---
id: biblia-27-daniel-por-tb-1917
type: texto_primario
title: "Daniel (Tradução Brasileira)"
author: null
language: por
translator: "Comissão da Sociedade Bíblica Americana (H. C. Tucker et al.)"
editor: null
year_original: null
publisher: SBB
source: "Tradução Brasileira, 1917. Via github.com/damarals/biblias (JSON canônico), 2026."
license: "dominio_publico"
publishable: true
status: rascunho
project: pedra_angular
livro_numero: 27
abrev: Dn
related: []
tags: [biblia]
---

# Daniel

## Capítulo 1

**1** No terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. ^dn-1-1

**2** O Senhor entregou-lhe nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da Casa de Deus; ele os levou para a terra de Sinear, para a casa do seu deus, e pôs os vasos na casa do tesouro do seu deus. ^dn-1-2

**3** O rei disse a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, a saber, da linhagem real e dos nobres, ^dn-1-3

**4** mancebos nos quais não houvesse defeito algum, mas de boa presença, instruídos em toda a sabedoria, conhecedores de ciência, entendidos em conhecimentos e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei; e que lhes ensinasse as letras e a língua dos caldeus. ^dn-1-4

**5** O rei designou-lhe uma porção quotidiana das iguarias reais e do vinho que ele bebia, e que fossem mantidos por três anos, para que, passados estes, assistissem diante do rei. ^dn-1-5

**6** Ora, entre estes se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. ^dn-1-6

**7** O príncipe dos eunucos lhes pôs por nome: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. ^dn-1-7

**8** Daniel, porém, assentou no seu coração não se contaminar com as iguarias reais nem com o vinho que o rei bebia; portanto, pediu ao príncipe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. ^dn-1-8

**9** Ora, Deus fez que Daniel achasse graça e misericórdia diante do príncipe dos eunucos. ^dn-1-9

**10** O príncipe dos eunucos disse a Daniel: Eu tenho medo do rei, meu senhor, o qual ordenou que se vos desse de comer e de beber; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes que os dos outros mancebos da vossa idade? Assim, poríeis em perigo a minha cabeça para com o rei. ^dn-1-10

**11** Então, disse Daniel ao despenseiro, a quem o príncipe dos eunucos tinha constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias: ^dn-1-11

**12** Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias; e que se nos deem legumes a comer e água a beber. ^dn-1-12

**13** Depois, se examinem diante de ti os nossos semblantes e os dos mancebos que comem das iguarias reais; e, conforme vires, há-te com os teus servos. ^dn-1-13

**14** Assim, os ouviu sobre isso, e os experimentou dez dias. ^dn-1-14

**15** No fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais gordos de carne do que todos os mancebos que comiam das iguarias reais. ^dn-1-15

**16** Assim, o despenseiro tirou-lhes as iguarias e o vinho que deviam beber e lhes dava legumes. ^dn-1-16

**17** Ora, quanto a esses quatro mancebos, deu-lhes Deus o conhecimento e a inteligência em todas as letras e em toda a sabedoria. Daniel sabia discernir todas as visões e sonhos. ^dn-1-17

**18** Passados os dias, depois dos quais o rei tinha ordenado que fossem apresentados, o príncipe dos eunucos os apresentou diante de Nabucodonosor. ^dn-1-18

**19** O rei conversou com eles; e, entre todos eles, não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto, ficaram assistindo diante do rei. ^dn-1-19

**20** Em toda a matéria de sabedoria e discernimento a respeito da qual lhes perguntou o rei, achou que eles excediam dez vezes todos os mágicos e encantadores que havia em todo o seu reino. ^dn-1-20

**21** Daniel conservou-se até o primeiro ano do rei Ciro. ^dn-1-21

## Capítulo 2

**1** No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve Nabucodonosor sonhos; e o seu espírito ficou perturbado, e passou-se-lhe o sono. ^dn-2-1

**2** Então, o rei mandou chamar os mágicos, e os encantadores, e os feiticeiros, e os caldeus, para que declarassem ao rei os sonhos. Assim, vieram e se apresentaram diante do rei. ^dn-2-2

**3** O rei disse-lhes: Tive um sonho, e para saber o sonho está perturbado o meu espírito. ^dn-2-3

**4** Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive eternamente; dize aos teus servos o sonho, e mostraremos a interpretação. ^dn-2-4

**5** Respondeu o rei aos caldeus: A coisa já me fugiu da memória; se não me fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo. ^dn-2-5

**6** Mas, se mostrardes o sonho e a sua interpretação, recebereis de mim dádivas, e prêmios, e grande honra; portanto, mostrai-me o sonho e a sua interpretação. ^dn-2-6

**7** Responderam pela segunda vez: Diga o rei aos seus servos o sonho, e lhe mostraremos a interpretação. ^dn-2-7

**8** Respondeu o rei: Certamente, eu sei que quereis ganhar tempo, porque vedes que a coisa já me fugiu da memória. ^dn-2-8

**9** Mas, se não me fizerdes saber o sonho, não há para vós senão uma só lei; pois tendes preparado palavras mentirosas e corruptas para as proferir na minha presença, até que se mude o tempo. Portanto, dizei-me o sonho, e saberei se me podeis mostrar a sua interpretação. ^dn-2-9

**10** Responderam os caldeus na presença do rei: Não há homem sobre a terra que possa mostrar a questão do rei; porquanto nenhum rei, nem senhor, nem régulo tem feito semelhante pedido a qualquer mágico, ou encantador, ou caldeu. ^dn-2-10

**11** É coisa rara a que o rei exige, e não há outro que a possa mostrar na presença do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne. ^dn-2-11

**12** Por essa razão, ficou o rei irado e em extremo furioso e ordenou que perecessem todos os sábios de Babilônia. ^dn-2-12

**13** Assim, saiu o decreto, e os sábios estavam para serem mortos; e buscaram a Daniel e seus companheiros, para que fossem mortos. ^dn-2-13

**14** Então, Daniel respondeu avisada e prudentemente a Arioque, capitão da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios de Babilônia; ^dn-2-14

**15** sim, respondeu e perguntou a Arioque, capitão do rei: Por que razão é o decreto tão urgente da parte do rei? Então, Arioque fez saber a coisa a Daniel. ^dn-2-15

**16** Entrando Daniel, pediu ao rei que lhe designasse o tempo e que ele mostraria ao rei a interpretação. ^dn-2-16

**17** Então, Daniel foi para casa e fez saber a coisa a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, ^dn-2-17

**18** para que pedissem misericórdia ao Deus do céu no tocante a esse segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem juntamente com o resto dos sábios de Babilônia. ^dn-2-18

**19** Então, foi o segredo revelado a Daniel numa visão noturna. Depois, Daniel bendisse ao Deus do céu. ^dn-2-19

**20** Disse Daniel: Bendito seja o nome de Deus para todo o sempre, pois dele são a sabedoria e a força. ^dn-2-20

**21** Ele muda os tempos e as estações; remove os reis e estabelece os reis; dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que sabem discernir; ^dn-2-21

**22** revela as coisas profundas e escondidas; sabe o que está nas trevas, e com ele mora a luz. ^dn-2-22

**23** A ti, Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, que me deste sabedoria e força e, agora, me fizeste saber o que te havíamos pedido; porque nos revelaste a questão do rei. ^dn-2-23

**24** Por isso, entrou Daniel a Arioque, a quem o rei tinha constituído para perder os sábios de Babilônia; entrou e disse-lhe assim: Não percas os sábios de Babilônia; leva-me à presença do rei, e mostrarei ao rei a interpretação. ^dn-2-24

**25** Então, Arioque, depressa, levou Daniel à presença do rei e lhe disse assim: Achei um homem dentre os filhos do cativeiro de Judá que fará saber ao rei a interpretação. ^dn-2-25

**26** Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes fazer-me saber o sonho que vi e a sua interpretação? ^dn-2-26

**27** Respondeu Daniel perante o rei e disse: O segredo que o rei tem exigido, não o podem mostrar ao rei nem sábios, nem encantadores, nem mágicos, nem feiticeiros; ^dn-2-27

**28** mas há no céu um Deus que revela segredos, e ele tem feito saber ao rei Nabucodonosor o que há de acontecer nos últimos dias. O teu sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estes: ^dn-2-28

**29** Quanto a ti, ó rei, estando tu na cama, entraram os teus pensamentos na mente, sobre o que havia de acontecer no futuro; e aquele que revela segredos te descobriu o que há de acontecer. ^dn-2-29

**30** Mas, quanto a mim, não me foi revelado esse segredo por ter eu mais sabedoria que qualquer outro vivente, mas para que ficasse manifesta ao rei a interpretação e para que soubesses os pensamentos do teu coração. ^dn-2-30

**31** Tu, ó rei, estavas olhando, e eis uma grande imagem. Essa imagem, que era enorme e cujo resplendor era excelente, tinha-se em pé diante de ti; e a sua vista era espantosa. ^dn-2-31

**32** Quanto a essa imagem, a sua cabeça era de ouro fino, o seu peito e os seus braços, de prata, o seu ventre e as suas coxas, de cobre, ^dn-2-32

**33** as suas pernas, de ferro, os seus pés, em parte de ferro, em parte de barro. ^dn-2-33

**34** Estavas vendo até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, a qual feriu a imagem nos seus pés, que eram de ferro e de barro, e os fez em pedaços. ^dn-2-34

**35** Então, foi juntamente feito em pedaços o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro e se tornaram como a pragana das eiras de estio; e o vento levou-os, de sorte que não se achou lugar para eles. A pedra que feriu a imagem tornou-se uma grande montanha, que encheu a terra toda. ^dn-2-35

**36** Este é o sonho; e diremos a sua interpretação na presença do rei. ^dn-2-36

**37** Tu, ó rei, és rei de reis, ao qual o Deus do céu deu o reino, o poder, a força e a glória; ^dn-2-37

**38** e, onde quer que habitem os filhos dos homens, nas tuas mãos entregou os animais do campo e as aves do céu e te fez reinar sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro. ^dn-2-38

**39** Depois de ti, se levantará outro reino inferior a ti; e outro terceiro, de cobre, o qual dominará sobre a terra toda. ^dn-2-39

**40** O quarto reino será forte como ferro, porquanto o ferro faz em pedaços e subjuga todas as coisas; como o ferro esmiúça todas essas coisas, assim ele fará em pedaços e esmiuçará. ^dn-2-40

**41** Porque viste os pés e os dedos, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, será ele um reino dividido; mas nele haverá alguma coisa da firmeza do ferro, porquanto viste o ferro misturado com o barro de lodo. ^dn-2-41

**42** Como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim o reino será em parte firme e em parte frágil. ^dn-2-42

**43** Porque viste o ferro misturado com o barro de lodo, misturar-se-ão com a semente de homens; porém não se apegarão um a outro, assim como o ferro não se une com o barro. ^dn-2-43

**44** Nos dias desses reis, suscitará o Deus do céu um reino que não será jamais destruído, nem passará a soberania deste a outro povo; mas fará em pedaços e consumirá todos esses reinos, e ele mesmo subsistirá para sempre, ^dn-2-44

**45** porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra sem auxílio de mãos e que ela fez em pedaços o ferro, o cobre, o barro, a prata e o ouro; o Grande Deus fez saber ao rei o que há de acontecer no futuro. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação. ^dn-2-45

**46** Então, o rei Nabucodonosor caiu sobre o rosto, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe oferecessem uma oblação e perfumes suaves. ^dn-2-46

**47** Disse o rei a Daniel: Na verdade, o vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos reis e que revela segredos, pois que pudeste revelar este segredo. ^dn-2-47

**48** Então, o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos grandes dons, e fê-lo reinar sobre a província toda de Babilônia e ser o principal governador sobre todos os sábios de Babilônia. ^dn-2-48

**49** Fez Daniel uma petição ao rei, e este constituiu superintendentes dos negócios da província de Babilônia a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; Daniel, porém, estava na porta do rei. ^dn-2-49

## Capítulo 3

**1** O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro que tinha sessenta cúbitos de alto e seis cúbitos de largo; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia. ^dn-3-1

**2** Então, o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os deputados, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os magistrados e todos os régulos das províncias, para que viessem à dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado. ^dn-3-2

**3** Os sátrapas, os deputados, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os magistrados e todos os régulos das províncias se ajuntaram para a dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado; e estavam em pé diante da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado. ^dn-3-3

**4** Nisso, o pregoeiro clamou em alta voz: A vós, ó povos, nações e línguas, se vos ordena ^dn-3-4

**5** que, no ponto em que ouvirdes o som da corneta, da flauta, da harpa, da sacabuxa, do saltério, da sinfonia, e de toda sorte de música, vos prostrareis e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou. ^dn-3-5

**6** Todo aquele que não se prostrar e adorar será na mesma hora lançado no meio duma fornalha de fogo ardente. ^dn-3-6

**7** Portanto, no momento em que todos os povos ouviram o som da corneta, da flauta, da harpa, da sacabuxa, do saltério e de toda sorte de música, se prostraram todos os povos, nações e línguas e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado. ^dn-3-7

**8** Por isso, nesse tempo, se chegaram alguns homens caldeus e acusaram aos judeus. ^dn-3-8

**9** Disseram ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive eternamente. ^dn-3-9

**10** Tu, ó rei, fizeste um decreto que todo o homem que ouvir o som da corneta, da flauta, da harpa, da sacabuxa, do saltério, da sinfonia e de toda sorte de música se prostrasse e adorasse a imagem de ouro. ^dn-3-10

**11** Todo aquele que não se prostrar a adorar seja lançado no meio duma fornalha de fogo ardente. ^dn-3-11

**12** Há uns judeus, que constituíste sobre os negócios da província de Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; esses homens, ó rei, não fizeram caso de ti; não servem aos teus deuses, nem adoram a imagem de ouro que levantaste. ^dn-3-12

**13** Então, Nabucodonosor, na sua raiva e fúria, mandou que fossem trazidos Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Logo, foram esses homens trazidos perante o rei. ^dn-3-13

**14** Disse-lhes Nabucodonosor: É de propósito, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não servis aos meus deuses, nem adorais a imagem que levantei? ^dn-3-14

**15** Agora, pois, se estais prontos, no momento em que ouvirdes o som da corneta, da flauta, da harpa, da sacabuxa, do saltério, da sinfonia e de toda sorte de música, para vos prostrardes e adorardes a imagem que fiz, bem está; se, porém, não adorardes, sereis, na mesma hora, lançados numa fornalha de fogo ardente. Quem é esse deus que vos livrará das minhas mãos? ^dn-3-15

**16** Responderam ao rei Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: Ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder nesse particular. ^dn-3-16

**17** Se assim for, o nosso Deus, a quem nós servimos, pode livrar-nos da fornalha de fogo ardente; e ele há de nos livrar das tuas mãos, ó rei. ^dn-3-17

**18** Mas, se não, fica tu sabendo, ó rei, que não havemos de servir aos teus deuses, nem adorar a imagem de ouro que levantaste. ^dn-3-18

**19** Então, Nabucodonosor se encheu de furor, e se mudou o aspecto do seu semblante contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; portanto, falou e ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava acender. ^dn-3-19

**20** Deu ordem a uns valentes que estavam no seu exército que atassem a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os lançassem na fornalha de fogo ardente. ^dn-3-20

**21** Então, esses homens foram ligados, vestidos de seus calções, suas túnicas, suas capas e suas outras roupas e foram lançados no meio da fornalha de fogo ardente. ^dn-3-21

**22** Visto que a ordem do rei era urgente e a fornalha estava sobremaneira acesa, as chamas do fogo mataram aqueles homens que carregaram a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. ^dn-3-22

**23** Estes três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram ligados no meio da fornalha de fogo ardente. ^dn-3-23

**24** O rei Nabucodonosor ficou espantado e levantou-se depressa; disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós no meio do fogo três homens ligados? Responderam ao rei: Verdade é, ó rei. ^dn-3-24

**25** Disse ele: Eis que eu vejo quatro homens soltos, que andam no meio do fogo e não recebem dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses. ^dn-3-25

**26** Então, chegando-se Nabucodonosor à porta da fornalha de fogo ardente, falou e disse: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde. Logo, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do meio do fogo. ^dn-3-26

**27** Os sátrapas, os deputados, os governadores e os conselheiros do rei, estando reunidos, viram estes homens, que o fogo não teve poder sobre os seus corpos, nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem sofreram mudança os seus calções, nem por eles tinha passado o cheiro de fogo. ^dn-3-27

**28** Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu Anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, os quais violaram a palavra do rei e entregaram os seus corpos, para que não servissem, nem adorassem deus algum, senão o seu Deus. ^dn-3-28

**29** Portanto, faço um decreto que todo povo, nação e língua que proferir alguma blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porque não há outro deus que possa livrar desta maneira. ^dn-3-29

**30** Então, o rei deu promoção a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na província de Babilônia. ^dn-3-30

## Capítulo 4

**1** O rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e línguas, que habitam em toda a terra, paz vos seja multiplicada. ^dn-4-1

**2** Pareceu-me bem divulgar os milagres e maravilhas que o Altíssimo Deus tem feito para comigo. ^dn-4-2

**3** Quão grandes são os seus milagres! E quão poderosas são as suas maravilhas! E o seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio se estende de geração em geração. ^dn-4-3

**4** Eu, Nabucodonosor, estava sossegado em minha casa e florescente no meu palácio. ^dn-4-4

**5** Tive um sonho que me atemorizou; e, estando eu na minha cama, os pensamentos e as visões da minha cabeça me perturbaram. ^dn-4-5

**6** Portanto, expedi um decreto que se apresentassem perante mim todos os sábios de Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho. ^dn-4-6

**7** Então, entraram os mágicos, os encantadores, os caldeus e os feiticeiros; eu contei o sonho diante deles, porém não me fizeram saber a interpretação dele. ^dn-4-7

**8** Mas, por fim, entrou na minha presença Daniel, que tem por nome Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e, diante dele, contei o sonho, dizendo: ^dn-4-8

**9** Ó Beltessazar, chefe dos mágicos, porquanto eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum segredo te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação. ^dn-4-9

**10** Desta maneira eram as visões da minha cabeça, estando eu na minha cama: eu vi, e eis uma árvore no meio da terra, e era grande a sua altura. ^dn-4-10

**11** Crescia e tornava-se forte, e a sua altura chegava até o céu, e era vista até a extremidade de toda a terra. ^dn-4-11

**12** As suas folhas eram formosas, e o seu fruto, copioso, e nela havia sustento para todos; debaixo dela, os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu pousavam nos seus ramos, e dela se sustentava toda a carne. ^dn-4-12

**13** Vi, nas visões da minha cabeça, estando eu na minha cama, e eis que um vigia, a saber, um santo, descia do céu. ^dn-4-13

**14** Ele clamou em alta voz e disse assim: Deitai abaixo a árvore, e cortai-lhe os ramos, e fazei-lhe cair as folhas, e espalhai o seu fruto; afugentem-se de debaixo dela os animais, e, dos seus ramos, as aves. ^dn-4-14

**15** Contudo, deixai na terra o tronco com as suas raízes, ligado com laço de ferro e de bronze, no meio da tenra relva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e seja a sua porção com os animais na erva da terra; ^dn-4-15

**16** mude-se-lhe o coração para que não seja mais o de homem, e seja-lhe dado o coração de animal; e passem sobre ele sete tempos. ^dn-4-16

**17** Pelo decreto dos vigias é a sentença, e pela palavra dos santos o mando, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo domina no reino dos homens, e o dá a quem quiser, e constitui sobre ele o mais humilde dos homens. ^dn-4-17

**18** Esse sonho eu, rei Nabucodonosor, o tenho visto. Tu, pois, ó Beltessazar, dize a interpretação, porquanto todos os sábios do meu reino não me podem fazer saber a interpretação; porém tu podes, porque há em ti o espírito dos deuses santos. ^dn-4-18

**19** Então, Daniel, que tinha por nome Beltessazar, ficou espantado por algum tempo, e os seus pensamentos o perturbaram. Respondeu o rei e disse: Beltessazar, não te perturbe o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar e disse: Meu senhor, seja o sonho para os que te odeiam, e a sua interpretação, para os teus adversários. ^dn-4-19

**20** A árvore que viste, a qual crescia e se tornava forte, cuja altura chegava até o céu e que era vista por toda a terra, ^dn-4-20

**21** cujas folhas eram formosas, cujo fruto copioso, e em que havia sustento para todos, debaixo da qual habitavam os animais do campo, e em cujos ramos pousavam as aves do céu, ^dn-4-21

**22** essa árvore és tu, ó rei, que tens crescido e te hás tornado forte; pois a tua grandeza tem crescido e já chega até o céu, e o teu domínio, até a extremidade da terra. ^dn-4-22

**23** Porquanto o rei viu baixar do céu um vigia, a saber, um santo que disse: Deitai abaixo a árvore, e a destrói; contudo, deixai na terra o tronco com as suas raízes, ligado com um laço de ferro e de bronze no meio da tenra relva do campo; e seja ele molhado do orvalho do céu, e seja a sua porção com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos; ^dn-4-23

**24** esta é a interpretação, ó rei, e é o decreto do Altíssimo, que é vindo sobre o rei, meu senhor: ^dn-4-24

**25** tu serás expulso dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e serás obrigado a comer feno como boi e serás molhado do orvalho do céu, e sobre ti passarão sete tempos, até que conheças que o Altíssimo domina no reino dos homens e o dá a quem quiser. ^dn-4-25

**26** Porquanto mandaram deixar o tronco com as raízes da árvore; o teu reino te ficará firme, depois que tiveres conhecido que os céus dominam. ^dn-4-26

**27** Por isso, ó rei, seja do teu agrado o meu conselho, e desfaze os teus pecados pela justiça e as tuas iniquidades, por manifestares misericórdia para com os pobres; se, porventura, houver uma prolongação da tua tranquilidade. ^dn-4-27

**28** Tudo isso veio sobre o rei Nabucodonosor. ^dn-4-28

**29** Ao cabo de doze meses, estava ele passeando no palácio real de Babilônia. ^dn-4-29

**30** Falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia, que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder e para a glória da minha majestade? ^dn-4-30

**31** Ainda estava a palavra na boca do rei, quando veio do céu uma voz, dizendo: Ó rei Nabucodonosor, a ti se diz: O reino já passou de ti. ^dn-4-31

**32** Serás expulso dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; serás obrigado a comer feno como boi, e sobre ti passarão sete tempos, até que conheças que o Altíssimo domina no reino dos homens e o dá a quem quiser. ^dn-4-32

**33** Na mesma hora, cumpriu-se a palavra sobre Nabucodonosor; foi ele expulso dentre os homens e comeu feno como boi, e foi o seu corpo molhado do orvalho do céu, até que cresceu o seu pelo como as penas das águias, e as suas unhas, como as das aves. ^dn-4-33

**34** Ao cabo dos dias, eu, Nabucodonosor, levantei ao céu os meus olhos, e tornou a mim o meu entendimento. Eu bendisse ao Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, porque o seu domínio é um domínio sempiterno, e o seu reino se estende de geração em geração. ^dn-4-34

**35** Todos os habitantes da terra são tidos como nada; ele faz conforme a sua vontade no exército do céu e entre os habitantes da terra, e não há quem possa resistir a sua mão, nem lhe dizer: Que fazes? ^dn-4-35

**36** Ao mesmo tempo, tornou a mim o meu entendimento; e, para a glória do meu reino, tornou a mim a minha majestade e resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e foi-me acrescentado excelente grandeza. ^dn-4-36

**37** Agora, eu, Nabucodonosor, louvo, e engrandeço, e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos, juízos, e ele pode humilhar os que andam na soberba. ^dn-4-37

## Capítulo 5

**1** O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes e bebeu vinho na presença desses mil. ^dn-5-1

**2** Belsazar, enquanto tomava o vinho, mandou que fossem trazidos os vasos de ouro e de prata que seu pai, Nabucodonosor, havia tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem por eles o rei e seus grandes, suas mulheres e suas concubinas. ^dn-5-2

**3** Então, trouxeram os vasos de ouro que haviam sido tirados do templo da Casa de Deus, que estava em Jerusalém, e por eles beberam o rei e seus grandes, suas mulheres e suas concubinas. ^dn-5-3

**4** Bebiam vinho e louvavam os deuses de ouro, de prata, de cobre, de ferro, de pau e de pedra. ^dn-5-4

**5** Na mesma hora, saíram os dedos de mão de homem e escreveram defronte do candeeiro na caiadura da parede do palácio real. O rei via a parte da mão que escrevia. ^dn-5-5

**6** Então, o semblante do rei se mudou, e os seus pensamentos o perturbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. ^dn-5-6

**7** O rei chamou, em alta voz, que se introduzissem os encantadores, os caldeus e os feiticeiros. Falou o rei e disse aos sábios de Babilônia: Qualquer que ler esta escritura e me mostrar a sua interpretação será vestido de púrpura, trará uma cadeia de ouro ao pescoço e terá o terceiro lugar de poder no reino. ^dn-5-7

**8** Então, entraram todos os sábios do rei; porém não puderam ler a escritura, nem fazer saber ao rei a interpretação. ^dn-5-8

**9** Nisso, ficou o rei Belsazar muito perturbado, e se lhe mudou o semblante, e os seus grandes estavam perplexos. ^dn-5-9

**10** Ora, a rainha, por causa das palavras do rei e dos seus grandes, entrou na casa de banquete; falou a rainha e disse: Ó rei, vive eternamente! Não te perturbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. ^dn-5-10

**11** No teu reino, há um homem que tem em si o espírito dos deuses santos, e, nos dias de teu pai, se acharam nele luz e entendimento, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; o rei Nabucodonosor, teu pai, o rei, digo, teu pai, fê-lo chefe dos mágicos, dos encantadores, dos caldeus e dos feiticeiros; ^dn-5-11

**12** porquanto um espírito excelente, e conhecimento, e inteligência, interpretação de sonhos, declaração de enigmas e solução de dúvidas se acharam em Daniel, a quem o rei pôs o nome de Beltessazar. Seja chamado, pois, Daniel, e ele mostrará a interpretação. ^dn-5-12

**13** Então, foi Daniel introduzido à presença do rei. Falou o rei e disse a Daniel: És tu aquele Daniel, um dos filhos do cativeiro de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? ^dn-5-13

**14** Tenho ouvido a teu respeito que há em ti o espírito dos deuses, e que se acham em ti luz, inteligência e excelente sabedoria. ^dn-5-14

**15** Agora mesmo, foram introduzidos à minha presença os sábios, os encantadores, para que lessem esta escritura e me fizessem saber a interpretação dela; porém não me puderam mostrar a interpretação da coisa. ^dn-5-15

**16** Mas tenho ouvido a teu respeito que tu podes dar interpretações e solver dúvidas. Se, pois, puderes ler a escritura e me fazer saber a interpretação dela, serás vestido de púrpura, trarás uma cadeia de ouro ao pescoço e terás o terceiro lugar de poder no reino. ^dn-5-16

**17** Então, respondeu Daniel e disse na presença do rei: Sejam para ti as tuas dádivas, e dá a outrem os teus prêmios; contudo, eu lerei ao rei a escritura e lhe farei saber a interpretação. ^dn-5-17

**18** O Altíssimo Deus, ó rei, deu a teu pai, Nabucodonosor, o reino, e grandeza, e glória, e majestade; ^dn-5-18

**19** e, por causa da grandeza que lhe deu, todos os povos, nações e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava; e a quem ele queria conservava em vida; a quem queria exaltava; e a quem queria abatia. ^dn-5-19

**20** Quando, porém, o seu coração se elevou, e o seu espírito se endureceu, de sorte que se houve arrogantemente, foi ele deposto do seu trono real, e tiraram-lhe a sua glória; ^dn-5-20

**21** e foi expulso dentre os filhos dos homens, o seu coração foi feito como o dos animais, e a sua morada era com os jumentos monteses; foi sustentado de feno, como boi, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que conheceu que o Altíssimo Deus domina no reino dos homens e a quem quiser constitui sobre ele. ^dn-5-21

**22** Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o coração, embora soubesses tudo isso; ^dn-5-22

**23** porém te elevaste contra o Senhor do céu. Trouxeram perante ti os vasos da casa dele, e por eles bebestes vinho, tu e teus grandes, tuas mulheres e tuas concubinas; e louvaste os deuses de prata, de ouro, de cobre, de ferro, de pau e de pedra, que não veem, nem ouvem, nem sabem; e ao Deus, em cuja mão está o teu fôlego e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. ^dn-5-23

**24** Então, foi a parte da mão enviada de diante dele, e foi inscrita esta escritura. ^dn-5-24

**25** Esta é a escritura que foi inscrita: MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM. ^dn-5-25

**26** Esta é a sua interpretação. MENE: Deus contou o teu reino e o acabou. ^dn-5-26

**27** TEQUEL: Pesado na balança e achado em falta. ^dn-5-27

**28** PERES: Está dividido o teu reino e entregue aos medos e aos persas. ^dn-5-28

**29** Então, Belsazar deu as suas ordens; vestiram de púrpura a Daniel e puseram-lhe ao pescoço uma cadeia de ouro, e fez-se uma proclamação a respeito dele, que tivesse o terceiro lugar de poder no reino. ^dn-5-29

**30** Naquela noite, foi morto Belsazar, rei caldeu. ^dn-5-30

**31** Dario, o medo, recebeu o reino, tendo mais ou menos sessenta e dois anos de idade. ^dn-5-31

## Capítulo 6

**1** Foi do agrado de Dario constituir sobre o reino cento e vinte sátrapas, que estivessem por todo o reino; ^dn-6-1

**2** e, sobre eles, três presidentes, dos quais Daniel era um, a fim de que esses sátrapas lhes dessem conta e que o rei não sofresse dano. ^dn-6-2

**3** Então, o mesmo Daniel sobrepujava a esses presidentes e aos sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em o constituir sobre o reino todo. ^dn-6-3

**4** Nisto os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião contra Daniel quanto ao reino; porém não puderam achar ocasião ou culpa, porquanto ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. ^dn-6-4

**5** Disseram, pois, esses homens: Não acharemos alguma ocasião contra este Daniel, se não o acharmos contra ele pelo que diz respeito à lei do seu Deus. ^dn-6-5

**6** Então, os presidentes e sátrapas foram juntos ao rei e lhe disseram assim: Ó rei Dario, vive eternamente. ^dn-6-6

**7** Todos os presidentes do rei, os deputados, os sátrapas, os conselheiros e os governadores, juntamente, tomaram conselho para estabelecer um estatuto real e fazer um interdito forte, que todo homem que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, será lançado na cova dos leões. ^dn-6-7

**8** Agora, pois, ó rei, estabelece o interdito e assina a escritura, para que não se mude, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. ^dn-6-8

**9** Por isso, o rei Dario assinou a escritura e o interdito. ^dn-6-9

**10** Quando Daniel soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, na sua câmara estavam abertas as janelas que olhavam para Jerusalém); três vezes no dia, punha-se de joelhos, e orava, e rendia ações de graças diante de seu Deus, como antes costumava fazer. ^dn-6-10

**11** Então, esses homens foram juntos e acharam a Daniel fazendo petições e súplicas diante de seu Deus. ^dn-6-11

**12** Depois, chegando-se eles, falaram na presença do rei a respeito do interdito real: Não assinaste um interdito que, durante o espaço de trinta dias, todo homem que fizesse uma petição a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei e disse: Isso é a verdade, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar. ^dn-6-12

**13** Então, responderam e disseram diante do rei: Esse Daniel, que é um dos filhos do cativeiro de Judá, não faz caso de ti, ó rei, nem do interdito que assinaste, porém três vezes no dia faz as suas petições. ^dn-6-13

**14** Tendo, pois, o rei ouvido essas palavras, ficou muito contrariado e pensou em Daniel para o livrar; e até o pôr do sol trabalhou para o salvar. ^dn-6-14

**15** Então, esses homens foram juntos ao rei e lhe disseram: Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum interdito nem estatuto, que o rei estabelecer, pode ser mudado. ^dn-6-15

**16** Nisso passou o rei as ordens, e trouxeram a Daniel e lançaram-no na cova dos leões. Ora, falou o rei e disse a Daniel: O teu Deus, a quem continuamente serves, te livrará. ^dn-6-16

**17** Uma pedra foi trazida e posta sobre a boca do covil; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus grandes, para que, no tocante a Daniel, nada se mudasse. ^dn-6-17

**18** Depois, o rei se foi para o seu palácio e passou a noite em jejum; não foram trazidos à sua presença instrumentos de música, e fugiu dele o sono. ^dn-6-18

**19** Então, o rei se levantou pela manhã, muito cedo, e foi com pressa à cova dos leões. ^dn-6-19

**20** Chegando-se ele à cova, a Daniel, clamou com voz triste; falou o rei e disse a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo, porventura, o teu Deus, a quem continuamente serves, pode livrar-te dos leões? ^dn-6-20

**21** Logo, disse Daniel ao rei: Ó rei, vive eternamente. ^dn-6-21

**22** O meu Deus enviou o seu Anjo e fechou as bocas aos leões; eles não me fizeram mal algum, porque foi achada em mim inocência diante dele; também diante de ti, ó rei, não tenho cometido delito algum. ^dn-6-22

**23** Nisso se alegrou muito o rei e ordenou que tirassem da cova a Daniel. Assim foi Daniel tirado da cova, e não se achou nele lesão alguma, porque ele havia confiado em seu Deus. ^dn-6-23

**24** O rei deu ordens, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel. Foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova, quando os leões se apoderaram deles e lhes esmigalharam todos os ossos. ^dn-6-24

**25** Então, o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! ^dn-6-25

**26** Faço um decreto que em todo o domínio do meu reino, tremam os homens e temam diante do Deus de Daniel, pois ele é o Deus vivo e que permanece para sempre; o seu reino é o que não será destruído, e o seu domínio durará até o fim. ^dn-6-26

**27** Ele livra, e salva, e faz milagres e maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou a Daniel do poder dos leões. ^dn-6-27

**28** Daniel, pois, prosperava no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa. ^dn-6-28

## Capítulo 7

**1** No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça, estando na sua cama; então, escreveu o sonho e relatou a soma das coisas. ^dn-7-1

**2** Falou Daniel e disse: Vi na minha visão noturna, e eis que os quatro ventos do céu irrompiam sobre o grande mar. ^dn-7-2

**3** Quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar. ^dn-7-3

**4** O primeiro era como um leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, ele foi levantado da terra e posto em dois pés como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. ^dn-7-4

**5** Eis outro animal, o segundo, semelhante a um urso, que se levantou sobre um dos seus lados e tinha três costelas na boca; e diziam-lhe assim: Levanta-te, devora muita carne. ^dn-7-5

**6** Depois disso, estava eu olhando, e eis outro, semelhante a um leopardo, que tinha nas costas quatro asas de ave; tinha o animal também quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. ^dn-7-6

**7** Depois disso, vi nas visões noturnas, e eis um quarto animal, terrível, e espantoso, e sobremaneira forte; tinha grandes dentes de ferro; devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que o precediam e tinha dez chifres. ^dn-7-7

**8** Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subia outro chifre, pequenino, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que nesse chifre havia olhos como olhos de homem e uma boca que falava grandes coisas. ^dn-7-8

**9** Eu estava olhando até que foram postos uns tronos, e um que era Antigo de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e os cabelos da sua cabeça, como pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e as rodas, do mesmo fogo ardente. ^dn-7-9

**10** De diante dele, manava e saía um rio de fogo; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros. ^dn-7-10

**11** Eu estava olhando nesse tempo, por causa da voz das grandes palavras que falava o chifre. Eu estava olhando até que foi morto o animal e destruído o seu corpo; e ele foi entregue para ser queimado pelo fogo. ^dn-7-11

**12** Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o seu domínio; todavia, as suas vidas foram prolongadas para uma estação e um tempo. ^dn-7-12

**13** Vi nas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como Filho do Homem, que se chegou até o Antigo de dias; foi apresentado diante dele. ^dn-7-13

**14** Foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio sempiterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. ^dn-7-14

**15** Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi contrariado no meio do meu corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram. ^dn-7-15

**16** Cheguei-me a um dos circunstantes e perguntei-lhe a verdade a respeito de tudo isso. Assim, ele me disse e fez-me saber a interpretação das coisas: ^dn-7-16

**17** Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. ^dn-7-17

**18** Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para sempre, sim, para todo o sempre. ^dn-7-18

**19** Então, tive desejo de saber a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos eles, sobremaneira terrível, cujos dentes eram de ferro, e as suas unhas, de cobre, que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava; ^dn-7-19

**20** a respeito dos dez chifres que ele tinha na cabeça e a respeito do outro chifre que subiu e diante do qual caíram três, a saber, daquele chifre que tinha olhos, e uma boca que falava grandes coisas, e pareceu ser mais robusto do que os seus companheiros. ^dn-7-20

**21** Eu estava olhando, e o mesmo chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles, ^dn-7-21

**22** até que veio o Antigo de dias, e o juízo foi dado aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino. ^dn-7-22

**23** Ele disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos, e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. ^dn-7-23

**24** Quanto aos dez chifres, deste reino se levantarão dez reis; depois deles, se levantará outro; ele será diferente dos primeiros e abaterá a três reis. ^dn-7-24

**25** Ele falará palavras contra o Altíssimo e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei, e os santos lhe serão entregues nas mãos até um tempo e tempos e metade dum tempo. ^dn-7-25

**26** Mas o juízo se assentará, e tirar-lhe-ão o domínio, para o consumir e destruir até o fim. ^dn-7-26

**27** O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; esse reino é um reino sempiterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão. ^dn-7-27

**28** Aqui é o fim do assunto. Quanto a mim, Daniel, muito me perturbaram os meus pensamentos, e o meu semblante se me mudou; mas guardei o assunto no meu coração. ^dn-7-28

## Capítulo 8

**1** No terceiro ano do reinado do rei Belsazar, apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. ^dn-8-1

**2** Eu vi na visão (ora, foi assim que, quando vi, eu estava no castelo de Susã, que é na província de Elão), vi na visão e eu estava junto ao rio Ulai. ^dn-8-2

**3** Então, levantei os meus olhos e vi, e eis que estava em pé diante do rio um carneiro que tinha dois chifres: os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. ^dn-8-3

**4** Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte, e para o sul; nenhum animal podia parar diante dele, nem havia quem os pudesse livrar do poder dele; ele, porém, fazia segundo a sua vontade e, assim, se engrandeceu. ^dn-8-4

**5** Estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre a face de toda a terra e não tocava na terra; esse bode tinha um chifre insigne entre os olhos. ^dn-8-5

**6** Viu o carneiro que tinha os dois chifres, o qual vi em pé diante do rio, e correu contra ele no furor do seu poder. ^dn-8-6

**7** Eu o vi chegar perto do carneiro e foi movido de cólera contra ele. Feriu ao carneiro e quebrou-lhe os dois chifres; não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não havia quem pudesse livrar o carneiro do poder dele. ^dn-8-7

**8** O bode se engrandeceu sobremaneira; e, estando forte, quebrou-se-lhe o grande chifre, e, em lugar dele, quatro chifres insignes saíram para os quatro ventos do céu. ^dn-8-8

**9** Dum dos chifres saiu um chifre pequeno e tornou-se muito forte para o sul, e para o oriente, e para a terra gloriosa. ^dn-8-9

**10** Tornou-se forte, até contra o exército do céu; lançou por terra alguns do exército e das estrelas e pisou-os aos pés. ^dn-8-10

**11** Sim, se engrandeceu até contra o príncipe do exército; tirou dele o holocausto perpétuo, e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. ^dn-8-11

**12** Por causa da transgressão, foi-lhe entregue o exército, juntamente com o holocausto perpétuo; lançou por terra a verdade, fez o que era do seu agrado e prosperou. ^dn-8-12

**13** Então, ouvi a um santo falar, e outro santo disse àquele que falava: Até quando durará a visão relativamente ao holocausto perpétuo e à transgressão assoladora, visão na qual são entregues tanto o santuário como o exército para serem pisados aos pés? ^dn-8-13

**14** Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então, o santuário será purificado. ^dn-8-14

**15** Quando eu, sim, eu, Daniel, tinha visto a visão, procurei entendê-la; e eis que se me apresentou diante uma como aparência de homem. ^dn-8-15

**16** Ouvi uma voz de homem entre as margens de Ulai, a qual gritou e disse: Gabriel, faze que este homem entenda a visão. ^dn-8-16

**17** Veio, pois, perto do lugar em que eu estava; quando ele veio, fiquei amedrontado e prostrei-me com o rosto em terra. Porém ele me disse: Entende, filho do homem, pois a visão pertence ao tempo do fim. ^dn-8-17

**18** Ora, enquanto ele falava comigo, caí num profundo sono, tendo o meu rosto virado para a terra; ele, porém, me tocou, pôs-me em pé ^dn-8-18

**19** e disse: Eis que te farei saber o que há de acontecer nos últimos dias da indignação, porque pertence ao tempo determinado do fim. ^dn-8-19

**20** O carneiro que tu viste, que tinha dois chifres, estes são os reis da Média e da Pérsia. ^dn-8-20

**21** O bode peludo é o rei da Grécia; e o chifre grande que ele tem entre os olhos é o primeiro rei. ^dn-8-21

**22** Quanto ao chifre que se quebrou e em cujo lugar se levantaram quatro, levantar-se-ão da nação quatro reinos, porém não com a força dele. ^dn-8-22

**23** Nos últimos dias dos seus reinos, quando os transgressores tiverem chegado ao auge, levantar-se-á um rei, feroz de cara e entendedor de enigmas. ^dn-8-23

**24** Grande será a sua força, porém não será de si mesmo; ele destruirá maravilhosamente, prosperará, fará o que quiser e destruirá os poderosos e o povo santo. ^dn-8-24

**25** Pela sua sutileza, fará prosperar o engano na sua mão, e no seu coração se engrandecerá, e destruirá muitos que vivem em segurança; levantar-se-á contra o príncipe dos príncipes; porém será quebrado sem intervir mão de homem. ^dn-8-25

**26** A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira. Por isso, encerra tu a visão, pois será para muitos dias. ^dn-8-26

**27** Eu, Daniel, desmaiei e fiquei doente por alguns dias; depois, me levantei e tratei dos negócios do rei. Eu estava espantado da visão, porém não havia quem a entendesse. ^dn-8-27

## Capítulo 9

**1** No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da raça dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, ^dn-9-1

**2** no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros o número dos anos, a saber, setenta anos, de que falou a palavra de Jeová ao profeta Jeremias, em que se haviam de cumprir as desolações de Jerusalém. ^dn-9-2

**3** Voltei o meu rosto para o Senhor Deus, a fim de implorar com oração e súplicas, em jejum, e saco, e cinza. ^dn-9-3

**4** Orei a Jeová, meu Deus, confessei e disse: Ó Senhor, Deus grande e terrível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e observam os teus mandamentos; ^dn-9-4

**5** temos pecado, temo-nos havido perversamente, procedido impiamente e nos temos rebelado, desviando-nos dos teus preceitos e dos teus juízos; ^dn-9-5

**6** nem temos escutado os teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, e aos nossos príncipes, e a nossos pais, e a todo o povo da terra. ^dn-9-6

**7** Ó Senhor, a ti pertence a justiça, porém a nós, confusão de rosto, como hoje se vê, aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, que estão perto e que estão longe, em todos os países para onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti. ^dn-9-7

**8** Ó Jeová, a nós pertence confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes e a nossos pais, porque temos pecado contra ti. ^dn-9-8

**9** Ao Senhor, nosso Deus, pertencem as misericórdias e os perdões, porque nos temos rebelado contra ele, ^dn-9-9

**10** nem temos obedecido à voz de Jeová, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos propôs pelos seus servos, os profetas. ^dn-9-10

**11** Todos os de Israel têm transgredido a tua lei, desviando-se, para não obedecerem à tua voz; por isso, tem sido a maldição derramada sobre nós e bem assim o juramento que está escrito na lei de Moisés, servo de Deus, porque temos pecado contra ele. ^dn-9-11

**12** Ele acaba de confirmar as suas palavras, que falou contra nós e contra os nossos juízes que nos julgaram, trazendo sobre nós um grande mal; pois, debaixo de todo o céu, nunca se fez o que se tem feito a Jerusalém. ^dn-9-12

**13** Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos é sobrevindo; contudo, não temos implorado o favor de Jeová, nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades e termos discernimento na tua verdade. ^dn-9-13

**14** Jeová vigiou sobre o mal e o trouxe sobre nós, pois Jeová, nosso Deus, é justo em todas as obras que faz, e nós não temos obedecido à sua voz. ^dn-9-14

**15** Agora, Senhor, nosso Deus, que tiraste ao teu povo, com mão poderosa, da terra do Egito e adquiriste para ti renome, como hoje se vê; temos pecado, temos procedido impiamente. ^dn-9-15

**16** Ó Senhor, segundo toda a tua justiça, apartem-se da tua cidade Jerusalém, teu santo monte, a tua ira e o teu furor, pois, por causa dos nossos pecados e por causa das iniquidades de nossos pais, servem de opróbrio Jerusalém e o teu povo a todos os que nos rodeiam. ^dn-9-16

**17** Agora, pois, Deus nosso, escuta a oração do teu servo e as suas súplicas e, por amor do Senhor, faze brilhar o teu rosto sobre o teu santuário, que está desolado. ^dn-9-17

**18** Inclina, Deus meu, os teus ouvidos e ouve; abre os teus olhos e contempla as nossas desolações e a cidade que é chamada do teu nome; pois não é por causa das nossas justiças que apresentamos perante ti as nossas súplicas, mas por causa das tuas grandes misericórdias. ^dn-9-18

**19** Ó Senhor, perdoa; ó Senhor, escuta e põe mãos à obra; não te demores, por amor de ti mesmo, Deus meu, porque a tua cidade e o teu povo são chamados do teu nome. ^dn-9-19

**20** Estando eu ainda falando, e orando, e confessando o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e apresentando as minhas súplicas diante de Jeová, meu Deus, a favor do santo monte do meu Deus; ^dn-9-20

**21** sim, estando eu falando em oração, o varão Gabriel, que eu tinha visto ao princípio na visão, enviado a voar rapidamente, tocou-me mais ou menos ao tempo da oblação da tarde. ^dn-9-21

**22** Ele me instruiu, falou comigo e disse: Ó Daniel, saí agora mesmo para te dar discernimento. ^dn-9-22

**23** No princípio das tuas súplicas saiu o mandamento, e eu sou vindo para te informar, pois és muito amado. Portanto, considera tu a coisa e entende a visão. ^dn-9-23

**24** Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade para consumir a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e profecia e para ungir o santíssimo. ^dn-9-24

**25** Sabe, pois, e entende que desde a saída da palavra para restaurar e para edificar a Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas; e em sessenta e duas semanas estará reedificada com rua e fosso em tempos angustiosos. ^dn-9-25

**26** Depois de sessenta e duas semanas, será exterminado o Ungido e não terá nada; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário; ele acabará num dilúvio, e até o fim haverá guerra; desolações são determinadas. ^dn-9-26

**27** Ele fará uma firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oblação; sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a consumação, que é determinada, será derramada ira sobre o assolador. ^dn-9-27

## Capítulo 10

**1** No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, uma coisa foi revelada a Daniel, que se chamava Beltessazar, e a coisa era verdadeira, a saber, uma grande guerra; ele entendeu a coisa e teve entendimento da visão. ^dn-10-1

**2** Naqueles dias, eu, Daniel, pranteava três semanas inteiras. ^dn-10-2

**3** Não comi pão algum agradável, nem entrou na minha boca carne nem vinho, nem me untei de óleo algum, até que se cumpriram as três semanas inteiras. ^dn-10-3

**4** No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu ao lado do grande rio, que é Tigre, ^dn-10-4

**5** levantei os meus olhos e olhei, e eis um homem vestido de linho e cingido pelos lombos com um cinto de ouro puro de Ufaz; ^dn-10-5

**6** também o seu corpo era como o berilo, e o seu rosto, como a aparência de relâmpago, e os seus olhos, como lâmpadas de fogo, e os seus braços e os seus pés, de cor semelhante ao cobre polido, e o som das suas palavras, como o som duma multidão. ^dn-10-6

**7** Só eu, Daniel, vi a visão. Pois os homens que estavam comigo não a viram; mas sobre eles caiu um grande temor, e fugiram para se esconder. ^dn-10-7

**8** Fui, pois, deixado sozinho, e vi essa grande visão, e não ficou força em mim; porque se mudou em mim a minha formosura em corrupção, e não retive força alguma. ^dn-10-8

**9** Contudo, ouvi o som das suas palavras; quando ouvi o som das suas palavras, já tinha caído com o rosto em terra num profundo sono. ^dn-10-9

**10** Eis que uma mão me tocou e fez-me levantar até ficar sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. ^dn-10-10

**11** Ele me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que vou te dizer e levanta-te em pé, pois a ti sou enviado. Tendo ele proferido essa palavra a mim, pus-me em pé, tremendo. ^dn-10-11

**12** Então, me disse: Não tenhas medo, Daniel; porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a entender e a humilhar-te diante de teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras, e sou vindo por causa das tuas palavras. ^dn-10-12

**13** Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para me ajudar; e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. ^dn-10-13

**14** Agora, sou vindo para te fazer entender o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias; pois a visão ainda está para muitos dias. ^dn-10-14

**15** Tendo ele falado comigo segundo estas palavras, abaixei o meu rosto para a terra e fiquei calado. ^dn-10-15

**16** Eis que um que tinha a semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios; então, abri a minha boca, e falei, e disse ao que estava em pé diante de mim: Meu senhor, por causa da visão, apoderam-se de mim as minhas dores, e não retenho força alguma. ^dn-10-16

**17** Pois como pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, logo não ficou em mim força alguma, e não me foi deixado fôlego. ^dn-10-17

**18** Então, tornou a me tocar um que tinha a aparência dum homem e me confortou. ^dn-10-18

**19** Disse: Não tenhas medo, homem muito amado; paz seja contigo, esforça-te, sim, esforça-te. Quando ele me falou, fiquei fortalecido e disse: Fala, meu senhor, porque me confortaste. ^dn-10-19

**20** Então, ele disse: Sabes porque eu vim a ti? Agora voltarei a pelejar contra o príncipe da Pérsia; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. ^dn-10-20

**21** Mas eu te anunciarei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra estes, senão Miguel, vosso príncipe. ^dn-10-21

## Capítulo 11

**1** Quanto a mim, no primeiro ano de Dario, o medo, pôs-me em pé para o confirmar e fortalecer. ^dn-11-1

**2** Agora, eu te mostrarei a verdade. Eis que se levantarão três reis na Pérsia; e o quarto será muito mais rico do que todos eles. Depois que se tiver tornado forte por meio das suas riquezas, concitará a todos contra o reino da Grécia. ^dn-11-2

**3** Levantar-se-á um rei poderoso, que reinará com grande domínio e fará o que lhe aprouver. ^dn-11-3

**4** Quando se levantar, o seu reino será quebrado e se repartirá para os quatro ventos do céu, porém não para a sua posteridade, nem segundo o seu domínio com que reinou; porque o seu reino será arrancado até para outros fora destes. ^dn-11-4

**5** O rei do Sul será forte, como também um dos seus príncipes; este será mais forte do que ele e terá o domínio; o domínio grande será o seu domínio. ^dn-11-5

**6** Ao cabo de anos, eles se aliarão um com o outro; e a filha do rei do Sul virá ao rei do Norte para ajustar um acordo. Ela, porém, não reterá a força do seu braço, nem subsistirá ele, nem o seu braço. Mas será ela entregue, e bem assim os que a trouxeram, e o que a gerou, e o que a fortaleceu nesses tempos. ^dn-11-6

**7** Mas de um rebento das raízes dela um se levantará no seu lugar, e virá ao exército, e entrará na fortaleza do rei do Norte, e procederá contra eles, e prevalecerá. ^dn-11-7

**8** Também os deuses deles, juntamente com as suas imagens fundidas e com os seus vasos preciosos de prata e de ouro, ele os levará cativos para o Egito; por alguns anos, deixará em paz ao rei do Norte. ^dn-11-8

**9** Este entrará no reino do rei do Sul, mas voltará para a sua terra. ^dn-11-9

**10** Seus filhos farão guerra e congregarão uma multidão de grandes forças, que avançará, inundará e passará para adiante; eles voltarão e farão guerra, até chegarem à fortaleza dele. ^dn-11-10

**11** O rei do Sul será movido de cólera, sairá e pelejará contra ele, a saber, contra o rei do Norte; este porá em campo uma grande multidão, e a multidão será entregue nas mãos daquele. ^dn-11-11

**12** A multidão será levada, e o coração dele será exaltado; ele derrubará miríades, porém não prevalecerá. ^dn-11-12

**13** O rei do Norte voltará e porá em campo uma multidão maior do que a primeira; e marchará ao cabo dos tempos, a saber, dos anos, com um grande exército e com muito material. ^dn-11-13

**14** Naqueles tempos, se levantarão muitos contra o rei do Sul; também os violentos dentre o teu povo se levantarão para estabelecer a visão, porém eles cairão. ^dn-11-14

**15** Assim, virá o rei do Norte, levantará um terrapleno e tomará uma cidade bem fortificada; os braços do Sul não resistirão, nem o seu povo escolhido, nem haverá força para resistir. ^dn-11-15

**16** O que, porém, vier contra ele fará o que lhe aprouver, e não haverá quem lhe possa resistir; estará na terra gloriosa, e na sua mão haverá destruição. ^dn-11-16

**17** Resolverá vir com a potência de todo o seu reino e entrará num acordo com ele; dar-lhe-á a filha de mulheres para ele a corromper. Porém ela não subsistirá, nem será para ele. ^dn-11-17

**18** Depois, virará o seu rosto para as ilhas e tomará muitas; mas um príncipe fará cessar o opróbrio que por ele é ocasionado; além disso fará tornar sobre ele o opróbrio. ^dn-11-18

**19** Então, voltará o seu rosto para as fortalezas da sua terra; mas tropeçará, e cairá, e não será achado. ^dn-11-19

**20** Depois, em lugar dele, se levantará um que fará a um exator passar pela glória do reino; porém, dentro de poucos dias, será ele destruído, não em ira nem em batalha. ^dn-11-20

**21** Em seu lugar, se levantará um homem desprezível, a quem eles não haviam dado a honra do reino; mas virá em tempo de segurança e, com lisonja, obterá o reino. ^dn-11-21

**22** Com os braços duma inundação, serão varridos de diante dele e serão quebrantados, também o príncipe da aliança. ^dn-11-22

**23** Depois de feita com ele a aliança, usará de engano; pois subirá e se tornará forte, com pouca gente. ^dn-11-23

**24** Em tempo de segurança, virá sobre os lugares mais férteis da província; e fará o que nunca fizeram seus pais, nem os pais de seus pais; espalhará entre eles a presa, os despojos e os bens; formará os seus desígnios contra os lugares fortes, por algum tempo. ^dn-11-24

**25** Despertará o seu poder e a sua coragem contra o rei do Sul com um grande exército; o rei do Sul sairá à batalha com um exército em extremo grande e poderoso, porém não subsistirá, porque formarão desígnios contra ele. ^dn-11-25

**26** Os que comerem o pão dele o destruirão; o seu exército inundará, e muitos cairão mortos. ^dn-11-26

**27** Quanto a ambos esses reis, terão intenção de fazerem o mal e, sentados à mesma mesa, falarão mentiras. Porém isso não prosperará, porque ainda virá o fim no tempo determinado. ^dn-11-27

**28** Então, voltará para a sua terra com muitos bens; o seu coração será posto contra a santa aliança, fará o que lhe aprouver e voltará para a sua terra. ^dn-11-28

**29** Ao tempo determinado voltará, e entrará no Sul; porém não sucederá na última como na primeira ocasião. ^dn-11-29

**30** Virão contra ele naus de Quitim; portanto, será contrariado e voltará. Indignar-se-á contra a santa aliança e fará o que lhe aprouver; até tornará a vir e atenderá aos que abandonarem a santa aliança. ^dn-11-30

**31** Estarão braços do lado dele e profanarão o santuário, a saber, a fortaleza, e tirarão o holocausto perpétuo e estabelecerão a abominação que assola. ^dn-11-31

**32** Com lisonjas, perverterá os que procederem impiamente contra a aliança; mas o povo que conhecer ao seu Deus se tornará forte e fará proezas. ^dn-11-32

**33** Os que forem sábios entre o povo ensinarão a muitos; contudo, por muitos dias, cairão pela espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo despojo. ^dn-11-33

**34** Ora, quando caírem, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos, com lisonjas, se ajuntarão a eles. ^dn-11-34

**35** Alguns dos que são sábios cairão, para os acrisolar, purificar e embranquecer até o tempo do fim; pois ainda será para o tempo determinado. ^dn-11-35

**36** O rei fará como lhe der na vontade; exaltar-se-á, e se engrandecerá sobre todo o deus, e falará coisas maravilhosas contra o Deus dos deuses, e prosperará até que se cumpra a indignação; pois se fará o que está determinado. ^dn-11-36

**37** Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem fará caso de deus algum; pois sobre tudo se engrandecerá. ^dn-11-37

**38** Mas no seu lugar honrará ao deus de fortalezas; e a um deus que seus pais não conheceram, ele o honrará com ouro, e prata, e pedras preciosas, e coisas agradáveis. ^dn-11-38

**39** Com o auxílio dum deus estranho, tratará das mais poderosas fortalezas e a todos os que o reconhecerem aumentará de glória; fá-los-á reinar sobre muitos e repartirá a terra por preço. ^dn-11-39

**40** No tempo do fim, contenderá com ele o rei do Sul. O rei do Norte virá como turbilhão contra ele, com carros, e com cavaleiros, e com muitas naus; entrará nos países, e inundará, e passará. ^dn-11-40

**41** Também entrará na terra gloriosa, e muitos países serão subvertidos; mas da sua mão serão libertados estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom. ^dn-11-41

**42** Estenderá a sua mão também contra os países, e a terra do Egito não escapará. ^dn-11-42

**43** Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do Egito; os líbios e os etíopes o seguirão. ^dn-11-43

**44** Mas novas vindas do Oriente e do Norte o perturbarão; e sairão com grande fúria para destruir e extirpar a muitos. ^dn-11-44

**45** Armará as tendas do seu palácio entre o mar e o glorioso monte santo; contudo, virá ao seu fim, e ninguém lhe dará auxílio. ^dn-11-45

## Capítulo 12

**1** Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve desde que existiu nação até aquele tempo. Naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. ^dn-12-1

**2** Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, e outros, para a vergonha e confusão sempiterna. ^dn-12-2

**3** Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas para todo o sempre. ^dn-12-3

**4** Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até o tempo do fim; muitos correrão duma para outra parte, e a ciência se multiplicará. ^dn-12-4

**5** Então, eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um duma banda, à beira do rio, e o outro da outra banda, à beira do rio. ^dn-12-5

**6** Perguntou-se ao homem vestido de linho, que estava por cima das águas do rio: Quanto tempo haverá até o fim dessas maravilhas? ^dn-12-6

**7** Eu ouvi o homem vestido de linho, que estava por cima das águas do rio, quando levantou ao céu a sua mão direita e a mão esquerda e jurou, por aquele que vive eternamente, que isso seria para um tempo, e tempos, e metade dum tempo; quando tiverem acabado de despedaçar o poder do povo santo, cumprir-se-ão todas essas coisas. ^dn-12-7

**8** Eu ouvi, porém não entendi; então, disse eu: Meu senhor, qual será o fim dessas coisas? ^dn-12-8

**9** Ele respondeu: Vai-te, Daniel, pois as palavras estão fechadas e seladas até o tempo do fim. ^dn-12-9

**10** Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente. Nenhum dos ímpios entenderá; porém os que forem sábios entenderão. ^dn-12-10

**11** Desde o tempo em que o holocausto perpétuo for tirado e a abominação que assola for estabelecida, haverá mil e duzentos e noventa dias. ^dn-12-11

**12** Bem-aventurado é o que espera e chega aos mil e trezentos e trinta e cinco dias. ^dn-12-12

**13** Tu, porém, vai-te, até que chegue o fim; pois descansarás e estarás na tua sorte, ao fim dos dias. ^dn-12-13
