: por isso chamou-*se o seu nome Marah.

24 E o povo murmurou contra Moysés, dizendo: Que havemos de beber?

25 E elle clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas aguas, e as aguas se tornaram doces: ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou.

26 E disse: Se ouvires attento a voz do Senhor teu Deus, e obrares o que é recto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que puz sobre o Egypto; porque eu sou o Senhor que te sara.

27 Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes d'agua e setenta palmeiras: e ali se acamparam junto das aguas.

Capítulo 16

1 E partidos de Elim, toda a congregação dos filhos d'Israel veiu ao deserto de Sin, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mez segundo, depois que sairam da terra do Egypto.

2 E toda a congregação dos filhos d'Israel murmurou contra Moysés e contra Aarão no deserto.

3 E os filhos d'Israel disseram-lhes: Quem déra que nós morressemos por mão do Senhor na terra do Egypto, quando estavamos sentados ás panellas da carne, quando comiamos pão até fartar! porque nos tendes tirado a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

4 Então disse o Senhor a Moysés: Eis que vos choverei pão dos céus, e o povo sairá, e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.

5 E acontecerá, ao sexto dia, que apparelhem o que colheram: e será dobrado do que colhem cada dia.

6 Então disse Moysés, e Aarão a todos os filhos d'Israel: A tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egypto,

7 E ámandã vereis a gloria do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor: porque quem somos nós, que murmureis contra nós?

8 Disse mais Moysés: Isso será quando o Senhor á tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar, porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que murmuraes contra elle: porque, quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, mas sim contra o Senhor.

9 Depois disse Moysés a Aarão: Dize a toda a congregação dos filhos d'Israel: Chegae-vos para diante do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações.

10 E aconteceu que, quando fallou Aarão a toda a congregação dos filhos d'Israel, e elles se viraram para o deserto, eis que a gloria do Senhor appareceu na nuvem.

11 E o Senhor fallou a Moysés, dizendo:

12 Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel; falla-lhes, dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão: e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus.

13 E aconteceu que á tarde subiram codornizes, e cobriram o arraial: e pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial,

14 E, alçando-se o orvalho caido, eis que sobre a face do deserto estava uma coisa miuda, redonda, miuda como a geada sobre a terra.

15 E, vendo-a os filhos d'Israel, disseram uns aos outros: Que é isto; porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moysés: Este é o pão que o Senhor vos deu para comer.

16 Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Colhei d'elle cada um conforme ao que pode comer, um gomer por cada cabeça, segundo o numero das vossas almas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda.

17 E os filhos d'Israel fizeram assim; e colheram, uns mais e outros menos.

18 Porém, medindo-o com o gomer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco: cada um colheu tanto quanto podia comer.

19 E disse-lhes Moysés: Ninguem d'elle deixe para ámanhã.

20 Elles, porém, não deram ouvidos a Moysés, antes alguns d'elles deixaram d'elle para a amanhã; e aquelle criou bichos, e fedeu; por isso indignou-se Moysés contra elles.

21 Elles pois o colhiam cada manhã, cada um conforme ao que podia comer; porque, aquentando o sol, derretia-se.

22 E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois gomeres para cada um: e todos os principes da congregação vieram, e contaram-n'o a Moysés.

23 E elle disse-lhes: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, do sancto sabbado do Senhor: o que quizerdes cozer no forno, cozei-o, e o que quizerdes cozer em agua, cozei-o em agua; e tudo o que sobejar, para vós ponde em guarda até ámanhã.

24 E guardaram-n'o até ámanhã, como Moysés tinha ordenado: e não fedeu, nem n'elle houve algum bicho.

25 Então disse Moysés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sabbado do Senhor: hoje não o achareis no campo.

26 Seis dias o colhereis, mas o setimo dia é o sabbado; n'aquelle não haverá.

27 E aconteceu ao setimo dia, que alguns do povo sairam para colher, mas não o acharam.

28 Então disse o Senhor a Moysés: Até quando recusareis de guardar os meus mandamentos e as minhas leis?

29 Vêde, porquanto o Senhor vos deu o sabbado, portanto elle no sexto dia vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu logar, que ninguem saia do seu logar no setimo dia.

30 Assim repousou o povo no setimo dia.

31 E chamou a casa de Israel o seu nome manná; e era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel.

32 E disse Moysés: Esta é a palavra que o Senhor tem mandado: Encherás um gomer d'elle em guarda para as vossas gerações, para que vejam o pão que vos tenho dado a comer n'este deserto, quando eu vos tirei da terra do Egypto.

33 Disse tambem Moysés a Aarão: Toma um vaso, e mette n'elle um gomer cheio de manná, e pôe-o diante do Senhor, em guarda para as vossas gerações.

34 Como o Senhor tinha ordenado a Moysés, assim Aarão o poz diante do testemunho em guarda.

35 E comeram os filhos d'Israel manná quarenta annos, até que entraram em terra habitada: comeram manná até que chegaram aos termos da terra de Canaan.

36 E um gomer é a decima parte do epha.

Capítulo 17

1 Depois toda a congregação dos filhos d'Israel partiu do deserto de Sin pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acamparam em Rephidim; e não havia ali agua para o povo beber.

2 Então contendeu o povo com Moysés, e disseram: Dae-nos agua para beber. E Moysés lhes disse: Porque contendeis commigo? porque tentaes ao Senhor?

3 Tendo pois ali o povo sêde d'agua, o povo murmurou contra Moysés, e disse: Porque nos fizeste subir do Egypto, para nos matares de sêde, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?

4 E clamou Moysés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? d'aqui a pouco me apedrejarão.

5 Então disse o Senhor a Moysés: Passa diante do povo, e toma comtigo alguns dos anciãos de Israel: e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio: vae

6 Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horeb, e tu ferirás a rocha, e d'ella sairão aguas e o povo beberá. E Moysés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.

7 E chamou o nome d'aquelle logar Massah e Meribah, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porquanto tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?

8 Então veiu Amalek, e pelejou contra Israel em Rephidim.

9 Pelo que disse Moysés a Josué: Escolhe-nos homens, e sae, peleja contra Amalek: ámanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.

10 E fez Josué como Moysés lhe dissera, pelejando contra Amalek: mas Moysés, Aarão, e Hur subiram ao cume do outeiro.

11 E acontecia que, quando Moysés levantava a sua mão, Israel prevalecia: mas quando elle abaixava a sua mão, Amalek prevalecia.

12 Porém as mãos de Moysés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a pozeram debaixo d'elle, para assentar-se sobre ella: e Aarão e Hur sustentaram as suas mãos, um d'uma banda, e o outra da outra: assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se poz

13 E assim Josué desfez a Amalek, e a seu povo, ao fio da espada.

14 Então disse o Senhor a Moysés; Escreve isto para memoria n'um livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memoria d'Amalek de debaixo dos céus.

15 E Moysés edificou um altar, e chamou o seu nome, o Senhor é minha bandeira.

16 E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amalek de geração em geração.

Capítulo 18

1 Ora Jethro, sacerdote de Midian, sogro de Moysés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moysés e a Israel seu povo: como o Senhor tinha tirado a Israel do Egypto.

2 E Jethro, sogro de Moysés, tomou a Zippora, a mulher de Moysés, depois que elle lh'a enviara,

3 Com seus dois filhos, dos quaes um se chamava Gerson; porque disse: Eu fui peregrino em terra estranha;

4 E o outro se chamava Eliezer; porque disse: O Deus de meu pae foi por minha ajuda, e me livrou da espada de Pharaó.

5 Vindo pois Jethro, o sogro de Moysés, com seus filhos e com sua mulher, a Moysés no deserto, ao monte de Deus, onde se tinha acampado,

6 Disse a Moysés: Eu, teu sogro Jethro, venho a ti, com tua mulher, e seus dois filhos com ella.

7 Então saiu Moysés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda.

8 E Moysés contou a seu sogro todas as coisas que o Senhor tinha feito a Pharaó e aos egypcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram no caminho, e como o Senhor os livrara.

9 E alegrou-se Jethro de todo o bem que o Senhor tinha feito a Israel, livrando-o da mão dos egypcios.

10 E Jethro disse: Bemdito seja o Senhor, que vos livrou das mãos dos egypcios e da mão de Pharaó; que livrou a este povo de debaixo da mão dos egypcios.

11 Agora sei que o Senhor é maior que todos os deuses: porque na coisa, em que se ensoberbeceram, os sobrepujou.

12 Então tomou Jethro, o sogro de Moysés, holocausto e sacrificios para Deus: e veiu Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moysés diante de Deus.

13 E aconteceu que, ao outro dia, Moysés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moysés desde a manhã até á tarde

14 Vendo pois o sogro de Moysés tudo o que elle fazia ao povo, disse: Que é isto, que tu fazes as povo? porque te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até á tarde?

15 Então disse Moysés a seu sogro: É porque este povo vem a mim, para consultar a Deus:

16 Quando tem algum negocio vem a mim, para que eu julgue entre um e outro, e lhes declare os estatutos de Deus, e as suas leis.

17 O sogro de Moysés porém lhe disse: Não é bom o que fazes.

18 Totalmente desfallecerás, assim tu, como este povo que está comtigo: porque este negocio é mui difficil para ti; tu só não o podes fazer.

19 Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, e Deus será comtigo: Sê tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as coisas a Deus;

20 E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que devem fazer.

21 E tu d'entre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborrecem a avareza; e põe-n'os sobre elles por maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez;

22 Para que julguem este povo em tempo; e seja que todo o negocio pequeno elles o julguem: assim a ti mesmo te alliviarás da carga, e elles a levarão comtigo.

23 Se isto fizeres, e Deus t'o mandar, poderás então subsistir: assim tambem todo este povo em paz virá ao seu logar.

24 E Moysés deu ouvidos á voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito;

25 E escolheu Moysés homens capazes, de todo o Israel, e os poz por cabeças sobre o povo: maioraes de mil, maioraes de cento, maioraes de cincoenta, e maioraes de dez.

26 E elles julgaram o povo em todo o tempo; o negocio arduo trouxeram a Moysés, e todo o negocio pequeno julgaram elles.

27 Então despediu Moysés o seu sogro, o qual se foi á sua terra.

Capítulo 19

1 Ao terceiro mez da saida dos filhos de Israel da terra do Egypto, no mesmo dia vieram ao deserto de Sinai,

2 Porque partiram de Rephidim e vieram ao deserto de Sinai, e acamparam-se no deserto: Israel pois ali acampou-se defronte do monte.

3 E subiu Moysés a Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim fallarás á casa de Jacob, e annunciarás aos filhos de Israel:

4 Vós tendes visto o que fiz aos egypcios, como vos levei sobre azas d'aguias, e vos trouxe a mim;

5 Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar d'entre todos os povos: porque toda a terra é minha.

6 E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo sancto. Estas são as palavras que fallarás aos filhos de Israel.

7 E veiu Moysés, e chamou os anciãos do povo, e expoz diante d'elles todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado.

8 Então todo o povo respondeu a uma voz, e disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado, faremos. E relatou Moysés ao Senhor as palavras do povo.

9 E disse o Senhor a Moysés; Eis que eu virei a ti n'uma nuvem espessa, para que o povo ouça, fallando eu comtigo, e para que tambem te creiam eternamente. Porque Moysés tinha annunciado as palavras do seu povo ao Senhor.

10 Disse tambem o Senhor a Moysés: Vae ao povo, e sanctifica-os hoje e ámanhã, e lavem elles os seus vestidos,

11 E estejam promptos para o terceiro dia: porquanto no terceiro dia o Senhor descerá ante dos olhos de todo o povo sobre o monte de Sinai.

12 E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardae-vos que não subaes ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquelle, que tocar o monte, certamente morrerá.

13 Nenhuma mão tocará n'elle: porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte.

14 Então Moysés desceu do monte ao povo, e sanctificou o povo; e lavaram os seus vestidos.

15 E disse ao povo: Estae promptos ao terceiro dia; e não chegueis a mulher.

16 E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões e relampagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial.

17 E Moysés levou o povo fóra do arraial ao encontro de Deus; e puzeram-*se ao pé do monte.

18 E todo o monte de Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre elle em fogo: e o seu fumo subiu como fumo d'um forno, e todo o monte tremia grandemente.

19 E o sonido da buzina ia esforçando-*se em grande maneira: Moysés fallava, e Deus lhe respondia em voz alta.

20 E, descendo o Senhor sobre o monte de Sinai, sobre o cume do monte, chamou o Senhor a Moysés ao cume do monte; e Moysés subiu.

21 E disse o Senhor a Moysés: Desce, protesta ao povo que não trespassem o termo, para ver o Senhor, e muitos d'elles perecerem.

22 E tambem os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de sanctificar, para que o Senhor não se lance sobre elles.

23 Então disse Moysés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte de Sinai, porque tu nos tens protestado, dizendo: Marca termos ao monte, e sanctifica-o.

24 E disse-lhe o Senhor: Vae, desce: depois subirás tu, e Aarão comtigo: os sacerdotes, porém, e o povo não trespassem o termo para subir ao Senhor, para que não se lance sobre elles.

25 Então Moysés desceu ao povo, e disse-lhes isto.

Capítulo 20

1 Então fallou Deus todas estas palavras, dizendo:

2 Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egypto, da casa da servidão.

3 Não terás outros deuses diante de mim.

4 Não farás para ti imagem d'esculptura, nem alguma similhança do que ha em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas aguas debaixo da terra.

5 Não te encurvarás a ellas nem as servirás: porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos paes nos filhos, até á terceira e quarta geração d'aquelles que me aborrecem,

6 E faço misericordia em milhares, aos que me amam, e aos que guardam os meus mandamentos.

7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por innocente o que tomar o seu nome em vão.

8 Lembra-te do dia do sabbado, para o sanctificar.

9 Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra,

10 Mas o setimo dia é o sabbado do Senhor teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem a tua besta, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.

11 Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que n'elles ha, e ao setimo dia descançou: portanto abençoou o Senhor o dia do sabbado, e o sanctificou,

12 Honra a teu pae e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

13 Não matarás.

14 Não adulterarás.

15 Não furtarás.

16 Não dirás falso testemunho contra o teu proximo.

17 Não cubiçarás a casa do teu proximo, não cubiçarás a mulher do teu proximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu proximo.

18 E todo o povo viu os trovões e os relampagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando: e o povo, vendo isso retirou-se e poz-se de longe.

19 E disseram a Moysés: Falla tu comnosco, e ouviremos: e não falle Deus comnosco, para que não morramos.

20 E disse Moysés ao povo: Não temaes, que Deus veiu para provar-*vos, e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis.

21 E o povo estava em pé de longe: Moysés, porém, se chegou á escuridade, onde Deus estava.

22 Então disse o Senhor a Moysés: Assim dirás aos filhos d'Israel: Vós tendes visto que eu fallei comvosco desde os céus.

23 Não fareis outros deuses commigo; deuses de prata ou deuses de oiro não fareis para vós.

24 Um altar de terra me farás, e sobre elle sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas offertas pacificas, as tuas ovelhas, e as tuas vaccas: em todo o logar, onde eu fizer celebrar a memoria do meu nome, virei a ti, e te abençoarei.

25 E se me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas: se sobre elle levantares o teu buril, profanal-o-has.

26 Não subirás tambem por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante d'elles.

Capítulo 21

1 Estes são os estatutos que lhes proporás.

2 Se comprares um servo hebreo, seis annos servirá; mas ao setimo sairá forro, de graça.

3 Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá: se elle era homem casado, sairá sua mulher com elle.

4 Se seu senhor lhe houver dado uma mulher, e ella lhe houver parido filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e elle sairá só com sen corpo.

5 Mas se aquelle servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair forro:

6 Então seu senhor o levará aos juizes, e o fará chegar á porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre.

7 E se algum vender sua filha por serva, não sairá como saem os servos.

8 Se desagradar aos olhos de seu senhor, e não se desposar com ella, fará que se resgate: não poderá vendel-a a um povo estranho, usando deslealmente com ella.

9 Mas se a desposar com seu filho, fará com ella conforme ao direito das filhas.

10 Se lhe tomar outra, não deminuirá o mantimento d'esta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação marital.

11 E se lhe não fizer estas tres coisas, sairá de graça, sem dar dinheiro.

12 Quem ferir alguem, que morra, elle tambem certamente morrerá;

13 Porém o que lhe não armou ciladas, mas Deus o fez encontrar nas suas mãos, ordenar-te-hei um logar, para onde elle fugirá.

14 Mas se alguem se ensoberbecer contra o seu proximo, matando-o com engano, tiral-o-has do meu altar, para que morra.

15 O que ferir a seu pae, ou a sua mãe, certamente morrerá.

16 E quem furtar algum homem, e o vender, ou fôr achado na sua mão, certamente morrerá.

17 E quem amaldiçoar a seu pae ou a sua mãe, certamente morrerá.

18 E se alguns homens pelejarem, ferindo-se um ao outro com pedra ou com o punho, e este não morrer, mas cair na cama;

19 Se elle tornar a levantar-se e andar fóra sobre o seu bordão, então aquelle que o feriu será absolvido: sómente lhe pagará o tempo que perdera e o fará curar totalmente.

20 Se alguem ferir a seu servo, ou a sua serva com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado;

21 Porém se ficar vivo por um ou dois dias, não será castigado, porque é seu dinheiro.

22 Se alguns homens pelejarem, e ferirem uma mulher gravida, e forem causa que aborte, porém não houver morte, certamente será multado, conforme ao que lhe impuzer o marido da mulher, e pagará diante dos juizes.

23 Mas se houver morte, então darás vida por vida,

24 Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé

25 Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.

26 E quando alguem ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o damnificar, o deixará ir forro pelo seu olho.

27 E se tirar o dente do seu servo, ou o dente da sua serva, o deixará ir forro pelo seu dente.

28 E se algum boi escornear homem ou mulher, e morrer, o boi será apedrejado certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do boi será absolvido.

29 Mas se o boi d'antes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor d'isso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado, e tambem o seu dono morrerá.

30 Se lhe fôr imposto resgate, então dará por resgate da sua vida tudo quanto lhe fôr imposto,

31 Quer tenha escorneado um filho, quer tenha escorneado uma filha; conforme a este estatuto lhe será feito.

32 Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dará trinta siclos de prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado.

33 Se alguem abrir uma cova, ou se alguem cavar uma cova, e não a cobrir, e n'ella cair um boi ou jumento,

34 O dono da cova o pagará, ao seu dono o dinheiro restituirá; mas o morto será seu.

35 Se o boi de alguem ferir o boi do seu proximo, e morrer, então se venderá o boi vivo, e o dinheiro d'elle se repartirá egualmente, e tambem o morto se repartirá egualmente.

36 Mas se foi notorio que aquelle boi d'antes era escorneador, e seu dono não o guardou, certamente pagará boi por boi; porém o morto será seu

Capítulo 22

1 Se alguem furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas.

2 Se o ladrão fôr achado na mina, e fôr ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue.

3 Se o sol houver saido sobre elle, será culpado do sangue: totalmente o restituirá: e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.

4 Se o furto fôr achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.

5 Se alguem fizer pastar n'um campo ou n'uma vinha, e largar a sua besta, para comer no campo de outro, o melhor do seu proprio campo e o melhor da sua propria vinha restituirá.

6 Se arrebentar um fogo, e prender os espinhos, e abrazar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquelle que accendeu o fogo totalmente pagará o queimado.

7 Se alguem der prata, os vasos ao seu proximo a guardar, e fôr furtado da casa d'aquelle homem, se o ladrão se achar, pagará o dobro.

8 Se o ladrão não se achar, então o dono da casa será levado diante dos juizes, a ver se não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo.

9 Sobre todo o negocio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miudo, sobre vestido, sobre toda a coisa perdida, de que alguem disser que é sua a causa de ambos virá perante os juizes, aquelle a quem condemnarem os juizes o pagará em dobro ao seu proximo.

10 Se alguem der a seu proximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha, ou alguma besta, e morrer, ou fôr dilacerado, ou afugentado, ninguem o vendo,

11 Então haverá juramento do Senhor entre ambos, que não metteu a sua mão na fazenda do seu proximo: e seu dono o acceitará, e o outro não o restituirá.

12 Mas se lhe fôr furtado, o pagará ao seu dono.

13 Porém se lhe fôr dilacerado, tral-o-ha em testemunho d'isso, e não pagará o dilacerado.

14 E se alguem a seu proximo pedir alguma coisa, e fôr damnificada ou morta, não estando presente o seu dono, certamente a restituirá.

15 Se o seu dono esteve presente, não a restituirá: se foi alugada, será pelo seu aluguer.

16 Se alguem enganar alguma virgem, que não fôr desposada, e se deitar com ella, certamente a dotará por sua mulher.

17 Se seu pae inteiramente recusar dar-lh'a, dará dinheiro conforme ao dote das virgens.

18 A feiticeira não deixarás viver.

19 Todo aquelle que se deitar com animal, certamente morrerá.

20 O que sacrificar aos deuses, e não só ao Senhor, será morto.

21 O estrangeiro não affligirás, nem o opprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egypto.

22 A nenhuma viuva nem orphão affligireis.

23 Se de alguma maneira os affligires, e elles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor,

24 E a minha ira se accenderá, e vos matarei á espada; e vossas mulheres ficarão viuvas, e vossos filhos orphãos.

25 Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está comtigo, não te haverás com elle como um usurario; não lhe imporeis usura.

26 Se tomares em penhor o vestido do teu proximo, lh'o restituirás antes do pôr do sol,

27 Porque aquella é a sua cobertura, e o vestido da sua pelle; em que se deitaria? será pois que, quando clamar a mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

28 Os juizes não amaldiçoarás, e o principe d'entre o teu povo não maldirás.

29 As tuas primicias, e os teus licores não dilatarás: o primogenito de teus filhos me darás.

30 Assim farás dos teus bois e das tuas ovelhas: sete dias estarão com sua mãe, e ao oitavo dia m'os darás.

31 E ser-me-heis homens sanctos; portanto não comereis carne despedaçada no campo: aos cães a lançareis.

Capítulo 23

1 Nao admittirás falso rumor, e não porás a tua mão com o impio, para seres testemunha falsa.

2 Não seguirás a multidão para fazeres o mal: nem n'uma demanda fallarás, tomando parte com o maior numero para torcer o direito.

3 Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.

4 Se encontrares o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, sem falta lh'o reconduzirás.

5 Se vires o jumento d'aquelle que te aborrece deitado debaixo da sua carga, deixarás pois de ajudal-o? certamente o ajudarás juntamente com elle.

6 Não perverterás o direito do teu pobre na sua demanda.

7 De palavras de falsidade te affastarás, e não matarás o innocente e o justo; porque não justificarei o impio.

8 Tambem presente não tomarás: porque o presente cega os que teem vista, e perverte as palavras dos justos.

9 Tambem não opprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egypto.

10 Tambem seis annos semearás tua terra, e recolherás os seus fructos;

11 Mas ao setimo a soltarás e deixarás descançar, para que possam comer os pobres do teu povo, e do sobejo comam os animaes do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.

12 Seis dias farás os teus negocios, mas ao setimo dia descançarás: para que descance o teu boi, e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua escrava, e o estrangeiro.

13 E em tudo o que vos tenho dito, guardae-vos: e do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça da vossa bocca.

14 Tres vezes no anno me celebrareis festa.

15 A festa dos pães asmos guardarás: sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado no mez de Abib; porque n'elle saiste do Egypto: e ninguem appareça vasio perante mim.

16 E a festa da sega dos primeiros fructos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a festa da colheita á saida do anno, quando tiveres colhido do campo o teu trabalho.

17 Tres vezes no anno todos os teus machos apparecerão diante do Senhor.

18 Não offerecerás o sangue do meu sacrificio com pão levedado: nem ficará a gordura da minha festa de noite até á manhã

19 As primicias dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não cozerás o cabrito no leite de sua mãe

20 Eis-que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde n'este caminho, e te leve ao logar que te tenho apparelhado.

21 Guarda-te diante d'elle, e ouve a sua voz, e não o provoques á ira: porque não perdoará a vossa rebellião; porque o meu nome está n'elle.

22 Mas se diligentemente ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos, e adversario dos teus adversarios.

23 Porque o meu anjo irá diante de ti, e te levará aos amorrheos, e aos hetheos, e aos phereseos, e aos cananeos, heveos e jebuseos: e eu os destruirei.

24 Não te inclinarás diante dos seus deuses, nem os servirás, nem farás conforme ás suas obras: antes os destruirás totalmente, e quebrarás de todo as suas estatuas.

25 E servireis ao Senhor vosso Deus, e elle abençoará o vosso pão e a vossa agua: e eu tirarei do meio de ti as enfermidades.

26 Não haverá alguma que mova, nem esteril na tua terra: o numero dos teus dias cumprirei.

27 Enviarei o meu terror diante de ti, destruindo a todo o povo aonde entrares, e farei que todos os teus inimigos te virem as costas.

28 Tambem enviarei vespões diante de ti, que lancem fóra os heveos, os cananeos, e os hetheos diante de ti.

29 N'um só anno os não lançarei fóra diante de ti, para que a terra se não torne em deserto, e as feras do campo se não multipliquem contra ti.

30 Pouco a pouco os lançarei diante de ti, até que sejas multiplicado, e possuas a terra por herança.

31 E porei os teus termos desde o Mar Vermelho até ao mar dos philisteos, e desde o deserto até ao rio: porque darei nas tuas mãos os moradores da terra, para que os lances fóra diante de ti.

32 Não farás concerto algum com elles, ou com os seus deuses.

33 Na tua terra não habitarão, para que não te façam peccar contra mim: se servires aos seus deuses, certamente te será um laço

Capítulo 24

1 Depois disse a Moysés: Sobe ao Senhor, tu e Aarão, Nadab e Abihu, e setenta dos anciãos d'Israel; e inclinae-vos de longe.

2 E Moysés só se chegará ao Senhor; mas elles não se cheguem, nem o povo suba com elle.

3 Vindo pois Moysés, e contando ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos, então o povo respondeu a uma voz, e disseram: Todas as palavras, que o Senhor tem fallado, faremos.

4 E Moysés escreveu todas as palavras do Senhor, e levantou-se pela manhã de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte, e doze monumentos, segundo as doze tribus d'Israel;

5 E enviou os mancebos dos filhos d'Israel, os quaes offereceram holocaustos, e sacrificaram ao Senhor sacrificios pacificos de bezerros.

6 E Moysés tomou a metade do sangue, e a poz em bacias; e a outra metade do sangue espargiu sobre o altar.

7 E tomou o livro do concerto e o leu aos ouvidos do povo, e elles disseram: Tudo o que o Senhor tem fallado faremos, e obedeceremos.

8 Então tomou Moysés aquelle sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis-*aqui o sangue do concerto que o Senhor tem feito comvosco sobre todas estas palavras.

9 E subiram Moysés e Aarão, Nadab e Abihu, e setenta dos anciãos d'Isrel,

10 E viram o Deus d'Israel, e debaixo de seus pés havia como uma obra de pedra de saphira, e como o parecer do céu na sua claridade.

11 Porém não estendeu a sua mão sobre os escolhidos dos filhos d'Israel, mas viram a Deus, e comeram e beberam.

12 Então disse o Senhor a Moysés: Sobe a mim ao monte, e fica lá: e dar-te-hei taboas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escripto, para os ensinar.

13 E levantou-se Moysés com Josué seu servidor; e subiu Moysés ao monte de Deus,

14 E disse aos anciãos: Esperae-nos aqui, até que tornemos a vós: e eis que Aarão e Hur ficam comvosco; quem tiver algum negocio, se chegará a elles.

15 E, subindo Moysés ao monte, a nuvem cobriu o monte.

16 E habitava a gloria do Senhor sobre o monte de Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias: e ao setimo dia chamou a Moysés do meio da nuvem.

17 E o parecer da gloria do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos d'Israel.

18 E Moysés entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte: e Moysés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.

Capítulo 25

1 Então fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Falla aos filhos d'Israel, que me tragam uma offerta alçada: de todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, d'elle tomareis a minha offerta alçada.

3 E esta é a offerta alçada que tomareis d'elles: oiro, e prata, e cobre,

4 E azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras,

5 E pelles de carneiros tintas de vermelho, e pelles de teixugos, e madeira de sittim,

6 Azeite para a luz, especiarias para o oleo da uncção, e especiarias para o incenso,

7 Pedras sardonicas, e pedras d'engaste para o ephod e para o peitoral.

8 E me farão um sanctuario, e habitarei no meio d'elles.

9 Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernaculo, e para modelo de todos os seus vasos, assim mesmo o fareis.

10 Tambem farão uma arca de madeira de sittim: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d'um covado e meio, e d'um covado e meio a sua altura.

11 E cobril-a-has d'oiro puro, por dentro e por fóra a cobrirás: e farás sobre ella uma corôa de oiro ao redor;

12 E fundirás para ella quatro argolas d'oiro, e as porás nos quatro cantos d'ella, duas argolas n'um lado d'ella, e duas argolas n'outro lado d'ella.

13 E farás varas de madeira de sittim, e as cobrirás com oiro,

14 E metterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para levar-se com ellas a arca.

15 As varas estarão nas argolas da arca, não se tirarão d'ella.

16 Depois porás na arca o testemunho, que eu te darei.

17 Tambem farás um propiciatorio, d'oiro puro: o seu comprimento será de dois covados e meio, e a sua largura d'um covado e meio.

18 Farás tambem dois cherubins d'oiro: d'oiro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatorio.

19 Farás um cherubim na extremidade d'uma parte, e o outro cherubim na extremidade da outra parte: de uma só peça com o propiciatorio, fareis os cherubins nas duas extremidades d'elle.

20 Os cherubins estenderão as suas azas por de cima, cobrindo com as suas azas o propiciatorio; as faces d'elles uma defronte da outra: as faces dos cherubins attentarão para o propiciatorio.

21 E porás o propiciatorio em cima da arca, depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei.

22 E ali virei a ti, e fallarei comtigo de cima do propiciatorio, do meio dos dois cherubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos d'Israel.

23 Tambem farás uma mesa de madeira de sittim; o seu comprimento será de dois covados, e a sua largura d'um covado, e a sua altura de um covado e meio,

24 E cobril-a-has com oiro puro: tambem lhe farás uma corôa d'oiro ao redor.

25 Tambem lhe farás uma moldura ao redor, da largura d'uma mão, e lhe farás uma corôa d'oiro ao redor da moldura.

26 Tambem lhe farás quatro argolas d'oiro; e porás as argolas aos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés.

27 Defronte da moldura estarão as argolas, como logares para os varaes, para levar-se a mesa.

28 Farás pois estes varaes de madeira de sittim, e cobril-os-has com oiro; e levar-se-ha com elles a mesa.

29 Tambem farás os seus pratos, e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigellas com que se hão de cobrir; d'oiro puro os farás.

30 E sobre a mesa porás o pão da proposição perante a minha face continuamente.

31 Tambem farás um castiçal d'oiro puro; d'oiro batido se fará este castiçal: o seu pé, as suas canas, as suas copas, as suas maçãs, e as suas flores serão do mesmo.

32 E dos seus lados sairão seis canas: tres canas do castiçal d'um lado d'elle, e tres canas do castiçal do outro lado d'elle.

33 N'uma cana haverá tres copos a modo d'amendoas, uma maçã e uma flor; e tres copos a modo d'amendoas na outra cana, uma maçã e uma flor: assim serão as seis canas que saem do castiçal.

34 Mas no castiçal mesmo haverá quatro copos a modo d'amendoas, com suas maçãs e com suas flores;

35 E uma maçã debaixo de duas canas que saem d'elle; e ainda uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d'elle; e ainda mais uma maçã debaixo de duas outras canas que saem d'elle; assim se fará com as seis canas que saem do castiçal.

36 As suas macãs as suas canas serão do mesmo: tudo será d'uma só peça, obra batida d'oiro puro

37 Tambem lhe farás sete lampadas, as quaes se accenderão para alumiar defronte d'elle.

38 Os seus espevitadores e os seus apagadores serão d'oiro puro.

39 D'um talento d'oiro puro os farás, com todos estes vasos.

40 Attenta pois que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte.

Capítulo 26

1 E o tabernaculo farás de dez cortinas de linho fino torcido, e azul, purpura, e carmezim: com cherubins as farás d'obra esmerada.

2 O comprimento d'uma cortina será de vinte e oito covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: todas estas cortinas serão d'uma medida.

3 Cinco cortinas se enlaçarão uma á outra: e as outras cinco cortinas se enlaçarão uma com a outra.

4 E farás laçadas d'azul na ponta d'uma cortina, na extremidade, na juntura: assim tambem farás na ponta da extremidade da outra cortina, na segunda juntura.

5 Cincoenta laçadas farás n'uma cortina, e outras cincoenta laçadas farás na extremidade da cortina que está na segunda juntura: as laçadas estarão travadas uma com a outra.

6 Farás tambem cincoenta colchetes d'oiro, e ajuntarás com estes colchetes as cortinas, uma com a outra, e será um tabernaculo.

7 Farás tambem cortinas de pellos de cabras por tenda sobre o tabernaculo: d'onze cortinas as farás.

8 O comprimento d'uma cortina será de trinta covados, e a largura da mesma cortina de quatro covados: estas onze cortinas serão d'uma medida.

9 E ajuntarás cinco d'estas cortinas por si, e as outras seis cortinas tambem por si: e dobrarás a sesta cortina diante da tenda.

10 E farás cincoenta laçadas na borda d'uma cortina, na extremidade, na juntura, e outras cincoenta laçadas na borda da outra cortina, na segunda juntura.

11 Farás tambem cincoenta colchetes de cobre, e metterás os colchetes nas laçadas, e assim ajuntarás a tenda, para que seja uma

12 E o resto que sobejar das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobejar, penderá de sobejo ás costas do tabernaculo.

13 E um covado d'uma banda, e outro covado da outra, que sobejará no comprimento das cortinas da tenda, penderá de sobejo aos lados do tabernaculo d'uma e d'outra banda, para cobril-o.

14 Farás tambem á tenda uma coberta de pelles de carneiro, tintas de vermelho, e outra coberta de pelles de teixugo em cima.

15 Farás tambem as taboas para o tabernaculo de madeira de sittim, que estarão levantadas.

16 O comprimento d'uma taboa será de dez covados, e a largura de cada taboa será d'um covado e meio.

17 Duas couceiras terá cada taboa, travadas uma com a outra: assim farás com todas as taboas do tabernaculo.

18 E farás as taboas para o tabernaculo assim: vinte taboas para a banda do meio dia ao sul.

19 Farás tambem quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo d'uma taboa para as suas duas couceiras, e duas bases debaixo d'outra taboa para as suas duas couceiras.

20 Tambem haverá vinte taboas ao outro lado do tabernaculo, para a banda do norte,

21 Com as suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo d'uma taboa, e duas bases debaixo d'outra taboa,

22 E ao lado do tabernaculo para o occidente farás seis taboas.

23 Farás tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo, d'ambos os lados;

24 E por baixo se ajuntarão, e tambem em cima d'elle se ajuntarão n'uma argola. Assim se fará com as duas taboas: ambas serão por taboas para os dois cantos.

25 Assim serão as oito taboas com as suas bases de prata, dezeseis bases: duas bases debaixo d'uma taboa, e duas bases debaixo d'outra taboa.

26 Farás tambem cinco barras de madeira de sittim, para as taboas d'um lado do tabernaculo,

27 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; como tambem cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo, d'ambas as bandas para o occidente.

28 E a barra do meio estará no meio das taboas, passando d'uma extremidade até á outra.

29 E cobrirás d'oiro as taboas, e farás d'oiro as suas argolas, para metter por ellas as barras: tambem as barras as cobrirás d'oiro.

30 Então levantarás o tabernaculo conforme ao modelo que te foi mostrado no monte.

31 Depois farás um véu de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido; com cherubins de obra prima se fará,

32 E o porás sobre quatro columnas de madeira de sittim, cobertas de oiro: seus colchetes serão de oiro, sobre quatro bases de prata.

33 Pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e metterás a arca do testemunho ali dentro do véu: e este véu vos fará separação entre o sanctuario e o logar sanctissimo.

34 E porás a coberta do propiciatorio sobre a arca do testemunho no sanctissimo,

35 E a mesa porás fóra do véu, e o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo, para o sul; mas a mesa porás á banda do norte

36 Farás tambem para a porta da tenda uma coberta de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador,

37 E farás para esta coberta cinco columnas de madeira de sittim, e as cobrirás de oiro; seus colchetes serão de oiro, e far-lhe-has de fundição cinco bases de cobre.

Capítulo 27

1 Farás tambem o altar de madeira de sittim: cinco covados será o comprimento, e cinco covados a largura (será quadrado o altar), e tres covados a sua altura.

2 E farás os seus cornos aos seus quatro cantos: os seus cornos serão do mesmo, e o cobrirás de cobre.

3 Far-lhe-has tambem as suas caldeirinhas, para recolher a sua cinza, e as suas pás, e as suas bacias, e os seus garfos, e os seus brazeiros: todos os seus vasos farás de cobre.

4 Far-lhe-has tambem um crivo de cobre era fórma de rede, e farás a esta rede quatro argolas de metal aos seus quatro cantos,

5 E as porás dentro do cerco do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar.

6 Farás tambem varaes para o altar, varaes de madeira de sittim, e os cobrirás de cobre.

7 E os varaes se metterão nas argolas, de maneira que os varaes estejam de ambos os lados do altar, quando fôr levado.

8 Oco de taboas o farás; como se te mostrou no monte, assim o farão.

9 Farás tambem o pateo do tabernaculo, ao lado do meio-dia para o sul: o pateo terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem covados.

10 Tambem as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre: os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

11 Assim tambem ao lado do norte as cortinas na longura serão de cem covados de comprimento: e as suas vinte columnas e as suas vinte bases serão de cobre; os colchetes das columnas e as suas faixas serão de prata.

12 E na largura do pateo ao lado do occidente haverá cortinas de cincoenta covados: as suas columnas dez, e as suas bases dez.

13 Similhantemente a largura do pateo ao lado oriental para o levante será de cincoenta covados.

14 De maneira que haja quinze covados das cortinas de um lado: suas columnas tres, e as suas bases tres.

15 E quinze covados das cortinas ao outro lado: as suas columnas tres, e as suas bases tres.

16 E á porta do pateo haverá uma coberta de vinte covados, de azul, e purpura, e carmezim, e de linho fino torcido, de obra de bordador: as suas columnas quatro, e as suas bases quatro.

17 Todas as columnas do pateo ao redor serão cingidas de faixas de prata, mas as suas bases de cobre.

18 O comprimento do pateo será de cem covados, e a largura de cada banda de cincoenta, e a altura de cinco covados, de linho fino torcido: mas as suas bases serão de cobre.

19 No tocante a todos os vasos do tabernaculo em todo o seu serviço, até todos os seus pregos, e todos os pregos do pateo, serão de cobre.

20 Tu pois ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido para o candieiro; para fazer arder as lampadas continuamente.

21 Na tenda da congregação fóra do véu, que está diante do testemunho, Aarão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até á manhã, perante o Senhor: um estatuto perpetuo será este pelas suas gerações, aos filhos de Israel.

Capítulo 28

1 Depois tu farás chegar a ti teu irmão Aarão, e seus filhos com elle, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o officio sacerdotal: a saber, Aarão, Nadab e Abihu, Eleazar e Ithamar, os filhos de Aarão.

2 E farás vestidos sanctos a Aarão teu irmão, para gloria e ornamento.

3 Fallarás tambem a todos os que são sabios de coração, a quem eu tenho enchido do espirito da sabedoria, que façam vestidos a Aarão para sanctifical-o; para que me administre o officio sacerdotal.

4 Estes pois são os vestidos que farão: um peitoral, e um ephod, e um manto, e uma tunica bordada, uma mitra, e um cinto: farão pois sanctos vestidos a Aarão teu irmão, e a seus filhos, para me administrarem o officio sacerdotal.

5 E tomarão o oiro, e o azul, e a purpura, e o carmezim, e o linho fino,

6 E farão o ephod de oiro, e de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, de obra esmerada.

7 Terá duas hombreiras, que se unam ás suas duas pontas, e assim se unirá.

8 E o cinto de obra esmerada do seu ephod, que estará sobre elle, será da sua mesma obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 E tomarás duas pedras sardonicas, e lavrarás n'ellas os nomes dos filhos de Israel,

10 Seis dos seus nomes n'uma pedra, e os outros seis nomes na outra pedra, segundo as suas gerações;

11 Conforme á obra do lapidario, como o lavor de sêllos lavrarás estas duas pedras, com os nomes dos filhos de Israel: engastadas ao redor em oiro as farás.

12 E porás as duas pedras nas hombreiras do ephod, por pedras de memoria para os filhos de Israel: e Aarão levará os seus nomes sobre ambos os seus hombros, para memoria diante do Senhor.

13 Farás tambem engastes de oiro,

14 E duas cadeiasinhas de oiro puro: de egual medida, de obra de fieira as farás: e as cadeiasinhas de fieira porás nos engastes.

15 Farás tambem o peitoral do juizo de obra esmerada, conforme á obra do ephod o farás: de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido o farás.

16 Quadrado e dobrado, será de um palmo o seu comprimento, e de um palmo a sua largura;

17 E o encherás de pedras de engaste, com quatro ordens de pedras: a ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo: esta será a primeira ordem:

18 E a segunda ordem será de uma esmeralda, de uma saphira, e de um diamante:

19 E a terceira ordem será de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

20 E a quarta ordem será de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe; engastadas em oiro serão nos seus engastes.

21 E serão aquellas pedras segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes: serão esculpidas como sêllos, cada uma com o seu nome, para as doze tribus.

22 Tambem farás ao peitoral cadeiasinhas de egual medida da obra de trança de oiro puro.

23 Tambem farás ao peitoral dois anneis de oiro, e porás os dois anneis nas extremidades do peitoral.

24 Então metterás as duas cadeiasinhas de fieira d'oiro nos dois anneis, nas extremidades do peitoral:

25 E as duas pontas das duas cadeiasinhas de fieira metterás nos dois engastes, e as porás nas hombreiras do ephod, defronte d'elle.

26 Farás tambem dois anneis d'oiro, e os porás nas duas extremidades do peitoral, na sua borda que estiver junto ao ephod por dentro.

27 Farás tambem dois anneis d'oiro, que porás nas duas hombreiras do ephod, abaixo, defronte d'elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d'obra esmerada do ephod.

28 E ligarão o peitoral com os seus anneis aos anneis do ephod por cima com um cordão d'azul, para que esteja sobre o cinto d'obra esmerada do ephod; e nunca se separará o peitoral do ephod.

29 Assim Aarão levará os nomes dos filhos d'Israel no peitoral do juizo sobre o seu coração, quando entrar no sanctuario, para memoria diante do Senhor continuamente.

30 Tambem porás no peitoral do juizo Urim e Thummim, para que estejam sobre o coração de Aarão, quando entrar diante do Senhor: assim Aarão levará o juizo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente.

31 Tambem farás o manto do ephod, todo azul.

32 E o collar da cabeça estará no meio d'elle: este collar terá uma borda d'obra tecida ao redor: como collar de saia de malha será n'elle, para que se não rompa.

33 E nas suas bordas farás romãs d'azul, e de purpura, e de carmezim, ao redor das suas bordas; e campainhas d'oiro no meio d'ellas ao redor.

34 Uma campainha d'oiro, e uma romã, outra campainha d'oiro, e outra romã, haverá nas bordas do manto ao redor,

35 E estará sobre Aarão quando ministrar, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no sanctuario diante do Senhor, e quando sair, para que não morra.

36 Tambem farás uma lamina d'oiro puro, e n'ella gravarás á maneira de gravuras de sellos: Sanctidade ao Senhor.

37 E atal-a-has com um cordão d'azul, de maneira que esteja na mitra; sobre a frente da mitra estará.

38 E estará sobre a testa de Aarão, para que Aarão leve a iniquidade das coisas sanctas, que os filhos d'Israel sanctificarem em todas as offertas de suas coisas sanctas; e estará continuamente na sua testa, para que tenham acceitação perante o Senhor.

39 Tambem farás tunica de linho fino: tambem farás uma mitra de linho fino: mas o cinto farás d'obra de bordador.

40 Tambem farás tunicas aos filhos de Aarão, e far-lhes-has cintos: tambem lhes farás tiaras, para gloria e ornamento.

41 E vestirás com elles a Aarão teu irmão, e tambem seus filhos: e os ungirás e consagrarás, e os sanctificarás, para que me administrem o sacerdocio.

42 Faze-lhes tambem calções de linho, para cobrirem a carne nua: serão dos lombos até ás pernas.

43 E estarão sobre Aarão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no sanctuario, para que não levem iniquidade, e morram; isto será estatuto perpetuo para elle e para a sua semente depois d'elle.

Capítulo 29

1 Isto é o que lhes has de fazer, para os sanctificar, para que me administrem o sacerdocio: Toma um novilho, e dois carneiros sem macula,

2 E pão asmo, e bolos asmos, amassados com azeite, e coscorões asmos, untados com azeite: com flor de farinha de trigo os farás,

3 E os porás n'um cesto, e os trarás no cesto, com o novilho e os dois carneiros.

4 Então farás chegar a Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação, e os lavarás com agua;

5 Depois tomarás os vestidos, e vestirás a Aarão da tunica e do manto do ephod, e do ephod mesmo, e do peitoral: e o cingirás com o cinto de obra de artifice do ephod.

6 E a mitra porás sobre a sua cabeça: a corôa da sanctidade porás sobre a mitra;

7 E tomarás o azeite da uncção, e o derramarás sobre a sua cabeça: assim o ungirás.

8 Depois farás chegar seus filhos, e lhes farás vestir tunicas,

9 E os cingirás com o cinto, a Aarão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras, para que tenham o sacerdocio por estatuto perpetuo, e sagrarás a Aarão e a seus filhos;

10 E farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho;

11 E degolarás o novilho perante o Senhor, á porta da tenda da congregação.

12 Depois tomarás do sangue do novilho, e o porás com o teu dedo sobre os cornos do altar, e todo o de mais sangue derramarás á base do altar.

13 Tambem tomarás toda a gordura que cobre as entranhas, e o redenho de sobre o figado, e ambos os rins, e a gordura que houver n'elles, e queimal-os-has sobre o altar;

14 Mas a carne do novilho, e a sua pelle, e o seu esterco queimarás com fogo fóra do arraial: sacrificio por peccado é

15 Depois tomarás um carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro,

16 E degolarás o carneiro, e tomarás o seu sangue, e o espalharás sobre o altar ao redor;

17 E partirás o carneiro por suas partes, e lavarás as suas entranhas e as suas pernas, e as porás sobre as suas partes e sobre a sua cabeça,

18 Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar: é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; uma offerta queimada ao Senhor.

19 Depois tomarás o outro carneiro, e Aarão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro;

20 E degolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Aarão, e sobre a ponta das orelhas direitas de seus filhos, como tambem sobre o dedo pollegar das suas mãos direitas, e sobre o dedo pollegar dos seus pés direitos: e o resto do sangue espalharás sobre o altar ao redor:

21 Então tomarás do sangue, que estará sobre o altar, e do azeite da uncção, e o espargirás sobre Aarão e sobre os seus vestidos, e sobre seus filhos, e sobre os vestidos de seus filhos com elle; para que elle seja sanctificado, e os seus vestidos, tambem seus filhos, e os vestidos de seus filhos com elle.

22 Depois tomarás do carneiro a gordura, e a cauda, e a gordura que cobre as entranhas, e o redenho do figado, e ambos os rins com a gordura que houver n'elles, e o hombro direito, porque é carneiro das consagrações;

23 E uma fogaça de pão, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão do cesto dos pães asmos que estiverem diante do Senhor,

24 E tudo porás nas mãos de Aarão, e nas mãos de seus filhos: e com movimento o moverás perante o Senhor.

25 Depois o tomarás das suas mãos, e o queimarás no altar sobre o holocausto por cheiro suave perante o Senhor; offerta queimada ao Senhor é.

26 E tomarás o peito do carneiro das consagrações, que é de Aarão, e com movimento o moverás perante o Senhor: e isto será a tua porção

27 E sanctificarás o peito do movimento e o hombro da offerta alçada, que foi movido e alçado do carneiro das consagrações, que fôr d'Aarão e de seus filhos

28 E será para Aarão e para seus filhos por estatuto perpetuo dos filhos d'Israel, porque é offerta alçada: e a offerta alçada será dos filhos d'Israel dos seus sacrificios pacificos; a sua offerta alçada será para o Senhor.

29 E os vestidos sanctos, que são d'Aarão, serão de seus filhos depois d'elle, para serem ungidos n'elles e para sagral-os n'elles.

30 Sete dias os vestirá aquelle que de seus filhos fôr sacerdote em seu logar, quando entrar na tenda da congregação para ministrar no sanctuario.

31 E tomarás o carneiro das consagrações, e cozerás a sua carne no logar sancto;

32 E Aarão e seus filhos comerão a carne d'este carneiro, e o pão que está no cesto á porta da tenda da congregação,

33 E comerão as coisas com que fôr feita expiação, para consagral-os, e para sanctifical-os: mas um estranho as não comerá, porque sanctas são.

34 E se sobejar alguma coisa da carne das consagrações ou do pão até á manhã, o que sobejar queimarás com fogo: não se comerá, porque sancto é

35 Assim pois farás a Aarão e a seus filhos, conforme a tudo o que eu te tenho ordenado: por sete dias os sagrarás.

36 Tambem cada dia prepararás um novilho por sacrificio pelo peccado para as expiações, e expiarás o altar, fazendo expiação sobre elle; e o ungirás para sanctifical-o.

37 Sete dias farás expiação pelo altar, e o sanctificarás: e o altar será sanctissimo; tudo o que tocar o altar será sancto.

38 Isto pois é o que offerecereis sobre o altar: dois cordeiros d'um anno cada dia continuamente.

39 Um cordeiro offerecerás pela manhã, e o outro cordeiro offerecerás de tarde.

40 Com um cordeiro a decima parte de flôr de farinha, misturada com a quarta parte d'um hin d'azeite moido, e para libação a quarta parte d'um hin de vinho,

41 E o outro cordeiro offerecerás á tarde, e com elle farás como com a offerta da manhã, e conforme á sua libação, por cheiro suave; offerta queimada é ao Senhor.

42 Este será o holocausto continuo por vossas gerações, á porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para fallar comtigo ali.

43 E ali virei aos filhos d'Israel, para que por minha gloria sejam sanctificados,

44 E sanctificarei a tenda da congregação e o altar; tambem sanctificarei a Aarão e seus filhos, para que me administrem o sacerdocio.

45 E habitarei no meio dos filhos d'Israel, e lhes serei por Deus,

46 E saberão que eu sou o Senhor seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egypto, para habitar no meio d'elles: Eu sou o Senhor seu Deus.

Capítulo 30

1 E farás um altar para queimar o incenso: de madeira de sittim o farás.

2 O seu comprimento será d'um covado, e a sua largura d'um covado; será quadrado, e dois covados a sua altura: d'elle mesmo serão os seus cornos.

3 E com oiro puro o forrarás, o seu tecto, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos; e lhe farás uma corôa d'oiro ao redor.

4 Tambem lhe farás duas argolas d'oiro debaixo da sua corôa; aos dois lados as farás, d'ambas as bandas: e serão para logares dos varaes, com que será levado.

5 E os varaes farás de madeira de sittim, e os forrarás com oiro.

6 E o porás diante do véu que está diante da arca do testemunho, diante do propiciatorio, que está sobre o testemunho, onde me ajuntarei comtigo.

7 E Aarão sobre elle queimará o incenso das especiarias; cada manhã, quando põe em ordem as lampadas, o queimara.

8 E, accendendo Aarão as lampadas á tarde, o queimará: este será incenso continuo perante o Senhor pelas vossas gerações.

9 Não offerecereis sobre elle incenso estranho, nem holocausto, nem offerta: nem tão pouco derramareis sobre elle libações.

10 E uma vez no anno Aarão fará expiação sobre os seus cornos com o sangue do sacrificio das expiações: uma vez no anno fará expiação sobre elle pelas vossas gerações: sanctissimo é ao Senhor.

11 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

12 Quando tomares a somma dos filhos d'Israel, conforme á sua conta, cada um d'elles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre elles praga alguma, quando os contares.

13 Isto dará todo aquelle que passar ao arrolamento: a metade d'um siclo, segundo o siclo do sanctuario (este siclo é de vinte obolos): a metade d'um siclo é a offerta ao Senhor.

14 Qualquer que passar o arrolamento de vinte annos e acima, dará a offerta alçada ao Senhor.

15 O rico não augmentará, e o pobre não deminuirá da metade do siclo, quando derem a offerta alçada ao Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

16 E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos d'Israel, e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memoria aos filhos d'Israel diante do Senhor, para fazer expiação por vossas almas.

17 E fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

18 Farás tambem uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar: e as porás entre a tenda da congregação e o altar; e deitarás agua n'ella.

19 E Aarão e seus filhos n'ella lavarão as suas mãos e os seus pés.

20 Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-hão com agua, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para accender a offerta queimada ao Senhor.

21 Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram: e isto lhes será por estatuto perpetuo a elle e á sua semente nas suas gerações.

22 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

23 Tu pois toma para ti das principaes especiarias, da mais pura myrrha quinhentos siclos, e de canella aromatica a metade, a saber, duzentos e cincoenta siclos, e de calamo aromatico duzentos e cincoenta siclos,

24 E de cassia quinhentos siclos, segundo o siclo do sanctuario, e d'azeite de oliveiras um hin.

25 E d'isto farás o azeite da sancta uncção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da sancta uncção.

26 E com elle ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho,

27 E a mesa com todos os seus vasos, e o castiçal com os seus vasos, e o altar do incenso,

28 E o altar do holocausto com todos os seus vasos, e a pia com a sua base.

29 Assim sanctificarás estas coisas, para que sejam sanctissimas: tudo o que tocar n'ellas será sancto.

30 Tambem ungirás a Aarão e seus filhos, e os sanctificarás para me administrarem o sacerdocio.

31 E fallarás aos filhos d'Israel, dizendo: Este me será o azeite da sancta uncção nas vossas gerações.

32 Não se ungirá com elle a carne do homem, nem fareis outro similhante conforme á sua composição: sancto é, e será sancto para vós.

33 O homem que compozer tal perfume como este, ou que d'elle pozer sobre um estranho, será extirpado dos seus povos.

34 Disse mais o Senhor a Moysés: Toma-te especiarias aromaticas, estoraque, e onicha, e galbano; estas especiarias aromaticas e o incenso puro de egual peso;

35 E d'isto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado, puro e sancto;

36 E d'elle moendo o pizarás, e d'elle porás diante do testemunho, na tenda da congregação, onde eu virei a ti: coisa sanctissima vos será.

37 Porém o incenso que farás conforme á composição d'este, não o fareis para vós mesmos: sancto será para o Senhor.

38 O homem que fizer tal como este para cheirar, será extirpado do seu povo.

Capítulo 31

1 Depois fallou o Senhor a Moysés, dizendo:

2 Eis que eu tenho chamado por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho d'Ur, da tribu de Judah,

3 E o enchi do espirito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de sciencia, em todo o artificio,

4 Para inventar invenções, e obrar em oiro, em prata, e em cobre,

5 E em lavramento de pedras para engastar, e em artificio de madeira, para obrar em todo o lavor.

6 E eis que eu tenho posto com elle a Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, e tenho dado sabedoria ao coração de todo aquelle que é sabio de coração, para que façam tudo o que te tenho ordenado;

7 A saber, a tenda da congregação, e a arca do testemunho, e o propiciatorio que estará sobre ella, e todos os vasos da tenda;

8 E a mesa com os seus vasos, e o castiçal puro com todos os seus vasos, e o altar do incenso;

9 E o altar do holocausto com todos os seus vasos, e a pia com a sua base;

10 E os vestidos do ministerio, e os vestidos sanctos de Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio;

11 E o azeite da uncção, e o incenso aromatico para o sanctuario: farão conforme a tudo que te tenho mandado.

12 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

13 Tu pois falla aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sabbados: porquanto isso é um signal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibaes que eu sou o Senhor, que vos sanctifica.

14 Portanto guardareis o sabbado, porque sancto é para vós: aquelle que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que n'elle fizer alguma obra, aquella alma será extirpada do meio do seu povo.

15 Seis dias se fará obra, porém o setimo dia é o sabbado do descanço, sancto ao Senhor; qualquer que no dia do sabbado fizer obra, certamente morrerá.

16 Guardarão pois o sabbado os filhos de Israel, celebrando o sabbado nas suas gerações por concerto perpetuo.

17 Entre mim e os filhos de Israel será um signal para sempre: porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao setimo dia descançou, e restaurou-se.

18 E deu a Moysés (quando acabou de fallar com elle no monte de Sinai) as duas taboas do testemunho, taboas de pedra, escriptas pelo dedo de Deus.

Capítulo 32

1 Mas vendo o povo que Moysés tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disseram-*lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós: porque emquanto a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto, não sabemos o que lhe succedeu.

2 E Aarão lhes disse: Arrancae os pendentes de oiro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazeim'os.

3 Então todo o povo arrancou os pendentes de oiro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Aarão,

4 E elle os tomou das suas mãos, e formou o oiro com um buril, e fez d'elle um bezerro de fundição. Então disseram: Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

5 E Aarão, vendo isto, edificou um altar diante d'elle: e Aarão apregoou, e disse: Ámanhã será festa ao Senhor.

6 E no dia seguinte madrugaram, e offereceram holocaustos, e trouxeram offertas pacificas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantaram-se a folgar.

7 Então disse o Senhor a Moysés: Vae, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egypto, se tem corrompido,

8 E depressa se tem desviado do caminho que eu lhes tinha ordenado: fizeram para si um bezerro de fundição, e perante elle se inclinaram, e sacrificaram-lhe, e disseram: Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egypto.

9 Disse mais o Senhor a Moysés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado.

10 Agora pois deixa-me que o meu furor se accenda contra elles, e os consuma: e eu te farei uma grande nação.

11 Porém Moysés supplicou ao Senhor seu Deus, e disse: O Senhor, porque se accende o teu furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egypto com grande força e com forte mão?

12 Porque hão de fallar os egypcios, dizendo: Para mal os tirou, para matal-os nos montes, e para destruil-os da face da terra? Torna-te da ira do teu furor, e arrepende-te d'este mal contra o teu povo.

13 Lembra-te de Abrahão, de Isaac, e de Israel, os teus servos, aos quaes por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa semente como as estrellas dos céus, e darei á vossa semente toda esta terra, de que tenho dito, para que a possuam por herança eternamente.

14 Então o Senhor arrependeu-se do mal que dissera, que havia de fazer ao seu povo.

15 E tornou-se Moysés, e desceu do monte com as duas taboas do testemunho na sua mão, taboas escriptas de ambas as bandas; de uma e de outra banda escriptas estavam,

16 E aquellas taboas eram obra de Deus; tambem a escriptura era a mesma escriptura de Deus, esculpida nas taboas.

17 E, ouvindo Josué a voz do povo que jubilava, disse a Moysés: Alarido de guerra ha no arraial.

18 Porém elle disse: Não é alarido dos victoriosos, nem alarido dos vencidos, mas o alarido dos que cantam eu ouço.

19 E aconteceu que, chegando elle ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, accendeu-se o furor de Moysés, e arremessou as taboas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte;

20 E tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as aguas, e deu-o a beber aos filhos de Israel.

21 E Moysés disse a Aarão: Que te tem feito este povo, que sobre elle trouxeste tamanho peccado?

22 Então disse Aarão: Não se accenda a ira do meu senhor: tu sabes que este povo é inclinado ao mal

23 E elles me disseram: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque não sabemos que succedeu a este Moysés, a este homem que nos tirou da terra do Egypto.

24 Então eu lhes disse: Quem tem oiro, arranque-o: e deram-m'o, e lancei-o no fogo, e saiu este bezerro.

25 E vendo Moysés que o povo estava despido, porque Aarão o havia despido para vergonha entre os seus inimigos,

26 Poz-se em pé Moysés na porta do arraial, e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então se ajuntaram a elle todos os filhos de Levi.

27 E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa: e passae e tornae pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu proximo.

28 E os filhos de Levi fizeram conforme á palavra de Moysés: e cairam do povo aquelle dia uns tres mil homens.

29 Porquanto Moysés tinha dito: Consagrae hoje as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho, e contra o seu irmão: e isto para elle vos dar hoje benção.

30 E aconteceu que no dia seguinte Moysés disse ao povo: Vós peccastes grande peccado: agora porém subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso peccado.

31 Assim tornou-se Moysés ao Senhor, e disse: Ora, este povo peccou peccado grande, fazendo para si deuses d'oiro.

32 Agora pois perdoa o seu peccado, senão risca-me, peço-te, do teu Livro, que tens escripto.

33 Então disse o Senhor a Moysés: Aquelle que peccar contra mim, a este riscarei eu do meu livro.

34 Vae pois agora, conduze este povo para onde te tenho dito: eis que o meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei n'elles o seu peccado.

35 Assim feriu o Senhor o povo, porquanto fizeram o bezerro que Aarão tinha feito.

Capítulo 33

1 Disse mais o Senhor a Moysés: Vae, sobe d'aqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egypto, á terra que jurei a Abrahão, a Isaac, e a Jacob, dizendo: Á tua semente a darei.

2 E enviarei um anjo diante de ti, e lançarei fóra os cananeos, e os amorrheos, e os hetheos, e os phereseos, e os heveos, e os jebuseos,

3 A uma terra que mana leite e mel: porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para que te não consuma eu no caminho.

4 E, ouvindo o povo esta má palavra, entristeceram-se, e nenhum d'elles poz sobre si os seus atavios.

5 Porquanto o Senhor tinha dito a Moysés: Dize aos filhos de Israel: Povo obstinado és; se um momento subir no meio de ti, te consumirei: porém agora tira de ti os teus atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer.

6 Então os filhos d'Israel se despojaram dos seus atavios, ao pé do monte de Horeb.

7 E tomou Moysés a tenda, e a estendeu para si fóra do arraial, desviada longe do arraial, e chamou-a a tenda da congregação: e aconteceu que todo aquelle que buscava o Senhor saiu á tenda da congregação, que estava fóra do arraial

8 E aconteceu que, saindo Moysés á tenda, todo o povo se levantava, e cada um ficou em pé á porta da sua tenda: e olhavam para Moysés pelas costas, até elle entrar na tenda

9 E aconteceu que, entrando Moysés na tenda, descia a columna de nuvem, e punha-se á porta da tenda: e o Senhor fallava com Moysés.

10 E, vendo todo o povo a columna de nuvem que estava á porta da tenda, todo o povo se levantou e inclinaram-*se cada um á porta da sua tenda.

11 E fallava o Senhor a Moysés cara a cara, como qualquer falla com o seu amigo: depois tornou-se ao arraial; mas o seu servidor Josué, filho de Nun, mancebo, nunca se apartava do meio da tenda.

12 E Moysés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem has de enviar commigo: e tu disseste: Conheço-te por teu nome, tambem achaste graça aos meus olhos.

13 Agora pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-hei, para que ache graça aos teus olhos: e attenta que esta nação é o teu povo.

14 Disse pois: Irá a minha face comtigo para te fazer descançar.

15 Então disse-lhe: Se a tua face não fôr comnosco, não nos faças subir d'aqui.

16 Como pois se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é n'isso que andas tu comnosco? assim separados seremos, eu e o teu povo, de todo o povo que ha sobre a face da terra.

17 Então disse o Senhor a Moysés: Farei tambem isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos; e te conheço por nome.

18 Então elle disse: Rogo-te que me mostres a tua gloria.

19 Porém elle disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericordia de quem tiver misericordia, e me compadecerei de quem me compadecer.

20 E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.

21 Disse mais o Senhor: Eis aqui um logar junto a mim; ali te porás sobre a penha.

22 E acontecerá que, quando a minha gloria passar, te porei n'uma fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.

23 E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas: mas a minha face não se verá.

Capítulo 34

1 Então disse o Senhor a Moysés: Lavra-te duas taboas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nas taboas as mesmas palavras que estavam nas primeiras taboas, que tu quebraste.

2 E apparelha-te para ámanhã, para que subas pela manhã ao monte de Sinai, e ali põe-te diante de mim no cume do monte.

3 E ninguem suba comtigo, e tambem ninguem appareça em todo o monte; nem ovelhas nem bois se apascentem defronte do monte.

4 Então elle lavrou duas taboas de pedra, como as primeiras; e levantou-se Moysés pela manhã de madrugada, e subiu ao monte de Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado: e tomou as duas taboas de pedra na sua mão.

5 E o Senhor desceu n'uma nuvem, e se poz ali junto a elle: e elle apregoou o nome do Senhor.

6 Passando pois o Senhor perante a sua face, clamou: Jehovah o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficencia e verdade;

7 Que guarda a beneficencia em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o peccado; que o culpado não tem por innocente; que visita a iniquidade dos paes sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até á terceira e quarta geração.

8 E Moysés apressou-se, e inclinou a cabeça á terra, encurvou-se,

9 E disse: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá agora o Senhor no meio de nós: porque este é povo obstinado; porém perdoa a nossa iniquidade e o nosso peccado, e toma-nos pela tua herança.

10 Então disse: Eis que eu faço um concerto; farei diante de todo o teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem entre gente alguma: de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque coisa terrivel é o que faço comtigo.

11 Guarda o que eu te ordeno hoje: eis que eu lançarei fóra diante de ti os amorrheos, e os cananeos, e os hetheos, e os pereseos, e os heveos e os jebuseos.

12 Guarda-te que não faças concerto com os moradores da terra aonde has de entrar; para que não seja por laço no meio de ti.

13 Mas os seus altares transtornareis, e as suas estatuas quebrareis, e os seus bosques cortareis.

14 Porque te não inclinarás diante d'outro deus: pois o nome do Senhor é Zeloso: Deus zeloso é elle:

15 Para que não faças concerto com os moradores da terra, e não forniquem após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado d'elles, comas dos seus sacrificios,

16 E tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, fornicando após os seus deuses, façam que tambem teus filhos forniquem após os seus deuses.

17 Não te farás deuses de fundição.

18 A festa dos pães asmos guardarás; sete dias comerás pães asmos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado do mez de Abib: porque no mez d'Abib sais-te do Egypto.

19 Tudo o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, abrindo a madre de vaccas e d'ovelhas;

20 O burro porém, que abrir a madre, resgatarás com cordeiro: mas, se o não resgatares, cortar-lhe-has a cabeça: todo o primogenito de teus filhos resgatarás. E ninguem apparecerá vazio diante de mim.

21 Seis dias obrarás, mas ao setimo dia descançarás: na aradura e na sega descançarás.

22 Tambem guardarás a festa das semanas, que é a festa das primicias da sega do trigo, e a festa da colheita á volta do anno.

23 Tres vezes no anno todo o macho entre ti apparecerá perante o Senhor, Jehovah, Deus d'Israel;

24 Porque eu lançarei fóra as nações de diante de ti, e alargarei o teu termo: ninguem cubiçará a tua terra, quando subires para apparecer tres vezes no anno diante do Senhor teu Deus.

25 Não sacrificarás o sangue do meu sacrificio com pão levedado, nem o sacrificio da festa da paschoa ficará da noite para a manhã.

26 As primicias dos primeiros fructos da tua terra trarás á casa do Senhor teu Deus: não cozerás o cabrito no leite de sua mãe

27 Disse mais o Senhor a Moysés: Escreve-te estas palavras: porque conforme ao teor d'estas palavras tenho feito concerto comtigo e com Israel.

28 E esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão, nem bebeu agua, e escreveu nas taboas as palavras do concerto, os dez mandamentos.

29 E aconteceu que, descendo Moysés do monte Sinai (e Moysés trazia as duas taboas do testemunho em sua mão, quando desceu do monte), Moysés não sabia que a pelle do seu rosto resplandecia, depois que fallara com elle

30 Olhando pois Aarão e todos os filhos d'Israel para Moysés, eis que a pelle do seu rosto resplandecia; pelo que temeram de chegar-se a elle.

31 Então Moysés os chamou, e Aarão e todos os principes da congregação tornaram-se a elle: e Moysés lhes fallou.

32 Depois chegaram tambem todos os filhos d'Israel: e elle lhes ordenou tudo o que o Senhor fallára com elle no monte Sinai.

33 Assim acabou Moysés de fallar com elles, e tinha posto um véu sobre o seu rosto.

34 Porém, entrando Moysés perante o Senhor, para fallar com elle, tirava o véu até que sahia: e, saido, fallava com os filhos de Israel o que lhe era ordenado.

35 Assim pois viam os filhos d'Israel o rosto de Moysés, que resplandecia a pelle do rosto de Moysés: e tornou Moysés a pôr o véu sobre o seu rosto, até que entrava para fallar com elle.

Capítulo 35

1 Então fez Moysés ajuntar toda a congregação dos filhos d'Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Senhor ordenou que se fizessem.

2 Seis dias se trabalhará, mas o setimo dia vos será sancto, o sabbado do repouso ao Senhor: todo aquelle que fizer obra n'elle morrerá.

3 Não accendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sabbado.

4 Fallou mais Moysés a toda a congregação dos filhos d'Israel, dizendo: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo:

5 Tomae, do que vós tendes, uma offerta para o Senhor: cada um, cujo coração é voluntariamente disposto, a trará por offerta alçada ao Senhor; oiro, e prata, e cobre

6 Como tambem azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras.

7 E pelles de carneiros, tintas de vermelho, e pelles de teixugos, madeira de sittim,

8 E azeite para a luminaria, e especiarias para o azeite da uncção, e para o incenso aromatico,

9 E pedras sardonicas, e pedras d'engaste, para o ephod e para o peitoral.

10 E todos os sabios de coração entre vós virão, e farão tudo o que o Senhor tem mandado:

11 O tabernaculo, a sua tenda, e a sua coberta, os seus colchetes, e as suas taboas, as suas barras, as suas columnas, e as suas bases,

12 A arca e os seus varaes, o propiciatorio e o véu da coberta,

13 A mesa, e os seus varaes, e todos os seus vasos; e os pães da proposição,

14 E o castiçal da luminaria, e os seus vasos, e as suas lampadas, e o azeite para a luminaria,

15 E o altar do incenso e os seus varaes, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta á entrada do tabernaculo,

16 O altar do holocausto, e o crivo de cobre que terá seus varaes, e todos os seus vasos, a pia e a sua base,

17 As cortinas do pateo, as suas columnas e as suas bases, e a coberta da porta do pateo,

18 As estacas do tabernaculo, e as estacas do pateo, e as suas cordas,

19 Os vestidos do ministerio para ministrar no sanctuario, os vestidos sanctos d'Aarão o sacerdote, e os vestidos de seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

20 Então toda a congregação dos filhos d'Israel saiu de diante de Moysés,

21 E veiu todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquelle cujo espirito voluntariamente o excitou, e trouxeram a offerta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para os vestidos sanctos.

22 Assim que vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração: trouxeram fivelas, e pendentes, e anneis, e braceletes, todo o vaso d'oiro; e todo o homem offerecia offerta d'oiro ao Senhor;

23 E todo o homem que se achou com azul, e purpura, e carmezim, e linho fino, e pellos de cabras, e pelles de carneiro tintas de vermelho, e pelles de teixugos, os trazia;

24 Todo aquelle que offerecia offerta alçada de prata ou de metal, a trazia por offerta alçada ao Senhor; e todo aquelle que se achava com madeira de sittim, a trazia para toda a obra do serviço.

25 E todas as mulheres sabias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado, o azul e a purpura, o carmezim e o linho fino.

26 E todas as mulheres, cujo coração as moveu em sabedoria, fiavam os pellos das cabras.

27 E os principes traziam pedras sardonicas, e pedras d'engastes para o ephod e para o peitoral,

28 E especiarias, e azeite para a luminaria, e para o azeite da uncção, e para o incenso aromatico.

29 Todo o homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moysés, aquillo trouxeram os filhos de Israel por offerta voluntaria ao Senhor.

30 Depois disse Moysés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor tem chamado por nome a Bezaleel, o filho de Uri, filho de Ur, da tribu de Judah.

31 E o espirito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e sciencia em todo o artificio,

32 E para inventar invenções, para trabalhar em oiro, e em prata, e em cobre,

33 E em artificio de pedras para engastar, e em artificio de madeira para obrar em toda a obra esmerada.

34 Tambem lhe tem dado no seu coração para ensinar a outros: a elle e a Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan.

35 Encheu-os de sabedoria do coração, para fazer toda a obra de mestre, e a mais engenhosa, e do bordador, em azul, e em purpura, em carmezim, e em linho fino, e do tecelão: fazendo toda a obra, e inventando invenções.

Capítulo 36

1 Assim obraram Bezaleel e Aholiab, e todo o homem sabio de coração, a quem o Senhor déra sabedoria e intelligencia, para saber como haviam de fazer toda a obra para o serviço do sanctuario, conforme a tudo o que o Senhor tinha ordenado.

2 Porque Moysés chamara a Bezaleel e a Aholiab, e a todo o homem sabio de coração, em cujo coração Deus tinha dado sabedoria: a todo aquelle a quem o seu coração movera que se chegasse á obra para fazel-a

3 Tomaram pois de diante de Moysés toda a offerta alçada, que trouxeram os filhos de Israel para a obra do serviço do sanctuario, para fazel-a, e ainda elles lhe traziam cada manhã offerta voluntaria.

4 E vieram todos os sabios, que faziam toda a obra do sanctuario, cada um da obra que elles faziam,

5 E fallaram a Moysés, dizendo: O povo traz muito mais do que basta para o serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse.

6 Então mandou Moysés que fizessem passar uma voz pelo arraial, dizendo: Nenhum homem nem mulher faça mais obra alguma para a offerta alçada do sanctuario. Assim o povo foi prohibido de trazer mais,

7 Porque tinham materia bastante para toda a obra que havia de fazer-se, e ainda sobejava.

8 Assim todo o sabio de coração, entre os que faziam a obra, fez o tabernaculo de dez cortinas, de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, com cherubins; da obra mais esmerada as fez.

9 O comprimento de uma cortina era de vinte e oito covados, e a largura de outra cortina de quatro covados: todas as cortinas tinham uma mesma medida.

10 E elle ligou cinco cortinas uma com a outra; e outras cinco cortinas ligou uma com outra.

11 Depois fez laçadas de azul na borda de uma cortina, á extremidade, na juntura: assim tambem fez na borda, á extremidade da juntura da segunda cortina.

12 Cincoenta laçadas fez n'uma cortina, e cincoenta laçadas fez n'uma extremidade da cortina, que se ligava com a segunda: estas laçadas travavam uma com a outra.

13 Tambem fez cincoenta colchetes de oiro, e com estes colchetes uniu as cortinas uma com a outra; e foi feito assim um tabernaculo.

14 Fez tambem cortinas de pellos de cabras para a tenda sobre o tabernaculo: de onze cortinas as fez.

15 O comprimento de uma cortina era de trinta covados, e a largura de uma cortina de quatro covados: estas onze cortinas tinham uma mesma medida.

16 E elle uniu cinco cortinas á parte, e seis cortinas á parte,

17 E fez cincoenta laçadas na borda da ultima cortina, na juntura: tambem fez cincoenta laçadas na borda da cortina, na outra juntura.

18 Fez tambem cincoenta colchetes de metal, para ajuntar a tenda, para que fosse uma.

19 Fez tambem para a tenda uma coberta de pelles de carneiros, tintas de vermelho; e por cima uma coberta de pelles de teixugos.

20 Tambem fez taboas levantadas para o tabernaculo, de madeira de sittim.

21 O comprimento de uma taboa era de dez covados, e a largura de cada taboa era de um covado e meio.

22 Cada taboa tinha duas coiceiras, pregadas uma com a outra: assim fez com todas as taboas do tabernaculo.

23 Assim pois fez as taboas para o tabernaculo: vinte taboas para a banda do sul ao meio dia:

24 E fez quarenta bases de prata debaixo das vinte taboas: duas bases debaixo de uma taboa ás suas duas coiceiras, e duas bases de baixo d'outra taboa ás suas duas coiceiras.

25 Tambem fez vinte taboas ao outro lado do tabernaculo da banda do norte,

26 Com as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma taboa, e duas bases debaixo de outra taboa.

27 E ao lado do tabernaculo para o occidente fez seis taboas.

28 Fez tambem duas taboas para os cantos do tabernaculo aos dois lados,

29 As quaes estavam juntas debaixo, e tambem se ajuntavam por cima com uma argola: assim fez com ellas ambas nos dois cantos.

30 Assim eram oito taboas com as suas bases de prata, a saber, dezeseis bases: duas bases debaixo de cada taboa.

31 Fez tambem barras de madeira de sittim: cinco para as taboas d'um lado do tabernaculo,

32 E cinco barras para as taboas do outro lado do tabernaculo; e outras cinco barras para as taboas do tabernaculo d'ambas as bandas do occidente.

33 E fez que a barra do meio passasse pelo meio das taboas d'uma extremidade até á outra.

34 E cobriu as taboas d'oiro, e as suas argolas (os logares das barras) fez d'oiro: as barras tambem cobriu d'oiro.

35 Depois fez o véu d'azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; d'obra esmerada o fez com cherubins.

36 E fez-lhe quatro columnas de madeira de sittim, e as cobriu d'oiro: e seus colchetes fez d'oiro, e fundiu-lhe quatro bases de prata.

37 Fez tambem para a porta da tenda o véu d'azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, da obra do bordador,

38 Com as suas cinco columnas e os seus colchetes; e as suas cabeças e as suas molduras cobriu d'oiro: e as suas cinco bases eram de cobre.

Capítulo 37

1 Fez tambem Bezaleel a arca de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados e meio; e a sua largura d'um covado e meio; e a sua altura d'um covado e meio.

2 E cobriu-a d'oiro puro por dentro e por fóra; e fez-lhe uma corôa d'oiro ao redor;

3 E fundiu-lhe quatro argolas d'oiro aos seus quatro cantos, n'um lado duas, e no outro lado duas argolas;

4 E fez varaes de madeira de sittim, e os cobriu d'oiro;

5 E metteu os varaes pelas argolas aos lados da arca, para levar a arca.

6 Fez tambem d'oiro puro o propiciatorio: o seu comprimento era de dois covados e meio, e a sua largura d'um covado e meio.

7 Fez tambem dois cherubins d'oiro; d'obra batida os fez, ás duas extremidades do propiciatorio;

8 Um cherubim a uma extremidade d'esta banda, e o outro cherubim á outra extremidade da outra banda: do mesmo propiciatorio fez sair os cherubins ás duas extremidades d'elles.

9 E os cherubins estendiam as azas por cima, cobrindo com as suas azas o propiciatorio: e os seus rostos estavam defronte um do outro: os rostos dos cherubins estavam virados para o propiciatorio.

10 Fez tambem a mesa de madeira de sittim: o seu comprimento era de dois covados, e a sua largura d'um covado, e a sua altura d'um covado e meio.

11 E cobriu-a d'oiro puro, e fez-lhe uma corôa d'oiro ao redor.

12 Fez-lhe tambem uma moldura da largura d'uma mão ao redor: e fez uma corôa d'oiro ao redor da sua moldura.

13 Fundiu-lhe tambem quatro argolas d'oiro; e poz as argolas aos quatro cantos que estavam aos seus quatro pés.

14 Defronte da moldura estavam as argolas para os logares dos varaes, para levar a mesa.

15 Fez tambem os varaes de madeira de sittim, e os cobriu d'oiro, para levar a mesa.

16 E fez os vasos que haviam de estar sobre a mesa, os seus pratos, e as suas colheres, e as suas escudelas, e as suas cobertas, com que se haviam de cobrir, d'oiro puro.

17 Fez tambem o castiçal de oiro puro: d'obra batida fez este castiçal: o seu pé, e as suas canas, os seus copos, as suas maçãs, e as suas flôres do mesmo

18 Seis canas sahiam dos seus lados: tres canas do castiçal, de um lado d'elle, e tres canas do castiçal, d'outro lado.

19 N'uma cana estavam tres copos a modo d'amendoas, uma maçã e uma flôr: e n'outra cana tres copos a modo d'amendoas, uma maçã e uma flôr: assim para as seis canas que sahiam do castiçal.

20 Mas no mesmo castiçal havia quatro copos a modo d'amendoas com as suas maçãs e com as suas flôres.

21 E era uma maçã debaixo de duas canas do mesmo; e outra maçã debaixo de duas canas do mesmo; e mais uma maçã debaixo de duas canas do mesmo: assim se fez para as seis canas, que sahiam d'elle.

22 As suas maçãs e as suas canas eram do mesmo: tudo era uma obra batida de oiro puro.

23 E fez-lhe sete lampadas: os seus espivitadores e os seus apagadores eram d'oiro puro.

24 D'um talento d'oiro puro o fez, e todos os seus vasos.

25 E fez o altar do incenso de madeira de sittim: d'um covado era o seu comprimento, e de um covado a sua largura, quadrado; e de dois covados a sua altura: d'elle mesmo eram feitos os seus cornos.

26 E cobriu-o de oiro puro, a sua coberta, e as suas paredes ao redor, e os seus cornos: e fez-lhe uma corôa de oiro ao redor.

27 Fez-lhe tambem duas argolas de oiro debaixo da sua corôa, e os seus dois cantos, d'ambos os seus lados, para os logares dos varaes, para leval-o com elles.

28 E os varaes fez de madeira de sittim, e os cobriu de oiro.

29 Tambem fez o azeite sancto da uncção, e o incenso aromatico, puro, de obra do perfumista.

Capítulo 38

1 Fez tambem o altar do holocausto de madeira de sittim: de cinco covados era o seu comprimento, e de cinco covados a sua largura, quadrado; e de tres covados a sua altura.

2 E fez-lhe os seus cornos aos seus quatro cantos; do mesmo eram os seus cornos; e cobriu-o de cobre.

3 Fez tambem todos os vasos do altar: os caldeirões, e as pás, e as bacias, e os garfos, e os brazeiros: todos os seus vasos fez de cobre.

4 Fez tambem ao altar um crivo de cobre, de obra de rede, no seu cerco debaixo, até ao meio d'elle.

5 E fundiu quatro argolas ás quatro extremidades do crivo de cobre, para os logares dos varaes.

6 E fez os varaes de madeira de sittim, e os cobriu de cobre.

7 E metteu os varaes pelas argolas aos lados do altar, para leval-o com elles: fel-o oco de taboas.

8 Fez tambem a pia de cobre com a sua base de cobre, dos espelhos das mulheres que se ajuntavam, ajuntando-se á porta da tenda da congregação.

9 Fez tambem o pateo da banda do meio dia ao sul: as cortinas do pateo eram de linho fino torcido, de cem covados.

10 As suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre: os colchetes d'estas columnas e as suas molduras eram de prata;

11 E da banda do norte cortinas de cem covados; as suas vinte columnas e as suas vinte bases eram de cobre, os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

12 E da banda do occidente cortinas de cincoenta covados, as suas columnas dez, e as suas bases dez: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata.

13 E da banda oriental, ao oriente, cortinas de cincoenta covados.

14 As cortinas d'esta banda da porta eram de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

15 E da outra banda da porta do pateo de ambos os lados eram cortinas de quinze covados: as suas columnas tres e as suas bases tres.

16 Todas as cortinas do pateo ao redor eram de linho fino torcido.

17 E as bases das columnas eram de cobre: os colchetes das columnas e as suas molduras eram de prata; e a coberta das suas cabeças de prata; e todas as columnas do pateo eram cingidas de prata.

18 E a coberta da porta do pateo era de obra de bordador, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido; e o comprimento era de vinte covados, e a altura, na largura, de cinco covados, defronte das cortinas do pateo.

19 E as suas quatro columnas e as suas quatro bases eram de cobre, os seus colchetes de prata, e a coberta das suas cabeças, e as suas molduras, de prata.

20 E todas as estacas do tabernaculo e do pateo ao redor eram de cobre.

21 Esta é a numeração das coisas contadas do tabernaculo do testemunho, que por ordem de Moysés foram contadas para o ministerio dos levitas por mão de Ithamar, filho de Aarão o sacerdote.

22 Fez pois Bezaleel, o filho de Uri, filho de Hur, da tribu de Judah, tudo quanto o Senhor tinha ordenado a Moysés.

23 E com elle Aholiab, o filho de Ahisamach, da tribu de Dan, um mestre de obra, e engenhoso artifice, e bordador em azul, e em purpura e em carmezim e em linho fino.

24 Todo o oiro gasto na obra, em toda a obra do sanctuario, a saber, o oiro da offerta, foi vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos, conforme ao siclo do Sanctuario;

25 E a prata dos arrolados da congregação foi cem talentos e mil e setecentos e setenta e cinco siclos, conforme ao siclo do sanctuario;

26 Um beca por cada cabeça, isto é, meio siclo, conforme ao siclo do sanctuario: de qualquer que passava aos arrolados, da edade de vinte annos e acima, que foram seiscentos e tres mil e quinhentos e cincoenta.

27 E houve cem talentos de prata para fundir as bases do sanctuario e as bases do véu: para cem bases eram cem talentos; um talento para cada base.

28 Mas dos mil e setecentos e setenta siclos fez os colchetes das columnas, e cobriu as suas cabeças, e as cingiu de molduras.

29 E o cobre da offerta foi setenta talentos e dois mil e quatrocentos siclos.

30 E d'elle fez as bases da porta da tenda da congregação e o altar de cobre, e o crivo de cobre e todos os vasos do altar,

31 E as bases do pateo ao redor, e as bases da porta do pateo, e todas as estacas do tabernaculo e todas as estacas do pateo ao redor.

Capítulo 39

1 Fizeram tambem os vestidos do ministerio, para ministrar no sanctuario de azul, e de purpura e de carmezim: tambem fizeram os vestidos sanctos, para Aarão, como o Senhor ordenara a Moysés.

2 Assim fez o ephod de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim e de linho fino torcido.

3 E estenderam as laminas de oiro, e as cortaram em fios, para entretecer entre o azul, e entre a purpura, e entre o carmezim, e entre o linho fino da obra mais esmerada.

4 Fizeram n'elle hombreiras que se ajuntassem: ás suas duas pontas se ajuntava.

5 E o cinto de artificio do ephod, que estava sobre elle, era conforme á sua obra, do mesmo, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido, como o Senhor ordenara a Moysés.

6 Tambem prepararam as pedras sardonicas, engastadas em oiro, lavradas com gravuras de sêllo, com os nomes dos filhos de Israel,

7 E as poz sobre as hombreiras do ephod por pedras de memoria para os filhos de Israel, como o Senhor ordenara a Moysés.

8 Fez tambem o peitoral de obra de artifice, como a obra do ephod, de oiro, de azul, e de purpura, e de carmezim, e de linho fino torcido.

9 Quadrado era; dobrado fizeram o peitoral: o seu comprimento era de um palmo, e a sua largura de um palmo dobrado.

10 E engastaram n'elle quatro ordens de pedras: uma ordem de uma sardia, de um topazio, e de um carbunculo; esta é a primeira ordem:

11 E a segunda ordem de uma esmeralda, de uma saphira e de um diamante:

12 E a terceira ordem de um jacinto, de uma agatha, e de uma amethista:

13 E a quarta ordem de uma turqueza, e de uma sardonica, e de um jaspe, engastadas nos seus engastes de oiro.

14 Estas pedras pois eram segundo os nomes dos filhos de Israel, doze segundo os seus nomes; de gravura de sêllo, cada um com o seu nome, segundo as doze tribus.

15 Tambem fizeram para o peitoral cadeiasinhas de egual medida, obra de trança, de oiro puro.

16 E fizeram dois engastes de oiro e duas argolas de oiro; e pozeram as duas argolas nas duas extremidades do peitoral.

17 E pozeram as duas cadeiasinhas de trança de oiro nas duas argolas, nas duas extremidades do peitoral.

18 E as outras duas pontas das duas cadeiasinhas de trança pozeram nos dois engastes: e as pozeram sobre as hombreiras do ephod, defronte d'elle.

19 Fizeram tambem duas argolas de oiro, que pozeram nas outras duas extremidades do peitoral, na sua borda que estava junto ao ephod por dentro.

20 Fizeram mais duas argolas de oiro, que pozeram nas duas hombreiras do ephod, debaixo, defronte d'elle, defronte da sua juntura, sobre o cinto d'artificio do ephod.

21 E ligaram o peitoral com as suas argolas ás argolas do ephod com um cordão de azul, para que estivesse sobre o cinto de artificio do ephod, e o peitoral não se apartasse do ephod, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 E fez o manto do ephod de obra torcida, todo de azul.

23 E o collar do manto estava no meio d'elle, como collar de saia de malha: este collar tinha uma borda em volta, para que se não rompesse.

24 E nas bordas do manto fizeram romãs de azul, e de purpura, e de carmezim, a fio torcido.

25 Fizeram tambem as campainhas de oiro puro, pondo as campainhas no meio das romãs nas bordas da capa, em roda, entre as romãs:

26 Uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã, nas bordas do manto á roda: para ministrar, como o Senhor ordenara a Moysés.

27 Fizeram tambem as tunicas de linho fino, de obra tecida, para Aarão e para seus filhos,

28 E a mitra de linho fino, e o ornato das tiaras de linho fino, e os calções de linho fino torcido,

29 E o cinto de linho fino torcido, e de azul, e de purpura, e de carmezim, de obra de bordador, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Fizeram tambem a folha da corôa de sanctidade de oiro puro, e n'ella escreveram o escripto como de gravura de sêllo: Sanctidade ao Senhor.

31 E ataram-n'o com um cordão de azul, para a atar á mitra em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

32 Assim se acabou toda a obra do tabernaculo da tenda da congregação; e os filhos de Israel fizeram conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés; assim o fizeram.

33 Depois trouxeram a Moysés o tabernaculo, a tenda e todos os seus vasos; os seus colchetes, as suas taboas, os seus varaes, e as suas columnas, e as suas bases;

34 E a coberta de pelles de carneiro tintas de vermelho, e a coberta de pelles de teixugos, e o véu da coberta;

35 A arca do testemunho, e os seus varaes, e o propiciatorio:

36 A mesa com todos os seus vasos, e os pães da proposição;

37 O castiçal puro com suas lampadas, as lampadas da ordenança, e todos os seus vasos, e o azeite para a luminaria;

38 Tambem o altar de oiro, e o azeite da uncção, e o incenso aromatico, e a coberta da porta da tenda;

39 O altar de cobre, e o seu crivo de cobre, os seus varaes, e todos os seus vasos, a pia, e a sua base;

40 As cortinas do pateo, as suas columnas, e as suas bases, e a coberta da porta do pateo, as suas cordas, e os seus pregos, e todos os vasos do serviço do tabernaculo, para a tenda da congregação;

41 Os vestidos do ministerio para ministrar no sanctuario; os sanctos vestidos de Aarão o sacerdote, e os vestidos dos seus filhos, para administrarem o sacerdocio.

42 Conforme a tudo o que o Senhor ordenara a Moysés, assim fizeram os filhos de Israel toda a obra.

43 Viu pois Moysés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor ordenara, assim a fizeram: então Moysés os abençoou.

Capítulo 40

1 Fallou mais o Senhor a Moysés, dizendo:

2 No primeiro mez, no primeiro dia do mez, levantarás o tabernaculo da tenda da congregação,

3 E porás n'elle a arca do testemunho, e cobrirás a arca com o véu.

4 Depois metterás n'elle a mesa, e porás em ordem o que se deve pôr em ordem n'ella; tambem metterás n'elle o castiçal, e accenderás as suas lampadas.

5 E porás o altar de oiro para o incenso diante da arca do testemunho: então pendurarás a coberta da porta do tabernaculo.

6 Porás tambem o altar do holocausto diante da porta do tabernaculo da tenda da congregação.

7 E porás a pia entre a tenda da congregação e o altar, e n'ella porás agua.

8 Depois porás o pateo ao redor, e pendurarás a coberta á porta do pateo.

9 Então tomarás o azeite da uncção, e ungirás o tabernaculo, e tudo o que ha n'elle: e o sanctificarás com todos os seus vasos, e será sancto

10 Ungirás tambem o altar do holocausto, e todos os seus vasos; e sanctificarás o altar; e o altar será uma coisa sanctissima.

11 Então ungirás a pia e a sua base, e a sanctificarás.

12 Farás tambem chegar a Aarão e a seus filhos á porta da tenda da congregação; e os lavarás com agua.

13 E vestirás a Aarão os vestidos sanctos, e o ungirás, e o sanctificarás, para que me administre o sacerdocio.

14 Tambem farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as tunicas,

15 E os ungirás como ungiste a seu pae, para que me administrem o sacerdocio, e a sua uncção lhes será por sacerdocio perpetuo nas suas gerações.

16 E fel-o Moysés: conforme a tudo o que o Senhor lhe ordenou, assim o fez.

17 E aconteceu no mez primeiro, no anno segundo, ao primeiro do mez, que o tabernaculo foi levantado;

18 Porque Moysés levantou o tabernaculo, e poz as suas bases, e armou as suas taboas, e metteu n'elle os seus varaes, e levantou as suas columnas;

19 E estendeu a tenda sobre o tabernaculo, e poz a coberta da tenda sobre ella, em cima, como o Senhor ordenara a Moysés.

20 Tomou o testemunho, e pôl-o na arca, e metteu os varaes á arca; e poz o propiciatorio sobre a arca, em cima.

21 E levou a arca no tabernaculo, e pendurou o véu da cobertura, e cobriu a arca do testemunho, como o Senhor ordenara a Moysés.

22 Poz tambem a mesa na tenda da congregação, ao lado do tabernaculo para o norte, fóra do véu,

23 E sobre ella poz em ordem o pão perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

24 Poz tambem na tenda da congregação o castiçal defronte da mesa, ao lado do tabernaculo para o sul,

25 E accendeu as lampadas perante o Senhor, como o Senhor ordenara a Moysés.

26 E poz o altar d'oiro na tenda da congregação, diante do véu,

27 E accendeu sobre elle o incenso d'especiarias aromaticas, como o Senhor ordenara a Moysés.

28 Pendurou tambem a coberta da porta do tabernaculo,

29 E poz o altar do holocausto á porta do tabernaculo da tenda da congregação, e offereceu sobre elle holocausto e offerta de manjares, como o Senhor ordenara a Moysés.

30 Poz tambem a pia entre a tenda da congregação e o altar, e derramou agua n'ella, para lavar.

31 E Moysés, e Aarão e seus filhos lavaram n'ella as suas mãos e os seus pés.

32 Quando entravam na tenda da congregação, e quando chegavam ao altar, lavavam-se, como o Senhor ordenara a Moysés.

33 Levantou tambem o pateo ao redor do tabernaculo e do altar, e pendurou a coberta da porta do pateo. Assim Moysés acabou a obra.

34 Então a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a gloria do Senhor encheu o tabernaculo;

35 De maneira que Moysés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem ficava sobre elle, e a gloria do Senhor enchia o tabernaculo.

36 Quando pois a nuvem se levantava de sobre o tabernaculo, então os filhos de Israel caminhavam em todas as suas jornadas.

37 Se a nuvem porém não se levantava, não caminhavam, até ao dia em que ella se levantava;

38 Porquanto a nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernaculo, e o fogo estava de noite sobre elle, perante os olhos de toda a casa d'Israel, em todas as suas jornadas.

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