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title: "Lamentações de Jeremias (Almeida Revista e Corrigida 1911)"
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# Lamentações de Jeremias

## Capítulo 1

**1** Como assim solitaria está assentada aquella cidade, d'antes tão populosa! tornou-se como viuva; a que foi grande entre as nações, como a princeza entre as provincias, tornou-se tributaria! ^lm-1-1

**2** Continuamente chora de noite, e as suas lagrimas estão correndo pelas suas faces; não tem quem a console entre todos os seus amadores: todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ella, se lhe tornaram inimigos. ^lm-1-2

**3** Judah passou em captiveiro por causa da afflicção, e por causa da grandeza da sua servidão: ella habita entre as nações, não acha descanço: todos os seus perseguidores a alcançam entre as angustias. ^lm-1-3

**4** Os caminhos de Sião pranteam, porque não ha quem venha á solemnidade; todas as suas portas estão assoladas; os seus sacerdotes suspiram: as suas virgens estão tristes, e ella mesma tem amargura. ^lm-1-4

**5** Os seus adversarios se lhe fizeram cabeça, os seus inimigos prosperam; porque o Senhor a entristeceu, por causa da multidão das suas prevaricações: os seus filhinhos vão em captiveiro adiante do adversario. ^lm-1-5

**6** E da filha de Sião foi-se toda a sua gloria: os seus principes ficaram sendo como veados que não acham pasto e caminham sem força adiante do perseguidor. ^lm-1-6

**7** Lembrou-se Jerusalem nos dias da sua afflicção, e das suas rebelliões, de todas as suas mais queridas coisas, que tivera dos tempos antigos: quando cahia o seu povo na mão do adversario, e ella não tinha quem a soccorresse, os adversarios a viram, e fizeram escarneo dos seus sabbados. ^lm-1-7

**8** Jerusalem gravemente peccou, por isso se fez instavel: todos os que a honravam, a desprezaram, porque viram a sua nudez; ella tambem suspirou e se voltou para traz. ^lm-1-8

**9** A sua immundicia está nas suas fraldas, nunca se lembrou do seu fim: por isso foi pasmosamente abatida, não tem consolador; vê, Senhor, a minha afflicção, porque o inimigo se engrandece. ^lm-1-9

**10** Estendeu o adversario a sua mão a todas as coisas mais preciosas d'ella; pois já viu ter entrado no seu sanctuario as nações ácerca das quaes mandaste que não entrassem na tua congregação. ^lm-1-10

**11** Todo o seu povo anda suspirando, buscando o pão, deram as suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para refrescarem a alma: vê, Senhor, e contempla, que sou desprezivel. ^lm-1-11

**12** Porventura não vos toca a todos os que passaes pelo caminho? attendei, e vêde, se ha dôr como a minha dôr, que se me fez a mim, com que me entristeceu o Senhor, no dia do furor da sua ira ^lm-1-12

**13** Desde o alto enviou um fogo em meus ossos, o qual se assenhoreou: estendeu uma rede aos meus pés, fez-me voltar para traz, fez-me assolada e enferma todo o dia. ^lm-1-13

**14** Já o jugo das minhas prevaricações está atado pela sua mão, estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço, prostrou a minha força: entregou-me o Senhor nas mãos dos inimigos, não posso levantar-me. ^lm-1-14

**15** O Senhor atropellou todos os meus valentes no meio de mim; apregoou contra mim um ajuntamento, para quebrantar os meus mancebos: o Senhor pisou como n'um lagar a virgem filha de Judah. ^lm-1-15

**16** Por estas coisas eu ando chorando, e o meu olho, o meu olho se desfaz em aguas; porque se alongou de mim o consolador que devia restaurar a minha alma: os meus filhos estão assolados, porque prevaleceu o inimigo. ^lm-1-16

**17** Estende Sião as suas mãos, não ha quem a console: mandou o Senhor ácerca de Jacob que lhe fossem inimigos os que estão em redor d'elle; Jerusalem é como uma mulher immunda. ^lm-1-17

**18** Justo é o Senhor, pois me rebellei contra a sua bocca: ouvi, pois, todos os povos, e vêde a minha dôr; as minhas virgens e os meus mancebos se foram para o captiveiro. ^lm-1-18

**19** Chamei os meus amadores, porém elles me enganaram: os meus sacerdotes e os meus anciãos expiraram na cidade; porque buscavam para si mantimento, para refrescarem a sua alma. ^lm-1-19

**20** Olha, Senhor, porque estou angustiada; turbadas estão as minhas entranhas, o meu coração está transtornado no meio de mim, porque gravemente me rebellei: de fóra me desfilhou a espada, de dentro está a morte ^lm-1-20

**21** Bem ouvem que eu suspiro, porém não tenho quem me console: todos os meus inimigos que ouviram o meu mal folgam, porque tu o fizeste: trazendo tu o dia que apregoaste, então serão como eu. ^lm-1-21

**22** Venha todo o seu mal diante de ti, e faze-lhes como me fizeste a mim por causa de todas as minhas prevaricações; porque os meus suspiros são muitos, e o meu coração está desfallecido.  ^lm-1-22

## Capítulo 2

**1** Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião? derribou do céu á terra a gloria de Israel, e não se lembrou do escabello de seus pés, no dia da sua ira. ^lm-2-1

**2** Devorou o Senhor todas as moradas de Jacob, e não se apiedou: derribou no seu furor as fortalezas da filha de Judah, e as achegou á terra: profanou o reino e os seus principes. ^lm-2-2

**3** Cortou no furor da sua ira toda a força de Israel: retirou para traz a sua dextra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacob, como labareda de fogo que consome em redor. ^lm-2-3

**4** Armou o seu arco como inimigo: firmou a sua dextra como adversario, e matou tudo o que era formoso á vista; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião. ^lm-2-4

**5** Tornou-se o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou a todos os seus palacios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judah a lamentação e tristeza. ^lm-2-5

**6** E arrancou a sua cabana com violencia, como a de uma horta, e destruiu a sua congregação: o Senhor em Sião poz em esquecimento a solemnidade e o sabbado, e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote. ^lm-2-6

**7** Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu sanctuario; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palacios: levantaram grita na casa do Senhor, como em dia de solemnidade. ^lm-2-7

**8** Intentou o Senhor destruir o muro da filha de Sião: já estendeu o cordel sobre elle, não retirou a sua mão de devorar; já fez gemer o antemuro e o muro juntamente, já estão enfraquecidos. ^lm-2-8

**9** Já subverteram as suas portas, destruiu e quebrou os seus ferrolhos: estão entre as nações o seu rei e os seus principes: já não ha lei, nem acham visão alguma do Senhor os seus prophetas. ^lm-2-9

**10** Estão assentados por terra, estão calados os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre as suas cabeças, cingiram saccos: as virgens de Jerusalem abaixam as suas cabeças até á terra. ^lm-2-10

**11** Já se consumiram os meus olhos com lagrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu figado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfallecem o menino e a creança de mama pelas ruas da cidade. ^lm-2-11

**12** A suas mães dizem: Onde ha trigo e vinho? quando desfallecem como o ferido pelas ruas da cidade, derramando-se a sua alma no regaço de suas mães. ^lm-2-12

**13** Que testemunho te trarei? a quem te compararei, ó filha de Jerusalem? a quem te assimilharei, para te consolar a ti, ó virgem filha de Sião? porque grande é como o mar a tua quebradura; quem te sarará? ^lm-2-13

**14** Os teus prophetas virão para ti, vaidade e loucura, e não manifestaram a tua maldade, para desviarem o teu captiveiro: antes viram para ti cargas vãs e expulsões. ^lm-2-14

**15** Todos os que passam pelo caminho palmeiam sobre ti com as mãos, assobiam e meneiam as suas cabeças, sobre a filha de Jerusalem, dizendo: É esta a cidade de que se dizia: Perfeita é em formosura, o gozo de toda a terra. ^lm-2-15

**16** Todos os teus inimigos abrem as suas boccas sobre ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Já a temos devorado; pois este é o dia que esperavamos; já o achámos, já o vimos. ^lm-2-16

**17** Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a sua palavra, que mandára desde os dias da antiguidade: derrubou, e não se apiedou; e alegrou o inimigo sobre ti, exaltou o poder dos teus adversarios. ^lm-2-17

**18** O coração d'elles clamou ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião: derrama lagrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanço, nem parem as meninas de teus olhos. ^lm-2-18

**19** Levanta-te, dá vozes de noite no principio das velas; derrama o teu coração como aguas diante da face do Senhor: levanta a elle as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfallecem de fome á entrada de todas as ruas ^lm-2-19

**20** Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste de tal modo: porventura comerão as mulheres o fructo das suas entranhas, as creanças que trazem nos braços? ou matar-se-ha no sanctuario do Senhor o sacerdote e o propheta? ^lm-2-20

**21** Jazem em terra pelas ruas o moço e o velho, as minhas virgens e os meus mancebos vieram a cair á espada: tu os mataste no dia da tua ira; degolaste e não te apiedaste. ^lm-2-21

**22** Convocaste os meus temores em redor como n'um dia de solemnidade; nem houve alguem no dia da ira do Senhor que escapasse, nem quem ficasse: aos que trouxe nas mãos e sustentei o meu inimigo os consumiu.  ^lm-2-22

## Capítulo 3

**1** Eu sou aquelle homem que viu a afflicção pela vara do seu furor. ^lm-3-1

**2** A mim me guiou e levou ás trevas e não á luz. ^lm-3-2

**3** Devéras se tornou contra mim e virou a sua mão todo o dia. ^lm-3-3

**4** Fez envelhecer a minha carne e a minha pelle, quebrantou os meus ossos. ^lm-3-4

**5** Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho. ^lm-3-5

**6** Assentou-me em logares tenebrosos, como os que estavam mortos ha muito. ^lm-3-6

**7** Cercou-me de sebe, e não posso sair: aggravou os meus grilhões. ^lm-3-7

**8** Ainda quando clamo e grito, elle exclue a minha oração. ^lm-3-8

**9** Cercou de sebe os meus caminhos com pedras lavradas, divertiu as minhas veredas. ^lm-3-9

**10** Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos. ^lm-3-10

**11** Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. ^lm-3-11

**12** Armou o seu arco, e me poz como alvo á frecha. ^lm-3-12

**13** Faz entrar nos meus rins as frechas da sua aljava. ^lm-3-13

**14** Fui feito um objecto de escarneo a todo o meu povo, de canção sua todo o dia. ^lm-3-14

**15** Fartou-me de amarguras, embriagou-me de absintho. ^lm-3-15

**16** Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes; abaixou-me na cinza. ^lm-3-16

**17** E affastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem. ^lm-3-17

**18** Então disse eu: Já pereceu a minha força, como tambem a minha esperança no Senhor. ^lm-3-18

**19** Lembra-te da minha afflicção e do meu pranto, do absintho e do fel. ^lm-3-19

**20** Minha alma certamente d'isto se lembra, e se abate em mim. ^lm-3-20

**21** D'isto me recordarei no meu coração; por isso esperarei. ^lm-3-21

**22** As misericordias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericordias não teem fim. ^lm-3-22

**23** Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. ^lm-3-23

**24** A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei n'elle. ^lm-3-24

**25** Bom é o Senhor para os que se ateem a elle, para a alma que o busca. ^lm-3-25

**26** Bom é esperar, e aguardar em silencio a salvação do Senhor. ^lm-3-26

**27** Bom é para o homem levar o jugo na sua mocidade. ^lm-3-27

**28** Assentar-se-ha solitario, e ficará em silencio; porquanto Deus o poz sobre elle. ^lm-3-28

**29** Ponha a sua bocca no pó, dizendo: Porventura haverá esperança. ^lm-3-29

**30** Dê a sua face ao que o fere; farte-se de affronta. ^lm-3-30

**31** Porque o Senhor não rejeitará para sempre. ^lm-3-31

**32** Antes, se entristeceu a alguem, compadecer-se-ha d'elle, segundo a grandeza das suas misericordias. ^lm-3-32

**33** Porque não afflige nem entristece aos filhos dos homens do seu coração. ^lm-3-33

**34** Para atropellar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra. ^lm-3-34

**35** Para perverter o direito do homem perante a face do Altissimo. ^lm-3-35

**36** Para subverter ao homem no seu pleito; porventura não o veria o Senhor? ^lm-3-36

**37** Quem é aquelle que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? ^lm-3-37

**38** Porventura da bocca do Altissimo não sae o mal e o bem? ^lm-3-38

**39** De que se queixa logo o homem vivente? queixe-se cada um dos seus peccados. ^lm-3-39

**40** Esquadrinhemos os nossos caminhos, e investiguemol-os, e voltemos para o Senhor. ^lm-3-40

**41** Levantemos os nossos corações com as mãos a Deus nos céus, dizendo: ^lm-3-41

**42** Nós prevaricámos, e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste. ^lm-3-42

**43** Cobriste-nos da tua ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste. ^lm-3-43

**44** Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. ^lm-3-44

**45** Por cisco e rejeitamento nos pozeste no meio dos povos. ^lm-3-45

**46** Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua bocca. ^lm-3-46

**47** Temor e cova vieram sobre nós, assolação e quebrantamento. ^lm-3-47

**48** Correntes de aguas derramou o meu olho pelo quebrantamento da filha do meu povo. ^lm-3-48

**49** O meu olho manou, e não cessa, porquanto não ha descanço, ^lm-3-49

**50** Até que attente e veja o Senhor desde os céus. ^lm-3-50

**51** O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade. ^lm-3-51

**52** Como ave me caçaram os que são meus inimigos sem causa. ^lm-3-52

**53** Arrancaram a minha vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim. ^lm-3-53

**54** Derramaram-se as aguas sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. ^lm-3-54

**55** Invoquei o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova. ^lm-3-55

**56** Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. ^lm-3-56

**57** Tu te chegaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas. ^lm-3-57

**58** Pleiteaste, Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a minha vida. ^lm-3-58

**59** Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa. ^lm-3-59

**60** Viste toda a sua vingança, todos os seus pensamentos contra mim. ^lm-3-60

**61** Ouviste o seu opprobrio, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim, ^lm-3-61

**62** Os ditos dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra mim todo o dia. ^lm-3-62

**63** Observa-os a elles ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua canção. ^lm-3-63

**64** Rende-lhes recompensa, Senhor, conforme a obra das suas mãos. ^lm-3-64

**65** Dá-lhes ancia de coração, maldição tua sobre elles. ^lm-3-65

**66** Na tua ira persegue-os, e desfal-os de debaixo dos céus do Senhor.  ^lm-3-66

## Capítulo 4

**1** Como se escureceu o oiro! como se mudou o oiro fino e bom! como estão espalhadas as pedras do sanctuario ao canto de todas as ruas! ^lm-4-1

**2** Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro oiro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro! ^lm-4-2

**3** Até as vaccas marinhas abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; porém a filha do meu povo fez-se cruel como as abestruzes no deserto. ^lm-4-3

**4** A lingua do mesmo que mama de sêde fica pegada ao seu paladar: os meninos pedem pão, e não ha quem lh'o reparta. ^lm-4-4

**5** Os que comiam delicadezas agora desfallecem nas ruas: os que se crearam em carmezim abraçam o esterco. ^lm-4-5

**6** E maior é a maldade da filha do meu povo do que o peccado de Sodoma, a qual se subverteu como n'um momento, sem que trabalhassem n'ella mãos algumas. ^lm-4-6

**7** Os seus nazireos eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubis, e mais lisos do que a saphira. ^lm-4-7

**8** Mas agora escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas: a sua pelle se lhes pegou aos ossos, seccou-se, tornou-se como um pau. ^lm-4-8

**9** Os mortos á espada mais ditosos são do que os mortos á fome; porque estes se esgotam como traspassados, por falta dos fructos dos campos. ^lm-4-9

**10** As mãos das mulheres compassivas cozeram seus filhos: serviram-lhes de comida no quebrantamento da filha do meu povo. ^lm-4-10

**11** Deu o Senhor cumprimento ao seu furor: derramou o ardor da sua ira, e accendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos. ^lm-4-11

**12** Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversario e o inimigo pelas portas de Jerusalem. ^lm-4-12

**13** Pelos peccados dos prophetas, pelas maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio d'ella, ^lm-4-13

**14** Erraram cegos nas ruas, andavam contaminados de sangue; e, não podendo, levantavam as extremidades das suas roupas. ^lm-4-14

**15** Chamavam-lhes: Desviae-vos, é immundo; desviae-vos, desviae-vos, não toqueis, certo é que já voaram, tambem erraram: disseram entre as nações: Nunca mais morarão aqui. ^lm-4-15

**16** A face do Senhor os apartou, nunca mais tornará a olhar para elles: não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos. ^lm-4-16

**17** Emquanto subsistiamos, ainda desfalleciam os nossos olhos, esperando o nosso vão soccorro: olhavamos attentamente pela gente que não podia livrar. ^lm-4-17

**18** Espiaram os nossos passos, de maneira que não podiamos andar pelas nossas ruas: está chegado o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias, porque é vindo o nosso fim ^lm-4-18

**19** Os nossos perseguidores foram mais ligeiros do que as aves dos céus: sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas. ^lm-4-19

**20** O respiro dos nossos narizes, o ungido do Senhor, foi preso nas suas covas; do qual diziamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações. ^lm-4-20

**21** Regozija-te, e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz; porém ainda até a ti passará o copo; embebedar-te-has, e te descobrirás. ^lm-4-21

**22** Já se cumpriu a tua maldade, ó filha de Sião, nunca mais te levará em captiveiro: visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus peccados.  ^lm-4-22

## Capítulo 5

**1** Lembra-te, Senhor, do que nos tem succedido: considera, e olha o nosso opprobrio. ^lm-5-1

**2** A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros. ^lm-5-2

**3** Orphãos somos sem pae, nossas mães são como viuvas. ^lm-5-3

**4** A nossa agua por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. ^lm-5-4

**5** Padecemos perseguição sobre os nossos pescoços: estamos cançados, e nós não temos descanço. ^lm-5-5

**6** Aos egypcios estendemos as mãos, e aos syros, para nos fartarem de pão. ^lm-5-6

**7** Nossos paes peccaram, e já não são: nós levamos as suas maldades. ^lm-5-7

**8** Servos dominam sobre nós; ninguem ha que nos arranque da sua mão. ^lm-5-8

**9** Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. ^lm-5-9

**10** Nossa pelle se ennegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. ^lm-5-10

**11** Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judah. ^lm-5-11

**12** Os principes foram enforcados pelas mãos; as faces dos velhos não foram reverenciadas. ^lm-5-12

**13** Aos mancebos tomaram para moer, e os moços tropeçaram debaixo da lenha. ^lm-5-13

**14** Os velhos cessaram de se assentarem á porta, os mancebos de sua canção. ^lm-5-14

**15** Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa dança. ^lm-5-15

**16** Já caiu a corôa da nossa cabeça; ai agora de nós, porque peccámos. ^lm-5-16

**17** Portanto desmaiou o nosso coração, por isto se escureceram os nossos olhos. ^lm-5-17

**18** Pelo monte de Sião, que está assolado, as raposas andam por elle. ^lm-5-18

**19** Tu, Senhor, permaneces eternamente, e o teu throno de geração em geração. ^lm-5-19

**20** Porque te esquecerias de nós para sempre? porque nos desampararias tanto tempo? ^lm-5-20

**21** Converte-nos, Senhor, a ti, e nos converteremos: renova os nossos dias como d'antes. ^lm-5-21

**22** Porque nos rejeitarias totalmente? te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?   ^lm-5-22
