[194]: Aqui, “o mesmo B é grande” é uma consequência das premissas (do silogismo hipotético): (i) “se B não for grande, A não poderá ser branco” e (ii) “se, de A não sendo branco, é necessário que B seja grande”.
[195]: Em sua extensa nota a esta passagem, Smith observa que “alguns comentadores apontaram que a ‘impossibilidade’ deduzida [aqui] não é de fato impossível” (p. 191). Em seguida, o tradutor se remete a um trecho do livro de Lukasiewicz, onde lemos: “ao comentar esta passagem, Maier diz que aqui haveria uma conexão contrária à lei da contradição, que, portanto, seria absurda. Esse comentário revela mais uma vez a ignorância de Maier sobre a lógica. Não é a implicação ‘se não β, então β’ que é contrária à lei da contradição, mas apenas a conjunção ‘β e não β’” (p. 50). De fato, se aceitarmos que toda implicação (ou proposição do tipo “se α, então β”) for meramente condicional, não há nenhuma contradição em dizer que “se não β, então β”, já que o antecedente “não β” seria apenas hipotético e, por conseguinte, o seu consequente “β” também seria meramente hipotético. Porém, se assumirmos que, de um par de proposições contraditórias – como “β” e “não β” – uma sempre é verdadeira, então, a conjunção da implicação “se não β, então β” com a premissa implícita “não β” (ou a conjunção da implicação “se β, então não β” com a premissa implícita “β”) implicaria na contradição “β e não β”.
[196]: Quer dizer, como ocorreria no exemplo apresentado antes por Aristóteles: (i) “se A é branco, então, B é grande” e (ii) “se B é grande, então, C é não grande”, portanto, (iii) “se A é branco, então, C é não branco” – como se B fosse equivalente a dois termos, tais como A e C no exemplo, assumindo que (i’) “se B não for grande, A não poderá ser branco” e (ii’) “se, de A não sendo branco, é necessário que B seja grande”.