Gênesis
Capítulo 1
1 No princípio, criou Deus o céu e a terra.
2 A terra, porém, era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava por cima das águas.
3 Disse Deus: Haja luz; e houve luz.
4 Viu Deus a luz que era boa e fez separação entre a luz e as trevas.
5 Chamou Deus à luz Dia e às trevas chamou Noite. Houve tarde e houve manhã, dia primeiro.
6 Disse também Deus: Faça-se um firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.
7 Fez, pois, Deus o firmamento e dividiu as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por cima do firmamento; e assim se fez.
8 Chamou Deus ao firmamento Céu. Houve tarde e houve manhã, dia segundo.
9 Disse também Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento seco; e assim se fez.
10 Chamou Deus ao elemento seco Terra e ao ajuntamento das águas, Mares; e viu Deus que isso era bom.
11 Disse também Deus: Produza a terra relva, ervas que deem semente e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, deem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra; e assim se fez.
12 A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo as suas espécies, e árvores que davam fruto que tinha em si a sua semente, segundo as suas espécies; e viu Deus que isso era bom.
13 Houve tarde e houve manhã, dia terceiro.
14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento do céu que façam separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos;
15 e sejam para luzeiros no firmamento do céu, a fim de alumiar a terra; e assim se fez.
16 Fez Deus os dois grandes luzeiros: o luzeiro maior para presidir ao dia, e o luzeiro menor para presidir à noite; fez também as estrelas.
17 Deus os colocou no firmamento do céu para alumiar a terra,
18 para presidir ao dia e à noite e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que isso era bom.
19 Houve tarde e houve manhã, dia quarto.
20 Disse também Deus: Produzam as águas enxames de seres viventes, e voem as aves acima da terra no firmamento do céu.
21 Criou, pois, Deus os grandes monstros marinhos e todos os seres viventes que se arrastam, os quais as águas produziram abundantemente, segundo as suas espécies, e toda a ave que voa, segundo a sua espécie; e viu Deus que isso era bom.
22 Deus os abençoou, dizendo: Frutificai, multiplicai-vos e enchei as águas nos mares, e multipliquem-se as aves sobre a terra.
23 Houve tarde e houve manhã, dia quinto.
24 Disse também Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis e animais selvagens segundo as suas espécies; e assim se fez.
25 Deus fez, pois, os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies; e viu Deus que isso era bom.
26 Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.
27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
28 Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.
29 Disse Deus mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.
30 A todos os animais selvagens, e a todas as aves do céu, e a tudo que se arrasta sobre a terra, em que há vida, tenho dado todas as ervas verdes para lhes servirem de mantimento; e assim se fez.
31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e houve manhã, dia sexto.
Capítulo 2
1 Assim foram acabados o céu e a terra, com todo o seu exército.
2 No sétimo dia, acabou Deus a obra que tinha feito; e cessou, no sétimo dia, de toda a obra que fizera.
3 Abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele cessou de toda a obra que fizera como Criador.
4 Estas são as gerações do céu e da terra quando foram criados, no dia em que Deus Jeová os criou.
5 Não havia ainda nenhuma planta na terra, e nenhuma erva no campo tinha ainda brotado; porque Deus Jeová não tinha feito chover sobre a terra. Não havia homem que cultivasse o solo,
6 mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.
7 Do pó da terra formou Deus Jeová ao homem e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se um ser vivente.
8 Então, plantou Deus Jeová um jardim, da banda do Oriente, no Éden; e ali pôs o homem que tinha formado.
9 Fez Deus Jeová brotar do solo toda a sorte de árvores gratas à vista e boas para comida; também a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10 Do Éden saía um rio para regar o jardim; dali se dividia e se tornava em quatro braços.
11 O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro.
12 O ouro daquela terra é bom; ali também se acha o bdélio e a pedra de ônix.
13 O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de Cuxe.
14 O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.
15 Tomou, pois, Deus Jeová ao homem e pô-lo no jardim do Éden para o cultivar e guardar.
16 Ordenou Deus Jeová ao homem: De toda a árvore do jardim podes comer livremente;
17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
18 Disse mais Deus Jeová: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.
19 Da terra formou Deus Jeová todos os animais do campo e todas as aves do céu e os trouxe ao homem para ver que nome lhes daria; o nome que o homem deu a todo o ser vivente, esse foi o seu nome.
20 O homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo, mas para ele não se achava uma ajudadora idônea.
21 Fez Deus Jeová cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; então, tomou uma das costelas do homem e fechou a carne no lugar dela.
22 Da costela que Deus Jeová tinha tomado do homem, formou a mulher e a trouxe ao homem.
23 Então, disse o homem: Esta, agora, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porque do varão foi tomada.
24 Portanto, deixa o homem a seu pai e a sua mãe e se une à sua mulher; e são uma só carne.
25 Estavam ambos nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam.
Capítulo 3
1 Ora, a serpente era mais astuta que qualquer animal do campo que Deus Jeová tinha feito. Ela disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?
2 Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer;
3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
4 Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis;
5 porque Deus sabe que, no dia em que comerdes do fruto, abrir-se-vos-ão os olhos, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.
6 Viu, pois, a mulher que a árvore era boa para comer, que era uma delícia para os olhos e árvore desejável para dar entendimento; tomou do fruto dela e comeu; deu também a seu marido, e ele comeu.
7 Foram abertos os olhos de ambos e, conhecendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram para si umas cintas.
8 Ouviram o ruído de Deus Jeová, que passeava pelo jardim ao fresco do dia, e esconderam-se o homem e sua mulher da presença de Deus Jeová entre as árvores do jardim.
9 Deus Jeová chamou ao homem e perguntou-lhe: Onde estás?
10 Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me.
11 Perguntou-lhe Deus: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?
12 Respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi.
13 Perguntou Deus Jeová à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente enganou-me, e eu comi.
14 Então, disse Deus Jeová à serpente: Porquanto assim o fizeste, maldita és tu dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás de rastos, o pó comerás todos os dias da tua vida.
15 Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
16 Disse ele à mulher: Multiplicarei grandemente o teu sofrer e a tua conceição; em dor darás à luz filhos; o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará.
17 E a Adão disse: Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei que não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadiga tirarás dela o sustento todos os dias da tua vida.
18 Ela te produzirá também espinhos e abrolhos, e comerás as ervas do campo.
19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra, pois dela foste tomado: porquanto tu és pó e em pó te hás de tornar.
20 Chamou o homem à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.
21 Fez Deus Jeová para Adão e para sua mulher túnicas de peles e os vestiu.
22 Disse Deus Jeová: Eis que o homem se tem tornado como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Agora, para que ele não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente,
23 Deus Jeová o enviou para fora do jardim do Éden, a fim de cultivar a terra de que havia sido tomado.
24 Assim, expulsou ao homem; e, ao oriente do jardim do Éden, pôs os querubins e o chamejar de uma espada que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.
Capítulo 4
1 O homem conheceu a Eva, sua mulher; ela concebeu e, dando à luz a Caim, disse: Adquiri um homem com o auxílio de Jeová.
2 Tornou a dar à luz a um filho, a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, mas Caim foi lavrador da terra.
3 Ao cabo de dias, trouxe Caim, do fruto da terra, uma oferta a Jeová.
4 Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas com as gorduras destas. Jeová atentou para Abel e para a sua oferta;
5 mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.
6 Perguntou-lhe Jeová: Por que andas tu irado? E por que te descaiu o semblante?
7 Porventura, se procederes bem, não terás levantado o teu semblante? E, se não procederes bem, o pecado jaz à porta; a ti será o seu desejo, mas tu dominarás sobre ele.
8 Caim o contou a seu irmão Abel. Sucedeu, pois, que, estando eles no campo, se levantou Caim contra seu irmão Abel e o matou.
9 Perguntou Jeová a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda de meu irmão?
10 Disse Jeová: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.
11 Agora, maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.
12 Quando lavrares o solo, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.
13 Disse Caim a Jeová: A minha punição é maior do que a que se pode suportar.
14 Eis que, hoje, me lanças da face da terra, e da tua presença serei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; todo o que me encontrar matar-me-á.
15 Respondeu-lhe Jeová: Por isso, quem matar a Caim, sobre ele cairá a vingança sete vezes mais. Deu Jeová a Caim um sinal, de que não lhe daria a morte quem quer que o encontrasse.
16 Saiu Caim da presença de Jeová e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.
17 Conheceu Caim à sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e chamou o nome da cidade do nome de seu filho, Enoque.
18 A Enoque nasceu Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael gerou a Metusael, e Metusael gerou a Lameque.
19 Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da outra, Zilá.
20 Ada deu à luz a Jabal, que foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.
21 O nome de seu irmão era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
22 Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, fabricante de todo o instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Naamá.
23 Disse Lameque à suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; Vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras: pois matei um homem, porque me feriu; e um mancebo, porque me pisou.
24 Se por Caim tomar-se-á vingança sete vezes, com certeza, por Lameque o será setenta e sete vezes.
25 Tornou Adão a conhecer sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete, dizendo: Deus me deu outro filho em lugar de Abel, porquanto Caim o matou.
26 A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos; foi nesse tempo que os homens começaram a invocar o nome de Jeová.
Capítulo 5
1 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez;
2 homem e mulher os criou, e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no dia em que foram criados.
3 Adão viveu cento e trinta anos e gerou à sua semelhança, conforme a sua imagem, um filho, a quem pôs o nome de Sete.
4 Foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas.
5 Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu.
6 Sete viveu cento e cinco anos e gerou a Enos.
7 Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou filhos e filhas.
8 Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu.
9 Enos viveu noventa anos e gerou a Cainã.
10 Viveu Enos, depois que gerou a Cainã, oitocentos e quinze anos; e gerou filhos e filhas.
11 Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e morreu.
12 Cainã viveu setenta anos e gerou a Maalaleel.
13 Viveu Cainã, depois que gerou a Maalaleel, oitocentos e quarenta anos; e gerou filhos e filhas.
14 Todos os dias de Cainã foram novecentos e dez anos; e morreu.
15 Maalaleel viveu sessenta e cinco anos e gerou a Jerede.
16 Viveu Maalaleel, depois que gerou a Jerede, oitocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas.
17 Todos os dias de Maalaleel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu.
18 Jerede viveu cento e sessenta e dois anos e gerou a Enoque.
19 Viveu Jerede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas.
20 Todos os dias de Jerede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu.
21 Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou Metusalém.
22 Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Metusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas.
23 Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos.
24 Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porque Deus o tomou.
25 Metusalém viveu cento e oitenta e sete anos e gerou a Lameque.
26 Viveu Metusalém, depois que gerou a Lameque, setecentos e oitenta e dois anos; e gerou filhos e filhas.
27 Todos os dias de Metusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e morreu.
28 Lameque viveu cento e oitenta e dois anos e gerou um filho,
29 a quem chamou Noé, dizendo: Este nos dará descanso das nossas obras e do trabalho das nossas mãos, os quais vêm da terra que Jeová amaldiçoou.
30 Viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos; e gerou filhos e filhas.
31 Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anos; e morreu.
32 Noé era da idade de quinhentos anos e gerou a Sem, Cam e Jafé.
Capítulo 6
1 Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra e lhes nasceram filhas,
2 viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
3 Então, disse Jeová: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem; por causa do seu errar, é ele carne; portanto, os seus dias serão cento e vinte anos.
4 Ora, naqueles dias, estavam os nefilins na terra e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Os nefilins eram os valentes que houve na antiguidade, varões de renome.
5 Viu Jeová que era grande a maldade do homem na terra e que toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era má continuamente.
6 Então, se arrependeu Jeová de ter feito o homem na terra, e pesou-lhe em seu coração.
7 Disse Jeová: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, desde o homem até o animal, até os répteis e até as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito.
8 Porém Noé achou graça aos olhos de Jeová.
9 Estas são as gerações de Noé. Noé foi um homem justo e perfeito nas suas gerações; Noé andou com Deus.
10 Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11 A terra estava corrompida diante de Deus e cheia de violência.
12 Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne tinha corrompido o seu caminho sobre a terra.
13 Disse Deus a Noé: Hei resolvido dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que eu os farei perecer juntamente com a terra.
14 Faze para ti uma arca de madeira de gofer; compartimentos farás na arca e untá-la-ás com betume por dentro e por fora.
15 Desta maneira a farás: o comprimento da arca será de trezentos cúbitos, a sua largura, de cinquenta e a sua altura, de trinta.
16 Farás para a arca uma janela e lhe darás um cúbito de alto; a porta da arca porás no seu lado; fa-la-ás com andares, um embaixo, um segundo e um terceiro.
17 Eis que eu vou trazer o dilúvio de águas sobre a terra, para fazer perecer de debaixo do céu toda a carne, em que há o espírito de vida; tudo o que há na terra morrerá.
18 Porém, contigo estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu com teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.
19 De tudo o que vive de toda a carne, dois de cada espécie farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão.
20 Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, e de todo o réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida.
21 Leva contigo de tudo o que se come e ajunta-o para ti; ser-te-á para alimento, a ti e a eles.
22 Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe ordenou, assim o fez.
Capítulo 7
1 Disse Jeová a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque vi que eras justo diante de mim nesta geração.
2 De todos os animais limpos, levarás contigo de sete em sete, o macho e sua fêmea; e, dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea;
3 também das aves do céu, de sete em sete, macho e fêmea, para se conservar em vida semente sobre a face da terra.
4 Porque, passados ainda sete dias, eu farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites e farei desaparecer da face da terra todas as criaturas que fiz.
5 Fez Noé segundo tudo o que Jeová lhe ordenara.
6 Noé tinha seiscentos anos de idade, quando o dilúvio de águas veio sobre a terra.
7 Entrou na arca Noé com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio.
8 Dos animais limpos, e dos animais que não são limpos, e das aves, e de tudo o que se arrasta sobre a terra,
9 entraram de dois em dois na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé.
10 Passados os sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.
11 No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, no dia dezessete do mês, nesse dia, romperam-se as fontes do grande abismo, e abriram-se as janelas do céu.
12 Caiu copiosa chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
13 Nesse mesmo dia, entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
14 Entraram estes com todo o animal segundo as suas espécies, todo gado segundo as suas espécies, todo o réptil que se arrasta sobre a terra segundo as suas espécies, e toda a ave segundo as suas espécies, pássaro de toda a qualidade.
15 Entraram a Noé na arca a dois e dois de toda carne em que havia espírito de vida.
16 Os que entraram, entraram macho e fêmea de toda a carne, como Deus lhe ordenara; e Jeová o fechou dentro.
17 Durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra; as águas cresceram e levantaram a arca, que se elevou por cima da terra.
18 Prevaleceram as águas e cresceram grandemente sobre a terra; mas a arca andava sobre as águas.
19 As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra, e todos os altos montes que havia debaixo do céu foram cobertos.
20 Quinze cúbitos por cima deles prevaleceram as águas, e os montes foram cobertos.
21 Pereceu toda a carne que se movia sobre a terra, tanto aves como gado, animais, todo o réptil que se arrasta sobre a terra e todo o homem;
22 tudo o que tinha o fôlego do espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia na terra seca morreu.
23 Foram destruídas todas as criaturas que havia sobre a face da terra, desde o homem até o gado, até o réptil e até as aves do céu; pereceram da terra: foi deixado somente Noé e os que com ele estavam na arca.
24 Prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinquenta dias.
Capítulo 8
1 Deus lembrou-se de Noé, de todos os animais e de todo o gado que estavam com ele na arca; Deus fez passar um vento sobre a terra, e as águas se diminuíram.
2 Fecharam-se as fontes do abismo e as janelas do céu, e foram retidas do céu as copiosas chuvas.
3 Iam-se as águas retirando continuamente de cima da terra e, no fim de cento e cinquenta dias, as águas minguaram.
4 No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre os montes de Ararate.
5 As águas iam diminuindo continuamente até o décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia do mês, foram vistos os cumes dos montes.
6 Passados quarenta dias, abriu Noé a janela que havia feito na arca;
7 soltou um corvo que, saindo, ia e voltava, até que as águas se secaram de sobre a face da terra.
8 Depois, soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra;
9 mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé e voltou a ele, para a arca; porque as águas ainda cobriam a face da terra. Noé, estendendo a mão, tomou-a e a fez recolher na arca.
10 Esperou ainda outros sete dias e, de novo, soltou a pomba para fora da arca.
11 À tarde, a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de oliveira; assim soube Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.
12 Então, esperou ainda outros sete dias e enviou a pomba; porém ela não voltou mais para ele.
13 No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, secaram-se as águas de cima da terra e, tirando a coberta da arca, olhou Noé, e eis que a face da terra estava enxuta.
14 No segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.
15 Então, disse Deus a Noé:
16 Sai da arca, tu com tua mulher, teus filhos e as mulheres de teus filhos.
17 Faze também sair a todos os animais que estão contigo, de toda a carne, tanto aves como gado e todo o réptil que se arrasta sobre a terra; para que se reproduzam abundantemente na terra, frutifiquem e se multipliquem sobre ela.
18 Saíram, pois, Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
19 Todo o animal, todo o réptil, toda a ave, tudo o que se move sobre a terra, segundo as suas famílias, saíram da arca.
20 Edificou Noé um altar a Jeová; tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar.
21 Sentiu Jeová o suave cheiro e disse no seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois a imaginação do coração do homem é má desde a sua mocidade; nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como acabo de fazer.
22 Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.
Capítulo 9
1 Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra.
2 Terá medo e pavor de vós todo o animal da terra e toda a ave do céu; nas vossas mãos serão eles entregues juntamente com tudo o que se move sobre a terra e com todos os peixes do mar.
3 Tudo o que se move e vive vos servirá de mantimento; como a erva verde, tudo vos tenho dado a vós.
4 A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal, o requererei; e, da mão do homem, sim, da mão do irmão de cada um, requererei a vida do homem.
6 Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu sangue; porque o homem foi feito à imagem de Deus.
7 Mas vós frutificai, e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e nela multiplicai-vos.
8 Disse também Deus a Noé e a seus filhos:
9 Eis que eu vou estabelecer a minha aliança convosco e com a vossa posteridade depois de vós;
10 e também com todo o animal vivente que está convosco: com as aves, com o gado e com todo o animal da terra, desde todos os que saem da arca até todo o animal da terra.
11 Estabelecerei a minha aliança convosco: não será mais exterminada toda a carne pelas águas do dilúvio, nem haverá mais dilúvio para destruir a terra.
12 Disse Deus: Este é o sinal da aliança que faço entre mim e vós e todo o animal vivente que está convosco, para perpétuas gerações:
13 o meu arco tenho posto nas nuvens, e será ele por sinal de uma aliança entre mim e a terra.
14 Quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco nas nuvens,
15 então, me lembrarei da minha aliança, que está entre mim e vós e todo o animal vivente de toda a carne; as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda a carne.
16 O arco estará nas nuvens; olharei para ele, a fim de me lembrar da aliança eterna entre Deus e todo o animal vivente de toda a carne que está sobre a terra.
17 Disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança que tenho estabelecido entre mim e toda a carne que está sobre a terra.
18 Os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
19 Estes três foram os filhos de Noé; e destes foi povoada toda a terra.
20 Começou Noé a ser lavrador e plantou uma vinha.
21 Bebendo do vinho, embriagou-se e achou-se nu dentro da sua tenda.
22 Cam, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai e contou a seus dois irmãos que estavam fora.
23 Então, tomaram Sem e Jafé uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e, andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai; tiveram virado os seus rostos, e não viram a nudez de seu pai.
24 Despertando Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera.
25 E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos.
26 E acrescentou: Bendito seja Jeová, o Deus de Sem; e seja-lhes Canaã por servo.
27 Dilate Deus a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhes Canaã por servo.
28 Noé viveu, depois do dilúvio, trezentos e cinquenta anos.
29 Foram todos os dias de Noé novecentos e cinquenta anos; e morreu.
Capítulo 10
1 Estas são as gerações de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé; e a estes nasceram filhos depois do dilúvio.
2 Os filhos de Jafé são: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.
3 Os filhos de Gômer: Asquenaz, Rifá e Togarma.
4 Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.
5 Por estes foram repartidas as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações.
6 Os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
7 Os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de Raamá: Sabá e Dedã.
8 Cuxe gerou a Ninrode, que começou a ser poderoso na terra.
9 Ele era poderoso caçador diante de Jeová; pelo que se diz: Como Ninrode, poderoso caçador diante de Jeová.
10 O princípio de seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear.
11 Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir, Calá
12 e Resém entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).
13 Mizraim gerou a Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim,
14 Patrusim, Casluim (donde saíram os filisteus) e Caftorim.
15 Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete,
16 e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu,
17 o heveu, o arqueu, o sineu,
18 o arvadeu, o zemareu e o hamateu; e depois se espalharam as famílias dos cananeus.
19 Era o termo dos cananeus desde Sidom, no caminho de Gerar, até Gaza; e no caminho de Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.
20 Estes são os filhos de Cam segundo a sua família, segundo as suas línguas, nas suas terras, nas suas nações.
21 A Sem, que foi pai de todos os filhos de Éber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos.
22 Os filhos de Sem: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.
23 Os filhos de Arã: Uz, Hul, Géter e Más.
24 Arfaxade gerou a Salá, e Salá gerou a Éber.
25 A Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porque nos seus dias foi dividida a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã.
26 Joctã gerou a Almodá, Salefe, Hazar-Mavé, Jerá,
27 Hadorão, Uzal, Dicla,
28 Obal, Abimael, Sabá,
29 Ofir, Havilá e Jobabe; todos estes foram filhos de Joctã.
30 Foi a sua habitação desde Messa, no caminho de Sefar, monte do Oriente.
31 Estes são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações.
32 Estas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram disseminadas as nações na terra depois do dilúvio.
Capítulo 11
1 Ora, toda a terra tinha uma só linguagem e um só modo de falar.
2 Viajando os homens para o Oriente, acharam uma planície na terra de Sinear; e ali habitaram.
3 Disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras, e o betume, de cal.
4 E disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume chegue até o céu e façamo-nos um nome; para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
5 Porém, desceu Jeová para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam.
6 Disse Jeová: Eis que o povo é um só, e todos eles têm uma só linguagem. Isso é o que começam a fazer: agora, nada lhes será vedado de quanto intentam fazer.
7 Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que não entendam a linguagem um do outro.
8 Assim Jeová os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
9 Por isso, se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu Jeová a linguagem de toda a terra; e dali os espalhou sobre a face de toda a terra.
10 Estas são as gerações de Sem. Tinha ele cem anos de idade, quando gerou a Arfaxade dois anos depois do dilúvio.
11 Viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos e filhas.
12 Arfaxade viveu trinta e cinco anos e gerou a Salá.
13 Viveu Arfaxade, depois que gerou a Salá, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.
14 Salá viveu trinta anos e gerou a Éber.
15 Viveu Salá, depois que gerou a Éber, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas.
16 Éber viveu trinta e quatro anos e gerou a Pelegue.
17 Viveu Éber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas.
18 Pelegue viveu trinta anos e gerou a Reú.
19 Viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos; e gerou filhos e filhas.
20 Reú viveu trinta e dois anos e gerou a Serugue.
21 Viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos; e gerou filhos e filhas.
22 Serugue viveu trinta anos e gerou a Naor.
23 Viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos; e gerou filhos e filhas.
24 Naor viveu vinte e nove anos e gerou a Tera.
25 Viveu Naor, depois que gerou a Tera, cento e dezenove anos; e gerou filhos e filhas.
26 Tera viveu setenta anos e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.
27 Estas são as gerações de Tera: Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló.
28 Harã morreu antes de seu pai Tera, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus.
29 Abrão e Naor tomaram para si mulheres: o nome da mulher de Abrão era Sarai; e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e pai de Iscá.
30 Sarai era estéril; ela não tinha filhos.
31 Tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus para ir à terra de Canaã; vieram a Harã e ali habitaram.
32 Foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã.
Capítulo 12
1 Ora, disse Jeová a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai para a terra que te mostrarei;
2 farei de ti uma grande nação, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome. Sê tu uma bênção.
3 Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que te amaldiçoar; por meio de ti, serão benditas todas as famílias da terra.
4 Partiu, pois, Abrão, como Jeová lhe ordenara, e foi com ele Ló; tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
5 Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que tinham adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; saíram para ir à terra de Canaã; e lá chegaram.
6 Atravessou Abrão a terra até o lugar de Siquém, até o terebinto de Moré. Nesse tempo, estavam os cananeus na terra.
7 Apareceu Jeová a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. Ali, edificou Abrão um altar a Jeová, que lhe aparecera.
8 Passando dali para o monte ao oriente de Betel, levantou a sua tenda, ficando-lhe Betel ao ocidente, e Ai, ao oriente; ali, edificou um altar a Jeová e invocou o nome de Jeová.
9 Continuou Abrão o seu caminho, indo sempre para o Neguebe.
10 Havia fome naquela terra; Abrão, pois, desceu ao Egito para peregrinar ali, porquanto era grande a fome na terra.
11 Quando ele estava quase a entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista.
12 Acontecerá que, quando os egípcios te virem, hão de dizer: Esta é a mulher dele, e me matarão a mim, mas a ti te guardarão em vida.
13 Dize, pois, que és minha irmã; para que me vá bem por tua causa, e para que viva a minha alma em atenção a ti.
14 Tendo Abrão entrado no Egito, viram os egípcios que a mulher era em extremo formosa.
15 Os príncipes de Faraó viram-na e gabaram-na diante de Faraó; e foi levada a mulher para a casa de Faraó.
16 Ele tratou bem a Abrão por amor dela; e este veio a ter ovelhas, bois, jumentos, servos, servas, jumentas e camelos.
17 Mas feriu Jeová a Faraó e a sua casa com grandes pragas por causa de Sarai, mulher de Abrão.
18 Então, chamou Faraó a Abrão e disse: Que é isso que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher?
19 Por que disseste: É minha irmã? Assim a tomei para ser minha mulher. Agora, pois, eis tua mulher; toma-a e vai-te.
20 Faraó deu ordens à sua gente a respeito dele, e o conduziram pelo caminho, a ele, sua mulher e tudo o que tinha.
Capítulo 13
1 Saiu do Egito Abrão com sua mulher e com tudo o que tinha, e Ló, com ele, para o Neguebe.
2 Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro.
3 Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até o lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai,
4 até o lugar do altar, que dantes ali havia feito; ali, invocou Abrão o nome de Jeová.
5 Ló também, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas.
6 A terra não podia sustentá-los, de maneira que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de modo que não podiam habitar juntos.
7 Houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló; naquele tempo, habitavam os cananeus e os ferezeus na terra.
8 Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus, porque somos irmãos.
9 Porventura, não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim: se tu fores para a esquerda, eu irei para a direita; porém, se tu fores para a direita, eu irei para a esquerda.
10 Ló levantou os olhos e viu toda a planície do Jordão, e que era toda bem regada (antes de haver Jeová destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim de Jeová, como a terra do Egito, até chegar a Zoar.
11 Assim Ló escolheu para si toda a planície do Jordão e partiu para o oriente; apartaram-se um do outro.
12 Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló, nas cidades da planície e foi armando a sua tenda até chegar a Sodoma.
13 Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra Jeová.
14 Disse Jeová a Abrão, depois que Ló se separou dele: Levanta, agora, os olhos, e desde o lugar onde estás olha para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente;
15 porque toda essa terra que vês te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre.
16 Farei a tua semente como o pó da terra; de maneira que se alguém poder contar o pó da terra, então, também poderá ser contada a tua semente.
17 Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura: porque a hei de dar a ti.
18 Abrão mudou a sua tenda e foi habitar perto dos terebintos de Manre, que está em Hebrom, e ali edificou um altar a Jeová.
Capítulo 14
1 Aconteceu nos dias de Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim,
2 que fizeram estes guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá (esta é Zoar).
3 Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (este é o mar Salgado).
4 Doze anos serviram a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro se rebelaram.
5 Ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer e os reis que estavam com ele e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, aos zuzins em Hã, aos emins em Savé-Quiriataim
6 e aos horeus no seu monte Seir, até El- Parã, que está junto ao deserto.
7 Na volta, vieram a En-Mispate (que é Cades) e feriram toda a terra dos amalequitas e também aos amorreus que habitavam em Hazazom-Tamar.
8 Então, saíram os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Bela (esta é Zoar); e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim,
9 contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco.
10 Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; fugiram os reis de Sodoma e de Gomorra e caíram ali; e os restantes fugiram para o monte.
11 Eles tomaram todos os bens de Sodoma e Gomorra, com os seus víveres, e foram-se.
12 Levaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que morava em Sodoma, e os bens dele e partiram.
13 Veio um que escapara e deu parte a Abrão, o hebreu. Ora, ele habitava perto dos terebintos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner; estes eram aliados de Abrão.
14 Tendo Abrão ouvido que seu irmão estava preso, levou os seus homens mais bem disciplinados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã.
15 Dividiu-se contra eles de noite, ele e seus servos, e, ferindo-os, os perseguiu até Hobá, que fica à esquerda de Damasco.
16 Tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e os seus bens, e também as mulheres e o povo.
17 O rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro, depois que voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, no vale de Savé (que é o vale do Rei).
18 Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho: este era sacerdote do Deus Altíssimo.
19 Abençoou a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador do céu e da terra!
20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos às tuas mãos! Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
21 Então, o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas e toma para ti os bens.
22 Respondeu-lhe Abrão: Levanto a minha mão para Jeová, Deus Altíssimo, Criador do céu e da terra,
23 jurando que não tomarei nada de tudo o que é teu, nem um fio nem uma correia dos sapatos, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;
24 salvo o que os mancebos comeram e a porção que toca aos homens Aner, Escol e Manre, que foram comigo; que estes tomem a sua porção.
Capítulo 15
1 Depois destas coisas, veio a palavra de Jeová a Abrão, numa visão, dizendo: Não temas, Abrão; eu sou teu escudo, a tua recompensa será infinitamente grande.
2 Respondeu Abrão: Senhor Jeová, que me darás, visto que morro sem filhos, e o herdeiro da minha casa é Eliézer de Damasco?
3 Acrescentou Abrão: Eis que a mim não me tens dado filhos, e um escravo vai ser o meu herdeiro.
4 Veio-lhe a palavra de Jeová: Este não será o teu herdeiro; porém aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro.
5 Fez-lhe sair para fora e disse: Olha para o céu e conta as estrelas, se as poderes contar; e disse-lhe: Assim será a tua semente.
6 Creu Abrão em Jeová, que lhe imputou isto como justiça.
7 Disse-lhe mais: Eu sou Jeová, que te fiz sair de Ur dos caldeus, a fim de te dar esta terra em herança.
8 Perguntou-lhe Abrão: Ó Senhor Jeová, como saberei que a hei de herdar?
9 Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, e uma rola, e um pombinho.
10 Ele, tomando todos esses animais, os partiu pelo meio e pôs cada metade em frente da outra; mas as aves não partiu.
11 As aves de rapina desciam sobre os cadáveres, porém Abrão as enxotava.
12 Quando o sol ia a entrar, caiu um profundo sono sobre Abrão; eis que lhe sobreveio um horror de grandes trevas.
13 E lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua semente será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será aflita por quatrocentos anos.
14 Sabe, também, que eu hei de julgar a nação a que têm de servir; e, depois, sairão com grandes riquezas.
15 Tu, porém, irás em paz para teus pais; serás sepultado numa boa velhice.
16 Na quarta geração, voltarão para cá, porque a medida da iniquidade dos amorreus ainda não está cheia.
17 Quando o sol já estava posto, e era escuro, um fogo fumegante e uma tocha de fogo passaram por entre aquelas metades.
18 Naquele dia, fez Jeová uma aliança com Abrão, dizendo: À tua semente tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates:
19 o queneu, o quenezeu, o cadmoneu,
20 o heteu, o ferezeu, os refains,
21 o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu.
Capítulo 16
1 Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; mas tinha uma serva egípcia, que se chamava Agar.
2 Disse Sarai a Abrão: Eis que Jeová me tem impedido de ter filhos; toma, pois, a minha serva; porventura, terei filhos por meio dela. Escutou Abrão a voz de Sarai.
3 Então, Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar, egípcia, sua serva, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de Canaã, e a deu por mulher a seu marido.
4 Ele conheceu a Agar, e ela concebeu; vendo ela que tinha concebido, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.
5 Disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que me é feita a mim. Eu pus a minha serva no teu seio e, vendo ela que tinha concebido, eu fui desprezada aos seus olhos. Jeová seja juiz entre mim e ti.
6 Respondeu, porém, Abrão a Sarai: Eis que tua serva está em tuas mãos: faze-lhe como bem te parecer. E Sarai maltratou-a, e ela fugiu da sua face.
7 O Anjo de Jeová achou-a junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte que está no caminho de Sur.
8 Perguntou-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vieste? E para onde vais? Respondeu ela: Da presença de Sarai, minha senhora, vou fugindo.
9 Disse-lhe o Anjo de Jeová: Volta para a tua senhora e humilha-te debaixo das suas mãos.
10 Disse-lhe mais o Anjo de Jeová: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, de modo que não será contada por ser tão numerosa.
11 Disse-lhe ainda mais o Anjo de Jeová: Eis que concebeste e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque Jeová ouviu a tua aflição.
12 Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele: ao oriente de todos os seus irmãos habitará.
13 Então, chamou a Jeová, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois ela disse: Não olhei eu neste lugar para aquele que me vê?
14 Pelo que se chamou o poço Beer-Laai-Roi; ele está entre Cades e Berede.
15 Agar deu à luz Ismael a Abrão; e Abrão chamou Ismael o nome do filho que Agar lhe deu.
16 Tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu à luz Ismael.
Capítulo 17
1 Quando Abrão era de noventa e nove anos de idade, apareceu-lhe Jeová e disse: Eu sou Deus Todo-Poderoso; anda diante de mim e sê perfeito.
2 Eu farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei grandissimamente.
3 Abrão prostrou-se com o rosto em terra, e falou Deus com ele:
4 Quanto a mim, a minha aliança é contigo, e serás pai de uma multidão de nações.
5 O teu nome não se chamará mais Abrão, mas Abraão será o teu nome; pois te hei posto por pai de uma multidão de nações.
6 Far-te-ei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e de ti sairão reis.
7 Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua semente depois de ti, nas suas gerações, por uma aliança eterna, e para que eu seja o teu Deus e o da tua semente depois de ti.
8 Dar-te-ei a ti e à tua semente depois de ti a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua; e serei o seu Deus.
9 Disse mais Deus a Abraão: Quanto a ti, guardarás a minha aliança, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações.
10 Esta é a aliança que guardareis entre mim e vós e a tua semente depois de ti: todo o macho dentre vós será circuncidado.
11 Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal duma aliança entre mim e vós.
12 O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo o macho nas vossas gerações, o escravo nascido em casa e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro que não é da tua linhagem.
13 Tem de ser circuncidado o escravo nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne por uma aliança eterna.
14 O incircunciso que não for circuncidado na carne do seu prepúcio, essa alma será cortada do seu povo; quebrou a minha aliança.
15 Disse Deus a Abraão: Quanto a Sarai, tua mulher, não lhe chamarás Sarai, mas Sara será o seu nome.
16 Abençoá-la-ei e também dela te darei um filho; sim, abençoá-la-ei, e virá ela a ser nações; reis de povos sairão dela.
17 Então, se prostrou Abraão com o rosto em terra, riu-se e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que tem noventa anos?
18 Disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de ti.
19 Respondeu Deus: Com certeza, Sara, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás Isaque; com ele, estabelecerei a minha aliança, por uma aliança eterna para a sua semente depois dele.
20 Quanto a Ismael, eu te hei ouvido: eis que o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e multiplicá-lo-ei grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação.
21 A minha aliança, porém, estabelecerei com Isaque, que Sara dará à luz neste tempo determinado, no ano vindouro.
22 Ao acabar de falar com Abraão, Deus retirou-se dele.
23 Abraão tomou a Ismael, seu filho, e a todos os escravos nascidos em sua casa, e a todos os que tinham sido comprados por seu dinheiro, todo o macho entre os homens da casa de Abraão, e circuncidou a carne de seus prepúcios naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara.
24 Tinha Abraão noventa e nove anos quando foi circuncidado na carne do seu prepúcio.
25 Ismael, seu filho, tinha treze anos quando foi circuncidado na carne do seu prepúcio.
26 No mesmo dia, foi circuncidado Abraão e seu filho Ismael.
27 Todos os homens da sua casa, assim os escravos nascidos nela como os comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele.
Capítulo 18
1 Apareceu Jeová a Abraão junto aos terebintos de Manre, quando ele estava sentado à entrada da tenda, no calor do dia.
2 Tendo ele levantado os olhos, olhou, e eis que três homens estavam de pé em frente dele; quando os viu, correu da entrada da tenda para os receber, prostrou-se em terra
3 e disse: Senhor meu, se tenho achado graça nos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo:
4 que seja trazida um pouco de água, lavai os pés e reclinai-vos debaixo da árvore;
5 trarei um bocado de pão, e confortai o vosso coração; depois, ireis adiante, pois, por isso chegastes ao vosso servo. Responderam: Faze assim como disseste.
6 Apressou-se Abraão em entrar na tenda a ter com Sara e disse: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze pão assado ao borralho.
7 Correu Abraão ao gado, tomou um bezerro tenro e bom e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo.
8 Então, tomou leite azedo, e leite fresco, e o bezerro que mandara preparar e pôs tudo diante deles. Ficou de pé ao lado deles debaixo da árvore, e eles comeram.
9 Eles lhe perguntaram: Onde está Sara, tua mulher? Respondeu ele: Ela está na tenda.
10 Disse um deles: Certamente, voltarei a ti daqui a um ano; e Sara, tua mulher, terá um filho. Ouviu-o Sara à entrada da tenda, que estava atrás dele.
11 Ora, Abraão e Sara eram já velhos e de idade avançada; e a Sara tinha cessado o costume das mulheres.
12 Assim, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei prazer, depois de envelhecida, sendo também velho o meu senhor?
13 Perguntou Jeová a Abraão: Porque se riu Sara, dizendo: É verdade que eu, que sou velha, darei à luz um filho?
14 Há, porventura, alguma coisa que seja demasiadamente difícil a Jeová? Ao tempo determinado, daqui a um ano, voltarei a ti, e Sara terá um filho.
15 Então, Sara, porque teve medo, o negou, dizendo: Não me ri. Mas ele disse: Não é assim; pois tu te riste.
16 Tendo-se levantado dali os homens, olharam para Sodoma; e Abraão ia com eles para os encaminhar.
17 Disse Jeová: Ocultarei eu a Abraão o que faço;
18 visto que Abraão, certamente, virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra?
19 Porque o tenho conhecido, a fim de que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele que guardem o caminho de Jeová, para praticarem a justiça e o juízo; a fim de que Jeová faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.
20 Disse mais Jeová: Em verdade, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado tem-se agravado muito;
21 descerei e verei se em tudo têm praticado segundo o seu clamor, que é chegado a mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei.
22 Então, os homens voltaram dali os seus rostos, e foram em direção a Sodoma; porém Abraão ficou ainda em pé diante de Jeová.
23 Chegando-se Abraão, disse: Hás de perder os justos com os ímpios?
24 Há, talvez, cinquenta justos dentro da cidade; destruirás e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que estão ali?
25 Longe de ti fazeres tal coisa, que mates os justos com os ímpios, de sorte que sejam os justos como os ímpios; seja isto longe de ti: não fará justiça o Juiz de toda a terra?
26 Respondeu Jeová: Se eu achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, perdoarei o lugar todo por amor deles.
27 Disse-lhe mais Abraão: Eis que tomei a liberdade de falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza:
28 porventura, faltarão cinco para os cinquenta justos; destruirás toda a cidade porque lhe faltam estes cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se achar ali quarenta e cinco.
29 Disse-lhe ainda mais Abraão: Porventura, se acharão ali quarenta. Respondeu ele: Não o farei por amor dos quarenta.
30 Disse Abraão: Não se ire o Senhor, e falarei; porventura, achar-se-ão ali trinta. Respondeu o Senhor: Não o farei, se eu achar ali trinta.
31 Disse Abraão: Eis que tomei a liberdade de falar ao Senhor; porventura, achar-se-ão ali vinte. Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos vinte.
32 Disse Abraão: Não se ire o Senhor, e ainda falarei somente esta vez; porventura, achar-se-ão ali dez. Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos dez.
33 Foi-se Jeová logo que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou para o seu lugar.
Capítulo 19
1 Chegaram os dois anjos a Sodoma, à tarde, estando Ló sentado na porta de Sodoma; Ló, quando os viu, levantou-se para os receber e, prostrando-se com o rosto em terra,
2 disse-lhes: Eis, agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, passai nela a noite, e lavai os pés, e de madrugada vos levantareis, e ireis vosso caminho. Responderam eles: Não; mas na praça passaremos a noite.
3 Instou-os muito, e foram e entraram em casa dele; ele lhes deu um banquete, fez assar uns pães asmos, e eles comeram.
4 Porém, antes que se deitassem, cercaram a casa os homens da cidade, os homens de Sodoma, assim os moços como os velhos, sim, todo o povo, de todos os lados;
5 e, chamando a Ló, disseram-lhe: Onde estão os homens que entraram esta noite em tua casa? Traze-os cá fora a nós, para que os conheçamos.
6 Então, Ló saiu-lhes à porta e fechou-a atrás de si.
7 E disse: Rogo-vos, meus irmãos, não procedais tão perversamente.
8 Eu tenho duas filhas que ainda não conheceram varão. Permita-me que vo-las traga para fora e fazei-lhes como bem vos parecer; somente nada façais a estes homens, porquanto entraram debaixo da sombra do meu telhado.
9 Eles, porém, disseram: Sai daí. E acrescentaram: Esse indivíduo entrou a peregrinar e quer fazer-se juiz; agora, havemos de te tratar a ti pior do que a eles. Arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.
10 Porém os homens, estendendo as mãos, fizeram entrar Ló para dentro de casa e fecharam a porta.
11 Feriram de cegueira os que estavam do lado de fora, tanto pequenos como grandes, de sorte que se cansaram para achar a porta.
12 Então, perguntaram os homens a Ló: Tens tu mais alguém aqui? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste lugar,
13 pois nós vamos destruir este lugar, porque o clamor deles se tem tornado grande diante de Jeová; e Jeová nos enviou a destruí-lo.
14 Tendo saído Ló, falou com seus genros, que haviam de casar com suas filhas, e disse-lhes: Levantai-vos, saí deste lugar, porque Jeová há de destruir a cidade. Mas ele pareceu aos seus genros como quem estava zombando.
15 E, ao amanhecer, os anjos apertavam com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que estão aqui, para que não pereças no castigo da cidade.
16 Ele, porém, se demorava; os homens pegaram-lhe pela mão, pela mão da mulher dele e pela mão das duas filhas dele, sendo-lhe misericordioso Jeová: tiraram-no e puseram-no fora da cidade.
17 Quando os tinham tirado para fora, disse um deles: Escapa-te, salva a tua vida; não olhes para trás de ti, nem pares em toda a planície; escapa-te para o monte, para que não pereças.
18 Respondeu-lhes Ló: Não, senhor meu;
19 eis que teu servo tem achado graça diante de ti, e tens engrandecido a tua misericórdia, que me mostraste, salvando-me a vida. Eu não me posso escapar ao monte para que o mal não me apanhe, e eu morra.
20 Eis ali perto essa cidade para a qual eu posso fugir, e é pequena. Permite que eu me escape para lá (porventura, não é pequena?), e viverá a minha alma.
21 Disse-lhe: Quanto a isto, também te hei atendido, para não subverter a cidade de que acabas de falar.
22 Apressa-te, escapa-te para lá; pois nada posso fazer antes que chegues ali. Por isso, se chamou o nome da cidade Zoar.
23 Tinha saído o sol sobre a terra, quando Ló chegou a Zoar.
24 Então, Jeová fez chover sobre Sodoma e sobre Gomorra enxofre e fogo, da parte de Jeová, desde o céu;
25 subverteu aquelas cidades, e toda a planície, e todos os moradores das cidades, e o que nascia da terra.
26 Mas a mulher de Ló olhou de detrás dele e ficou convertida em uma estátua de sal.
27 Tendo-se levantado Abraão de madrugada, foi ao lugar onde estivera de pé diante de Jeová;
28 e, contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu, e eis que o fumo da terra subia como o fumo duma fornalha.
29 Quando Deus destruiu as cidades da planície, então, se lembrou de Abraão e tirou a Ló do meio da destruição, quando subverteu as cidades em que Ló habitara.
30 Subiu Ló de Zoar e habitou no monte, ele e suas duas filhas, porque teve medo de ficar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e suas duas filhas.
31 Disse a primogênita à menor: Nosso pai é velho, e na terra não há homem que venha unir-se conosco, como é o costume de toda a terra.
32 Vinde, façamos que nosso pai beba vinho e vamos deitar-nos com ele, para que possamos conservar a linhagem de nosso pai.
33 Aquela noite, pois, deram de beber vinho a seu pai, e, entrando a primogênita, deitou-se com ele; ele não sentiu, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
34 No dia seguinte, disse a primogênita à menor: Eis que ontem à noite me deitei com meu pai. Demos-lhe de beber vinho esta noite também; entra e deita-te com ele, para que possamos conservar a linhagem de nosso pai.
35 Tornaram, pois, aquela noite a dar de beber vinho a seu pai, e, levantando-se a menor, deitou-se com ele; ele não sentiu, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou.
36 Assim, as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.
37 A primogênita deu à luz um filho e chamou-lhe Moabe: este é o pai dos moabitas, até o dia de hoje.
38 A menor também deu à luz um filho e chamou-lhe Ben-Ami: este é o pai dos filhos de Amom, até o dia de hoje.
Capítulo 20
1 Partindo Abraão dali para a terra do Neguebe, habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar.
2 Disse Abraão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, enviou e tomou a Sara.
3 Deus, porém, apareceu a Abimeleque em sonhos, de noite, e disse-lhe: Eis que vais morrer por causa da mulher que tomaste, porque ela tem marido.
4 Ora, Abimeleque ainda não se havia chegado a ela; perguntou, pois: Senhor, matarás, porventura, também a uma nação justa?
5 Não me disse ele mesmo: É minha irmã? E ela, também ela disse: Ele é meu irmão; na sinceridade do meu coração e na inocência das minhas mãos, fiz isto.
6 Respondeu-lhe Deus em sonhos: Sim, eu sei que, na sinceridade do teu coração, fizeste isto, também eu te impedi de pecar contra mim; por isso, não te permiti tocá-la.
7 Agora, restitui a mulher ao homem, pois ele é profeta e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.
8 Levantou-se Abimeleque de manhã cedo e, chamando a todos os seus servos, lhes falou aos ouvidos todas estas palavras, e os homens temeram muito.
9 Então, chamou Abimeleque a Abraão e lhe perguntou: Que é o que nos fizeste? Em que pequei eu contra ti, que trouxeste sobre mim e sobre o meu reino este grande pecado? Fizeste a mim o que se não deve fazer.
10 Perguntou mais Abimeleque a Abraão: Que viste tu, para fazeres isto?
11 Respondeu Abraão: Porque pensei, certamente, não há temor de Deus neste lugar; matar-me-ão por causa de minha mulher.
12 Além disso, ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, ainda que não de minha mãe, e veio a ser minha mulher.
13 Quando Deus me fez andar errante da casa de meu pai, disse-lhe a ela: Esta é a graça que me farás; em todo lugar em que entrarmos, dize: Ele é meu irmão.
14 Tomou, pois, Abimeleque ovelhas, e bois, e servos, e servas, e deu-os a Abraão, e restituiu-lhe a Sara, sua mulher.
15 Disse Abimeleque: A minha terra está diante de ti; habita onde bem te parecer.
16 A Sara disse: Eis que tenho dado a teu irmão mil siclos de prata; isto te serve para cobrir os olhos dos que estão contigo; e perante todos estás reabilitada.
17 Orou Abraão a Deus, e sarou Deus a Abimeleque, a sua mulher e às suas servas; e elas tiveram filhos.
18 Porque Jeová tinha fechado totalmente as madres de todas as mulheres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.
Capítulo 21
1 Jeová visitou a Sara, como dissera, e fez-lhe como tinha falado.
2 Ela concebeu e deu à luz a Abraão, na sua velhice, um filho, ao tempo determinado, de que Deus lhe tinha falado.
3 Ao filho que lhe nascera, que Sara lhe dera à luz, Abraão chamou Isaque.
4 E ele circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme Deus lhe ordenara.
5 Abraão tinha cem anos, quando Isaque, seu filho, lhe nasceu.
6 Disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir se rirá por minha causa.
7 E continuou: Quem teria dito a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? Pois, na sua velhice, lhe dei um filho.
8 Cresceu o menino e foi desmamado; e, no dia em que ele foi desmamado, deu Abraão um grande banquete.
9 Sara viu brincando o filho de Agar, a egípcia, que esta dera à luz a Abraão.
10 Pelo que disse a Abraão: Deita fora esta escrava e seu filho; pois o filho desta escrava não será herdeiro com meu filho, com Isaque.
11 Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão por causa de seu filho.
12 Disse Deus a Abraão: Não te seja isso duro por causa do moço e por causa da tua escrava; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz, pois, em Isaque, será chamada a tua descendência.
13 Também do filho da escrava farei uma nação, porquanto ele é da tua semente.
14 Abraão, tendo-se levantado de manhã cedo, tomou pão e um odre de água, pô-los sobre o ombro de Agar, deu-lhe o menino e despediu-a. Partindo ela, andava errante pelo deserto de Berseba.
15 Consumida que foi a água do odre, colocou o menino debaixo de um dos arbustos.
16 Ela foi sentar-se em frente dele, a boa distância, como a de um tiro de arco; pois disse: Que não veja eu a morte do menino. Sentada em frente dele, levantou a sua voz e chorou.
17 Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus, chamando a Agar desde o céu, disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas; porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está.
18 Ergue-te, levanta o menino e sustenta-o nas tuas mãos, porque dele farei uma grande nação.
19 Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço de água; e, indo, encheu o odre de água e deu de beber ao menino.
20 Deus estava com o menino, que cresceu, morava no deserto e tornou-se flecheiro.
21 Ele habitou no deserto de Parã, e sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do Egito.
22 Por esse tempo disseram a Abraão Abimeleque e Ficol, general do seu exército: Deus é contigo em tudo o que fazes;
23 agora, pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo, nem com meu filho, nem com o filho de meu filho; mas usarás comigo e com a terra em que tens peregrinado daquela bondade com que eu te tratei.
24 Respondeu Abraão: Eu jurarei.
25 Abraão repreendeu a Abimeleque por causa dum poço de água que os servos deste lhe tinham tomado à força.
26 Respondeu-lhe Abimeleque: Não sei quem fez isso; nem tu mo fizeste saber, nem tampouco ouvi falar em tal coisa, senão hoje.
27 Tomou Abraão ovelhas e bois e deu-os a Abimeleque; e fizeram ambos uma aliança.
28 Pôs Abraão à parte sete cordeiras do rebanho.
29 Perguntou Abimeleque a Abraão: Que significam estas sete cordeiras que puseste à parte?
30 Respondeu Abraão: Receberás da minha mão estas sete cordeiras, para que me sirvam de testemunho de que eu cavei este poço.
31 Pelo que chamou àquele lugar Berseba, porque ali juraram ambos eles.
32 Assim, fizeram uma aliança em Berseba; levantaram-se Abimeleque e Ficol, general do seu exército, e voltaram para a terra dos filisteus.
33 Plantou Abraão uma tamargueira em Berseba e invocou ali o nome de Jeová, o Deus Eterno.
34 Peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.
Capítulo 22
1 Depois disto, experimentou Deus a Abraão e lhe disse: Abraão. Este lhe respondeu: Eis-me aqui.
2 Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.
3 Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo e albardou o seu jumento, levando consigo dois de seus moços e a Isaque, seu filho; tendo fendido a lenha para o holocausto, levantou-se e foi ao lugar que Deus lhe havia dito.
4 Ao terceiro dia, levantando Abraão os olhos, viu o lugar de longe.
5 Disse a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós.
6 Tomou a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho; tomou também na mão o fogo e o cutelo, e caminharam ambos juntos.
7 Disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu Pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, porém onde está o cordeiro para o holocausto?
8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; assim, caminharam ambos juntos.
9 Chegaram ao lugar que Deus lhe havia dito; e ali edificou Abraão o altar, e pôs a lenha em ordem, e, tendo ligado a Isaque, seu filho, deitou-o sobre o altar, em cima da lenha.
10 Então, estendeu a mão e pegou no cutelo para imolar a seu filho.
11 Mas bradou-lhe do céu o Anjo de Jeová: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui!
12 Continuou o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo e não lhe faças nada; pois, agora, sei que tu temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, teu único filho.
13 Tendo levantado Abraão os olhos, olhou, e eis atrás de si um carneiro embaraçado num mato pelos chifres; foi, tomou o carneiro e ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho.
14 Chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde, até o dia de hoje, se diz: No monte de Jeová se provê.
15 Então, bradou desde o céu o Anjo do Senhor a Abraão, pela segunda vez,
16 e disse: Por mim mesmo jurei, diz Jeová, porque fizeste isto e não me negaste teu filho,
17 que deveras te abençoarei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar. Ela possuirá a porta dos seus inimigos,
18 e, por tua semente, se abençoarão todas as nações da terra, porque obedeceste à minha voz.
19 Então, voltou Abraão a seus moços, eles se levantaram e foram juntos a Berseba. Abraão habitou em Berseba.
20 Depois destas coisas, foi dada notícia a Abraão nestes termos: Eis que Milca também tem dado à luz filhos a Naor, teu irmão:
21 Uz, seu primogênito, Buz, seu irmão, Quemuel, pai de Arã,
22 Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel.
23 Betuel gerou a Rebeca; estes oito deu à luz Milca a Naor, irmão de Abraão.
24 Sua concubina chamava-se Reumá, que também deu à luz filhos: Tebá, Gaã, Taás e Maaca.
Capítulo 23
1 Foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos; estes foram os anos da vida de Sara.
2 Morrendo Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã, veio Abraão para carpi-la e chorar por ela.
3 Depois de se levantar de diante da sua falecida mulher, disse aos filhos de Hete:
4 Peregrino e forasteiro sou entre vós. Dai-me entre vós a posse dum lugar de sepultura, para que eu sepulte o meu defunto de diante da minha face.
5 Responderam-lhe os filhos de Hete:
6 Ouve-nos, meu senhor. Tu és príncipe de Deus entre nós; enterra na melhor de nossas sepulturas o teu defunto; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrares o teu defunto.
7 Levantou-se Abraão e fez reverência ao povo da terra, aos filhos de Hete.
8 Falou com eles, dizendo: Se é do vosso agrado que eu sepulte o meu defunto de diante da minha face, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
9 para que ele me dê a cova de Macpela, que tem no fim do seu campo; que ma dê pelo preço justo para uma posse entre vós de um lugar de sepultura.
10 Ora, Efrom estava sentado no meio dos filhos de Hete; respondeu Efrom, o heteu, a Abraão, ouvindo-o os filhos de Hete, a saber, todos os que entravam pela porta da sua cidade:
11 De nenhuma sorte, meu senhor, ouve-me. O campo te dou, também te dou a cova que nele está; na presença dos filhos do meu povo, te dou; sepulta o teu defunto.
12 Abraão fez uma reverência diante do povo da terra.
13 E disse a Efrom, aos ouvidos do povo da terra: Mas, se te agrada, ouve-me. Darei o preço do campo; toma-o de mim, e ali sepultarei o meu defunto.
14 Respondeu-lhe Efrom:
15 Meu senhor, ouve-me. Um terreno que vale quatrocentos siclos de prata! Que é isso entre mim e ti? Sepulta ali o teu defunto.
16 Abraão ouviu a Efrom; e pesou-lhe a prata de que este tinha falado aos ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.
17 Assim, o campo de Efrom, que estava em Macpela, em frente de Manre, o campo e a cova que nele havia e todas as árvores que no campo havia, por todos os seus limites ao redor, se confirmaram
18 a Abraão como posse na presença dos filhos de Hete, a saber, de todos os que entravam pela porta da sua cidade.
19 Depois, sepultou Abraão a Sara, sua mulher, na cova do campo de Macpela, em frente de Manre (esta é Hebrom), na terra de Canaã.
20 Assim, o campo e a cova que nele estava foram confirmados a Abraão pelos filhos de Hete, para posse de um lugar de sepultura.
Capítulo 24
1 Abraão era velho e de idade avançada; e Jeová o tinha, em tudo, abençoado.
2 Abraão disse ao seu servo, o mais antigo da sua casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe a tua mão por baixo da minha coxa,
3 e te farei jurar por Jeová, Deus do céu e da terra, que não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito;
4 mas irás à minha terra e à minha parentela e daí tomarás mulher para meu filho Isaque.
5 Perguntou-lhe o servo: Porventura, a mulher não quererá seguir-me para esta terra; farei, pois, tornar teu filho para a terra donde saíste?
6 Respondeu-lhe Abraão: Guarda-te, não faças tornar para lá meu filho.
7 Jeová, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da terra do meu nascimento, e que me falou, e jurou, dizendo: À tua semente darei esta terra; ele enviará o seu anjo diante de ti, e tomarás dali mulher para meu filho.
8 Se a mulher não quiser seguir-te, serás livre deste teu juramento; somente não farás tornar para lá meu filho.
9 Então, pôs o servo a mão por baixo da coxa de Abraão, seu senhor, e sobre esta palavra prestou-lhe juramento.
10 Tomou o servo dez camelos dos camelos de seu senhor e partiu, tendo na sua mão todos os bens de seu senhor; levantou-se e foi à Mesopotâmia, à cidade de Naor.
11 Fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto ao poço de água, à hora da tarde em que as mulheres saem para tirar água.
12 E disse: Ó Jeová, Deus do meu senhor Abraão, rogo-te que me acudas hoje e uses de benevolência para com o meu senhor Abraão.
13 Eis que estou em pé junto à fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade estão saindo para tirar água.
14 A donzela a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro, para que eu beba, e que responder: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos, seja a que destinaste para o teu servo Isaque. Por isso, conhecerei que usaste de benevolência para com o meu senhor.
15 Antes que tivesse ele acabado de falar, saiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, levando sobre o ombro o seu cântaro.
16 A donzela era muito formosa à vista, virgem a quem homem nenhum havia conhecido; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.
17 O servo correu-lhe ao encontro e disse: Rogo-te me dês de beber um pouco de água do teu cântaro.
18 Respondeu ela: Bebe, meu senhor. Apressou-se, desceu o seu cântaro sobre a mão e deu-lhe de beber.
19 Quando ela tinha acabado de lhe dar de beber, disse: E também para os teus camelos tirarei água, até que acabem de beber.
20 Apressou-se, vazou o seu cântaro no tanque, correu outra vez ao poço para tirar água e tirou para todos os camelos dele.
21 O homem a contemplava atentamente, em silêncio, para saber se Jeová havia tornado próspera a sua jornada ou não.
22 Depois que os camelos acabaram de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de dez siclos de ouro;
23 e perguntou: De quem és filha? Rogo-te que mo digas. Há lugar em casa de teu pai para nós pousarmos?
24 Respondeu-lhe ela: Sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu à luz a Naor.
25 Disse-lhe mais: Temos também palha, e pasto bastante, e lugar para pousar.
26 Então, se prostrou o homem e adorou a Jeová.
27 E disse: Bendito seja Jeová, Deus do meu senhor Abraão, que não retirou do meu senhor a sua benevolência e a sua verdade; Quanto a mim, Jeová guiou-me no caminho à casa dos irmãos do meu senhor.
28 A donzela correu e relatou aos da casa de sua mãe estas coisas.
29 Ora, Rebeca tinha um irmão que se chamava Labão; ele correu ao encontro do homem até a fonte.
30 Quando viu o pendente e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã e ouviu as palavras de Rebeca, sua irmã, que dizia: Assim me falou o homem; foi ter com ele. Eis que estava ele em pé junto à fonte e aos camelos.
31 Labão disse: Entra, bendito de Jeová; por que estás da parte de fora? Pois eu tenho preparado a casa e lugar para os camelos.
32 Então, o homem entrou na casa, e desapertou os camelos; deu palha e pasto para os camelos, e água para lavar os pés dele e dos homens que com ele estavam.
33 Diante dele puseram comida; porém ele disse: Eu não comerei até que tenha dito o meu negócio. Labão respondeu-lhe: Dize.
34 Então, disse: Eu sou servo de Abraão.
35 Jeová tem abençoado muito ao meu senhor, o qual se tem engrandecido; deu-lhe rebanhos e gado, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e jumentos.
36 Sara, mulher do meu senhor, sendo já velha, deu à luz um filho; e a este deu ele tudo quanto tem.
37 O meu senhor fez-me jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho das filhas dos cananeus, em cuja terra habito;
38 mas irás à casa de meu pai e à minha parentela e tomarás mulher para meu filho.
39 Respondi ao meu senhor: Porventura, a mulher não me seguirá.
40 Ele me disse: Jeová, diante de quem ando, enviará o seu Anjo contigo e tornará próspero o teu caminho; e da minha parentela e da casa de meu pai tomarás mulher para meu filho.
41 Então, serás livre do meu juramento, quando fores ter com a minha parentela; e, se não ta derem, livre serás do meu juramento.
42 Cheguei, pois, hoje, à fonte e disse: Ó Jeová, Deus do meu senhor Abraão, se é assim que tornas próspero o caminho que eu sigo;
43 eis que estou em pé junto à fonte de água. A donzela que sair para tirar água, a quem eu disser: Dá-me de beber um pouco de água do teu cântaro,
44 e que me responder: Bebe tu, e também tirarei água para os teus camelos, seja a mulher que Jeová destinou para o filho do meu senhor.
45 Antes que eu tivesse acabado de falar comigo mesmo, saiu Rebeca levando sobre o ombro o seu cântaro. Ela desceu à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Rogo-te que me dês de beber.
46 Ela apressou-se, baixou do ombro o cântaro e disse: Bebe, e darei de beber aos teus camelos. Assim, bebi, e ela também deu de beber aos camelos.
47 Perguntei-lhe: De quem és filha? Respondeu ela: Sou filha de Betuel, filho de Naor, o qual lhe deu à luz Milca. Então, eu pus o pendente em seu nariz e as pulseiras, em suas mãos.
48 Prostrei- me, e adorei a Jeová, e bendisse a Jeová, Deus do meu senhor Abraão, que me havia conduzido por um caminho direito para tomar para seu filho a filha do parente do meu senhor.
49 Agora, se vós haveis de usar de benevolência e de verdade para com o meu senhor, declarai-mo; e, se não, declarai-mo; para que eu vá ou para a direita ou para a esquerda.
50 Então, responderam Labão e Betuel: De Jeová procede este negócio; nós não podemos falar-te coisa nenhuma.
51 Eis que Rebeca está diante de ti, toma-a e vai-te, e seja ela a mulher do filho do teu senhor, conforme disse Jeová.
52 Quando o servo de Abraão ouviu as palavras deles, prostrou-se em terra diante de Jeová.
53 Tirou o servo joias de ouro e de prata e vestidos, e deu-os a Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.
54 Então, comeram, e beberam, ele e os homens que estavam com ele, e passaram a noite. Quando se levantaram de manhã, disse o servo: Deixai-me ir ao meu senhor.
55 Disseram o irmão e a mãe da donzela: Fique ela conosco alguns dias, ao menos dez; e, depois, irá.
56 Ele, porém, lhes respondeu: Não me detenhais, visto que Jeová tornou próspero o meu caminho; deixai-me ir para que eu vá ter com o meu senhor.
57 E disseram: Chamaremos a donzela e saberemos a sua vontade.
58 Chamaram, pois, a Rebeca e perguntaram-lhe: Queres ir com este homem? Respondeu ela: Irei.
59 Então, despediram a Rebeca, sua irmã, e a ama dela, e o servo de Abraão, e seus homens.
60 Abençoaram a Rebeca e disseram-lhe: Irmã nossa, sê tu a mãe de milhares de miríades, e possua a tua semente a porta dos que te aborrecem.
61 Levantou-se Rebeca com suas moças, e, montando nos camelos, seguiram o homem. O servo tomou a Rebeca e partiu.
62 Ora, Isaque tinha vindo do caminho de Beer-Laai-Roi; pois habitava na terra do Neguebe.
63 Saíra Isaque a meditar no campo à tarde; levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos.
64 Rebeca também levantou os olhos e, quando viu a Isaque, desceu do camelo.
65 Perguntou ela ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? Respondeu o servo: É meu senhor. Ela tomou o seu véu e se cobriu.
66 O servo relatou a Isaque tudo o que havia feito.
67 Isaque trouxe a Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe, e tomou-a, e ela lhe foi por mulher. Ele a amou. Assim, Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe.
Capítulo 25
1 Abraão tomou outra mulher, que se chamava Quetura.
2 Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Sua.
3 Jocsã gerou a Sebá e a Dedã. Os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim.
4 Os filhos de Midiã foram Efá, Éfer, Enoque, Abida e Elda. Todos estes foram os filhos de Quetura.
5 Abraão deu a Isaque tudo quanto possuía.
6 Porém, deu dádivas aos filhos das concubinas que tinha; e, ainda em vida, os separou de seu filho Isaque, enviando-os ao Oriente, à terra oriental.
7 Foram os dias da vida de Abraão cento e setenta e cinco anos.
8 Abraão, exalando o seu espírito, morreu numa boa velhice, ancião e cheio de dias, e foi reunido ao seu povo.
9 Sepultaram-no na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manre,
10 o campo que Abraão havia comprado aos filhos de Hete. Ali foi sepultado Abraão, e Sara, sua mulher.
11 Depois da morte de Abraão, abençoou Deus a Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto a Beer-Laai-Roi.
12 Estas são as gerações de Ismael, filho de Abraão, que Agar, a egípcia, serva de Sara, lhe deu à luz;
13 e estes são os nomes dos filhos de Ismael, pelos seus nomes, segundo as suas gerações: o primogênito de Ismael foi Nebaiote, depois Quedar, Abdeel, Mibsão,
14 Misma, Dumá, Massá,
15 Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.
16 Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus aduares: doze príncipes segundo as suas nações.
17 Estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos; e exalando o seu espírito, foi reunido ao seu povo.
18 Habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, como quem vai em direção da Assíria; Ismael estabeleceu-se diante de todos os seus irmãos.
19 Estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Isaque;
20 e Isaque tinha quarenta anos, quando recebeu por mulher a Rebeca, filha de Betuel, o siro de Padã-Arã, irmão de Labão, o siro.
21 Isaque orou instantemente a Jeová por sua mulher, porque ela era estéril; atendeu Jeová às orações de Isaque, e Rebeca, mulher de Isaque, concebeu.
22 Os filhos lutavam no ventre dela; e ela disse: Se é assim, por que vivo eu? E foi consultar a Jeová.
23 Respondeu-lhe Jeová: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço.
24 Cumpridos que foram os dias para ela dar à luz, eis que gêmeos estavam no seu ventre.
25 Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe Esaú.
26 Depois, saiu seu irmão e agarrava com a mão o calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó. Isaque tinha sessenta anos, quando Rebeca deu à luz.
27 Cresceram os meninos: Esaú saiu perito caçador, homem do campo; e Jacó, homem simples, que habitava em tendas.
28 Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó.
29 Tendo Jacó feito um cozinhado, veio Esaú do campo, muito cansado,
30 e disse-lhe: Deixa-me comer uma parte deste cozinhado vermelho, pois estou cansado. Por isso, se chamou Edom.
31 Respondeu Jacó: Vende-me hoje o teu direito de primogenitura.
32 Replicou Esaú: Eis que estou para morrer; que me aproveitará o direito de primogenitura?
33 Então, disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.
34 Deu Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu, e bebeu e, levantando-se, foi seu caminho. Assim, desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.
Capítulo 26
1 Sobreveio à terra uma fome, além da primeira que veio nos dias de Abraão. E foi Isaque a Gerar ter com Abimeleque, rei dos filisteus.
2 Apareceu-lhe Jeová e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser;
3 peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; pois a ti e à tua semente darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a teu pai Abraão.
4 Multiplicarei a tua semente como as estrelas do céu, e lhe darei todas estas terras. Por tua semente, se abençoarão todas as nações da terra,
5 porque Abraão escutou a minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.
6 Isaque, pois, habitou em Gerar.
7 Os homens do lugar perguntaram-lhe acerca de sua mulher, e ele respondeu: É minha irmã; pois temeu dizer: Minha mulher; para que, dizia ele, não me matassem por amor de Rebeca, porque era ela formosa à vista.
8 Ora, tendo Isaque se demorado ali muito tempo, olhou Abimeleque, rei dos filisteus, pela janela e viu, e eis que Isaque estava brincando com sua mulher Rebeca.
9 Chamou Abimeleque a Isaque e disse: Está visto que ela é tua mulher; como, pois, disseste: É minha irmã? Respondeu-lhe Isaque: Porque eu dizia: para que eu não morra por causa dela.
10 Replicou Abimeleque: Que é isso que nos fizeste? Facilmente se teria deitado um do povo com tua mulher, e tu terias trazido culpa sobre nós.
11 E deu esta ordem a todo o povo: Qualquer que tocar a este homem ou a sua mulher certamente morrerá.
12 Semeou Isaque naquela terra e recolheu no mesmo ano cento por um; e Jeová o abençoou.
13 Engrandeceu-se o homem e ia-se crescendo mais e mais nos bens, até que se tornou muito grande;
14 tinha possessões de rebanhos e possessões de gados, e era grande o número de seus servos. Os filisteus tinham-lhe inveja.
15 Ora, todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de Abraão, seu pai, os filisteus haviam atulhado e enchido de terra.
16 Disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque tu és mais poderoso do que nós.
17 Partindo, pois, Isaque dali, acampou no vale de Gerar e lá habitou.
18 Isaque tornou a cavar os poços de água que haviam sido cavados nos dias de Abraão, seu pai, (porque os filisteus os entulharam depois da morte de Abraão) e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes dera.
19 Cavaram os escravos de Isaque no vale e ali acharam um poço de águas vivas.
20 Os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: A água é nossa. Ele chamou ao poço Eseque, porque contenderam com ele.
21 Cavaram outro poço, pelo qual também contenderam; e chamou-lhe Sitna.
22 Partindo dali, cavou ainda outro poço; por este não contenderam e, chamando-lhe Reobote, disse: Pois, agora, Jeová nos deu lugar, e medraremos na terra.
23 Subiu dali para Berseba.
24 Apareceu-lhe Jeová na mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo, e te abençoarei, e multiplicarei a tua descendência por causa do meu servo Abraão.
25 Tendo edificado ali um altar, invocou o nome de Jeová e ali armou a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço.
26 De Gerar foram ter com ele Abimeleque, e seu amigo Ausate, e Ficol, general de seu exército.
27 Disse-lhes Isaque: Por que vindes ter comigo, visto que vós me aborreceis e me repelistes de vós?
28 Responderam eles: Vimos bem que Jeová era contigo e dissemos: Haja um juramento entre ti e nós, e façamos uma aliança contigo.
29 Jura que não nos farás mal algum, assim como não te havemos tocado, e te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és, agora, o bendito de Jeová.
30 Deu-lhes Isaque um banquete, e comeram e beberam.
31 Levantando-se de manhã cedo, juraram de parte a parte; Isaque os despediu, e separaram-se dele em paz.
32 No mesmo dia, vieram os servos de Isaque e, dando-lhe notícias acerca do poço que haviam cavado, disseram-lhe: Achamos água.
33 Chamou ao poço Seba; por isso, é o nome da cidade Berseba, até o dia de hoje.
34 Tendo Esaú quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, o heteu.
35 Elas foram uma amargura para o espírito de Isaque e de Rebeca.
Capítulo 27
1 Quando Isaque já estava velho, e os olhos se lhe enfraqueciam, de modo que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Filho meu. Respondeu ele: Eis-me aqui.
2 Disse-lhe o pai: Eis que estou velho e não sei o dia da minha morte.
3 Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo e apanha para mim uma caça.
4 Faze-me um manjar saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma, a fim de que a minha alma te abençoe antes que eu morra.
5 Rebeca estava escutando quando Isaque falou a Esaú, seu filho. Esaú foi ao campo para apanhar caça e trazê-la.
6 Disse Rebeca a Jacó, seu filho: Ouvi a teu pai falar com Esaú, teu irmão, dizendo:
7 Traze-me caça e faze-me um manjar saboroso, para que eu coma e te abençoe diante de Jeová, antes que eu morra.
8 Agora, pois, meu filho, escuta a minha voz naquilo em que eu te mando.
9 Vai ao rebanho e traze-me de lá das cabras dois bons cabritos. Deles farei um manjar saboroso para teu pai, como ele gosta;
10 levá-lo-ás a teu pai, para que o coma, a fim de te abençoar antes que ele morra.
11 Respondeu Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú, meu irmão, é homem peloso, e eu sou liso.
12 Porventura, meu pai me apalpará, e serei aos seus olhos como mofador; e trarei sobre mim uma maldição e não uma bênção.
13 Respondeu-lhe sua mãe: Sobre mim caia a tua maldição, filho meu; somente escuta a minha voz e vai traze-mos.
14 Foi ele, tomou-os e os trouxe à sua mãe, que fez um manjar saboroso, como seu pai gostava.
15 Ela tomou os melhores vestidos de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais moço;
16 com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço
17 e pôs na mão de seu filho Jacó o manjar saboroso e o pão que havia preparado.
18 Jacó foi a seu pai e disse: Meu pai! Ele respondeu: Eis-me aqui; quem és tu, meu filho?
19 Disse Jacó a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; fiz como me ordenaste; levanta-te, pois, senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençõe.
20 Perguntou Isaque a seu filho: Como é que achaste tão depressa, meu filho? Respondeu ele: Porque Jeová, teu Deus, a mandou ao meu encontro.
21 Então, disse Isaque a Jacó: Chega-te, pois, para que eu te apalpe, meu filho, e veja se tu és meu filho Esaú ou não.
22 Chegou-se Jacó a seu pai Isaque, que o apalpou e disse: A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú.
23 Não o reconheceu, porque as suas mãos estavam pelosas como as mãos de seu irmão Esaú; assim, o abençoou.
24 Mas perguntou: És tu meu filho Esaú? Respondeu ele: Eu o sou.
25 Disse, pois: Traze-mo, e comerei da caça de meu filho, para que a minha alma te abençoe. Trouxe-lho, e ele comeu; também trouxe vinho, e ele bebeu.
26 Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho.
27 Chegou-se e deu-lhe um beijo. Sentindo seu pai o cheiro dos vestidos dele, o abençoou e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que Jeová abençoou;
28 que Deus te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e abundância de trigo e de mosto.
29 Sirvam-te povos, e nações te reverenciem: Sê senhor de teus irmãos, e te reverenciem os filhos de tua mãe. Malditos sejam aqueles que te maldisserem, e benditos sejam aqueles que te bendisserem.
30 Logo que Isaque acabou de abençoar a Jacó, apenas havia este saído da presença de Isaque, seu pai, chegou da sua caçada Esaú, seu irmão.
31 Ele também preparou um manjar saboroso e, trazendo-o a seu pai, disse-lhe: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me abençoe.
32 Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Respondeu ele: Eu sou teu filho, teu primogênito, Esaú.
33 Então, estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande e perguntou: Quem, pois, é aquele que apanhou caça e ma trouxe? Eu comi de tudo antes que viesses, abençoei-o, e ele será bendito.
34 Ao ouvir Esaú as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, dizendo a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai!
35 Respondeu seu pai: Veio teu irmão e tirou a tua bênção.
36 Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito da primogenitura, e eis que agora me tirou a bênção. E perguntou: Não tens reservado uma bênção para mim?
37 Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti e lhe tenho dado todos os seus irmãos por servos; de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que, pois, farei por ti, meu filho?
38 Replicou Esaú a seu pai: Porventura, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, meu pai, também a mim. Levantou Esaú a voz e chorou.
39 Respondeu-lhe seu pai Isaque: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação e sem o orvalho que cai do alto;
40 pela tua espada viverás e a teu irmão servirás; quando te tornares impaciente, sacudirás o seu jugo de sobre a tua cerviz.
41 Esaú aborrecia a Jacó por causa da bênção com que seu pai o abençoou; e disse consigo: Vêm chegando os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão.
42 As palavras de Esaú, seu filho mais velho, foram denunciadas a Rebeca, que mandou chamar a Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis que Esaú, teu irmão, se consola a teu respeito, propondo matar-te.
43 Agora, meu filho, escuta a minha voz. Retira-te para a casa de Labão, meu irmão, em Harã,
44 e demora-te com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão,
45 até que passe de ti a ira de teu irmão, e ele se esqueça do que lhe fizeste. Então, enviarei e te trarei de lá; por que seria eu desfilhada de ambos vós num só dia?
46 Disse Rebeca a Isaque: Enfadada estou da minha vida por causa das filhas de Hete; se Jacó tomar mulher dentre as filhas de Hete, tais como estas, dentre as filhas da terra, de que me servirá a vida?
Capítulo 28
1 Isaque, pois, chamou a Jacó, deu-lhe a sua bênção e ordenou-lhe, dizendo: Não tomarás mulher dentre as filhas de Canaã.
2 Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe; e toma de lá uma mulher das filhas de Labão, irmão de tua mãe.
3 Deus Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique, para que venhas a ser uma multidão de povos;
4 e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua posteridade contigo, para que herdes a terra das tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão.
5 Despediu Isaque a Jacó, que foi a Padã-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.
6 Vendo que Isaque tinha abençoado a Jacó e o tinha enviado a Padã-Arã, para tomar de lá mulher para si; vendo que, abençoando-o, lhe havia ordenado: Não tomarás mulher dentre as filhas de Canaã,
7 e que Jacó, obedecendo a seu pai e a sua mãe, fora a Padã-Arã:
8 vendo também que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque, seu pai;
9 Esaú foi à casa de Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher a Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.
10 Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
11 Tendo chegado a um certo lugar, ali passou a noite, porque o sol já se havia posto; tomando uma das pedras do lugar e pondo-a debaixo de sua cabeça, deitou-se naquele lugar para dormir.
12 Sonhou, e eis posta sobre a terra uma escada cujo topo chegava ao céu; os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
13 Perto dele estava Jeová, que disse: Eu sou Jeová, Deus de teu pai Abraão, e Deus de Isaque. A terra em que estás deitado, ta darei a ti e à tua posteridade;
14 a tua posteridade será como o pó da terra, e te dilatarás para o Ocidente, e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Por ti e por tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
15 Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te reconduzirei para esta terra; porque não te abandonarei até ter eu cumprido aquilo de que te hei falado.
16 Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, Jeová está neste lugar; e eu não o sabia.
17 E, temendo, disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar, senão a casa de Deus, é também a porta do céu.
18 Tendo-se Jacó levantado cedo de manhã, tomou a pedra que pusera debaixo da cabeça, pô-la por coluna e, sobre o topo dela, derramou azeite.
19 Chamou àquele lugar Betel; porém o nome da cidade antes era Luz.
20 Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar neste caminho que eu vou seguindo, e me der pão para comer e vestidos para me cobrir,
21 de maneira que eu volte em paz à casa de meu pai, e Jeová for meu Deus,
22 então, essa pedra que tenho posto por coluna será a casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente, te darei o dízimo.
Capítulo 29
1 Jacó pôs-se a caminho e chegou à terra dos filhos do Oriente.
2 Olhou, e eis um poço no campo, e três rebanhos de ovelhas deitadas junto dele; pois desse poço é que se dava de beber aos rebanhos. Era grande a pedra que tapava a boca do poço.
3 Ali se ajuntavam todos os rebanhos; e removiam os pastores a pedra da boca do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a pôr a pedra no seu lugar, sobre a boca do poço.
4 Perguntou-lhes Jacó: Irmãos meus, donde sois? Responderam eles: Somos de Harã.
5 Perguntou-lhes: Conheceis a Labão, filho de Naor? Responderam: Conhecemos.
6 Está ele bom? Continuou Jacó. Responderam: Está bom; eis que Raquel, sua filha, vem vindo com as ovelhas.
7 Disse-lhes: É ainda muito dia, nem é tempo de se ajuntar o gado; dai de beber às ovelhas e ide apascentá-las.
8 Não o podemos, responderam eles, até que se ajuntem todos os rebanhos e seja removida a pedra da boca do poço; então, damos de beber às ovelhas.
9 Estando Jacó ainda falando com eles, veio Raquel com as ovelhas de seu pai; porque ela as apascentava.
10 Quando Jacó viu a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, chegou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho de Labão, irmão de sua mãe.
11 Então, Jacó beijou a Raquel e, levantando a voz, chorou.
12 Jacó contou a Raquel que ele era irmão de seu pai e que era filho de Rebeca; e ela, correndo, foi noticiá-lo a seu pai.
13 Tendo Labão ouvido as novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e beijou-o e levou-o à sua casa. Relatou Jacó a Labão todas estas coisas.
14 Disse-lhe Labão: Verdadeiramente, tu és meu osso e minha carne. E Jacó ficou com ele por espaço de um mês.
15 Depois, perguntou Labão a Jacó: Acaso, porque és meu irmão, deves, portanto, servir-me de graça? Dize-me que será o teu salário?
16 Ora, Labão tinha duas filhas: o nome da mais velha era Lia, e o da mais moça, Raquel.
17 Lia tinha os olhos tenros, mas Raquel era formosa de porte e de semblante.
18 E Jacó amava a Raquel e disse: Sete anos te servirei por ter a Raquel, tua filha mais moça.
19 Respondeu-lhe Labão: Melhor é que eu a dê a ti que a outro homem; fica comigo.
20 Assim, serviu Jacó sete anos por amor a Raquel; e estes lhe pareciam como poucos dias, por causa do amor que lhe votava.
21 Jacó disse a Labão: Dá-me minha mulher, pois os meus dias já se completaram, para que eu esteja com ela.
22 Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar e fez um banquete.
23 À tarde, tomou a Lia, sua filha, e trouxe-a a Jacó, que esteve com ela.
24 (Labão deu sua serva Zilpa por serva a Lia, sua filha).
25 Quando amanheceu, eis que era Lia; e perguntou Jacó a Labão: Que é isso que me fizeste? Porventura, não te servi eu por amor de Raquel? Por que, então, me enganaste?
26 Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra, que se dê a mais moça antes da primogênita.
27 Acabada a semana desta, depois te daremos também a outra pelo trabalho de outros sete anos que ainda me servirás.
28 Assim fez Jacó e cumpriu a semana desta; Labão lhe deu por mulher Raquel, sua filha.
29 (Labão deu por serva a Raquel, sua filha, a sua serva Bila).
30 Jacó conheceu também a Raquel e amava mais a Raquel do que a Lia; e serviu com Labão ainda outros sete anos.
31 Vendo Jeová que Lia era desprezada, fê-la fecunda; Raquel, porém, era estéril.
32 Concebeu Lia e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse: Porque Jeová atendeu à minha aflição; por isso, agora, me amará meu marido.
33 Tendo concebido outra vez, deu à luz um filho; e disse: Porquanto soube Jeová que eu era desprezada, portanto, me deu também este filho; e chamou-lhe Simeão.
34 Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho; e disse: Agora, esta vez se unirá meu marido a mim, porque lhe tenho dado três filhos; portanto, lhe chamou Levi.
35 De novo concebeu e deu à luz um filho; e disse: Esta vez louvarei a Jeová. Portanto, lhe chamou Judá; e cessou de dar à luz.
Capítulo 30
1 Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja da sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, ou senão morro.
2 Então, se acendeu a ira de Jacó contra Raquel e perguntou: Acaso estou eu em lugar de Deus, que te há negado o fruto do ventre?
3 Respondeu ela: Eis a minha serva Bila, recebe-a por mulher; para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu também seja dela edificada.
4 Assim, lhe deu a Bila, sua serva, por mulher, e Jacó esteve com ela.
5 Concebeu Bila e deu à luz um filho a Jacó.
6 Então, disse Raquel: Julgou-me Deus, e também ouviu a minha voz, e deu-me um filho; portanto, lhe chamou Dã.
7 Concebeu outra vez Bila, serva de Raquel, e deu à luz um segundo filho a Jacó.
8 Disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã e tenho prevalecido; e chamou-lhe Naftali.
9 Vendo Lia que ela tinha cessado de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e deu-a a Jacó por mulher.
10 Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho.
11 Disse Lia: Afortunada! E chamou-lhe Gade.
12 Depois, Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um segundo filho.
13 Então, disse Lia: Feliz sou eu! Pois as filhas me chamarão feliz; e chamou-lhe Aser.
14 Foi Rúben nos dias da ceifa do trigo, e achou mandrágoras no campo, e trouxe-as a Lia, sua mãe. Então, disse Raquel a Lia: Dá-me das mandrágoras de teu filho.
15 Respondeu-lhe Lia: Porventura, é pouca coisa teres-me tirado meu marido? Queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Portanto, ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.
16 Vindo Jacó do campo, à tarde, saiu-lhe Lia ao encontro e disse: Hás de dormir comigo, porque, certamente, te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.
17 Ouviu Deus a Lia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.
18 Então, disse Lia: Deus deu-me o meu pago, porque dei a minha serva a meu marido; e chamou-lhe Issacar.
19 Concebendo Lia outra vez, deu a Jacó um sexto filho.
20 E disse: Deus tem-me dado um bom dote; desta vez morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos; e chamou-lhe Zebulom.
21 Depois disto, deu à luz uma filha e chamou-lhe Diná.
22 Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e fê-la fecunda.
23 Ela concebeu, deu à luz um filho e disse: Tirou-me Deus o opróbrio;
24 e chamou-lhe José, dizendo: Dê-me Jeová ainda outro filho.
25 Tendo Raquel dado à luz a José, disse Jacó a Labão: Despede-me para que eu vá ao meu lugar e à minha terra.
26 Dá-me minhas mulheres e meus filhos, pelos quais te hei servido, e deixa-me ir; pois tu sabes o meu serviço com que te hei servido.
27 Respondeu-lhe Labão: Se tenho achado graça aos teus olhos, fica comigo; pois tenho alcançado, por experiência, que Deus me abençoou por amor de ti.
28 Prosseguiu: Determina-me o teu salário, que to darei.
29 Respondeu-lhe Jacó: Tu sabes como te hei servido, e como tem passado o teu gado comigo.
30 Porque era pouca coisa que tinhas antes da minha vinda, e tem-se multiplicado em multidão; Jeová te há abençoado por onde quer que eu fui. Agora, pois, quando farei eu provisão também para minha casa?
31 Perguntou-lhe Labão: Que te darei? Respondeu-lhe Jacó: Não me darás nada; se me fizeres isto, tornarei a apascentar o teu rebanho e guardá-lo.
32 Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele os salpicados e malhados, e todos os que são negros entre as ovelhas, e todos os malhados e salpicados entre as cabras; e isso será o meu salário.
33 Assim, responderá por mim a minha justiça, no dia de amanhã, quando vieres ver o meu salário, que está diante de ti; todo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e negro entre as ovelhas, esse, se for achado comigo, será tido por furtado.
34 Disse Labão: Oxalá que seja conforme a tua palavra.
35 Ele separou, naquele mesmo dia, os bodes listrados e malhados, e todas as cabras salpicadas e malhadas, e todos que tinham algum branco, e todos os negros entre as ovelhas e os entregou às mãos de seus filhos;
36 pôs o espaço de três dias de jornada entre si e Jacó, e Jacó apascentava o restante dos rebanhos de Labão.
37 Jacó tomou umas varas verdes de álamo, de aveleira e de plátano; e, descascando-as em riscas brancas, fez aparecer o branco que nelas havia.
38 As varas que descascara pôs em frente dos rebanhos, no fundo dos tanques de água aonde vinham a beber, e conceberam quando vinham a beber.
39 Os rebanhos concebiam diante das varas e pariam listrados, salpicados e malhados.
40 Separou Jacó os cordeiros e fez os rebanhos olhar para os listrados e para os negros do rebanho de Labão; pôs o seu rebanho à parte e não o ajuntou ao rebanho de Labão.
41 Todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas diante dos olhos do rebanho, no fundo dos tanques, para que concebessem entre as varas;
42 mas, quando o rebanho era fraco, não as punha: assim, as fracas eram de Labão, e as fortes, de Jacó.
43 O homem aumentou sobremaneira as suas posses e teve grandes rebanhos, servos, servas, camelos e jumentos.
Capítulo 31
1 Jacó, entretanto, ouviu as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Levou Jacó tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai adquiriu ele todas estas riquezas.
2 Viu Jacó o rosto de Labão, e eis que lhe não era favorável como dantes.
3 Disse também Jeová a Jacó: Volta para a terra de teus pais e para a tua parentela; e eu serei contigo.
4 Jacó mandou chamar a Raquel e a Lia para o campo, para o seu rebanho,
5 e lhes disse: Eu estou vendo que o rosto de vosso pai não me é favorável como dantes; porém o Deus de meu pai tem estado comigo.
6 Vós mesmas sabeis que, com todas as minhas forças, tenho servido a vosso pai.
7 Mas vosso pai me tem enganado e mudado dez vezes o meu salário; porém, Deus não lhe permitiu que me fizesse dano algum.
8 Se ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário, paria salpicados o rebanho todo; e, se ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, paria listrados o rebanho todo.
9 De sorte que Deus tem tirado o gado de vosso pai e mo tem dado a mim.
10 Pois sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, levantei os olhos e vi em sonhos que os bodes que cobriam o rebanho eram listrados, salpicados e malhados.
11 Disse-me o Anjo de Deus no sonho: Jacó. Eu respondi: Eis-me aqui.
12 Prosseguiu o Anjo: Levanta os olhos e vê que todos os bodes que cobrem o rebanho são listrados, salpicados e malhados; pois tenho visto tudo o que Labão te está fazendo.
13 Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te, pois, sai-te desta terra e volta para a terra de tua parentela.
14 Responderam-lhe Raquel e Lia: Há ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pai?
15 Não somos tidas por ele como estrangeiras? Pois nos vendeu e também consumiu por inteiro o nosso preço.
16 Porque todas as riquezas que Deus tirou de nosso pai são nossas e de nossos filhos; agora, pois, faze tudo o que Deus te mandou.
17 Levantou-se Jacó e fez montar sobre os camelos a seus filhos e a suas mulheres;
18 e levou todo o seu gado e toda a sua fazenda que havia adquirido, o gado que possuía, que havia adquirido em Padã-Arã, para ir ter com Isaque, seu pai, à terra de Canaã.
19 Labão tinha ido tosquiar as suas ovelhas, e Raquel furtou os terafins que pertenciam a seu pai.
20 Jacó iludiu a Labão, o arameu, porque não lhe fez saber que fugia.
21 Assim, fugiu com tudo o que era seu; levantando-se, passou o rio e pôs o seu rosto para a montanha de Gileade.
22 Foi Labão avisado, ao terceiro dia, que Jacó havia fugido.
23 Então, tendo tomado consigo seus irmãos, seguiu atrás de Jacó jornada de sete dias; e alcançou-o na montanha de Gileade.
24 Veio Deus a Labão, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, não fales com Jacó nem bem nem mal.
25 Alcançou, pois, Labão a Jacó. Ora, este tinha armado a sua tenda no monte; e armou Labão com seus irmãos a sua na montanha de Gileade.
26 Disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me iludiste e levaste minhas filhas como cativas da espada?
27 Por que razão fugiste ocultamente, me iludiste e não me fizeste saber, para que eu te despedisse com alegria e com cânticos, ao som de tambores e de harpas?
28 Por que não me deixaste beijar a meus filhos e a minhas filhas? Agora, te portaste como um néscio.
29 Está no poder da minha mão fazer-vos o mal; porém, o Deus de vosso pai falou-me ontem à noite, dizendo: Guarda-te, não fales com Jacó nem bem nem mal.
30 Agora que partiste, porquanto tiveste saudades da casa de teu pai, por que me furtaste os meus deuses?
31 Respondeu-lhe Jacó: Porque tive medo; pois disse: Para que não suceda que me tires por força tuas filhas.
32 Não viverá aquele com quem achares os teus deuses; na presença de nossos irmãos, vê o que é teu do que está comigo e leva-o contigo. Pois Jacó não sabia que Raquel os tinha furtado.
33 Labão entrou na tenda de Jacó, de Lia e das duas escravas, porém não os achou. Tendo saído da tenda de Lia, entrou na de Raquel.
34 Ora, Raquel tinha tomado os terafins, e os havia metido na albarda do camelo, e se assentara em cima deles. Apalpou Labão toda a tenda, porém não os achou.
35 Então, ela disse a seu pai: Não te agastes, meu senhor, por eu não me poder levantar na tua presença; pois me acho com a indisposição das mulheres. E ele procurou; contudo, não achou os terafins.
36 Então, se irou Jacó e altercou com Labão; e disse-lhe: Qual é a minha transgressão? Qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido?
37 Havendo apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os móveis de tua casa? Põe-nos aqui diante de meus irmãos e de teus irmãos, para que sejam eles juízes entre ambos nós.
38 Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras não perderam as crias, e não comi os carneiros do teu rebanho.
39 Não te trouxe eu o que havia sido despedaçado; eu sofri o dano; da minha mão o requerias, quer fosse furtado de dia, quer de noite.
40 Assim andava eu; de dia me consumia o calor, e, de noite, a geada; e o sono me fugia dos olhos.
41 Tenho estado, agora, vinte e um anos em tua casa; quatorze anos te servi por tuas duas filhas e seis, por teu rebanho; dez vezes me mudaste o salário.
42 Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque, não tivesse estado por mim, certamente tu me terias mandado embora sem coisa nenhuma. Deus viu a minha aflição e o trabalho das minhas mãos e repreendeu-te ontem à noite.
43 Respondeu-lhe Labão: As filhas são minhas filhas, os filhos são meus filhos, os rebanhos são meus rebanhos, e tudo o que vês é meu; e que posso fazer, hoje, a estas minhas filhas ou aos filhos que elas deram à luz?
44 Vem tu, pois, e façamos uma aliança, eu e tu; e que ela sirva de testemunha entre mim e ti.
45 Tomou Jacó uma pedra e a levantou por coluna.
46 E disse a seus irmãos: Ajuntai pedras. Tomaram pedras e delas fizeram um montão: ali, comeram ao lado do montão.
47 Chamou-lhe Labão Jegar-Saaduta, mas Jacó chamou-lhe Galeede.
48 Disse Labão: Este montão é testemunha entre mim e ti. Por isso, se lhe chamava Galeede
49 e Mispa, pois disse: Vigie Jeová entre mim e ti, quando estivermos apartados um do outro.
50 Se tu maltratares a minhas filhas e tomares outras mulheres além de minhas filhas, não estando ninguém conosco, atenta que Deus é testemunha entre mim e ti.
51 Disse mais Labão a Jacó: Eis este montão e esta coluna, que levantei entre mim e ti.
52 Seja este montão testemunha, e seja esta coluna testemunha de que eu para mal não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e esta coluna a mim.
53 O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus do pai deles, seja juiz entre nós. Jurou Jacó pelo Temor de seu pai Isaque.
54 Depois, ofereceu Jacó um sacrifício na montanha e convidou a seus irmãos para comerem pão; comeram pão e passaram a noite na montanha.
55 Tendo-se levantado Labão de manhã cedo, beijou seus filhos e suas filhas e os abençoou; e, partindo, voltou para o seu lugar.
Capítulo 32
1 Jacó também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus.
2 Quando os viu, disse: Este é o arraial de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim.
3 Então, enviando mensageiros diante de si a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, ao campo de Edom,
4 ordenou-lhes: Assim falareis a meu senhor Esaú: Teu servo Jacó manda dizer isto: Com Labão morei como peregrino e com ele fiquei até agora.
5 Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas; e mando comunicar isso a meu senhor, a fim de achar eu graça aos seus olhos.
6 Voltaram os mensageiros a Jacó, dizendo: Fomos ter com teu irmão Esaú, e também está ele em caminho para se encontrar contigo, e quatrocentos homens, com ele.
7 Jacó teve muito medo e perturbou-se; dividiu em dois bandos o povo que estava com ele, e os rebanhos, e os bois e os camelos;
8 e disse: Se vier Esaú a um bando e o ferir, o outro bando que resta escapará.
9 Prosseguiu Jacó: Deus de meu pai Abraão, e Deus de meu pai Isaque, Jeová, que me disseste: Volta para a tua terra e para a tua parentela, e eu te farei o bem.
10 Não sou digno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com o teu servo; porque, levando o meu báculo, passei este Jordão e agora torno-me em dois bandos.
11 Livra-me da mão de meu irmão Esaú, porque eu o temo, para que não venha ele matar-me, a mãe com os filhos.
12 Pois tu disseste: Certamente te farei o bem e farei a tua descendência como a areia do mar, que, pela multidão, não se pode contar.
13 Passou ali aquela noite e tomou do que tinha um presente para seu irmão Esaú:
14 duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
15 trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.
16 Entregou-os às mãos de seus servos, cada manada à parte, e disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre manada e manada.
17 Ordenou também ao primeiro: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te perguntar: De quem és? E: Para onde vais? E: De quem são estes diante de ti?
18 Então, responderás: São de teu servo Jacó; é presente que ele envia a meu senhor Esaú; e eis que ele mesmo vem atrás de nós.
19 Ordenou também ao segundo, ao terceiro e a todos os que iam atrás dos rebanhos: Desta maneira falareis a Esaú, quando o encontrardes;
20 direis: Eis que o teu servo Jacó também vem atrás de nós. Pois disse: Aplacá-lo-ei com o presente que vai adiante de mim e depois verei a sua face; porventura, me aceitará.
21 Assim, passou o presente adiante dele; ele, porém, ficou aquela noite no arraial.
22 Naquela noite, levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos e passou o vau de Jaboque.
23 Tomou-os e fê-los passar o ribeiro, e fez passar tudo o que tinha.
24 Jacó ficou só; e lutava com ele um homem, até o romper do dia.
25 Quando este viu que não podia com ele, tocou-lhe a juntura da coxa; e deslocou-se a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com o homem.
26 Disse este: Deixa-me ir, porque vem rompendo o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir, se me não abençoares.
27 Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? Respondeu: Jacó.
28 Então, disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens perseverado com Deus e com os homens e prevaleceste.
29 Jacó perguntou-lhe: Dize-me o teu nome. Respondeu ele: Por que é que perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou.
30 Chamou Jacó ao lugar Peniel, pois disse: Tenho visto a Deus face a face, e a minha vida foi preservada.
31 Nasceu-lhe o sol, quando ele passava a Peniel, e manquejava da sua coxa.
32 Por isso, os filhos de Israel não comem, até o dia de hoje, o nervo do quadril, que está sobre a juntura da coxa, porque o homem tocou a juntura da coxa de Jacó no nervo do quadril.
Capítulo 33
1 Levantando Jacó os olhos, olhou, e eis que vinha Esaú, e com ele, quatrocentos homens. Repartiu, pois, os filhos entre Lia, Raquel e as duas servas.
2 Pôs as servas e seus filhos na frente, a Lia e a seus filhos, atrás destes, e a Raquel e a José, por últimos.
3 Ele mesmo passou adiante deles, e prostrou-se sete vezes, até chegar perto de seu irmão.
4 Correu-lhe Esaú ao encontro, deu-lhe um abraço, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e eles choraram.
5 Levantando os olhos, viu as mulheres e meninos; e perguntou: Quem são estes? Respondeu-lhe Jacó: Os meninos que Deus, na sua bondade, deu a teu servo.
6 Então, se chegaram as servas, elas e seus filhos, e prostraram-se em terra.
7 Chegaram-se também Lia e seus filhos e prostraram-se; depois, chegaram-se José e Raquel e prostraram-se.
8 Perguntou Esaú: Qual é a tua intenção em todos estes bandos que encontrei? Respondeu Jacó: Para achar graça diante do meu senhor.
9 Mas Esaú disse: Tenho bastante, meu irmão; fica com o que tens.
10 Replicou-lhe Jacó: Não recuses; se agora achei graça diante de ti, recebe o presente da minha mão; porque vi o teu rosto como quem vê o rosto de Deus; e tu te agradaste de mim.
11 Recebe o meu presente que eu te trouxe; porque Deus tem sido bondoso para comigo, e porque tenho bastante. Insistiu com ele, e ele o recebeu.
12 Então, Esaú disse: Ponhamo-nos a caminho e vamo-nos, eu irei adiante de ti.
13 Respondeu-lhe Jacó: Meu senhor sabe que os meninos são tenros e que tenho de cuidar das ovelhas e das vacas que têm crias; se forem obrigadas a caminhar demais um só dia, morrerão todos os rebanhos.
14 Passe meu senhor adiante de seu servo; eu seguirei, guiando-as mansamente, conforme o passo do gado que está adiante de mim e conforme o passo dos meninos, até chegar à casa de meu senhor, em Seir.
15 Respondeu Esaú: Permite que eu deixe contigo da gente que está comigo. Disse Jacó: Para quê? Que ache eu graça aos olhos de meu senhor.
16 Assim, voltou Esaú aquele dia seu caminho para Seir.
17 Jacó partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez barracas para o seu gado; por isso, o lugar se chama Sucote.
18 Chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando voltou de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade.
19 A parte do campo em que armara a sua tenda, comprou-a ele dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.
20 Levantou ali um altar e chamou-lhe El-Elohe-Israel.
Capítulo 34
1 Diná, filha de Lia, a quem esta deu à luz a Jacó, saiu para ver as filhas da terra.
2 Viu-a Siquém, filho de Hamor, o heveu, príncipe daquela terra; e, tomando-a, deitou-se com ela e humilhou-a.
3 Apegou-se a sua alma a Diná, filha de Jacó, e amou a donzela, e falou-lhe carinhosamente.
4 Então, disse Siquém a seu pai Hamor: Consegue-me esta donzela por mulher.
5 Ora, Jacó soube que Siquém tinha contaminado a Diná, sua filha. Estavam seus filhos no campo com o gado; calou-se, pois, até que voltassem.
6 Hamor, pai de Siquém, saiu a fim de falar com Jacó.
7 Os filhos de Jacó vieram do campo, logo que o souberam; entristeceram-se e iraram-se muito porque Siquém havia cometido uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Jacó, coisa que não se devia fazer.
8 Disse-lhes Hamor: A alma de meu filho Siquém afeiçoou-se fortemente a vossa filha; rogo-vos que lha deis por mulher.
9 Aparentai-vos conosco; dai-nos vossas filhas e recebei as nossas.
10 Habitareis conosco, a terra estará diante de vós; habitai, e negociai nela, e nela tende possessões.
11 Siquém também disse ao pai e aos irmãos dela: Ache eu graça aos vossos olhos e dar-vos-ei o que me disserdes.
12 Aumentai muito o dote e as dádivas, e darei tudo o que me disserdes; dai-me somente esta donzela por mulher.
13 Então, os filhos de Jacó, porque Siquém havia contaminado a sua irmã Diná, responderam com dolo a Siquém e a seu pai Hamor
14 e lhes disseram: Não podemos fazer isso, dar nossa irmã a um homem incircunciso; porque isso seria uma vergonha para nós.
15 Sob uma única condição, consentiremos; se vos tornardes como nós, circuncidando-se todo o macho entre vós,
16 então, vos daremos nossas filhas a vós, receberemos vossas filhas para nós, e habitaremos convosco e seremos um só povo.
17 Porém, se não nos ouvirdes para serdes circuncidados, então, levaremos nossa filha e nos iremos embora.
18 Suas palavras agradaram a Hamor e a Siquém, seu filho.
19 Não tardou o mancebo em fazer isto, porque se agradava da filha de Jacó: e era o mais honrado de toda a casa de seu pai.
20 Vieram Hamor e seu filho Siquém à porta da sua cidade e disseram aos homens da cidade:
21 Estes homens são para conosco pacíficos, portanto, habitem na terra e negociem nela. A terra é bastante larga para contê-los; recebamos por mulheres suas filhas e demos-lhes as nossas.
22 Sob uma única condição, consentirão os homens em habitar conosco, tornando-se um só povo — se todo o homem entre nós for circuncidado, como eles o são.
23 O seu gado, as suas possessões e todos os seus animais não serão nossos? Somente consintamos com eles nisso, e habitarão conosco.
24 Escutaram a Hamor e a seu filho Siquém todos os que saíam da porta da sua cidade; e foi circuncidado todo homem, todos os que saíam da porta da sua cidade.
25 Ao terceiro dia quando os homens estavam sentindo dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, foram à cidade que se achava em segurança e mataram a todos os homens.
26 Mataram também, ao fio da espada, a Hamor e a Siquém, seu filho, e, tirando a Diná da casa de Siquém, saíram.
27 Os filhos de Jacó vieram aos mortos e saquearam a cidade, porque havia sido contaminada a sua irmã.
28 Levaram-lhes os rebanhos, os bois, os jumentos e o que havia na cidade e no campo;
29 todos os seus bens, e todos os seus pequeninos, e suas mulheres levaram cativos e despojaram-nos, sim, levaram tudo o que havia nas casas.
30 Então, disse Jacó a Simeão e a Levi: Tendes-me perturbado, fazendo-me odioso aos habitantes da terra, entre os cananeus e perezeus. Tendo eu pouca gente, reunir-se-ão e me ferirão a mim; e serei destruído, eu e minha casa.
31 Responderam: Devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?
Capítulo 35
1 Disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugiste da face de Esaú, teu irmão.
2 Então, disse Jacó à sua família e a todos os que estavam com ele: Lançai fora os deuses estrangeiros que estão no meio de vós, purificai-vos e mudai os vossos vestidos;
3 levantemo-nos e subamos a Betel. Ali, farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e esteve comigo no caminho em que andei.
4 Deram, pois, a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e as arrecadas que pendiam das suas orelhas; Jacó escondeu-os debaixo do terebinto que está junto a Siquém.
5 Então, partiram; veio o terror de Deus sobre as cidades que lhes eram circunvizinhas, e não perseguiram os filhos de Jacó.
6 Assim, chegou Jacó a Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e todo o povo que estava com ele.
7 Edificou ali um altar e chamou ao lugar El-Betel; porque ali Deus se lhe revelou, quando fugiu da face de seu irmão.
8 Morreu Débora, ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do carvalho que se chamava Alom-Bacute.
9 Apareceu Deus a Jacó outra vez, quando voltou de Padã-Arã e o abençoou.
10 Disse- lhe Deus: O teu nome é Jacó. Não te chamarás mais Jacó, porém o teu nome será Israel. E chamou-lhe Israel.
11 Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te. Uma nação e uma multidão de nações sairão de ti, e reis procederão dos teus lombos.
12 A terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; também à tua descendência, depois de ti, darei a terra.
13 Deus retirou-se dele no lugar onde lhe falou.
14 Jacó erigiu uma coluna, uma coluna de pedra, no lugar onde Deus lhe falara; sobre ela derramou uma libação e deitou-lhe azeite.
15 Jacó chamou Betel ao lugar onde Deus lhe falara.
16 Partiram de Betel, e ainda havia um trecho antes de chegar a Efrata. Raquel estava de parto, e custou-lhe o dar à luz.
17 Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas; pois ainda terás este filho.
18 Ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou-lhe Benoni; mas seu pai chamou-lhe Benjamim.
19 Morreu Raquel e foi sepultada no caminho que vai a Efrata (esta é Belém).
20 Jacó erigiu sobre a sepultura de Raquel uma coluna, que existe até o dia de hoje.
21 Partiu Israel e armou a sua tenda além da torre de Éder.
22 Habitando Israel naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube. Os filhos de Jacó eram doze:
23 Rúben, o primogênito de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, filhos de Lia;
24 José e Benjamim, filhos de Raquel;
25 Dã e Naftali, filhos de Bila, serva de Raquel;
26 e Gade e Aser, filhos de Zilpa, serva de Lia. Estes são os filhos de Jacó que lhe nasceram em Padã-Arã.
27 Veio Jacó a Isaque, seu pai, a Manre, a Quiriate-Arba (esta é Hebrom), onde peregrinaram Abraão e Isaque.
28 Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos.
29 Exalando Isaque o seu espírito, morreu e foi reunido ao seu povo, velho e cheio de dias; e sepultaram-no Esaú e Jacó, seus filhos.
Capítulo 36
1 Estas são as gerações de Esaú (este é Edom).
2 Esaú tomou por mulheres dentre as filhas de Canaã: Ada, filha de Elom, o heteu, Oolibama, filha de Aná, filha de Zibeão, o heveu,
3 e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.
4 Ada teve de Esaú Elifaz; Basemate deu à luz Reuel;
5 e Oolibama deu à luz Jeús, Jalão e Coré. Estes são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã.
6 Esaú levou suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, e todas as almas de sua casa, e seu gado, e todos os seus animais, e todas as suas possessões que tinha adquirido na terra de Canaã; e foi para a terra de Seir, apartando-se de seu irmão Jacó.
7 Pois os seus bens eram abundantes demais para habitarem eles juntos; e a terra de suas peregrinações não o podia sustentar por causa do seu gado.
8 Assim, Esaú habitou no monte de Seir: Esaú é Edom.
9 Estas são as gerações de Esaú, pai dos idumeus, no monte de Seir;
10 estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú; Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú.
11 Os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Getã e Quenaz.
12 Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú; ela teve de Elifaz Amaleque. São estes os filhos de Ada, mulher de Esaú.
13 Foram estes os filhos de Reuel, filho de Esaú: Naate, Zerá, Samá e Mizá; foram estes os filhos de Basemate, mulher de Esaú.
14 Foram estes os filhos de Oolibama, filha de Aná, filha de Zibeão, mulher de Esaú; ela teve de Esaú Jeús, Jalão e Coré.
15 São estes os príncipes dos filhos de Esaú: os filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: o príncipe de Temã, o príncipe de Omar, o príncipe de Zefô, o príncipe de Quenaz,
16 o príncipe de Coré, o príncipe de Getã e o príncipe de Amaleque. São estes os príncipes que nasceram a Elifaz na terra de Edom; estes são os filhos de Ada.
17 Estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o príncipe de Naate, o príncipe de Zerá, o príncipe de Samá e o príncipe de Mizá; estes são os príncipes que nasceram a Reuel na terra de Edom; estes são os filhos de Basemate, mulher de Esaú.
18 Estes são os filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o príncipe de Jeús, o príncipe de Jalão e o príncipe de Coré. Estes são os príncipes que nasceram de Oolibama, filha de Aná, mulher de Esaú.
19 Estes são os filhos de Esaú, e estes, seus príncipes; ele é Edom.
20 São estes os filhos de Seir, o horeu, moradores da terra: Lotã, Sobal, Zibeão, Aná,
21 Disom, Eser e Disã. São estes os príncipes que procederam dos horeus, filhos de Seir, na terra de Edom.
22 Os filhos de Lotã foram Hori e Homã; a irmã de Lotã era Timna.
23 Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.
24 Estes são os filhos de Zibeão: Aiá e Aná; este é Aná que achou as fontes termais no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeão, seu pai.
25 São estes os filhos de Aná: Disom e Oolibama, filha de Aná.
26 São estes os filhos de Disom: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.
27 São estes os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Acã.
28 São estes os filhos de Disã: Uz e Arã.
29 Estes são os príncipes que procederam dos horeus: o príncipe de Lotã, o príncipe de Sobal, o príncipe de Zibeão, o príncipe de Aná,
30 o príncipe de Disom, o príncipe de Eser e o príncipe de Disã. Estes são os príncipes que procederam dos horeus, segundo os seus principados na terra de Seir.
31 São estes os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos de Israel.
32 Bela, filho de Beor, reinou em Edom; e o nome da sua cidade era Dinabá.
33 Morreu Bela; e reinou em seu lugar Jobabe, filho de Zerá, de Bozra.
34 Morreu Jobabe, e reinou em seu lugar Husão, da terra dos temanitas.
35 Morreu Husão, e reinou em seu lugar Hadade, filho de Bedade, que feriu a Midiã no campo de Moabe; o nome da sua cidade era Avite.
36 Morreu Hadade, e reinou em seu lugar Sanlá, de Masreca.
37 Morreu Sanlá, e reinou em seu lugar Saul, de Reobote, perto do rio.
38 Morreu Saul, e reinou em seu lugar Baal-Hanã, filho de Acbor.
39 Morreu Baal-Hanã, filho de Acbor, e reinou em seu lugar Hadar; o nome da sua cidade era Pau, e o nome da sua mulher era Meetabel, filha da Matrede, filha de Me-Zaabe.
40 Estes são os nomes dos príncipes que procederam de Esaú, segundo as suas famílias, segundo os seus lugares, pelos seus nomes: o príncipe de Timna, o príncipe de Alva, o príncipe de Jetete,
41 o príncipe de Oolibama, o príncipe de Elá, o príncipe de Pinom,
42 o príncipe de Quenaz, o príncipe de Temã, o príncipe de Mibzar,
43 o príncipe de Magdiel e o príncipe de Irã. Estes são os príncipes de Edom, segundo as suas habitações na terra da sua possessão. Este é Esaú, pai dos edomeus.
Capítulo 37
1 Habitou Jacó na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã.
2 Estas são as gerações de Jacó. José, tendo dezessete anos, estava com seus irmãos apascentando os rebanhos; sendo ainda mocinho, acompanhava os filhos de Bila e os de Zilpa, mulheres de seu pai, e trouxe más notícias a respeito deles a seu pai.
3 Ora, Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar com mangas compridas.
4 Viram seus irmãos que seu pai o amava mais que a todos os seus irmãos; aborreciam-no e não lhe podiam falar pacificamente.
5 José teve um sonho, que relatou a seus irmãos; e odiaram-no ainda mais.
6 Pois lhes disse: Ouvi este sonho que eu tive:
7 eis que nós estávamos atando feixes no campo, e levantava-se o meu feixe e ficava em pé; os vossos feixes o rodeavam e prostravam-se perante o meu feixe.
8 Responderam-lhe seus irmãos: Virás, de fato, a reinar sobre nós? Ou virás, de fato, a ter domínio sobre nós? Aborreciam-no ainda mais por causa dos seus sonhos e por causa das suas palavras.
9 Teve outro sonho, que relatou a seus irmãos, dizendo: Tive ainda outro sonho: eis que o sol, a lua e onze estrelas se prostraram perante mim.
10 Quando o relatou a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai e disse-lhe: Que sonho é este que sonhaste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos a prostrar-nos em terra perante ti?
11 Seus irmãos lhe tinham inveja, mas seu pai guardava o caso no coração.
12 Foram seus irmãos apascentar o rebanho de seu pai, em Siquém.
13 Perguntou Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em Siquém? Vem, enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui.
14 Disse-lhe Israel: Vai, vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou ao vale de Hebrom, e ele foi a Siquém.
15 E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e perguntou-lhe: Que procuras?
16 Respondeu ele: Procuro meus irmãos; dize-me onde apascentam eles o rebanho?
17 Disse o homem: Foram-se daqui, porque ouvi-lhes dizer: Vamos a Dotã. José, pois, seguiu atrás de seus irmãos e achou-os em Dotã.
18 Eles viram-no de longe e, antes que chegasse a eles, conspiraram contra ele para o matar.
19 Diziam um ao outro: Eis que vem o tal sonhador!
20 Vinde, agora, matemo-lo, e lancemo-lo numa das covas, e diremos: Uma besta-fera o devorou; e veremos que será dos seus sonhos.
21 Mas, ouvindo-o Rúben, livrou-o das mãos deles; e disse: Não lhe tiremos a vida.
22 Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue. Lançai-o nesta cova que está no deserto, porém não ponhais mão sobre ele; isto disse, para o livrar das mãos deles, a fim de o restituir a seu pai.
23 Logo que chegou José a seus irmãos, despiram-no da túnica, da túnica talar com mangas compridas que ele trazia;
24 e, tomando-o, lançaram-no na cova: ora, a cova estava vazia, não havia água nela.
25 Então, se assentaram para comer. Levantando os olhos, olharam, e eis que uma caravana de ismaelitas vinha de Gileade, trazendo os seus camelos tragacanto, mástique e ládano, que iam levar ao Egito.
26 Disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar a nosso irmão e encobrir o seu sangue?
27 Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas, e não seja a nossa mão sobre ele, porque ele é nosso irmão, nossa carne. E escutaram-no seus irmãos.
28 Passando uns negociantes midianitas, tiraram, e alçaram da cova a José, e venderam-no aos ismaelitas por vinte moedas de prata; estes o levaram ao Egito.
29 Tendo Rúben voltado à cova, eis que José não estava na cova; então, rasgou os seus vestidos.
30 Voltou a seus irmãos e disse: O moço não aparece; e eu para onde irei?
31 Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e tingiram a túnica no sangue.
32 Enviaram a túnica talar com mangas compridas e fizeram levá-la a seu pai e disseram: Achamos esta túnica; vê se é a túnica de teu filho ou não.
33 Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; uma besta-fera o devorou; sem dúvida, José foi despedaçado.
34 Rasgou Jacó os seus vestidos, pôs saco sobre os seus lombos e lamentou seu filho muitos dias.
35 Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas para o consolarem, mas ele não quis ser consolado; e disse: Pois com choro hei de descer para meu filho ao Sheol. Assim, o chorou seu pai.
36 Os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda.
Capítulo 38
1 Nesse tempo, separou-se Judá de seus irmãos e uniu-se a um adulamita que se chamava Hira.
2 Viu ali a filha dum cananeu, por nome Sua; tomou-a por mulher e a conheceu.
3 Ela concebeu e deu à luz um filho; e o pai chamou-lhe Er.
4 Tornou a conceber e deu à luz um filho, a quem a mãe chamou Onã.
5 Deu à luz mais um filho e chamou-lhe Selá. Judá estava em Quezibe, quando ela deu à luz.
6 Judá tomou para o seu primogênito Er uma mulher, a qual se chamava Tamar.
7 Ora, Er, o primogênito de Judá, era um homem mau aos olhos de Jeová; assim, Jeová o matou.
8 Disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, cumpre para com ela o dever dum irmão de seu marido e dá sucessão a teu irmão.
9 Mas Onã sabia que os filhos não haviam de ser tidos por seus; assim, todas as vezes que ele se unia à mulher de seu irmão, deixava cair o sêmen no chão, para que não desse sucessão a seu irmão.
10 O que ele fazia era mau aos olhos de Jeová, que o matou também a ele.
11 Disse Judá a Tamar, sua nora: Fica-te viúva em casa de teu pai, até que meu filho Selá venha a ser homem; porquanto disse: Para que não morra este, como seus irmãos. Assim, se foi Tamar e morou em casa de seu pai.
12 No correr do tempo, morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e, consolado Judá, subiu a Timna para ir ter com os tosquiadores das suas ovelhas, ele e seu amigo Hira, o adulamita.
13 Foi dito a Tamar: Eis que teu sogro sobe a Timna para tosquiar as suas ovelhas.
14 Ela se despiu dos vestidos de sua viuvez, se cobriu com um véu, envolveu-se e se assentou à entrada de Enaim, que está no caminho que vai dar a Timna; pois viu que Selá era já homem feito, e ela não lhe fora dada por mulher.
15 Vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta; pois ela tinha coberto o rosto.
16 Então, se chegou a ela no caminho e disse: Vem, deixa-me estar contigo; pois não sabia que ela era sua nora. Perguntou-lhe ela: Que me darás, para estares comigo?
17 Respondeu ele: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. Perguntou ela: Dar-me-ás um penhor, até que o envies?
18 Respondeu ele: Que penhor é o que te darei? Disse ela: Teu selo com a corda e o báculo que tens na mão. Ele, pois, lhos deu e a conheceu, e ela concebeu.
19 Ela, levantando-se, se foi, tirou de si o véu e se vestiu com os vestidos de sua viuvez.
20 Enviou Judá o cabrito por intermédio de seu amigo, o adulamita, para receber o penhor da mão da mulher; porém não a encontrou.
21 Então, perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta que estava em Enaim, junto ao caminho? Responderam eles: Aqui não tem estado prostituta alguma.
22 Tendo voltado a Judá, disse: Não a encontrei; e também os homens do lugar disseram: Aqui não tem estado prostituta alguma.
23 Respondeu Judá: Que ela o guarde para si, para que não nos tornemos em opróbrio; eis que enviei este cabrito, mais tu não a encontraste.
24 Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, fornicou; e eis que está pejada da fornicação. Então, disse Judá: Tirai-a para fora, e seja ela queimada.
25 Havendo sido tirada para fora, mandou ela dizer a seu sogro: Eu concebi do homem de quem são estas coisas; e disse mais: Reconhece de quem são estes, o selo com o cordão e o báculo.
26 Reconheceu-os Judá e disse: Ela é mais justa do que eu, porquanto não a entreguei a meu filho Selá. Ele, pois, nunca mais a conheceu.
27 Aconteceu que, ao tempo de dar à luz, eis que havia gêmeos no seu ventre.
28 Quando estava com dores de parto, um deitou fora a mão, e a parteira tomou e atou na mão dele uma fita encarnada, dizendo: Este saiu primeiro.
29 Mas, recolhendo ele a mão, saiu seu irmão; e ela disse: Por que fizeste para ti uma rotura? Portanto, foi chamado Perez.
30 Depois, saiu seu irmão, em cuja mão estava a fita encarnada; e foi chamado Zera.
Capítulo 39
1 José foi conduzido ao Egito; e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, varão egípcio, comprou-o das mãos dos ismaelitas que o haviam conduzido para lá.
2 Jeová era com José, e ele veio a ser próspero; e estava na casa do egípcio, seu senhor.
3 Viu seu senhor que Jeová era com ele, e que tudo o que ele fazia Jeová o tornou próspero em suas mãos.
4 Achou José graça aos olhos dele e servia-o; seu senhor fê-lo mordomo da sua casa e tudo o que tinha pôs nas mãos de José.
5 Desde que o fez mordomo na sua casa e pô-lo sobre tudo o que tinha, abençoou Jeová a casa do egípcio por amor de José; e a bênção de Jeová estava sobre tudo o que tinha, tanto na casa como no campo.
6 Potifar deixou nas mãos de José tudo o que tinha; e não sabia nada do que estava com ele, a não ser o pão que comia. José era formoso de porte e de semblante.
7 Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher do seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo.
8 Mas ele recusou e disse à mulher do seu senhor: Meu senhor não sabe o que está comigo na sua casa e pôs tudo o que ele tem nas minhas mãos.
9 Ele não é maior do que eu nesta casa; e não reteve coisa alguma de mim, senão a ti, porque és sua mulher: como, pois, posso cometer esta grande maldade e pecar contra Deus?
10 Falando ela a José todos os dias, ele não lhe dava ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela.
11 Sucedeu, nestes dias, que entrou em casa para atender aos seus negócios; e não havia nenhum dos homens da casa lá dentro.
12 Então ela lhe pegou pelo vestido, dizendo: Deita-te comigo; mas ele, deixando o seu vestido nas mãos dela, fugiu e saiu para fora.
13 Quando ela viu que ele havia deixado o seu vestido nas mãos dela e havia fugido para fora,
14 chamou pelos homens da sua casa, e disse-lhes: Vede, introduziu meu marido a este hebreu para zombar de nós. Veio a mim para se deitar comigo, e gritei em alta voz;
15 ouvindo ele que eu levantava a voz e gritava, deixou o seu vestido comigo, fugiu e saiu para fora.
16 Ela guardou o vestido dele perto de si, até que o senhor dele voltou para casa.
17 Então, ela lhe falou do seguinte modo: O servo hebreu, que nos trouxeste, veio ter comigo para zombar de mim;
18 mas, quando eu levantava a voz e gritava, deixou o seu vestido comigo e fugiu para fora.
19 Tendo o seu senhor ouvido as palavras de sua mulher, que lhe falava, dizendo: Desta maneira me fez teu servo, então, se acendeu a sua ira.
20 O senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar em que os presos do rei estavam encarcerados; ali, esteve na prisão.
21 Jeová, porém, era com José, mostrou-lhe a sua benignidade e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro.
22 O carcereiro entregou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere; e ele fazia tudo o que se fazia ali.
23 O carcereiro não tinha cuidado de coisa alguma que estava na mão de José, porque Jeová era com ele, e tudo o que ele fazia Jeová tornava próspero.
Capítulo 40
1 Depois destas coisas, o copeiro do rei do Egito e o seu padeiro ofenderam ao seu senhor, o rei do Egito.
2 Indignou-se Faraó contra os seus dois oficiais, contra o padeiro-mor e contra o copeiro-mor.
3 Mandou detê-los na casa do capitão da guarda, no cárcere, no lugar onde José estava preso.
4 O capitão da guarda deu a José o cargo deles; e estiveram por algum tempo em detenção.
5 Tiveram ambos um sonho, cada qual o seu sonho numa só noite, cada qual segundo a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que se achavam presos na casa do cárcere.
6 Pela manhã, entrou José a eles e os viu, e eis que estavam turbados.
7 Perguntou, pois, aos oficiais de Faraó, que com ele estavam detidos na casa do seu senhor: Por que estão hoje tão tristes os vossos semblantes?
8 Responderam-lhe: Tivemos um sonho e não há quem o possa interpretar. Disse-lhes José: Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo.
9 O copeiro-mor contou o seu sonho a José e lhe disse: Eis que, em meu sonho, havia uma vide diante de mim,
10 e, na vide, três varas. Ao brotar a vide, saíram as suas flores, e produziram os seus cachos uvas maduras.
11 O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, espremi-as no copo de Faraó e entreguei-o a Faraó.
12 Respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: as três varas são três dias;
13 dentro ainda de três dias, levantará Faraó a tua cabeça e te restituirá ao teu cargo; darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras o seu copeiro.
14 Porém, lembra-te de mim quando te for bem, e usa para comigo de compaixão, faze menção de mim a Faraó, e tira-me desta casa.
15 Pois, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e também aqui nada tenho feito para que me pusessem na masmorra.
16 Vendo o padeiro-mor que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha cabeça.
17 No cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que fazem os padeiros; as aves comiam-nos do cesto que estava sobre a minha cabeça.
18 Respondeu-lhe José: Esta é a interpretação do sonho: os três cestos são três dias;
19 dentro ainda de três dias, te tirará Faraó a cabeça e te suspenderá num madeiro; e as aves te comerão as carnes.
20 Ao terceiro dia, que era o dia natalício de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos. Levantou a cabeça do copeiro-mor e a cabeça do padeiro-mor, no meio de seus servos.
21 Restituiu ao copeiro-mor o seu cargo de copeiro, para que entregasse o copo a Faraó,
22 mas enforcou ao padeiro-mor, como José lhes havia interpretado.
23 Contudo, o copeiro-mor não se lembrou de José, porém dele se esqueceu.
Capítulo 41
1 Passados dois anos inteiros, teve Faraó um sonho; e eis que estava em pé junto ao Nilo.
2 Subiam do Nilo sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, que pastavam no carriçal.
3 Depois delas, subiam do Nilo outras sete vacas, feias à vista e magras de carne, que estavam paradas juntos às outras, à beira do Nilo.
4 As vacas feias à vista e magras de carne comiam as sete vacas formosas à vista e gordas. Então, acordou Faraó.
5 Depois, adormeceu e sonhou outra vez: saíam duma só cana sete espigas gradas e boas.
6 Depois delas, nasciam sete espigas delgadas e queimadas do vento oriental.
7 As espigas delgadas devoravam as sete espigas gradas e cheias. Então, acordou Faraó, e eis que era um sonho.
8 De manhã, achava-se perturbado o seu espírito; e mandou chamar todos os magos do Egito e todos os seus sábios. Faraó contou-lhes o seu sonho, porém não havia quem lhos interpretasse.
9 Então, disse o copeiro-mor a Faraó: Hoje, vou confessar as minhas ofensas.
10 Tendo-se irado Faraó com os seus servos, mandou meter-me a mim e ao padeiro-mor em detenção na casa do capitão da guarda.
11 Tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos cada um conforme a interpretação do seu sonho.
12 Achava-se ali um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda; contamos-lhe os nossos sonhos, e ele nô-los interpretou; a cada um conforme o seu sonho os interpretou.
13 Assim aconteceu, como ele no-los interpretou: eu fui restituído ao meu cargo, e ele foi enforcado.
14 Mandou Faraó chamar a José, e fizeram-lhe sair apressadamente da masmorra. Ele se barbeou, mudou a roupa e foi apresentar-se a Faraó.
15 Disse Faraó a José. Tive um sonho, e não há quem o possa interpretar. Ouvi dizer de ti que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo.
16 Respondeu-lhe José: De modo nenhum; Deus há de dar a Faraó uma resposta de paz.
17 Disse Faraó a José: Eis que, em meu sonho, estava eu em pé, à beira do Nilo.
18 Subiam do Nilo sete vacas gordas de carne e formosas à vista, que pastavam no carriçal;
19 depois delas, subiam outras sete vacas, fracas, mui feias de parecer e magras de carne, tão ruins, que nunca as vi tais em toda a terra do Egito.
20 As vacas magras e ruins comiam as primeiras sete vacas gordas;
21 e, depois de as terem consumido, não se podia saber que as tinham consumido; pois o seu aspecto era tão feio como no princípio. Então, acordei.
22 Depois, vi em meu sonho, e eis que duma só cana saíam sete espigas cheias e boas,
23 e, depois delas, nasciam sete espigas murchas, delgadas e queimadas do vento oriental,
24 e as espigas delgadas devoravam as sete espigas boas. Contei-o aos magos, porém não houve quem mo pudesse explicar.
25 Respondeu-lhe José: O sonho de Faraó é um só; manifestou Deus a Faraó o que está para fazer.
26 As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são sete anos: o sonho é um só.
27 Também as sete vacas magras e ruins, que subiam depois delas, são sete anos, e as sete espigas vazias e queimadas do vento oriental serão sete anos de fome.
28 É isto o que eu disse a Faraó; manifestou Deus a Faraó o que está para fazer.
29 Eis que vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito;
30 e a estes seguirão sete anos de fome. Toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra;
31 não será conhecida a abundância na terra por causa daquela fome que seguirá, porque será gravíssima.
32 O sonho de Faraó foi repetido duas vezes, porque a coisa é estabelecida por Deus, e ele a fará brevemente.
33 Agora, se proveja Faraó de um homem entendido e sábio e o ponha sobre a terra do Egito.
34 Faça isso Faraó: nomeie administradores sobre a terra e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito, nos sete anos de abundância.
35 Ajuntem os administradores toda a colheita destes bons anos que vêm, recolham o trigo debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem.
36 Assim, o mantimento será para o provimento da terra nos sete anos da fome que haverá na terra do Egito; para que não pereça a terra por causa da fome.
37 O conselho pareceu bom aos olhos de Faraó e aos olhos de todos os seus servos.
38 Perguntou Faraó aos seus servos: Porventura, poderemos achar um homem como este, em quem há o Espírito de Deus?
39 Disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isso, ninguém há tão entendido e sábio como tu.
40 Tu estarás sobre a minha casa, e à tua voz obedecerá todo o meu povo; somente no trono serei eu maior que tu.
41 Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do Egito.
42 Faraó tirou da mão o seu anel de selar, e pô-lo na mão de José, fez-lhe vestir vestidos de linho fino, e pôs-lhe à roda do pescoço um colar de ouro.
43 Fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Ajoelhai-vos. Ele o constituiu sobre toda a terra do Egito.
44 Ainda disse Faraó a José: Eu sou Faraó, e sem a tua ordem não levantará ninguém mão ou pé em toda a terra do Egito.
45 Faraó chamou a José Zafenate-Paneia e deu-lhe por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Saiu José a percorrer a terra do Egito.
46 José era da idade de trinta anos, quando se apresentou a Faraó, rei do Egito. Saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do Egito.
47 Durante os sete anos de abundância, produziu a terra a mãos cheias.
48 Durante estes sete anos que houve na terra do Egito, ajuntou José todo o mantimento e o guardou nas cidades; o mantimento do campo que estava ao redor de cada cidade, o guardou dentro da mesma.
49 Recolheu José trigo como a areia do mar, em grande abundância, até que cessou de contar; porque a cópia excedia toda a medida.
50 Antes que viessem os anos da fome, nasceram dois filhos a José, os quais lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
51 Chamou José ao primogênito Manassés, pois disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho e de toda a casa de meu pai.
52 Ao segundo chamou Efraim, pois disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição.
53 Acabaram-se os sete anos de abundância que houve na terra do Egito,
54 e começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito. Havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão.
55 Tendo toda a terra do Egito fome, clamou pedindo pão a Faraó; e Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; fazei tudo o que ele vos disser.
56 Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios. A fome prevaleceu na terra do Egito.
57 Vinham todas as terras ao Egito, para comprarem de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo.
Capítulo 42
1 Sabendo Jacó que havia trigo no Egito, disse a seus filhos: Por que estais olhando uns para os outros?
2 E continuou: Tenho ouvido que há trigo no Egito. Descei e lá comprai-o para nós, a fim de que vivamos e não morramos.
3 Então desceram os dez irmãos de José para comprar trigo no Egito.
4 A Benjamim, porém, irmão de José, não enviou Jacó com seus irmãos; pois disse: Para que, porventura, não lhe suceda algum desastre.
5 Entre os que iam para lá foram também os filhos de Israel a comprar; porque havia fome na terra de Canaã.
6 José era o governador da terra; era ele quem vendia a todo o povo. Vieram os irmãos de José e prostraram-se diante dele com o rosto em terra.
7 Quando José viu seus irmãos, reconheceu-os, mas portou-se para com eles como estranho, falou-lhes asperamente e perguntou-lhes: Donde vindes? Responderam eles: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento.
8 Ora, José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram a ele.
9 José lembrou-se dos sonhos que tivera a respeito deles e disse-lhes: Vós sois espias; para verdes a nudez da terra é que tendes vindo.
10 Responderam-lhe: Não, senhor meu, mas para comprarem mantimentos vieram os teus servos.
11 Todos nós somos filhos do mesmo homem; somos homens retos, os teus servos não são espias.
12 Tornou-lhes: Não, mas sois vindos para ver a nudez da terra.
13 Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; eis que o mais pequeno está hoje com nosso pai, e o outro já não existe.
14 Então, lhes respondeu José: É o que vos tenho dito, quando disse que sois espias.
15 Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, não saireis daqui, sem que venha para cá vosso irmão mais pequeno.
16 Enviai a um dentre vós que traga vosso irmão e vós ficareis presos para que sejam provadas as vossas palavras, se há verdade em vós; ou senão, pela vida de Faraó, vós sois espias.
17 Meteu-os juntos em detenção por três dias.
18 Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei isso e vivereis, porque temo a Deus.
19 Se sois homens retos, fique um de vós preso na casa de vossa prisão; mas ide vós, levai o trigo preciso por causa da fome das vossas casas,
20 e trazei-me vosso irmão mais pequeno: assim, serão verificadas as vossas palavras, e não morrereis. Eles assim o fizeram.
21 Então, disseram uns aos outros: Nós, na verdade, somos culpados no tocante a nosso irmão, porquanto vimos a angústia da sua alma, quando ele nos suplicava, e não o queríamos atender; por isso, é vinda sobre nós esta angústia.
22 Respondeu-lhes Rúben: Porventura, não vos disse eu: Não pequeis contra o menino; e não queríeis ouvir? Por isso, também eis que o seu sangue é requerido.
23 Eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles.
24 Voltando-se, chorou; depois, tornou a eles, e lhes falou, e, tirando a Simeão, o ligou na presença deles.
25 José ordenou que lhes enchessem de trigo os sacos, e repusessem o dinheiro de cada um no seu saco, e lhes dessem provisões para o caminho; assim lhes foi feito.
26 Eles carregaram o trigo sobre os seus jumentos e partiram dali.
27 Abrindo um deles o seu saco para dar de comer ao seu jumento na estalagem, deu com o seu dinheiro, pois estava na boca do seu saco.
28 E disse a seus irmãos: O meu dinheiro foi restituído; ei-lo aqui está no meu saco. Desfaleceu-lhes o coração e, tremendo, viraram-se uns para os outros, dizendo: Que é isso que Deus nos fez?
29 Vieram a seu pai Jacó, na terra de Canaã, e contaram-lhe tudo o que lhes havia acontecido, dizendo:
30 O homem, o senhor da terra, falou conosco asperamente e nos teve por espias da terra.
31 Dissemos-lhe: Nós somos homens retos, não somos espias;
32 somos doze irmãos, filhos de nosso pai; um já não existe, e o mais pequeno está hoje com nosso pai, na terra de Canaã.
33 Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que sois homens retos: deixai comigo um de vossos irmãos, levai o trigo necessário por causa da fome das vossas casas e ide-vos embora;
34 trazei-me vosso irmão mais pequeno, então saberei que não sois espias, mas que sois homens retos. Assim, vos entregarei vosso irmão, e negociareis na terra.
35 Aconteceu que, despejando eles os seus sacos, eis que cada um tinha o seu pacote de dinheiro no seu saco; quando eles e seu pai viram os seus pacotes de dinheiro, tiveram medo.
36 Então, lhes disse seu pai Jacó: Tendes-me desfilhado; já não existe José, e não existe Simeão, e haveis de levar a Benjamim! É sobre mim que são vindas todas estas coisas!
37 Rúben disse a seu pai: Tira a vida a meus dois filhos, se eu to não trouxer; entrega-o a mim, e eu to restituirei.
38 Ele, porém, disse: Não descerá meu filho convosco; porque seu irmão é morto e só ele foi deixado; se lhe suceder algum desastre pelo caminho em que fordes, fareis descer com tristeza as minhas cãs ao Sheol.
Capítulo 43
1 A fome era gravíssima na terra.
2 Tendo eles acabado de comer o trigo que trouxeram do Egito, disse-lhes seu pai: Voltai, comprai-nos um pouco de mantimento.
3 Respondeu-lhe Judá: Fortemente nos protestou o homem, dizendo: Não vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
4 Se queres enviar conosco nosso irmão, desceremos e te compraremos mantimento;
5 mas, se não queres enviá-lo, não desceremos, pois o homem nos disse: Não vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
6 Perguntou Israel: Por que me fizestes este mal, fazendo saber ao homem que tínheis outro irmão?
7 Responderam eles: O homem perguntou particularmente por nós e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pai? Tendes ainda outro irmão? Respondemos-lhe segundo o teor destas palavras; podíamos, porventura, saber com certeza que ele havia de dizer: Fazei descer vosso irmão?
8 Então, disse Judá a Israel, seu pai: Envia o moço comigo, e levantar-nos-emos e iremos; para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu, nem nossos filhinhos.
9 Eu serei fiador dele, da minha mão o requererás: se eu to não trouxer e o não colocar diante da tua face, serei réu de crime para contigo em todo o tempo.
10 Se não nos tivéssemos demorado, certamente, já segunda vez teríamos estado de volta.
11 Respondeu-lhes Israel, seu pai: Se é assim, então, fazei isso: tomai dos melhores frutos da terra nas vossas vasilhas e levai ao homem um presente: um pouco de bálsamo, e um pouco de mel, tragacanto, e ládano, nozes de pistácia, e amêndoas.
12 Levai também em vossas mãos dinheiro em dobro; o dinheiro que foi posto na boca dos vossos sacos, tornai a levá-lo em vossas mãos; bem pode ser que fosse engano.
13 Levai também vosso irmão, levantai-vos e ide ter com o homem;
14 Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que ele vos restitua vosso irmão Benjamim. Mas, quanto a mim, se eu ficar sem filhos, sem filhos ficarei.
15 Tomaram, pois, os homens aquele presente, e o dinheiro em dobro, e a Benjamim; levantando-se, desceram ao Egito e apresentaram-se a José.
16 Vendo José a Benjamim com eles, disse ao despenseiro de sua casa: Conduze os homens para casa, mata reses e apronta tudo; pois eles hão de comer comigo ao meio-dia.
17 Fez o homem como José ordenara e levou os homens para a casa de José.
18 Os homens tiveram medo, porque foram levados à casa de José; e disseram: É por causa do dinheiro que da outra vez foi reposto em nossos sacos que somos trazidos aqui, para nos assaltar, e cair sobre nós, e reduzir-nos à escravidão, tanto a nós como aos nossos jumentos.
19 Tendo-se chegado ao despenseiro da casa de José, disseram-lhe à porta da casa:
20 Senhor meu, na verdade, descemos dantes a comprar mantimento;
21 quando chegamos à estalagem, abrimos os nossos sacos, e eis que o dinheiro de cada um estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; tornamos a trazê-lo em nossas mãos.
22 Outro dinheiro trouxemos em nossas mãos para comprarmos mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro em nossos sacos.
23 Ele disse: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus e o Deus de vossos pais deu-vos um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro chegou a mim. Ele lhes trouxe fora Simeão.
24 Então, os conduziu para a casa de José e deu-lhes água, e eles lavaram os pés; também deu de comer aos jumentos deles.
25 Eles prepararam o presente para quando José viesse ao meio-dia, pois ouviram que ali haviam de comer.
26 Tendo José entrado em casa, trouxeram-lhe para dentro o presente que tinham nas suas mãos e prostraram-se perante ele com o rosto em terra.
27 Ele lhes perguntou como estavam e disse: Vai bem vosso pai, o velho de quem me falastes? Ainda vive?
28 Responderam eles: Vai bem o teu servo, nosso pai; ele ainda vive. E inclinaram as cabeças e prostraram-se.
29 José levantou os olhos, e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e perguntou: Este é o vosso irmão mais pequeno, de quem me falastes? E disse: Deus se compadeça de ti, meu filho.
30 José apressou-se, porque se lhe comoveram as entranhas por causa de seu irmão. Procurou onde chorar e, entrando na sua câmara, chorou ali.
31 Tendo lavado o rosto, saiu; e conteve-se e disse: Ponde a comida na mesa.
32 Serviram-lhe a ele à parte, e a eles também, à parte, e, à parte, aos egípcios que comiam com ele; os egípcios não podiam comer com os hebreus, porquanto é isso abominação aos egípcios.
33 Sentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o mais moço segundo a sua mocidade; e os homens se maravilharam entre si.
34 Enviou-lhes as porções que estavam diante dele; mas a porção de Benjamim era cinco vezes maior do que qualquer porção deles. Eles beberam e se regalaram com ele.
Capítulo 44
1 José deu esta ordem ao despenseiro da sua casa: Enche de mantimento os sacos dos homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada homem na boca do seu saco.
2 Põe na boca do saco do mais moço a minha taça de prata e o dinheiro que deu pelo trigo. Assim fez ele conforme a palavra que José havia falado.
3 Ao raiar a luz da manhã, foram despedidos os homens, eles e seus jumentos.
4 Tendo eles saído da cidade, mas não tendo ido ainda muito longe, disse José ao seu despenseiro: Levanta-te, segue os homens; e, alcançando-os, dize-lhes: Por que tornastes o mal pelo bem?
5 Não é esta a taça por que bebe o meu senhor e de que se serve para adivinhar? Procedestes mal no que fizestes.
6 Tendo-os alcançado, falou-lhes ele estas palavras.
7 Responderam-lhe: Por que fala meu senhor tais palavras? Longe estejam os teus servos de fazerem semelhante coisa!
8 Eis que o dinheiro que achamos nas bocas dos nossos sacos, tornamos a trazê-lo a ti da terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro?
9 Aquele dos teus servos com quem for ela achada, morra, e nós também seremos escravos do meu senhor.
10 Ele disse: Seja conforme as vossas palavras: aquele com quem for ela achada será o meu escravo; porém, vós sereis inocentes.
11 Eles se apressaram, e, tendo cada um posto o seu saco em terra, o abriu.
12 O despenseiro os examinou, começando pelo mais velho e acabando pelo mais moço; e a taça foi achada no saco de Benjamim.
13 Então, rasgaram os vestidos e, tendo cada um carregado o seu jumento, voltaram à cidade.
14 Veio Judá com seus irmãos à casa de José, que ainda estava ali; e prostraram-se em terra diante dele.
15 Perguntou-lhes José: Que ação é esta que praticastes? Não sabeis que um homem como eu pode muito bem adivinhar?
16 Respondeu Judá: Que diremos ao meu senhor? Que falaremos? Descobriu Deus a iniquidade de teus servos: eis que somos escravos do meu senhor, assim nós, como aquele em cuja mão foi achada a taça.
17 Disse José: Longe esteja eu de fazer isso! O homem em cuja mão foi achada a taça será meu escravo; mas, quanto a vós, subi em paz para vosso pai.
18 Então, se chegou Judá a ele e lhe disse: Senhor meu, permite que o teu servo diga uma palavra aos ouvidos do meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo, porque tu és como Faraó mesmo.
19 Meu senhor perguntou aos seus servos: Tendes pai ou irmão?
20 Respondemos ao meu senhor: Temos pai já velho e um filho que nasceu na sua velhice, um menino pequeno; o irmão deste é morto, e ele foi deixado o único de sua mãe; e seu pai o ama.
21 Disseste aos teus servos: Trazei-mo, para que eu ponha os olhos sobre ele.
22 Respondemos ao meu senhor: O menino não pode deixar a seu pai; pois, se ele deixasse a seu pai, seu pai morreria.
23 Tornaste aos teus servos: Se não descer convosco vosso irmão mais pequeno, não vereis mais a minha face.
24 Tendo nós subido a ter com teu servo, nosso pai, referimos-lhe as palavras do meu senhor.
25 Disse nosso pai: Voltai, comprai um pouco de mantimento.
26 Nós respondemos: Não podemos descer. Se nosso irmão mais pequeno for conosco, desceremos; pois não podemos ver a face do homem, se nosso irmão mais pequeno não estiver conosco.
27 Então, nos disse teu servo, nosso pai: Vós sabeis que minha mulher deu à luz dois filhos;
28 um saiu de minha casa, e eu disse: Certamente, ele foi despedaçado, e até agora não o tenho visto mais.
29 Se agora me tirardes a este, e lhe acontecer algum desastre, fareis descer com tristeza as minhas cãs ao Sheol.
30 Agora, se eu for ter com teu servo, meu pai, e não estiver comigo o menino (visto que a sua alma está ligada com a alma do menino);
31 vendo ele que o menino não está conosco, morrerá; e os teus servos farão descer com tristeza as cãs de teu servo, nosso pai, ao Sheol.
32 Pois teu servo se deu por fiador do menino para com meu pai, dizendo: Se eu to não tornar a trazer a ti, serei para sempre réu de crime contra meu pai.
33 Agora, pois, fique teu servo em lugar do menino como escravo do meu senhor, e suba o menino com seus irmãos.
34 Por que como subirei eu a meu pai, se o menino não estiver comigo? Para que não veja eu o mal que a meu pai sobrevirá.
Capítulo 45
1 Não se pôde José conter diante de todos os que estavam com ele e clamou: Fazei a todos sair da minha presença. Ninguém ficou com ele, quando se deu a conhecer a seus irmãos.
2 Levantou a voz em choro; e ouviram-no os egípcios bem como a casa de Faraó.
3 Disse a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? Não podiam responder-lhe seus irmãos; pois estavam pasmados diante dele.
4 Disse José a seus irmãos: Chegai-vos a mim. Eles se chegaram. Então, disse ele: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito.
5 Agora, não vos entristeçais, nem vos ireis contra vós mesmos por me haverdes vendido para cá; porque, para preservar vida, é que Deus me enviou adiante de vós.
6 Porquanto já houve dois anos de fome na terra; e restam ainda cinco anos em que não se poderá lavrar, nem ceifar.
7 Deus enviou-me adiante de vós, para que vos fique um resquício sobre a terra e para conservar-vos em vida por uma grande libertação.
8 Assim, não fostes vós os que me enviastes para cá, porém Deus, o qual me fez como pai a Faraó, e senhor de toda a casa deste, e governador sobre toda a terra do Egito.
9 Apressai-vos, subi a meu pai e dizei-lhe: Assim manda dizer teu filho José: Deus fez-me senhor de todo o Egito. Desce a mim, não te demores;
10 habitarás na terra de Gósen e estarás perto de mim, tu, teus filhos, os filhos de teus filhos, os teus rebanhos, o teu gado e tudo quando tens.
11 Aí, te sustentarei (porque ainda restam cinco anos de fome), para que não sejas empobrecido, tu, a tua casa e tudo o que tens.
12 Os vossos olhos e os de meu irmão Benjamim vêm que é a minha boca a que vos fala.
13 Fareis saber a meu pai toda a minha glória no Egito e tudo o que tendes visto; apressar-vos-eis e fareis descer a meu pai para cá.
14 Então, se lançou ao pescoço de seu irmão Benjamim e chorou; e Benjamim chorou sobre o pescoço dele.
15 José beijou a todos os seus irmãos e chorou sobre eles; depois, seus irmãos falaram com ele.
16 Esta nova fez-se ouvir na casa de Faraó: São vindos os irmãos de José; e com ele se alegraram muito Faraó e seus servos.
17 Ordenou Faraó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto; carregai as vossas bestas, ide para a terra de Canaã,
18 tomai a vosso pai e a vossas famílias e vinde para mim. Eu vos darei o melhor da terra do Egito, e comereis da abundância da terra.
19 Tu tens ordens para lhes dizer. Fazei isto: levai vós da terra do Egito carros para vossos filhinhos e para vossas mulheres, trazei vosso pai e vinde.
20 Também não se vos dê de vossas alfaias, pois é vosso o melhor de toda a terra do Egito.
21 Os filhos de Israel fizeram assim. José deu-lhes carros, segundo a ordem de Faraó, e deu-lhes também provisão para o caminho.
22 A todos eles deu, a cada um, mudas de vestidos; porém a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de vestidos.
23 Da mesma maneira enviou a seu pai: dez jumentos carregados das melhores coisas do Egito, e dez jumentos carregados de trigo, pão e mantimentos para o caminho.
24 Assim, despediu seus irmãos, e eles partiram; disse-lhes: Não tenhais desavenças pelo caminho.
25 Então, subiram do Egito e, vindo a seu pai Jacó, na terra de Canaã,
26 disseram-lhe: José vive ainda e é governador de toda a terra do Egito. Entorpeceu-se-lhe o coração, pois não lhes deu crédito.
27 Em seguida, referiram-lhe todas as palavras que José lhes havia falado; e, tendo seu pai Jacó visto os carros que José enviara para levá-lo, reviveu-se-lhe o espírito,
28 e disse Israel: Basta; vive ainda meu filho José; eu irei e o verei antes que morra.
Capítulo 46
1 Tendo Israel partido com tudo o que tinha, veio a Berseba e ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque.
2 Falou Deus a Israel em visões de noite e disse: Jacó, Jacó! Respondeu Jacó: Eis-me aqui.
3 Continuou Deus: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito; pois ali farei de ti uma grande nação.
4 Eu descerei contigo para o Egito e eu certamente te farei tornar a subir. José porá as mãos sobre os teus olhos.
5 Jacó levantou-se de Berseba; e os filhos de Israel levaram seu pai Jacó, seus filhinhos e suas mulheres nos carros que Faraó tinha enviado para o levar.
6 Tomaram o seu gado e os bens que haviam adquirido na terra de Canaã e foram ao Egito, Jacó e toda a sua descendência.
7 Seus filhos, e os filhos de seus filhos, suas filhas, e as filhas de seus filhos e toda a sua descendência, levou-os consigo para o Egito.
8 São estes os nomes dos filhos de Israel, Jacó e seus filhos, que foram ao Egito: Rúben, primogênito de Jacó.
9 Os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
10 Os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho de uma mulher cananeia.
11 Os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari.
12 Os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Perez e Zera; Er e Onã, porém, morreram na terra de Canaã. Os filhos de Perez eram: Hezrom e Hamul.
13 Os filhos de Issacar: Tola, Puva, Jó e Sinrom.
14 Os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel.
15 Estes são os filhos de Lia, que ela deu à luz a Jacó em Padã-Arã, além de Diná, sua filha: todas as almas de seus filhos e de suas filhas eram trinta e três.
16 Os filhos de Gade: Zifiom, Hagi, Suni, Ezbom, Eri, Arodi e Areli.
17 Os filhos de Aser: Imna, Isvá, Isvi, Berias e Sera, irmã deles; e os filhos de Berias: Héber e Malquiel.
18 Estes são os filhos de Zilpa, a qual Labão deu a sua filha Lia; e estes deu ela à luz a Jacó, a saber, dezesseis almas.
19 Os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
20 Nasceram a José na terra do Egito Manassés e Efraim, os quais lhe deu à luz Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
21 Os filhos de Benjamim: Bela, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.
22 Estes são os filhos de Raquel, que nasceram a Jacó: todas as almas eram quatorze.
23 O filho de Dã: Husim.
24 Os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
25 Estes são os filhos de Bila, a qual Labão deu a sua filha Raquel, e estes deu ela à luz a Jacó: todas as almas eram sete.
26 Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, e que saíram da sua coxa, não contando as mulheres dos filhos de Jacó, todas as almas eram sessenta e seis;
27 e os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas; todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, eram setenta.
28 Jacó enviou a Judá adiante de si a José, para o encaminhar a Gósen; e chegaram à terra de Gósen.
29 José mandou aprontar o seu carro e subiu ao encontro de Israel, seu pai, a Gósen; e, tendo-se-lhe apresentado, lançou-se-lhe ao pescoço e ali chorou muito tempo.
30 Disse Israel a José: Morra eu agora, pois tenho visto o teu rosto, que ainda vives.
31 Disse José a seus irmãos e à casa de seu pai: Subirei, darei notícia a Faraó e lhe direi: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram para mim.
32 Os homens são pastores, pois se têm ocupado em apascentar gado; e trouxeram os seus rebanhos, o seu gado e tudo o que têm.
33 Quando, pois, Faraó vos chamar e vos perguntar: Que ocupação é a vossa?
34 Os teus servos, temo-nos ocupado em apascentar gado desde a mocidade até agora, tanto nós como nossos pais; assim respondereis para que habiteis na terra de Gósen; porque todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios.
Capítulo 47
1 Tendo José entrado, deu notícia a Faraó, dizendo: Meu pai e meus irmãos com os seus rebanhos, e gados, e tudo o que têm são vindos da terra de Canaã; e eis que estão na terra de Gósen.
2 Tomou cinco homens dentre seus irmãos e apresentou-os a Faraó.
3 Então, Faraó perguntou aos irmãos de José: Que ocupação é a vossa? Responderam-lhe: Os teus servos, somos pastores de ovelhas, tanto nós como nossos pais.
4 Disseram mais a Faraó: Somos vindos para peregrinar nesta terra, porque não há pasto para os rebanhos dos teus servos, sendo grave a fome na terra de Canaã; agora, pois, rogamos-te permitas que os teus servos habitem na terra de Gósen.
5 Disse Faraó a José: Teu pai e teus irmãos vieram a ti.
6 A terra do Egito está diante de ti; no melhor da terra faze habitar a teu pai e a teus irmãos; habitem eles na terra de Gósen. Se sabes que há entre eles alguns homens hábeis, faze-os maiorais dos pastores do meu gado.
7 José introduziu a seu pai Jacó e pô-lo diante de Faraó; e Jacó abençoou a Faraó.
8 Perguntou Faraó a Jacó: Quantos são os dias dos anos da tua vida?
9 Respondeu-lhe Jacó: Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e trinta anos: poucos e maus têm sido os dias dos anos da minha vida e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais nos dias das suas peregrinações.
10 Tendo Jacó abençoado a Faraó, saiu da presença dele.
11 José estabeleceu a seu pai e a seus irmãos e deu-lhes uma possessão na terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como ordenara Faraó.
12 José sustentou de pão a seu pai, a seus irmãos e a toda a casa de seu pai, segundo o número de seus filhinhos.
13 Não havia pão em toda a terra; pois a fome era mui grave, de modo que desfalecia a terra do Egito e a terra de Canaã por causa da fome.
14 Então, José ajuntou todo o dinheiro que se achou na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo trigo que compravam, e o trouxe à casa de Faraó.
15 Gasto que foi o dinheiro da terra do Egito e da terra de Canaã, vieram a José todos os egípcios e disseram: Dá-nos pão, por que morreremos na tua presença? Porquanto nos falta o dinheiro.
16 Respondeu José: Trazei o vosso gado; e por vosso gado vo-lo darei, se faltar dinheiro.
17 Trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca de cavalos, de ovelhas, de bois e de jumentos; e os sustentou de pão aquele ano, em troca de todo o gado deles.
18 Findo aquele ano, foram a José no segundo ano e disseram-lhe: Não ocultaremos a meu senhor que o nosso dinheiro está inteiramente gasto; o gado já pertence a meu senhor; nada nos é deixado diante de meu senhor, senão os nossos corpos e as nossas terras.
19 Por que morreremos diante de teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra em troca de pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Faraó; dá-nos sementes, para que vivamos e não morramos e para que não fique desolada a terra.
20 Assim, comprou José toda a terra do Egito para Faraó. Os egípcios venderam cada um o seu campo, porque a fome os afligia; e a terra ficou sendo de Faraó.
21 Quanto ao povo, fê-lo passar às cidades desde uma até a outra extremidade dos confins do Egito.
22 Somente a terra dos sacerdotes, ele não a comprou; pois os sacerdotes tinham rações de Faraó e comiam as suas rações que Faraó lhes havia dado, pelo que não venderam a sua terra.
23 Disse José ao povo: Eis que vos comprei hoje a vós e as vossas terras para Faraó; aqui, tendes sementes para vós e semeareis a terra.
24 Nos tempos da ceifa, dareis a quinta parte a Faraó, e quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento e dos que estão em vossas casas, e para o mantimento de vossos filhinhos.
25 Responderam eles: Tu nos tens conservado a vida! Achemos graça aos olhos de meu senhor e seremos servos de Faraó.
26 José estabeleceu por estatuto, quanto à terra do Egito, que a Faraó fosse dado o quinto; somente a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó.
27 Israel habitou na terra do Egito, na terra de Gósen; nela, adquiriram possessões, frutificaram e se multiplicaram duma maneira extraordinária.
28 Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos; assim os dias de Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos.
29 Chegando-se o tempo da morte de Israel, chamou a seu filho José e disse-lhe: Se agora achei graça aos teus olhos, põe a mão por baixo da minha coxa e usa para comigo de benevolência e de verdade. Rogo-te que não me enterres no Egito;
30 mas, quando eu dormir com meus pais, levar-me-ás do Egito e enterrar-me-ás no lugar da sepultura deles. Respondeu José: Eu farei como disseste.
31 Pois jura-me, disse Jacó; e jurou-lhe. E inclinou-se Israel sobre a cabeceira da cama.
Capítulo 48
1 Depois destas coisas, disse alguém a José: Eis que teu pai está doente. José levou consigo a seus dois filhos Manassés e Efraim.
2 Então, disseram a Jacó: Eis que teu filho José vem ter contigo; e, esforçando-se Israel, sentou-se sobre o leito.
3 Disse Jacó a José: O Deus Todo-Poderoso apareceu-me em Luz, na terra de Canaã, abençoou-me
4 e disse-me: Eis que te farei frutificar, te multiplicarei, te tornarei uma multidão de povos e te darei em possessão sempiterna esta terra à tua descendência depois de ti.
5 Agora, pois, teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito antes que eu viesse ter contigo no Egito, são meus; Efraim e Manassés, assim como Rúben e Simeão, serão meus.
6 Mas a tua prole, que tiveres depois deles, será tua; segundo o nome de teus irmãos, serão chamados na sua herança.
7 Quanto a mim, vindo eu de Padã, com pesar meu, morreu Raquel na terra de Canaã, no caminho, havendo ainda alguma distância antes de chegar a Efrata; sepultei-a ali no caminho que vai dar a Efrata (esta é Belém).
8 Vendo Israel os filhos de José, perguntou: Quem são estes?
9 Respondeu José a seu pai: São meus filhos, que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse ele, e eu os abençoarei.
10 Ora, os olhos de Israel se tinham escurecido por causa da velhice, de modo que não podia ver. José, pois, fê-los chegar a ele; ele os beijou e os abraçou.
11 Então, disse Israel a José: Eu não cuidara ver o teu rosto, e eis que Deus me fez ver também a tua descendência.
12 José tirou-os dentre os joelhos de seu pai e prostrou-se com o rosto em terra.
13 Depois, levou os dois, a Efraim com a sua mão direita à esquerda de Israel, e a Manassés com a sua mão esquerda à direita de Israel, e fê-los chegar a ele.
14 Estendendo Israel a mão direita, pô-la sobre a cabeça de Efraim, que era o menor; e a mão esquerda pôs sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as mãos assim propositadamente; pois Manassés era o primogênito.
15 Abençoou a José, dizendo: O Deus, diante de quem andaram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia,
16 o Anjo que me tem livrado de todo o mal, abençoe estes mancebos; seja chamado neles o meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaque; e cresçam em multidão no meio da terra.
17 Vendo José que seu pai tinha a mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi-lhe isso desagradável; levantou a mão de seu pai, a fim de a remover da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés.
18 Disse José a seu pai: Não é assim, meu pai, pois este é o primogênito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça.
19 Mas seu pai, recusando, disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; ele também se tornará um povo, ele também será grande; contudo, seu irmão menor será maior do que ele, e a sua descendência se tornará uma multidão de nações.
20 Assim, os abençoou naquele dia, dizendo: Por ti abençoará Israel e dirá: Deus te faça como Efraim e como Manassés. Desta sorte, pôs a Efraim adiante de Manassés.
21 Depois, disse Israel a José: Eis que eu morro; porém Deus será convosco e vos fará voltar para a terra de vossos pais.
22 Eu te dou de mais que a teus irmãos um declive montanhoso, que tomei com a minha espada e com o meu arco das mãos dos amorreus.
Capítulo 49
1 Tendo Jacó chamado a seus filhos, disse: Ajuntai-vos para que vos anuncie o que vos há de acontecer nos dias vindouros.
2 Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; Ouvi a Israel, vosso pai.
3 Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, preeminente em dignidade e preeminente em poder.
4 Fervente como a água, não tenhas a proeminência! Porque subiste ao leito de teu pai; então, o contaminaste; subiu à minha cama!
5 Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência.
6 Não entres, minha alma, no seu concílio; não te ajuntes, minha glória, com a sua assembleia; porque na sua ira mataram homens e na sua teimosia jarretaram touros.
7 Maldito seja o seu furor, porque era forte; e maldita seja a sua ira, porque era cruel. Dividi-los-ei em Jacó e espalhá-los-ei em Israel.
8 Judá, a ti te louvarão teus irmãos; sobre a cerviz de teus inimigos será a tua mão; diante de ti se prostrarão os filhos de teu pai.
9 Judá é leãozinho: da presa subiste, meu filho. Encurva-se, deita-se como um leão e como uma leoa; quem o despertará?
10 Não se apartará de Judá o cetro, nem a vara do comando, dentre seus pés, até que venha aquele de quem ela é, e a esse obedecerão os povos.
11 Atando o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta à videira seleta, tem lavado em vinho as suas roupas e, em sangue de uva, os seus vestidos.
12 Os seus olhos são vermelhos de vinho, e os seus dentes, brancos de leite.
13 Zebulom habitará na praia do mar: ele será porto de navios, e o seu termo estender-se-á até Sidom.
14 Issacar é jumento ossudo, deitado entre os rebanhos de ovelhas:
15 viu que o descanso era bom e que a terra era agradável; sujeitou os seus ombros à carga e entregou-se ao serviço forçado de um escravo.
16 Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel.
17 Dã será uma serpente no caminho, uma cerasta na vereda, que morde os calcanhares ao cavalo, de maneira que caia para trás o seu cavaleiro.
18 A tua salvação tenho esperado, ó Jeová!
19 Gade, uma guerrilha o acometerá; mas ele a perseguirá.
20 Aser, o seu pão será gordo, e ele produzirá delícias reais.
21 Naftali é gazela solta: ele profere belas palavras.
22 José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus raminhos se estendem sobre o muro.
23 Os flecheiros têm-no maltratado, atirado contra ele, e têm-no perseguido;
24 o seu arco, porém, permaneceu firme, e foram feitos ativos os braços de suas mãos pelas mãos do Poderoso de Jacó (Daí, o Pastor, a Pedra de Israel),
25 sim, pelo Deus de teu pai — que ele te ajude, e pelo Poderoso — que ele te abençoe com as bênçãos do céu acima, com as bênçãos do abismo que jaz abaixo, com as bênçãos dos peitos e da madre.
26 As bênçãos de teu pai ultrapassam as bênçãos dos montes eternos; as coisas desejadas dos eternos outeiros, sejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça daquele que é o príncipe entre seus irmãos.
27 Benjamim é lobo que despedaça: pela manhã, devora a presa e à tarde reparte o despojo.
28 Todas estas são as doze tribos de Israel, e isso é o que lhes disse seu pai, quando os abençoou; a cada um, segundo a sua bênção, os abençoou.
29 Deu-lhes esta ordem, dizendo: Vou ser reunido ao meu povo; sepultai-me com meus pais na cova que está no campo de Efrom heteu,
30 na cova que está no campo de Macpela, em frente de Manre, na terra de Canaã, a qual juntamente com o campo comprou Abraão de Efrom heteu para posse de um lugar de sepultura.
31 Ali sepultaram a Abraão e a Sara, sua mulher; ali sepultaram a Isaque e a Rebeca, sua mulher; e ali sepultei a Lia;
32 o campo e a cova que está nele, comprados aos filhos de Hete.
33 Tendo Jacó acabado de dar essas instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, expirou e foi reunido a seus pais.
Capítulo 50
1 José se lançou sobre o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
2 Ordenou a seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os médicos embalsamaram a Israel.
3 Cumpriram-se-lhe quarenta dias, pois assim se cumprem os dias da embalsamação; e os egípcios choraram-no setenta dias.
4 Acabados os dias de o chorarem, disse José à casa de Faraó: Se agora achei graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó:
5 Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; no meu sepulcro que fiz abrir para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, deixa-me subir e sepultar meu pai; depois, voltarei.
6 Respondeu Faraó: Vai sepultar teu pai como ele te fez jurar.
7 José subiu para sepultar a seu pai; e com ele subiram todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito,
8 e toda a casa de José, e seus irmãos e a casa de seu pai; somente deixaram na terra de Gósen os seus pequeninos, os seus rebanhos e os seus gados.
9 Subiram com ele tanto carros como cavaleiros; e houve um concurso mui grande.
10 Vieram à eira de Atade, que está além do Jordão, e ali prantearam com mui grande e forte pranto sete dias; e fez José uma lamentação por seu pai.
11 Tendo os moradores da terra, os cananeus, visto o pranto na eira de Atade, disseram: Grande pranto é este dos egípcios; pelo que o lugar foi chamado Abel-Mizraim, que está além do Jordão.
12 Fizeram-lhe seus filhos como lhes havia ordenado:
13 levaram-no para a terra de Canaã e o sepultaram na cova no campo de Macpela, em frente de Manre, a qual Abraão comprou com o campo para posse de lugar de sepultura a Efrom heteu.
14 Depois de haverem feito isto, voltou José para o Egito, ele, seus irmãos e todos os que com ele subiram para sepultar seu pai.
15 Vendo os irmãos de José que seu pai tinha morrido, disseram: Porventura, José nos aborrecerá e nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos.
16 Mandaram, então, esta mensagem a José: Teu pai ordenou antes da sua morte, dizendo:
17 Assim direis a José: Perdoa a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal. Agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. José chorou enquanto lhe falavam.
18 Vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: Nós somos teus servos.
19 Respondeu-lhes José: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus?
20 Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o intentou para o bem, para fazer, como é agora, que se conserve muita gente em vida.
21 Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos filhinhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coração.
22 José habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu cento e dez anos.
23 Viu José os filhos de Efraim até a terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.
24 Disse José a seus irmãos: Eu morro; porém Deus, certamente, vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó.
25 José fez os filhos de Israel jurar, dizendo: Certamente, Deus vos visitará, e fareis transportar deste lugar os meus ossos.
26 Assim, morreu José, tendo cento e dez anos de idade; embalsamaram-no e puseram-no num caixão no Egito.