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id: "empedocles-fragmentos-pt-palavro-2025"
type: "translation"
title: "Fragmentos de Empédocles de Acragas"
original_title: "Ἐμπεδοκλῆς: Ἀποσπάσματα"
author: "Empédocles"
translator:
- "Bruno Palavro"
editor: "Bruno Palavro"
year_original: "c. 484–423 a.C."
publication_year: 2025
language: "por"
tags:
- "pre-socratics"
- "ancient-philosophy"
- "epic-poetry"
- "century-5-bce"
status: "draft"
project: "pedra_angular"
related:
- "empedocles-fragmentos-grc-palavro-2025"
- "empedocles-fragmentos-grc-pt-palavro-2025"
scope: "168 fragmentos, na ordem e numeração da edição de Palavro, com a correspondência Diels-Kranz entre colchetes"
urn_work: "urn:cts:pedraAngular:pa0028.pa001"
urn: "urn:cts:pedraAngular:pa0028.pa001.pa-por1"
source: "PALAVRO, Bruno. Épica Sapiencial: compêndio para uma edição geral da poesia de Xenófanes, Parmênides e Empédocles. Tese (Doutorado em Letras) — Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025."
license: "CC-BY-NC-4.0"
physical_source: "Tese_Palavro.pdf (PDF nascido digital, 282 p.), recebido do autor"
processing: "Extraído do PDF da tese (pp. 162–207 do PDF) verso a verso, pela diagramação de páginas espelhadas (grego à esquerda, português à direita), com Saneamento/palavro_extrair_tese.py e palavro_montar.py (2026-10-17); conferido com a versão .md de 2026-09-23. A numeração de versos da margem vira marcador [5]; a contagem contínua entre parênteses fica como na tese; os espaços que na tese marcam lacuna foram reduzidos a um. Transmitido noutra língua e assim dado na tese: fr. 48 [A49aDK] em armênio; fr. 62 [43DK] em grego e armênio; fr. 68 [A66aDK] em armênio; fr. 103 [ - DK] em árabe; fr. 113 [94DK] em latim. Licença CC-BY-NC-4.0 escolhida pelo autor, por escrito, em e-mail a Διαφορεύς de 2026-10-17. Preparado por Διαφορεύς, Claude Opus 5.5."
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# Fragmentos de Empédocles de Acragas

## fr. 1 [112DK]

> Ó meus amigos da grande cidade do louro Akragas,
> do alto da acrópole, vós que cuidais de benéficas obras,
> porto gentil a estrangeiros, sem o entrave de males,
> salve! Pois eu não mais um mortal, mas um deus ambrosino
> vou entre vós, honrado por todos — assim me assemelho, [5]
> ora com fitas envolto e viçosas coroas festivas!
> Todos então quando chego a tão vicejantes cidades,
> homens ou mulheres, veneram-me enquanto me seguem
> aos milhares: perguntam por onde é a vereda do lucro,
> uns carentes de oráculos, e outros contra doenças [10]
> tantas procuram ouvir afiada palavra de cura,
> desde muito já atravessados por dores penosas...

## fr. 2 [113DK]

> Mas por que nisso detenho-me como se fosse algo grande,
> se eu supero os muiperecíveis humanos mortais?

## fr. 3 [114DK]

> Ó meus amigos, sei que a verdade está nas palavras
> que eu vos direi — mas muito penoso se faz para os homens
> e rivaliza o romper persuasivo com suas entranhas.

## fr. 4 [2DK]

> É que estreitos maneios vertem-se ao longo dos membros,
> e repentinas misérias, que embotam as ponderações;
> breve parte da vida em sua existência observam:
> prestifadados qual justa fumaça a elevar-se esvoaçam,
> persuadidos tão só, cada um, pelo que hão encontrado, [5]
> todos, levados por tudo, e acham ter descoberto o inteiro.
> Eis que nem são vistas por homens e ouvidas tais cousas
> nem agarradas co’a mente; e tu, que pra cá te arredaste,
> aprenderás — e a sapiência mortal romperá como nunca!

## fr. 5 [3DK]

> Mas, ó deuses, tal loucura afastai desta língua,
> sim, e de santas bocas vertei a fonte mais pura;
> plurimemória, musa virgem de cândidos braços,
> peço-te enfim conduzir o que é norma que efêmeros ouçam:
> toques da Reverência a bem-redeada carroça! [5]

## fr. 6 [1DK]

> Ouve, Pausânias, ó filho do espertíssimo Ankhites

## fr. 7 [3DK]

> nem te seja forçoso que as flores da fama e da honra
> ergas dentre mortais ao dizer algo mais do que é santo
> com audácia e sentar às alturas da sabedoria.
> Mas observa com todo maneio cada evidência,
> nem confiando na vista como mais plena que o ouvido, [5]
> ou no ouvir ressonante mais que nos pontos da língua;
> nem de algum outro membro que para pensar seja via
> desconfies, mas pensa por meio de cada evidência.

## fr. 8 [111DK]

> Quantos remédios há, salvação da velhice e dos males,
> aprenderás, pois só para ti cumprirei isso tudo —
> e pausarás a incansável violência dos ventos que em terra
> sopra com toda a força e irrompe por campos defuntos,
> e para trás, se quiseres, trarás um benéfico sopro; [5]
> e hás de fazer da chuva obscura uma seca oportuna
> para os humanos, e hás de fazer no verão de uma seca
> fluxos arborescentes, que são habitantes do éter;
> desde o Hades trarás a força de um homem defunto!

## fr. 9 [5DK]

> restringir para dentro de mudas entranhas

## fr. 10 [4DK]

> mas para o mau é forçoso não ter confiança no forte!
> E a persuasão confiável tal qual nossa musa proclama
> bem conheças ao ter dividido em teu cerne o que conto

## fr. 11 [131DK]

> pois se em vista de um dos efêmeros, musa ambrosina,
> nossos cuidados alegre levaste por teu pensamento,
> ora ao que reza, de novo, apresenta-te, Kalliopeia,
> que os venturosos deuses irá elucidar em boa conta!

## fr. 12 [6DK]

> Quatro são as raízes de tudo — e primeiro as escuta:
> Zeus clareante, a vivífera Hera, e ainda o Edoneu,
> bem como Néstis, que a fonte mortal em lágrimas rega

## fr. 13 [7DK]

> inatos

## fr. 14 [12DK]

> pois é decerto impossível nascer a partir do não ente,
> e o perecer, inviável ao ente, e assim não se ouve —
> sempre ali mesmo será, onde quer que alguém o assente

## fr. 15 [8DK]

> E outra cousa direi: nascimento nenhum há de todos
> esses mortais, nem perecem num termo de morte ruinosa:
> são somente a mistura e a alternação de misturas,
> e isso os humanos nomeiam como “nascer” da natura

## fr. 16 [10DK]

> ou então “morte” “vingativa”

## fr. 17 [9DK]

> Quando afinal co’a mistura de homem chegam ao éter,
> ou como a raça de feras selvagens, ou como moitas,
> ou como pássaros, dizem então que por isso “nasceram”;
> quando a união é cindida, que é a desventura da sina...
> Não é de acordo co’a norma, e só digo também por costume [5]

## fr. 18 [11DK]

> tolos! Longipensantes não são suas ponderações,
> dos que esperam que nasça deveras o antes não ente,
> que algo morra e possa sumir, que pereça de todo

## fr. 19 [15DK]

> o homem de sábias entranhas não preveria tais cousas,
> que eles, enquanto vivem aquilo que chamam de vida,
> só por enquanto são, com bens e misérias presentes;
> que antes da forma mortal e que após desmontarem são nada

## fr. 20 [16DK]

> é, pois, tal como era e será, e acredito que nunca
> de ambos há de vagar a indizível, imensa existência

## fr. 21 [14DK]

> nada é vago do todo — e de onde é que algo viria?

## fr. 22 [17DK]

> Duplamente direi: por certo ora cresce a ser um só
> desde muitos, ora desbrota a ser muitos de um só.
> Dupla a origem das cousas mortais, e dupla a partida: (235)
> essa a junção de tudo faz com que nasça e pereça,
> e essa, de volta, no desbrotamento nutrida esvoaça; [5]
> e isso então alternando-se perpetuamente não cessa:
> ora em Amor reunindo-se tudo elabora-se em uno,
> ora no ódio se vai cada qual dividido em Discórdia. (240)
> Eis que, se desde muitos uno aprendeu a brotar-se, (240a)
> e se de volta o uno desbrota e terminam-se muitos, [10]
> vão assim nascendo, sem pé para sua existência;
> sim, e se entrealternando-se perpetuamente não cessa,
> sempre assim são inamovíveis ao longo do ciclo.
> Vem as palavras ouvir: aprender faz crescer as entranhas! (245)
> Tal como já articulei com o fio de minhas palavras, [15]
> duplamente direi: por certo ora cresce a ser um só
> desde muitos, ora desbrota a ser muitos de um só —
> fogo e água e terra e do ar as imensas alturas:
> deles à parte, ruinosa Discórdia, em balança por tudo, (250)
> e entre eles Amor, com igual comprimento e amplitude. [20]
> Tu, estarrecido, não penes co’os olhos, mas vê com a mente
> essa que pelos mortais se diz natural de suas juntas,
> por quem pensam amáveis e juntos cumprem trabalhos,
> tendo “Alegria” como um de seus nomes, e ainda “Aphrodite”. (255)
> Essa, entre eles rodando nem a percebe ou domina [25]
> o homem — mas ouve o apresto da conta, em nada falseado!
> Esses são todos iguais e de idêntica natividade;
> outra porém é a honra de outro, e o modo é de cada,
> tendo em partes então o poder, regirando-se o tempo. (260)
> E algo além disso nem sobrenasce nem subcessa: [30]
> se perecessem perpetuamente, não mais o seriam;
> e ia de que se acrescer esse todo, e vindo de onde?
> Como, por onde é que pereceria, se nada é um ermo?
> Sim, isso tudo é o que é, mas uns aos outros percorrem (265)
> ora nascendo-se outro e contínuos o mesmo pra sempre. [35]
> reunimo-nos juntos em uma só ordem;
> desbrota a ser muitos de um só,
> dos quais tudo que era, que é e que será no futuro
> desabrochou como árvores, homens e mesmo mulheres, (270)
> sim, como feras e pássaros, peixes aquanutridos, [40]
> bem como deuses de longevidade, maiores em honras.
> Nisso então disparando perpetuamente não cessa
> com seus densos rodeios t
> ininterruptos, e nunca (275)
> muitas as eras primeiras [45]
> antes disso passar
> por tudo então disparando perpetuamente não cessa,
> pois nem o sol p d
> nesse rompante enchendo-se (280)
> nem algum dos outros [50]
> mas sim entrealternando-se em ciclo dispara-se tudo:
> é quando corre a terra impassada, bem como do sol a
> tão grande quanto agora os homens declaram —
> dessa maneira é que todos uns aos outros percorrem, (285)
> e outros noutros lugares se atêm ao errar [55]
> Não é ainda que nós adentramos o meio a ser um só
> (quando Discórdia alcança as insurpassáveis funduras
> no redemunho e Amor lá no meio das voltas descende,
> nisso então reunindo-se tudo se põe a ser um só). (290)
> Cuida que não às orelhas somente [60]
> e ouve de mim o que é no arredor, o infalível
> e hei de mostrar aos teus olhos, que um corpo maior
> primeiramente a junção e a evolução dos nascidos,
> e inda agora o restante que vem a ser dessa prole (295)
> dentre animais montierrantes — as feras da tribo selvagem! —, [65]
> dentre os humanos de dúplice ramo
> enraizadas a raça, e de cachos viderrolantes.
> Leva às entranhas a amostra de não mentirosas palavras —
> nisso verás a junção e a evolução dos nascidos (300)
> traslação planejando. [70]

## fr. 23 [20DK]

> Isso é entre mortais na massa dos membros notável:
> ora em Amor reunindo-nos tudo elabora-se em uno,
> partes que somam o corpo, no pico viçoso da vida;
> ora, se males rebentam, porém, divididas por brigas (305)
> erram à parte, e se vai cada qual pela orla da vida. [5]
> Dessa maneira é com moitas, com aquatelhados peixinhos,
> sim, com feras montícolas e alipassantes gaviotas
> mi
> eco
> es
> as

## fr. 24 [ - DK]

> um dividido do outro a cair e seguir seu destino,
> muito a contragosto e lugubremente coagidos
> a apodrecer: se a atraente Amizade nós temos agora,
> hão de fazer-se presentes Harpyias co’os lotes da morte.
> Ah, que me houvesse arruinado bem antes o dia inclemente, [5] (335)
> obras cruéis de carnívoras garras sem ter planejado!
> Vãs são agora estas chuvas de Noto que banham meu rosto:
> o redemunho profundo acredito que logo alcançamos;
> no ânimo, sem almejarmos, se apresentarão muitas dores
> e embarcaremos na conta de novo [10] (340)
> quando se dava por sorte a chama incansável
> o mais, ascendendo a muidesgraçada mistura,
> eis que a prolífera raça afinal de animais há brotado
> a Manhã pode ver o restante inda agora.
> Quando com éter se unindo em mistura ao extremo então passa, [15] (345)
> eis que com berro e com brado,
> sim, divinais partilham de concavidades,
> pastos a terra no entorno.
> Tal como quando
> um ferreiro [20] (350)
> e as
> te

## fr. 25 [76DK]

> Isso se encontra na concha marítima dorsipesada,
> sobre os véus pedregosos (355)
> nisso verás toda a terra que habita o supremo da pele;
> como a armadura de dorsiforçudo c’ranguejo salino,
> do caramujo, de courirrochosos qual tartaruga o [5]
> casco, o chifre de freixo do corço também, montierrante —
> mas não terminaria de aqui te contar toda a prole... (360)
> Tal como quando
> disso
> e ela [10]
> e

## fr. 26 [71DK]

> Se em tais cousas faltou material para tua confiança —
> como da água e da terra, bem como do sol e do éter
> se adicionando é que formas e tons de mortais nasceriam,
> quantos nascem agora, dos que harmonizou Aphrodite

## fr. 27 [73DK]

> tal como Cýpris então, a terra na chuva regada,
> deu apressando-se as formas pro fogo veloz reforçá-la

## fr. 28 [75DK]

> e do que é denso por dentro mas solto por fora montou-se,
> flácido sendo sortido ao manejo das palmas de Cýpris

## fr. 29 [74DK]

> vem com a tribo sem musa dos peixes plurissemeados

## fr. 30 [83DK]

> quanto aos ouriços,
> lanciaguda no dorso é que sua cabeleira se eriça

## fr. 31 [82DK]

> pelos, folhas, escamas e densas penas de aves
> vêm a ser o mesmo sobre os membros robustos

## fr. 32 [24DK]

> atando uma ponta à outra ponta
> destas palavras sem termo num só curso

## fr. 33 [25DK]

> o que é devido é belo dizer duas vezes

## fr. 34 [21DK]

> Vem, observa-me então atestar as primeiras conversas,
> se nas primícias faltou material a respeito de algo:
> sol que lampeja ao olhar, seu calor que se assoma por tudo;
> tudo que nada à sua vista, ambrosino em sua alva clareza;
> chuva também, sobre todos frígida e enturvecente — [5]
> sim, e da terra profluem os sólidos e alicerçados.
> Se em rancor diferem na forma e dividem-se todos,
> junto andou-se em Amor, no que um ao outro deseja.
> Deles, tudo que era, que é e que será no futuro
> desabrochou como árvores, homens e mesmo mulheres, [10]
> sim, como feras e pássaros, peixes aquanutridos,
> bem como deuses de longevidade, maiores em honras.
> É que isso tudo é o que é, mas uns aos outros percorrem
> ora tornando-se outros — e a troca se faz na mistura.

## fr. 35 [23DK]

> Tal como quando pintores multicolorem of’rendas,
> homens sabidos e expertos, com belo domínio da arte,
> e as soluções de múltiplo tom nas mãos então pegam,
> e em harmonia assim misturando umas mais e outras menos
> delas semelhas a tudo é que ambos produzem imagens [5]
> ao desenhar suas árvores, homens também, e mulheres,
> sim, suas feras e pássaros, peixes aquanutridos,
> bem como deuses de longevidade, maiores em honras,
> que não te exceda as entranhas o engano de ser doutra fonte
> tudo que vem — indizíveis mortais — a ser evidente. [10]
> Sê dessas cousas sabido, afiado ao discurso de um deus!

## fr. 36 [26DK]

> Tendo em partes então o poder, regirando-se o ciclo,
> uns nos outros minguam e crescem por partes na sina.
> É que isso tudo é o que é, mas uns aos outros percorrem
> ora nascendo-se humanos e outros bandos de feras:
> ora em Amor reunindo-se juntam-se em uma só ordem, [5]
> ora no ódio se vai cada qual dividido em Discórdia,
> ’té que um-só cobrotando-se o todo abaixo descenda.
> Eis que, se desde muitos uno aprendeu a brotar-se,
> e se de volta o uno desbrota e terminam-se muitos,
> vão assim nascendo, sem pé para sua existência; [10]
> sim, e se isso alternando-se perpetuamente não cessa,
> sempre assim são inamovíveis ao longo do ciclo.

## fr. 37 [22DK]

> sim, tudo isso bem junto co’as partes então deles mesmos,
> o âmbar solar e o céu e a terra e o mar além disso,
> quantas deles entre mortais debrotaram errantes.
> Dessa maneira, das que se asseguram mais na mistura,
> uma é por outra afeiçoada, no que as igualou Aphrodite; [5]
> mas odiadas ao máximo distam-se umas das outras
> em nascimento e mistura e nas formas que foram impressas:
> na convivência, mais lúgubres, desabituadas de todo,
> discordinatas porquanto nascidas em fúria nefasta!

## fr. 38 [27DK]

> lá nem mesmo do sol se divisa a esplêndida vista,
> nem a hirsuta raça da terra ou a forma dos mares

## fr. 39 [36DK]

> deles então reunindo-se parte ao extremo Discórdia

## fr. 40 [ad 29DK]

> era Esphero

## fr. 41 [159DK]

> acumulada grandeza

## fr. 42 [27DK]

> lá nem mesmo do sol se divisam os membros velozes,
> nem o hirsuto corpo da terra ou a forma dos mares;
> e eis que, em denso véu de harmonia então afixado,
> ’Sphero rotundo celebra a circunfeliz solidão

## fr. 43 [13DK]

> nem há algo do todo nem vago nem excedente

## fr. 44 [29&28DK]

> pois nem vão dois galhos romper a partir de seu dorso
> nem tem pés ou ligeiros joelhos, nem pênis que engendra;
> todo igual a si mesmo e em tudo, porém, infinito,
> ’Sphero rotundo se alegra na circular solidão

## fr. 45 [30DK]

> mas quando grande Discórdia tornou-se nutrida nos membros
> e prorrompeu para as honras, enfim terminando-se o tempo
> que para a troca de volta decorre de amplíssima jura

## fr. 46 [31DK]

> todos contínuos é que estremeciam os membros do deus

## fr. 47 [38DK]

> Vem! Falarei primeiro de que é que o sol no princípio
> e outras mais evidências nasceram (que então vemos todos),
> tanto a terra, o mar onduloso, o ar aguacento,
> como o Titã — como o éter contendo num círculo todos

## fr. 48 [A49aDK]

> esvoaçando-se, éter, cindido do ar e do fogo,
> logo veio a tornar-se o vasto céu envolvente;
> sim, e o fogo, que permaneceu do céu apartado
> veio a crescer afinal como o brilho radiante do sol.
> Terra então, disparando e por coação adensada, [5]
> logo ilustrou-se e assentou-se no meio; e assim é que o éter,
> sendo mais leve, sem retirar-se a circunda de todo

## fr. 49 [53DK]

> pois desse modo é que deu-se a correr; muita vez é de outro

## fr. 50 [51DK]

> rapidamente subindo

## fr. 51 [54DK]

> pelo chão mergulhava com longas raízes

## fr. 52 [37DK]

> chão, pois, cresce seu corpo terrestre, e éter ao éter

## fr. 53 [52DK]

> muitos fogos queimam abaixo do solo

## fr. 54 [39DK]

> se as profundezas da terra e o éter profuso infinitos
> são, como vindo de línguas por quais muitíssimas bocas
> vertem à toa, daqueles que pouco viram do todo

## fr. 55 [40DK]

> sol, o lanciagudo, e ainda a propícia lua

## fr. 56 [41DK]

> consolidou-se, e no grande céu ele gira velando-o

## fr. 57 [44DK]

> contraclareia o Olympo ao vir com impávida face

## fr. 58 [45DK]

> cíclica sai a rodar sobre a terra lúmen alheio

## fr. 59 [46DK]

> como a rodar o meão da carroça, em roda da ponta

## fr. 60 [47DK]

> pois observa, contrária ao senhor, seu claríssimo círc’lo

## fr. 61 [42DK]

> e lhe ensombreou a clareza
> vindo à terra de sobre, e entenebreceu pela terra
> ampla região, com igual dimensão do luar de olho glauco

## fr. 62 [43DK]

> eis que o clarão, golpeando o círculo amplo da lua,
> logo torna de volta, e o céu ele atinge em seu curso

## fr. 63 [48DK]

> noite se estabelece por terra opondo-se às luzes

## fr. 64 [152DK]

> o dia à velhice

## fr. 65 [154DK]

> mantendo seu curso, da aurora
> vinha cindir o poente e trazia de volta em seguida,
> floricoroado e frutífero o viço lhes sobrecoroando
> das estações; violentada era a terra

## fr. 66 [56DK]

> sal se firmou compelido por golpes frementes do sol

## fr. 67 [55DK]

> mar, os suores da terra

## fr. 68 [A66aDK]

> dele, a orla furiosa não cessa seu ímpeto inflado,
> tal como quando recebem os charcos errante granizo —
> toda a humidade na terra pras côncavas profundidades
> segue impelida afinal por contínuos rodeios de ventos
> uns pelos outros correntes, como em prisão poderosa [5]

## fr. 69 [50DK]

> Íris do pélago traz ventania ou também grande chuva

## fr. 70 [161DK]

> Sete os astros errantes que ao longo do olímpio caminho
> põem-se a rodar, e com eles regula-se sempre a existência:
> noctiluzente Luar, o Sol doce, e Krono odioso,
> Páphia dos íntimos, Ares audaz, bem-alígero Hermes
> e arquinascido Zeus, de quem a natura brotou-se. [5]
> Eles arrastam a raça distinta, estando conosco
> Zeus, Sol, Krono e Lua, Páphia e Ares e Hermes,
> visto que é nossa partilha arrastar desde o sopro do éter
> lágrima, riso, tensão, o nascer, sono, raiva e palavra:
> lágrima é Krono, Zeus é nascer, a palavra é de Hermes; [10]
> ânimo é Ares, da Lua é o sono, a tensão, da Cythéria,
> sim, e do Sol o sorriso — por ele, afinal, com justeza
> riem-se todo o mortal pensamento e o mundo infinito!

## fr. 71 [35DK]

> E eu para trás voltarei, irrompendo à vereda dos hinos
> que nas primícias cantei, revertendo esta conta a uma conta
> de antes: quando Discórdia alcançou as mais baixas funduras
> do redemunho e Amor lá no meio das voltas descende,
> nisso então reunindo-se tudo se põe a ser um só — [5]
> não de repente, querendo-se unem-se a outros de outrures.
> E eis: da mistura verteram-se bandos mortais aos milhares;
> e em alternância muitos ficaram não misturados,
> quantos reteve Discórdia suspensos: de todo impecável
> não foi ao retirar-se às divisas extremas do círc’lo, [10]
> mas uma parte dos membros ficava e outra saíra.
> Quanto sempre corresse, esse tanto a seguia premente,
> gentilmente o romper ambrosino de Amor impecável —
> brotam mortais os que outrora aprenderam a ser imortais e
> puros, outrora impermistos, entrealternando as estradas. [15]
> E eis: da mistura verteram-se bandos mortais aos milhares,
> justos em tudo que é forma visível — espanto de ver-se!

## fr. 72 [96DK]

> Terra então donairosa recebe em crisol percavado
> duas partes das oito de Néstis resplandecente,
> quatro de Hephesto também, e com isso ossos brancos nasceram:
> justos, enfim, com cola divina os ajusta Harmonia.

## fr. 73 [98DK]

> Terra então igualada, com eles ao ter se encontrado —
> sim, com Hephesto, com chuva e com éter luminescente —,
> deu-se ancorada no bem-terminado porto de Cýpris,
> seja um pouco maior ou menor que os demais ali dentro;
> disso é que o sangue nasceu, e as muitas formas da carne. [5]

## fr. 74 [85DK]

> flama propícia afinal é sortida a terra minguada

## fr. 75 [86DK]

> disso formou incansáveis os olhos a diva Aphrodite

## fr. 76 [33DK]

> tal como a seiva que prende e pregueia ao ligar leite branco

## fr. 77 [87DK]

> elaborou-os com pregos de afeto então Aphrodite

## fr. 78 [88DK]

> nasce uma única vista de ambos

## fr. 79 [58DK]

> unimembres

## fr. 80 [57DK]

> muitas cabeças despescoçadas desabrocharam;
> nus, desunidos dos ombros, vagavam errantes os braços,
> e olhos, pobres, erravam a sós, carecendo de faces

## fr. 81 [59DK]

> mas quanto mais divindades uniam-se, dáimon com dáimon,
> isso tudo encontrou-se conforme deu-se com cada,
> e outros também além disso, contínuos, muitos nasceram

## fr. 82 [34DK]

> grânulos co’água colando

## fr. 83 [19DK]

> tenacíssimo amor

## fr. 84 [32DK]

> é presa uma dupla na junta

## fr. 85 [61DK]

> muitas formas ambífaces e ambipeitadas brotavam,
> hominifrontes bovininatos, e contraemergiam
> bovinicéfalos hominiformes, um misto aqui de homens,
> feminiformes ali, arreados em membros sombrios

## fr. 86 [60DK]

> rola-pés e de mãos indecisas

## fr. 87 [160DK]

> e os animais cognatos antes da terra emergiam;
> logo em seguida, rolando, quebravam o galho da espinha.
> Água jorrou com Amor ao passar borbulhando aguacenta:
> recipiente-de-grãos, muiaberta formou a barriga;
> o arquinascido fogo ao redor do nariz perfurado [5]
> ao inspirar-se passou, e empurrou com o sopro um caminho

## fr. 88 [150DK]

> fígado plurissanguíneo

## fr. 89 [62DK]

> Vem, sobre como de homens e muilamentosas mulheres
> foi conduzir os rebentos noturnos cindindo-se o fogo,
> ouve o discurso nem distraído nem indominado!
> Unibrotadas primeiro figuras da terra emergiam,
> de ambos água e calor possuindo porção em sua forma: [5]
> estes o fogo ascendeu por querer a um igual alcançar-se,
> nem um corpo atraente de partes ainda ilustrando,
> nem uma voz ou mesmo dos homens o membro nativo.

## fr. 90 [63DK]

> a natureza dos membros, porém, separou-se entre homem

## fr. 91 [64DK]

> vem até ele também pela vista o desejo de unir-se

## fr. 92 [66DK]

> ao fendido gramado da Aphrodite

## fr. 93 [151DK]

> gran’dadivosa

## fr. 94 [153DK]

> ninho

## fr. 95 [65DK]

> e se verteram no puro, a tornar-se no fim ou mulheres,
> se deparando com frio

## fr. 96 [67DK]

> pois veio a ser o que é másculo em partes mais quentes da terra,
> sendo por isso escuros e mais corpulentos os homens,
> sim, mais membripeludos

## fr. 97 [153aDK]

> sete semanas após

## fr. 98 [70DK]

> pele do anho

## fr. 99 [68DK]

> no oitavo mês um pus branco, no décimo dia, se torna

## fr. 100 [69DK]

> binatais

## fr. 101 [72DK]

> como as longas árvores ou estacados marinhos

## fr. 102 [ - DK]

> pois do que outrora com sobrepostas raízes abaixo
> mas mais raros e soltos rebentos firmou-se viçoso

## fr. 103 [ - DK]

> as longas árvores nunca parem as novas

## fr. 104 [79DK]

> e eis que as árvores longas desovam olivas primeiro

## fr. 105 [80DK]

> já que tardias romãs e sobrepolpudas maçãs

## fr. 106 [81DK]

> vinho vem d’água da polpa que se apodreceu na madeira

## fr. 107 [77&78DK]

> vê-se em pés dos frutiperenes e perenifólios
> livre de inveja o frutal vicejar pelo ar todo o ano

## fr. 108 [149DK]

> junta-nuvem

## fr. 109 [100DK]

> Eis como tudo inspira e expira: se estendem em todos
> vãos exangues de carne ao longo do extremo do corpo,
> e os bocais na fronteira mais última fundo perfuram
> densos regos na tez — perpetuam-se para a sangueira
> se esconder e o éter partir em caminhos viáveis. [5]
> Quando dispara pra trás, demanando o levíssimo sangue,
> o éter contradispara, fervendo em furor e se inflando;
> quando repula de volta se expira, tal como a menina
> faz meninice com sua clepsidra de bronze divino:
> pondo no furo do cano aflautado a mãozinha formosa [10]
> e este nas águas de corpo levíssimo e alviluzente,
> nada no vaso do fluido então entra, mas sim é retido,
> vindo a massa de ar pelas densas passagens de dentro
> ’té que destringe-se a densa afluência, quando em seguida,
> já com o sopro cedendo, adentra essa parte de água; [15]
> dessa maneira também, com a água no fundo do bronze,
> visto que a pele mortal vai barrando seu furo e a via,
> o éter externo pra dentro refreia o fluido de prata
> contra o chuveiro estridente, forçando as portas e a ponta
> ’té que a mão se retire: e de volta, ao contrário de antes, [20]
> já com o sopro revindo, se escorre essa parte de água —
> dessa maneira nos membros o tenro e levíssimo sangue
> se para trás revolteia, irrompendo e manando pro fundo,
> de éter o fluxo dispara e descende com ímpeto inflado;
> quando repula de volta se expira igual depois disso. [25]

## fr. 110 [89DK]

> saibas: de tudo há eflúvio, de tantos quantos nasceram

## fr. 111 [95DK]

> juntos primeiro brotando ao manejo das palmas de Cýpris

## fr. 112 [84DK]

> Tal como alguém que, pensando na viagem, prepara a lanterna
> para uma noite de inverno, a flama do fogo abrasante,
> indo atar umas lâminas mais que repilam os ventos
> (elas que logo dispersam o sopro de todos os ventos)
> onde, estendendo-se o lúmen, tanto mais longo e delgado, [5]
> pela soleira lampeja incansável seu brilho radiante —
> dessa maneira, retido em membranas o prístino fogo,
> e entre leves tecidos, gerou a ciclópica moça,
> e eram ali perfurados com orifícios divinos:
> circunfluindo o ogígio, restringem-se as águas profundas [10]
> onde pulula-se o fogo, tanto mais longo e delgado.

## fr. 113 [94DK]

> e o tom negro no fundo dos rios se ergue das sombras,
> e esse igualmente se vê lá dentro de côncavos antros

## fr. 114 [49DK]

> noite tão erma de vaga visão

## fr. 115 [99DK]

> rebento de carne

## fr. 116 [101DK]

> com o nariz farejando a fração das partes de feras
> partida dos pés pela grama macia

## fr. 117 [102DK]

> eis como tudo partilha de respiração e de faro

## fr. 118 [90DK]

> doce assim doce captura, e irrompe o amargo no amargo,
> ácido no ácido pula, picante vai ter com picante

## fr. 119 [91DK]

> água ao vinho ajunta-se mais, enquanto o azeite
> ela não quer

## fr. 120 [92DK]

> bronze
> quando unido ao estanho

## fr. 121 [93DK]

> e com o linho, do glauco açafrão se mistura seu brilho

## fr. 122 [103DK]

> e eis que se deu pelo intuito de Sorte que tudo é pensante

## fr. 123 [104DK]

> quanto os mais sutis caindo se dão encontrados

## fr. 124 [105DK]

> partem manando-se mares de sangue, tão logo o nutrindo
> onde há mais “pensamento”, como chamam humanos:
> para os humanos, o sangue no cor é que é o pensamento

## fr. 125 [106DK]

> pois é pelo presente que cresce a sapiência nos homens

## fr. 126 [109DK]

> é com terra que terra veremos, e água com água,
> éter divino com éter, e fogo inviso com fogo,
> com afeição afeição, com discórdia nefasta discórdia

## fr. 127 [110DK]

> pois se firmando essas cousas sob cerradas entranhas
> bem favorável contemplares com puros cuidados,
> isso tudo há de ser-te presente por tua existência,
> e outras muitas delas terás — pois elas se crescem,
> cada modo alcançando conforme a natura de cada. [5]
> Se outras cousas porém procurares, quantas aos homens
> são misérias milhares que embotam as ponderações,
> saibas que logo irão se furtar, regirando-se o tempo,
> tão desejosas de ter com amados de sua mesma raça:
> tudo tem discernimento e alguma porção do pensar. [10]

## fr. 128 [107DK]

> Disso afinal é que tudo montou-se em conjunta harmonia,
> sendo por eles que pensam, que sentem prazer e padecem

## fr. 129 [108DK]

> quanto rebrotem outros, tanto assim é que sempre
> outro também se apresenta o pensar

## fr. 130 [115DK]

> É questão de coação, antigo decreto dos deuses,
> sempiterno e selado afinal por amplíssimas juras:
> quando alguém de assassínio macula seus membros amados,
> e em discórdia aquele que errando comete perjúrio —
> dáimons, com a partilha de longevidade na vida! — [5]
> três vezes dez mil anos desvia-se dos venturosos
> para brotar pelo tempo com todas as formas mortais:
> entre as dores, da vida ele vai alternando as estradas.
> Fato é que a força do éter então para mar o persegue,
> mar logo o cospe ao chão sobre o solo, e a terra à clareza [10]
> lá do sol luminoso, que do éter o lança em rodeios —
> outro após outro o recebe, estigma que todos detestam.
> E eu sou desses errantes, agora no exílio dos deuses,
> em Discórdia furiosa fiado

## fr. 131 [117DK]

> pois uma vez já nasci como moço e também como moça,
> sim, como pássaro e moita, e no mar fui mudo peixinho

## fr. 132 [132DK]

> Próspero aquele que é rico no discernimento divino,
> e miserável quem guarda sombrio parecer sobre os deuses!

## fr. 133 [133DK]

> não é nem alcançável que nos acheguemos co’os olhos
> ou que peguemos co’as mãos, por onde maior para os homens
> segue a rota da persuasão que cai na entranhas

## fr. 134 [134DK]

> pois nem exibe uma fronte de homem entre seus membros,
> nem se verão dois galhos romper a partir de seu dorso,
> nem tem pés ou ligeiros joelhos, nem partes peludas:
> como na entranha, sagrado e inefável, um cerne somente,
> a disparar com ligeiro pensar pela ordem do mundo [5]

## fr. 135 [154cDK]

> mas são logo evidentes os brotos que hão de dar frutos

## fr. 136 [155DK]

> grande Telauges, rapaz de Pythágoras e de Theano!

## fr. 137 [129DK]

> Era entre eles um homem sabido em muitíssimas cousas,
> altamente rico no discernimento supino,
> máximo mestre de todos os hábeis e sábios trabalhos —
> pois quando quer que estendesse todo o discernimento,
> fácil podia então ver cada um de todos os entes, [5]
> tanto em dez ou mesmo em vinte das vidas humanas!

## fr. 138 [27aDK]

> nem levante ou indestinada disputa nos membros

## fr. 139 [119DK]

> de quais honras e de quão alta prosperidade

## fr. 140 [142DK]

> Fato é que nem o recebe o teto do egífero Zeus
> nem para dentro o denso e restrito palácio de Hades

## fr. 141 [126DK]

> ela ao dispor ao redor uma túnica estranha de carne

## fr. 142 [148DK]

> terra envolve-mortal

## fr. 143 [116DK]

> detestando coação angustiante

## fr. 144 [120DK]

> viemos sob este antro que sobrerrestringe

## fr. 145 [121DK]

> desprazerosa região:
> nela Assassínio e Rancor com as tribos de Fatalidades
> (com ressequidas doenças e putrefações e defluxos)
> sob as sombras vagueiam no prado da atroz Perdição

## fr. 146 [118DK]

> tanto chorei ao me ver na inabituada região

## fr. 147 [158DK]

> privado afinal da existência
> próspera

## fr. 148 [122DK]

> Lá é que estavam Khthônia e Helíope longividente,
> Déris sangrenta também, e Harmonia de vista solene;
> sim, e Aiskhré e Kallisto, e também Denaié e Thoosa,
> e Nemertés atraente, e de escura menina Asapheia

## fr. 149 [123DK]

> tanto Physó com Phthímene, e Eunaié com Egérsis,
> e Astemphés e Cinó, e a muicoroada Megisto
> e Aphorié, e Sopé com Omphaié

## fr. 150 [124DK]

> Ah, miseráveis mortais — ah, raça desventurada!
> Ah, de que brigas e de que gemidos agora nascestes!

## fr. 151 [128DK]

> Era entre eles deus nem Ares nem mesmo Tumulto,
> nem Zeus rei nem Krono, nem tampouco Posêidon,
> mas sim Cýpris rainha
> Eles a propiciavam com reverentes imagens,
> sim, pintando animais, dominando oloríferas artes [5]
> de óleos e puras de mirra, oferendas de incenso fragrante,
> e as libações só de mel alourado lançando no solo:
> nunca o impuro assassínio de touros banhava os altares,
> mas era essa a maior das nódoas para os humanos —
> a de furtar-lhes a alma pra se alimentar de seus membros! [10]

## fr. 152 [130DK]

> Todos se davam com os humanos, propensos e mansos,
> desde as feras ao pássaro: amor nas entranhas queimava

## fr. 153 [125DK]

> dos animados, em troca, dispôs cadavéricas formas

## fr. 154 [138DK]

> a alma sugando, arrancando com bronze

## fr. 155 [143DK]

> sim, das cinco fontes cortando com bronze alongado

## fr. 156 [139DK]

> Ah, que me houvesse arruinado bem antes o dia inclemente,
> obras cruéis a carnívoros lábios sem ter planejado!

## fr. 157 [135DK]

> Mas o que é lei para todos se alonga no amplirregente
> éter e vai se esticando contínuo na imensa clareza.

## fr. 158 [136DK]

> Não parareis o assassínio estridente? Será que não vedes
> que uns aos outros vos devorais por descuido da mente?

## fr. 159 [137DK]

> Já com a forma alterada é que o pai tem o seu filho amado
> e o degolando faz preces: co’o grande tolo confusos,
> é um suplicante que ofertam, mas sem lhe ouvir os clamores
> ele o degola em casa ao cuidar de maligno banquete —
> dessa maneira é filho com pai e co’a mãe a criança, [5]
> ao furtar-lhes a alma e comer sua carne adorada

## fr. 160 [154aDK]

> dores e choros então levedando com danos e enganos

## fr. 161 [145DK]

> Sim, é por isso que, desvairados em males penosos,
> no ânimo nunca vos aliviareis de aflições e misérias!

## fr. 162 [144DK]

> se abster da maldade

## fr. 163 [141DK]

> míseros, míseros — tende bem longe das mãos os feijões!

## fr. 164 [140DK]

> de todo manter-se bem longe das folhas de louro

## fr. 165 [154dDK]

> lágrima tua é a muissofredora raça dos homens,
> mas desabrocha sorrindo a raça sagrada de deuses

## fr. 166 [127DK]

> entre montícolas feras, leões que no solo adormecem
> nascem, e louros entre os arbóreos de belos cabelos

## fr. 167 [146DK]

> sim, e no fim vêm a ser adivinhos, cantores de hinos,
> príncipes e curandeiros aos sobreterrâneos humanos —
> e desabrocham então como deuses, maiores em honras

## fr. 168 [147DK]

> entre os demais imortais, comensais sob a mesma lareira,
> livres do lote das dores dos homens, um ser incansável.
