§ 5
Grego
[5] 5. Καὶ ἐπειδήπερ δι' ἀρετῆς ἐπὶ τὸν βίον ἡμῖν κα<τα>θεῖναι δεῖ τὸν ἕτερον, εἰς ταύτην δὲ πολλὰ μὲν ποιηταῖς, πολλὰ δὲ συγγραφεῦσι, πολλῷ δὲ ἔτι πλείω φιλοσόφοις ἀνδράσιν ὕμνηται, τοῖς τοιούτοις τῶν λόγων μάλιστα προσεκτέον. Οὐ μικρὸν γὰρ τὸ ὄφελος, οἰκειότητά τινα καὶ συνήθειαν ταῖς τῶν νέων ψυχαῖς τῆς ἀρετῆς ἐγγενέσθαι· ἐπείπερ ἀμετάστατα πέφυκεν εἶναι τὰ τῶν τοιούτων μαθήματα, δι' ἁπαλότητα τῶν ψυχῶν εἰς βάθος ἐνσημαινόμενα. Ἢ τί ποτε ἄλλο διανοηθέντα τὸν Ἡσίοδον ὑπολάβωμεν ταυτὶ ποιῆσαι τὰ ἔπη ἃ πάντες ᾄδουσιν, ἢ οὐχὶ προτρέποντα τοὺς νέους ἐπ' ἀρετήν; Ὅτι τραχεῖα μὲν πρῶτον καὶ δύσβατος καὶ ἱδρῶτος συχνοῦ καὶ πόνου πλήρης ἡ πρὸς ἀρετὴν φέρουσα καὶ ἀνάντης ὁδός. Διόπερ οὐ παντὸς οὔτε προσβῆναι αὐτῇ διὰ τὸ ὄρθιον, οὔτε προσβάντα ῥᾳδίως ἐπὶ τὸ ἄκρον ἐλθεῖν. Ἄνω δὲ γενομένῳ ὁρᾶν ὑπάρχει ὡς μὲν λεία τε καὶ καλή, ὡς δὲ ῥᾳδία τε καὶ εὔπορος, καὶ τῆς ἑτέρας ἡδίων τῆς ἐπὶ τὴν κακίαν ἀγούσης, ἣν ἀθρόον εἶναι λαβεῖν ἐκ τοῦ σύνεγγυς ὁ αὐτὸς οὗτος ποιητὴς ἔφησεν. Ἐμοὶ μὲν γὰρ δοκεῖ οὐδὲν ἕτερον ἢ προτρέπων ἡμᾶς ἐπ'ἀρετήν, καὶ προκαλούμενος ἅπαντας ἀγαθοὺς εἶναι, ταῦτα διελθεῖν καὶ ὥστε μὴ καταμαλακισθέντας πρὸς τοὺςπόνους προαποστῆναι τοῦ τέλους. Καὶ μέντοι, καὶ εἴ τις ἕτερος ἐοικότα τούτοις τὴν ἀρετὴν ὕμνησεν, ὡς εἰς ταὐτὸν ἡμῖν φέροντας τοὺς λόγους ἀποδεχώμεθα. Ὡς δ' ἐγώ τινος ἤκουσα δεινοῦ καταμαθεῖν ἀνδρὸς ποιητοῦ διάνοιαν, πᾶσα μὲν ἡ ποίησις τῷ Ὁμήρῳ ἀρετῆς ἐστιν ἔπαινος, καὶ πάντα αὐτῷ πρὸς τοῦτο φέρει, ὅ τι μὴ Κεφαλλήνων πεποίηκε, γυμνὸν ἐκ τοῦ ναυαγίου περισωθέντα, πρῶτον μὲν αἰδέσαι τὴν βασιλίδα φανέντα μόνον, τοσούτου δεῖν αἰσχύνην ὀφλῆσαι γυμνὸν ὀφθέντα, ἐπειδήπερ αὐτὸν ἀρετῇ ἀντὶ ἱματίων κεκοσμημένον ἐποίησε· ἔπειτα μέντοι καὶ τοῖς λοιποῖς Φαίαξι τοσούτου ἄξιον νομισθῆναι ὥστε ἀφέντας τὴν τρυφὴν ᾗ συνέζων, ἐκεῖνον ἀποβλέπειν καὶ ζηλοῦν ἅπαντας, καὶ μηδένα Φαιάκων ἐν τῷ τότε εἶναι ἄλλο τι ἂν εὔξασθαι μᾶλλον ἢ Ὀδυσσέα γενέσθαι, καὶ ταῦτα ἐκ ναυαγίου περισωθέντα. Ἐν τούτοις γὰρ ἔλεγεν ὁ τοῦ ποιητοῦ τῆς διανοίας ἐξηγητὴς μονονουχὶ βοῶντα λέγειν τὸν Ὅμηρον ὅτι· Ἀρετῆς ὑμῖν ἐπιμελητέον, ὦ ἄνθρωποι, ἣ καὶ ναυαγήσαντι συνεκνήχεται καὶ ἐπὶ τῆς χέρσου γενόμενον γυμνὸν τιμιώτερον ἀποδείξει τῶν εὐδαιμόνων Φαιάκων. Καὶ γὰρ οὕτως ἔχει. Τὰ μὲν ἄλλα τῶν κτημάτων οὐ μᾶλλον τῶν ἐχόντων ἢ καὶ οὑτινοσοῦν τῶν ἐπιτυχόντων ἐστίν, ὥσπερ ἐν παιδιᾷ κύβων τῇδε κἀκεῖσε μεταβαλλόμενα· μόνη δὲ κτημάτων ἡ ἀρετὴ ἀναφαίρετον, καὶ ζῶντι καὶ τελευτήσαντι παραμένουσα. Ὅθεν δὴ καὶ Σόλων μοι δοκεῖ πρὸς τοὺς εὐπόρους εἰπεῖν τό·
Ἀλλ' ἡμεῖς αὐτοῖς οὐ διαμειψόμεθα
> τῆς ἀρετῆς τὸν πλοῦτον· ἐπεὶ τὸ μὲν ἔμπεδον αἰεί,
> χρήματα δ' ἀνθρώπων ἄλλοτε ἄλλος ἔχει.
Παραπλήσια δὲ τούτοις καὶ τὰ Θεόγνιδος, ἐν οἷς φησι τὸν θεόν, ὅντινα δὴ καί φησι, τοῖς ἀνθρώποις τὸ τάλαντον ἐπιρρέπειν ἄλλοτε ἄλλως, «ἄλλοτε μὲν πλουτεῖν, ἄλλοτε δὲ μηδὲν ἔχειν». Καὶ μὴν καὶ ὁ Κεῖός που σοφιστὴς τῶν ἑαυτοῦ συγγραμμάτων ἀδελφὰ τούτοις εἰς ἀρετὴν καὶ κακίαν ἐφιλοσόφησεν· ᾧ δὴ καὶ αὐτῷ τὴν διάνοιαν προσεκτέον· οὐ γὰρ ἀπόβλητος ὁ ἀνήρ. Ἔχει δὲ οὕτω πως ὁ λόγος αὐτῷ, ὅσα πάρεργον· οὐχ ἥκιστα δὲ ἐν οἷς τὸν στρατηγὸν τῶν ἐγὼ τοῦ ἀνδρὸς τῆς διανοίας μέμνημαι, ἐπεὶ τά γε ῥήματα οὐκ ἐπίσταμαι, πλήν γε δὴ ὅτι ἁπλῶς οὕτως εἴρηκεν ἄνευ μέτρου· ὅτι νέῳ ὄντι τῷ Ἡρακλεῖ κομιδῇ, καὶ σχεδὸν ταύτην ἄγοντι τὴν ἡλικίαν, ἣν καὶ ὑμεῖς νῦν, βουλευομένῳ ποτέραν τράπηται τῶν ὁδῶν, τὴν διὰ τῶν πόνων ἄγουσαν πρὸς ἀρετήν, ἢ τὴν ῥᾴστην, προσελθεῖν δύο γυναῖκας, ταύτας δὲ εἶναι Ἀρετὴν καὶ Κακίαν. Εὐθὺς μὲν οὖν καὶ σιωπώσας ἐμφαίνειν ἀπὸ τοῦ σχήματος τὸ διάφορον. Εἶναι γὰρ τὴν μὲν ὑπὸ κομμωτικῆς διεσκευασμένην εἰς κάλλος, καὶ ὑπὸ τρυφῆς διαρρεῖν, καὶ πάντα ἑσμὸν ἡδονῆς ἐξηρτημένην ἄγειν· ταῦτά τε οὖν δεικνύναι, καὶ ἔτι πλείω τούτων ὑπισχνουμένην, ἕλκειν ἐπιχειρεῖν τὸν Ἡρακλέα πρὸς ἑαυτήν· τὴν δ' ἑτέραν κατεσκληκέναι, καὶ αὐχμεῖν, καὶ σύντονον βλέπειν, καὶ λέγειν τοιαῦτα ἕτερα· ὑπισχνεῖσθαι γὰρ οὐδὲν ἀνειμένον, οὐδὲ ἡδύ, ἀλλ'ἱδρῶτας μυρίους καὶ πόνους καὶ κινδύνους, διὰ πάσης ἠπείρου τε καὶ θαλάσσης, ἆθλον δὲ τούτων εἶναι θεὸν γενέσθαι, ὡς ὁ ἐκείνου λόγος· ᾗπερ δὴ καὶ τελευτῶντα τὸν Ἡρακλέα συνέπεσθαι.
Português
[5] V. E, visto que é pela virtude que é necessário dedicarmo-nos para a vida, muitas vezes ela foi celebrada em hinos por poetas, muitas vezes por escritores, ainda mais por filósofos e deve-se dar atenção a tais discursos. De fato, não é pequeno o proveito de gerar nas almas dos jovens uma certa familiaridade e hábito da virtude; mas, dado que tais ensinamentos são naturalmente irremovíveis,[25] quando são marcados profundamente nas almas ainda tenras.
Ou o que mais supomos que Hesíodo tenha considerado ao compor os versos que todos cantam, senão para exortar os jovens para a virtude? “Porque o caminho que leva à virtude é primeiro rude, difícil de passar, íngreme e cheio de suores frequentes e dores.”[26] Por isso, não é todo mundo que o sobe diretamente, e nem, depois que começa a subir, chega ao topo. Mas para quem está no alto é possível ver como é plano e belo, fácil e transitável e mais agradável do que o outro caminho que leva ao vício, que o mesmo poeta disse poder ser tomado em massa devido à proximidade. De fato, não julgo que ele faça nada mais do que nos exortar para a virtude, e chamar todos para sermos bons, para que a percorramos e para que, amolecidos diante dos sofrimentos, não desistamos antes do fim. E, certamente, inclusive se outro tiver feito hinos à virtude de modo semelhante a esse, acolhamos as palavras por nos levarem ao mesmo lugar.
Como eu ouvi de um homem fabuloso em interpretar o pensamento do poeta, toda a poesia de Homero é um louvor à virtude, e tudo nele que não for acessório conduz a isso, e não menos naqueles versos em que escreveu sobre o general dos Cefalênios.[27] Nu, salvo do naufrágio, primeiro inspirou respeito na princesa, mesmo aparecendo sozinho, e faltou muito para ter vergonha de ser visto nu, visto que ele se fez adornado com a virtude no lugar de vestes. Em seguida, também diante dos outros feaces foi considerado digno de tanto a ponto de deixarem as festividades que compartilhavam. Todos prestavam atenção nele, invejavam-no e naquele período nenhum feace desejava outra coisa senão ser Odisseu – e isso depois de ter sido salvo de um naufrágio. Nesses versos – dizia o intérprete do pensamento do poeta – Homero só não chega a gritar: “Homens, devemos cuidar de uma virtude que nada junto com o náufrago para a terra firme e mostra-o mais honrado do que os felizes feaces.” E de fato é assim, pois, se pensarmos no resto das posses, elas não são mais de quem as possui do que de quem quer que as encontre, pois são trocadas de um lado para outro como no jogo de dados. A única posse indestrutível é a virtude, que permanece tanto com o vivo, quanto com o morto.
Daí Sólon também me parece falar para os ricos o seguinte:
“Mas nós não pegaremos a riqueza daqueles
> a troco da virtude; porque esta, sim, é sempre firme,
> já as posses humanas são ora de um, ora de outro.”[28]
De modo semelhante são os versos de Teógnis, em que diz que deus – quem quer que seja esse deus de que ele fala – lança o talento aos homens de modo diverso: “Ora um é rico, ora nada tem.”[29]
E, de fato, o sofista de Ceos, em algum ponto de seus escritos, filosofou questões próximas a estas sobre virtude e vício e também se deve dar atenção ao pensamento dele, pois não é um homem desprezível.[30] O texto dele é mais ou menos assim: o quanto me lembro do pensamento do homem, visto que não sei de cor as palavras, sei somente que ele diz de modo simples sem metro que, quando Héracles era bastante jovem, tendo quase a mesma idade que vocês agora possuem e estava escolhendo qual caminho tomar, aquele que através de trabalhos levava à virtude, ou o fácil; apareceram para ele duas mulheres, e essas eram a Virtude e a Perversidade. Logo, mesmo caladas, mostrou-se pela figura a diferença. De fato, uma é preparada com cosméticos para a beleza, perde-a por causa do luxo e leva pendurado consigo todo o enxame de prazeres. Ela, então, mostrava e prometia ainda mais do que isso, tentando arrastar Héracles para si, mas a outra era recurvada, esquálida, severa de vista e dizia outras palavras: pois não prometia nada fácil, nem agravável, mas milhares de suores, trabalhos e perigos, por toda terra e todo o mar, e o prêmio disso era tornar-se um deus, como dizia o discurso dele, e a esta última Héracles seguiu até a morte.